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Full text of "Revista do Archivo Público Mineiro"

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PURCHASED  FOR-THE 


Uiuversity  of  Toronto  Lihrnn/ 


BY 


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FOR  THE  SUPPORT  OF 


Brazilian  Studics 


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REVISTA 


DO 


Archivo  Publico  Mineiro 


DIRECÇÃO  F,  REDACÇÃO 

DE 

J.     P.     XAVIER      DA      VEIGA 

Director  do  mesmo  Archivo 

Anno  I  -  Fascículo  l.*^    —     Janeiro  a  Março  de  1896 


OURO    PRETO 

IMPRENSA  OFFICIAL  DE  MlxNAS  GERAES 
1S96 


SUMMARIO  DESTE  FASCÍCULO 


1  —  Palavras  preliminares Pag.  —  1 

II  —  Governo  de  Minas  Geraes »  —  3 

III  —  Representantes  de  Minas  Geraes  ....  »  —  23 

IV  —  Primeiras      administrações    electivas    em 

Minas  Geraes »  —  97 

V  —  Autos  da  creação  da  villa  de  Barbacena, 

na  comarca  do  Rio  das  Mortes   ....  »  —  119 

VI  -    Chorographia  Mineira »  —  129 

VII  —  Bibliographia  Mineira >»  —  155 

VÍII  —  «O  Aleijadinho»  (esboço  biographico)     .  »  —  161 

IX  —  Archivo    Publico    Mineiro  (Lei   e   Regula- 
mento da  Repartição) »  —  175 


COLLABORAÇÂO 


Acceitam-se  para  serem  insertos  nesta  Revista  os  artigos 
que  nos  forem  offerecidos,  uma  vez  que  sejam  elles  escriptos  em 
termos  convenientes  e  tenha  sua  matéria  interesse  real  para  os 
fins  do  —  Archivo  Publico  Mineiro. 


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REVISTA 


DO 


Archivo  Publico  Mineiro 


Direcção  e  Redacção  de 


J      P.     XAVIER     DA     VEIGA 


Director   do    mesmo  Archivo 


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Anno  I    -    1S96 


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Ouro  Preto 

Imprensa  Official  de  Minas-Geraes 
1896 


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REflSTA  DO  ÂRCHIYO  PUBLICO  MINEIRO 


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PALAVRAS  PRELIMINARES 


Notável  escriptor  contemporâneo,  referindo-se  a  um  incêndio  que 
ameaçou  recentemente  destruir  a  Torre  do  Tombo,  conta-nos  a  apprehen. 
Sí\o  esmagadora  que  por  alguns  minutos  dominou-o,  persuadido,  como 
estava,  que  «extincto  esse  riquíssimo  e  incomparável  Archivo,  Portugal 
perdia  os  documentos  de  sua  autonomia  moral,  e  ficava  reduzido  a  um 
simples  território  que  mais  facilmente  se  tornaria  um  annexo  da  Hes- 
panha». 

Esta  plirase  de  Theophilo  Braga,  applicavel  em  substancia  aos  gran- 
des Archivos  de  todos  os  povos,  condensa  em  singeleza  eloquente  o 
pensamento  civilisador  que  desde  remotos  séculos  tem  ditado  a  funda- 
ção e  a  manutenção  de  taes  instituições  em  todas  as  nacionalidades  adi- 
antadas das  quaes  são  ellas,  com  a  tradição  e  o  lustre  do  passado,  en, 
sinamento,  luz  e  estimulo  fecundo  para  as  novas  gerações. 

Nessa  phrase  como  que  resume-se  o  luminoso  phenomeno  histórico 
que  entre  os  povos  cultos  repete-se,  a  partir  de  remotíssima  antiguidade 
até  os  ncssos  dias,  mostrando-nos :  —  que,  nos  seus  tempos  primitivos, 
já  o  velho  Egypto  possuía  e  zelava  Archivos,  confiados  á  vigilância  dos 
seus  sacerdotes;  —  que  os  antigos  reis  persas  solícitos  accommodavam 
nos  próprios  palácios  os  Archivos  nacionaes;  -  que  o  Archivo  politico  e 
religioso  dos  Hebreus  tinha  a  sua  installação  venerável  a  princípio  na 
Arca  da  Alliança,  depois  no  Templo  de  Jerusalém;  —  que,  outr'ora,  pos' 


II 

siiia  cada  ciiliidc  da  Cirocia  o  seu  deposito  sagrado  de  papeis  itublicos. 
e  em  Roma  era  no  templo  de  Saturní)  (pie  os  edis  conservítvam,  catalo- 
gados, esses  documentos,  objecto  de  cuidados  e  vigilância  particulares;— 
que.  na  idade  média,  os  monumentos  graphicos  da  intelligencia  huma- 
na, escapos  das  convulsões  sociaes  pela  solicitude  corajosa  e  illuminada 
de  monges  beneméritos,  acharam  Arcas  salvadoras  nos  Archivos  dos  con- 
ventos e  abbadias,  esses  asylos  da  pa«  onde,  no  dizer  de  Lamenais,  quan- 
do a  espada  dos  bárbaros  desmembrava  pedaço  a  pedaço  o  império  ro- 
mano, se  abrigaram,  como  o  alcyão  debaixo  da  flor  marinha,  a  sciencia, 
o  amor,  a  íò,  quanto  consola,  quanto  encanta  e  regenera  a  humanidade; 
—  e.  finalmente,  que  nos  tempos  modernos,  sobretudo  na  época  presen- 
te em  a  qual  cuhnina  a  sua  civilisaçâo,  os  governos  dos  paizes  mais  adi' 
antados  rivalisam  em  esforços  para  desenvolverem  e  aperfeiçoarem  a  or- 
ganisaçíio  já  sumptuosa  e  scientifiramente  admirável  de  seus  Archivos, 
que  elles  consideram  entre  os  primeiros  dos  institutos  nacionaes. 

No  Brasil  escasseiam,  infelizmente,  estabelecimentos  deste  género  e 
os  que  existem  ainda  carecem  de  amplitude,  não  só  nos  edifícios  re- 
spectivos como  na  organisaçâo  efficaz  dos  múltiplos  e  importantes  servi- 
ços que  Ihessao  peculiares,  nomeadamente  o  da  publicidade— que  alarga 
e  vivifica  o  effeito  benéfico  da  instituição  á  medida  por  que  ella  se  dila- 
ta por  todos  os  circulos  sociaes.  Nem  escapam  a  essa  deficiência,  que 
urge  remediar-se,  vários  Archivos  da  Capital  Federal,  aliás  institutos  im- 
portantissimos,  que  guardam  innumeras  preciosidades  insubstituíveis,  e 
que,  sob  a  direcção  zelosa  e  proficiente  de  Brasileiros  distinctos,  teeni 
recebido  nos  últimos  tempos  notáveis  melhoramentos  e  são  de  utilidade 
crescente  para  a  publica  administração  e  para  quantos  se  dedicam  ao  es- 
tudo da  sciencia  e  das  cousas  pátrias. 


Estabelecido  com  a  Republica  o  regimen  federativo,  isto  é,  descen- 
tralisada  a  vida  nacional  e  desjjertos  os  Estados  da  velha  apathia  lethar- 
gica.  já  começam  elles  a  prover  sobre  a  necessidade,  essencial  á  própria 
autonomia,  de  organisarem  séria  e  systematicamente  os  seus  Archivos, 
que  ao  tempo  das  antigas  províncias  eram.  por  via  de  regra,  parcellados 
por  diversas  repartições,  e  parcellados  a  esmo,  desdenhosa  e  desordena- 
mente.  sem  nenhuma  methodisaçâo  ou  nexo.  Acervos  de  documentos, 
muitos  destes  de  valor  subido  e  quasi  todos  de  considerável  utilidade 
administrativa,  histórica  e  politica,  eram  atirados  e  esquecidos  em  recan- 
tos sombrios,  amalgamados  num  verdadeiro  labyrintho  sem  fio  conductor, 
ás  vezes  pasto  de  traças  e  expostos  á  humidade  que  os  delia,  quando 
outras  e  criminosas  espécies  de  devastação  não  inutilisavam  porção  delles 
para  sempre. . . 


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o  Estado  dp  Minas  Geraes,  por  seus  poderes  Legislativo  e  Executi- 
vo, acaba  de  prover  acerca  deste  assuinjjto,  de  magnitude  e  alcance  in- 
tuitivos, com  a  clarividência  e  zelo  patriótico  consoantes  ás  normas  que 
observadores  competentes  e  insuspeitos  reconhecem  e  applaudem  na  Or- 
ganisaçao  Mineira,  elaboraA  com  a  reflexão  e  a  calma  imprescindíveis 
no  estudo  das  necessidades  publicas  e  na  decretação  das  medidas  por 
«HIas  reclamadas. 

A's  suggestões  imperiosas  da  nova  forma  politica  federativa  e  de 
uma  adminisfra(;ão  esclarecida,  accresce  que  em  todo  o  Brasil  é  o  Estado 
Mineiro  aquelle  onde  mais  radicadas  se  acham  as  tradições,  veneradas  e 
amadas  na  vida  retrospectiva  do  passado.  Para  o  temperamento  do  bom 
Mineiro  não  vem  dahi  a  debilitante  melancolia  que  emerge  das  cousas 
inanimadas,  mas  o  conforto  ajjrazivel  ao  espirito  meditativo  e  piedoso 
evocando  nomes  e  feitos  memoráveis   de  antepassados  beneméritos. 

Por  tudo  isso,  o  Archivo  Publico  Mineiro,  agora  fundado,  é  institui- 
ção que  consagra  sentimento  e  idéa  popular.  Modesto  nas  suas  propor- 
ções apparentes,  modesto  pelo  local  e  meios  de  installaçio,  nem  assim 
deixa  de  ser  importante  e  precioso  sob  vários  aspectos.  Bastara  dizer-se 
que  no  acervo,  ainda  não  ordenado,  dos  documentos  que  contêm,  estão 
não  só,  em  original  ou  impressos,  actos  constitucionaes,  legislativos  e 
governativos  concernentes  ao  Estado  e  ás  antigas  Província  e  Capitania 
mas  também  outros  títulos  históricos  de  nossa  existência  já  duas  vezes 
secular,  honrosissimos  padrões  que,  si  recordam  gemidos  de  oppressos  e 
soluços  de  niartyres,  relembram  também,  e  em  maior  copia,  acções  he- 
róicas, commetimentos  de  patriotismo  intemerato,  sublimes  voos  do  pen- 
samento illuminado  e  inolvidáveis  revoltas  da  dignidade   humana. 

Esses  documentos,  explicando  os  successos  a  que  se  filiam,  esclare- 
cendo acontecimentos  por  vezes  apparentemente  confusos  ou  contradi- 
ctorios— são,  por  certo,  elos  de  im|)ortancia  capital  para  a  nossa  vida  col- 
lectiva,  elos  que  cumpre  examinar  e  estudar  attentamente  para,  bem  co- 
nhecendo-os,  bem  presal-os. 

Sem  eiles,— obscurecida  ou  deturpada  a  verdade  dos  factos  á  feição 
dos  interesses  e  das  paixões,  eliminadas  as  fontes  de  que  emanâo  para 
a  Historia  a  própria  origem  e  a  austeridade  fecunda  de  seus  conceitos— 
não  raro  careceria  o  investigador  sincero  ser  illuminado,  o  que  só  aloan- 
ção  génios  privilegiados,  dessa  c intuição  quasi  prophetica  do  passado 
intuição  ás  vezes  mais  difficultosa  que  a  do  futuro»,  na  phrase  profunda 
do  illustre  Alexandre   Herculano. 

Sem  elles,  pois,— quantos  enygmas  e  mysterios  impenetráveis  nas 
paginas  do  passado  !  quantos  ensinamentos  perdidos  !  e  quantos  sacrifí- 
cios desaproveitados,  feitos  por  homens  de  tempera  rija,  de  intelligencia 
rutila  e  de  coração  alentsdo,  em  lutas  a  prol  da  Liberdade,  da  Justiça,  do 
Progresso  e  da  Pátria,  lutas  repetidas  e  frequentemente  dolorosas  nas 
quais  não  poucos  se  glorificarão  como  heróes ! 


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Nao  exageramos  por  suggestão  de  nativismo.  Sobejâo  depoimentos 
insuspeitos  na  apreciação  honrosissima  do  caracter  mineiro,  franco,  leal- 
indómito  no  amor  da   Liberdade. 

Revelou-se  assim  desde  os  primeiros  tempos  do  periodc  colonial,  que 
loi  o  du  formnçílo  na  escola  rude  do  soffrimeBto  e  da  luta,  sombra  e  san- 
gue dessa  lungu  |)hase  crepuscular  da  vida  mineira.  Já  em  1720  o  capi- 
tào-general  Assumar,  tenente  do  despotismo  reinante  e  elle  mesmo  dés- 
pota por  conta  própria,  pintava  horrorisado  a  D.  João  V  «o  inveterado  e 
sempre  abominável  costume  de  Minas  Geraes,  onde  se  entende  que  ser 
traidor  aos  disparates  de  um  povo  é  muito  maior  crime  que  ser  traidor 
contra  as  leis  e  resoluções  de  vossa  magestade...»  De  feito,  em  quanto 
vigorou  a  tyrannia  metropolitana  a  attitude  do  povo  mineiro  foi  uma  «In. 
confidencia»  permanente,  protestante  e  conspiradora,  que  teve  em  1789 
o  lampejo  é|)ico  de  sua  mais  alta  indignação.  Por  tudo  isso,  pôde  com  razão 
um  egrégio  Fluminense,  F.  Octaviano,  em  artigo  que  vale  uma  ode, 
evocar  em  1860  as  tradições  da  «formosa  Terra  Mineira,  estrella  brilhan- 
te do  Sul,  cujos  filhos,  gigantes  de  talento  e  de  animo,  escalarão  o  Olym' 
po  da  monarchia  absoluta...» 

Nâo  ha  negar,  e  explicitamente  confessou  eminente  escriptor  portu- 
guez,  que  os  actos  de  nossa  historia  colonial  constituirão  sempre  o  sys- 
tema  de  uma  e.xploração  egoista,  por  vezes  depredadora;  e  não  raro, 
accrescentaremos,  revoltantemente  cruel.  Não  obstante,  como  observa 
ainda  Oliveira  Martins,  si  podemos  e  devemos  criticar  e  lamentar  que  a 
administração  portugueza  fosse  má,  em  caso  idêntico,  estão  os  Portugue- 
zes,  pois  não  foi  melhor  a  administração  metropolitana.  O  mal  era  da 
essência  do  próprio  regimen  dominante.  Não  iremos  por  isso  renegar  a 
nossa  historia  e  a  nossa  ascendência,  nem  decretar  o  cdio  aos  nossos 
maiores,  erigindo-o  em  base  de   patriotismo. 


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Urge,  no  entanto,  proceder-se  á  selecção  criteriosa,  discriminando  por 
ella  as  consequências  inherentes  e  fataes  do  systema  governativo  op- 
pressor,  e  os  actos  condemnaveis  de  natureza  e  responsabilidade  pessoal. 
Para  isso  é  indispensável  accumular,  ordenar  e  methodizar  os  elementos 
do  processo  histórico,  fundamento  e  luz  para  sentenças  justas  de  que 
emanem  para  os  beneméritos  o  galardão;  o  indulto  para  os  que  errarão 
bem  intencionados,  e  a  execração  para  os  perversos. 

Esse  nobilíssimo  desideratum,  as  múltiplas  conveniências  quotidianas 
da  administração  estadual  e  os  altos  interesses  que  se  prendem  a  ina- 
lienáveis e  sacratíssimos  direitos  de  nossa  integridade  territorial,  forão 
por  certo  outros  tantos    ineluctaveis   incitamentos  para  a  creação  do  Ar- 


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chivo  Publico  Mineiro,  como  repositório  systematisado  de  documentos  va- 
liosos para  aqiielles  e  outros  úteis  destinos.  A  lei  respectiva  contém  cla- 
ramente os  seus  delineamentos  básicos,  e  o  regulamento  que  seguio-se- 
Ihe  traçou  com  minúcia  as  normas  organisadoras.  Ambos  estes  actos  of- 
ficiaes  v^o  no  fim  do  presente  fascículo,  para  elucidação  plena  dos  fins 
do  instituto  e  dos  meios  eflicazes  para  a  sua  almejada  consecução. 


Como  desenvolvimento  natural  da  lei  orgânica  do  Archivo,  determi- 
nou o  decreto  que  a  regulamentou  a  creação  de  uma  Bibliotheca  Mineira 
— comprchendendo  livros,  opúsculos,  mappas,  periódicos  e  mais  impres- 
sos concernentes  á  historia,  homens  e  cousas  de  Minas  Geraes,  em  to' 
dos  os  tempos,  e  quaesquer  publicações  de  auctores  mineiros.  Empre- 
henflimento  semelhante  acabamos  de  ver  decretado  pelo  governo  da  Suis- 
sa.  Reconhecemos  assaz  a  difficuldade  de  attrahir  para  um  repositório 
único  exemplares  de  innumeras  publicações  feitas  no  longo  período  de 
quasi  dois  séculos,  muitas  delias  de  pequeno  tomo  esparsas  por  toda  par- 
te em  mãos  de  grande  numero  de  possuidores  e  que,  na  sua  maioria, 
não  se  encontrão  á  venda  nas  livrarias  do  paiz  e  do  estrangeiro.  Nem 
por  isso,  comtudo,  deve-se  renunciar  ao  pensamento  e  ao  esforço  no  em- 
penho de — quanto  possivel— realisar-se  o  fim  almejado,  de  alcance  má- 
ximo para  o  estudo  de  nossa  terra  sob  os  variadíssimos  aspectos  que 
elle  offerece  e  para  o  necessário  preparo  da  Hibliographia  Mineira,  lau- 
rea  devida  áquelles  que  já  derão  provas  de  merecimento  intellectual  e 
incitamento  para  novas  e  idênticas  locubrações. 

A  formação,  pois,  da  BibUotlieca  Mineira,  já  iniciada,  no  Archivo  Pu- 
blico do  Estado,  depende  do  franco  e  generoso  concurso  dos  escriptores 
nossos  conterrâneos  e  de  todas  as  pessoas  que  possuão  publicações  de 
qualquer  género  de  auctor  mineiro,  especialmente  com  relação  a  livroS' 
opúsculos,  mappas,  collecções  de  periódicos,  etc,  que  não  podem  ser  ad- 
quiridos por  compra,  pelo  esgotamento  das  respectivas  edições  ou  por 
outras  causas.  Agradeceremos,  portanto,  como  valioso  serviço  ao  Estado, 
a  remessa  de  qualquer  exemplar  que  obsequiosamente  nos  facão  de  taes 
publicações,  destinadas  ao  fim  já  indicado,  de  utilidade  e  importância 
manifestas  Exaramos  aqui  o  instante  pedido,  que  renovaremos  por  ou- 
tros meios. 


O  empenho  de  facilitar,  pelos  meios  que  ficão  já  expostos,  o  escla- 
recimento de  pontos  controvertidos  ou  obscuros  de  nossa  historia,  um 
dos  objectivos  que  visou  a  instituição  do  Archivo  Publico  Mineiro,  é  táo 
amplo  nos  benéficos  effeitos  colimados  que  pode  revestir  o  caracter  de 
interesse  nacional.  Tem-n'o  sempre  a  cultura  intellectual  pela  investiga- 
ção conscienciosa  dos  fastos  da  Pátria.  D'ahi  a  ideia  de  vulgarisarem-se 
as  noticias  e  documentos  conducentes  áquelle  fim  cujo  alcance  não  es- 
capa a  nenhum  espirito  esclarecido;  e  para  a  realisação  dessa  ideia 
providenciou   expressa  e  effica/mente  a  lei. 

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VI 

Em  verdade,  sem  o  recurso  de  larga  publicidade  a  todos  accessivel, 
ficaria  restricta  a  utilidade  da  instituic^rio  a  limitadissimo  circulo  de  pes- 
quisadores pacientes,  e  ainda  assim  exigindo  tempo  e  labores  conside- 
ráveis. Tal  o  motivo  determinante  da  creação  desta  Revista,  que  é  de 
algum  modo  o  complemento  imi)rescindivel  do  próprio  Archivo  e  que— 
pelas  lacunas  e  senões  do  seu  preparo  inicial— espera  do  publico  illus- 
trado  a    precisa  indulgência. 

Que  torne-se  extensiva  essa  indulgência  ao  director  deste  nascente 
instituto :  elle  confessa  a  própria  fraqueza  para  o  posto  honroso  mas  de- 
licado e  de  grande  responsabilidade  em  que  collocou-o  a  confiança  ge- 
nerosa do  patriótico  governo  do  Estado.  Afiirma,  porém,  a  sua  inteira  e 
sincera  boa  vontade  para  o  cumprimento  do  dever. 

Seja  essa  boa  vontade  amparada  pela  benevolência  publica  !  Vivifi  - 
que-a  e  illumine-a  o   conselho  dos  competentes! 

Eis  os  nossos  votos  e  a   esperança   que  nos  anima. 

Ouro  Preto,  28  de  março  de  1896. 


Governo  de  Minas  Geraes 


período  colonial 


1-CAPlTANIA  DO  RIO  DE  JANEIRO,    S.  PAULO  E  MINAS  GERAES 


GOVERNADORES 


1 — António  Paes  de  Sande 

—Governo  interino  de  André  Cura- 
co,  de  7  de  outubro  de  1694  a 
18  de  abril  de  1695. 


DATA  DA.  POSSE 

23  de   março    de   1693  (1) 


(11— Anteriormente  a  1693  já  as  minas  haviam  sido  visitadas  por  ser- 
tanistas  ousados,  buscando  aprisionar  e  captivar   os  bugres,  ou  á  cata  do 
ouro.     Mas  só  do  fim  do  governo  de  António  Paes  de  Sande    data  a  ex- 
ploraçAo  regularisada    e  em    continuo  incremento    do  território    mineiro. 
«Pouco  antes  de  sua  morte,    observa  um  chronista    (Revista    do  Instituto 
Histórico  e  Geographico  Brazileiro,  tomo  11—1840),  teve  António  Paes  de 
Sande  a  satisfação  de  ver  as  amostras  do    primeiro  ouro    que    appareceu 
nas  Minas  Geraes,  apresentado  pelos  Paulistas  Carlos  Pedroso  da  Silveira 
e  Bartholomeu  Boeno  de   Cerqueira   em  principies  de  1695;    as  suas  mo- 
léstias e  a  sua  morte  lhe  privaram  o  gosto  de  o  remetter  á  sua  magesta- 
de» .     Foi  feita  ao  rei  de  Portugal  d.  Pedro   II  essa  remessa  do  supposto 
primeiro  ouro  de  Minas  Geraes  pelo  governador  Sebastião  de  Castro  Cal- 
das, a  16  de  junho  do  mesmo  anno  de  1695. 

— E  dizemos— supposto— porque  dois  annos  antes  (1693)  já  António 
Rodrigues  Arzão,  que  com  uma  comitiva  de  cincoenta  homens  recolhia-se 
de  Minas  para  S.  Paulo  passando  pela  Victoria  (Espirito  Santo),  apresen- 
tara ao  capitáo-mór  regente  dessa,  então,  villa,  três  oitavas  de  ouro  extra- 
hido  do  sitio  Casa  da  Casca,  donde  vinha.  Desse  ouro,  considerado  por 
alguns  escriptores  o  primeiro  tirado  em  Minas,  foram  feitas  duas  memo- 
rias, ficando  uma  com  Arzão  e  outra  com  o  capitão-mór.  E'  provável, 
no  entanto,  que  o  facto  não  fosse  communicado  ao  governador  António 
Paes  de  Sande,  e  d'ahi  a  prioridade  de  descoberta  erroneamente  attrihui- 
da  a  Carlos  Pedroso  da  Silveira  e  Bartholomeu  Boeno;  sendo  também 
provável  que  essa  prioridade  não  caiba  nem  mesmo  a  A.  R.  Arzão,  mas 
ao  tenente-general  Borba  Gato  e  aos  do  seu  séquito  ([ue.  cerca  de  vinte 
annos  antes,  perlustrarani  as  margens  do  Rio  das  Velhas  e  consta,  com  ap- 
parencias  de  verdade,  que  ali  colheram  muitas  amostras  do  precioso  metal 


tlRVlSTA     DO 


2 — Sebastião   de  Castro  Caldas 
3 — Arthur  de  Sá  e  Menezes.    . 
— Governos    interinos    de    Martim 
Correia  Vasques  e  Francis- 
co de  Castro  Moraes:  o  1.° 
de  15  de  outubro  de  1697  a 
16   de   julho  de    1699,    em 
quanto  o   governador  effe- 
ctivo     se     achava    em     S. 
Paulo;  — o    2."    de    15    de 
março    de    1700,    até  8  de 
julho   de    1702,    durante  a 
ausência  de  Arthur  de  Me 
nezes,   em   excursões     por 
Minas  Geraes . 
4— D.  Álvaro  da  Silveira  Albuquerque 
5— D.    Fernando   Martins    Mascare- 
nhas de  Lencastro  (3) 
—  Na     ausência    deste 

dor—  que  veio  a  Minas 
Geraes  —  ficou  governando 
no  Rio  de  Janeiro  um  trium 
virato,  composto  do  bispo 
da  diocese,  d.  Francisco  de 
S.  Jeronymo,  do  mestre  de 
campo  Martim  Corrêa  Vas 
quês  e  do  mestre  de  campo 
Gregório  de  Castro  Moraes 
6— António  de  Albuquerque  Coelho 
de  Carvalho .  . 


governa- 


19  de  abril  de  1695  (1) 
2  de  abril  de  1697  (2) 


15  de  julho  de  1702 


1.°  de  agosto  de  1705 


11  de  junho  de  1709 


{l)-0  Visconde  de  Porto  Seguro,  na  sua  Historia  Geral  do  Brazil  diz 
—  17  de  abril.  A  data  que  indicamos  acima  encontramol-a  em  «memorias» 
e  catálogos  de  governadores  do  Rio  de  Janeiro,  na  Reuista  do  Instituto 
Histórico,  tomos  II  e  XXI  (1840  e  1858). 

(2)— Diversos  escriptores  têm  mencionado  para  a  posse  de  Arthur  de 
Sá  e  Menezes  o  dia  16  de  outubro  de  1695.  Ha  nisso  equivoco  manifesto. 

A  patente  do  governador  Arthur  de  Menezes,  registrada  no  Liv.  10  do 
Reg.  de  Ordens  Reaes,  da  Camará  do  Rio  de  Janeiro,  tem  a  data  de  12 
de  janeiro  de  1697.    Isto  diz  tudo. 

Foi  este  o  primeiro  governador  que,  por  ordem  regia,  veio  a  Minas  (no 
anno  de  1700),  «examinar  os  riquíssimos  thesouros  que  proximamente  se 
tinham  descoberto  em  diversos  logares  daquella  vasta  região»,  diz  um  ve- 
lho chronista. 

(3)  — Nos  últimos  tempos  deste  gcvernador,  a  começar  em  1707,  exer- 
ceu çfoverno  de  facto  em  Minas  Geraes  o  celebre  Manoel  Nunes  Vianna, 
apoiado  por  grande  numero  de  homens,  reinos  como  elle,  de  quem  an- 
teriormente já  se  constituirá  protector,  conselheiro  e  chefe,  na  guerra  en- 
tre Portuguezes  e  Paulistas.  Seus  sequazes,  formando  um  verdadeiro  exer- 
cito, expelliram  em  1707  a   d    Fernando  Mascarenhas,  das  Minas,    achan- 


\R(.!!:^f)   i  r::i,ico  mineiro 


II-CAPITANIA  DE  S    PAULO  E  MINAS  GERAES 
(Cre  ida  pela  carta  regia  de  9  de  novembro  de  1709)  (/) 


GOVERNADORES 

1  —  António   de  Albuquerque  Coe- 

lho de  Carvalho 

2  —  D     Braz  Balthazar  da  Silveira 

3  —  D.    Pedro  de  Almeida,  Conde 

de  Assumar 


DATA  DA  í'OSSE 


18  de  junho  de  1710 
31  de  ciííosto  de  1713 


4  de  setembro  de  1717 
III-  CAPITANIA  INDEPENDENTE  DE  MINAS-GERAES 
(Creada  por  alnará  de  D.  João  V,  de  2  de  dezembro  de  1720  (2) 


GOVKRNAOORES 

1 — D.  Lourenço  de  Almeida.     . 
2— André  de  Mello  e  Castro,  Con- 
de das  Galveas 


DATA   DA   i'OSSE 


18  de  agosto  de  1721  (3) 
1   de  setembro  de  1732  (4) 


do-se  este  em  Congonhas  do  Campo,  aonde  acabava  de  chegar  vindo  do 
Rio  de  Janeiro,— e  acciamaram  governador  a  Manoel  Nunes  Vianna, 
homem  intrépido,  activo  e  intelligente,  que  effectivamente  praticou  mui- 
tos actos  como  si  legalmente  fosse  governador,  e  era  respeitado  como 
tal  por  grande  parte  do  povo  e  temido  pelos  que  não  o  acompanhavam. 

Só  em  outubro  de  1709  pôde  o  novo  governador  legal,  António  de 
Albuquerque  Coelho  de  Carvalho.  i|ne  para  i^so  veiu  ás  Minas,  regulari- 
sar  as  cousas,  a  elle  se  submettcndo  Nunes  Vianna,  que  revelou  durante 
O  seu  governo  qualidades  notáveis,  pelo  acerto  e  rectidão  de  seus  actos, 
como  pela  sagacidade  e  energia  com  que  soube  se  haver  em  circumstan- 
cias  difficeis. 

(1)— E  não  de  23  de  novembro,  como  se  lê  na  Historia  do  Brasil  do 
Visconde  de  Porto  Seguro  (vol.  2."  pag.  1.215),  e  nem  3  de  novembro, 
como  escreveu  Azevedo  Marques,  nos  seus  Apontamentos  históricos  da 
província  de  S.  Paulo.  No  Archivo  Publico  Mineiro  ha  registro  que  au- 
thentica  a  data  de  9  de  novembro,  em  carta  regia  para  a  creaçílo  da 
capitania  de  S.  Paulo  e  Minas,  separada  da  do  Rio  de  Janeiro.  Eno  Archivo 
Publico  do  Rio  de  Janeiro  existe  o  original  da  carta- regia  que  nomeou 
António  de  Albuquerque  para  governador  da  nova  capitania,  com  a  data 
referida  de  9  de  novembro  de  1709, 

(Vide  vol.  1."  pag.  215  das  Publicações  do  Archivo  Publico  Nacional). 

(2)  —  O  Visconde  de  Porto  Seguro,  na  sua  Historia  do  Brasil,  indica 
—doze  de  dezembro  e  nfio  dous,  para  a  data  do  alvará.  Equivocou-se. 
Alem  de  ser  esta  a  data  mencionada  por  muitos  chronistas,  existe  no  Ar- 
chivo Publico  do  Estado  de  S.  Paulo  o  próprio  original  do  alvará,  que  o 
comprova,  conft)rnie  se  vè  de  uma  copia  publicada  pelo  Cobreio  Paulista- 
no em  julho  de  1893,  e  reeditada  em  1895  nas  Publicações  officiaes  do 
referido  Archivo  de  S.  Paulo 

(3)  —  O  supra-citado  historiador  diz  ter  sido  a  posse  a  28  de  agosto, 
e  Abreu  Lima.  na  sua  Sijnov^p  ctiron^^tor/ico  da  historia  do  Brazil,  a  8. 
Ambos  equivocaram-se  A  posse  do  governador  d.  Lourenço  de  Almei- 
da foi,  como  indicamos  acima,  a  18  de  agosto  de  1721,  conforme  verificá- 
mos no  termo  respectivo,  que  se  acha  no  Aichivo  Publico  Mineiro. 

(4)  -  Diz  o  Visconde  de  Porto  Seguro  ter  sido  a  10  de  setembro.  Náo 
encentramos  ainda  no  Archivo  do  Estado  registro  do    facto,    mas  o    dr. 


6 


REVISTA    DO 


3 — Gomes  Freire  de  Andradci,  Con- 
de de  Bobadella 

— Governo  interino  de  Martinho 
de  Mendonça  de  Pina  e  de 
Proença,  no  impedimento 
do  Conde  de  Bobadella   . 

3 — Gomes  Freire  de  Andrada,  Con- 
de de  Bobadella,  {2^  exer 

cicio) 

— Governo  interino  de  José  An- 
tónio Freire  de  Andrada 
(2.°  Conde  de  Bobadella  e 
irmão  do  1.") 

3 — Gomes  Freire  de  Andrada,  Con 
de  de  Bobadella  (3.°  exer 

cicio)   ....  ..... 

— Governo  interino  do  bispo  do 
Rio  de  Janeiro,  d.  Frei  An- 
tónio do  Desterro,  do  bri- 
gadeiro José  Fernandes  Pin- 
to Alpoim  e  do  chanceller 
da  Relação,  João  Alberto 
Castello  Branco,  desde  a 
morte  de  Gomes  Freire  de 
Andrada  (1.°  de  janeiro 
de  1763)  até  16  de  outubro 
do  mesmo  anno;  e  do  vice- 
rei  Conde  da  Cunha  (d.  An- 
tónio Alvares  da  Cunha), 
de  16  de  outubro  de  1763 
até  a  posse  do  4.''  gover 
nador  effectivo,  a  28  de  de 
zembro  do  dito  anno. 


26  de  março  de  1735 

15  de  maio  de  1736  (1) 
26  de  dezembro  de  1737 

17  de  fevereiro  de  1752 
28  de  abril  de  1758  (2) 


1."  de  janeiro  de  1763. 


16  de  outubro  de  1763 


Cláudio  Manoel  da  Costa,  no  fundamento  histórico  do  seu  poema  Villa 
Rica,  aifirma  ter -se  effectuado  a  posse  do  Conde  das  Galveas  no  1  °  de 
setembro  de  1732,  e  o  mesmo  declara  o  notável  chronista  desembartrador 
Teixeira  Coelho,  na  f/istrucção  para  o  governo  da  Capitania  de  Minas- 
Geraes.  Outros  escriptores  também  indicam  para  o  facto  o  dia  1.°  de 
setembro.  Esperamos  poder  ainda,  á  vista  do  assentamento  official  que 
procuramos,  firmar  este  ponto. 

(1)  —  A  me^ma  lacuna  e  pesquisa  occorrem  quanto  ao  assentamento 
official  concernente  á  posse  de  Martinho  de  Mendonça.  Os  referidos  chro- 
nistas  divergem  e  outros  igualmente  estão  em  desaccordo,  uns  indicando 
março  e  outros  maio,  no  que,  aliás,  talvez  haja  simplesmente  confusão 
typographica. 

(2)  —  Foi  este  o  dia  em  que  regressou  o  Conde  de  Bobadella  ao  Rio 
de  Janeiro,  de  sua  commissâo  militar   no  Sul    do  Brasil,    continuando  no 


A.RCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


28  de  dezembro  de  1763. 


16 
22 


de  julho  de  1768. 
de  maio  de  1773. 


13 
29 


de  janeiro  de  1775. 
de  maio  de  1775. 


4 — Luiz  Diogo  Lobo  da  Silva.      •  . 
5 — Conde  de   Valladares    (d.  José 
Luiz    de    Menezes    Abran- 
ches   Castello  Branco) 

6 — António  Carlos  Furtado  de  Men- 
donça    ..... 

— Governo  interino  do  coronel 
Pedro  António  da  Gama 
Freitas  (em  virtude  de  or- 
dens regias  e  carta  do  vi- 
ce-rei  Marquez  de  Lavradio 
de  27  de  dezembro  de  1774) 

7 — D.   António  de  Noronha 

8 — D.   Rodrigo    José    de   Menezes 
(Conde  de  Cavalleiros)..   . 
9 — Luiz  da  Cunha  Menezes    (Con- 
de de  Lumiares)    ...    ... 

10 — Luiz  António  Furtado    de  Men- 
donça  (Visconde   de    Bar- 

bacena) 

11 — Bernardo  José  de  Lorena  (Con- 
de de  Sarzedas) 

12— Pedro  Maria  Xavier  de  Athayde 
e  Mello  (Visconde  de  Con 

deixa)   

— Governo  interino    do    bispo  de 
Marianna,  d.  Frei  Cypriano 
de  S.  José. 
13 — D.    Francisco    de    Assis    Mas 
carenhas   (Conde  da 

Palma)   

14 — D.  Manoel  de  Portugal  e  Castro) 
De   23    de  janeiro    a   22    de 
abril  de  1817,  tendo  o  go- 
vernador   obtido    uma    li- 
cença   para    ir  ao  Rio    de 

governo  das  três  capitanias  do  Rio.  S.  Paulo  e  Minas.  Apezar  disso,  seu 
irmão,  o  coronel  José  António  Freire  de  Andrada,  continuou  interinamen- 
te na  administração  da  capitania  de  Minas-Geraes  até  o  fallecimento  de 
Gomes  Freire.  Deu-se  assim  uma  espécie  de  exercicio  simultâneo  de  dous 
governadores,  mas  o  interino,  em  Villa  Rica,  estava  subordinado  ao  effe- 
ctivo.  então  no  Rio  de  Janeiro,  e  que  accumuiava  o  governo  dessa  capi- 
tania e  o  das  de  S.  Paulo  e  Minas.  Nesse  periodo,  pois,  José  António 
Freire  de  Andrada  não  era,  em  Minas  Geraes,  sinão  o  logar-tenente  de 
seu  irmão,  o  1.°  Bobadella. 

(1)  — Findou  a  21  de  setembro  de  1821  a  sua  administração  como  ex- 
clusivo governador  da  capitania. 


20  de  fevereiro  de  1780 

10  de  outubro  de  1783. 

11  de  julho  de  1788. 
9  de  agosto  de  1797. 

21  de  julho  de  1803. 


5  de  fevereiro  de  1810. 
11  de  abril  de  1814(1) 


8 


RBVl&TA     DO 


1 


Janeiro,  íoi  substituído  por 
uma  junta  composta  do  ou- 
vidor (António  José  Duarte 
de  Araújo  Gondim)  e  do 
commandante  da  força  pu- 
blica, o  brigadeiro  João 
Carlos  Xavier  da  Silva  Fer- 
rão, na  forma  do  alvará  de 
12  de  dezembro  de  1770 
A  23  de  abril,  d  Manoel 
de  Portugal  e  Castro  reas- 
sumiu o  governo  da  capi- 
tania. I  jí 

Governo  provisório 

1.^  JUNTA-ELEITA  A  20  DE  SETEMBRO  DE  1821 
(Posse  a  21  do  mesmo  mez  e  anno) 

D.   Manoel  de  Portugal  e  Castro— presidente.  (1) 
Dr.  José  Teixeira  da  Fonseca  Vas- 
concellos  (depois  Visconde  de  Caeté — vice-presidente 
Dr    João  José  Lopes  Mendes  Ribeiro — secretario 

Coronel  António  Thomaz  de  Figueiredo  Neves  ^ 
Dr.  Theotonio  Alvares  de  Oliveira  Maciel  .  .  .  i 
Tenente-coronel  Francisco  Lopes  de  Abreu   .  .  .  i  \ 

Coronel  José  Ferreira  Pacheco         [  \ 

Joaquim  José  Lopes  Mendes  Ribeiro   ....  Membros  * 

Capitão-mór  José  Bento  Soares 

Dr.  Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Sousa  (depois 

Barão  de  Pontal) 

Padre  José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello.  .... 


Sob  o  regimen  colonial  houve  para  Minas  Geraes  (1693— 1821)— 23 
governos  effectivos  e  9  interinos:  —  total  32.  Média  para  cada  admi- 
nictração— 4  annos  e  11  dias. 

(1)  —  Logo  depois  de  empossado  retirou-se  para  o  Rio  de  Janeiro  ,só 
regressando  a  16  de  julho  do  annu  seguinte,  para  funccionar  na  2.^  Junta, 
da  qual  foi  também  presidente- 


ARCHIVO     PUBIJCO    MINEIRO 


9 


2.^  JUNTA  -  ELEITA  A  23  DE  MAIO  DE  1822  (1; 

(Posse  a  24  Maio  do  dito  anno) 

D.  Manoel  de  Portugal  e  Castro  —  presidente  .      (2) 
Luiz  Maria  da  Silva  Pinto         ..         secretario        i 

Capitão-mór  Custodio  José    Dias / 

Coronel  Romualdo  José  Monteiro  de  Barros.    '  jviembros 
Cónego  dr.  Francisco  Pereira  de  Santa  Apo- 
lónia   ■  ■    • 

Luiz  Pereira  dos  Santos 

Capitão-mór  Manoel  Teixeira  da  Silva 

período  imperial 

GOVERNO      PROVINCIAL 


PRESIDENTES  E;VICE-PRESIDENTES 

1  —  Dr.  José  Teixeira  da  Fonseca 
Vasconcellos  (depois  Barão  e 
Visconde  de  Caeté)  —  presi- 
dente  

—  Dr.  Theotonio  Alves  de  Oli- 
veira Maciel  —  vice-presidente 

—  Cónego  dr.  Francisco  Pereira 
de  Santa-Apolonia  —  vice-pre- 
sidente          

1  —  Dr.  José  Teixeira  da  Fonseca 
Vasconcellos.  (presidente)  reas- 
sume o  governo  em 

—  Cónego  dr.  Francisco  Pereira 
de  Santa  Apolónia  —  vice- 
presidente 


DATA  DA    POSSE 


29  de  fevereiro  de  1824. 
2  de  maio  de  1826. 

29  de  maio  de  1826 

6  de  outubro  de  1826. 

19   de  março  de  1827. 


(1)  —  Em  diversas  publicações,  inclusive  algumas  de  caracter  semi- 
officiaí,  se  dá  erroneamente  esta  Junta  como  eleita  a  20  de  maio.  O  pro- 
cesso eleitoral  começou  effectivamente  nesse  dia,  mas  a  Junta  só  ficou 
eleita  a  23  de  maio,  (1822).  Veja-se  o  Livro  de  Acconiams  da  camará  mu- 
nicipal de  Ouro  Preto,  dos  annos  de  1809  a  182(3). 

(2)  —  Pouco  depois  de  proclamada  a  Independência  e  da  acclamaçâo 
de  Pedro  1.°  como  Imperador,  d.  Manoel  de  Portugal  e  Castro  deixou  a 
administração,  retirando-se  de  Minas  (13  de  outubro  de  1882)  e  do  Bra- 
sil, porque,  dizia  elle,  «era  d.  Manoel  de  Portugal...* 

Substituiu-o  na  presidência  da  Junta  o  cónego  dr.  Santa-Apolonia. 


REVISTA    DO 


10 

2  —  Desembargador  João  José  Lo- 
pes Mendes  Ribeiro  —  pre- 
sidente  

—  Cónego  dr.    Francisco  Pereira 

de  Santa  Apolónia —  vice- 
presidente 

2  —  Desembargador  João  José  Lo- 
pes Mendes  Ribeiro  (presi- 
dente) 2."  exercicio 

—  Cónego  dr.  Francisco    Pereira 

de  Santa  Apolónia  —  vice- 
presidente         , 

2  —  Desembargador  João  José  Lo 

pes  Mendes  Ribeiro  (presi- 
dente— 3.°  exercicio 

3  —  Marechal  José  Manoel  de   Al 

meida  —  presidente...    . . 

4  —  Desembargador  Manoel  Antó- 

nio Galvão  —  presidente.. 

5  —  Desembargador   Manoel  Igna- 

cio  de  Mello  e  Souza  (de- 
pois barão  do  Pontal)  — 
presidente . 

—  Desembargador  Bernardo  Pe- 

reira de  Vasconcellos  — 
vice-presidente 

5  —  Desembargador   Manoel  Igna- 

cio  de  Mello  e  Souza — (pre- 
sidente) 2>'  exercicio 

—  Tenente  coronel   Manoel  Soa- 

res do  Couto,  vice-presi- 
dente intruso,  acclamado 
na  sedição  militar  que  ir- 
rompeu em  Ouro  Preto  (na 
noite  de  22  de  março) .  . 

6  —  Dr.  José  de  Araújo  Ribeiro  (de- 

pois Visconde  do  Rio  Gran 
de  —  presidente 


18  de  dezembro  de  1827. 

18  de  abril  de  1828. 

13  de  outubro  de  1828. 

19  de  abril  de  1829. 

3  de  outubro  de  1829. 
22  de  abril  de  1830. 
3  de  fevereiro  de  1831. 

22  de  abril  de  1831 

23  de  janeiro  de  1833. 
21  de  fevereiro  de  1833. 


23  de  março  de    1833.  (1) 


4  de  julho  de  1833. 


(1)  —  Goverrou  de  accordo  com  os  revoltosos  até  23  de  maio  do  mes- 
mo anno.  Ausente  (em  Marianna)  o  presidente  effectivo  Mello  e  Souza, 
o  vice-presidente  Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos  installa  a  5  de  abril  o 
governo  legal  em  S.  joflo  d'El-Rey,  onde  a  10  do  dito  mez  reassume  a 
administração  o  desembargador  Mello  e  Souza,  que  a  26  de  maio  seguin- 
te chega  a  Ouro  Preto,  já  evacuado  pelos  sediciosos,  ahi  continuando  no 
governo  legal. 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO 


11 


7  —  Dr.  António  Paulino  Limpo  de 
Abreu  (depois  Visconde  de 

Abaete)— presidente 

— João  Baptista  de  Figueiredo  — 
vice-presidente 

7  —  Dr.  António  Paulino  Limpo  de 

Abreu  (presidente)  2."  exer- 
cicio 

—  Desembargador  Bernardo  Pe- 

reira de  Vasconcellos  — 
vice-presidente 

—  Desembargador  Manoel   Igna- 

cio  de  Mello  e  Souza,  vice- 
presidente 

8  —  José  Feliciano  Pinto  Coelho  da 

Cunha  (depois  Barão  de  Co- 
caes)  presidente 

9  —  Dr.  Manoel  Dias  de  Toledo  — 

presidente.. . .     ... 

—  Desembargador    António     da 

Costa  Pinto  —  vice-presi- 
dente  

10  —  Desembargador   António     da 

Costa  Pinto  —  presidente... 

1 1  —  Desembargador  José  Cesário 

de  Miranda  Ribeiro  (depois 
Visconde  de  Uberaba)  — 
presidente    -  •  ■ . .. 

12  —  Conselheiro  Bernardo  Jacintho 

da  Veiga  —  presidente. . . . 

13  —  Marechal    Sebastião     Barreto 

Pereira  Pinto  —  presidente. 

14  —  Desembargador  Manoel    Ma- 

chado Nunes  —  presidente. 

15  —  Desembargador    José    Lopes 

da  Silva  Vianna — vice-pre- 
sidente. .  . 

16  —  Dr.  Carlos  Carneiro  de  Cam- 

pos (depois  Visconde  de  Ca- 
ravellas)— presidente . .   ... 

—  Herculano   Ferreira    Penna  — 

vice-presidente.. 

17  —  Conselheiro  Bernardo  Jacintho 

da  Veiga  —  presidente  .... 


5  de  novembro  de  1833. 
31  de  março  de  1834. 

3  de  dezembro  de  1834. 

5  de  abril  de  1835. 

11  de  maio  de  1835. 

1  de  junho  de  1835. 

19  de  dezembro  de  1835. 

19  de  abril  de  1836. 

2  de  outubro  de  1836, 

13  de  novembro  de    1837. 

21  de  março  de  1838. 

22  de  agosto  de  1840. 
7  de  junho  de  1841. 

16  de  julho  de  1841. 

15  de  janeiro  de   18 12. 
18  de  abril  de  1842. 
18  de  maio  de  1842. 


12 

18 

19 


REVIST.V    DO 


20 


21     — 


22 

23 


24 


25  — 


26  — 


Tenente  general  Francisco  José 
de  Sousa  Soares  de  An- 
dréa  (depois  Barão  de  Ca- 
çapava)  —  presidente  •  • 
Brigadeiro  João  Paulo  dos 
Santos  Barreto  —  presi- 
dente  

Dr.  Quintiliano   José  da  Silva 

—  vice-presidente 

Dr.  Quintiliano  José  da  Silva 

—  presidente 

Conselheiro   José   Pedro   Dias 

de  Carvalho  —  vice-presi- 
dente  

Conselheiro  José  Pedro  Dias 
de  Carvalho  —  presidente. 
Dr.   Manoel    José  Gomes  Re- 
bello    Horta  —  vice-presi- 
dente  

Dr.  Bernardino  José  de  Quei- 
roga  —  vice-presidente. 

Dr.  Bernardino  José  de  Quei- 
roga  —  presidente 

Dr.  José  Ildeíonso  de  Souza 
Ramos  (depois  Visconde  de 
Jaguary  —  presidente  . 
Barão  de  Sabará  (Manoel  An- 
tónio Pacheco)  vice-pre- 
sidente  

Dr.  Alexandre  Joaquim  de 
Siqueira  —  presidente  • . . 

Coronel  Romualdo  José  Mon- 
teiro de  Barros  (depois  Ba- 
rão de  Paraopeba)  —  vice 
presidente 

Dr.  José  Ricardo  de  Sá  Rego 
presidente 

Conselheiro  Luiz  António 
Barbosa  —  vice-presidente 

Conselheiro  Luiz  António  Bar 
bosa — presidente 

Desembargador  José  Lopes 
da  Silva  Vianna  —  vice- 
presidente 


23  de  março  de  1843. 

1  de  julho  de  1844. 

17  de    dezembro   de   1844. 

I  de  outubro    de   1845. 

29  de   dezembro  de    1847. 
14  de  março  de  1848. 

10  de  abril  de  1848. 

II  de  maio  de  1848. 
22  de  junho  de  1848. 

4  de  novembro  de  de  1848. 

29  de   novembro   de   1849. 
1  de  março  de  1850. 

10  de  junho  de  1850. 
17  de  julho  de  1850. 
4  de  abril  de  1851. 
13  de  janeiro  de  1852. 

12  de  maio  de  1852. 


ARCHIVO    PUBIJCO    MINElftO 


13 


26  —  Conselheiro  Luiz  António  Bar- 

bosa (presidente)  2."  Exer- 
cido..  

—  Desembargador    José    Lopes 

da   Silva  Vianna   —   vice- 
presidente.        

27  —  Dr.  Francisco    Diogo  Pereira 

de   Vasconcellos  —  Presi- 
dente   

—  Desembargador  José  Lopes  da 

Silva   Vianna  —  vice-pre 
sidente 

27  —  Dr.  Francisco   Diogo  Pereira 

de  Vasconcellos  fpresiden 
te)  2."  exercício 

28  —  Conselheiro    Herculano   Fer- 

reira Penna  —  presidente. 

—  Dr.  Joaquim  Delíino    Ribeiro 

da  Luz  —  vice-presidente. 

29  —  Conselheiro  Carlos    Carneiro 

de  Campos  —  presidente.. 

—  Dr.  Joaquim    Delfino  Ribeiro 

da  Luz  —  vice-presidente. 

29  —  Conselheiro    Carlos  Carneiro 

de  Campos  (presidente)  2." 
exercício 

—  Manoel    Teixeira    de    Souza 

(depois   Barão    de  Camar- 
gos)  vice-presidente 

—  Dr.   Joaquim  Delfino  Ribeiro 

da   Luz  —  vice-presidente 

30  —  Conselheiro  padre  dr.  Vicen 

te  Pires   da  Motta  —  pre- 
sidente  •  •   .         

—  Senador   Manoel  Teixeira  de 

Souza  —  vice-presidente  . 

31  —  Conselheiro   José    Bento   da 

Cunha    Figueiredo  —  pre 
sidente    (depois    Visconde 
de  Bom  Conselho,   .  .    . 

—  Coronel  Joaquim  Camillo  Tei- 

xeira da  Motta  —  vice-pre 
sidente    .... 

—  Senador  José  Joaquim  Fer 

nandes  Torres  —  vice-pre 
sidente         ...   


24  de  setembro  de  1852. 


19  de  abril  de  1853. 


22  de  outubro   de  1853. 


1  de  maio  de  1854. 


6   de    novembro   de    1854. 
2  de  fevereiro  de  1856. 
1  de  junho  de  1857. 
12  de    novembro  de   1857. 
1    de    maio  de  1859. 


22  de  setembro  de  1859. 

22  de  abril  de  1860. 
3  de  maio  de  1860. 

13   de  junho  de    1860. 

2  de  outubro  de  1861. 

25  de  outubro  de  1861. 
17  de  maio  de  1862. 

3  de  novembro   de  1862. 


REVISTA    DO 


14 

32  —  Conselheiro  Francisco  Diogo 

Pereira  de  Vasconcellos — 
presidente 

—  Senador  Manoel   Teixeira  de 

Sou/a  —  vice-presidente  . 

—  Senador   José   Joaquim   Fer- 

nandes Torres  —  vice-pre- 
sidente  

33  -  Conselheiro  João  Chrispinia- 

no    Soares  —  presidente... 

—  Dr.  Fidelis   de   Andrade  Bo- 

telho— vice-presidente 

34  —  Desembargador  Pedro  de  Al- 

cântara Cerqueira  Leite  (de- 
pois Barão  de  S.  JoãoNe- 
pomuceno)  —  presidente. 

35  —  Conselheiro    Joaquim   Sadal- 

nha    Marinho  —  presidente 

—  Cónego  Joaquim  José  de  Sant' 

Anna  —  vice-presidente  . . 

35  —  Conselheiro  Joaquim    Salda- 

nha Marinho  —  (presiden- 
te) 2.°  exercício..        

—  Dr.   Elias  Pinto  de  Carvalho 

—  vice-presidente    

36  —  Dr.  José    da  Costa  Machado 

de  Souza  —  presidente 

—  Barão  de  Camargos  —  vice- 

presidente.   .....     

37  —  Dr.    Domingos   de    Andrade 

Figueira  —  presidente .... 

38  —   Dr.  José  Maria  Correia  de  Sá 

e  Benevides       presidente. 

—  Barão  de  Camargos  —  vice- 

presidente 

—  Dr.  Agostinho   José   Ferreira 

Bretãs  —  vice-presidente.. 

39  —  Dr.  António  Luiz  Affonso  de 

Carvalho    -  presidente 

—  Dr.  Francisco  Leite  da  Costa 

Belém  —  vice-presidente.. 


9  de  dezembro  de  1862 

27  de    fevereiro   de    1863. 

11  de  março  de  1863. 
4  de  junho  de  1863. 
2  de  abril  de  1864. 

26  de  setembro  de  1864. 
18  de  dezembro  de  1865. 
24  de  março  de  1866. 

2   de   novembro   de    1366. 

28  de  junho  de  1867. 

24  de  outubro  de  1867. 

10  de  agosto  de  1868. 

25  de  agosto  de  1868. 
14  de   maio  de  1869. 
16  de  maio  de  1870. 

26  de  maio  de  1870. 

27  de  outubro  de  1870. 
27  de  abril  de  1871. 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO 


15 


40  —  Dr.  Joaquim    Pires    Machado 

Portella — presidente 

Dr.  Francisco  Leite    da  Costa 
Belém —  vice-presidente 

41  —  Senador    dr.    Joaquim     Flo- 

riano  de    Godoy   —  presi- 
dente   

—  Dr.  Francisco  Leite  da  Costa 

Belem  — vice-presidente. . . 

42  —  Dr.    Venâncio   José    de    Oli- 

veira  Lisboa — presidente.. 

—  Dr.  Francisco  Leite    da   Costa 

Belem — vice-presidente.  . .: 

43  —  Desembargador    João    Antó- 

nio de  Araújo  Freitas    Hen- 
riques— presidente 

—  Dr.  Francisco  Leite  da  Costa 

Belem — vice-presidente.. . 

44  —  Dr.  Pedro    Vicente   de    Aze 

vedo  —  presidente.  . 

—  Senador  Barão  de   Camargos 

vice-presidente . 

45  —  Barão  da  Villa  da  Barra    (dr 

Francisco  Bonifácio    de 
Abreu) — presidente. .  . . 

—  Senador  Barão  de  Camargos 

— vice-presidente 

46  —  Conselheiro  dr,    João  Capis 

trano  Bandeira  de  Mello— 
presidente. 

—  Desembargador    Elias    Pinto 

de  Carvalho  —  vice-presi- 
dente  

47  —  Conselheiro  Senador  Francisco 

de  Paula  Silveira    Lobo  — 
presidente . . ... 

—  Cónego  Joaquim  José  de  Sant'- 

Anna    —     vice-presiden- 
te  

48  —  Conselheiro  Manoel  José  Go- 

mes   Rebello  Horta  —  pre- 
sidente   

—  Cónego    Joaquim     José     de 

SanfAnna     —     vice-presi 
dente 


8  de  novembro  de  1871 . 
28  de  abril  de  1872. 

11  de  junho  de  1872. 
17  de  janeiro  de  1873. 
1  de  marco  de  1873. 
27  de  maio  de  1874: 

26  de  outubro  de  1874. 
6  de  março  de  1875. 
22  de  março  de   1875. 
26  de  janeiro  de  1876. 

10  de  março  de  1876. 

1  de  dezembro  de   1876. 

24  de  janeiro   de  1877. 

11  de  fevereiro  de    1878 
6  de  maio  de  1878. 

26  de  novembro  de  1878. 
5  de  janeiro  de   1879. 
8  de  dezembro  de  1879. 


16 


REVISTA    DO 


49  —  Dr.    Graciliano    Aristides  do 

Prado     Pimentel  —    presi- 
dente  

—  Cónego      Joaquim     José    de 

SanfAnna    —     vice-presi- 
dente   ... 

—  Dr      José      Francisco    Netto 

(depois  Barão  de  Coroman- 
del)  —  vice-presidente 

50  —  Senador  João  Florentino  Mei- 

ra de  Vasconcellos  —  pre- 
sidente  

—  Cónego      Joaquim    José     de 

SanfAnna     —     vice-presi 
dente 

51  —  Dr.  Theophilo  Ottoni  —  pre 

sidente 

—  Dr.     Henrique      de      Maga 

Ihães  Salles    —  vice-presi- 
dente          

52  —  Dr.   António  Gonçalves  Cha 

ves  —  presidente  ..... 

—  Dr.  Carlos  Honório  Benedicto 

Ottoni        vice-presidente. 

—  Desembargador  José  António 

Alves  de  Britto —  vice-pre- 
sidente.      .  • 

—  Dr.  António    Gonçalves  Cha 

ves  (presidente)  —  2.°  exer- 
cicio -    . 

53  —  Conselheiro  dr.  Olegário  Her- 

culano  de  Aquino    e  Cas- 
tro— presidente. ■ 

Desembargador     José     António 
Alves    de    Britto   —   vice 
presidente. 

—  Dr.      António      Teixeira     de 

Sousa     Magalhães   (depois 
Barão    de     Camargos)    — 

vice-presidente 

54  —  Dr.  Manoel  do  Nascimen- 
to Machado  Portella  —  pre 
sidente. ...    .    . 

—  Dr.      António      Teixeira     de 

Sousa  Magalhães  —    vice 
presidente . 


22  de  janeiro  de  1880. 
24  de  abril  de  1880. 

30  de  dezembro  de   1880. 
5  de  maio  de  1881 . 

12  de  dezembro  de    1881. 

31  de  março  de  1882. 

27  de  dezembro  de    1882. 

7  de  março  de  1883. 
22  de  maio  de  1884. 

28  de  maio  de  1884. 

8  de  junho  de   1884. 

4  de  setembro  de  1884. 

13  de  abril  de  1885. 

2  de  setembro  de  1885. 
19  de  outubro  de  1885. 
13  de  abril  de  1886. 


AHCIIIVO    PUBLICO    MINEIRO 


17 


55  —  Desembagador  Francisco  de 
Faria  Lemos  —  presiden- 
dente.. 

—  Dr.  António  Teixeira  de  Sou- 

sa Magalhães    —  vice-pre- 
sidente  

55  —  Desembargador  Francisco  de 
Faria  Lemos —  (presidente) 
—  2'.'  exercício 

—  Dr.     António      Teixeira     de 

Souza    Magalhães  —  vice- 
presidente  ...   

56  —  Dr.  Carlos  Augusto  de 
Oliveira  Figueiredo  —  pre- 
sidente  

—  Dr.  António  Teixeira  de  Sou- 

za   Magalhães  —  vice-pre- 
sidente...  

57  —  Dr.  Luiz  Eugénio  Horta  Bar- 

bosa —  presidente . .   .     . 

—  Dr.  António  Teixeira  de  Sou- 

za  Magalhães  —  vice-pre- 
sidente. . .      

58  —  Dr.  António    Gonçalves    Fer- 

reira —  presidente 

—  Barão  de  Camargos    —  vice- 
presidente 

—  Conselheiro  cónego   Joaquim 

José  de  SanfAnna  —  vice- 
presidente  . .    

59  —  Barão    (depois   Visconde)  de 

Ibituruna     (dr.    João     Ba- 
ptista dos  Santos)  —  presi 


1  de  maio  de  1886. 

8  de  junho  de  1886. 
14  de  junho  de  1886. 
1  de  janeiro  de  1887. 

4  de  fevereiro  de  1887. 

9  de  julho  de  1887. 

20  de  agosto  de  1887. 

1  de  junho  de  1888. 
7  de  dezembro  de  1888. 
29  de  abril  de  1889. 

18  de  junho  de   1889. 


28  de  junho  de  1888  (até  17 
de  novembro  do  mesmo 
anno).  (1) 


(1)  —  Durante  o  regimen  presidencial  no  Império,  teve  a  provincia 
122  periodoi  administrativos:  59  presidentes  e  63  vice-presidentes  em 
exercício.  Descontando  cinco  destes,  que,  sem  interrupção,  passaram  a 
Presidentes,  ficam  117  períodos,  durante  65  annos,  8  mezes  e  16  dias  (de 
29  de  fevereiro  de  1824  a  17  de    novembro  de  1889). 

Daqui  resulta  para  cada  administração  a  média  de  6  mezes  e  22  dias 
apenas. 


R    A 


18 


REVISTA    DO 


REGIMEN  REPUBLICANO 


GOVERNO    PROVISÓRIO 


GOVERNAIJOKKS  10   \  ICK  OOVERNA- 
DORES 

—  Dr.  António  Olyntho  dos 
Santos  Pires  (governador) 
interino 


Dr.     José   Cesário 
Alvim  - 


de    Faria 


governador. . . 


Dr    João    Pinheiro     da    Silva 
— vice-governador 


Noiíifacuo  c  exercido 


Dr.   João     Pinheiro    da    Silva 
— governador . 


4  — 


Dr.   Domingos  José     da    Ro- 
cha— vice-governador 


Dr.     Chrispim    Jacques    Bias 
Fortes —  governador 


Dr.  Domingos  José  da  Ro- 
cha —  vice-governador. . . . 

Dr  Chrispim  Jacques  Bias 
Fortes  (governador)  —  2." 
exercício 


Nomeado  a  16  de  novembro 
de  1889,  esteve  em  exer- 
cício de  17  a  24  do  mes- 
mo mez. 

Nomeado  a  15  de  novembro 
de  1889,  esteve  em  exer- 
cício de  25  do  mesmo  mez 
aio  de   fevereiro  de  1890 

Nomeado  a  21  de  janeiro  de 
1890,  esteve  em  exercício 
de  11  de  fevereiro  a  12 
de  abril  do  dito  anno. 

Nomeado  a  12  de  abril  de 
1890,  continuou  na  admi- 
nistração, que  exercita- 
va como  vice-governador, 
desde  1 1  de  fevereiro . 

Nomeado  a  12  de  abril  de 
1890,  esteve  em  exercido 
de  20  a  23  de  julho  do  mes- 
mo anno. 

Nomeado  a  22  de  julho  de 
1890,  esteve  em  exercido 
de  24  do  dito  mez  até  5 
de  agosto  do  mesmo  anno. 

Esteve  em  exercício  de  6  a 
13  de  agosto  de  1890. 


De  14  de  agosto  a  3  de  ou- 
tubro de  1890. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


19 


Dr.  Domingos  José  da  Ro- 
cha —  vice-governador. . .. 

Dr.  Chrispiín  Jacques  Bias 
Fortes  (governador)  —  3." 
exerricio   . .    


Desembargador  Frederico  Au- 
gusto Alvares  da  Silva  — 
vice-governador 


4  — 


Dr.  Chrispim  Jacques  Bias 
Fortes  (governador)  —  4." 
exercicio 


—  Desembargador   Frederico  Au- 


gusto Alvares    da 
vice-governador. 


Silva 


5  — 


Dr.  António  Augusto     de    Li- 
ma— governador. ........ 


De  4  a  17  de  outubro  de  1890 


De    18  de  outubro    a   27  de 
dezembro   de    1890. 


Nomeado  a  19  de  novembro 
de  1890,  esteve  em  exer- 
cicio de  28  de  dezembro 
do  dito  anno  a  6  de  janei- 
ro de  1891. 


De  7  de  janeiro  a  1 1  de  fe- 
vereiro de  1891 . 


Esteve  em  exercicio  de  12 
de  fevereiro  a  17  de  março 
de  1891. 


Nomeado  a  14  de  março  de 
1891,  esteve  em  exerci- 
cio de  18  desse  mez  até 
16  de  junho  do  referido 
anno. 


GOVERNO  CONSTITUCIONAL  DO  ESTADO 


PRESIDENTES    E  VICE-PRESIDENTES 

—  Dr.  Eduardo  Ernesto  da  Ga- 
ma Cerqueira  —  vice-pre- 
sidente  


Data  da  eleição  e  posse 


Eleito  pelo  Congresso  do  Es- 
tado a  15  de  junho  de 
1891,  no  dia  seguinte  to- 
mou posse  perante  o  mes- 
mo Congresso  e  entrou 
em  exercicio. 


ap 


RRVISTA     DO 


Dr.  José  Cesário  de   Faria  Al- 
vim —   presidente  (1)     ... 


Dr.  Eduardo  Ernesto  da  Ga- 
ma Cerqueira  —  vice-pre- 
sidente (2.") 


Dr.  Affonso    Augusto  Moreira 
Penna  — Presidente. 


Eleito  pelo  Congresso  do  Es- 
tado a  15  de  junho  de 
1891,  no  dia  18  desse  mez 
tomou  posse  perante  o 
mesmo  Congresso  e  assu- 
miu o  governo. 


Esteve  em  exercido  de  9 
de  fevereiro  de  1892  a  13 
de  julho  do  dito  anno     . . 

Eleito  a  30  de  maio  de  1892 
pelos  eleitores  do   Estado. 

Tomou  posse  perante  o  Con- 
gresso Mineiro  a  14  de 
julho  do  mesmo  anno,  as- 
sumindo logo  o  governo 
do  Estado. 

Serviram  com  s.  exc,  como 
secretários  de  Estado  eífe- 
ctivos,  os  srs:  dr.  Fran- 
cisco Silviano  de  Almeida 
Brandão,  no  Interior;  dr. 
Justino  Ferreira  Carneiro, 
nas FÍ7ianças,  e  dr.  Da- 
vid Moretzsohn  Campis- 
ta, na  Agricultura,  Com- 
mercio  e  Obras  Publi- 
eas. 


(1)  —  Em  mensagem  de  17  de  fevereiro  de  1892,  presente  o  Congres- 
so do  Estado  em  sessão  extraordinária  de  14  de  março  do  dito  anno,  re- 
nunciou o  cargo  de  presidente.  Foi  nomeada  uma  commissão  especial 
para  dar  parecer  a  respeito.  Na  sessão  do  dia  seguinte  foi  apresentado, 
discutido  e  approvado  esse  parecer,  que  concluía  pela  acceitação  da  re- 
nuncia. 

(2)  —  Renunciou  o  cargo  a  31  de  dezembro  de  1892,  sendo  c  res- 
pectivo officio  presente  ao  Congresso  Mineiro  em  sessão  de  5  de  maio  de 
1893.  Preenchidas  as  formalidades  legaes,  o  Congresso  acceitou  a  renun- 
cia naquelia  mesma  sessão. 

Para  substituil-o,  foi  eleito  a  30 de  julho  de  1893  o  sr.  dr.  Francisco 
Bernardino  Rodrigues  Silva,  que  não  tomou  posse   do  cargo. 


AHGllIVO    PUBLICO    MINEIRO 


21 


Dr.    Chrispim     Jacques 
Fortes   presidente  (1). 


Bias 


Eleito  a  7  de  março  de  1894 
pelos  eleitores  do  Estado . 

Tomou  posse  perante  o  Tri- 
bunal da  Rela(;ão  a  7  de 
setembro  do  dito  anno,  as- 
sumindo logo  o  governo 
do  Estado. 

Foram  nomeados  por  s.  ex. 
e  teem  exercido  effectiva- 
mente  os  cargos  de  secre- 
tários de  Estado  os  srs  : 
—  dr.  Henrique  Augusto 
de  Oliveira  Diniz,  no  In- 
terior, dr.  Francisco  An- 
tónio de  Salles,  nas  Fi- 
nanças, e  dr.  Francisco 
Sá,  na  Agricultura  Coni- 
mercio  e  Obras  Publi- 
cas. 


(1)  —  Para  vice-presidente  do  Estado  foi  eleito  no    mesmo  dia    o  se- 
nador estadual  sr.  Joiio  Nepomuceno  Kubitschek. 


Representantes  de  Minas  Geraes 

(ELEITOS  DE  1821  A  18f)6) 


DEPUTADOS  MINEIROS 


A'S  CORTES  CONSTITUINTES  DE  PORTUGAL    (1821  A  1822) 

1 — Dr.   Lúcio  Soares  Teixeira  de  Gouvea. 

2— José  Eloy  Ottoni  (1) 

3 — Padre  Belchior  Pinheiro  de  Oliveira. 

4 — Capitão-mór  Domingos  Alves  Maciel. 

5 — Dr.  António  Teixeira  da  Costa. 

6 — Dr.  Manoel  José  Velloso  Soares. 

7 — Desembargador  Francisco  de  Paula  Pereira  Duarte  (1). 

8— José  de  Rezende  Costa  (2). 


(1)  Não  tomou  assento,  por  não  haver  recebido  o  diploma  em  tempo. 

Os  deputados  de  Minas-Geraes  ás  Cortes  constituintes  portuguezas 
(excepto  José  Eloy  Ottoni,  desembargador  Francisco  de  Paula  Pereira 
Duarte  e  o  supplente  dr  Carlos  José  Pinheiro,  que  então  se  achavam  na 
Europa)  resolveram  adiar  sua  ida  áquellas  Cortes,  o  que  communicaram 
ao  governo  provisório  da  província  a  25  de  fevereiro  de  1822.  Nenhum 
delles  tomou  assento,  em  consequência  dos  acontecimentos  políticos  que 
se  seguiram  e  trouxeram  a  proclamação  da  Independência  do  Brasil  a  7 
de  setembro  do  dito  anno. 

(2)  Um  dos  processados  e  perseguidos  nas  famigeradas  devassas  de 
1789,  e  desterrado  na  Africa  como  inconfidente. 

N.  B.  Em  diversas  publicações  officiaes  se  indicam  apenas  doze 
quando  foram  treze  os  deputados  eleitos  em  Villa  Rica  ás  Cortes  consti- 
tuintes de  Portugal,  e  mais  quatro  supplentes,  effectuando-se  a  eleição  a 
17,  18  e  19  de  setembro  de  1821. 

Também  erroneamente  figuram  nessas  publicações  dous  dos  quatro 
alludidos  supplentes  entre  os  deputados,  talvez  porque  effectivamente  iam 
aquelles  substituir  alguns  destes  que  não  se  dispunham  a  seguir  para 
Portugal. 


i 


I 


24  IlIiVlSTA    DO 


9 — Desembargador  Lucas  António  Monteiro  de    Barros    (depois 

senador  e  Visconde  de  Congonhas  do  Campo). 
10— Padre  José  Custodio  Dias  (foi  posteriormente  senador). 

11 — Coronel  João  Gomes  da  Silveira  Mendonça  (depois  senador 
e  Marquez  de  Sabará). 

12— Dr.  José  Cesário  de  Miranda  Ribeiro  (mais  tarde  senador  e 
Visconde  de  Uberaba). 

13— Dr.  Jacintho  Furtado  de  Mendonça  (mais  tarde  senador). 

í — Capitão-mór  José  Joaquim  da  Rocha] 

1 — Padre  Manoel  Rodrigues  Jardim [  ^ 

J— Dr.  Bernardo  Carneiro     (  bupplentes. 

f— Dr.  Carlos    José  Pinheiro   1 


DEPUTADOS  MINEIROS 

QUE  TOMARAM  ASSENTO  NA  ASSEMBLEA  CONSTITUINTE    DO   BRA- 

ZIL  (1823) 

1 — Padre  Belchior  Pinheiro  de  Oliveira,  formado  em  câno- 
nes. 

2 — José  Joaquim  da  Rocha  (depois  diplomata). 
3 — Cândido  José  de  Araújo  Vianna,  bacharel  em  direito  (depois 
senador  e  Marquez  de  Sapucahy). 

4 — José  de  Rezende  Costa  (contador  do    Erário  Régio  (1). 

5— Padre  Manoel  Rodrigues  da   Costa  (2). 

6 — João  Gomes  da  Silveira  Mendonça.  Foi  senador,  Marquez 
de  Sabará  e  um  dos  redactores  da  Constituição  do  Im- 
pério. 

7 — António  Teixeira  da  Costa,   doutor  em  medicina. 

8 — Manoel  José  Velloso  Soares. — Bacharel  em  cânones. 
9 — Manoel  Ferreira  da  Camará  Bittencourt   e  Sá— Bacharel   em 
sciencias  naturaes.     Foi  senador. 

10 — Theotonio  Alvares  de     Araújo    Maciel.  —  Bacharel     em   di- 
reito. 


(1)  Deliberou  como  legislador  constituinte  da  Nação  no  mesmo  lo- 
cal em  que,  trinta  e  um  annos  antes,  soffrera  tormentos  indiziveis,  como 
réo  na  famosa  inconfidência  Mineira. 

(2)  Foi  também  um  dos  martyres  da  inconfidência. 


ARCHIVO    PUBLICO     MINEIRO  25 


11 — José  Alvares  do  Couto    Saraiva. — Bacharel  em  direito. 

12- -Padre  José  Custodio  Dias.— Foi  senador.  (Substituiu  o  depu- 
tado effectivo  Lucas  António  Monteiro  de  Barros,  de- 
pois senador  e  Visconde  de  Congonhas  do  Campo,  que 
tomou  assento  a  4  de   novembro). 

13 — João  Severiano  Maciel  da  Costa,  depois  Marquez  de  Queluz  e 
senador  e  um  dos  redactores  da  Constituição  do  Império. 

14 — João  Evangelista  de  Faria  Lobato. — Bacharel  em  direito.— 
Foi  senador.  Tomou  assento  na  Assembléa  constituinte 
a  22  de  setembro,  tendo  sido  até  então  substituído  pelo 
supplente,  José  de  Abreu  e  Silva. 

15 -António  Gonçalves  Gomide,  doutor  em  medicina.-  Foi  sena- 
dor. Substituiu  na  Constituinte  o  deputado  effectivo,  có- 
nego Francisco  Pereira  de  Santa  Apolónia,  que  não 
tomou  assento. 

16 — Lúcio  Soares  Teixeira  de  Gouvea,  bacharel  em  direito. — Foi 
senador. 

17 — Estevão  Ribeiro  de  Rezende,  depois  Marquez  de  Queluz, 
Foi  senador. 

18 — Padre  António  da  Rocha  Franco. — Substituiu  o  Deputado 
Jacintho  Furtado  de  Mendonça,  que  tomou  assento  pelo 
Rio  de  Janeiro. 

19 — José  António  da  Silva  Maia. — Foi  senador. 

20— José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos,  bacharel  em  direito 
depois  Visconde  de  Caeté  e  senador. 


SENADO     DO     IMPÉRIO 


REPRESENTANTES    DA    PROVÍNCIA   DE  MINAS  GERAES  NO    ANTIGO 

SENADO    BRAZILEIRO 

(1826—1889) 

1  —Marquez  de  Baependy  (Manoel  Jacintho  Nogueira  da  Gama), 
conselheiro  de  Estado  e  official  general  do  exercito.— 
Nomeado  em  1826  e  fallecido  em  1847. 

2 — Marquez  de  Sabará  (João  Gomes  da  Silveira  Mendonça), 
conselheiro  de  Estado  e  official  general  do  exercito. — 
Nomeado  em  1826  e  fallecido  em  1827. 


2tí  REVISTA    DO 


3— Marquez  de  Valença  (Estevão  Ribeiro  de  Rezende),  magis- 
trado e  conselheiro  de  Estado  honorário.— Nomeado  em 
1826  e  fallecido  em   1856. 

4 — Visconde  de  Caeté  (José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos), 
magistrado.— Nomeado  em  1826  e  fallecido  em  1838. 

5— Sebastião  Luiz  Tinoco  da  Silva,  magistrado.— Nomeado  em 
1826  e  fallecido  em    1839. 

6  — Manoel  Ferreira  da  Camará  Bittencourt  e  Sá,  proprietário. — 
Nomeado  em  1826  e  fallecido  em  1835. 

7 — Jacintho  Furtado  de  Mendonça,  proprietário. — Nomeado  em 
1826  e  fallecido  em  1834. 

8— João  Evangelista  de  Faria  Lobato,  magistrado.— Nomeado 
em  1826  e  fallecido  em  1846. 

9— António  Gonçalves  Gomide,  medico. — Nomeado    em    1826  e 

fallecido  em  1835. 
10 — Marcos  António  Monteiro  de  Barros,  ecclesiastico, — Nomea- 
do em  1826  e  fallecido  em  1852. 

11 -Nicolau  Pereira  de  Campos  Vergueiro,  advogado  e  proprie- 
tário.— Nomeado  em  1828  e  fallecido  em  1859. 

12 — José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello,  ecclesiastico. — Nomeado 
em  1834  e  fallecido  em  1844. 

13 — José  Custodio  Dias,  ecclesiastico. — Nomeado  em  1835  e  fal- 
lecido em  1844. 

14— Barão  do  Pontal  (Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Souza),  magis- 
trado.—Nomeado  em  1836  e  fallecido  em  1859. 

15 — Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos.  conselheiro  de  Estado. — 
Nomeado  em  1838  e  fallecido  em   1850. 

16 — António  Augusto  Monteiro  de  Barros,  magistrado.  -  Nomea- 
do em  1838  e  fallecido  em    1841. 

17-  Marquez  de  Sapucahy  (Cândido  José  de  Araújo  Vianna), 
conselheiro  de  Estado  e  magistrado  aposentado. — No- 
meado em  1839  e  fallecido  em  1875. 

18 — Marquez  de  Paraná  (Honório  Hermeto  Carneiro  Leão),  conse- 
lheiro de  Estado. — Nomeado  em  1842  e  fallecido  em  1856. 

19 — Marquez  de  Itanhaen  (Manoel  Ignacio  de  Andrade  Souto- 
Maior  Pinto  Coelho),  proprietário.— Nomeado  em  1844 
e  fallecido  em  1867. 

20 — José  Joaquim  Fernandes  Torres,  magistrado.  — Nomeado  em 

1847  e  fallecido  em  1869. 
21— Visconde     de    Abaete    (António   Paulino  Limpo  de  Abreu) 

conselheiro  de  Estado.- Nomeado  em   1847  e   fallecido 

em  1883. 

22— Gabriel  Mendes  dos  Santos,  magistrado. — Nomeado  em  1851 
e  fallecido  em  1873 


ARGHIVO    PUBLICO    MINEIRO  27 

23 — Visconde  de  Jaguary  (José  Ildeffonso  de  Souza  Ramos),  con- 
selheiro de  Estado  e  proprietário.  — Nomeado  em  1853 
e  fallecido  em  1883. 

24 — Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. — No- 
meado em  1857  e  fallecido  em  1863. 

25 — José  Pedro  Dias  de  Carvalho,  conselheiro  de  Estado.  —  No- 
meado em  1857  e  fallecido  em  1881. 

26 — Luiz  António  Barbosa,  magistrado  aposentado.  —  Nomeado 
em  1859  e  fallecido  em   1860  (antes  de  tomar  assento). 

27 — Barão  de  Camargos  (Manoel  Teixeira  de  Souza),  proprietá- 
rio— Nomeado  em  1860  e  fallecido  em  1878. 

28 — Firmino  Rodrigues  Silva,  magistrado  aposentado.  Nomeado 
em  1861  e  fallecido  em  1879 

29 — Theophilo  Benedicto  Ottoni,  proprietário. — Nomeado  em  1864 
e  fallecido  em  1869. 

30 — Francisco  de  Paula  da  Silveira  Lobo,  proprietário. — Nomea- 
do em  1868  e  fallecido  em  1886. 

31 — Joaquim  Antão  Fernandes  Leão,  empregado  publico  aposen- 
tado.— Nomeado  em  1870  e  fallecido  em  1887. 

32  — Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico  e  empregado  publico  apo- 
sentado.— Nomeado  em  1875  e  fallecido  em   1887. 

33 — Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico  e  proprietário. 
— Nomeado  em  1882  e  fallecido  em  1887. 

34 — Evaristo  Ferreira  da  Veiga,  advogado. — Nomeado  em  1887 
e  fallecido   em  1889. 

35 — Barão  da  Leopoldina  (José  de  Rezende  Monteiro),  agricul- 
tor.—Nomeado  em  1887  e  fallecido  em  1888. 

36 — Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz,  conselheiro  de  Estado — No- 
meado em    1870. 

37 — Visconde  do  Serro  Frio  (António  Cândido  da  Cruz  Machado). 
— Nomeado  em  1874. 

38 — Visconde  de  Ouro  Preto  (Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo), 
conselheiro  de  Estado. — Nomeado  em  1879. 

39— Laffayette  Rodrigues  Pereira,  conselheiro  de  Estado. —  No- 
meado em  1879. 

40 — Visconde  de  Lima  Duarte  (José  Rodrigues  de  Lima  Duarte), 
medico. — Nomeado  em  1884. 

41 — Visconde  de  Assis  Martins  (Ignacio  António  de  Assis  Mar- 
tins), advogado. — Nomeado  em  1884. 

42 — Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira,  advogado. — Nomeado  em 
1886. 

43 — Manoel  José  Soares,  capitalista.—Nomeado  em  1888. 


28  RliVlSIA    DO 


44— Barão     de      Santa      Helena,      agricultor.  —  Momeado    em 
1888. 

45— Carlos  Peixoto  de  Mello,  advogado.— Nomeado  em    1889. 

Não  chegou  a  tomar  assento. 

(Os  dez  últimos  senadores  —  de  n.  36  a  n.  45  eram  os  existen- 
tes a  15  de  novembro  de  1889,  quando  foi  extincto  o  Senado 
imperial,  por  força  da  revolução  que  proclamou  e  fundou  a  Re- 
publica dos  Estados-Unidos  do  Brasil). 


CAMARÁ  DOS  DEPUTADOS  DO    IMPÉRIO 

1826—1889 


REPRESENTANTES  DA  PROVÍNCIA  DE  MINAS  GERAES  NAS  VINTE  LE- 
GISLATURAS COMPREHENDIDAS  NO  PERÍODO   ACIMA  INDICADO 

1.^  LEGISLATURA  (1826—1829) 

(ELEIÇÃO  POR  província :-«ys/e?/ia  indirecto  ou  de  dJis  graus) 

1— Cândido  José  de  Araújo    Vianna,  bacharel  (depois  Marquez 
de  Sapucahy). 

2 — José  António  da  Silva  Maia,  magistrado. 

3— António  Augusto  Monteiro  de  Barros,  bacharel. 

4 — Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. 

5— António  da  Rocha  Franco,  padre. 

6 — José  Cesário  de  Miranda  Ribeiro,  bacharel   (depois  Visconde 
de  Uberaba). 

7 — Lúcio  Soares  Teixeira  da  Gouvèa,  magistrado. 

8 — José  Custodio  Dias,  padre. 

9  —José  Carlos  Pereira  de  Almeida  Torres   (depois  Visconde  de 
Macahé. 

10 — João  José  Lopes  Mendes  Ribeiro,  bacharel. 

11 — Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Souza,  magistrado  (depois  Barão 
do  Pontal) 


ÁkcHIVO    PUBLICO    MINEIRO  29 

12— Manoel  Rodrigues  da  Costa,  padre.— (Não  tendo  tomado 
assento,  foi  substituido  pelo  vigário  Joaquim  José  Lopes 
Mendes  Ribeiro). 

13— António  Paulino  Limpo  de  Abreu,  magistrado  (depois  Vis- 
conde de  Abaete). 

14— Plácido  Martins  Pereira,    bacharel. 

15 — José  de  Rezende  Costa. 

16— António  Marques  de  Sampaio,  padre. — (Tomou  assento  como 
supplente  do  deputado  António  Gonçalves  Gomide,  no- 
meado senador  em  abril  de   1826). 

17 — Luiz  Augusto  May.— (Tomou  assento  como  supplente  do 
Marquez  de  Valença,  nomeado  senador  em  abril  de 
1826). 

18 — José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello,  padre. — (Tomou  assento 
como  supplente  do  deputado  Manoel  Ferreira  da  Ca- 
mará Bittencourt  e  Sá,  nomeado  senador  em  abril  de 
1826). 

19— Custodio  José  Dias,  capltão-mór. — (Tomou  assento  como  sup- 
plente do  Visconde  de  Caeté,  nomeado  senador  em 
abril  de  1826). 

20 — João  Joaquim  da  Silva  Guimarães. — (Supplente  do  deputado 
cónego  Januário  da  Cunha  Barbosa,  que  tomou  assen- 
to pela  província  do  Rio  de  Janeiro). 


2.^  LEGISLATURA  (1830—1833) 
(ELEIÇÃO  POR  PROVÍNCIA: -Sys/ewíí  indirecto  ou  de  dois  graus) 

1 — Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. 

2 — José  Custodio  Dias,  padre. 

3— José  António  de  Silva  Maia,  magistrado. —(Sendo  nomeado 
ministro  do  Império,  procedeu-se  á  nova  eleição  em 
janeiro  de  1831,  e  em  seu  logar  foi  eleito  Gabriel  Fran- 
cisco Junqueira,  mais  tarde  Barão  de  Alfenas). 

4— José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello,  padre. 

5 — Custodio  José  Dias,  capitão-mór. — (Na  sessão  de  1833  foi 
substituido  pelo  dr.  Gabriel  Mendes  dos  Santos). 

6— Aureliano  de  Souza  e  Oliveira  Coutinho  (depois  Visconde 
de  Sepetiba). 

7— António  Paulino  Limpo  de  Abreu  (depois  Visconde  dê 
Abaete). 


30  REVISTA    I>0 


8 — José  Cesário  de  Miranda  Ribeiro  (depois  Visconde  de   Ube- 
raba). 

9— Manoel  Gomes  da  Fonseca,  doutor. 

10 — Baptista  Caetano  de  Almeida. 

11 — João  José  Lopes  Mendes  Ribeiro,  magistrado. 

12— Cândido  José  de  Araújo  Vianna  (depois  Marquez  de  Sapu- 
cahy.— Foi  substituido  na  sessão  de  1832  pelo  dr.  Ga- 
briel Mendes  dos  Santos). 

13 — António  Maria  de  Moura,  padre. 

14—  António  Pinto  Chichorro  da  Gama,  magistrado. 

15 — Lúcio  Soares  Teixeira  de  Gouvêa,  magistrado. — (Tendo  sido 
nomeado  ministro  da  justiça,  não  tomou  assento  ;  e  pro- 
cedendo-se  á  nova  eleição,  no  anno  de  1830,  foi  eleito 
em  seu  logar  o  tenente-coronel  José  Feliciano  Pinto 
Coelho  da  Cunha,  depois  barão  de  Cocaes). 

16 — Honório  Hermeto  Carneiro  Leão,  depois  Marquez  de  Paraná. 
17— Martim  Francisco  Ribeiro  de  Andrada,    bacharel   em  mathe- 
maticas. 

18— Bernardo  Belisario  Soares  de  Souza,  magistrado. 

19 — Evaristo  Ferreira  da  Veiga — (Tomou  assento  como  supplen- 
te  do  brigadeiro  Raymundo  José  da  Cunha  Mattos,  que 
optara  pela  província  de  Goyaz). 

20— João  António  de  Lemos  (depois  Barão  do  Rio  Verde.— To- 
mou assento  como  supplente  do  padre  José  Martiniano 
de  Alencar,  que  optara  pela  província  do  Ceará). 


3.^  LEGISLATURA  (1834—1837) 
( ELEIÇÃO  POR  província  :  -  Systema  indirecto  ou  de  dois  graus ) 

1 — António  Paulino  Limpo  de  Abreu  (depois  Visconde  de  Abaete). 

2 — José  Custodio  Dias.  padre. — (Nomeado  senador  em  agosto 
de  1835,  foi  substituido  na  sessão  de  1836  pelo  desem- 
bargador Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Souza— mais  tarde 
Barão  do  Pontal — e  sendo  também  este  nomeado  senador 
em  setembro  de  1836,  substituiu-ona  sessão  de  1837  Ma- 
noel Soares  do  Couto). 

3— Cândido  José  de  Araújo  Vianna  (depois  Marquez  de  Sa- 
pucahy). 

4— Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. 


AJlCHIVO    PUBLICO    MINEIIIO  31 

5 — Francisco  de  Paula  Cerqueira  Leite,  magistrado. 

6 — José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello,  padre  — (Nomeado  senador 
em  agosto  de  1834,  foi  substituído  nas  sessões  de  1835 
a  1837  por  João  António  de  Lemos,  mais  tarde  Barão 
do  Rio  Verde). 

7 — Baptista  Caetano  de  Almeida. 

8 — Bernardo  Belisario  Soares  de  Souza,  magistrado. 

9 — Evaristo  Ferreira  da  Veiga.— Fallecendo  a  12  de  maio  de  1837, 
substituiu-o  o  desembargador  José  Cesário  de  Miranda  Ri- 
beiro— mais  tarde  Visconde  de  Uberaba — no  impedimen- 
to do  bacharel  António  Joaquim  Fortes  de  Bustamante). 

10 — Honório  Hermeto  Carneiro  Leão  (depois  Marquez  do  Pa- 
raná). 

11 — José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 

12 — Manoel  Gomes  da  Fonseca,  doutor. 

13— Gabriel  Mendes  dos  Santos,  magistrado. 

14 — António  Maria  de   Moura,  padre. 

15 — António  José  Ribeiro  Bhering,  padre. 

16 — José  Joaquim  Fernandes  Torres,  lente  de  direito. 

17 — Gabriel  Francisco  Junqueira,  depois  Barão  de  Alienas. — (Na 
sessão  de  1835  foi  substituído  pelo  desembargador  Ma- 
noel Ignacio  de  Mello  e  Souza — depois  Barão  do  Pontal 
— e  na  de  1837  pelo  brigadeiro  Paulo  Barbosa  da 
Silva). 

18 — António  Pinto  Chichorro  da  Gama,  magistrado. 

19 — João  Dias  de  Quadros    Aranha,  padre. 

20 — José  Alcibíades  Carneiro. 


4.-^  LEGISLATURA  (1838—1841.) 
(ELEIÇÃO  POR  PR0VINC\ A:— Systpum  indirecto  onde  dois  graus) 

1— António  Paulino  Limpo  de  Abreu  (depois  Visconde   de  Abae- 
té). 

2 — Bernardo  Belisario  Soares  de  Souza,  magistrado. 

3 — António  da  Costa  Pinto,  magistrado. — (Substituído  no  fim  da 

sessão    de     1841     por    José     Fernandes     de     Oliveira 

Penna). 


JSi  REVISTA    DO 


4— José  Joaquim  Fernandes  Torres,  lente  de  direito.— (Substituído 
nas  sessões  de  1838  e  1839  por  José  Alcibíades  Car- 
neiro). 

5— José  Pedro  Dias  de  Carvalho.— (Substituído  nos  dois  primei- 
ros mezes  da  sessão  de  1838  por  Herculano  Ferreira 
Penna.  e  na  sessão  de  1839  pelo  cónego  João  Dias 
de  Quadros  Aranha). 

6— José  Cesário  de  Miranda  Ribeiro  (depois  Visconde  de  Ube- 
raba). 

7 — Francisco  de  Paula  Cerqueira  Leite,  magistrado. 

8— Cândido  JosédeAraujo  Vianna  (depois  Marquez  de  Sapucahy  — 
Sendo  nomeado  senador  em  outubro  de  1838  foi  sub- 
stituído nas  sessões  de  1840  e  1841  pelo  cónego  João 
Dias  de  Q.  Aranha). 

9— Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. — (Sendo  no- 
meado senador  em  setembro  de  1838,  foi  substituído 
nas  sessões  de  1839  a  1841  por  Herculano  Ferreira 
Penna). 

10— Manoel  Gomes  da  Fonseca.— (Foi  substituído  no  fim  da  ses- 
são de  1841  pelo  bacharel  Tristão  António  de  Alva- 
renga). 

11— Theophílo  Benedícto  Ottoni. 

12— José  Feliciano  Pinto  Coelho  da  Cunha  (depois  Barão  de 
Cocaes. — Foi  substituído  na  sessão  de  1841  pelo  vigário 
João  Antunes  Corrêa). 

13 — Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite,  magistrado  (depois  Ba- 
rão de  S.  João  Nepomuceno). 
14 — Francisco  de   Paula  Cândido,  medico. 

15— João  António  de  Lemos  (depois  Barão  do  Rio  Verde). 

16 — Baptista  Caetano  de  Almeida. — (Foi  substituído  na  sessão  de 
1839  pelo  padre  José  António  Marinho). 

17 — António  Joaquim  Fortes  de  Bustamante,  bacharel. — (Substi- 
tuído nos  últimos  mezes  da  sessão  de  1838  por  Her- 
culano Ferreira  Penna,  e  na  de  1840  pelo  vigário  João 
Antunes  Corrêa). 

18 — Lourenço  José  Ribeiro,  magistrado. 

19 — Honório  Hermeto  Carneiro  Leão  (depois  Marquez  de  Paraná), 
—(Tomou  assento  como  supplente  de  Evaristo  Ferreira 
da  Veiga,  fallecído  a  12  de  maio  de  1837). 

20— Gabriel  Mendes  dos  Santos,  magistrado. — (Tomou  assento 
como  supplente  de  Lucío  Soares  Teixeira  de  Gouvea, 
nomeado  senador  em  março  de  1837). 


ABCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  33 

1842 
(ELEIÇÁO  POR  PROVÍNCIA:    Systemn  indirecto  ou  de  dois  graus) 

Neste  anno  foi  a  Camará  temporária  dissolvida,  por  decreto 
de  1."  de  maio,  antes  de  come(;arem  os  trabalhos  da  legislatura. 

Até  essa  data  tinham  sido  reconhecidos  os  seguintes  depu- 
tados pela  província  de  Minas : 

António  Paulino  Limpo  de  Abreu  (depois  Visconde  de  Abaete). 
António  da  Costa  Pinto,  magistrado. 

Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite,  magistrado  (depois  Barão 
de  S.  João  Nepomuceno). 

José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 
Francisco  de  Paula  Cerqueira  Leite,  magistrado. 
José  Joaquim  Fernandes  Torres,  lente  de  direito . 
José  Feliciano  Pinto  Coelho  da  Cunha  (depois  Barão   de  Co- 
caes). 

João  Dias  de  Quadros  Aranha,  padre. 
Theophilo  Benedicto  Ottoni. 
José  António  Marinho,  padre. 

Domiciano  Leite  Ribeiro,  bacharel  (depois  Visconde  do  Ara- 
xá). 

Manoel  Gomes  da  Fonseca,  doutor. 
Bernardino  José  de  Queiroga,  bacharel. 
Gabriel  Getulio  Monteiro  de  Mendonga. 
José  Jorge  da  Silva,  bacharel. 
António  José  Ribeiro  Bhering,  padre. 

Camillo  Maria  Ferreira  Armonde,  medico  (depois  Conde  de 
Prados). 

Joaquim  Antão  Fernandes  Leão,  bacharel. 

José  Ce.sario  de  Miranda  Ribeiro  (depois  Visconde  de   Ube- 
raba). 


5.^  LEGISLATURA  (1843—1844) 
(ELEIÇÃO  POR  PROVÍNCIA:— Svs 'em  7  inrJi recto   ou  de  dois  grous) 

1— Bernardo  Jacintho  da  Veiga.— (Foi  substituído,  de  12  de  janei- 
ro até  12  de  abril  de  1843,  pelo  desembargador  Ernesto 
Ferreira  França). 

2— Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado, 
R.  A.    3 


34  REVISTA    t>Ó 


3— José  Cesário  de  Miranda  Ribeiro  (depois  Visconde  de  Ubera- 
ba.—Nomeado  senador  em  fevereiro  de  1844,  foi  sub- 
stituído na  sessão  desse  anno  pelo  padre  António  José 
da  Silva). 

4 — Herculano  Ferreira  Penna. 

5 — Gabriel  Mendes  dos  Santos,  magistrado. — (Foi  substituído,  de 
23  de  setembro  de  1843  até  o  fim  da  sessão,  por  Nico- 
lau Nogueira  Valle  da  Gama). 

6 — Luiz  António  Barbosa,  magistrado. — (Foi  substituído,  de  28 
agosto  de  1843  até  o  fim  da  segunda  sessão  do  dito  an- 
no, pelo  padre  António  José  da  Silva). 

7 — Bernardo  Belisario  Soares  de  Souza,  magistrado. 

8 — João  Antunes  CorrOa,  padre. 

9 — José  Lopes  da  Silva  Vianna,  bacharel. 

10— Manoel  Júlio  de  Miranda,  padre. -(Substituído,  desde  18  de 
setembro  de  1843  até  o  fim  da  segunda  sessão  do  mes- 
mo anno,  pelo  desembargador  Lourenço  José  Ribeiro). 

11 — Justiniano  José  da  Rocha,  bacharel. 

12 — Francisco  de  Paula  Cândido,  medico. 

13 — Manoel  Machado  Nunes,  magistrado. 

14 — António  José  Monteiro  de  Barros,  bacharel. 

15— Jero  vmo  Máximo  Nogueira  Penido,  bacharel.— (Substituído, 
de  16  de  setembro  de  1843  até  o  fim  da  sessão  do  mes- 
mo anno,  por  José  Joaquim  de  Lima  e  Silva  Sobrinho). 

16— José  Ferreira  Carneiro.— (Substituído,  de  13  de  abril  de  1843 
a  7  de  junho  do  dito  anno,  pelo  desembargador  Ernes- 
to Ferreira  França,  e  na  sessão  de  1844  pelo  desembar- 
gador Lourenço  José  Ribeiro). 

17— Joaquim  Gomes  de  Carvalho,  padre.— (Substituído,  de  18  de 
outubro  de  1843  até  o  principio  da  sessão  de  1844,  por 
José  Joaquim  de  Lima  e  Silva  Sobrinho). 

18 — Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico. 

19 — Venâncio  Henriques  de  Rezende,  padre. 

20— Cyrino  António  Lemos,  bacharel. 


6.^  LEGISLATURA   (1845—1847) 
(ELEIÇÃO  POR  PROVÍNCIA: -Sí/síema    indirecto  ou  de  dois  graus) 

1— António    Paulino    Limpo  de  Abreu    (posteriormente  Visconde 
de  Abaete). 


 


.VRCHIVO    PUBLICO    MINEIAO  35 

2  —  José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 

3  —  António  da  Costa  Pinto,  magistrado. 

4  —  Theophilo  Benedicto  Ottoni. 

5  —  Gabriel  Getulio  Monteiro  de  Mendonça.  ^ 

6  —  José  António  Marinho,  padre. 

7  —  José  Joaquim  Fernandes  Torres,  Lente  de  direito. 

8  —  Joaquim  Antão  Fernandes  Leão,  bacharel. 

9  —  José  Feliciano  Pinto  Coelho  da  Cunha,  (depois  Barão   de 

Cocaes). 

10  —  António  Thomaz  Godoy,  magistrado. 

11  —  Herculano  Ferreira    Penna.  — (Foi    substituído    até   2    de 

agosto  da  sessão  de  1847  pelo  bacharel  Francisco  Dio- 
go Pereira  de  Vasconcellos). 

12  —   Paulo    Barbosa  da    Silva,    brigadeiro. —  (Foi    substituído 

desde  agosto  de  1846  até  o  fim  da  sessão  deste  anno 
pelo  bacharel  Francisco  Diogo  Pereira  de  Vascon- 
cellos e  na  de  1847  pelo  bacharel  Luiz  António  Bar- 
bosa). 

13  —  Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite,  magistrado. 

14  —  Francisco  de  Salies    Torres  Homem    (depois  Visconde  de 

Inhomirim). 

15  —  José  Jorge  da  Silva,  bacharel. 

16  —    Fernando  Sebastião  Dias   da  Motta,  bacharel. 

17  —  Joaquim  Cândido  Soares  de  Meirelles,  medico. 

18  —  Manoel  de   Mello  Franco,  medico, 
ly  —  Tristão  António  de  Alvarenga,  bacharel. 
20  —  Manoel  Odoríco  Mendes. 


7^  LEGISLATURA  (1848) 
(ELEIÇÃO  POR  PROVWCIA:  ~  Systema  indirecto  ou  de  dois  graus). 

1  —  José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 

2  —  José  António    Marinho,  padre. 

3  —  Theophilo  Benedicto  Ottoni. 

4  —  António  da  Costa  Pinto,  magistrado. 

5  —  Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite,  magistrado. 

6  —  Gabriel  Getulio  Monteiro  de  Mendonça. 

7  —  António  Thomaz  de  Godoy,  magistrado. 

8  —  José  Feliciano  Pinto   Coelho  da  Cunha   (depois  Barão  de 

Cocaes). 

9  —  Quintiliano  José  da  Silva,  bacharel. 

10  —  Christiano  Benedicto  Ottoni,  lente  de  mathematicas. 


■36  REVISTA  no 


1 1  —  Francisco  de  Assis  e  Almeida,  bacharel. 

12  —  Francisco  de  Paula  Cerqueira   Leite,  magistrado. 

13  —  António  Gonçalves    Chaves,  padre. 

14  —  Joaquim  Antão  Fernandes  Leão,  bacharel. 

15  —  José  Jorge  da  Silva,  bacharel.  —  (Foi  substituído  durante 

a  sessão  de  1848  pelo  bacharel  Elias  Pinto  de  Car- 
valho). 

16  —  Tristão  António  de  Alvarenga,  bacharel. 

17  —  Camillo   Maria  Ferreira  Armonde,  medico   (depois    Conde 

de  Prados.  —  Foi  substituído  durante  a  sessão  de  1848 
pelo  bacharel  Francisco  Diogo  Pereira  de  Vascon- 
cellos). 

18  —  Joaquim  Cândido  Soares  de  Meirelles,  medico. 

19  —  Manuel  de  Mello  Franco,  medico. 

20  —  José  Felicíssimo  do  Nascimento,  padre. 


8^  LEGISLATURA  (1850—1852) 

(ELEIÇÃO  POR  PROVÍNCIA :  Systema  indirecto  ou  de  dois  graus 

1  —  Firmino  Rodrigues  Silva,  magistrado. 

2  —  José  Agostinho  Vieira  de  Mattos,  medico. 

3  —  António  Cândido  da  Cruz  Machado,  advogado — (Depois  Vis- 

conde de  Serro  Frio). 

4  —  Justiniano  José  da    Rocha,  bacharel. 

5  —  Manoel  Texeira    de   Souza    (depois     Barão     de   Camar- 

gos). 

6  —  Bernardo  Belisario  Soares  de   Souza,  magistrado. 

7  —  Francisco  Paula  Cândido,  medico. 

8  —  Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. 

9  —  José  Joaquim  de  Lima  e  Silva  Sobrinho  (depois  Visconde 

de  Tocantins), 

10  —  Gabriel  Mendes   dos  Santos,   magistrado. — (Nomeado  se- 

nador em  agosto  de    1851,  foi  substituído    pelo  conse- 
lheiro Joaquim  Antão  Fernandes  Leão). 

11  —  Francisco  de  Paula   Santos,  negociante. 

12  —  António  Gomes  Cândido,  bacharel. —  (Fellecendo  em  1850, 

foi  substituído    pelo  dr.    Manoel    de  Mello    Franco,  em 
abr-l  do  mesmo  anno). 

13  —  Luiz  António    Barbosa,  magistrado. 

14  —  Manoel  Júlio  de  Miranda,  padre. 

15  —  António  José  da  Silva,  padre. 

16  —  António  José  Monteiro  de  Barros,  bacharel. 


ARCHIVO'  PUBLICO    MINEIRO 


37; 


17 — Francisco  Alves  de  Mendonça,  padre. — (Fallecendo  em  1850, 
substituiu-o  em  abril  do  mesmo  anno  o  conselheiro  José 
Pedro  Dias  de  Carvalho). 

18 — António  Gabriel  de  Paula  Fonseca,  medico. 

19 — Herculano  Ferreira  Penna. 

20 — Luiz  Soares  de  Gouvèa  Horta,  bacharel. — (Foi  substituído  de 
junho  de  1850  a  agosto  de  1851  pelo  conselheiro  Joa- 
quim Antão  Fernandes  Leão,  e  de  maio  de  1852  até  o 
fim  da  sessão  desse  anno  pelo  desembargador  Antó- 
nio da  Costa  Pinto). 


9.'"  LEGISLATURA  (1853—1856) 


fELEIÇÁO  POR  PROVÍNCIA: -5í/s/c//K7  indirecto  ou  de  dois  graus) 

1 — Luiz  António  Barbosa,  magistrado. 

2 — Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos,  magistrado. — (Sub- 
stituído na  sessão  de  1854,  desde  13  até  25  de  maio,  e 
nas  de  1855  e  1856,  pelo  dr  Francisco  de  Mello  Fran- 
co). 

3 — Manoel  Teixeira  de  Souza,  depois  de  Barão  de  Camar- 
gos. 

4 — Firmino  Rodrigues  Silva,  magistrado. 

5— António  Gabriel  de  Paula  Fonseca,  mediuo. 

6 — António  Cândido  da  Cruz  Machado  (depois  Visconde  de  Ser- 
ro Frio),  advogado. — (Foi  substituído  nas  sessões  de   .  - . 

1854  a  1856  pelo  supplente    José  Joaquim  de    Lima    e 
Silva  Sobrinho,  depois  Visconde  de  Tocantins). 

7 — Francisco  de  Paula  Cândido,  medico. 
8 — Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz,  bacharel. 
9 — António  José  Monteiro  de  Barros,  bacharel. 
10 — José  Agostinho  Vieira  de  Mattos,  medico. 
11 — Herculano  Ferreira  Penna. — (Nomeado  senador  em    abril  de 
1853,  foi  substituído  desde  2  de  maio  do  mesmo   anno 
pelo  desembargador  Francisco  Soares  Bernardes  de  Gou- 
vèa). 
12 — Francisco  de  Paula  Santos,  negociante. 
13 — Carlos  José  Versiani,  medico.     (Substituído    nas  sessões   de 

1855  e  1856  pelo  conselheiro  José  Pedro  Dias  de     Car- 
valho). 

14 — Agostinho  José  Ferreira  Bretãs,  medico. 

15 — António  José  da  Silva,  padre. 

16 — Caetano  Alves  Rodrigues  Horta,  bacharel. 


38  REVISTA    DO 


17 — Bernardo  Belisario  Soares  de  Souza,  magistrado. 

18 — Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico. 

19 — Justiniano  José  da  Rocha,  bacharel. 

20 — Luiz  Soares  de  Gouvêa  Horta,  bacharel.— (Foi  substituído  na 
sessão  de  1853  pelo  supplente  já  referido.  Lima  e  Silva 
Sobrinho,  que  tomou  assento  a  9  de  agosto). 


IO.''  LEGISLATURA  (1857--1860) 

(ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  UM  DEPUTADO:— Syste ma  indirecto    ou 

de  dois  graus) 

1."  districto — Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos,  ma- 
gistrado,— (Sendo  nomeado  senador  em  novem- 
bro de  1857,  occupou  o  seu  logar  nas  seguintes 
sessões  o  respectivo  supplente). 
— Francisco  de  Paula  Santos,  negociante. — Sup- 
plente. 

2."     districto — Francisco  Alvares  da  Silva  Campos,   bacharel. 
— José    Júlio     de    Araújo   Vianna,    padre.  —  Sup- 
plente. 

3."  districto — Luiz  António  Barbosa,  magistrado . — (Sendo  no- 
meado senador  em  novembro  de  1859,  falleceu 
em  15  de  março  de  1860.  Na  sessão  deste  anno 
occupou  o  seu  logar  o  respectivo  supplen- 
te). 
— Modestino  Carlos  da  Rocha  Franco,  medico. — 
Supplente. 

4.°     districto — José  Felicíssimo  do  Nascimento,  padre. 

— Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido,   bacharel, — 
Supplente. 

5."    districto — António  Cândido  da  Cruz  Machado  (depois  Vis- 
conde do  Serro  Frio),  advogado. 
—Simão     da   Cunha   Pereira,    bacharel.— Supplen- 
te. 

6."     districto— Pedro  de  Alcântara  Machado,  negociante. 

—Joaquim    Mariano    dos  Santos,  bacharel. —Sup- 
plente. 

7,"  districto— António  Joaquim  César,  advogado.— (Substituído 
na  sessão  de  1858,  na  de  1859  de  10  a  15  de 
maio,  e  na  de  1860  pelo  respectivo  supplente). 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO 


39 


8/'  districto 

9."  districto 

10.  districto 

1 1 .  districto 

12.  districto 

13.  districto 


14.  districto 


15.  districto 

16.  districto 


17.  districto  — 


António  Gabriel  de  Paula  Fonseca,  medico,  sup- 
plente. 

Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico. 
■  Carlos  José  Versiani,  medico. — Supplente. 

Bernardo  Belisario  Soares   de  Souza,    magistra- 
do. 
•  Melciíior  Carneiro  de  Mendonça  Franco.  —  Sup- 
plente. 

Hermogenes  Casimiro  de  Araújo  Brunswick,  pa- 
dre. —  (Foi  substituido  nas  sessões  de  1858  e 
1860  pelo  respeclivo  supplente). 

José  Tavares  de    Mello,  bacharel.  —  Supplente. 

Agostinho  José  Ferreira  Bretãs,  medico. 

José  Affonso  Dias  de  Souza,  bacharel.  —  Sup- 
plente. 

João  Dias  Ferraz  da  Luz,  medico. 

António  Simplício  de  Salles,  bacharel.  —  Sup- 
plente. 

Domingos  Theodoro  de  Azevedo  e  Paiva,  nego- 
ciante. —  (Substituido  de  20  de  julho  até  o 
fim  da  sessão  de  1857  pelo  respectivo  sup- 
plente). 

José  da  Costa  Machado  e  Souza  Ribeiro,  bacha- 
rel. —  Supplente. 

António  Felippe  de  Araújo,  cónego.  —  (Falleceu 
em  22  de  junho  de  1857  e  sendo  convidado 
para  occupar  o  seu  logar  o  respectivo  sup- 
plente, não  compareceu  a  tomar  assento  du- 
rante a  legislatura). 

António  Dias  Ferraz  da  Luz,  medico.  —  Sup- 
plente. 

Francisco  Cyrillo  Ribeiro  e  Souza,  medico. 

Francisco  Guarita  Pitanguy,  vigário.  —  Sup- 
plente. 

João  das  Chagas  Andrade,  medico.  —  (Foi  sub- 
stituido nas  sessões  de  1857  e  1859  pelo  re- 
spectivo supplente), 

Salathiel  de  Andrade  Braga,  medico.  —  Sup- 
plente. 

Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite,  magistra- 
do. —  (Foi  substituido  na  sessão  de  1859  pelo 
respectivo  supplente). 

José  Rodrigues  de  Lima  Duarte,  medico.  — 
Supplente. 


40  nPA'ISTA    DO 


18.  districto  —  António  José  Monteiro  de   Barros,  bacharel.  — 

(Foi  substituído  na  sessão  de   1859    pelo   res- 
pectivo  supplente).  ^ 

—  José  Joaquim  Ferreira   Monteiro  de    Barros,  ba- 

charel. —  Supplente. 

19.  districto  —  Francisco  de    Assis  Athayde,  coronel.  —  (Falle- 

reu  depois  da  sessno  de   1860). 

—  Francisco  Peixoto  de  Mello.  —  Supplente. 

20.  districto  —  Francisco  de  Paula  da  Silveira  Lobo. —  bacharel. 

—  José  Pedro  da  Silva   Bemfica,  cónego.  —  Sup- 

plente. 


11.^  LEGISLATURA  (1861  —  1863) 

(ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  TRÊS  DEPUTADOS.    -    Sy eterna  indire- 
cto ou  de  dois  graus) 

1."    districto  —  Francisco  de  Paula  da  Silveira    Lobo,  bacharel. 

—  Manoel  de  Mello  Franco,  medico. 

—  Francisco  de  Paula  Santos,  negociante. 

2."  districto  —  Theophilo  Benedicto  Ottoni.  —  (Sendo  eleito  de- 
putado pelo  1.°  districto  da  província  do  Rio 
de  Janeiro,  optou  pelo  2."  districto  da  de  Mi- 
nas Geraes  em  junho  de  1861,  substituindo- 
o  naquelle  districto  o  dr.  Martinho  Alvares  da 
Silvia  Campos). 

—  >\ntonio  da  Fonseca  Vianna,  medico. 

—  Manoel  José  Gomes  Rebello  Horta,  bacharel. 

3."    districto  —  Christiano    Benedicto    Ottoni,  lente    de   mathe- 

maticas. 

—  José  Rodrigues  de    Lima  Duarte,    (depois    Vis- 

conde), medico. 

—  Mariano  Procopio  Ferreira  Lage,  negociante. 

4."  districto  —  Francisco  Januário  da  Gama  Cerqjeira,  bacha- 
rel. 

—  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  e  Souza,  medico. 

—  Salathiel  de  Andrade  Braga,  medico. 
5."    districto  —  Evaristo  Ferreira  da  Veiga,  bacharel. 

—  Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz,  bacharel. 

—  Agostinho  José  Ferreira  Bretãs,  medico. 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO 


41. 


6."  districto  —  António  Cândido  da  Cruz   Machado  (depois  Vis- 
conde de    Serro  Frio),  advogado. 

—  António  Gabriel  de  Paula  Fonseca,  medico. 

—  António  Joaquim   César,  advogado. 

7.°  districto    —  Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico. 

—  Melchior  Carneiro  de  Mendonça  Franco. 


12.«  LEGISLATURA  (1864—1866) 

(ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  TRÊS    DEPUTADOS.- Sysícma   indirecto 

ou  de  dois  graus ) 


1."  districto  —  Francisco  de  Paula  da   Silveira  Lobo,   bacharel. 

—  (Sendo  nomeado  ministro  da  marinha  a  27 
de  junho  de  1865,  foi  reeleito  deputado  pelo 
mesmo  districto  e  tomou  assento  a  19  de  mar- 
ço de  1866) 

—  Manoel  de  Mello   Franco,  medico. 

—  Francisco  de  Paula  Santos,  negociante. 

2."   districto  —   Theophilo  Benedicto    Ottoni.— (Sendo   nomeado 

senador  por  Minas  Geraes,  substituio-o  como 
deputado  o  bacharel  Manoel  Ignacio  de  Car- 
valho  Mendonça,    em  23    de  junho    de    1864) 

—  Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico. 

—  António  da  Fonseca  Vianna,  medico, 

3."  districto  —  Barão  de  Prados  (depois  Visconde  e  Conde). 

—  Christiano    Benedicto    Ottoni,    lente    de    mathe- 

maticas. 

—  José  Rodrigues  de  Li.Tia  Duarte  (depois  Viscon- 

de de  Lima  Duarte),  medico. 
4.°  districto  —  Domiciano    Leite    Ribeiro,    depois    Visconde    de 

Araxá. — (Sendo  nomeado  ministro  da  agricul- 
tura a  15  de  janeiro  de  1864,  foi  reeleito  de- 
putado pelo  mesmo  districto  e  tomou  assento 
em  16  de  maio  de  1864). 

—  José  Jorge  da  Silva,  bacharel. 

—  João  das  Chagas   Lobato,  bacharel. 

5."  districto  —  Evaristo  Ferreira  Veiga,   bacharel. 

—  Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz,  bacharel. 

—  Agostinho  José  Ferreira  Bretãs,  medico. 


42 


REVISTA    DO 


6."  districto 
7."  districto 


Joaquim  Felicio  dos  Santos,  bacharel 
José  Joaquim  Ferreira  Rabello,  bacharel. 
António  Joaquim  César,  advogado. 
Affonso  Celso  de  Assis    Figueiredo  (depois  Vis- 
conde de  Ouro  Preto),  bacharel. 
Henrique   Limpo    de  Abreu,  bacharel. 


I 


13.^  LEGISLATURA  (1867—1868) 

ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  TRÊS    DEPUTADOS.-Sysísma   indirecto 

ou  de  dois  graus  j 


1."  districto 


2.°  districto 


3.°  districto 


4.°   districto 


5."  districto 
6.°  districto 
7."   districto 


—  Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo,  bacharel,  (de- 

pois Visconde  de  Ouio  Preto). 

—  Francisco    de  Paula     da    Silveira   Lobo,  bacha- 

rel. 

—  Francisco  de  Paula  Santos,  negociante 

—  Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico. 

—  António  da  Fonseca  Vianna,  medico. 

—  António    Vaz    Pinto     Coelho     da    Cunha,     ba- 

charel . 

—  Barão  de  Prados  (depois  Conde). 

—  Christiano  Benedicto  Òttoni,   lente   de    mathema- 

ticas. 

—  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte,  depois  Visconde 

de    Lima  Duarte,  medico. 

—  Flávio  Farnese,  bacharel. 

—  Cassiano  Bernardo   de   Noronha   Gonzaga,    me- 

dico. 

—  José     de     Rezende    Teixeira     Guimarães,     ba- 

charel. 

—  Américo  Lobo  Leite  Pereira,  bacharel. 

—  José  Cesário  de  Faria  Alvim,  bacharel. 

—  Francisco  Augusto  Pereira  Lima,  medico. 

—  António  Felicio  dos  Santos,  medico. 

—  António  Ernesto  da  Costa. 

—  José  Joaquim  Ferreira  Rabello,  bacharel. 

—  Bernardo  de  Mello  Franco,  medico. 

—  João  Carlos  de  Araújo  Moreira,  bacharel. 


ARCHIVO     PUBI.IC»     MINBIRO  43 


14.«  LEGISLATURA  (1869—1872) 

ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  TRÊS  DEPUTADOS:— System  a  indirecto  ou 

de   dois  grdus 


1."  districto — Benjamim  Rodrigues  Pereira,  bacharel. 

— Joaquim  Antão  Fernandes  Leão,  bacharel.— (Sen- 
do nomeado  senador  por  Minas  Geraes  su- 
bstituiu-o  como  deputado  o  bacharel  Diogo 
Luiz  de  Almeida  Pereira  de  Vasconcellos,  em 
1  de  maio  de  1871). 

— Camillo  da  Cunha  Figueiredo,  bacharel. 

2°  districto— Agostinho  Marques  Perdigão  Malheiros,  doutor  em 

direito. 
—  João  Pinto  Moreira,  bacharel. 
—António    Augusto  da     Silva     Canedo,    magis- 
trado. 

3.°    districto — Domiciano     Matheus    Monteiro     de    Castro,    me- 
dico. 
— Mariano    Procopio   Ferreira    Lage,   negociante. — 
(Fallecendo  em  1872,  foi   eleito  deputado  na 
sua   vaga    o     bacharel  Luiz    Eugénio    Horta 
Barbosa,  que  tomou  assento  em  21  de  maio 
de  1872). 
— José    Calmou    Nogueira    Valle     da    Gama,    ba- 
charel. 

4.°     districto — Francisco    Januário    da     Gama     Cerqueira,     ba- 
charel. 
— Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido,  bacharel. 
— José  Xavier  da  Silva  Capanema,  bacharel. 

5.°  districto — Evaristo  Ferreira  da  Veiga,  bacharel. 

— José  Ignacio  de  Barros  Cobra  Júnior,  bacha- 
rel. 
— Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz,  bacharel. — (Sen- 
do eleito  também  pelo  3."  districto,  optou  pelo 
5.",  substituindo-o  n'aquelle  o  dr.  Domiciano 
Matheus  Monteiro  de  Castro,  em  27  de  abril  de 
1870;  e  sendo  nomeado  senador  por  Minas  Geraes, 
substituiu-o  como  deputado  o  bacharel  António  Cân- 
dido da  Rocha,  em  4  de  maio  de  1871). 


44. 


REVISTA    DO 


6."  districto— António    Cândido    da   Cruz  Machado  (depois    Vis- 
conde de  Serro  Frio),  advogrado. 
—Cândido  Freire  de  Figueiredo  Murta. 
— Vicente  José  de  Fií?ueiredo. 

7."  districto— Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico. 
—Joaquim  Pedro  de  Mello,  medico. 


15.«  LEGISLATURA  (1872—1875) 


(ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO   DE   TRÊS  [DEPUTADOS: 

ou     de       dois    grous) 


-Systema  indirecto 


1."    districto— Carlos  Peixoto    de  Mello,   bacharel  em   mathema- 

ticas. 
—Diogo  Luiz  de  Almeida  Pereira  de  Vasconcellos, 

bacharel. 
—Joaquim  Bento  de  Oliveira  Júnior,  bacharel. 
2."  districto— Martinho  Alvares  da  Silva  Car^pos,  medico. 

— Ignacio  António  de  Assis  Martins  (depois  Viscon- 
de), bacharel. 
— Camillo  da  Cunha  Figueiredo,  bacharel, 
a.*'    districto— José    Calmon   Nogueira   Valle    da    Gama,   bacha- 
rel. 
— José  Pereira  dos  Santos,  bacharel. 
— Luiz  Eugénio  Horta  Barbosa,  bacharel. 
4."  districto— António  Gabriel  de  Paula  Fonseca,  medico.— (Falle- 

cido  a  16  de  julhc  de  1875.  Não  se  pro- 
cedeu á  nova  eleição). 
— Salathiel  de  Andrade  Braga,  medico. 
— Balbino  Cândido  da  Cunha,  medico. 
5."  districto— António  da  Rocha  Fernandes  Leão,  bacharel. 

—José    Ignacio   de    Barros   Cobra    Júnior,    bacha- 
rel. 
— Francisco  Evangelista  de  Araújo,  bacharel. 
6°  districto  -  António    Cândido   da  Cruz    Machado   (depois  Vis- 
conde de  Serro  Frio)  advogado.— (Nomeado  sena- 
dor por   Minas  Geraes    em    9  de  maio    de  1874, 
substituiu-o    João    Ribeiro  de   Campos  Carvalho, 
doutor  em  direito,  que    tomou  assento  a   31  de 
março  de  1875). 
— Bernardino  da  Cunha  Ferreira,  advogado 
—  Cândido  Freire  de  Figueiredo  Murta. 


AJ\CH1V0    PUBLICO    MINEIRO  ,)|5 

7."  districto  —  Luiz  Carlos  da  Fonseca,  medico.  —  (Nomea- 
do senador  por  Minas  Geraes  em  18  de 
junho  de  1875,  não  se  procedeu  á  nova 
eleição). 

—  Honório  Hermeío  Carneiro  Leão,  bacharel. 
— Falleceu  a  2  de  março  de  1873,  sendo 
substituído  por  Joaquim  Pedro  de  Mello, 
medico,  que  tomou  assento  a  16  de  maio  de 
1874). 


16.    LEGISLATURA  (1877) 


(ELEIÇÃO  POR  província,  PELA  LEI  DE  20  DE  OUTUBRO  DE  1875, 
CHAMADA  DO  TERÇO  OU  DA  REPRESENTAÇÃO  DA  MINORIA :  — 
Sysrenia  indirecto  ou  de  dois  graus). 

1  —  Affonso    Celso   de  Assis  Figueiredo,  bacharel,  (depois  Vis- 

conde de  Ouro  Preto). 

2  —  Agostinho  José  Ferreira  Bretãs,  medico. 

3  —  Agostinho  Marques  Perdigão  Malheiro,  doutor   em  direito. 

4  —  Camillo  áí.  Cunha  Figueiredo,  bacharel. 

5  —  Carlos  José  Vsrsiani,  medico. 

6  —  Carlos  Peixoto  de  Mello,  bacharel  em   mathematicas. 

7  —  Diogo  Luiz  de  Ameida  Pereira  de  Vasconcellos,  bacharel. 

8  —  Fernando  Teixeira  de  Souza  Magalhães,  bacharel. 

9  —  Francisco  Ignacio  de  Carvalho  Rezende,  doutor  em  direito 

10  —  Francisco  Januário  da  Gama  Cerqueira,  bacharel    —  (No- 

meado mir.istro  da  Justiça  em  15  de  íevereiro  de  1877, 
foi  reeleito  deputado  pela  província  e  tomou  assento 
em  11  de  junho  do  mesmo  anno). 

11  —  Francisco  Luiz  da  Veiga,  bacharel. 

12  —  Ignacio    António    de    Assis  Martins   (depois   Visconde  de 

Assis  Martins),  bacharel. 

13  —  Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido,  bacharel 

14  —  Joaquim  Pedro  de  Mello,    medico. 

15  —  José  Calmon  Nogueira  Valle  da  Gama,  bacharel. 

16  —  José  Cesário  de  Faria  Alvim,  bacharel. 

17  —  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte  (depois  Visconde  de  Lima 

Duarte),  medico. 


46  REVISTA    DO 


18  —  Lucas  Matheus  Monteiro  de  Castro,  bacharel. 

19  —  Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico. 

20  —  Theophilo  Ottoni,  bacharel. 


17-'  LEGISLATURA  (1878  —  1880) 


(ELEIÇÃO  POR  província  PELA  LEI  DE  20  DE  OUTUBRO  DE  1875 
CHAMADA  DO  TERÇO  OU  DA  REPRESENTAÇÃO  DA  MINORIA :  — 
Systema  indirecto  ou  de  dois  graus). 


1  —  Affonso  Augusto  Moreira  Penna,  doutor  em  direito. 

2  —  AffonFo  Celso  de  Assis  Figueiredo   (depois    Visconde    de 

Ouro  Preto),  bacharel.  —  (Nomeado  ministro  da  fazen- 
da em  8  de  fevereiro  de  1879,  e  também  nomeado,  na 
mesma  data,  senador  por  Minas-Geraes,  substituio-o  An- 
tónio Alvares  de  Abreu  e  Silva,  bacharel). 

3  —  António  Felicio  dos  Santos,  medico. 

4  —  Aureliano  Moreira  Magalhães,  bacharel. 

5  —  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira,  bacharel. 

6  —  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo,  bacharel. 

7  —  Fidelis  de  Andrade  Botelho,  bacharel. 

8  —  Francisco  Correia  Ferreira  Rabello,  bacharel. 

9  —  Galdino  Emiliano  das  Neves,  medico. 

10  —  Hygino  Alvares  de    Abreu  e  Silva,   doutor  em    direito.  — 

(Tendo  fallecido  a  13  de  maio  de  1880,  substituio-o 
Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares,  doutor  em 
direito). 

1 1  —  Ignacio  António    de    Assis  Martins  (depois   Visconde    de 

Assis  Martins),  bacharel. 

12  -  José  Cesário  de  Faria  Alvim,  bacharel. 

13  —  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte  (depois  Visconde  de  Lima 

Dua-te),  medico.  (Nomeado  ministro  da  marinha  em 
28  de  março  de  1881,  foi  reeleito  deputado). 

14  —  Lafayette   Rodrigues  Pereira,  bacharel. —  (Nomeado  sena- 

dor por  Minas  Geraes,  em  22  de  novembro  de  1879, 
substituio-o  Manoel  Joaquim  de  Lemos,  bacharel). 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  47 


15  —  Manoel  Eustáquio  Martins  de  Andrade,  bacharel. 

16  —  Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico. 

17  —  Theodomiro  Alvares  Pereira,  bacharel. 

18  —  Theophilo  Ottoni,  bacharel. 

19  —  V^irgilio  Martins  de  Mello  Franco,  magistrado. 

20  —  Visconde  de  Prados  (depois  Conde),  medico. 


18.='    LEGISLATURA  (1881  —  1884) 

(ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE   UM  SO'  DEPUTADO:  —  S/ys/emo  directo) 

1."  districto  —  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo,  bacharel. 
(Sendo  nomeado  ministro  da  guerra  em  3  de 
julho  de  1882,  foi  reeleito  pelo  mesmo  dis- 
tricto). 

2."  districto  —  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira,  bacharel.  — 
(Sendo  nomeado  ministro  da  guerra  em  6  de 
junho  de  1884,  foi  reeleito  pelo  mesmo  dis- 
tricto). 

3.°  districto  —  Affonso  Augusto  Moreira  Penna,  doutor  em  di- 
reito.— (Nomeado  ministro  da  guerra  em  21  de 
janeiro  de  1882,  foi  reeleito  pelo  mesmo  dis- 
tricto, o  que  de  novo  succedeuem  1883,  pouco 
depois  de  sua  nomeação  para  ministro  da  Agri- 
cultura, em  24  de  maio  desse  anno). 

4.°  districto  —  Ignacio  António  de  Assis  Martins  (depois  Viscon- 
de de  Assis  Martins),  bacharel. — (Nomeado  se- 
nador por  Minas-Geraes  em  28  de  junho  de 
1884,  não  se  procedeu  a  nova  eleição). 

5.*^  districto  —  Martinho  Alvares  da  Silva  Campos,  medico.  (No- 
meado ministro  da  fazenda  e  presidente  do  con- 
selho em  21  de  janeiro  de  1882,  e  a  22  do  dito 
mez  senador  por  Minas-Geraes,  substituio-o  Mar- 
tinho Alvares  da  Silva  Contagem,  bacharel). 

6."  districto  —  Francisco  Ignacio  de  Carvalho  Rezende,  doutor 
em  direito. — (Fallecendo  em  3  de  maio  de  1883, 
substituio-o  Aureliano  Martins  de  Carvalho  Mou- 
rão, bacharel). 


^  IIEVISTA    DO 


7."  districto  —  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte  (depois  Visconde 
de  Lima  Duarte),  medico.— (Nomeado  senador 
por  Minas-Geraes  em  26  de  janeiro  de  1884,  foi 
eleito  para  substituil-o  António  Carlos  Ribeiro 
de  Andrada,  bacharel,  que  não  chegou  a  ser 
reconhecido). 

■  Carlos  Vaz  de  Mello,  bacharel. 
Barão  da  Leopoldina  (José  de  Rezende  Monteiro), 
bacharel. 

João  Nogueira  Penido,  medico. 

José  Manoel  Pereira  Cabral,  bacharel. 

Francisco  Silviano  de  Almeida  Brandão,  medico. 

Olympio   Oscar  de   Vilhena  Valladão,   bacharel. 

Manoel  José  Soares,  negociante. 

João  Caetano  de  Oliveira  e  Souza,  bacharel. 

Eduardo   Augusto  Montandon,  medico. 

João  da  Matta  Machado,  medico.— (Nomeado  mi- 
nistro dos  estrangeiros  em  6  de  junho  de  1884, 
foi  reeleito  pelo  mesmo  districto). 

Joaquim  Vieira  de  Andrade,  medico. 
António  Felicio  dos  Santos,  medico. 
Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo  Júnior,  doutor 
em  direito. 


8." 

districto 

9." 

districto 

10." 

districto 

il.° 

districto 

12." 

districto 

13." 

districto 

14." 

districto 

15." 

districto 

16." 

districto 

17." 

districto 

18." 

districto 

19." 

districto 

20." 

districto 

19."  LEGISLATURA  (1885) 
(ELEIÇÃO  POR   DISTRICTO  DE  UM  SO'  DEPUTADO:  -  Sy  st  ema  directo) 


1."  districto  —  Diogo  Luiz  de  Almeida  Pereira  de  Vasconcellos, 
bacharel. 

2."  districto  —  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira,  bacharel. 

3."  districto  —  Affonso  Augusto  Moreira  Penna,  doutor  em  di- 
reito.—(Nomeado  ministro  da  justiça  em  6  de 
maio  de  1885,  foi  reeleito  pelo  mesmo  districto). 

4."  districto  —  Sebastião  Gonçalves  da  Silva  Mascarenhas,  me- 
dico. 

5."  districto  —  Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares,  dou- 
tor em  direito. 


ARGHIVO    PUBLJCO    MINEIRO  49 

6."  districio     -  António  Justiniano  das  Ciiagas,  medico. 

7.°  districto  —  António  Carlos  Ribeiro  de  Andrada,  bacharel. 

8."  districto  —  Carlos  Vaz  de  Mello,  bacharel. 

9.'*  districto  — Barão  de  Leopoldina,  bacharel. 
10."  districto —João  Nogueira  Penido,  medico. 
11."^  districto    Joaquim  Bento  Ribeiro  da  Luz,  bacharel. 
12."  districto — José  Ignacio  de  Barros  Cobra,  bacharel. 
13."  districto — Álvaro  Augusto  de  Andrade  Botelho,  bacharel. 
14."  districto — Manoel  José  Soare-,  negociante. 
15."  districto — Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo,  bacharel. 
16. "districto — Eduardo  Augusto  Montandon,  medico. 
17."  districto — António  Felicio  dos  Santos,  medico. 
18."  districto— Ernesto  Pio  dos  Mares  Guia,  bacharel. 
19."  districto— Carlos  Peixoto  de  Mello,   bacharel   em  mathema- 
ticas. 

20."  districto — Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo  Júnior,  doutor 

em  direito. 


20.^  E  ULTIMA  LEGISATURA  0886—1889). 
ELEIÇÃO  POR  DISTRICTO  DE  UM  SO"  DEPUTADOr-Sysfema  directo) 

1."  districto— Manoel  Joaquim  de  Lemos,  bacharel. 

2."  districto — Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira,  bacharel. — No- 
meado senador  por  Minas-Geraes  em  8  de  outu- 
bro de  1886,  substituio-o  Custodio  José  Ferreira 
Martins,  medii:o). 

3.°  districto — Affonso  Augusto  Moreira  Penna,  doutor  em  di- 
reito. 

4."  districto — Sebastião  Gonçalves  da  Silva  Mascarenhas,  me- 
dico. 

5.°  districto — Pacifico  Gonçalves  da  Silva  Mascarenhas,  me- 
dico. 

6."  districto — Aurélio  Martins    de   Carvalho   Mourão,    bacharel. 
7".  districto — Henrique  de  Magalhães  Sales,  bacharel. 
8".  districto — José  Cesário  de  Faria  Alvim,  bacharel. 
9."  districto — Barão  da  Leopoldina,  bacharel. — (Nomeado  sena- 
dor por  Minas-Geraes   em    3    de    fevereiro  de 
de  1888,  foi  substituído  por  António  Romualdo 
Monteiro  Manso,  medico). 
10."  districto — João  Nogueira  Penido,  medico. 
R.  A.      4 


SO  REVISTA    DO 


11.°  districto— Christiano  Carneiro  Ribeiro  da   Luz,    engenheiro. 

12."  districto — José  Ignacio  de  Barros  Cobra  Júnior,  bacha- 
rel. 

13.°  districto— Olympio  Oscar  de  Vilhena  Valladão.  bacha- 
rel. 

14."  districto — Manoel  José  Soares,  negociante — (Nomeado  se- 
nador por  Minas  Geraes  em  4  de  julho  de 
1888,  substituio-o  António  Affonso  Lamounier 
Godofredo,  bacharel. 

15."  districto — João  Caetano  de  Oliveira  e  Souza,  bacharel. 

16."  districto— Eduardo  Augusto  Montandon,  medico. 

17."  districto — João  da  Matta  Machado,  medico. 

18."  districto— Pedro  Maria  da  Silva  Brandão. 

19."  districto — Carlos  Peixoto  de  Mello,  bacharel  em  mathe- 
maticas. 

20."  districto — Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo  Júnior,  doutor 
em  direito. 


CONGRESSO  NACIONAL 

REPRESENTANTES  DO  ESTADO  DE   MINAS  GERAES  NO  CONGRESSO 

FEDERAL  BRASILEIRO 

1."    LEGISLATURA     (comprehendendo    a    sessão    constituinte) 

1890-1893 

(ELEIÇÃO  DIRECTA  A  15  DE  SETEMBRO  DE  1890) 

Senadores: 

1 — Dr.  Joaquim  Felicio  dos  Santos  (mandato  por  nove  annos). 
Fallecido  em  21  de  outubro  de  1895. 

2 — Dr.  José  Cesário  de  Faria  Alvim  (mandato  por  seis  annos, 
terminado  aliás  em  junho  de  1891,  por  haver  o  mandatá- 
rio acceitado  o  cargo  de  presidente  do  Estado  de  Minas- 
Geraes,  nos  referidos  mez  e  anno). 

3— Dr.  Américo  Lobo  Leite  Pereira  (mandato  por  três 
annos. 

—Para  preencher  a  vaga  do  Sr.  dr.  Cesário  Alvim,  foi  eleito  a 
30  de  junho  de  1892)  o  conselheiro  Christiano  Benedicto 
Ottoni. 


AflGHIVO    PUBUGO    MINEIRO  51  { 


— Para  preencher  a  vaga  cio  dr.  Joaquim  Felicio  dos  Santos,  foi 
eleito  (a  12  de  Janeiro  de  1896)  o  Sr.  Dr.  Fernando  Lobo 
Leite  Pereira. 

Dopn  lados: 

1 — Dr.  António    Olyntho  dos  Santos  Pires. 

2 — Dr.  João  Pinheiro  da  Silva. 

3 — Dr.  Francisco  Coelho  Duarte  Badaró. 

4— Dr.  Pacifico  Gonçalves  da  Silva  Mascarenhas. 


5 — Dr.  Joaquim  Leonel  de  Rezende  Filho.  !■ 


6— Dr.  Gabriel  de  Paula  Almeida  Magalhães. 

7— Dr.  João  das  Chagas  Lobato. 

8 — Dr.  António  Jacob  da  Paixão. 

9— Dr.  Alexandre  Stokler  Pinto  de  Menezes. 
10 — Dr.  Francisco  Luiz  da  Veiga. 
11 — Dr.  Francisco  Honório  Ferreira  Brandão. 
12— Dr.  João  da  Matta  Machado. 
13 — Dr.  José  Cândido  da  Costa  Sena. 
14— Dr.  António  Affonso  Lamounier  Godofredo. 
15— Dr.  Álvaro  de  Andrade  Botelho. 
16— Dr.  António  Gonçalves  Chaves. 
17 — Dr.  Américo  Gomes  Ribeiro  da  Luz. 

18— Dr.  Feliciano  Augusto  de  Oliveira  Penna.    (Perdeu    a  cadeira 
em  março  de  1892,  por  ter  acceitado  a  nomeação  para  o 
cargo  de  juiz  de  direito). 
19— Dr.  Polycarpo  Rodrigues  Viotti. 
20— Dr.  António  Dutra  Nicacio. 

21— Dr.  Francisco  Correia  Ferreira  Rabello.  (Fallecido  em  1892). 
22 — Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

23— Dr.   Astolpho  Pio  da  Silva  Pinto.— (Fallecido  em  1892). 
24 — Dr.  Aristides  de  Araújo  Maia. 
25 — Dr.  Joaquim  Gonçalves  Ramos. 
26 — Commendador  Carlos  Justiniano  das  Chagas. 
27 — Dr.  Francisco  de  Paula  Amaral.     (Fallecido  a    23  de  janeiro 

de  1892.) 
28 — Dr.  Domingos  José  da  Rocha. 
29 — Dr.  José  da  Costa  Machado  de  Souza. 
30— Dr.  Domingos  da  Silva  Porto. 
31 — Dr.  Constantino  Luiz  Palleta. 
32 — Dr.  João  António  de  Avelar. 
33 — Dr.  José  Joaquim  Ferreira  Rabello. 

34 — Dr.  Francisco  Álvaro  Bueno  de  Paiva.  (Perdeu  a  cadeira  em 
Março  de  1892  por  ter  acceitado  a  nomearão  para  o 
cargo  de  juiz  de  direito). 

35— Dr.  José  Carlos  Ferreira  Pires. 


i 


I 
i 


5JJ  REVISTA     DO 


36 — Coronel  João  Luiz  de  Campos, 
37 — Barão  de  Santa  Helena. 


Para  preenchimento  das  cinco  vagas  acima  indicadas,  foram 
eleitos: 

— Rodoipho  Ernesto  de  Abreu.  (Eleição  de     30  de    junho    de 
1892.) 

— Dr.  Benedicto     Cordeiro   dos    Campos     Valladares.    (Idem, 
idem). 

Dr.  Necesio  José  Tavares.  (Idem,  idem). 
— Visconde  de  Arantes.  (Idem,  idem). 

— Dr.  António  Torquato  Fortes     Junqueira.    (Eleição    de  15  de 
novembro   de  1892). 


2.^    LEGISLATURA  (1894-1896) 

(ELEIÇÃO  DIRECTA    EFFECTUADA  NO  l.'^  DE  MARÇO  DE  1894) 

SENADOR  (eleito  com  mandato  por  nove  annos) — Dr.  An- 
tónio Gonçalves  Chaves. 

SENADOR  (eleito  a  12  de  janeiro  de  1896),  com  mandato 
por  quatro  annos  (para  preencher  a  vaga  do  dr.  Joaquim  Felício 
dos  Santos,  fallecido  a  21  de  outubro  de  1895) — Dr.  Fernando 
Lobo  Leite  Pereira. 

DEPUTADOS 

1."  districto— Dr.  António  Olyntho  dos  Santos  Pires.  (Tendo  sido 
nomeado  ministro  da  Industria  e  Viação,  a  15 
de  novembro  de  1894,  foi  substituído  pelo  dr. 
José  Caetano  da  Silva  Campolina,  eleito  a  10 
de  fevereiro  de  1895). 

Dr.  José  Caetano  de  Almeida  Gomes. 

Dr.  Landulpho  Machado  de  Magalhães. 

Conselheiro  Francisco    de  Paula  Mayrink. 
2."  districto— Dr.  José  Martins    de  Carvalho  Mourão. 

Coronel  João  Luiz  de  Campos. 

Dr.  Feliciano  de  Lima  Duarte. 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  53 


3."  districto — Coronel  Luiz  Eug^enio  Monteiro  de  Barros. 
Dr     Carlos  Vaz  de  Mello. 

Dr.  Octávio  Esteves  Ottoni.  (Tendo  failecido  a  7 
de  julho  de  1894,  do  Rio  de  Janeiro,  foi  substitui- 
do  pelo  dr.  João  das  Chagas  Lobato,  eleito  a  30 
de  setembro  do  mesmo  anno). 

4."  districto— Dr.  Luiz  Arthur  Detzi. 

Dr.  João  Nogueira  Penido. 

Dr.  Joaquim  Gonçalves  Ramos.  J 

5."  districto — Dr.  Francisco  Luiz  da  Veiga.  '* 

Dr.  António  Dias  Ferraz. 

Dr.  António  Torquato  Fortes  Junqueira. 
6."  districto — Dr.  Joaquim  Leonel  de  Rezende. 

Octaviano  Ferreira   de  Brito. 

Dr.  Álvaro  Augusto  de  Andrade  Botelho. 

7."  districto — Dr.  José  Carlos  Ferreira  Pires. 

Dr.  António  Affonso  Lamounier  Godofredo. 
Dr.  António  Augusto  Ribeiro  de  Almeida. 

8.°  districto — Coronel  Rodolpho  Ernesto  de  Abreu. 

Dr.  Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares.  . 

Dr.  José  Cupertino  de  Siqueira.  1 

9."  districto — Coronel  Theotonio  de  Magalhães  e  Castro.  1 

Dr.  António  Pinto  da  Fonseca. 
Dr.  João  da  Matta  Machado. 
10."  districto — Coronel  Arthur  Ferreira  Torres. 
Simão  da  Cunha  Pereira. 
Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

11."  di.stricto — Dr.  António  Gonçalves  Chaves.    (Tendo  sido  tam- 
bém eleito  e   reconhecido  senador,  substituio-o  o 

commendador  Lindolpho  Caetano  de  Souza  e  Silva, 

eleito  a  30  de  setembro  de  1894). 

Dr.  Olegário  Dias  Maciel. 

Dr.  Francisco  Manoel  Paraíso  Cavalcanti. 
12."  districto— Commendador  Carlos  Justiniano  das  Chagas. 

Dr.  Lamartine  Guimarães. 

Dr.  José  da  Costa  Machado  de  Souza. 


I 


54  REVISTA    DO 


ASSEMBLEA     LEGISLATIVA     PROVINCIAL 


REI.AÇÁO  DOS  CIDADÃOS  QUE  FORAM  LLEITOS  E  RECONHECIDOS 
DEPUTADOS  A'  ASSEMBI.E'A  LEGISLATIVA  PROVINCIAL  DE  MI- 
NAS GERAES,  DESDE  A  PRIMEIRA  LEGISLATURA  (1835- 18ci7) 
ATE'  A  ULTIMA    (1888-1889). 

L"      LEGISLATURA 

1835-1837 

1 — António  Alves  da  Silva. 

2 — Dr.  António  da  Costa  Pinto. 

3 — Cónego  António  José  Ribeiro  Bhering. 

4 — Cónego  António  José  da  Silva. 
5  -  Bento  de  Araújo  Abreu. 
6 — Bernardo  Jacintho  da  Veiga. 

7— Dr.  Manoel  Ignacio    de    Mello   e  Souza  (depois  Barão  do 
Pontal). 

8 — Dr.  Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos. 

9 — Bento  Rodrigues  de  Moura  e  Castro. 
10 — Carlos  Pereira  Freire  de  Moura. 
11— Cândido  Thadeu  Pereira  Brandão. 
12 — Dr.  Domiciano  Leite  Ribeiro  (depois  Visconde  de  Araxá). 

13 — Domingos  Theodoro  de  Azevedo  Paiva. 
14 — Francisco  António  da  Costa. 
15 — Commendador  Francisco  de  Paula  Ferreira  Lopes. 
16 — Coronel  Francisco  Theodoro  da  Silva  (posteriormente  Barão 
de  Pouso  Alto). 

17 — Dr.  Joaquim  Antão  Fernandes  Leão. 
18 — José  Alcibíades  Carneiro. 

19— Cónego  José  António  Marinho. 
20 — João  Baptista  de  Figueiredo. 

21 — José  Feliciano    Pinto  Coelho  da   Cunha  (depois    Barão  de 
Cocaes). 

22 — João  Fernandes  de  Oliveira  Penna. 
23 — Dr.  Jo:.é  Joaquim  Fernandes  Torres. 
24 — Dr.  José  Jorge  da  Silva. 
25 — José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 
26— Mariano  José   Ferreira  Armonde. 
27— Cónego  Manoel  Júlio  de  Miranda. 

11 

I 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  55 


28  — Padre  Manoel  Rodrigues  Jardim. 
29— Olympio  Carneiro  Viriato  Catão. 

30 — Dr    Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite  (posteriormente  Ba- 
rão de  S.  João  Nepomuceno). 
31 — Theophilo  Benedicto  Ottoni. 
32 — João  Antunes  Corrida. 
33 — José  Justiniano  Carneiro.  j 

34 — António  Gomes  Nogueira  Freire. 
35 — Joaquim  Pimentel  Barbosa. 
36— Baptista  Caetano  de  Almeida. 


i 


2?  LEGISLATURA 
1838—1839 

1— Dr.  António  da  Costa  Pinto. 

2 — António  Ribeiro  de  Andrade. 

3 — Dr.  Bernardino  José  de  Queiroga. 

4 — Bernardo  Jacintho  da   Veiga. 

5— Desembargador  Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Souza  (depois  Ba- 
rão de  Pontal). 

6 — Conselheiro  Bernardo  Pereira  de  Vasconcellos. 

7 — Carlos  Pereira  Freire  de  Moura. 

8— Dr.  Domiciano  Leite  Ribeiro  (depois  Visconde  de  Araxá). 

9— Domingos  Theodoro  de  Azevedo  Paiva 

10— Coronel  Francisco  Theodoro  da  Silva  (depois  Barão  de  Pou- 
so Alto). 

11 — João  António  de  Lemos  (depois  Barão  do  Rio  Verde). 

12 — Dr.  Joaquim  Antão  Fernandes  Leão. 

13 — José  de  Abreu  e  Silva. 

14— Dr.  José  Agostinho  Vieira  de  Mattos. 

15 — Dr.  Francisco  de  Paula  Cerqueira  Leite. 

16 — José  Alcibíades  Carneiro. 

17— Cónego  José  António  Marinho. 

18 — Joaquim  Dias  Bicalho. 

19— Coronel  José  Feliciano  Pinto  Coelho  da  Cunha  (depois  Ba- 
rão de  Cocaes). 

20— José  Ferreira  Carneiro. 

21— João  Fernandes  de  Oliveira  Penna. 

22  — Dr.  José  Joaquim  Fernandes  Torres. 

23— Dr.  José  Jorge  da  Silva. 

24— José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 


íí 


56  REVISTA     DO 


25— Major  Luiz  Mnria  da  Silva  Pinto. 
26 — Manoel  José  Pires  da  Silva  Pontes. 

27 — Mariano  José  Ferreira  Armonde: 

28 — Cónego  Manoel  Júlio  de  Miranda. 

29— Dr     Manoel  Machado  Nunes. 

30 — Dr.  Pedro  de  Alcântara  Cerqueira  Leite. 

31 — Quintiliano  da  Rocha  Franco. 

32 — Dr.  Tristão  António  de  Alvarenga. 

33 — Theophilo  Benedicto  Ottoni. 

34 — João  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos. 

35 — Bento  de  Araújo  Abreu. 
36 — João  Antunes  Corroa. 
37 — José  Justiniano  Carneiro. 


3.^    LEGISLATURA 
1840—1841 

1 — Dr.  António  da  Costa  Pinto. 

2 — Dr,  António  José  Monteiro  de  Barros. 

3 — Cónego  António  José  da  Silva, 

4 — António  Marques  de  Sampaio. 

5 — António  Ribeiro  de  Andrade. 

6 — Cónego  António  da  Rocha  Franco, 

7 — Padre  António  Rodrigues  Afíonso, 

8 — Bento  de  Araújo  Abreu, 

9 — Padre  Belchior  Pinheiro  de  Oliveira, 

10 — Coronel  Carlos  de  Assis  Figueiredo. 

11 — Carlos  Pereira  Freire  de  Moura. 

12— Dr.  Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos. 

13 — Francisco  de  Paula  Santos. 

14 — Dr.  Francisco  Vieira  da  Costa, 

15— Barão  de  Itabira,  ! 

16— ^Dr.  Honório  Rodrigues  de  Faria  e  Castro.  j 

17— Dr.  José  Agostinho  Vieira  de  Mattos,  | 

18 — Joaquim  Dias  Bicalho,  i 

19 — José  Ferreira  Carneiro.  1 

20 — João  Fernandes  de  Oliveira  Penna. 
21 — Barão  de  Suassuhy, 
22— Joaquim  Gomes  de  Carvalho. 
23 — José  Justiniano  Carneiro. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


57 


24 — Dr.  Jeronymo  Máximo  Nog^ueira  Penido. 

25 — Dr.  Jeronymo  Máximo  de  Oliveira  e  Castro. 

26 — Cónego  João  Paulo  Barbosa. 

27— Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

28 — Manoel  José  Monteiro    de  Barros. 

29  — Cónego  Manoel  Júlio  de  Miranda. 

30 — Desembargador  Nanoel  Machado  Nunes. 

31 — Coronel  Manoel  Soares  do  Couto. 

32 — Manoel  Teixeira  de  Souza  (depois  Barão  de  Camargos). 

33 — Nicoláo  António  Nogueira  Valle  da  Gama. 

34— Olympio  Carneiro  Viriato  Catão  . 

35 — Dr.  Roque  de  Souza  Dias. 

36— Dr.  Tristão  António  de   Alvarenga, 


4.^^  LEGISLATURA 
1842—1843  . 

1 — António  Fernandes  Moreira. 
2 — António  Francisco  Teixeira  Coelho. 
3 — Dr.  António  Gomes  Cândido 
4 — António  Gomes  Nogueira  Freire. 
5 — Padre  António  Gonçalves  Chaves. 
6 — António  Joaquim  de  Oliveira  Penna. 
7 — António  dos  Reis  Silva  Rezende. 
8 — António  Simões  de  Souza. 
9— Dr.  António  Thomaz  de  Godoy. 
10 — Barão  do  Pontal 

11 — Dr.  Caetano  Alves  Rodrigues  Horta. 
12 — Francisco  de  Assis  Almeida. 
13 — Gregório  Luiz  de  Cerqueira. 

14 — Dr.  Gabriel  Mendes  dos  Santos. 

15— Dr.  Joaquim  Antão  Fernandes  Leão. 

16 — Cónego  José  António  Marinho. 

17 — Dr.   João  Capistrano  de  Macedo  Alkmim. 

18 — Dr.  José  Christiano  Garção  Stockler. 

19 — Monsenhor  José  Felicíssimo  do  Nascimento. 

20 — Dr.  José  Joaquim  Fernandes  Torres. 

21 — José  Pedro  Dias  de  Carvalho. 

22 — Dr.  Luiz  António  Barbosa. 

23 — Luiz  Fortunato  de  Souza  Carvalho. 

24— Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 


I 


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58 


lUiVISTA    DO 


25 — Dr.  Manoel  José  Gomes  Rebello  Horta. 

26— Maximiano  José  de  Brito  Lambert. 

27 — Dr.    Marçal  José  dos  Santos- 

28— Dr.  Manoel  de  Mello  Franco. 

29 — Manoel  Thomaz  de  Figueiredo  Neves. 

30— Pedro  de  Alcântara  Machado. 

31— Dr.   Quintiliano  José  da  Silva. 

32 — Dr.  Roque  de    Souza  Dias. 

33— Dr.  Silvério  Augusto  de  Araújo  Vianna. 

34— Dr.  Tertuliano  António  Alves  Pires. 

35— Theophilo  Benedicto  Ottoni. 


5.^  LEGISLATURA 
1844—1845 


1 — António  Francisco  Teixeira  Coelho. 

2 — Padre  Belchior  Pinheiro  de  Oliveira, 

3 — Barão  de  Sabará. 

4 — Dr.  Estevão  Ribeiro  de  Rezende. 

5 — Dr.  Francisco  de  Assis  Lopes  Mendes  Ribeiro. 

6 — Coronel  Francisco  Coelho  Duarte    Badoró. 

7 — Dr.   Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos. 

8-  Francisco  de  Paula  Saiitos. 

9 — Honório  Pereira  de  Aseredo  Coutinho. 
10 — Dr.  José  Agostinho  Vieira  de  Mattos. 
11 — Joaquim  Bento  Ferreira  Carneiro. 
12 — Dr.  Joaquim  Caetano  da  Silva  Guimarães. 
13 — Joaquim  Dias  Bicalho. 

14 — Monsenhor   José  Felicíssimo  do  Nascimento. 
15 — João  Fernandes  de  Oliveira  Penna. 
16 — José  Ignacio  do  Couto  Moreno. 

17 — Dr.  José  Ignacio  Nogueira  Penido. 

18— Dr.  Jeronymo  M-  Nogueira  Penido 

19— Dr.  Jeronymo  Máximo  de  Oliveira  e  Castro. 

20 — Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

21— Manoel  José  Monteiro  Galvão  de  S.  Martinho. 

22 — Dr.  José  Innocencio  de  Campos. 

23 — Dr.  Luiz  António  Barbosa. 

24— Manoel  Teixeira  de  Souza  (depois  Barão  de  Camargos). 

25— Dr.  Marçal  José  dos  Santos. 

26 — Dr.  António  Gomes  Cândido. 


ARCmVO    PUBU€0    MINEIRO 


59 


27  —  António  Ribeiro  de  Andrade. 

28  —  Cónego  António  da  Rocha  Franco. 

29  —  Dr.  Firmino  Rodrigues  Silva. 

30  —  Fortunato  Raphaeí  Archanjo  da  Fonseca. 

31  —  Dr.  Hilário  Gomes  Nogueira  Barbosa. 

32  —  Padre  Jacintho  José  de  Almeida. 

33  —  Joaquim  Pimentel  Barbosa. 

34  —  Cónego  Manoel  Júlio  de  Miranda. 

35  —  Nicolao  António  Nogueira  Valle  da  Gama. 

36  —  Dr.  Pedro  Caetano  Sanches  de  Moura. 


6."  LEGISLATURA 

1846  —  1847 

1  —  António  Fernandes  Moreira. 

2  —  António  Francisco  Teixeira  Coelho. 

3  —  Dr.  António  Gomes  Cândido. 

4  —  António  Gomes  Nogueira  Freire. 

5  —  Padre  António  Gonçalves  Chaves. 

6  —  Cónego  António  José  Ribeiro  Bhering. 

7  —  António  dos  Reis  Silva  Rezende. 

8  —  António  Ribeiro  de  Andrade. 

9  —  Baptista  Caetano  de  Almeida. 

10  —  Dr    Caetano  Alves  Rodrigues  Horta. 

11  —  Dr    Camillo  Maria  Ferreira  Armonde  (depois  Barão  de  Pra- 

dos). 

12  —  Dr.  Elias  Pinto  de  Carvalho. 

13  —  Dr.  Francisco  Ferreira  Martins  da  Silva. 

14  —  Dr.  Francisco  José  de  Araújo  e  Oliveira. 

15  —  Francisco  de  Paula  Pereira e  Souza. 

16  —  Francisco  de  Paula  Santos. 

17  —  Padre  Francisco  Pereira  de  Assis. 

18  —  Dr.  Hilário  Gomes  Nogueira  Barbosa. 

19  —  Padre  Joaquim  Camillo  de  Britto. 

20  —  Monsenhor  José  Felicissimo  do  Nascimento. 

21  —  João  Gualberto  Teixeira  de  Carvalho , 

22  —  Padre  José  Ignacio  da  Silveira. 

23  —  Dr.  José  Innocencio  de  Campos. 

24  —  Joaquim  Januário   Carneiro 

25  —  Padre  Jacintho  José  de  Almeida. 

26  —  Dr.  Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido. 

27  —  José  Maximiano  Baptista  Machado . 


l 


u 


60  REVISTA    DO 


28  —  Dr.  José  Marciano  Gomes  Baptista. 

29  —  Cónego  João  Paulo  Barbosa.  ^_ 

30  —  José  Pacifico  Peregrino  e  Silva.  | 

31  —  Cónego  José  de  Souza  e  Silva  Roussin  .  f 

32  —  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

33  —  Dr .  Manoal  José  Gomes  Rebello  Horta.  - 

34  —  Manoel  Thomaz  Pinto  da  Figueiredo. 

35  —  Olympio  Carneiro  Viriato  Catão. 

36  —  Pedro  de  Alcântara  Machado. 

37  —  Dr.   Quintiliano  José  da  Silva. 

38  —  Dr.  Roque  de  Souza  Dias. 


7.^  LEGISLATURA 
1848  —  1849 

1  —  Dr.  António  Dias  Ferraz  da  Luz. 

2  —  Cónego  António  Felippe  de  Araújo . 

3  —  António  Fernandes   Moreira. 

4  —  Cónego  António  José  Ribeiro  Bhering. 

5  —  António  José  Rabello  e  Campos. 

6  —  António  Joaquim  César. 

7  —  Dr.  Agostinho  José   Ferreira  Brettas. 

8  —  Dr.  Caetano  Alves   Rodrigues  Horta. 

9  —  Coronel  Carlos  de  Assis  Figueiredo. 

10  —  Dr.  Cândido  Bueno  da  Costa. 

11  —  Commendador  Carlos  Baptista  Machado. 

12  —  Dr.  Carlos  José  Versiani. 

13  —  Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

14  —  Francisco  Alves   de  Mendonça. 

15  —  Padre  Francisco  Alves  da  Cunha  Menezes. 

16  —  Dr.  Francisco  Alvares  da  Silva  Campos 

17  —  Padre  Francisco  da  Annunciação  Teixeira  Coelho. 

18  —  Dr.  Francisco  Diogo  Pereira  de  Vasconcellos. 

19  —  Dr.  Francisco  José  de  Araújo  e  Oliveira. 

20  —    Padre  Francisco  Pereira  de  Assis. 

21  —  Monsenhor  José  Augusto  Ferreira  da  Silva. 

22  —  Joaquim  Bento  Ferreira  Carneiro. 

23  —  Dr.  José  Innocencio  de  Campos. 

24  —  Dr.  José  Joaquim  Ferreira  da   Veiga. 

25  —  João  Joaquim  da  Silva  Guimarães. 

26  —  Padre  Jacintho  José  de  Almeida. 

27  —  João  Januário  Fernandes  Leão. 

28  —  Dr.  Joaquim  Marianno  dos    Santos. 


AHCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


61 


29  —  Cónego  João   Paulo  Barbosa. 

30  —  José  Pacifico  Peregrino  e  Silva. 

31  —  José  Venâncio  de  Godoy. 

32  —  Dr.  Luiz  Carlos  da  Rocha. 

33  —  Luiz  Fortunato  de  Souza  Carvalho. 

34  —  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

35  —  Manoel  Alves  Ferreira  Prados. 

36  —  Dr.  Manoel  Joaquim  Pereira  de  Magalhães. 

37  —  Dr.  Manoel  José  Gomes  Rebello  Horta. 

38  —  Manoel  Teixeira  de  Souza  (depois  Barão  de  Camargos). 

39  —  Thomaz  António  Teixeira  de  Gouvêa), 


8.^  LEGISLATURA 


1850 


1851 


1  —  Dr.  António  Dias  Ferraz  da  Luz. 

2  —  Cónego  António  Felippe  de  Araújo. 

3  —  Cónego  António  José  Ribeiro  Bhering. 

4  —  António  José  Rabello  e  Campos. 

5  —  Dr.  Agostinho  José  Ferreira  Brettas. 

6  —  Dr.  Caetano  Alves  Rodrigues  Horta. 

7  —  Commendador  Carlos  Baptista  Machado. 

8  —  Dr.  Carlos  José  Versiani. 

9  —  Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

10  —  Dr.  Francisco  de  Assis  Lopes  Mendes  Ribeiro. 

11  —  Francisco  de  Assis  Athayde. 

12  —  Fulgencio  Alves  Pereira. 

13  —  Dr.  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  de  Souza. 

14  —  Coronel  Francisco  de  Paula  Ramos  Horta. 

15  —  Padre  Francisco  Pereira  de  Assis. 

16  —  Cónego  Hermogenes  Casimiro  de  Araújo. 

17  —  Dr.  Hilário  Gomes  Nogueira  Barbosa. 

18  —  Padre  João  Antunes  Correia. 

19  —  Dr.  Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz. 

20  —  Dr.  João  Honório  de  Magalhães  Gomes. 

21  —  Dr.  José  Innocencio  Campos. 

22  —  Dr.  José  Joaquim  Ferreira  da  Veiga. 

23  —  Joaquim  Januário  Carneiro. 

24  —   João  Joaquim  da  Silva  Guimarães. 

25  —  Padre  Jacintho  José  de  Almeida. 

26  —  Coronel  Joaquim  Pedro  Vidigal  de  Barros. 

27  —  Dr.  Joaquim  Pedro  de  Mello. 


í 


52  REVISTA     DO 


28  —  Cónego  José  de   Souza  e  Silva  Roussin. 

29  —  Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

30  —  Manoel  de  Barros  Araújo  Silveira. 

31  —  Dr.  Manoel  José  Pinto  de  Vasconcellos. 

32  —  Cónego  Pedro  Meirelles  de  Barros. 

33  —  Dr.  Pantaleão  José  da  Silva  Ramos. 

34  —  Dr.  Salathiel  de  Andrade  Braga. 

35  —  Thomaz  António  Teixeira  de  Gouveia. 

36  —  Vicente  José  de  Figueiredo. 


9.^  LEGISLATURA. 


1852  —  1853 

1  —  Dr.  António  Dias  Ferraz  da  Luz. 

2  —  Cónego  António  Felipe  de  Araújo, 

3  —  Cónego  António  José  Ribeiro  Bhering. 

4  —  António  José  Rabello   Campos. 

5  —  Dr.  Agostinho  José  Ferreira  Brettas. 

6  —  Dr.  Bento  Alves  Gondim. 

7  —  Dr.    Caetano  Alves  Rodrigues  Horta. 

8  —  Commendador  Carlos  Baptista  Machado. 

9  —  Dr.  Carlos  José  Versiani. 

10  —  Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

11  —  Dr.  Francisco  de  Assis  Lopes  Mendes  Ribeiro. 

12  —  Francisco  de  Assis    Athayde. 

13  —  Fulgencio  Alves  Pereira. 

14  —  Dr.  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  de  Souza. 

15  —  Coronel  Francisco  de  Paula  Ramos  Horta. 

16  —  Cónego  Hermogenes  Casimiro  de  Araújo. 

17  —  Padre  João  Antunes  Corrêa. 

18  —  Dr.  José  Affonso  Dias  de  Souza. 

19  —  Dr.  Joaquim  Delfino  Ribeiro  da  Luz. 

20  —  Dr.  João  Honório  de  Magalhães  Gomes. 

21  —  Dr.  José  Joaquim  Ferreira  da  Veiga. 

22  —  Dr.  José  Joaquim  Monteiro  de  Barros, 

23  —  Dr.  José  Joaquim  da  Silva  Guimarães. 

24  —  Padre  Jacintho  José  de  Almeida. 

25  —  Dr.  Joaquim  Pedro  de  Mello. 

26  —  Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

27  —  Dr.  Manoel  José  Pinto  de  Vasconcellos. 

28  —  Cónego  Pedro  Meirelles  de  Barros. 

29  —  Pedro  Augusto  Teixeira  da  Moita. 


AUGHIVO    Í^UBLlCO    MINElílO 


63 


30  —  Rodrigo  José  Ferreira  Brettas. 

31  —  Rodrigo  Pereira  Soares  de  Albergaria. 

32  —  Dr.  Salathiel  de  Andrade  Braga. 

33  —  Thomaz  António  Teixeira  de  Gouveia. 

34  —  Vicente  José  de   Figueiredo. 


10."  LEGISLATURA 


1854—1855 


1  —  Padre  António  Caetano  Ribeiro. 

2  —  Cónego  António  Felippe  de  Araújo. 

3  —  Dr.  Agostinho   José  Ferreira  Brettas. 

4  —  Barão  de  Itaverava. 

5  —  Dr.  Bento  Alves  Gondim. 

6  —  Bernardo    Teixeira  de  Carvalho. 

7  —  Cesário  Augusto  Gama. 

8  —  Dr.    Carlos  José  Versiani. 

9  —  Dr.  Domiciano  Matheos  Monteiro  de  Castro. 

10  —  Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

1 1  —  Dr.  Francisco  de  Assis  Lopes    Mendes  Ribeiro. 

12  —  Francisco  de  Assis  Athayde. 

13  —  Dr.  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  de  Souza. 

14  —  Coronel  Francisco  de  Paula  Ramos  Horta. 

15  —  Coronel  PVancisco  Teixeira  Amarai. 

16  —  Herculano  César  de  Miranda  Ribeiro, 

17  —  Cónego  Hermogenes  Casimiro  de  Araújo. 

18  —  Padre  João  Antunes  Corrêa. 

19  —  Dr.  José  Affonso  Dias  de  Souza. 

20  —  Coronel  Joaquim  Camillo   Teixeira  da  Motta. 

21  —  Dr.  Joaquim  Delfino    Ribeiro    da   Luz. 

22  —  Dr    José  Feliciano  Dias  de  Gouveia. 

23  —  Dr.  Joaquim  Ferreira  Carneiro. 

24  —  Coronel  José  Guedes  Pinto. 

25  —  Dr.  João  Honório  de  Magalhães  Gomes. 

26  —  Dr.  José  Ignacio  Nogueira    Penido. 

27  —  Dr.  José  Joaquim  Ferreira  da  Veiga, 

28  —  Dr.  José  Joaquim  Monteiro  de  Barros. 

29  —  João  Joaquim  da  Silva  Guimarães. 

30  —  Dr.  Joaquim  Pedro  de  Mello. 

31  —  Dr.  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte. 

32  —  Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

33  —  Dr.  Miguel  Eugénio  Monteiro  de  Barros. 


tJ4  REVISTA     DO 


34  —  Dr.  Monoel  José  Pinto  de  Vasconcellos. 

35  —  Cónego  Manoel  JuIio  de  Miranda. 

36  —  Padre  Manoel  Joaquim    da  Silva  Guimarães. 

37  —  Cónego  Pedro  Meirelles   de  Barros. 

38  —  Rodrigues  José  Ferreira  Brettas. 

39  —  Dr.   Salathiel  de  Andrade  Braga. 

40  —  Thomaz  António  Teixeira  de  Gouveia. 

41  —  Vicente  José  de  Figueiredo. 


11.^  LEGISLATURA 
1856—1857 

1  —  Dr.  António  Augusto  da  Silva  Canedo. 

2  —  Padre  António  Caetano  Ribeiro. 

3  —  Dr.  António  Carlos  Carneiro  Viriato  Catão. 

4  —  Adrião  Cordeiro    de  Campos  Valladares. 

5  —  Cónego  António  Felippe  de  Araújo. 

6  —  Barão  de  Iteverava. 

7  —  Dr.  Anastácio  Sinfronio  de  Abreu. 
8^ —  Dr.  Bento  Alves  Gondim. 

9  —  Bernardo  Teixeira  de  Carvalho . 

10  —  Cesário  Augusto  Gama. 

11  — Dr.  Domiciano  Matheus  Monteiro  de  Castro. 

12  —  Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

13  —  Dr.  Francisco  de  Assis  Lopes  Mendes  Ribeiro. 

14  —  Francisco  de  Assis  Athayde. 

15  —  Dr.  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  de  Souza. 

16  —  Dr.  Francisco  Galdino  da  Costa  Cabral. 

17  —  Coronel  Francisco  de  Paula   Ramos  Horta. 

18  —  Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 

19  —  Herculano  César  de  Miranda  Ribeiro. 

20  —  Cónego  Hermoneges  Casimiro  de  Araújo. 

21  —  Dr.  José  Affonso  Dias  de  Souza. 

22  —  João  das  Chagas  Andrade. 

23  —  Coronel  Joaquim  Camillo  Teixeira  da  Motta. 

24  —  Dr.  José  Feliciano  Dias  de  Gouveia. 

25  —  Dr.  Joaquim  Ferreira  Carneiro. 

26  —  Coronel.  José  Guedes  Pinto. 

27  —  Dr.  João    Honório  de  Magalhães  Gomes. 

28  —  Dr.  José  Ignacio  Nogueira  Penido. 

29  —  José  Joaquim  Monteiro  de  Barros. 

30  —  Dr.  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


65 


31 — Cónego  José  de  Souza  e  Silva  Roussin. 

32 — Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

33 — Dr.  Miguel  Eugénio  Monteiro  de  Barros. 

34 — Dr.  Marçal  José  dos  Santos. 

3õ — Cónego  Manoel  Júlio  de  Miranda. 

36 — Rodrigo  José  Ferreira  Brettas. 

37 — Rodrigo  Pereira  Soares  de  Albergaria. 

38— Dr.  Salathiel  de  Andrade  Braga. 

39 — Thomaz  António  Teixeira  de  Gouvêa. 

40 — Vicente  José  de  Figueiredo. 


12.«  LEGISLATURA 

1858—1859 

1 — Dr.  António  Augusto  da  Silva  Canedo. 

2— Dr.  Aurélio  A.  Pires  de  Figueiredo  Camargos. 

3 — Padre  António  Caetano  RilDeiro. 

4 — António  Eloy  Casimiro  de  Araújo. 

5 — Dr.  António  da  Fonseca  Vianna. 

6 — Barão  de  Itaverava. 

7 — Barão  d'Ayuruoca. 

8 — Barão  do  Campo  Formoso. 

9 — Benjamin  José  da  Silva  Franklin. 
10 — Coronel  Carlos  de  Assis  Figueiredo. 
11 — Cesário  Augusto  Gama. 
12 — Cândido  Freire  de  Figueiredo  Murta. 
13 — Dr.  Domiciano  Matheus  Monteiro  de  Castro. 
14 — Francisco  de  Assis  Athayde. 
15 — Padre  Francisco  Alexandrino  da  Silva. 
16 — Dr.  Francisco  Cyrillo  Ribeiro  de  Souza. 
17 — Dr.  Francisco  Cordeiro  de  Campos  Valladares. 
18 — Dr.  Francisco  Ferreira  Martins  da  Silva. 
19 — Fernando  Joaquim  da  Silva  Veiga. 
20 — Dr.  Francisco  de  Paula  Pereira  Lagoa. 
21 — Major  Francisco  Peixoto  de  Mello. 
22 — Francisco  Rodrigues  de  Paula. 
23 — Dr.  Francisco  Vicente  Gonçalves  Penna. 
24 — Dr.  Hygino  Alvares  de  Abreu  e  Silva. 
25 — Herculano  César  de  Miranda  Ribeiro. 
26 — José  Augusto  Monteiro  de  Barros. 
27 — Dr.  José  Afíonso  Dias  de  Souza. 
R.  A.    5 


^' 


66  kEVISTA    bô 


28 — Tenente-coronel  José  Basílio  da  Gama  Villas-Boas. 

29 — Dr.  Joaquim  Bernardes  da  Cuniia. 

30 — José  Bento  Nogueira  Júnior. 

31 — José  Capistrano  Barbosa. 

32 — João  Cassiano  Santiago. 

33 — Padre  João  da  Cruz  Nogueira  Penido. 

34 — Coronel  Joaquim  Camillo  Teixeira  da  Motta. 

35 — Padre  José  Florêncio  Rodrigues. 

36 — Tenente-coronel  José  Felisardo  Francfort    de  Abreu  Bicalho. 

37 — Dr.  José  Feliciano  Dias  de  Gouvêa. 

38 — Padre  José  Ignacio  da  Silveira. 

39 — Joaquim  José  de  Senna 

40 — Dr.  Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido. 

41 — José  Maximiano  Baptista  Machado. 

42 — Cónego  José  Pedro  da  Silva  Bemfica. 

43 — João  Raymundo  Mourão. 

44— Df.  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte. 

45 — Dr.  Misael  Cândido  de  Mesquita. 

46 — Dr.  Marçal  José  dos  Santos. 

47 — Manoel  Pereira  da  Silveira. 

48— Pedro  Augusto  Teixeira  da  Motta.  1^ 

49 — Raymundo  Nato  Brasileiro. 

50 — Dr.  Salathiel  de  Andrade  Braga. 

51 — Dr.  Simão  da  Cunha  Pereira. 

52 — Dr.  Silvério  José  Lessa. 

53 — Vicente  de  Paula  Bernardino. 


13.^  LEGISLATURA 

1860—1861 

1— Dr.  António  Augusto  da  Silva  Canedo. 
2— Capitão  António  de  Assis  Martins. 
3— Dr.  Aurélio  A.  Pires  de  Figueiredo  Camargo. 
4 — António  Cândido  da  Silva  Mascarenhas. 
5 — Dr.  Affonso  Celso  de  Assis  Figueiredo. 
6 — Dr.  António  da  Fonseca  Vianna. 
7 — Dr.  Balbino  Cândido  da  Cunha. 
8 — Barão  do  Campo  Formoso. 
9 — Benjamin  José  da  Silva  Francklin. 
10 — Barão  de  Pitanguy. 


i 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO 


67 


11 — Padre  Braz  Vieira  da  Silva. 

12 — Cesário  Augusto  Gama. 

13— Dr.  Eugénio  Celso  Nogueira. 

14 — Dr.  Eduardo  José  de  Moura. 

15 — Dr.  Ernesto  Pio  dos   Mares  Guia. 

16 — Dr.  Francisco  Asarias  de  Queiroz   Botelho. 

17 — Dr.  Fidelis  de  Andrade  Botelho. 

18— Padre  Francisco  Guarita  Pitanguy. 

19— Dr.  Francisco  José  de  Araújo  Oliveira. 

20 — Padre  Francisco  de  Paula  Homem. 

21 — Major  Francisco  Peixoto  de  Mello. 

22 — Dr.  Francisco  Vicente  Gonçalves  Penna. 

23 — Dr.  Gabriel  Pio  da  Silva. 

24— Herculano  César  de  Miranda  Ribeiro. 

25 — Tenente-coronel  José  Basílio  da  Gama  Villas-Boas. 

26 — José  Bento  Nogueira  Júnior. 

27 — João  Cassiano  S    Thiago. 

28 — Dr.  José  Constâncio  de  Oliveira  e  Silva. 

29 — Tenente-coronel  José   Felisardo  Francfort  de   Abreu  Bicalho. 

30 — Padre  José  Ignacio  da  Silveira. 

31 — Dr.  José  Joaquim  Ferreira  Rabello. 

32 — Joaquim  José  de   Senna. 

33 — Dr.  Jeronymo  Máximo  Nogueira   Penido. 

34 — Cónego  José  Pedro  da  Silva  Bemfica. 

35 — Coronel  João  Quintino   Teixeira. 

36 — Dr.  José  de  Rezende  Teixeira  Guimarães. 

37 — Dr.  José  Rodrigues  de  Lima  Duarte. 

38 — José  Teixeira  Alves  de  OHveira. 

39 — José  Vieira  de  Rezende  e  Silva. 

40 — Dr.  Luiz  Gomes  Ribeiro. 

41 — Dr.  Manoel  Faustino  Correia  Brandão. 

42 — Dr.  Marçal  José  dos  Santos. 

43 — Padre  Modesto  Luiz  Caldeira. 

44 — Manoel  Pereira  da  Silveira. 

45 — Pedro  Augusto  Teixeira  da  Motta. 

46 — Rodrigo  José  Ferreira  Brettas. 

47— Dr.  Simlo  da  Cunha    Pereira. 


t}^  REVISTA    DO 


14."     LEGISLATURA 
1862—1863 

1 — Dr.  António  Augusto  da  Silva  Canedo. 

2 — Coronel  António  José  Rabello  e  Campos. 

3 — Dr.  Balbino  Cândido  da  Cunha. 

4 — Bernardino   da  Cuniia  Ferreira. 

5 — Cândido  Freire  de  Figueiredo  Murta. 

6— Capitão  Cândido  Ignacio  Ferreira  Lopes. 

7 — Dr.  Carlos  Thomaz  de  Magalhães  Gomes. 

8 — Dr.  Domiciano  Matheus  Monteiro  de  Castro. 

9 — Dr.  Ernesto  Pio  dos  Mares  Guia. 
10 — Emilio  Soares  de  Gouveia  Horta  Júnior. 
11 — Padre  Francisco  Alexandrino  da  Silva. 
12— Dr.  Fidelis  de  Andrade  Botelho. 
13— Dr.  Francisco  Augusto  Pereira  Lima. 
14 — Dr.  Frederico  Augusto  Alvares  da  Silva. 
15 — Dr.  Francisco  de  Barros  Lima  Monte  Raso. 
16 — Major  Francisco  Peixoto  de  Mello. 
17 — Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 
18 — Francisco  Vicente  Gonçalves  Penna. 
19 — Dr.  Hygino    Alvares  de  Abreu  e  Silva. 
20 — Herculano  César  de  Miranda  Ribeiro 
21 — Justino  de  Andrade  Camará. 
22 — José  Bento  Nogueira  Júnior. 
23 — Dr.  João  Braulio   Moinhos  de  Vilhena. 
24 — João  Cassiano  S.    Thiago. 
25 — Dr.  José  da  Costa  Machado  Souza  Ribeiro. 
26— Coronel  João  Chrysostomo  Pinto  da  Fonseca. 
27 — Tenente-coronel  José  Felisardo    Francfort    de    Abreu    Bica- 

Iho. 
28 — Dr.  Jeronymo  Máximo  Nogueira  Penido. 
29— Dr.  João  Pinto  Moreira. 
30 — Dr.  José  de  Rezende  Teixeira  Guimarães. 
31— Coronel  José  Vieira  de  Rezende  e  Silva. 
32 — Dr.  Marçal  José  dos  Santos. 
33 — Dr.  Maximiano  Augusto  de  Barros  Cobra. 
34 — Dr.  Cherubim  Modesto  Pires  Camargo. 
35 — Rodrigo  de  Souza  Reis. 
36 — Dr.  Washington  Rodrigues  Pereira. 


ARCniVO    PUBLICO    MINEIRO  69 


15.^    LEGISLATURA 

1864—1865 

1 — Dr.  António  Augusto  da  Silva  Canedo. 

2 — António  Ernesto  da  Costa. 

3 — Padre  Agostinho  Francisco  Paraiso. 

4 — Capitão  António  Nunes  Galvão. 

5— l)r.  António  Vaz  Pinto  Coelho  da  Cunha. 

6 — Dr.  Balbino   Cândido  da  Cunha. 

7 — Dr.    Benjamin   Rodrigues  Pereira. 

8— Cyrino  Hortencio  Goulart   Brutn. 

9 — Dr.   Carlos  Thomaz   de  Magalhães  Gomes. 
10 — Dr.  Cassiano  Bernardo  de  Noronha  Gonzaga. 
11 — Emilio  Soares  de  Gouvêa  Horta  Júnior. 
12 — Dr.  Eduardo  Augusto  Montandon. 
13 — Dr.  Francisco  de  Assis  Martins  da  Costa. 
14 — Padre  Francisco  da  Annunciação  Teixeira  Coelho. 
15 — Dr.  Félix  António  de  Souza. 
16— Dr.  Fidelis  de  Andrade  Botelho. 
17 — Dr.  Francisco  Augusto  Pereira  Lima. 
18 — Dr.    Frederico  Augusto  Alvares  da  Silva. 
19 — Padre  Francisco  Guarita  Pitanguy. 

20 — Dr.  Francisco  de  Paula  Ferreira  de  Rezende. 

21 — Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 

22 — Dr.  Francisco  Vicente  Gonçalves  Penna. 

23— Dr.  Hygino  Alvares  de  Abreu  e  Silva. 

24 — Dr.  João  Bernardes  de  Vasconcellos  Coimbra. 

25 — Dr.  João  Carlos  de  Araújo  Moreira. 

26 — Dr.  José  Constâncio  de  Oliveira  e  Silva. 

27 — Dr.   José  Cesário  de  Faria  Alvim. 

28— Padre  José  Ignacio  da  Silveira. 

29 — Dr.  José  Joaquim  Fernandes  Torres  Júnior. 

30 — Jacintho  Pereira  de  Magalhães  e  Castro. 

31— Cónego  José  Pedro  da  Silva  Bemfica. 

32 — Dr.   João  Pinto   Moreira. 

33 — Dr.  José  de  Rezende  Teixeira  Guimarães. 

34 — José  Venâncio  de  Godoy. 

35— Dr.   Manoel   Joaquim  Pereira  de  Magalhães. 

36 — Dr.  Martiniano  da  Fonseca  Reis  Brandão. 

37 — Dr.  Marcelino  de  Assis  Tostes. 

38— Dr.  Pedro   Martins  Pereira. 

39— Dr.  Vicente  Justiniano  Bezerra  Cavalcanti, 


70 


BBVISTA     DO 


I  I 


16.^     LEGISLATURA 


1866-1867 


1 — Vigr.  Agostinho  Francisco  Paraiso. 

2— Dr.  Antero  José  Lage  Barbosa. 

3— António  Ernesto  da  Costa. 

4 — Dr.  António  Gonçalves  Chaves  Júnior. 

5— Capitão  António  Nunes   Galvão. 

6 — Dr.  António  Vaz  Pinto  Coelho. 

7— Dr.  Balbino  Cândido  da  Cunha. 

8 — Dr.  Benjamin  Rodrigues  Pereira. 

9— Bernardino  da  Cunha  Ferreira. 
10— Dr.  Carlos  Thomaz  de  Magalhães  Gomes. 
11 — Dr.  Cassiano  Bernardo  Noronha  Gonzaga. 
12 — Tenente-coronel  Cyrino  Hortencio  Goulart  Brum. 
13- -Capitão  Cândido  Ignacio  Ferreira  Lopes. 
14— Dr.  Eduardo  Augusto  Montandon. 
15  — Emilio  Soares  de  Gouvêa  Horta. 
16— Dr.  Francisco  Vicente  Gonçalves  Penna. 
17 — Vigário  Francisco  de  Paula  Homem. 
18 — Coronel   Francisco    Teixeira  Amaral. 
19 — Dr.  Francisco  de  Assis  Martins. 
20 — Dr.  Francisco  de  Paula  Ferreira  de  Rezende. 
21 — Fernando  Gomes  Caldeira  Fontoura  Júnior. 
22 — Dr.  Francisco  Azarias    de    Queiroz  Botelho. 
23 — Vigário  Francisco   da  Annunciação  Teixeira  Coelho. 
24  — Dr.  Francisco  Augusto  Pereira  Lima. 
25 — Dr.  Frederico  Augusto  Alvares  da  Silva. 
26 — Dr.  Francisco  José  Ferreira  Torres. 
27 — Dr.  Hygino  Alvares  de  Abreu  e  Silva. 
28 — Cónego  José  Pedro  da  Silva  Bemfica. 
29 — Dr.  José  Cesário  de  Faria  Alvim. 
30 — Tenente  coronel  José  Venâncio  de  Godoy. 
31 — Vigário  José  Ignacio  da  Silveira. 
32  -  Dr.  José  Ignacio  de  Barros  Cobra. 
33 — Dr.  João  Carlos  de  Araújo  Moreira. 
34 — Vigário  Joaquim  José  da  Costa  Senna. 
35— Dr.  Mizael  Cândido  de  Mesquita. 
36 — Dr.  Olympio  Marcellino  da  Silva. 
37 — Dr.  Manoel  Joaquim  Pereira  de  Magalhães. 
38— Dr.  Marcellino  de   Assis    Tostes   (depois   Barão  de  S.   Mar- 
cellino). 
39 — Dr.  Theodomiro  Alves  Pereira. 
40— Dr.  Washington  Rodrigues  Pereira. 


AftCaiVO     PUBLICO    MINEIRO  71 

17.^     LEGISLATURA 

1868—1869 

1 — Capitão  António  Nunes   Galvão. 

2 — Dr.  Aureliano  Moreira  de  Maí^alhães. 

3 — Dr.  António  Alvares  de  Abreu  e  Silva  Júnior. 

4 — Dr.  Antero  José  La^e  Barbosa. 

5 — Dr.  António  Pereira  de   Sousa. 

6 — Tenente  coronel  António  Luiz  Pinto  de  Noronha. 

7 — Dr.  António  Gonçalves  Chaves  Júnior. 

8 — Padre  Agostinho  Francisco  Paraiso. 

9 — Dr.  Camillo  Augusto  Maria  de  Brito 
10 — Dr.  Custodio  José  da  Costa  Cruz. 
11 — Dr.  Christiano   Maurício  Stockler  de  Lima. 
12 — Dr.  Ernesto  da  Silva  Braga. 
13 — Dr.  Eduardo  Augusto  Montandon. 
14 — Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 
15 — Dr.   Francisco  de  Assis  Pereira  de  Andrade. 
16 — Dr.  Francisco  Azarias  de  Queiroz  Botelho. 

17 — Dr.  Frederico  Marcondes  Machado. 
18 — Dr.   Francisco   Corrêa  Ferreira  Rabello. 
19 — Dr.  Francisco  José  da  Silva  Ribeiro. 
20 — Francisco  José  Ferreira  Torres. 
21 — Dr.  Galdino  Alves  do  Banho. 

22 — Dr.  Hygino  Alvares  de  Abreu  e  Silva. 

23 — Dr.  Ignacio  António  Fernandes. 

24 — Dr.  Ignacio  António  de  Assis  Martins. 

25— Dr.  José  Francisco  Netto  (depois  Barão    de  Coromandel). 

26 — João   Alves    dos  Santos. 

27 — Vigário  José  Ignacio   da  Silveira. 

28 — Dr.  José  Maria  Vaz  Pinto  Coelho. 

29 — Vigário  José  António   Martins. 

30 — Dr.  José  Christiano  Stocker  de   Lima. 

31 — Dr.  Manoel  Faustino  Corrêa  Brandão. 

32 — Dr.  Martinho  Alvares  da   Silva  Contagem. 

33 — Dr.  Manoel  Bazilio   Furtado. 

34 — Dr.  Martiniano  da   Fonseca  Reis  Brandão. 

35 — Dr.  Nicoláo  António  de  Barros. 

36 — Dr.  Severo  Mendes  dos  Santos  Ribeiro. 

37 — Thomaz  Pacheco  Ferreira  Lessa. 

38 — Dr.  Theodomiro    Alves  Pereira. 

39 — Dr.  Theophilo  Pereira  da  Silva. 

40 — Dr.  Virgílio  Martins  de  Mello  Franco. 


72  REVISTA    DO 


18."'    LEGISLATURA 

1870—1871 

1 — Dr.  Américo  da   Silva  Oliveira. 

2 — Major  Annanias  Manoel  Teixeira. 

3 — Capitão   António    cie    Assis    Martins. 

4 — Dr.  António  Casimiro  da  Motta  Pacheco. 

5 — Dr.  Aureliano  Augusto    de  Andrade. 

6 — Dr.  Balbino  Cândido   da    Cunha. 

7 — Vigário  Cândido  Augusto  de  Mello . 

8— Capitão  Cândido  Ignacio  Ferreira  Lopes. 

9 — Dr.  Claudino  Pereira  da   Fonseca. 
10— Dr.  Carlos  Peixoto  de  Mello. 
11 — Dr.  Eduardo  José   de  Moura 
12— Dr.  Feliciano  Augusto  de  Oliveira  Penna. 
13 — Francisco  Domingues  da   Silva 
14 — Dr.  Francisco  Evangelista  de  Araújo. 
15 — Tenente   coronel   Francisco   de   Paula  Xavier   da  Silva  Ca- 

panema. 
16 — Dr.  Jeronymo  Máximo  Versiani  e  Castro. 
17 — João  Cassiano   S.  Thiago. 
18 — Cónego  João  da  Cruz  Nogueira  Penido. 
19 — Dr.  João  Emilio  de  Rezende  e  Costa. 
20 — Dr.  Joaquim  Bento  de  Oliveira  Júnior. 
21— Dr.   Joaquim   Ignacio   de   Mello  e  Souza  Jequiriçá. 
22 — Dr.  Joaquim  Ignacio  Nogueira   Penido. 
23 — Tenente-coronel   Joaquim   Lourenço    Baeta    Neves    (depois 

Barão  de   Queluz). 
24 — Dr.  Joaquim  de  Vasconcellos  Teixeira  da  Motta. 
25 — José  Coelho  Tocantins  de  Gouvèa. 
26 — José    Bento   Nogueira  Júnior. 
27^ — José  Felisardo  Francfort  de   Abreu  Bicalho. 
28 — Tenente-coronel  José  Miguel  de  Siqueira. 
29 — Tenente-coronel  José  Teixeira  Alves  de  Oliveira. 
30 — Justino  de  Andrade  Camará. 
31 — Dr.  Lucas  António  Monteiro  de  Castro. 
32 — Dr.  Luiz  Eugénio  Horta   Barbosa. 
33— Dr.   Luiz   Gomes  Ribeiro. 
34 — Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 
35 — Tenente  coronel  Manoel  Ignacio  Gomes  Valladão. 
36— Dr.  Modesto  de  Faria  Bello. 
37— Cónego   Modesto   Luiz  Caldeira. 
38 — Coronel  Raymundo  Nonato  da  Silva  Athayde. 
39 — Dr.  Theotonio  de  Miranda  Lima. 
40— Dr.  Vicente  Xavier  de  Toledo  Sobrinho. 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  73 


ig."^  LEGISLATURA 
(1872—1873) 

1  —  Major  Annanias  Manoel  Teixeira. 

2  —  Capitão  António  de  Assis  Martins. 

3  —  Tenente-coronel  António  Manoel  da  Apresentação. 

4  —  Dr.  Aureliano  Augusto  de  Andrade. 

5  —  Dr.  Balbino  Cândido  da  Cunha. 

6  —  Barão  de  Queluz. 

7  —  Dr.  Caetano  Augusto  da  Gama  Cerqueira. 

8  —  Vigário  Cândido  Augusto  de  Mello. 

9  —  Capitão  Cândido  Ignacio  Ferreira  Lopes. 

10  —  Dr.  Carlos  Peixoto  de  Mello. 

11  —  Dr.  Claudino  Pereira  da  Fonseca. 

12  —  Dr.  Eduardo  José  de  Moura. 

13  —  Dr.  Feliciano  Augusto  de  Oliveira  Penna. 

14  —  Dr.  Gustavo  Xavier  da  Silva  Capanema. 

15  —  Capitão  João  Baptista  Pinto. 

16  —  João  Cândido  de  Oliveira  e  Silva  (falleceu  durante  a  legis- 

latura). 

17  —  João  Cassiano  S.  Tiago. 

18  -  Dr.  João  Emilio  de  Rezende  Costa. 

19  —  Joaquim  Bento    dé  Oliveira  Júnior. 

20  —  Dr.  Joaquim  Ignacio  Nogueira  Penido. 

21  —  Dr.   Joaquim   de  Vasconcellos  Teixeira  da  Motta  (falleceu 

durante  a  legislatura). 

22  —  José  Bento  Nogueira  Júnior. 

23  —  Dr.  José  Eufrosino  Ferreira  de  Brito. 

24  —  Dr.  José   Joaquim  Baeta  Neves. 

25  —  Tenente-coronel  José  Miguel  de  Siqueira. 

26  —  José  Pedro  Xavier  da  Veiga. 

27  —  Dr.  José  Pereira  dos  Santos. 

28  —  Justino  de  Andrade  Camará. 

29  —  Dr.  Lucas  Matheus  Monteiro  de  Castro. 

30  —  Dr.  Luiz  Eugénio  Horta  Barbosa. 

31  —  Luiz  Gomes  Ribeiro. 

32  —  Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

33  —  Dr.  Manoel  Gomes  Tolentino. 

34  —  Tenente-coronel  Manoel  Ignacio  Gomes  Valladão. 

35  —  Cónego  Modesto  Luiz  Caldeira. 

36  —  Dr.  Nominato  José  de  Souza  Lima. 

37  —  Pedro  Maria  da  Silva  Brandão. 

38  —  Coronel  Raymundo  Nonato  da  Silva  Athayde. 


74 


REVISTA    DO 


39 
40 

41 
42 


Dr.  Salatiel  de  Andrade  Brap^a. 
Dr.  Saturnino  Amâncio  da  Silveira. 
Thomaz  António  Teixeira  de  Gouvêa. 
Cónego  Zeferino  Cândido  Pereira  de  Avellar. 


1  — 

2  - 

3  - 
4  — 

5  — 

6  - 

7  — 

8  - 

9  - 

10  - 

11  - 

12  - 

13  - 

14  - 

15  - 

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17  - 

18  - 

19  - 

20  - 

21  - 

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24  - 

25  - 

26  - 

27  - 


20.'*  LEGISLATURA 
(1874—1875) 

António  de  Assis  Martins. 

Tenente-coronel  António  Manoel  da  Apresentação. 
Dr.  Aureliano  Martins    de  Carvalho  Mourão. 
Dr.  Affonso  Augusto  Moreira  Penna. 
Major  Annanias  Manoel  Teixeira. 
Dr.  Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares. 
Dr.    Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira. 

■  Dr.  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo. 

■  Cónego  Cândido  Augusto  de  Mello. 
Francisco  José  de  Oliveira  e  Silva. 

■  Dr.  Francisco  Bernardino  Rodrigues  Silva. 

■  Francisco  Peixoto  de  Mello. 

Dr.  Fernando  Teixeira  de  Souza  Magalhães. 

-  Dr.  Feliciano  Augusto  de  Oliveira  Penna. 
Dr.  Francisco  Ignacio  Wernek. 

■  Dr.  Francisco  de  Paula  Ramos  Horta  Júnior. 

Dr.  João  Chrysostomo  Leopoldino  de  Magalhães. 
Joaquim  Getulio   Monteiro   de  Mendonça. 
Dr.  José  Eufrosino  Ferreira  de  Brito  (1). 
•  Justino  de  Andrade  Camará. 
Capitão  José  Bento  Nogueira  Júnior. 

-  José  Pedro  Xavier  da  Veiga. 

-  Padre  Dr.  José  Marciano  Gomes  Baptista. 

-  Dr.  José  Joaquim  Baeta  Neves. 

-  João  Cassiano  Santiago. 

-  José  António  da  Silveira  Drumond. 
Dr.  Joaquim    ignacio  Nogueira  Penido. 


(1)    Tomou  assento  por  ter  sido  annuUaclo  o  diploma  do  dr.  José  Manoel 
Pereira  Cabral,  que  fora  eleito. 


ARCHIVO     PUBLIÍX)     MINEIRO  75 


28  —  Capitão  João  Baptista  Pinto. 

29  —  Dr.  João  Emilio  de  Rezende  Costa. 

30  —  Tenente  Coronel  José  Teixeira  Alves  de  Oliveira. 

31  —  Dr.   Lucas  António  Monteiro  de  Castro. 

32  —  Dr.  Lucas  Matheus  Monteiro  de  Castro. 

33  —  Dr.  Luiz  Gomes  Ribeiro. 

34  —  Dr.  Manoel  Gomes  Tolentino. 

35  —  Dr.  Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

36  —  Tenente-coronel  Manoel  Ingacio  Gomes  Veiliadão. 

37  —  Cónego  Modesto  Luiz  Caldeira. 

38  —  Dr.  Nominato  José  de  Souza  Lima. 

39  —  Pedro  Maria  da  Silva  Brandão. 

40  —  Coronel  Raymundo  Nonato  da  Silva  Athayde. 


21^  LEGISILATURA 

1876  —  1877 

1  —  Dr.  Affonso  Augusto  Moreira  Penna. 

2  —  Dr  António  Cassemiro  da  Motta  Pacheco. 

3  —  Tenen^^e-coronel  António  Manoel  da  Apresentação.  i 

4  —  Major  Annanias  Manoel  Texeira.  ' 

5  —  Dr.  Areliano  Martins  de  Carvalho  Mourão.  l 

6  —  Dr.  Agostinho  Máximo  Nogueira  Pinido.  'i 
1  —  Dr.  Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares.  ] 

8  —  Dr.  Caetano  Augusto  da  Gama  Cerqueira.  i 

9  —  Cesário  Augusto  da  Gama.  I 

10  —  Dr.  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo.  i 

11  —  Dr.  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira.  j 

12  —  Domingo  Rodrigues  Viotti. 

13  —  Capitão  Evaristo  Gonçalves  Machado. 

14  —  Francisco  Peixoto  de  Mello.  ' 

15  —  Coronel  Francisco  Texeira  Amaral. 

16  —  Dr.  Francisco  Bernardino  Rodrigues  Silva. 

17  —  Dr.  Francisco  de  Paula  Ramos  Horta  Júnior. 

18  —  Dr.  Francisco  Luiz  da  Veiga. 

19  —  Francisco  José  de  Oliv^eira  e  Silva. 

20  —   Innocencio  Augusto  de  Campos. 

21  —  Justino  de  Andrade  Camará. 

22  —  Monsenhor  José  Augusto  Ferreira  da  Silva. 

23  —  José  António  da  Silveira  Drumond. 

24  —  Capitão  João  Baptista  Pinto. 


76  REVISTA    DO 


25  —  Dr.  José  Moreira  da  Rocha. 

26  —  Dr.  Joaquim  Ignacio  Nogueira  Penido. 

27  —  José  Pedro  Xavier  da  Veiga. 

28  —  Joaquim  Getulio  Monteiro  de  Mendonça. 

29  —  Dr.  José  Eufrosino  Ferreira  de  Brito. 

30  —  Capitão  José  Bento  Nogueira  Júnior. 

31  —  Coronel  José  Felizardo  JFrancfort  de  Abreu  Bicalho. 

32  —  Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

33  —  Dr.  Manoel  Gomes  Tolentino. 

34  —  Cónego  Modesto  Luiz  Caldeira. 

35  —  Dr.  Olympio  Oscar  de  Vilhena  Valladão. 

36  —  Pedro  Maria  da  Silva  Brandão. 

37  —  Roberto  Alves  Ferreira  Tayoba  Júnior, 

38  —  Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 

39  —  Thomaz  António  Texeira  de  Gouvêa. 

40  —  Dr.  Theophilo  Pereira  da  Silva. 


22^  LEGISLATURA. 
1878  —  1879 

1  —  Dr.  Affonso  Augusto  Moreira  Penna. 

2  —  Major  Annanias    Manoel    Texeira. 

3  —  Dr.  António  Arnaldo  de  Oliveira. 

4  —  Tenente  Coronel  António  Manoel  da  Apresentação 

5  —  Dr.  António  Alvares  de  Abreu  e  Silva. 

6  —  Dr.  Benedicto  Cordeiro  dos  Campos  Valladares. 

7  —  Cesário  Augusto  Gama. 

8  —  Dr.  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira. 

9  —  Dr.  Cornelio  Pereira  de  Magalhães. 

10  —  Dr.  Caetano  Luiz  Machado  Magalhães. 

11  —  Dr.  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo. 

12  —  Domingos  Rodrigues  Viotti. 

13  —  Capitão  Evaristo  Gonçalves  Machado. 

14  —  Dr.  Francisco  de  Paula  Ferreira  e  Costa. 

15  —  Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 

16  —  Francisco  Peixoto  de  Mello. 

17  —  Dr.  Francisco  Bernardino  Rodrigues  Silva. 

18  Dr.  Henrique  de  Magalhães  Salles. 

19  —  Monsenhor  José  Augusto  Ferreira  da  Silva. 

20  —  Dr.   Justino  Ferreira  Carneiro. 

21  —  José  António  da  Silveira  Drumond. 


ÁHCHIVO    PUBLICO    IfiNElRO  77 

22 — Coronel  José  Felisardo  Francfort  de  Abreu  Bicalho. 
23 — Major  Joaquim  José  de  Oliveira  Penna. 
24 — Dr.  João  Baptista  de  Carvalho  Drumond. 
25 — Capitão  José  Bento  Nogueira. 

26-  Dr.  Joaquim  Bento  Ribeiro  da  Luz. 
27 — Justino  de  Andrade  Camará. 
28 — Dr.  Joaquim  Onofre  Pereira  da  Silva. 
29 — Dr.  João  da  Matta  Machado. 

30—  José  Pedro  Xavier  da  Veiga. 

31-  Commendador  José  Pedro  Américo  de  Mattos. 
32  -  Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

33— Dr.  Martinho  Alvares  da  Silva  Contagem. 

34 — Tenente-coronel  Manoel  Ignacio  Gomes  Valladão. 

35 — Ovidio  João  Paulo  de  Andrade. 

36— Pedro  Maria  da  Silva  Brandão. 

37 — Coronel  Raymundo  Nonato  da  Silva  Athayde. 

38 — Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 

39— Dr.  Theophilo  Pereira  da  Silva. 

40 — Dr.  Virgílio  Martins  de  Mello  Franco. 


23.^  LEGISLATURA 
1880—1881 

1 — Dr.  António  Arnaldo  de  Oliveira. 

2— Cónego  António  Carlos  Evencio  da  Silv^eira. 

3— Dr.  António  Jacob  da  Paixão. 

4— Amaro  Carlos  Nogueira. 

5 — Dr.  António  Zacarias  Alvares  da  Silva. 

6— Barão  de  Grão  Mogol. 

7 — Dr.  Cornelio  Pereira  de  Magalhães. 

8— Dr.  Cândido  Luiz  Maria  de  Oliveira. 

9 — Dr.  Cassiano  Augusto  de  Oliveira  Lima. 
10 — Dr.  Carlos  Affonso  de  Assis  Figueiredo. 

11— Dr.  Ernesto  Pio  dos  Mares  Guia.  | 

12— Padre  Francisco  de  Paula  Araújo  Lobato.  j 

13 — Padre  Francisco  de  Salles  Torres  Lima. 
14— Dr.  Francisco  Silviano  de  Almeida  Brandão. 
15— Coronel  Francisco  Teixeira  Amaral. 
16 — Padre  Honório  Benedicto  Ottoni. 
17— Dr.  Henrique  de  Magalhães  Salles. 


78 


HEVISTA    IV) 


I 
f 

I 


18 — Dr.  José    Francisco    Netto  (depois    Barão    de  Coromandel). 

19 — João  Alves  dos  Santos. 

20 — Monsenhor  José  Augusto  Ferreira  da  Silva. 

21 — José  António  da  Silveira  Drumond. 

22 — Dr.  José  Cândido  da  Costa  Senna. 

23 — João  Vieira  de  Azeredo  Coutinho. 

24 — Dr.  Joaquim  Onofre  Pereira  da  Silva 

25 — Coronel  Jacinto  Dias  da  Silva. 

26 — Dr.  José  Rufino  Soares  de  Almeida. 

27 — Dr.  João  das  Chagas  Lobato. 

28 — Commendador  José  Pedro  Américo  de  Mattos. 

29 — Major  Joaquim  José  de  Oliveira  Penna. 

30 — Dr.  Leonardo  José  Teixeira  da  Silva. 

31 — Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira.     (1) 

32 — Dr.   Manoel  Joaquim  de  Lemos. 

33 — Dr.  Manoel  Faustino  Corrêa  Brandão. 

34 — Dr.  Mário  Nunes  Galvão. 

35 — Dr.  Martinho  Alvares  da  Silva  Contagem. 

36 — Ovidio  João  Paulo  de  Andrade. 

37— Dr.   Olegário  Dias  Maciel. 

38 — Dr     Pedro  Sanches  de  Lemos. 

39— Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 

40 — Dr.  Sebastião  Gonçalves  da  Silva  Mascarenhas. 


24.^  LEGISLATURA 


1882—1883 

1— Major  António  Cesário  da  Silva  e  Oliveira. 

2 — Dr.  António  Zacarias  Alvares  da  Silva. 

3 — Dr.  António  Augusto  Velloso. 

4 — Dr.  António  Jacob  da  Paixão. 

5 — Pedro  António  Ribeiro   da  Luz. 

6 — Capitão  António  de  Santa  Cecilia. 

7 — Major  António  Luiz  Maria  Soares  de  Albergaria. 

8 — Barão  de  Coromandel. 

9— Dr.  Cláudio  Herculano  Duarte. 
10 — Dr.  Chrispim  Jacques  Bias  Fortes. 
11 — Camillo  Philinto  Prates. 
12 — Padre  Francisco  de  Salles  Peixoto. 
13 — Francisco  Álvaro  de  Moraes  Navarro. 


(1)    Tomou  assento  em  logar  do  dr.  André  Martins  de  Andrade,  cuja 
eleição  foi  julgada  nulla  em  virtude  de  impedimento  legaL 


ARCHIVO    PUBLICO    MlNElRO  7^ 


14 — Gustavo  José  da  Silva  Penna. 
15 — Dr.  Henrique  de  Magalhães  Salles. 
16 — Padre  Honório  Benedicto  Ottoni. 
17 — Coronel  João  Luiz  de  Campos. 
18 — Dr.  José  Rufino  Soares  de  Almeida. 
19 — José  António  da  Silveira  Drumond. 
20 — José  Pedro  Xavier  da  Veiga. 

21 — Dr.  João  Pedro  Moretzsohn. 

22 — José  Coelho  Tocantins  de   Gouvôa 

23 — Dr.  José  Cesário  Miranda  Ribeiro. 

24— Dr.  José   Cândido  da  Costa  Sena. 

25 — Tenente-coronel  José  Augusto  do  Amaral.  j 

26 — Dr.  Leandro  José  Teixeira  da  Silva. 

27 — Dr.  Manoel  Joaquim  de  Lemos. 

28 — Dr.  Manoel  Faustino  Corrêa  Brandão. 

29 — Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

30— Dr.  Manoel  Menelio  Pinto 

31 — Padre  Miguel  Kerdole  Dias  Maciel. 

32 — Dr.  Modestino  Carlos  da  Rocha  Franco. 

33 — Dr.  Nuno  Teixeira  Lage. 

34 — Capitão  Nelson  Dário  Pimentel  Barbosa 

35 — Dr.  Olegário  Dias  Maciel 

36 — Dr.  Pedro  de  Vasconcellos  Teixeira  da  Motta. 

37 — Severiano  Nunes  Cardoso  de  Rezende. 

38 — Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 

39 — Padre  Venâncio  Ribeiro  de  Aguiar  Café. 

40 — Wenceslau  Pereira  de   Oliveira. 


25. «  LEGISLATURA 

1884—1885 

1 — Dr    António  Joaquim  Barbosa  da  Silva. 
2 — Dr.  António  Jacob  da  Paixão 
3 — Dr.  Américo  Gomes  Ribeiro  da  Luz. 
4 — Major  António  Luiz  M.  Soares  de  Albergaria. 
5 — Amâncio  Gonçalves   Castanheiro 
6 — Coronel  António  Joaquim  Nunes  Brazileiro. 
7 — Barão   de  Guararema. 
8 — Dr.  Chrispim  Jacques  Bias  Fortes. 
9 — Padre  Candidij  Alves  Pinto  de  Cerqueira. 
10 — Dr.  Custodio  José  Ferreira  Martins. 


80  REVISTA     DO 


11 — Dr.  Christinno  Carneiro  Ribeiro  da  Luz. 

12— Camilo  Philinto  Prates. 

13 — Dr.  Cassiano  Nunes  Moreira. 

14 — Dr.  Diogo  Luiz  de  Almeida  Pereira  de  Vasconcellos. 

15 — Capitão  Francisco  Álvaro  de  Moraes  Navarro. 

16— Dr.  Franklin  Botelho. 

17 — Padre  Francisco  de  Salles  Peixoto. 

18 — Gustavo  José  da  Silva  Penna. 

19 — Commendador  José  Pedro  Américo  de  Mattos. 

20 — Coronel  João  Luiz   de  Campos. 

21 — Commendador  Joaquim  António  Gomes  da  Silva. 

22 — Dr.  João  José  Frederico  Ludovice. 

23 — Dr.  José  Cesário  de  Miranda   Ribeiro. 

24    Coronel  José  Bento   Nogueira. 

25— José  António  da   Silveira  Drumond. 

26 — Coronel  Jacintho  Dias  da  Silva. 

27 — Coronel  José  Bento  Cândido  de  Oliveira. 

28 — Dr.  Manoel  Joaquim  de  Lemos. 

29 — Dr.  Manoel  Faustino  Gorrêa  Brandão. 

30— Dr.  Manoel  Menelio  Pinto. 

31— Manoel  Fulgencio  Alves  Pereira. 

32— Padre  Miguel  Kerdole  Dias  Maciel. 

33 — Cónego  Manoel  Alves  Pereira. 

34 — Dr.  Nuno  Teixeira  Lage. 

35 — Ovidio  João  Paulo  de  Andrade. 

36- -Pedro  Maria  da   Silva  Brandão. 

37—  Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 

38— Theotonio  Pereira  de  Magalhães  e  Castro. 

39 — Cónego  Ulysses  Furtado  de    Souza. 

40 — Cónego  Zeferino  Cândido  Pereira  de  Avellar. 


26.^  LEGISLATURA 

1886—1887 

1 — Commendador  António  Martins  Ferreira  da  Silva. 

2— Dr.  Anionio  Joaquim   Barbosa  da  Silva. 

3 — Dr.  Amâncio  Olympio  de  Andrade  Barros. 

4— Dr.  António  Augusto  Velloso. 

5 — Padre  Alexandre  Generoso  de  Almeida  e  Silva 

6 — Capitão  Alexandre  Dias  Maciel. 

7 — Dr.  Américo  Gomes  Ribeiro  da  Luz. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  81 

8 — Dr.  Cláudio  Alaôr  Bernhaus  de  Lima. 

9— Camillo  Philinto  Prates. 
10 — Dr.  Cassiano  Nunes  Moreira. 
11— Padre  Cândido  Alves  Pinto  de  Cerqueira 
12— Dr.  Chrispim  Jacques  Bias  Fortes. 
13 — Domingos  Rodrigues  Viotti. 
14 — Padre  Francisco  de  Paula  Araújo  Lobato. 
15 — Dr.  Francisco  Cesário  de  Figueiredo  Côrles  Júnior. 
16 — Ignacio  Carlos  Moreira  Murta. 
17 — José  António  da  Silveira  Drumond. 
18 — Commendador  Joaquim  M.  de  Moraes  Castro. 
19— Commendador  José  Joaquim  de  Oliveira  Penna. 
20 — José  Thomaz  Pimentel  Barbosa. 
21— Cónego  João  Baptista  Pimenta. 
22— Dr.  José  Caetano  de  Almeida  Gomes. 
23— Padre  José  Carlos  Nogueira. 
24— Commendador  José  Pedro  Américo  de  Mattos. 
25— Coronel  Joaquim  António  de  Souza  Rabello. 
26 — Tenente-coronel  João  Luiz  de  Campos. 
27 — Lindolpho  Caetano  de  Souza  e  Silva.  ■ 
28— Dr.  Modesto  Augusto  Caldeira. 
29 — Capitão  Manoel  Teixeira  da  Costa. 
30 — Dr.  Ovidio  Laurentino  de  Souza  Guimarães. 
31— Dr.  Olyntho  Horácio  de  Paula  Andrade. 
32— Ramiro  Martins  Pereira. 
33 — Severiano  Nunes  Cardozo  de  Rezende. 
34 — Dr.  Sabino  Barroso  Júnior. 
35 — Dr.  Silvestre  Dias  Ferraz  Júnior. 
36— Dr.  Tito  Fulgencio  Alves  Pereira. 
37— Dr.  Victor  Manoel  de  Sousa  Lima. 

38— Capitão  Vicente  de  Paulo  Vieira  (depois  Barão  de  Rifaina). 
39 — Cónego  Ulysses  Furtado  de  Souza. 
40— Cónego  Zeferino  Cândido  Pereira  de  Avellar. 


27.^  E  ULTIMA  LEGISLATURA 

1888—1889 

1— Dr.  Aristides  de  Araújo  Maia. 
2— Commendador  António  Martins  Ferreira  da  Silva. 
3— Dr.  Álvaro  da  Matta  Machado. 
4— Dr.  António  Joaquim  Barbosa  da  Silva. 
5— Dr    António  Augusto  Velloso. 
6— Padre  António  José  Teixeira. 
R   A.    6 


82  REVISTA     DO 


7— Dr.  António  Pinheiro  Lobo  de  M.  Jurumenha. 

8 — Augusto  César  de  Souza. 

9— Antero  Florêncio  Rodrigues. 
10— Capitão  Antonino  Gentil  Gomes  Cândido. 
11— Camillo  Philinto  Prates. 
12- Padre  Cândido  Alves  Pinto  de  Cerqueira. 
13 — Dr.  Chrispim  Jacques  Bias  Fortes. 
14 — Dr.  Carlos  da  Silva  Fortes. 
15 — Claudionor  Augusto  Nunes  Coelho. 
16 — Dr.   Carlos  Ferreira  Alves. 
17 — Domingos  Rodrigues  Viotti. 
18— Dr.  Francisco  Xavier  Rodrigues  Campello. 
19 — Francisco  Navarro  de  Moraes  Salles. 
20 — Dr.  Francisco  Sá. 
21 — Dr.  Francisco  Martins  de  Andrade. 
22 — Francisco  Braz  Pereira  Gomes. 
23 — Dr.  Fernando  Avelino  Corrêa. 
24 — Padre  Firmiano  Gonçalves  Costa. 
25 — Dr.  Francisco  José  Coelho  de  Moura. 
2fc>— Dr.  Francisco  Soares  Peixoto  de  Moura. 
27 — Dr.  Francisco  Alves  Moreira  da  Rocha. 
28 — Dr.  Francisco  Bernardes  Teixeira  Duarte. 
29 — Dr.  Francisco  de  Paula  Amaral. 
30— Coronel  Ignacio  Carlos  Moreira  Murta. 
31 — Dr.  José  Porphyrio  Alvares  Machado  Júnior. 
32 — Dr.  José  Ricardo  Vaz  de  Lima. 
33 — Dr.  Josino  de  Alcântara  Araújo. 
34 — José  António  da  Silveira  Drumond. 
35 — Dr.  José  Cândido  da  Costa  Sena. 
36 — Commendador  José  Pedro  Américo  de  Mattos. 
37 — Coronel  Joaquim  Anton  o  de  Souza  Rabello. 
38 — Padre  José  Theodoro  Brasileiro. 
39 — Dr.  José  Caetano  Rodrigues  Horta  Júnior. 
40 — José  Maria  Brandão. 
41 — João  de  Vasconcellos  Teixeira  da  Motta. 
42 — Dr.  Joaquim  Leonel  de  Rezende  Filho. 
43 — Dr.  Joaquim  António  Dutra. 
44 — Cónego  João  Baptista  Pimenta. 
45 — Dr.  José  Caetano  da  Silva  Campolina. 
46 — Padre  José  Carlos  Nogueira. 
47 — Coronel  José  Bento  Nogueira. 
48 — Padre  Lafayette  José  de  Godoy. 
49 — Dr.  Luiz  de  França  Vianna. 
50—  Dr.  Luiz  Vieira  de  Rezende  Silva. 
51 — Commendador  Lindolpho  Caetano  de  Souza  e  Silva. 
52 — Dr.  Manoel  Monteiro  Chassim  Drumond. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


83 


53— Dr.  Modesto  Augusto  Caldeira. 

54 — Capitão  Nelson  Dário  Pimentel  Barbosa. 

55 — Coronel  Ramiro  Martins  Pereira. 

56 — Dr.  Silveste  Dias  Ferraz  Júnior. 

57 — Dr.  Salathiel  de  Almeida  Cyrino. 

58 — Sabino  Barroso  Júnior. 

59 — Severiano  Nunes  Cardoso  de    Rezende. 

60 — Dr.  Tobias  Antunes  Franco  de  Siqueira  Tolendal. 


OBSERVAÇÃO:— Nos  primeiros  bieniiios  da  Assembléa Provincial,  era 
tle  36  o  numero  legal  de  seus  membros,  depois  elevado  a  40  e,  afinal, 
para  a  ultima  legislatura  (1888—1889)  a  60.  Em  diversas  legislaturas  va- 
riou o  numero  dos  deputados  que  tomaram  assento,  ora  por  falta  de  com- 
parecimento, ora  por  fallecimento,  comparecendo  no  segundo  anno  do 
bieniiio  o  novo  eleito,  e  ora  (ás  vezes  na  mesma  sessão),  por  comparecer  o 
deputado  depois,  em  sua  ausência  oujimpedimento,  o  respectivo  supplente, 
(juando  havia  supplentes. 


Installação  e  encerramento  das  sessões  da  Assembléa  Le- 
gislativa Provincial,  desde  1835  até  1889. 

l.«     LEGISLATURA 


1835 

Installação 

1."  de  Fevereiro. 

» 

k  Encerramento 

1.°  de  Abril. 

1836 

)  Installação 

1.°  de  Fevereiro. 

» 

j  Encerramento 

31  de  Março. 

1837 

'  Installação 

3  de  Fevereiro. 

» 

Encerramento 

9  de  Abril . 

LEGISLATURA 


1838  I   Installação 
Encerramento 
Installação 
Encerramento 

1839  /  Installação 
Encerramento 


1.^  de  Fevereiro. 
1.°  de  Abril. 

4  de  Junho  (Sessão  extraordinária), 
13  de  Junho. 
1."  de  Fev^ereiro. 
1."  de  Abril. 


m 


REVISTA    t>0 


1840  í  Installação 


Encerramento 


1841  I  Installação 

»     \  Encerramento 


1842  i  Installação  (1) 
»     }  Encerramento 

1843  I  Installação 

»     '  Encerramento 


3.^     LEGISLATURA 

1 ."  de  Fevereiro. 
1 ."  de  Abril. 

4  de  Fevereiro. 
7  de  Abril. 

4.^     LEGISLATURA 

3  de  Maio. 
23  de  Novembro. 

18  de  Maio. 
20  de  Julho . 

5."    LEGISLATURA 


1844  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1845  )  Installação 

»     l  Encerramento 


3  de  Fevereiro , 
3  de  Abril. 

8  de  Fevereiro . 

9  de  Abril. 


1846  /  Installação 

»     I  Encerramento 

1847  \  Installação 

»     \  Encerramento 


6.^     LEGISLATURA 

2  de  Feveieiro. 

3  de  Abril. 

4  de  Fevereiro 
4  de  Abril. 


1848  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1849  j  Installação 

»     l  Encerramento 


LEGISLATURA 

2  de  Agosto. 
20  de  Outubro. 

14  de  Agosto. 
14  de  Outubro. 


(1)  Esta  sessão  foi  adiada:  1.",  até  9  de  juliio  (portaria  presidencial 
de  9  de  maio);  2.°,  até  7  do  novembro  (portaria  de  l.**  de  junlio);  3.°,  so- 
mente até  1.°  de  outubro  (portaria  de  7  de  setembro),  sendo  effectivamen- 
te  reaberta  a  sessão  no  1.**  de  outubro. 

O  presidr-nte  intruso,  chefe  ostensivo  da  revolução  q>ie  irrompeu  este 
anno  na  provinda,  (José  Feliciano  Pinto  Coeliio  da  Cunha),  em  portaria 
de  11  de  junho,  lavrada  em  Barbacena,  convocou  a  Assembléa  para  1.*^ 
de  julho,  em  Ouro  Preto;  e,  por  portaria  de  1.^  de  julho,  lavrada  em  S. 
João  d'El-Rey,  convocou-a  para  17  desse  mesmo  mez  na  dita  cidade.  Não 
se  realizou  a  reunião  por   elle  convocada. 


í 


ARCHIVO     1'UBLICO     MINEIRO 


«5 


1850  /  Installação 

»     [  Encerramento 
»     '  Installação 

Encerramennto 

1851  /  Installação 
Encerramento 


8.^  LEGISLATURA 

22  de  Março     (Sessão  extraordinária). 
27  de  Abril. 

3  de  Maio. 

3  de  Julho. 

2  de  Agosto. 

6  Outubro. 


1852  ,   Installação 

»     \  Encerramento 

1853  I  Installação 

»        Encerramento 


9.^  LEGISLATURA 

25  de  Março. 
25  de  Maio. 

11  de  Abril. 
!1  de  Junho. 


10.«  LEGISLATURA 


1854  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1855  j  Installação 

»     (  Encerramento 


25  de  Março. 
25  de  Maio. 

27  de  Março. 
27  de  Maio. 


11.^  LEGISLATURA 


1856 


(Installação 
Encerramento 

1857  j  Installação 
»     \  Encerramento 


25  de  Março. 
14  de  Junho. 
28  de  Abril. 
14  de  Julho. 


12.^  LEGISLATURA 


1858  i  Installação 

»     \  Encerramento 

1859  j  Installação 

»     (  Encerramento 


25  de  Março. 

2  de  Junho. 

3  de  Maio. 
3  de  Julho. 


13.^  LEGISLATURA 


1860  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1861  I  Installação 

»    l  Encerramento 


1."  de  Agosto. 
1."  de  Outubro. 

4  de  Agosto. 
8  de^Outubro, 


86 


REVISTA     DO 


1862 


1863 


Installação 
Encerramento 

Installação 
Encerramento 


14.^  LEGISLATURA 

1."  de  Agosto. 
1."  de  Outubro. 

16  de  Outubro. 
16  de  Dezembro. 


1864  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1865  )  Installação 

»     \  Encerramento 


1866  /  Installação 

»     \  Encerramento 

1867  I  Installação 

»     (  Encerramento 


15.^  LEGISLATURA 

30  de  Maio. 
20  de  Agosto. 

5  de  Novembro. 

31  de  Dezembro. 

16.^  LEGISLATURA 

9  de  Setembro. 
9  de  Novembro. 

20  de  Outubro. 
27  de  Dezembro. 


17.«  LEGISLATURA 


1868 

» 

1869 


Installação 
Encerramento 
Installação 
Encerramento 


Installação 

Encerramento 

Installação 

Encerramento 

Installação 

Encerramento 


28  de  Maio. 
31  de  Julho. 

29  de  Agosto. 

29  de  Outubro. 

18.^  LEGISLATURA 

1.°  de  Agosto. 
1."  de  Outubro. 
2  de  Março  (Sessão    extraordinária). 

30  de  Março. 
1.**  de  Agosto. 
1.°  de  Outubro. 


1872  /  Installação 

»     I  Encerramento 

1873  I  Installação 

»     I  Encerramento 


19.^  LEGISLATURA 

17  de  Maio. 

20  de  Julho. 

21  de  Setembro. 
25  de  Novembro. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


87 


20/'»  LEGISLATURA 


1874/Installação 
«     'Encerramento 

1875Jlnstallacão 
«     '  Encerramento 


25  de  Outubro. 

31  de  Dezembro. 

9  de  Setembro. 

19  de  Novembro. 


21.'''  LEGISLATURA 


1876/Installacão 
«     '  Encerramento 

1877  i  Installação 
''  «    ' Encerramento 


25  de  Abril. 
6  de  Julho. 

17  de  A<]fosto. 
10  de  Novembro. 


22/'»  LEGISLATURA 


1878 /installação 
«     \  Encerramento 

1879 1  Installação 
«       Encerramento 


10  de  Agosto. 
8  de  Novembro. 

15  de  Outubro. 
31  de  Dezembro. 


23.^  LEGISLATURA 


1880 /Installação 
«     I  Encerramento 

1881 1  Installação 
«     \  Encerramento 


25  de  Setembro. 
18  de  Dezembro. 

7  de  Agosto. 
22  de  Outubro. 


24.^  LEGISLATURA 


1882 /Installação 
«     }  Encerramento 

1883)  Installação 
*    ( Encerramento 


1°  de  Agosto. 
5  de  Novembro. 

2  de  Agosto. 

3  de  Outubro. 


25.^  LEGISLATURA 


1884 /Installação 
«     \  Encerramento 

1885)  Installação 
«     \  Encerramento 


1.°  de  Agosto. 

2  de  Outubro. 

3  de  Agosto. 
3  de  Outubro. 


88 


REVISTA     DO 


1886nnstaIlação 
«     I  Encerramento 

1887jInstallação 
'  Encerramento 


1888jInstallação 
«     I  Encerramento 

ISSoilnstallação 
«     '  Encerramento 


26.'*  LEGISLATURA 

4  de  Maio. 
20  de  Julho. 

5  de  Julho. 

25  de  Setembro. 

27.^  LEGISLATURA 

1.°  de  Junho. 

22  de  Agosto. 

4  de  Junho. 

10  de  Agosto. 


CONGRESSO   LEGISLATIVO  DO  ESTADO 


CIDADÃOS  ELEITOS  MEMBROS  DO  CONGRESSO  LEGISLATIVO  MINEIRO 
SESSÃO  CONSTITUINTE  E  L«  LEGISLATURA 

(1891  —  1895) 
SENADORES  {Eleição  directa— a  25  de  janeiro  de  1891 ) 

1 — Dr.  Affonso  Augusto  Moreira  Penna  (*). — (Renunciou  o  man- 
dato a  21  de  novembro  de  1891,  sendo  a  renuncia  ac- 
ceita  pelo  senado  a  19  de  março  de  1892). 

2— Dr.  Álvaro  da  Matta  Machado  (*) 

3 — Dr.  António  Augusto  Velloso  (*). — (Perdeu  a  cadeira,  por  ter 
acceitado  a  nomeação  de  juiz  de  direito  da  Diamantina, 
em  março  de  1892). 

4 — Dr.  António  Carlos  Ribeiro  de  Andrada. — (Fallecido  a  26  de 
dezembro  de  1893). 

5 — Commendador  António  Martins  Ferreira  da  Silva. 

6 — Dr.  Bernardo  Cysneiro  da  Costa  Reis  (*) 

7 — Dr.  Camillo  Augusto  Maria  de  Brito. 

8 — Dr.  Carlos  Ferreira  Alves.  (Fallecido  a  6  de  fevereiro  de 
1896). 

9 — Coronel  Carlos  Sá. 


(*)  —  Sorteado  para  o  fim  de  cessar  o  respectivo  mandato  no  termo  do 
primeiro  quatriennio,  conforme  preceituou  o  art.  2."  das  disposições  consti- 
tutuçionaes  [transitórias. 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  89 

10 — Dr.  Chrispim  Jacques  Bias  Fortes. — (Renunciou  a  cadeira 
a  18  de  junho  de  1894,  tendo  sido  eleito  a  7  demarco  do 
mesmo  anno  Presidente  do   Estado). 

II — Dr.  Eduardo  Ernesto  da  Gama    Cerqueira  (*) 

12 — Coronel  Francisco  Ferreira  Alves. 

13— Dr.  Francisco  de  Paula  Rocha  Lagoa.  (*) 

14 — Dr.  Francisco  Silviano  de  Almeida  Brandão.  (*)— (Perdeu  a 
cadeira,  por  ter  acceitado  a  nomeação,  por  decreto  de 
15  de  agosto  de  1892,  de  secretario  d'Estado  dos  Ne- 
gócios do  Interior  e  da  Justiça). 

15 — Desembargador  Frederico  Augusto  Alvares  da  Silva  (*) 

16— Dr.  João  Gomes  Rebello  Horta. 

17 — João  Nepomuceno  Kubitschek  (*) 

18 — Dr.  João  Roquette  Carneiro  de  Mendonça. 

19— Dr.  Joaquim  Cândido  da  Cesta  Senna  (*) 

20 — Major  Joaquim  José  de  Oliveira  Penna. 

21 — José  Pedro  Xavier  da  Veiga — (Perdeu  a  cadeira  por  ter 
acceitado  a  nomearão  de  director  do  Archivo  Publico 
Mineiro,  em  Outubro  de  1895) 

22— Dr.  Manoel  Eustachio  Martins  de  Andrade  (*) 

23 — Commendador  Manoel  Ignacio  Gomes  Valladão. 

24— Dr.  Virgílio  Martins  de  Mello  Franco.  (*) 

Para  preenchimento  das  quatro  cadeiras  vagas,  dos  srs.  drs. 

A.  Penna,  Velloso,  A.  Carlos  S.  Brandão,  acima  designadas,  fo- 
ram eleitos  : 

1 — Dr.  José  Pedro  Drumond   (Eleição   de  30  de  maio  de  1892). 

2 — Dr.  Theodomiro  Alves  Pereira   (Eleição  de  30     de  maio  de 
de  1892). 

3— Dr.   António    Cândido   Teixeira   (Eleição  de  30  de  julho  de 
1893). 

4 — Monsenhor  Sérgio  Pinheiro  Torres  (Eleição  de  7  de  março 
de  1894).— Falleceu  a  17  de  Abril  de  1895,  antes  de  ser  re- 
conhecido como  senador). 

Para  preenchimento  das  vagas — Pela  renuncia  do  sr.  dr  Bias 
Fortes  e  falleclmento  de  Monsenhor  Sérgio,  foram  eleitos  a 
7  de  setembro  de  1894  os  srs.  coronel  José  Bento  Nogueira 
e  Dr.  Camlllo  Maria  Ferreira  da  Fonseca. 


(*)— Vide  nota  na  pagina  antecente. 


90  RKVISTA     DO 


DEPUTADOS  {Eleição  directa  a  25  de  Janeiro  de  1891) 

1  — Dr.  Abeilard  Rodrigues  Pereira. 

2 — Dr.  Adalberto  Dias  Ferraz    da   Luz — (Perdeu  a  cadeira,  por 


ter  acceitado  a  nomeação  de  chefe   de  policia  do  Estado,  a 
15  de  outubro  de  1892). 

3 — Alexandre   de  Souza  Barbosa. 
4 — Dr.  António  Leopoldino  dos  Passos. 

5 — Dr.  Aristides  Godofredo  Caldeira — (Perdeu  a  cadeira,  por  ter 
acceitado   a  nomeação  de  juiz  de  direito  em  março  de  1892). 

6 — Dr.  Arthur    Itabirano  de  Menezes  —  (Renunciou  o  mandato 
em  julho  de  1892. 

7 — Dr.  Augusto  Clementíno  da  Silva. 
8 — Dr.  Augusto  Gonçalves  de  Souza  Moreira. 
9 — Dr.  Bernardino  Augusto  de  Lima. 
10— Camillo  Philinto  Prates. 
11 — Dr.  Carlos  Marques  da  Silveira. 
12— Dr.  Carlos  da  Silva  Fortes. 

13 — Dr.  David  Moretzsohn  Campista — (Perdeu  a  cadeira  por  ter 
acceitado  a  nomeação  de  secretario  d'Estado  da  Agricultu- 
ra, por  decreto  de  15  de  agosto  de  1892) 

14 — Domingos  Rodrigues  Viotti. 

15 — Eduardo  Augusto  Pimentel  Barbosa 

16— Dr.  Eloy  dos  Reis  e  Silva. 

17 — Dr.  Ernesto  da  Silva  Braga. 

18--Eugenio  Simplício  de  Salles. 

19 — Dr.  Francisco  António  de  Salles. 

20— Dr.  Francisco  de  Faria  Lobato. 

21 — Dr.  Francisco  Ribeiro  de  Oliveira. 

22 — Dr.  Gomes  Freire  de  Andrade. 

23— Dr.  Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz. 

24 — Dr.  Ildefonso  Moreira  de  Faria  Alvim — (Renunciou  o  manda- 
to em  março  de  1892). 

25 — Ignacio  Carlos  Moreira  Murta. 

26 — João  Luiz  de   Almeida  e  Souza. 

27— José  Bento  Nogueira. 

28 — Dr.  José  Facundo  Monte-Raso. 

29 — Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

30— Dr.  Josino  de  Paula  Britto. 

31 — Dr.  Levindo  Ferreira  Lopes. 

32— Lindolpho  Caetano  de  Souza  e    Silva. 

33 — Dr.  Luiz  Barbosa  da  Gama  Cerqueira. — (Renunciou  o  man- 
dato em  julho  de  1892). 

34— Cónego  Manoel  Alves  Pereira. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  91 

35  —  Manoel  José  da  Silva. 

36  —  Manoel  Teixeira  da  Costa. 

37  —  Marianno  Ribeiro  de  Abreu 

38  —  Nelson  Dário  Pimentel  Barbosa. 

39  —  Dr.  Octávio  Esteves  Ottoni. 

40  —  Dr.  Olegário  Dias  Maciel. 

41  —  Dr.  Olyntho  Máximo  de  Magalhães.  —  (Renunciou  o  man- 

dato em  Março  de  1892). 

42  —  Dr.  Oscavo  Correia  Netto.  —  (Falleceu  em  Março  de  1892, 

sem  ter  tomado  assento). 

43  —  Padre  Pedro  Celestino  Rodrigues  Chaves. 

44  —  Dr.  Sabino  Barroso  Júnior. 

45  —  Severiano  Nunes  Cardoso  de  Rezende. 

46  —  Simão  da  Cunha  Pereira. 

47  —  Dr.  Targino  Ottoni  de  Carvalho  e  Silva. 

48  —  Dr.  Viriato  Diniz  Mascarenhas. 


Para  preenchimento  das  oitos  vagas  acima  indicadas,    foram 
eleitos: 

1  —  Dr.  Wencesláo  Braz  Pereira  Gomes.  —  (Eleição  de    30  de 

Maio  de  1892), 

2  —  Dr.  João    Braulio    Moinhos    de   Vilhena   Júnior.   —  (idem, 

idem). 

3  —  Commendador  Joaquim  António  Gomes  da  Silva.  —  (idem, 

idem). 

4  —  Dr.  Joaquim  Gonçalves  Ferreira.  —  (idem,  idem). 

5  —  Júlio  Bueno  Brandão.    -  (Eleição  de  30  de  Julho  de    1893). 

6  —  Dr.  Joaquim  António  Dutra.  —  (idem,  idem). 

7  —  Dr.  Henrique  Duarte  da  Fonseca.  — (idem,  idem). 

8  —  Dr.  Francisco  José  Coelho  de  Moura.  —  (idem,  idem). 


k 


92 


REVISTA     EK) 


2.«   LEGISLATURA  (1895  — 1898) 
(ELEIÇÃO  DIRECTA  A  15   DE  NOVEMBRO  PE  1894) 

SENADORES  (Eleitos  por  todo  o  Estado),  para  servirem    nas  le- 
gislaturas de  1895  a   1902). 

1  —  Dr.  Francisco  Silviano  de  Almeida  Brandão. 

2  —  Dr.  Virgílio  Martins  de  Mello  Franco. 

3  —  Dr.  Joaquim  Cândido  da  Costa  Senna. 

4  —  Dr.  José  Pedro  Drumond. 

5  —  João  Nepomuceno  Kubitschek. 

6  —  Dr.  Levindo  Ferreira  Lopes . 

7  —  Dr.  Necesio  José  Tavares. 

8  —  Desembargador  Frederico  Augusto  Alvares   da    Silva. 

9  —  Dr.  Joaquim  António  Dutra. 

10  —  Dr.  Josino  de  Paula  Britto. 

11  —  Commendador  Joaquim  António  Gomes  da  Silva. 

12  —  Dr.  Francisco  de  Paula  Rocha  Lagoa. 

DEPUTADOS  (Eleitos  por  districtos) 


1 
I 

I 
I 


1^    Gircumscripção: 


2.^    oiroumscripção: 


1  —  Dr.   Francisco   Mendes    Pimen- 

tel. 

2  —  Commendador  Francisco  Ribei- 

ro de  Oliveira 

3  —  Dr.  Benevenuto  da  Silveira  Lo- 

bo. 

4  —  Dr.  Camillo   Soares    de   Moura 

Filho . 

5  —  Dr.   Carlos  da  Silva  Fortes. 

6  —  Dr.  Felippe  Nunes  Pinheiro. 

7  —  Dr.  José  Tavares  de  Mello. 

8  —  Tenente-coronel  Severiano  Nu- 

nes Cardoso  de    Rezende. 

1  —  Dr.  Raul  Penido 

2  —  Dr.  José  Felippe  de  Freitas  Cas- 

tro. 

3  —  Dr.  Henrique  Duarte   da   Fon- 

seca. 

4  —  Tenente-coronel  Agostinho  José 

Pereira. 


% 


AJICHIVO     I»UBIJCO     MINEIRO  ^ 

5  —  Major  Juvenal  Coelho   de  Oliveira 

Penna. 

6  —  Dr.   Francisco    Augusto    Pinto   de 

Moura. 

7  —  Dr.  Alberto  Augusto  Furtado. 

8  —  Dr.  Luiz  Gonzaga  da  Silva. 

5."     círeuinscripção       1  —  Dr.       Wenceslau     Braz       Pereira 

Gomes. 

2  —  JuIio  Bueno  Brandão. 

3  —  Dr.      Adalberto     Dias    Ferraz    da 

Luz.  (Tendo  sido  julgado  in- 
compatível, foi  eleito  mas  não 
está  ainda  reconhecido  quem 
tem  de  substituil-o). 

4  —  Tenente-coronel  Francisco  Bressa- 

ne  de  Azevedo. 

5  —  Dr.    Benjamim  Guilherme    de  Ma- 

cedo (Acceitando  em  1895  no- 
meação para  a  magistratura, 
perdeu  a  cadeira.) 

6  —  Dr.   Delfim    Moreira  da  Costa   Ri- 

beiro. 

7  -  Dr.    José   Monteiro    Ribeiro     Jun- 

queira. 

8  —  Domingos   Rodrigues  Viotti.  (Falle- 

ceu  antes  de  ser  reconhecido. 
Foi  eleito  quem  tem  de  su- 
bstituil-o, mas  não  se  acha 
ainda  legalmente  rec  o  n  h  e  - 
eido). 

4.^  eircAmiscripção:  —  1  —  Dr.  Carlos  Ferreira  Tinoco: 

2  —    Eduardo   Augusto    Pimentel  Bar- 

bosa. 

3  —  Major  José  Bernardes  de  Faria. 

4  —    Dr.     Francisco    José     Coelho   de 

Moura. 

5  —   Cónego  Saturnino  Dantas  Barbosa. 

6  -    Dr.  Leopoldo  Correia. 

7  —  Dr.  Francisco  de  Faria    Lobato. 

8  —  Capitão      Desiderio     Ferreira     de 

Mello. 


94  REVISTA     DO 


5".  cireumseripção'  —  1  —  Padre  João  Pio  de  Sousa    Reis. 

2  —  Dr.  Sabino  Barroso  Júnior. 

3  —  Dr.  Carlindo  dos  Santos  Pinto. 

4  —  Major    Getulio    Ribeiro    de   Carva- 

lho. 

5  —  Dr.  Francisco    Nunes    Coelho  Jú- 

nior. 

6  —  Coronel    Theophilo    Marques  Fer- 

reira. 

7  —  Dr.  Augusto  Clementino  da  Silva- 

8  —  Dr.  Augusto  Gonçalves    de  Souza 

Moreira. 

6.^  cireumseripção:  —  1  —  Coronel    Ignacio     Carlos    Moreira 

Murta. 

2  —  Coronel  Manoel  José  da  Silva. 

3  —  Coronel   José    Felizardo   Francfort 

de  Abreu  Bicalho  (Fallecido    a  5 
de  março  de  1896.) 

4  —  Cónego  Manoel  Alves  Pereira. 

5  —  Padre  Pedro    Celestino    Rodrigues 

Chaves. 

6  —  Dr.  Epaminondas    Esteves  Ottoni. 

7  —  Camillo  Philinto  Prates. 

8  —  Padre  Gustavo  Teixeira  Serrão. 


INSTALLAÇÃO  E  ENCERRAMENTO 


DAS  SESSÕES  ORDINÁRIAS  E  EXTRAORDINÁRIAS     DO     CONGRESSO 
MINEIRO  DE  1891  A  1895,  INCLUSIVE  O   PERÍODO     CONSTITUINTE 


1891  —  Abril  7  —  Installação  do  Congresso  Constituinte,  tendo 
começado  a  30  de  março  as  respectivas  sessões  pre- 
paratórias. 

»  —  Junho  15  —  Encerramento  do  Congresso  Constituinte, 
logo  após  a  promulgação  da  Constituição    do  Estado. 

»  —  Junho  16  —  Installação  da  primeira  sessão  ordinária. 
Foi  adiada  a  sessão  em  21  de  novembro  para  conti- 
nuar a  21   de  março  de  1892. 


ARCHrVO    PUBUCO    MINEIRO  95 


1892— Marvo  12— Instai  loção  da  sessão  extraordinária,  convo- 
cada pelo  presidente  do  Estado  a  20  de  janeiro  em 
consequência  do  aviso  do  ministério  da  agricultura 
de  12  desse  mez,  para  resolver  sobre  a  constitucio- 
nalidade do  imposto  estadual  de  consumo,  tendo  em 
vista  as  disposições  constitucionaes  da  União  e  do 
Estado.  No  decurso  da  sessão  extraordinária,  o  Con- 
gresso tomou  conhecimento  e  deliberou  egualmente 
acerca  da  renuncia  que  fez  o  Sr.  dr.  José  Cesário 
de  Faria  Alvim,  do  cargo  de  presidente  do  Estado,  e 
lhe  foi  communicada  em  mensagem  de  17  de  feve- 
reiro, renuncia  que  foi  acceita  pelo  Congresso. 

»     —  Março  23  Encerramento  da  sessão  extraordinária. 
»     —  Março  24  —  Continua  a  1.''  sessão   ordinária  da  1."*  le- 
gislatura, adiada  a  21  de  novembro  de  1891. 

»  Abril  20  —  Encerrainpnto  da  1.''  sessão  ordinária  da  l."* 
legislatura. 

»     —  Abril  21  —  Installaecio  da  2.'*  sessão  da  1."  legislatura. 

»     —  Julho  21  —  Encerramento  da   2.''  sessão  da    l.""  legis- 
laura. 
1893—  Abril  27  —  Instaltaqão  da  S."*  sessão  da   l."*  legislatura. 

»  —  Julho  27  —  Encerramento  da  3."*  sessão  da  l."*  legis- 
latura 

»  —  Novembro  22  —  Installação  (em  Barbacena)  da  sessão 
extraordinária,  convocada  para  resolver  sobre  a  ques- 
tão da  mudança  da  Capital  do  Estado. 

»     —  Dezembro  17 — Eneerramento  da  sessão   extraordinária. 
1894 — Abril  24— Installação  da  4.''  sessão  da  1.^  legislatura. 

»     —  Julho  24 — Eneerramento  (idem,  idem). 
1895—  Abril   2Ò— Installação  da    1.^  sessão  da    2.^  legislatura. 

»     —  Julho  2'ò— Encerramento  (idem,  idem). 


\ 


PRIMEIRAS  ADMINISTRAÇÕES  ELECTIVAS 

EM 

MINAS-GERAES 


Eleição  da  1.^!  Junta  do  Governo  Provisório  de  Minas-Geraes  a  20  de 

setembro  de  1821 

(FUNCCIONOU    DE    21    DE    SETEMBRO  DE  1821    A    23   DE    MAIO    DE 

1822) 


Aos  vinte  dias  do  niez  de  setembro  do  anno  de  mil  oitocen- 
tos e  vinte  e  um,  nesta  Villa  Rira  de  Nossa  Senhora  do  Pilar 
de  Ouro  Preto,  em  casas  da  Camará  e  Paços  do  conselho  delia, 
aonde  foram  vindos  o  doutor  juiz  de  fora  presidente,  vereado- 
res e  procurador  da  Camará,  com  todos  os  mais  cidadãos  da 
provinda,  eleitores  de  todas  as  comarcas  da  mesma,  para  o  fim 
de  se  proceder  á  installação  do  Governo  Provisório  desta  pro- 
víncia, na  forma  do  Aviso  de  quatorze  (14)  de  agosto  do  cor- 
rente anno,  para  o  que,  hav^endo  deliberado  esta  Camará  o  in- 
telligenciar-se  com  todas  as  outras  da  província  para  o  mesmo 
fim,  designando  o  dia  primeiro  de  outubro,  ou  antes,  sendo  pos- 
sivel,  acontece  que  a  tropa  desta  capital,  de  commum  accòrdo 
entre  si,  e  postada  na  Praça  desta  villa  requereram  (sic)  a  bre- 
vidade da  installação  do  dito  governo  na  forma  que  estava  de- 
terminado pelo  Aviso  acima  dito;  ao  que  annuindo  prompta- 
mente  a  Camará  desta  capital  da  província,  todos  os  bons  delia, 
eleitores  das  respectivas  comarcas  que  então  se  achavam  pre- 
sentes, e  sendo  ahi: 
R.  A.    7 


98  REVISTA    DO 


— Accordartun  eiiiquanto  á  taxação  do  numero  dos  membros 
que  deviam  compor  a  Junta  Provisória,  que  este  fosse  de  dez 
membros  incluido  o  vice-presidente  e  o  secretario.  E  proce- 
dendo-se  a  escrutinio,  foi  eleito  com  a  pluralidade  de  cincoenta 
e  quatro  votos  (54)  para  presidente  o  Illm."  Exm."  D.  Manoel 
de  Portugal  e  Castro,  achando-se  no  mesmo  escrutínio  o  Illm." 
e  Revm."  Bispo  de  Mariana  com  quarenia  e  dois  votos  (42)  e 
o  desembargador  José  Teixeira  da  Fonseca  Vasccncellos  com 
quatro  votos,  o  qual  em  outro  escrutinio  a  que  se  procedeu  para 
vice-presidente  foi  eleito  com  a  pluralidade  de  setenta  e  oito 
votos  (78),  aparecendo  com  doze  votos  (12)  o  marechal  Antó- 
nio José  Dias  Coelho,  o  Exm."  e  Revm."  Sr,  Bispo  com  cinco 
votos  (5),  o  doutor  vigario-geral  Marcos  António  Monteiro  com 
três  votos  (3),  o  coronel  João  José  Mendes  Ribeiro  com 
três  votos  (3),  o  doutor  juiz  de  fora  Cassiano  Spiridião  de  Mello 
e  Mattos  com  um  voto  (1)  e  com  outro  voto  (1)  o  vigário  José 
Bento  Leite  Ferreira  de  Mello.  Procedendo-se  a  novo  escru- 
tinio para  deputado  secretario,  sahiu  eleito  o  coronel  João 
José  Lopes  Mendes  Ribeiro  com  a  pluralidade  de  setenta  e  oito 
votos  (78),  apparecendo  neste  mesmo  escrutinio  com  dez  votos 
(10),  o  sargento-mór  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto,  com  sete  (7)  o 
capitão  João  Joaquim  da  Silva  Guimarães,  com  dois  (2)  o  capi- 
tão-mór  José  Bento  Soares,  com  dois  (2)  o  doutor  Theotonio  Al- 
vares de  Oliveira  Maciel,  com  dois  (2)  o  capitão-mór  António 
Januário  Carneiro,  com  um  voto  (1).  Caetano  Luiz  de  Mi- 
randa, com  outro  o  reverendo  arcypreste  João  Baptista  de 
Figueiredo,  com  outro  o  sargento-mór  José  Feliciano  Pinto 
Coelho,  e,  finalmente,  com  outro  o  coronel  Pedro  Gomes  No- 
gueira. E  ultimamente  para  maior  brevidade  do  acto  que  não 
admittia  interrupção  se  procedeu  á  eleição  dos  últimos  oito  (8) 
membros  que  restavam  por  listas,  as  quaes  recolhidas  acharam- 
se  ser  o  numero  delias  de  noventa  e  três  (93);  e  passando-se  á 
sua  apuração,  foram  eleitos  para  membros,  por  pluralidade,  o 
desembargador  Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Souza  com  cincoenta 
e  oito  votos  (58),  o  tenente-coronel  Francisco  Lopes  de  Abreu, 
com  quarenta  e  nove  votos  (49),  o  reverendo  vigário  da  Piranga 
Joaquim  José  Lopes  Mendes  Ribeiro,  com  quarenta  votos  (40); 
o  reverendo  vigário  José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello,  com 
trinta  e  nove  votos  (39);  o  coronel  José  Ferreira  Pacheco,  com 
trinta  e  oito  votos  (38);  o  capitão-mór  José  Bento  Soares,  com 
trinta  e  cincu  (35);  e  apparecendo  empatados  com  trinta  e  dois 
votos  (32)  o  doutor  Theotonio  Alves  de  Oliveira  Maciel,  o  co- 
ronel António  Thomaz  de  Figueiredo  Nunes,  e  o  capitão-mór 
José  Custodio  Dias,  os  quaes  entrando  em  novo  escrutinio,  por 
desempate,  sahiu  o  doutor  Theotonio  Alves  de  Oliveira  Maciel 
com  setenta  e  um  votos  (71)  e  o  coronel  António  Thomaz  de  Fi- 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  99 

gueiredo  Neves  com  cincoenta  e  dois  votos  (52).  E  sendo  con- 
vidada toda  a  tropa  que  se  achava  postada  para  igualmente,  co- 
mo beneméritos  cidadãos,  darem  o  seu  voto  sobre  a  eleiçélo,  esta 
generosamente  se  comprometteu  n'aquillo  que  fizesse  a  Camará 
e  todos  os  cidadãos  que  se  aciíavam  juntos.  E  logo  no  mes- 
mo acto  foi  unanimemente  eleito,  com  plena  satisfação,  para  o 
commando  da  tropa,  na  forma  do  Aviso  de  14  de  agosto  de 
1821,  o  senhor  tenente-coronel  José  Maria  Pinto  Peixoto. 

Accordaram  mais  que  o  governo  acabado  de  se  installar 
pudesse  não  só  deliberar  o  que  fosse  conveniente  para  a  pros^ 
peridade  da  província,  como  pôr  em  execução  essa  deliberação, 
participando  á  Sua  Alteza  Real,  ficando  este  mesmo  governo  di- 
rectamente responsável  ás  Cortes  Geraes  extraordinárias  e  Con- 
stituintes da  Nação  Portugueza. 

E  por  não  haver  mais  em  que  accordar  mandaram  lavrar 
este  termo  de  encerramento  em  que  todos  se  assignam,  e  igual- 
mente os  deputados  de  Cortes  que  se  achavam  presentes  com 
todos  os  mais  cidadãos  de  toda  província.  E  por  esta  forma  de- 
ram por  finda  a  presente  veream^a.  E  eu  Cândido  de  Oliveira 
Jacques,  escrivão  da  Camará,  que  o  escrevi. — (Estavam  as  rubri- 
cas dos  vereadores  da  Camará:  -Mattos — Ferreira— Murta— Oli- 
veira— Magalhães — seguindo-se  as  assignaturas  dos  eleitores  a 
saber:—Â7itonio  Teixeira  da  Gosta— Manoel  José  Velloso  So- 
ares—Belchior  Pinheiro  de  Oliveira  :  José  Custodio  Dias — 
Manoel  Rodrigues  Jardim — Francisco  Guilheime  de  Car- 
valho —  Fellippe  Joaquim  da  Cunha  e  Castro  —  José  de 
Araújo  da  Cunha  Alvarenga  —  Joaquim  Pereira  de  Quei- 
roz —Semeão  Vaz  Mourão  —  João  de  Deus  Magalhães  Go- 
mes—  Caetano  Luiz  de  Miranda — Manoel  Vieira  Couto — 
João  Ferreira  Leite — António  de  Avites  Botanã — Manoel 
Teixeira  da  Silva — Francisco  Isidoro  Bajytista  da  Silva — 
José  da  Costa  Moreira — António  Ribeiro  de  Rezende — José 
de  Souza  Barrada— José  Fernandes  Penna  —  Manoel  da 
Costa  Maia  —  António  da  Cruz  Machado— José  Pereira 
Alvim  — Carlos  Pereira  de  Sá— Custodio  José  Dias — An- 
tónio Luiz  de  Noronha  e  Silva— José  de  Abreu  e  Silva  — 
Pedro  Gomes  Nogueira — Manoel  Ribeiro  Vianna  —  Fran- 
cisco de  Mello  Franco — António  Ribeiro  Fernandes  F or- 
bes— Francisco  Peixoto  de  Sá — Aiftcnio  Nunes  Galvão — 
Francisco  da  Costa  Mello  — Faustino  José  de  Azevedo — 
Jorge  Benedicto  Ottoni — Rodrigo  Pereira  Soares — Joaquim 
José  de  Oliveira  Malta — Nicolâo  Soares  do  Couto — Pedro 
Muzzi  de  Barros  — Chrisf ovam  Marques  de  Mesquita — Ana- 
cleto António  do  Carmo— Luiz  de  Vasconcellos  Parada  e 
Souza — Caetano  José  Cardr.so  —  Carlos  Martins  Penna — 
Fernando  Luiz  Machado  de  Magalhães — António  José  Dias 


lÒO  REVISTA    DO 


Cvelho—Ilernardo  Af/fonio  Monteiro— Franchco  de  Paula 
Alve-—  Joaquim  Ferreira  da  Fonseca  —  Ant(>nio  Januário 
Carneiro— Jcão  Jonqnhn  da  Silva  Ginn/arãen- António  No- 
gueira da  Crt(Z—Fra7icisco  Xavier  Tasmra  de  Pádua— Cae- 
iano  José  Machado  de  M(f(/alhães—Josê  Bernardo  da  Ga- 
ma Ferreira  La horão  — João  dof!  Santas  Abreu— Joaquim^ 
José  da  Costa  Neves— Caeiaiio  José  Cardoso— Ezequiel  José 
de  Araújo— José  Feliciano  Pereira  da  Silva— António  Al- 
ves da  Silva  —Padre  Francisco  Ferreira  da  Fonseca —  Vi- 
gário Francisco  Xavier  de  Meirelles — Vigário  António  José 
da  SUva— Francisco  de  Paula  Barbosa— Joaquiw  Gonçal- 
ves Pimentel  —  Narciso  José  Bandeira— Francisco  Xavier 
de  Moura  Leitão  —  Joaquim  José  de  Oliveira  —Joaquim 
José  dos  Santos-  Padre  Xisto  Alves  Gondini  —  Marianno 
José  Ferreira — Joaquim  José  da  Silva  Brandão» . 

ADDITAMEN70 


Aos  vinte  e  quatro  dias  do  mez  de  setembro  de  mil,  oito 
centos  e  vinte  e  um,  nesta  Vilia  Rica  de  Nossa  Senhora  do  Pi- 
lar de  Ouro  Preto,  em  casas  da  Camará  e  Paços  do  conselho 
delia,  aonde  foram  vindos  o  doutor  juiz  de  íóra  presidente,  ve- 
readores e  procurador  da  Camará,  commigo  escrivão  adeante  no- 
meado e  sendo  ahi — accordaram  em  que,  visto  virem  concor- 
rendo os  eleitores  das  respectivas  camarás  da  província  que 
se  não  achavam  presentes  á  installação  do  Governo  Provisio- 
nal delia,  a  qual  foi  necessário  abreviar  em  virtude  dos  acon- 
tecimentos imprevistos,  os  quaes  eleitores  afim  de  desempenha- 
rem com.  effeito  as  commissões  de  que  estavam  encarregados 
convinha  concordarem  por  parte  de  suas  camarás  no  que  se  havia 
praticado;  fossem  convocados  aos  Paços  do  Conselho  em  acto 
de  vereação  para  lhes  ser  lido  o  accordam  da  organização  do 
dito  governo,  o  que  sendo  praticado  com  os  eleitores  das  ca- 
marás das  villas  de  Sabará,  S.  João  d'El-Rey  e  S.  José,  constan- 
tes dos  oíficios  das  mesmas  que  se  hão  de  registrar,  convieram 
no  que  se  acha  feito  e  constava  do  mesmo  accordam.  E  de 
como  assim  o  disseram,  assignaram,  commigo,  escrivão  da  Ca- 
mará, que  o  escrevi  e  assigno. — Cândido  de  Oliveiía  Jacques 
— Joaquiw  Maranno  da  Costa  do  Amaral  Grugel — Antó- 
nio Paulino  lAmpo  de  Abreu — Caetano  José  de  Almeida. — 
Aíitonio  Constantino  de  Oliveira—  Sever  no  Eulogio  Ri- 
beiro de  Rezende— João  Nepvmuceno  Ferreira  e  Castro — 
António  José  Moreira—  Manoel  de  Freitas  Paclieco— José 
Teixeira   da  Fonseca   Vaseonoellos . 


ARClilVO    PUBLICO    MINEIRO  101 


Accordaram  mais  que  se  registassem  os  officios  do  Gover- 
no das  datas  de  vinte  e  dois  e  vinte  e  três  do  corrente  mez, 
assim  como  os  mais  officios  de  todas  as  camarás  que  participa- 
vam o  haverem  procedido  á  nomeação  dos  que  haviam  de  con- 
correr para  a  eleição  do  dito  governo,  e  igualmente  que  se  re- 
gistasse a  proclamação  do  Governo  da  data  de  vinte  e  três  do 
corrente,  para  a  todo  o  tempo  constar  que,  posto  que  se  tivesse 
determinado  a  installação  do  mesmo  para  o  dia  primeiro  de 
outubro  próximo  futuro,  contudo  a  urgência  de  circuinstancias 
a  fizeram  {sic)  abreviar,  dando-se  por  esta  Camará  todos  os 
passos  de  prudência  e  socego  auxiliada  pela  tropa,  fazendo  a 
mesma  camará  para  este  fim  convocar  os  eleitores  de  todas  as 
comarcas  que  então  se  achavam,  e  todos  os  cidadãos,  e  bons 
da  Villa  e  seu  termo,  os  quaes  promptameiíle  concorrendo  se- 
guros do  justo  fim  para  que  eram  convocados  se  ultimou  tão 
desejada  obra;  e  mandaram  registar  a  proclamação  do  Regimen- 
to.— E  por  não  haver  mais  que  accordar,  mandaram  lavrar  este 
termo  de  encerramento  e.n  que  se  assignam,  e  eu,  Cândido  de 
Oliveira  Jacques,  escrivão  da  Camará,  que  o  escrevi. — Mattos — 
Ferreira — Mxrta — Oliveir,i'>.  (Extractado  pelo  director  do  Ar- 
quivo do— LIVRO  DE  ACCORDAMS  da  Camará  de  Ouro  Preto, 
dos  annos  de  1809  a  182ô,  folhas  307  a  .310  v.). 


2.^  Junta    (Funccionou  de  23  de    maio  de  1822    a"2§  de  fevereiro   de 

1824) 

TERMO  DA    ELEIÇÃO  DOS  SETE    MEMBROS   DE  QUE  DEVE  COMPOR- 
SE  O  NOVO  GOVERNO  PROVISÓRIO  NESTA  PROVÍNCIA  DE  MINAS- 
GERAES.  MANDADA  FAZER  POR  S    ALTEZA    REAL  O   PRÍNCIPE 
REGENTE  DO  BRASIL.  POR  PORTARIA  DE  13  DE  ABRIL  DO  COR- 
RENTE ANNO    DE  1822. -(*) 

Aos  vinte  dias  do  mez  de  maio  do  anno  do  Nascimento  de 
Nosso  Senhor  Jesus  Christo  de  mil  oitocentos  e  vinte  dois,  nes- 
ta Villa  Rica  de  Nossa  Senhora  do  Pilar  de  Ouro  Preto,  capi- 
tal da  provincia  de  Minas  Geraes,  em  a  capella  de  Nossa  Se- 
nhora do  Carmo,  escolhida  co.no  edifício  mais  próprio  para  o  solem- 


(*) — O  presente  termo  é  copia  fiel  rle  um  dos  orisfinnes,  expedidos  como 
diplomas  aos  membros  da  Junta,  manuscripto  pertencente  ao  director  do 
Arquivo  Publico  Mineiro  que  o  offerece,  com  outros  documentos  históricos,  á 
esta  Repartição. 

{No'.a  da  rcdacc^ão  da  'Revista*) 


102  REVISTA    DO 


ne  acto  da  eleição  dos  sete  membros,  de  que  deve  compor-se 
o  novo  governo  provisório  da  dita  província  a  que  vai  proce- 
der-se  em  cumprimento  da  portaria  de  sua  Altesa  Real  o  Prin- 
cipe  Regente  do  Brasil,  de  treze  do  mez  próximo  passado,  ex- 
pedida pela  Secretario  de  Estado  Interina,  e  mandada  pôr  em 
execução  por  portaria  ou  officio  do  actual  governo  provisório, 
datada  de  quatorze  do  mesmo  mez  próximo  passado,  dirigida  ao 
desembargador  Ouvidor  Interino  da  comarca  de  Agostinho  Mar- 
ques Perdigão  Malheiros;  ahi  presidindo  (em  virtude  do  officio 
do  mesmo  desembargador  Ouvidor  de  dezenove  do  corrente  mez, 
por  observância  ao  officio  do  deputado  e  secretario  do  mesmo 
Governo  Provisório,  de  dezoito  do  dito  mez),  a  Camará  da  refe- 
rida Villa  á  Assembléa  Eleitoral  dos  Eleitores  Parochiaes  da 
Província  que  compareceram,  cémtada  a  Missa  Solemne  do  Espi- 
rito Santo  na  mesma  Capella,  e  tendo  comparecido  depois  deste 
acto  o  sobredito  desembargador  Ouvidor  Interino  da  Comarca, 
convidado  nesta  occasião  por  carta  da  referida  Camará  para 
assistir  a  dita  eleição,  procedeu-se  imm.ediatam.ente  á  nomeação 
de  um  Secretario  e  dois  escrutinadores  e  por  escrutínio  foram 
nomeados  á  pluralidade  de  votos  relativa  para  escrutinado- 
res. 

Escrutinadores  votos 

O  Exm.    Marechal  António  José  Dias  Coelho 43 

O  Revm.    Chantre  da  Sé  de  Mariana   doutor 

Francisco  Pereira  de  Santa    Appollonia 42 

Secretario 
O  Sargento-mór  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto 142 

E  para  constar  se  mandou  lavrar  este  termo,  em  que  assi- 
gna  a  Camará,  Presidente  com  o  desembargador  Ouvidor  In- 
terino assistente  e  com  os  Escrutinadores  e  Secretario  eleitos, 
ficando  a  continuação  desta  eleição  para  o  dia  de  amanhã, 
pelas  nove  horas  da  manhã,  por  serem  já  nove  horas  da 
noite . 

E  eu,  Manoel  da  Ascenção  Cruz,  escrivão  das  excuções 
que  interinamente  sirvo  de  escrivão  da  Camará,  o  escrevi.— 
Perdigão  Malheiros  —  Monteiro  —  Fernandes  —  Magalhães  —  Bar- 
bosa—António José  Dias  Coelho— Francisco  Pereira  de  Santa 
Appollonia — Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

Continuação 

Aos  vinte  e  um  dias  do  mez  de  maio  de  mil  oito  centos  e 
vinte  dous,  nesta  Villa  Rica,  em  a  mesma  Capella  de  Nossa  Se- 
nhora de  Carmo,  reunida  a  Assembléa  Eleitoral  dos  Eleitores 
Parochiaes   da  Província   e   presente    a   Camará    da   dita  Villa, 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  \Q^ 


assistindo  o  desembargador  Ouvidor  Interino  da  Comarca,  Agos- 
tinho   Marques    Perdigão    Malheiros,    se  continuaram  as  opera- 
ções da  presente  eleição,    observando-se    as    solemnidades   das 
Instrucç(3es  mandadas   observar   pelo  decreto  de  Sua  Magestade 
Fidelíssima,  de  7  de  março  do   anno  passado  e  verificados  pelos 
Escrutinadores     e    Secretario    os    íitulos  dos    ditos  eleitores,    se 
acharam  pela  Camarca  e  Freguezia  de  Ouro  Preto: — O  Excellen- 
tissimo  Marechal  António  José  Dias   Coelho —  Tenente    Coronel 
Nicolau    Soares  do    Couto — Sargento    Mór   Luiz  Maria    da  Silva 
Pinto;  pela    Freguezia    de    António  Dias  —  Commendador    P'er- 
nando   Luiz  Machado  —  Capitão    Pedro  Dias  de  Carvalho  —  Vi- 
gário António  da    Rocha  Franco  —  Capitão  Felippe  Joaquim    da 
Cunha;  pela  de  São  Bartholomeu  —  Vigário  Francisco  Alves  de 
Brito;    pela    da    Cachoeira  —  Capitão    Domingos    José  Ferreira; 
pela    da    Itabira  —  Reverendo    Vigário    Francisco    Xavier  Mei- 
relles  —  Francisco   Alves  da  Cunha;  pela     do  Ouro  Branco— Ca- 
pitão José  Bento  da    Silva;   pela   de  Congonhas  —  Coronel  Ro- 
mualdo  José  Monteiro   de  Barros  —  Tenente    João    Ribeiro    da 
Silva  —  Capitão  Nicolau    Coelho    Seabra;    pela  de   Marianna  — 
Arcediago    doutor    Marco?    António    Monteiro  —  Chantre    Fran- 
cisco   Pereira    de  Santa    Apolónia  —  Arcy preste    João   Baptista 
Figueiredo;  pela   de  António   Pereira  —  Reverendo  Francisco  de 
Souza  Monteiro;  pela  de  Camargos—  Capitão  João  Custodio;  pela 
do  Inficcionado — José  Fernandes    Oliveira — Reverendo  Lourenço 
António— Tenente  Gregório  Pinto  de  Abreu;  pela  de  Cattas  Altas 
— Reverendo  Francisco  Xavier,  Augusto —  Sargento    mór   Domin- 
gos Pinto  Ferreira;  pela  de  São  Sebastião  e  São  Caetano —Capitão 
José  Justino   Gomes  —  Reverendo   -loão    Henrique    da  Silva  — 
Reverendo  José  Soares  de  Brito;  pelo   de  Forquim  —  Reverendo 
Joaquim  José  de  Moura — Reverendo  João  de  Sampaio    Guima- 
rães; pela    da    Barra   Longa  —  Tenente    Manuel  José  Martins  — 
Tenente  Domingos  António  Mesquita;  pela  do  Sumidouro  —  Re- 
verendo   Luiz    da   Cunha    Ozzorio,  —  Sargento   Mór    Francisco 
Justiniano    Alves;  pela  da  Piranga  —  Reverendo    doutor    Vigário 
Joaquim  José  Lopes  Mendes  Ribeiro  —  Capitão  José  Justiniano 
Carneiro  —  Capitão    Mór  José  Coelho  de  Oliveira  Duarte  —  Re- 
verendo   João  Nepomuceno   Carneiro  — Cirurgião  Mór  António 
Pedro  de  Azevedo;  pela  de  São  João  Baptista  —  Reverendo  Mar- 
cellino  Rodrigues  Ferreira  —  Capitão   João    dos  Santos;  pela  da 
Pomba  —  Capitão    Silvestre  António  Vieira  —  Vigário  João  Bo- 
nifácio  Duarte     Pinto  —  Copitão    António    Martins     Pacheco— 
Reverendo    Francisco    da    Silva    Guerra  —  Reverendo    Manuel 
António     Brandão  —    Reverendo     António  Duarte    Pinto;     pela 
Comarca  do  Rio   das    Velhas  e  Freguezia   de   Sabará —  Coronel 
Pedro  Gomes    Nogueira  —  Tenente-coronel  António  Martins    da 
Costa;   pela  de  Raposos  —  Capitão  Mór  José  de  Araújo  da  Cunha 


104  REVISTA    DO 


• 


Alvarenga;  pelo  do  Rio  das  Pedras  —  Capitão  José  Pereira  de 
Almeida  Pessanha;  pelo  do  Curral  D'E1-Rey  —  Capitão  Ma- 
noel Nogueira  Duarte  —  Reverendo  Manoel  Roberto  da  Silva — 
Reverendo  João  Francisco  da  Silva;  pela  de  Santa  Luzia— Com- 
mendador  Manoel  Ribeiro  Vianna  —  Reverendo  Manoel  Pi- 
res de  Miranda  —  Reverendo  José  Soares  Diniz  —  Reverendo 
João  Marques  Guimarães;  pela  do  Curvello  —  Capitão  Joa- 
quim   José    da    Silva  —  Capitão    Custodio    José    da    Silva  — 

—  Capitão  Quintiliano  José  de  Oliveira,  —  Capitão  Domingos 
Fernandes  Moreira  —  Manoel  José  Pinheiro;  pela  do  Caethé  — 
Capitão  João  Duarte  de  Lacerda  —  Coronel  Jacintho  Pinto  Tei- 
xeira —  Reverendo  Manoel  Carvalho  Moreira;  pela  de  Santa 
Barbara  —  Alferes  Francisco  Procopio  da  Silva  —  Capitão  João 
Vieira  de  Godoy  —  Padre  Sebastião  José  de  Carvalho  Penna  — 
Capitão  Paulo  José  de  Souza  —  Capitão  João  José  Ferreira  de 
Abreu;  pela  de  São  Miguel  —  Capitão  Anastácio  António  de  Aze- 
vedo —  Sargento  Mór  João  Gonçalves  Barroso;  pelo  de  Morro 
Grande  —  Capitão  Manoel  José  Pires  da  Silva  Pontes  —  Guar- 
da Mór  Geral  João  Baptista  Ferreira;  pela  de  Pitanguy  —  Te- 
nente José  Máximo  Pereira  —  Alferes  António  José  de  Souza 
Silva  —  Capitão  Domingos  de  Freitas  Mourão  —  Capitão  Mar- 
tinho Alves  da  Silva  —  Capitão  Miguel  Gomes  Duarte  —  Capitão 
João  Cordeiro  Valladares  —  Sargento  Mór  Luiz  Arvaro  de  Mo- 
raes Navarro  —  Capitão  João  Rodrigues  Carvalho  —  Reveren- 
do Miguel  Dias  Maciel  —  Capitão  António  Theodoro  de  Mendon- 
ça; pela  das  Dores  do  Indaiá  —  Vigário  Henrique  Brandão  de 
Macedo  —Capitão  António  Alves  de  Souza -- Alferes  Domingos 
Pereira  de  Araújo;  pela  Comarca  do  Rio  das  Mortes  e  Fre- 
guesia do  Pilar  de  São  João  — José  António  de  Castro  Morei- 
ra —  Vigário  da  Vara  António  Ribeiro  de  Rezende  —  Reve- 
rendo Miguel  de  Noronha  Pires  —  João  Pereira  Pimentel  — 
João  Baptista  Lustosa  —  Sargento  Mór  António  Constantino  de 
Oliveira  —  José  Dias  de  Oliveira  —  Alexandre  Pereira  Pimen- 
tel —  Manoel  José  da  Costa  —  José  Pedro  — João  António  Car- 
doso — Agostinho  António  Tassara  de  Pádua  —  António  Bal- 
bino  Negreiros  —  Jeronymo  José  Rodrigues  —  Reverendo  Cus- 
todio de  Castro  Moreira;  pela  de  Lavras  —  Capitão  Mór  José 
Fernandes  Penna  —  Vigário  Manoel  da  Piedade  Valongo  —  Ca- 
pitão Thomaz  de  Aquino  Alves;  pela  de  Carrancas  —  Vigário 
Joaquim  Manoel  de  Paiva;  pela  de  Dores  do  Pântano  —  Vigário 
José  Francisco  Mourato  —  José  Bernardes  Ferreira  —  Capitão 
José  Alves  de  Figueiredo;  pela  de  São  José  —  Capitão  Mór 
Manoel  da  Costa  Maia  —  Sargento  Mór  João  Nepomuceno  Fer- 
reira —  Sargento  Mór  Gervásio  Ferreira  de  Alvim  —  Padre 
Joaquim  Corrêa  dos  Santos  —  Padre  António  Caetano  de  Souza 

—  Ajudante    José    Ferreira  Rodrigues  —  Capitão    João    António 


ARGHIVO    PUBLICO    MINEIRO  105 


de  Campos — Capitão  Gonçalo  Joaquim  de  Barros — Quartel  mes- 
tre João  Gonçalves  Godoy  Lara — Capitão  António  José  Moreira 
— Tenente-coronel  Severino  Eulof^io  Ribeiro;  pela  de  Prados 
— Capitão  Manoel  António  da  Silva — Capitão  António  Homem 
d'El-Rey;  pela  de  Queluz — Vigário  Felisberto  Rodrigues  Mila- 
gres —  Alferes  Bartholomeu  Fernandes  Roxa  —  Capitão  An- 
tónio Dornellas  da  Costa;  pela  d_  Itaverava — Sargento  Mór 
António  Pedro  de  Azeredo — Capitão  Manoel  Pereira  Guimarães 
— João  de  Araújo  Padilha — Reverendo  José  Pinto  Barbosa;  peia 
de  Barbacena — Capitão  Mór  José  Pereira  Alvim — António  Pita 
de  Castro — Capitão  Francisco  Leite  Ribeiro— Capitão  Silvestre 
Pacheco  de  Castro;  pela  do  Engenho  do  Matto — Francisco  José 
Soares  de  Arauio  Silva;  pela  de  Ibitipoca — Capitão  Francisco  de 
Paula— Alferes  Thomaz  de  Aquino  Alvares — Manoel  Pires  de  Oli- 
veira; pela  de  Tamanduá — Reverendo  Francisco  Ferreira  de  Le- 
mos- Vigário  João  Antunes  Ferreira  Costa — Reverendo  Francisco 
de  Paula  Arantes — Alferes  Thomaz  Joaquim  Barbosa — Capitão 
Bernardo  Alves  Moreira — Capitão  António  Affonso  Lamounier; 
pela  de  Campo  Bello  Vigário  Francisco  Barbosa  da  Cunha — 
Reverendo  António  Ferreira  de  Moraes  -  Reverendo  Manoel  Fur- 
tado de  Sousa — Capitão  Manoel  Furtado  de  Sousa — Tenente-co- 
ronel Manoel  Martins  Coelho— Capitão  João  Martins  Cardoso — 
Manoel  José  de  Castro — João  Rodrigues  Peixoto;  pela  deBambu- 
hy — Capitão  Manoel  Carvalho  Brandão — Padre  Manoel  Francisco 
dos  Santos — Capitão  Francisco  António  de  Moraes;  pela  de  Pi- 
umhy — Vigário  José  Severino  Ribeiro— Capitão  António  Luiz  Tei- 
xeira— Francisco  Gonçalves  de  Mello;  pela  da  Campanha — Vigário 
José  de  Sousa  Lima— Reverendo  Bento  José  de  Labre — Sargento 
Mór  Vicente  de  Paiva  Bueno—  Capitão  António  Goulart  Brun — 
Capitão  António  Justiniano  Monteiro — Capitão  Gaspar  José  de 
Paiva — Vigário  João  de  Abreu  Ameno — Doutor  Faustino  José  de 
Azevedo;  pela  de  Sapucahy — Alferes    Silvestre    da    Costa   Lima 

—  Ignacio  Francisco  Franco;  pela  de  Pouso  Alegre  Reveren- 
do António  de  Oliveira  Carvalho  —  Capitão  João  Joaquim 
Fleming  —  Capitão  José  Coutinho  de  Aguiar  —  Tenente  Igna- 
cio Gonçalves  Lopes;  pela  de  Ouro  Fino — Reverendo  João  Dias 
de  Quadro  —  Capitão  Ignacio  Corroa  Rangel  —  CapiTio  Felis- 
berto Cândido  Rodrigues;  pela  de  Camanducaia  -  -  Reverendo 
José  Maria  de  Moura  Leite  —  Capitão  Francisco  Soares  de  Fi- 
gueiredo;   pela  de  Caldas — Reverendo    António    Carvalho   Pinto 

—  Capitão  João  de  Freitas  Pacheco;  pela  de  Douradinho  — 
Vigário  Luiz  Gomes  de  Oliveira;  pela  de  Itajubã  —  Reveren- 
do José  Giraldo  de  Sousa  Silva— Capitão  Manoel  Teixeira  de 
Mello;  pela  de    Baependy  ~  Capitão  Mór  Manoel  Pereira   Pinto 

—  Vigário    Domingos    Rodrigues    Affonso  —  Reverendo   Anto- 


106  REVISTA    DO 


nio  Rodrigues  Affonço  —  Reverendo  António  Gomes  Nogueira 
— Reverendo  Manoel  Pereira  de  Sousa  —  Sargento  Mór  José 
de  Meirelles  Freire  —  Capitão  João  Pedro  Diniz  Junqueira; 
pela  de  Ayuruoca  —  Vigário  José  de  Abreu  Silva  —  Reverendo 
Custodio  Villela  Palmeira  —  Reverendo  Francisco  Monteiro  da 
Fonseca  —  Tenente-coronel  António  Luiz  de  Noronha  —  Ca- 
pitão José  Theodoro  de  Araújo —  Custodio  José  Vieira  —  Te- 
nente Jeronymo  de  Arantes  Marques  —  Alferes  António  Fran- 
cisco Sardinha — António  Francisco  de  Azevedo;  pela  do  Pouso 
Altc  —  Capitão  Miguel  Pereira  da  Silva  —  Capitão  Francisco 
Theodoro  da  Silva  —  Capitão  João  Fernandes  da  Silva  —  Sar- 
gento Mór  José  Alves  Ferreira  de  Mello — Tenente  Francisco  José 
Ribeiro — Vigário  José  Maria  Fajardo  Assis—  Reverendo  José 
Ignacio  Nogueira   de  Gouvèa — Reverendo    Custodio  Ribeiro    de 

Carvalho;  pela  dô  Jacuhy — Reverendo  Vigário  Francisco  Mo- 
reira de  Carvalho ;  pela  de  Cabo  Verde  —  Capitão  Mór 
Custodio  José  Dias— Vigário  Ignacio  Ribeiro  do  Prado;  pela  da 
Ventania— Alferes  António  José  da  Silveira;  pela  comarca  do 
Serro  Frio  e  Freguezia  da  Villa  do  Príncipe  —  Tenente-coro- 
nel Bernardino  José  de  Queiroga — António  de  Avila  Bittencourt 
— Joaquim  Pereira  de  Queiroz — Capitão  João  Innocencio  de 
Azeredo  —  José  de  Avila  Bittencourt  -■  Francisco  de  Paula 
Coelho — Jorge  Benedicto  Ottoni  —  Reverendo  Doutor  Marcos 
Francisco  da  Silva;  pela  de  Tejuco — Vicente  Ferreira  Fróes — 
Capitão  Caetano  Luiz  de  Miranda  —  João  Pires  Cardoso  — 
Francisco  dos  Santos  Freire  —  Reverendo  Joaquim  Gomes 
Carvalho  ;  pela  do  Rio  Preto — Capitão  Luiz  dos  Santos  Souto 
— Capitão  Bento   Dias    Chaves;    pela    da   Conceição    do    Matto 

Dentro — António  Vieira  Braga — José  Joaquim  de  Araújo  Soares; 
pela  do  Morro  do  Pilar — Vigário  Anastácio  Cardoso  Neves  — 
Tenente  Domingos  José  Soares — Alferes  Francisco  Manoel  Pe- 
reira; pela  do  Rio  Vermelho  —  Reverendo  Marcos  Vaz  Mou- 
rão— Bento  Pinto  de  Vasconcellos;  pela  do  Pessanha — Fran- 
cisco de  Paula  Silva;  pela  da  Barra  do  Rio  das  Velhas — Vigário 
da  Vara  Manoel  Duarte  Costa— João  Manoel  Carlos  de  Buitra- 
go — João  José  de  Abreu;  pela  de  Minas  Novas  —  Doutor  Plá- 
cido da  Silva  Oliveira — Guarda  Mór  António  José  da  Costa 
Tenente-coronel  José  Felisardo  da  Costa;  pela  da  Chapada  — 
Reverendo  Francisco  Furtado  de  Mendonça;  pela  da  Agua  Suja 
—  Capitão  Francisco  Manoel  Barbosa  —  capitão  José  Dias 
Bicalho  —  Manoel  Teixeira  Mendes  —  Pedro  Celestino 
Teixeira;  pela  de  São  Domingos  —  Servando  Pacheco 
Rollim  —  Manoel  Zeferino  Barbosa;  pela  Comarca  de  Para- 
catú  e  Freguezia  de  SanfAnna  dos  Alegres  —  Capitão  José 
Fernandes   Azevedo — Porta  Estandarte  Francisco  José  da  Motta; 


AUCHIVO    PUBUCO    MINEIRO  107 

pela  de  São  Domingos  do  Arach.í  —  António  da  Costa  Pereira 
(cumprindo  advertir  que  os  titulos  dos  do  Rio  das  Velhas  e 
Serro  Frio  ficaram  nas  cabeças  da  Comarca,  e  quanto  ao  re- 
conhecimento dos  Eleitores  respectivos,  se  procedeu  a  confron- 
tação entre  os  que  compareceram,  tudo  com  a  aprovação  da 
Assembléa)  e  sendo  egualmente  verificados  os  do  Secretario  e 
Escrutinadores  foram  por  mim  Secretario  lidas  em  voz  alta  a 
Portaria  de  Sua  Altesa  Real   o   Príncipe  Regente    do   Brazil   de 

13  do  mez  próximo  passado  e  a  do  actua-l  Governo  Provisório  de 

14  do  mesmo  rnez,  mencionados  no  Termo  anterior,  assim  como 
a  Carta  de  Lei,  'de  primeiro  de  outubro  do  referido  anno  pas- 
sado até  o  §  5."  inclusivamente;  depois  do  que,  pelo  Presidente 
da  Camará,  Juiz  de  Fora  pela  Ley — o  Doutor  Bernardo  António 
Monteiro,  foi  feita  a  pergunta  de  que  trata  o  artigo  49  das 
mencionadas  Instrucções,  e  não  resultando  accusação  alguma 
se  passou  a  votar  para  a  Eleição  de  Presidente  e  correndo  o 
Escrutínio,  sahiram  o  Reverendo  Vigário  Domingos  Rodrigues 
Affonço— o  Capitão  Mór  José  Fernandes  Penna, — o  Capitão  Mór 
Custodio  José  Dias  com  um  voto  —  o  Reverendo  Cónego  Ar- 
cypresíe  João  Baptista  de  Figueiredo  —  o  Reverendo  Doutor 
José  Alves  do  Couto  —  o  Doutor  José  Vieira  Couto  com  dous 
— o  Reverendo  Arcediago  Doutor  Marcos  António  Monteiro  de 
Barros  com  quatro  —  o  Excellentissimo  Marechal  Governador 
das  Armas  António  José  Dias  Coelho  com  cinco — o  Doutor  Juiz 
de  Fora,  servindo  de  Ouvidor  de  Sabará  José  António  da  Silva 
Maya,  com  oito  —  o  Conselheiro  Manoel  Ferreira  da  Camará  e 
o  Reverendo  Chantre  da  Sé  de  Marianna,  Doutor  Francisco 
Pereira  de  Santa  Appolonia  com  dezenove  —  o  Desembargador 
José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos  com  trinta  e  nove  —  o 
Excellentissimo  e  Reverendíssimo  Bispo  Diocesano  dom  Frei 
José  da  Santíssima  Trindade  com  cincoenta  e  um  —  e  o  lUus- 

trissimo  e  Excellentissimo  dom  Manoel  de  Portugal  e  Castro 
com  noventa  e  quatro.  E  como  nenhum  tivesse  a  pluralidade 
absoluta,  entraram  em  segundo  Escrutínio  os  que  a  tiveram  re- 
lativa, e  neste  teve  o  Excellentissimo  e  Reverendíssimo  Bispo 
Diocesano  oitenta  e  seis  —  e  o  Illustrissimo  e  Excellentissimo 
dom  Manoel  de  Portugal  e  Castro  cento  e  cincoenía  e  ;)ito,  fi- 
cando por  isso  eleito  para  Presidente  da  Junta  Provisória  do 
Governo  desta  Província  de  Minas  Geraes  o  Illustrissimo  e  Ex- 
cellentissimo dom  Manoel  de  Portugal  e  Castro,  a  qual  nomea- 
ção immediatamente  foi  em  alta  voz  publicada  na  Assembléa 
pelo  sobredito  Presidente  da  Camará,  do  que  para  constar  se 
mandou  fazer  este  Termo,  que  assigna  a  Camará  com  o  Desem- 
bargador Ouvidor  Interino  assistente  e  com  os  Escrutinadores  e 
Secretario,  ficando  a  continuação  da  Eleição  para  o  dia  de  ama- 


108 


REVISTA     DO 


nhã,  pelas  nove  horas  da  manhã,  por  serem  já  mais  de  sete  ho- 
ras da  tarde.  E  eu,  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto,  secretario  que  o 
escrevi. — Perdigão  Malheiros.  —  Monteiro.  —  Fernandes.  —  Maga- 
lhães.—Barbosa.  O  secretario  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto.  —  O 
Escrutinador  Francisco  Pereira  de  Santa  Appolonia. — O  Escruti- 
nador António  José  Dias  Coelho. 

Continuação 


Aos  vinte  e  dois  dias  do  mez  de  maio  de  mil  oito  centos 
e  vinte  dois,  nesta  Villa  Piica  e  na  mesma  Capella  de  Nossa  Se- 
nhora do  Carmo,  reunida  a  Assembléa  eleitoral  dos  eleitores  pa- 
rochiaes  da  província,  presidindo  a  mesma  camará  da  dita  villa 
e  assistindo  o  dezembargador  Ouvidor  Interino  da  comarca 
Agostinho  Marques  Perdigão  Malheiros,  se  continuou  nas  opera- 
ções da  presente  eleição,  e  procedendo-se  á  votação  por  escru- 
tínio para  a  nomeação  de  secretario :  sahiram  o  sargento-mór 
António  Pedro  de  Azeredo — Coronel  Pedro  Gomes  Nogueira  — 
Doutor  Theoíonio  Alves  de  Oliveira  Maciel — o  Coronel  Ramualdo 
José  Monteiro  de  Barros  —  Sargento  mór  Gomes  Freire  de  An- 
drade— Capitão  João  Baptista  Lustoza — Capitão  João  Pires  Car- 
dozo  —  doutor  Joaquim  José  da  Silva  Brandão — Vigário  José 
de  Abreu  Silva  —  Capitão  mór  Domingos  Alves  de  Oliveira 
Maciel  —  o  Reverendo  José  Joaquim  Viegas  de  Menezes  com 
um  voto;  o  Capitão  mór  Custodio  José  Dias — o  Capitão  Manoel 
José  Pires  da  Silva  Pontes;  Capitão  Joaquim  Pereira  de  Quei- 
roz— dezembargador  Manoel  Ignacio  de  Mello  e  Sousa  —  Capi- 
tão Caetano  Luiz  de  Miranda — Capitão  José  Justino  Gomes,  com 
dois;  o  dezembargador  Bernardo  José  da  Gama — Coronel  Joaquim 
Ferreira  da  Fonseca  —  Reverendo  Emerenciano  Maximino  de 
Azeredo  Coutinho,  com  três;  Salvador  Peregrino  Aarão  com 
quatro;  o  dezembargador  José  Teixeira  da  Fonseca  Vascon- 
cellos,  o  Capitão  mór  José  Fernandes  Penna,  com  cinco;  o  Ca- 
pitão José  Innocencio  de  Azeredo  Coutinho  com  seis;  o  Capitão- 
mór  José  de  Araújo  da  Cunha  Alvarenga  com  sete  —  o  Cónego 
Ignacio  José  de  Sousa  Ferreira  com  nove — o  Reverendo  Vigário  da 
vara  Francisco  Ferreira  de  Lemos  com  dez  —  o  Reverendissimo 
Chantre  doutor  Francisco  Pereira  de  Santa  Appolonia  com  onze — 
o  Doutor  José  António  da  Silva  Maia  com  doze — o  Reverendo  Vi- 
gário da  vara  António  da  Rocha  Franco  com  vinte  e  um  —  o  Sar- 
gento mór  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto  com  cento  e  vinte  cinco,  e 
ficou  eleito  o  ultimo  por  ter  a  pluralidade  absoluta,  depois  de  veri- 
ficada a  lista  pelos  Escrutinadores  e  por  mim  secretario,  a  qual 
eleição  foi  publicada  em  alta  voz  pelo  Presidente  da  Camará  o 
doutor  Juiz  de  Fora  pela  lei,  Bernardo  António  Monteiro;  e  logo  se 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  109 


passou  á  eleição  de  um  membro,  a  qual,  procedendo-se  pela 
mesma  maneira,  sahiram  "  o  Reverendo  Cónego  Arcypreste  João 
Baptista  de  Figueiíedo — Capitão  João  José  Ferreira  Abreu  — Co- 
ronel Pedre  Gomes  Nogueira — Tenente  coronel  José  Filizardo  da 
Costa  —  Reverendo  Vigário  Joaquim  de  Mello  Franco  —  Excellen- 
tissimo  Marechal  António  José  Dias  Coelho — Tenente  coronel  An- 
tónio Luiz  de  Noronha— António  da  Costa  de  Faria— Reverendo 
Vigário  de  São  João  d'El-Rey  Joaquim  Mariano  do  Amaral  Gurgel 
Commendador  Fernando  Luiz  Machado  de  Magalhães,  Commenda- 
dor  Manoel  Ribeiro  Vianna — Capitão  Joaquim  Pereira  de  Queiroz 
—Doutor  Luiz  José  de  Godoy  Torres — Capitão  João  Pires  Car- 
doso —  Reverendo  Cónego  Ignacio  José  de  Souza  Ferreira  — 
Coronel  José  de  Sã  Bitancourt — Sargento  Mór  António  da  Silva 
Brandão  —  Reverendo  Vigário  António  Luiz  Coelho  —  Reve- 
rendo Manoel  Rodrigues  da  Costa  —  Sargento  Mór  José  Felicia- 
no Pinto  Coelho — Capitão  João  Baptista  Lustosa  —  Commen- 
dador António  Caetano  Pinto  Coelho — Guarda  Mór  Geral  João 
Baptista  Ferreira  de  Souza,  com  hum  voto  —  o  Capitão  Mór 
José  Fernandes  Penna  —  Capitão  João  Vieira  de  Godoy  —  Co- 
ronel António  Gonçalves  Gomide  —  Doutor  Theotonio  Alves  de 
Oliveira  Maciel  —  Capitão  Mór  José  Bento  Soares  —  com  dois — 
o  Dezembargador  Juiz  de  Fora,  da  Campanha,  José  Joaquim  Car- 
neiro de  Miranda  e  Costa — o  Reverendo  Arcediago  Doutor  Mar- 
cos António  Monteiro  com  três  —  o  Reverendo  doutor  José  Al- 
vares do  Couto  Saraiva — Capitão  Mór  António  Januário  Car- 
neiro —  doutor  Juiz  de  Fora  do  Sabará  José  António  da  Silva 
Maia  —  Guarda  Mór  Innocencio  Vieira  da  Silva  —  Tenente 
Coronel  Bernardino  José  de  Queiroga  —  Vigário  José  de  Abreu 
Silva  —  com  quatro  —  o  Conselheiro  Manoel  Ferreira  da  Ca- 
mará —  com  cinco  —  o  Reverendo  Vigário  Geral  de  Minas  No- 
vas Luiz  Pereira  dos  Santos  —  Reverendo  Vigário  da  Vara  An- 
tónio da  Rocha  Franco  — com  seis  —  o  Doutor  José  Vieira 
Couto  —  Capitão  Mór  José  de  Araújo  da  Cunha  Alvarenga  com 
oito  —  o  Reverendíssimo  Cónego  José  Bento  Leite  Ferreira  de 
Mello  —  com  nove  —  o  Capitão  Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva 
com  onze  —  o  Reverendíssimo  Chantre  Francisco  Pereira  de 
Santa  Apolónia  —  com  dezesete  —  o  Dezembargador  José  Tei- 
xeira da  Fonseca  Vasconcellos  —  com  dezenove — o  Coronel  Ro- 
mualdo  José  Monteiro  com  trinta  e  cinco — o  Capitão  Mór 
Custodio  José  Dias  com  sessenta  — E  como  nenhum  teve  a  plu- 
ralidade absoluta  —  entraram  em  segundo  escrutínio  os  que  a  ti- 
veram relativa  —  e  tendo  neste  segundo  escrutínio  o  Coronel 
Romualdo  José  Monteiro  sessenta  e  nove  votos  e  o  Capitão  Mór 
Custodio  José  Dias  —  cento  e  sessenta  e  quatro  —  ficou  eleito 
este  —  a  qual  eleição  foi  da  mesma  forma  publicada  pelo  Presi- 
dente da  Camará:  —  passou-se  á  nomeação  de  outro  Membro  e 


no  REVISTA    DO 


seguindo-se  a  mesma  marcha  —  sahiram  o   Capitão  Jorge  Bene- 
dicto    Ottoni  — Doutor   Bernardino    Leite   de   Faria   Toar  —  Sar- 
gento   Mór  António  Pedro  Azeredo    Dantas  —  Vigário   José   de 
Abreu  Silva  —  Cónego  Ignacio  José  de  Souza  Ferreira  —  Reve- 
rendo João  Ferreira    Leite  —Sargento  Mór  José  Teixeira — Ca- 
pitão  José   Justino    Gomes  Pereira  —  Conselheiro    Manoel  Fer- 
reira da  Camará  —  Capitão  Caetano   Luiz    de  Miranda  —  Doutor 
Theotonio  Alvares  de  Oliveira  Maciel  —  Tenente  Coronel  Nico- 
lau Soares  do  Couto — Tenente  Coronel  António  Luiz  de  Noronha 
— Coronel  Pedro  Gomes  Nogueira  —  Cónego    Manoel  Gonçalves 
da  Fonseca  —  Reverendo    Manoel  Rodrigues  da    Costa  —  Arce- 
diago Moutor  Marcos  António  Monteiro  —  Capitão   Manoel  José 
Pires  da  Silva  Pontes  —  Capitão  M<1r   Domingos   José    Pimentel 
Barbosa  —  Desembargador  Manoel  Ignacio   de  Mello  e  Souza  — 
Capitão  João  Vieira  de  Godoy — com   um  voto — o  Capitão  João 
Fernandes    de  Oliveira  —  Tenente  Coronel  Anacleto  António    do 
Carmo  —  Vigário   João    Antunes   Corrêa  —  Capitão    Mór    José 
Bento   Soares — com  dois — o  Guarda   Mór  Innocencio  Vieira    da 
Silva— Tenente   Coronel    Manoel    Vieira    Couto  —  Capitão    Mór 
António  Januário  Carneiro  —  Doutor  José  António  da  Silva  Maya 
—Coronel    Joaquim    Ferreira    da    Fonseca  —  com    três  —  o  Te- 
nente Coronel  Bernardino  José  de  Queiroga  —  Reverendo  Do.::or 
José  Alves  do  Couto  Saraiva  —  com  quatro  —  o  Guarda  Mór  Ge- 
neral João  Baptista   Ferreira  de  Souza  —  Coronel  Fernando  Luiz 
Machado— com  cinco—  o  Capitão  Mór    José  de  Araújo    da  Cu- 
nha   Alvarenga  —  o    Reverendíssimo    Chantre  Francisco  Pereira 
de  Santa  Appolonia— com  seis— o  Capitão  Mór  José  Fernandes 
Penna  —  com  sete  —  o   Capitão    Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva 
—com.  oito— o  Vigário  Geral  de  Minas  Novas  Luiz    Pereira    dos 
Santos  —  Capitão  Mór  Manoel  da  Costa  Maya  —  com  nove  —  o 
Reverendíssimo  Cónego  José  Bento    Leite    Ferreira  de  Mello  — 
com  dez—  o  Doutor  José  Vieira  Couto  —  com  doze  ;    o  desem- 
bargador José  Teixeira  da  Fonseca  de   Vasconcellos— com  treze 
—o  Coronel  Romualdo  José  Monteiro  de  Barros— com  cento  e  três. 
E  como  nenhum  teve  a  popularidade  absoluta,  entraram  em  segundo 
escrutínio  os  dous    que  a  tiveram  relativa,  e  sahiu  o  Desembar- 
gador José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos  com  quarenta  e  sete 
votos  e  o  Coronel  Romualdo  José  Monteiro  de  Barros  com  cento 
e  oitenta  e  nove,  ficando  eleito  este  a  qual  eleição  foi  similhan- 
temente  publicada  pelo  referido  Presidente  e  por  serem  mais  de 
sete  horas  da  tarde,  ficou  a  continuação  da  eleição  para  o  dia  de 
amanhã,  pelas    nove    horas  da  manhã.     E   para    constar,    faço 
este  Termo,  que     assignam  a    Camata,  Presidente,  o  Desembar- 
gador Ouvidor    Interino  da  Comarca,  assistente,  os  escrutinado- 
res, commigo  Secretario,  que   o   escrevi  —  Perdigão  Malheiros  — 
Monteiro—  Fernandes  —  Magalhães—  Barbosa—  Escrutinadores 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  \i{ 

António  José  Dias  Coelho—  Francisco  Pereira  da  Santa  Appolo- 
nia — Luiz  Maria  da  Silva  Pinto. 

Confi7mação 

Aos  vinte  e  três  dias  do  mez  de  maio  de  mil  oito  centos  e 
vinte  e  dois,  nesta  Villa  Rica,  na  mesma  Capella  de  Nossa  Se- 
nhora  do   Carmo,    reunida    a  AssembJéa    Eleitoral    dos  Eleitores 
Parochicies    da    Provincia,    presidindo  a  mesma  Camará  da  dita 
Villa  e  assistindo  o  Dezembargador  Ouvidor  Interino  da  Comar- 
ca,   Agostinho    Marques   Perdigão   Malheiros,  se   continuou  nas 
operações   da   presente    eleição   á  qual    procedendo  se  com   as 
mesmas  solemnidades    se  votou  para    outro    Membro    da  Junta 
Provisória  do  Governo  da  Provincia,  e  sahiram  o  Tenente  Coro- 
nel   Anacleto  António   do    Carmo  —  Commendador  Manoel   Ri- 
beiro V^iaima   -    Capitão  Mór   José  Pereira  Alvim     -  Reverendo 
Doutor  -losé  Alvares  do  Couto   Saraiva  —  Capitão     .loão    José 
Ferreira  e  Abreu  —  Capitão  Bernardo  Alves  Moreira  —  Coronel 
João  da  Motta  Ribeiro  —  Capitão  Mór  José  Bento  Soares  —  Ca- 
pitão Mór  Manoel  Pereira  Pinto  —  Coronel   António    Gonçalves 
Gomide  —  Vigário  de  São  João    Joaquim    Mariano   do    Amaral 
Gurgel  —  Vigário  António  Machado  —  Dezembargado  José  Joa- 
quim Carneiro  de  Miranda  e  Costa  —  Coronel  Joaquim    Ferreira 
da  Fonseca  —  Vigário  da  Vara  de  São  João  António  Ribeiro  de 
Rezende        Salvador  Peregrino    Aarão  -    Coronel  José  de    Sá 
Bitancourt     -  Capitão   António   Justiano   Monteiro  —  com   hum 
voto  —  o  Cónego   Ignacio   José  de  Sousa  Ferreira  —  Reveren- 
díssimo Arcypreste  João  Baptista   de  Figueiredo  —  Vigário    da 
Vara  Francisco    Ferreira    Lemos  —  Conselheiro    Manoel    Ferrei- 
ra   da   Camará;   Sargento    Mór    José    Feliciano    Pinto     Coelho, 
com   dous;    o    Tenente    Coronel    Giraldo    Ribeiro  de     Rezende 
e  o   Capitão    Mór    António     Januário     Carneiro,   com    ires.     O 
Vigário    da   Vara    António  da  Rocha   Franco,     com    quatro.    O 
doutor   José    António    da  Silva    Maia  —  o   Reverendo    Manoel 
Rodrigues    da     Costa  —  o   Dr.    José   Vieira   Couto,    com    cin- 
co.     O     guarda  mor  —  hinocencio   Vieira  da    Silva,  com    seis, 
O      Coronel    Fernando    Luiz   Machado,     com    oito.    O     Vigário 
José  de  Abreu    Silva  e  o  Capitão  Mór  Manoel   da  Costa   Maia, 
com    nove.     O   Reverendíssimo  Cónego   José   Bento   Leite  Fer- 
reira de  Mello,  com  dez.  O  Vigário  Geral  de  Minas  Novas  Luiz 
Pereira  dos  Santos  —  Capitão    Mór   José  Fernandes    Penna  — 
Guarda  Mór  Geral  João  Baptista  Ferreira. — Doutor  Joaquim  -ío- 
sé  da  Silva    Brandão,  com    onze.    O  Capitão   Mór    Manoel    Tei- 
xeira da  Silva  com  doze  —  o  Capitão  Mór  José   de  Araújo    da 
Cunha    Alvarenga,    com    quatorze.    O    Reverendíssimo  Chantre 


112  REVISTA    DO 


Doutor  Francisco  Pereira  de  Santa  Appolonia,  com  deza- 
nove. O  Desembargador  José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos, 
com  quarenta  e  hum.  E  como  nenhum  tivesse  pluralidade  ab- 
soluta, entraram  em  segundo  escrutínio  os  que  tiveram  relativa, 
e  obtendo  o  Desembargador  José  Teixeira  da  Fonseca  Vascon- 
cellos oitenta  e  nove  votos  e  o  Reverendíssimo  Chantre  Dou- 
tor Francisco  Pereira  de  Santa  Appolonia  cento  e  trinta  e  sete 
votos  (pelo  accrescimo  de  mais  dous  eleitores  que  comparece- 
ram) ficou  eleito  este,  a  qual  eleição  foi  publicada  pelo  Presi- 
dente da  Camará,  Juiz  de  Fora  pela  Ley,  Doutor  Bernardo 
António  Monteiro;  e  passando-se  depois  á  votação  para  outro 
Membro,  sahiram:  o  Reverendíssimo  Vigário  Dr.  Joaquim  José 
Lopes  Mendes  Ribeiro — o  Sargento  Mór  José  António  de  Almei- 
da — o  Cónego  Ignacio  José  de  Sousa  Ferreira  —  o  Reverendís- 
simo Arcediago  Doutor  Marcos  António  Monteiro — o  Conselhei- 
ro Manoel  Ferreira  da  Camará  —  o  Sargento  Mór  Vicente  Fer- 
reira de  Paiva  —  Tenente  Coronel  Anacleto  António  do  Carmo 
— João  Lopes  Teixeira  de  Moraes  —  o  Capitão  José  Justino 
Gomes  —  o  Doutor  José  Vieira  Couto  —  o  Vigário  da  Vara  de 
São  João,  António  Ribeiro  de  Rezende,  com  hum  voto.  O  Coro- 
nel Ferando  Luiz  Machado  —  o  Capitão  Mór  Domingos  José  Pi- 
mentel —  o  Reverendo  Manoel  Rodrigues  da  Costa,  com  deus 
O  Capitão  Mór  António  Januário  Carneiro,  com  três.  O  C'  pi- 
tão Mór  José  Pereira  Alvim  —  Vigário  da  Vara  António  da  l"o- 
cha  Franco,  com  quatro  O  Reverendíssimo  Arcypreste  João 
Baptista  de  Figueiredo  —  O  Reverendíssimo  Cónego  Manoel 
Gonçalves  Pereira,  com  cinco.  O  Guarda  Mór  Innocencio  Vieira 
da  Silva  —  Vigário  José  de  Abreu  Silva,  com  seis.  O  Doutor 
José  António  da  Silva  Maia  —  o  Capitão  Mór  Manoel  da  Costa 
Maia,  com  oito.  O  Doutor  Joaquim  José  da  Silva  Brandão  —  o 
Reverendíssimo  Cónego  José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello, 
com  nove.  O  Capitão  Mór  José  Fernandes  Penna,  com  onze.  O 
Guarda-Mór  Geral  João  Baptista  Ferreira  de  Sousa,  com  quator- 
se.  O  Capitão  Mór  José  de  Araújo  da  Cunha  Alvarenga,  com 
deseseis.  O  Capitão  Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva,  com  deseno- 
ve.  O  Reverendo  Vigário  Geral  de  Minas  Novas,  Luiz  Pereira 
dos  Santos,  com  trinta  e  dous.  O  Desemborgador  José  Teixeira 
da  Fonseca  Vasconcellos  com  sessenta  e  seis;  e  não  tendo  ne- 
nhum delles  pluralidade  absoluta,  entrarão  em  segundo  escrutí- 
nio os  que  a  tiveram  relativa  dos  quaes  o  desembargador  José  Tei- 
xeira da  Fonseca  Vasconcellos  teve  noventa  e  um  votos,  e  o  Vi- 
gário Geral  de  Minas  Novas  Luiz  Pereira  dos  Santos,  cento  e  qua- 
renta e  sete,  ficando  por  isso  este  eleito,  a  qual  eleição  foi  da  mesma 
forma  publicada  pelo  sobredito  Presidente;  e  passando-se  final- 
mente á  nomeação  do  ultimo  Membro,  sahiram  o  Vigário  Doutor 
Joaquim  José  Lopes  Mendes  Ribeiro — Capitão    Mór  José   Pereira 


ARCHIVO     PU  BUÇO    MINEIRO  113 

Alvim — o  Vigário  de  São  João  cl'El-Rey  Joaquim  Mariano  do 
Amaral — o  Vigário  José  Maria  Fajardo  de  Assis — o  Reverendo 
Provisor  de  Paracatú  Joaquim  de  Mello  Franco — o  Vigário  Ma- 
noel da  Piedade  Valongo — o  Vigário  Manoel  Francisco  da  Silva 
— o  Reverendíssimo  Cónego  Ignacio  José  de  Sousa  Ferreira — 
o  Sargento  Mór  Gomes  Freire  de  Andrade — Capitão  Mór  Ma- 
noel Pereira  Pinto,  com  um  voto.  Reverendíssimo  Arcypreste 
João  Baptista  de  Figueiredo — o  Capitão  Mór  de  Paracatú  Domin- 
gos José  Pimentel  Barbosa — o  Reverendo  Manoel  Rodrigues  da 
Costa — o  Reverendo  Doutor  José  Alvares  do  Couto  Saraiva — 
Coronel  Fernando  Luiz  Machado — Doutor  José  Vieira  Couto,  com 
dous;  o  Doutor  José  António  da  Silva  Maia — Capitão  Mór  Antó- 
nio Januário  Carneiro — Desembargador  Plácido  Martins  Pereira — 
Capitão  Mór  José  Pereira  Alvim,  com  três;  o  Vigário  da  Vara 
António  da  Rocha  Franco,  com  quatro;  o  Vigário  José  de  Abreu 
Silva — Reverendíssimo  Cónego  José  Bento  Leite  Ferreira  de  Mello, 
com  sete;  o  Doutor  Joaquim  José  da  Silva  Brandão — Guarda 
Mór  Innocencio  Vieira  da  Silva,  com  oito,  Capitão  Mór  Manoel 
da  Costa  Maia — Guarda  Mór  Geral  João  Baptista  Ferreira  de 
Sousa,  com  dez.  O  Capitão  Mór  José  Fernandes  Penna,  com  de- 
senove;  o  Capitão  Mór  José  de  Araújo  da  Cunha  Alvarenga,  com 
vinte  e  sete;  o  Capitão  Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva,  com  qua- 
renta e  sete;  o  Desembargador  José  Teixeira  da  Fonseca  Vascon- 
cellos,  com  cincoenta  e  nove,  e  como  não  houvesse  pluralidade 
absoluta,  entraram  em  segundo  escrutínio,  e  tiveram  o  Desem- 
bargador José  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos,  setenta  e  quatro 
votos  e  o  Capitão  Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva  cento  e  sessenta 
e  hum,  ficando  este  eleito,  e  foi  publicada  pelo  mencionado  Pre- 
sidente esta  Eleição:  vindo  portanto  a  ser,  como  se  vè  dos  Ter- 
mos da  presente  Eleição,  lançados  neste  Livro,  os  Membros  da 
Junta  Provisória  do  Governo  desta  Província  de  Minas  Geraes : 

O  Illm.  e  Exm.   D.   Manoel   de  Portugal  e  Castro  —  Presi- 
dente. 

O  Sargento  Mór  Luiz  Maria  da  Silva  Pinto — Secretario. 

O  Capitão  Mór  Custodio  José  Dias. 

O  Coronel  Romualdo  José  Monteiro  de  Barros. 

O  Reverendíssimo   Chantre  dr.   Francisco  Pereira   de  Santa 
Appolonia. 

O  Reverendissimo  Vigário  Geral  Luiz  Pereira  dos  Santos. 

O  Capitão  Mór  Manoel  Teixeira  da  Silva. 

Concluída  assim  esta  Eleição,  foi  entoado  pelo  Reverendis- 
simo Arcypreste  João  Baptista  de  Figueiredo  na  mesma  CapelU 
R.  A     8 


Íl4  REVISTA    DO 


O  Hymno — Te   Deum  Laudmnos — Do  que    tudo    para  constar 
se  mandou  lavrar  este  Termo,  do  qual  se   remetterá    huma    co- 
pia á  Sua  Alteza  Real  o  Príncipe  Regente  do  Brazil,  o  sereníssi- 
mo Senhor  Dom   Pedro   de  Alcântara,   e  aos  Membros  Eleitos, 
egualmente   huma    copia  para   seu  titulo  e   assignam  a  Camará, 
Presidente,    o  Desembargador  Ouvidor  Interino  da   Camará,   as- 
sistente,  eu  Secretario  e  Escrutinadores  com  todos  os  Ele  itores 
que  se  acham  presentes  ao  feicho  da  presente  Eleição.    E  eu, 
Secretario,   Luiz   Maria  da  Silva  Pinto,  o   escrevy  e  assigno.  O 
Ouvidor   Interino    da    Comarca    assistente,    Agostinho  Marques 
Perdigão   Malheiros — O   Presidente    da   Camará,    Bernardo     An- 
tónio  Monteiro — O     Vereador    Manoel     Fernandes    da     Silva — 
O    Vereador     António    de    Magalhães    Gomes— O    Procurador, 
Manoel  José   Barbosa — O   Secretario,   Luiz  Maria  da  Silva  Pin- 
to,   Eleitor  de    Ouro   Preto— O    Escrutinador,     Eleitor    da     Fre- 
guezia     do    Ouro   Preto,  António  José  Dias  Coelho — O  Escruti- 
nador,   Eleitor    da   Freguezia    de    Marianna,    Francisco    Pereira 
de   Santa    Appolonia  —  Nicolau    Soares   do    Couto  —  Fernando 
Luiz    Machado     de    Magalhães — Felippe    Joaquim    da   Cunha  e 
Castro — Pedro    Dias   de   Carvalho — Francisco   Alves     de  Brito. 
— Domingos     José    Ferreira — O    Vigário    Francisco    Xavier    de 
Meirelles    e    Sousa — Francisco     AJves    da    Cunha     Menezes. — 
José     Bento     da     Silva — Romualdo    José    Monteiro — João    Ri- 
beiro    da     Silva — Nicolau     Coelho     Seabra — Marcos     António 
Monteiro  —  João     Baptista     de     Figueiredo   —   Francisco     de 
Sousa    Monteiro— João     Custodio    Machado    de    Magalhaens— 
José     Fernandes      de     Oliveira — Lourenço     António — Pereira— 
Gregório    Martins     de     Abreu  —  o     Vigário     Francisco    Xavier 
Augusto    da    Fran(;a  —  Domingos     Pinto      Ferreira     França  — 
José    Justino    Gomes     Pereira — o      Padre     João     Henrique    da 
Silva    Brandão— o  Padre    José  Soares  de  Brito — o   Padre   Joa- 
quim José  do  Monte — Manoel  José  Martins — Domingos  António 
de    Mesquita — O    Vigário    Luiz    da     Cunha    Ozzorio — Francisco 
Justiniano  Alves  de  Freitas — José  Coelho   de   Oliveira   Duarte— 
Joaquim   José   Lopes   Mendes   Ribeiro— João   Nepomuceno  Car- 
neiro— José  Justiniano  Carneiro — António  Pedro  Vidigal  de    Bar- 
ros— João    dos     Santos     França     Gaito — Marcellino     Rodrigues 
Ferreira— Silvestre    António     Vieira— O      Vigário     João     Boni- 
fácio    Duarte      Pinto  —  António    Martins     Pacheco  —  António 
Duarte   Pinto — Manoel     António — Brandão. — O     Padre    Francis- 
co   da    Silva    Guerra  —  Pedro     Gomes     Nogueira  —  António 
Martins    da    Costa — José    de    Araújo    da    Cunha    Alvarenga — 
José  Pereira   de    Almeida    Pessanha — Manoel   Nogueira    Duarte 
— O    Padre  Manoel    Roberto    da    Silva    Diniz — O    Padre    João 
Francisco     da     Silva — Manoel     Pires     de     Miranda  —  Domingos 
Fernandes    Moreira  —  Custodio     José    da    Silva  —  Quintiliano 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  115 

José  de  Oliveira  —  Joaquim  José  da  Silva  —  Manoel  José  Pi- 
nheiro —  João  Duarte  Lacerda  —  Jacintho  Pinto  Teixeira  — 
Manoel  Carvalho  de  Moraes  —  Francisco  Procopio  da  Silva 
Monteiro  —  João  Vieira  de  Godoy  Alvarenga  Leme  —  O  Pa- 
dre Sebastião  José  de  Carvalho  Penna  —  Paulo  José   de  Souza 

—  João  José  Ferreira  de  Abreu  — Anastácio  António  de  Azevedo 
Barros  —  João  Gonçalves  Barroso  —  João  Baptista  Ferreira 
de  Sousa  Coutinho  —  José  Máximo  Pereira  —  António  José  de 
Sousa  e  Silva  —  O  Padre  Miguel  Dias  Maciel  —  Domingos  de 
Freitas  Mourão  —  Miguel  Gomes  Duarte  —  João  Rodrigues  de 
Carvalho  —  João  Cordeiro  Valladares  —  Martinho  Alvares  da 
Silva  —  Luiz  Álvaro  de  Moraes  Navarro  —  António  Theodoro 
de  Mendonça  —  Henrique  Brandão  de  Macedo  —  António  Al- 
ves de  Sousa  —  Domingos  Pereira  de  Araújo  Caldas  —  An- 
tónio Ribeiro  de  Rezende  —  Padre  Miguel  de  Noronha  Pires  — 
José  António  de  Castro  Moreira  —  O  Padre  Custodio  de  Cas- 
tro Moreira  —  António  Constantino  de  Oliveira  —  Jeronymo 
José  Rodrigues  —  João  Baptista  Lustosa  —  António  Balbino 
Negreiros  de  Carvalho  —  Alexandre  Pereira  Pimentel  —  Ma- 
noel José  da  Costa  Machado  —  José  Pedro  de  Carvalho  — 
José  Dias  de  Oliveira  —  José  António  Cardoso  —  João  Perei- 
ra Pimentel  —  Agostinho  António  Tassara  de  Pádua  —  José 
Fernandes  Penna  —  Thomaz  de  Aquino  Alves  de  Azevedo  — 
Manoel  da  Piedade  Valongo  de  Lacerda  —  Joaquim  Leonel  de 
Paiva  —  O  Vigário  José  Francisco  Morato  —  José  Bernardes 
Ferreira  —  José  Alves  de  Figueiredo  —  Manoel  da  Costa  Maya 

—  Gervásio  Pereira  de  Alvim  —  João  Nepomuceno  Ferreira  e 
Castro  —  Severino  Eulogio  Ribeiro  de  Rezende  —  José  Ferreira 
Rodrigues  —  António  José  Moreira  —  Gonçalo  Joaquim  de 
Barros  —  João  Gonçalves  de  Lara  e  Gois  —  João  An- 
tónio   de    Campos   —  O   Padre  Joaquim    Ferreira    dos     Santos 

—  O  Padre  António  Caetano  de  Sousa  —  Manoel  António 
da  Silva  —  António  Homem  d'El-Rey  —  Bartholomeu  Fernan- 
des Rocha  —  António  Dornellas  da  Costa  —  O  Padre  Felis- 
berto Rodrigues  Milagres  —  António  Pedro  de  Azevedo  Dantas 

—  João  de  Araújo  Padilha  —  O  Padre  José  Pinto  Barbosa  — 
Manoel  Pereira  Guimaraens  —  José  Pereira  de  Alvim  —  Antó- 
nio Pita  de  Castro  —  Francisco  Leite  Ribeiro  —  Silvestre  Pa- 
checo de  Castro   —  Francisco   José    Soares  de   Araújo    e   Silva 

—  Francisco  de  Paula  e  Souza  —  Thomaz  de  Aquino  Alves  — 
Manoel  Pires  de  Oliveira  —  Francisco  Ferreira  Lemos  —  João 
Antunes  Corrêa  da  Costa  — Francisco  de  Paula  Arantes  —  Antó- 
nio Afíoneo  Lamounier  —  Thomaz  Joaquim  Barbosa  —  Bernar- 
do Alvares  Moieira  —  Francisco  Barbosa  da  Cunha  —  António 
Ferreira  de  Miranda  — Padre  Manoel  Furtado  de  Souza  —Manoel 


lie  REVISTA    DO 


Furtado  de  Sousa  —  Manoel  Martins  Coelho  —  João  Rodrigues 
Peixoto  —  Manoel  José  de  Castro  —  O  Vigário  da  vara  Manoel 
Francisco  dos  Santos  —  o  Capitão  Francisco  António   de  Moraes 

—  o   Vigário  José    Severino    Ribeiro  —  José    de  Sousa  Lima 

—  o  Padre  Bento  José  Labre  —  Vicente  Ferreira  de  Paiva  Bo- 
eno  —  António  Goular  Brum  —  António  Justiniano  Monteiro  de 
Queiroz  —  Gaspar  José  de    Paiva  —  Faustino  José  de  Azevedo 

—  Silvestre  da  Costa  Lima  —  Ignacio  Francisco  Franco  — 
João  Joaquim  Fleming  —  José  Coutinho  de  Aguiar  —  Ignacio 
Gonçalves  Lopes  —  João  Dias  de  Quadro  Aranhas  —  Felis- 
berto Cândido  Rodrigues  Bueno  —  Ignacio  Corrêa  Rangel  — 
José  Maria  de  Moura  Leitão  —  Francisco  Soares    de    Figueiredo 

—  António  de  Carvalho  Pinto  —  João  de  Freitas  Pacheco  de 
Azeredo  Coutinho  —  Vigário  Luiz  Gomes  de  Oliveira  —  o  Pa- 
dre José  Geraldo  de  Sousa  e  Silva  —  o  Capitão  Manoel  Teixeira 
de  Mello  — Manoel  Pereira  Pinto — Domingos  Rodrigues  Affonço 

—  António  Gomes  Nogueira  Freire  —  José  de    Meirelles   Freire 

—  António  Rodrigues  Affonço — Manoel  Pereira  de  Souza  —  João 
Pedro  Diniz  Junqueira  —  José  de  Abreu  e  Silva  —  Custodio  Vil- 
lela  Palmeira  —  Francisco  Monteiro  da  Fonseca  Borges  —  An- 
tónio Luiz  de  Noronha  e  Silva  —  José  Theodoro  de  Araújo  - 
Custodio  José  Vieira  —  António  Francisco  Sardinha  —  Jeronymo 
de  Arantes  Marques  —  António  Francisco  de  Azevedo  —  Fran- 
cisco Theodoro  da  Silva  —  José  Maria  Fajardo  de  Assis  —  José 
Ignacio  Nogueira  de  Gouvêa  —  Padre  Custodio  Ribeiro  de  Car- 
valho —  José  Alves  Pereira  e  Mello  —  Francisco  José  Ribeiro — 
João  Fernandes  da  Silva  —  o  Padre  Francisco  Moreira  de  Car- 
valho —  Custodio  José  Dias  —  o  Padre  Ignacio  Ribeiro  do  Pra- 
do e  Siqueira  —  António  José  da  Silveira  —  Bernardino  José 
de  Queiroga  —  João  Innocencio  de  Azeredo  Coutinho  — Joaquim 
Pereira  de  Queiroz  —  Francisco  de  Paula  Coelho  de  Magalhães 

—  Jorge  Benedicto  Ottoni  —  José  de  Avilla  Bittencourt  —  An- 
tónio de  Avilla  Bittencourt  —  Manoel  Francisco  da  Silva  —  Pa- 
dre Joaquim  Gomes  de  Carvalho  —  Caetano  Luiz  de  Miranda  — 
Vicente  Ferreira  Fróes  —  Francisco  dos  Santos  Freire  —  João 
Pires  Cardoso  —  Bento  Dias  Chaves  —  Luiz  dos  Santos  Souto — 
António  Vieira  Braga  —  José  Joaquim  de  Araújo  Soares  —  o 
Vigário  Anastácio  Cardoso  Neves  —  Francisco     Manoel    Pereira 

—  Domingos  José  Soares  —  o  Padre  Marcos  Vaz  Mourão  — 
Bento  Pinto  de  Vasconcellos  —  Francisco  de  Paula  Silva  —  o  Pa- 
dre Manoel  Duarte  Costa  —  João  Manoel  Carlos  de  Buitrago  — 
João  José  de  Abreu  —  Plácido  da  Silva  e  Oliveira  Rohm — José 
Felizardo  da  Costa —  António  José  da  Costa  —  João  Pereira 
Araújo  Pinto  —  José  Dias  Bicalho  —  Francisco  Manoel  Barbo- 
za  de  Sá  Mascarenhas  —  Pedro  Celestino  Teixeira  —  Manoel  Tei- 
;ceira  Mendes  —  Servando  Pacheco  Rollim  —  Manoel  Zeferino  de 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  117 

Sá  Mascarenhas — António  da  Costa  Pereira  —  José  Fernandes 
de  Azevedo  —  Francisco   José  da  Motta. 

Está  conforme. 

Agostinho  Marques  Peidinão  Malheiros  —  Bernardo 
António  Monfeiro  —  António  de  Ma.f/alhãns  Gomes —  Ma- 
noel Fernandes  da  Silva  —  Manoel  José  Barbosa  —  Antó- 
nio José  Dias  Co''lho.  —  Francisco  Prrera  de  Santa  Appo- 
lonia. —  António  Luiz  Maria  da   Silva  Pinto. 


Autos  da  creação  da  Villa  de  Barba- 
cena  na  Comarca  do  Rio  das  Mortes 

( MANUSCRIPTO  ORIGINAL  PERTENCENTE  AO  ARCHIVO ) 


111.""'  e  Ex."'"  Snr. 


Postrados  omildemente  aos  pes  de  V.  Ex.^  Suplicão  os  Po- 
vos da  freg.^  da  Borda  do  Campo,  Engenho,  e  Simão  Pereyra 
cam.°  do  Rio  de  Janr."  Com  outros  de  remotas  parages,  Serra 
abaixo  do  Rio  da  Pomba,  queelles  experimentão,  os  mais  des- 
abridos incómodos  nas  dependências  de  suas  demandas,  convo- 
lando huns  a  Sam  Joze  e  outros  ao  tr.°  de  S.  João,  em  distan- 
cia os  demais  longe  de  trinta  e  seis  legoas,  emtempo  de  agoas  e 
perigozos  caminhos,  compasajes  de  Rios  que  som-'  esta  penoza 
contribuição  se  fará  condigna  da  Piedade  de  V.  Ex.%  para  o  pro- 
vidente  sororro  das  suas  necessd.'""  quanto  mais  acreçida  vexa- 
ção, a  que  se  achão  reduzidos  com  os  avultados  selarios  dos 
Officiaes  nas  diligencias  da  Justissa,  dos  Escrivaens,  e  Tabeliaens 
nas  escripturas,  e  aprovação  de  testam. *'^^  do  Juis  deorfaos,  e 
seus  oficiaes,  fasendo-se  intoleráveis  despezas  aos  mizeraveis  ór- 
fãos nos  inventários,  e  tomadas  de  contas  aos  Tutores,  encon- 
trando outros  penozos  trabalhos  de  irem  os  Escrivaens,  emquiri- 
dor  tirar  test."'  quando  estas  se  achão  molestas,  ou  decrepta  a 
idade,  e  de  convolarem  a  tam  remotas  parages  aconselharem-se, 
e  tratarem  das  suas  dependências,  fazendo-se  gastos  com  test.''-*  e 
passagens  de  Portos  Riais  expostos  finalmente  a  hum  dezem- 
paro  total  de  sua  caza  e  familia,  afim  de  acudirem  umas  vezes 
aos  mandatos  da  Justissa  comque  São  amiessados,  outras  a  pro- 
curar recurso  as  suas  afliçoens,  por  cujos  motivos  imploram  com 
suspiros  o  opurtuno  remédio  na  grandesa  de  V.  Ex.^  facultando- 


120  REVISTA     DO 


lhes  a  graça  da  criação  de  huma  nova  Villa  no  arrayal  da  Jgreja 
nova  da  Borda  do  Campo,  asim  como  o  tem  a  Pie.''*'  de  V.  Ex  ^ 
facilitado  a  outros  povos  menos  remotos  com  esta  incompará- 
vel grasa  p.^  refrigério  de  seus  males  e  por  conter  aquele  d." 
arrayal  toda  a  capacid.'"  p."*  hua  nu-neroza  Povoação,  cituado  em 
Estrada  geral  do  comercio  dos  viandantes  do  Rio  de  Janeyro,e  p.^ 
com  o  temor  da  Justissa,  e  proximidade  de  seus  respectivos  ofíi- 
ciaes  a  ver  socorro  p.^  aprovação  dos  testam. "'^  eprocuraçoens  p.^ 
m/"^  pobres,  enfermos,  e  viuvas,  e  outras  pessoas  onestas  de  de- 
licado sexo,  não  poderem  convolar  aos  Destritos  das  referidas 
Villas,  e  p.^  também  os  viandantes  girarem  seguros  nos  ditos 
cam.°^  ,  e  sinão  experimentarem  tam  execrandas  mortes  e  roubos 
acontecidos  na  paraje  da  Mantiqra."*  e  freg.**  da  Borda  do  Campo, 
como  a  V.  ex.**  he  notório. 

P.  a  V.  Ex.*""'  Seia  Servido  facul- 
tar-lhes  a  graça  que  Suplicão  por 
cujo  beneficio  rogarão  a  Deos  pela 
saúde  Espiritual  e  temporal  de  V. 
Exi.^  e  de  sua  esclarecida  fa- 
mília. 

E.  R.  M. 

Fran."  da  Costa  S.  Thiago,  João  dos  Santos  Guimaraens, 
Manoel  do  Valle  Amado,  José  Vidal  de  Barboza,  Manoel  Vidal 
Lage,  Joaquim  de  Macedo  Cruz,  Gonçalo  Gomes  Miz.,  José  An- 
tónio de  Carvalho,  Fran.'""  de  Macedo  Cruz,  Jozé  Nunes  de  Cam- 
pos, Jozé  Ayres  Gomes,  Joaquim  Joze  da  Costa,  Joze  Ribr.°  de 
Queiroz,  Fran.'"°  Homem  da  Costa,  Pedro  Frz.  Afonso,  Jacinto  da 
S.^  Fialho,  Ign.^°  da  Cunha,  o  P.  António  Joze  Roiz.,  António 
Corrêa  de  Mello  Albuqr.,  Joze  António  Frz.,  Agostinho  Pinto 
Ferr.^,  Vicente  Ferr.^,  Joze  Giz.  Per.^,  Manoel  Rodrigues,  Manoel 
da  Costa  Silva,  o  P.  Manoel  Dias  de  Sz.^,  Joze  de  Castro 
Pinto,  Manoel  de  Sá  Fortes  Bustam.^*'  Nogr.^,  Manoel  Alves  Mar- 
ques, António  da  Motta  Leite,  Joaquim  Alz.  Corsino,  Agostinho 
da  S.^  de  Miranda,  António  Joze  de  Araújo,  João  Per.""  Cabral 
de  Melo,  Manoel  de  Barros,  Manoel  Nunes  de  Abreu,  Luis  M." ' 
Giz-.  António  de  Freitas  Bastos,  João  Batista  Leite,  Joze  Ribr.°  Teix.', 
Manoel  Joaquim  de  S.  Anna,  Domingos  Giz.  Barrozo,  Joaq."'  Lo- 
pes dos  Sancttos,  Manoel  Montr.°  da  Costa  Albqr.,  Joze  Alves  de 
Freitas  Belo,  Joze  de  Souza  Barreto,  Luiz  An.*"  Frz.,  M.^'  Giz. 
da  S.^  e  Siq.•■^  Joaq.'"  Per.^  dos  Santos,  Joaq.'"  da  S.^  Fialho,  Manoel 
An.'"  Mor,^  o  P.  Manoel  Ferr.**  Coelho,  Carlos  de  Assis  Figr.^'"  Vidal, 
Manoel  Roiz.  Lima,  Manoel  Roiz.  Valle,  M.«'  Joze  01.''*  Joze  S.^  Fialho, 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO  121 


João  da  Costa  e  Albuq.,  Manoel  da  S.**  Souza,  Plácido  V.*,  An- 
tónio Silveira  Peyx'",  Fran."  da  Costa  Per.'',  Fran.  '  Simois  Sen- 
teio,  Joze  Carneiro  Fon.",  Manoel  Pinto  Lour.*',  João  S.**  Fialho, 
Caetano  António  da  Rocha,  José  Lucindo  Per.",  António  Lopes 
da  S.'\  Joze  Si.nois  Senteio,  João  da  Costa  Per."  Dória,  Fran." 
Roiz.  Valle,  Joze  Gar.  "  Per.^,  Sebastião  Teix."  de  Carvalho,  Joa- 
quim Marques  da  S.^,  Joze  António  da  Rocha  Bello,  Joze  Fran.'" 
dos  Santos,  João  Furtado  de  Fig.'",  M.'  Joze  V.""",  Joze  Ma- 
noel da  Fonseca,  Manoel  Per."  da  S.^  Fran.^*^  Joze  Esteves  So- 
eira,  Manoel  Joaq.,'"  Miguel  Roiz.  de  Sá,  Victoriano  Alz.  de  An- 
drade, Luiz  Teix."  dos  S."  ,  João  Giz.  de  Carvalho,  Vicente  da 
S.**,  Gonçalo  Soares  de  Oliveira,  Joaq.'"  Joze  Teix.^,  Joze  Ign." 
Ferr."  de  Ávila,  António  Roiz.  Valle,  Joze  Pimenta  X.'' ,  Severino 
Roiz.  de  Araújo,  Domingos  António  de  Az.''",  Joze  Furtado  de 
Figuei.'",  António  da  Silva  de  Carvalho,  Joze  Roiz.  Vianna,  João 
Giz.  Lima,  Domingos  Santos,  Jacinto  Dias  Costa,  Vict."  Joaq'". 
de  Olivr."  Pires,  António  Vieira,  Francisco  da  Rocha,  Estanislàu 
Ferr.^  José  Suterio  Peres  Cazado,  Miguel  António  de  Payva, 
Bernardo  da  S.""  Esteves,  Fran.''"  Mar.""  Alm.*^**  Vidal,  Manoel 
Dias  Dantas,  João  Martins  Coelho,  Pedro  Barboza  da  Costa, 
António  Teix.^  de  Souza,  Simão  Ferreira  Amador,  António  Roiz. 
Dias  Cezar. 


Auto  de  Creação  que  faz  o  III."""  e  Ex.'""  Sor.  Viscon- 
de de  Barbacena  Governador,  e  Capitão  General  des- 
ta Capitania,  da  Villa  de  Barbacena  no  que  era  Ar- 
raial da  Igreja  Nova  de  Campolide. 

Anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesus  Christo  de  mil 
e  sete  Centos  enoventa  e  hum  aos  quaíorze  dias  do  mes  de  Agosto 
neste  Arraial  da  Igreja  Nova  de  Campolide  termo  da  Villa  de 
S.  Jozé  Comarca  do  Rio  das  Mortes,  e  Cazas  aonde  se  acha 
aponzentado  o  Illustrissimo,  e  Excellentissimo  Senhor  Visconde 
de  Barbacena  do  Conselho  de  Sua  Magestade  Governador,  e  Ca- 
pitão General  desta  Capitania  de  Minas  Geraes  Sendo  prenzente 
o  Doutor  Luiz  António  Branco  Bernardes  de  Carvalho  Ouvidor 
Geral,  e  Corregedor  desta  mesma  Comarca,  eamaior  parte  da 
Nobreza,  emuito  povo  do  dito  Arraial,  esua  frequezia,  e  das  de 
Nossa  Senhora  da  Conceição  do  Engenho  do  Matto,  e  de  Nossa 
Senhora  da  Gloria  do  Simão  Pereira,  Caminho  do  Matto  do  Rio 
de  Janeiro,  que  de  ordem  do    mesmo  Illustrissimo  e  Excelentis- 


122  ,  REVISTA    DO 


simo  Senhor  Governador  forão  convocados  para  este  dia  por 
Editaes  públicos  mandados  afixar  pelo  dito  Ouvidor:  ahi  foi 
dito  perante  todos  pelo  Illustrissimo  e  Excelentíssimo  Senhor 
Visconde  Governador,  que  tendo  considera(;áo  a  grande  distan- 
cia, queha  do  dito  Arraial,  e  sua  freguezia  a  Villa  de  Sam  Jozé, 
e  das  do  Matto  a  de  Sam  João  de  El  Rey,  a  Cujos  termos  per- 
tensem  a  qual  em  partes  excede  a  trinta  Legoas  rezultando  daqui 
não  só  o  inconveniente  dos  particulares  hirem  tratar  a  aquellas 
Villas  os  seus  negócios  forenses  Com  difíceis,  eincomodas  jorna- 
das, mas  Com  a  maior  deserem  muitas  vezes  obrigados  a  dei- 
xarem as  suas  accoens,  e  direitos  por  temerem  as  avultadas  des- 
pezas  que  devem  fazer  Com  os  Salários  de  Caminhos  dos  oficiaes 
de  Justiça  maiores  em  muitas  que  o  principal  do  negocio:  que 
atendendo  também,  e  principalmente  ao  bem,  esocego  publico 
que  padesse  Com  a  falta  de  Policia  em  que  necessariamente 
devem  viver  os  Povos,  que  assim  se  achão  retirados  das  Justi- 
ças em  carregadas  de  os  promoverem  e  aguardarem;  Sendo 
esta  falta  de  muitos  maiores  consequências  no  Território  assi- 
ma  mensionado  em  rezão  de  ser  atravessado  pela  Estrada  que 
comonica  esta  Capitania,  e  as  outas  das  Minas  Com  a  Cidade 
do  Rio  de  Janeiro,  Cujas  relações  politicas,  e  Comerciantes  fa- 
zem hum  objecto  digno  de  toda  a  Contemplação,  e  do  mais 
providente  cuidado :  que  por  todos  estes  motivos  resolvera  elle 
Excelentíssimo  Senhor  Visconde  Governador  deferir  ao  reque- 
rimento dos  moradores  do  sobredito  Território  oqual  vai  junto 
aeste  auto,  Creando  Villa  este  Arraial  não  só  por  ser  omais 
central,  epopulozo  deste  distrito,  mas  porque  á  sua  situação  na 
extremidade  do  Matto,  eonde  da  estrada  do  Rio  de  Janeiro  se 
dividem  as  das  Comarcas  desta  Capitania,  e  as  que  se  encami- 
nhão  para  a  de  Goiás,  e  Matto  Grosso  fazem  mais  necessárias, 
e  interessantes  neste  Lugar  a  Policia,  e  Economia  publica  para 
segurança,  e  Cómodo  dos  Viajantes,  para  bem  emelhoramento 
do  Comercio,  o  qual  aqui  tem  como  a  sua  chave,  E  com  efeito 
disse  elle  Excelentíssimo  Senhor  Visconde  Governador  que  Cria 
eha  por  Creado  este  Arraial  da  Igreja  Nova  de  CampoHde  em  Vil- 
la para  o  ficar  sendo  desde  hoje  Com  todas  as  prerogativas,  pre- 
vilegios,  izemçoens,  honras,  foros,  e  Liberdades,  que  nesta  qua- 
lidade lhe  pertencem,  e  ficam  pertencendo,  epara  Ser  governada 
por  hua  Camará  própria.  Juizes  ordinários,  emais  Justiças,  que 
lhe  convém  Com  toda  a  jurisdicção,  que  a  estas  fica  tocando 
pela  Lei  na  Nova  Villa,  e  no  Terri  orio,  que  lhe  fica  pertensen- 
do,  o  qual  Comprehenderá  as  sobreditas  freguezias  de  Nossa  Se- 
nhora da  Conceipção  do  Engenho  do  Matto,  e  Nossa  Senhora  da 
Gloria  de  Simão  Pereira  até  onde  Estas  confinão  Com  o  termo 
daCidade  de  Marianna,  e  depois  s  eguindo  estas  divisas  ate  onde 


ABiCHIVO     PUBUCX)     MINEIRO  123 


a  freguezia  da  Matrix  da  Villa  Creada  confronta  Com  o  termo 
da  de  Queluz:  preservando  se  porem  para  diferir  nesta  parte 
aseo  tempo,  e  Com  mais  amplo  Conhecimento  as  reprezentaçoens 
que  se  lhe  tem  feito  sobre  o  território  da  Capela  de  Nossa  dos 
Remédios,  o  qual  sendo  desta  freguezia  se  acha  presentemente 
sogeito  as  Justiças  daquella  Cidade  E  seguindo  os  Limites  da 
sobredita  Villa  de  Queluz  pelo  Rio  Carandahi  abaixo  sedividirá 
do  termo  da  de  San  Joze  pelas  demarcaçoens  das  Fazendas  do 
Gama  e  da  Ressaca  ate  encontrar  novamente  as  desta  freguezia 
Com  omesmo  termo  de  San  Joze  Comprehendidas  no  novo 
Território  as  ditas  duas  fazendas,  eoque  mais  pertense  á  fre- 
guezia dos  Prados  para  aparte  d^.s  Cabesseiras  daquelle  Rio 
Carandahi.  Depois  Continuará  esta  divizão  pela  mesma  desta 
freguezia  Com  as  de  Sam  Joze,  e  Sam  João  de  El  Rey  ate  a 
fazenda  de  Monte  Vidio  donde  Seguirá  pelo  Ribeirão  assima  ate 
o  Lemos  e  dahi  á  fazenda  da  Vertioga,  á  do  Morro  alto  a  de 
Domingos  Pinto  á  de  Santa  Rita  á  do  Tenente  António  de  Al- 
meida Ramos  á  da  Ponte  alta  de  António  Pereira  á  do  Pinhal 
de  Jozé  Rodrigues  Braga,  Seguindo  pelo  alto  do  Morro  Chamado 
Domingos  Gonçalves,  e  dahi  pela  Tapera  de  Joze  Pinto  Rei- 
mão  chamada  a  Boa  vista  á  fazenda  dos  Vallos  Servindo  nesta 
de  diviza  aos  dois  termos  a  Tapera  de  Silvestre  Diniz  Seguira 
pelo  Sitio  de  Jozé  de  Oliveira  Tavares  ao  de  Francisco  Vieira 
da  Rocha  ao  de  Francisco  da  Silveira  á  Ermida  de  Sam  Domin- 
gos, a  Bocaina  e  ultimamente  ás  Cabesseiras  do  Rio  do  Peixe 
incluído  todo  o  Território  das  fazendas  sobreditas,  e  aparte  do 
Sertão  que  seguindo  o  rumo  destas  lhes  corresponde  até  a  extre- 
midade desta  Capitania,  o  qual  por  ora  Sinão  individua  por  ser 
de  Matto  vedado,  eSedemarcará  sendo  necessário  havidas  as 
informacoens  que  sejulgarem  precisas.  O  qual  Território  assima 
indicado  para  este  fim  da  nova  creação  desmembra,  e  separa 
dos  termos  das  Villas  de  Sam  João,  e  Sam  Joze  aque  até  agora 
pertencia.  Dizendo  mais  que  os  moradores  da  nova  Villa,  e  seu 
Território  ha  por  izentos  da  jurisdicção  das  Justiças  de  Sam 
João  de  El  Rey,  e  Sam  Jozé  para  desde  hoje  serem  só  sogeitos 
ás  que  nella  sehão  de  Estabelecer  nasua  verdadeira,  elegitima 
competência:  aqual  enquanto  Sua  Magestade  lhe  não  der  Fo- 
ral próprio,  e  privativo  se  governará  pelas  Leis  do  Reino,  e 
pelos  Custumes  authenticos  das  outras  de  que  he  separada, 
modicando-os  declarando-os  no  que  as  diferentes  Circunstan- 
cias opedirem  por  posturas  e  acordaons  para  que  as  mesmas 
Leis  do  Reino  autorizão  a  sua  Governança.  E  havendo  as- 
sim o  dito  Excelentíssimo  Senhor  Visconde  Governador  por 
Creada  a  referida  Villa  pelo  modo  que  fica  exposto  assim  o 
aceitarão  os  refôridos  moradores,  nobreza  e  povo  que  presen- 
tes  estavão  protestando,   e  jurando  neste  mesmo  acto  firme    e 


124  REVISTA     DO 


Certa  obediência,  e  Sogeição  ás  Leis  do  Reino  Como  Legítimos 
efieis  Vassailos  da  Muito  Alta,  e  Poderoza  Rainha  Dona  Maria 
Primeira  Nossa  Senhora,  e  seus  Augustos  Sucessores.  Eno  mes- 
mo acto  disserão  elles  Nobreza  e  Povo  que  por  ser  muito  exten- 
so, e  impróprio  de  uma  Villa  onome  deste  Arraial  desejavão 
muito  que  agora  na  sua  Creação  se  lhe  desse  outro,  que  ao  mes- 
mo tempo  Conservasse  em  memoria  asua  gratidão  ao  Excelen- 
tíssimo Senhor  Visconde  Governador  pelo  muito  que  eles  em- 
particular  lhe  devem,  e  engeral  toda  esta  Capitania  na  paz,  so- 
cego,  e  Justiça  Comque  agoverna  Combinado  o  Cómodo,  eos  en- 
teresses  de  todos  com  os  deSua  Magestade.  E  que  por  isso 
propunhão  para  asua  nova  Villa  o  nome  de  Barbacena;  Erecu- 
sando  elle  Excellentissimo  Senhor  Visconde  Governador  estas 
propozicoins  instarão  todos  Com  aclamacoens  ás  quaes  foi  neces- 
sário Ceder,  e  Com  efeito  disserão  e  assentarão  que  esta  Villa 
ficava  desde  hoje  para  o  futuro  Com  osobredito  nome  de  Bar- 
bacena para  Com  elle  ser  apelidada  em  todos  os  instrumentos 
públicos,  autos,  e  termos  judiciaes.  (*)  O  que  assim  feito,  e  aca- 
bado como  dito  fica  mandou  elle  Excelentíssimo  Senhor  Vis- 
conde Governador,  que  todos  Nobreza,  e  Povo  seajuntassem  na 
Praça  desta  dita  nova  Villa  para  ahí  assistirem  a  Solemne  Ce- 
remonia  do  Levantamento  do  Pelourinho  aque  immediatamente 
se  vai  proceder.  E  para  constar  do  Sobredito  em  todo  otempo 
mandei  fazer  este  auto,  decriação  que  assinou  com  os  referi- 
dos, que  prezentes  se  achavão,  e  Eu  Pedro  de  Araújo  e  Azevedo 


(*)  Parece  de  todo  inverosímil  a  energia  com  que,  segundo  o  auto,  «no- 
breza e  povo»  insistiram  acclamando  para  a  nova  villa  o  nome  de  Barbace- 
na, titulo  de  Visconde-governador,  elles  que  acabavam  de  supplicar  pros- 
trados humildemente  aos  pés  do  capitão-general,  implorando  com  suspi- 
ros, etc,  conforme  o  mesmo  auto,  photographia  da  submissão  e  oppressão 
da  época.  A  comedia  é  transparente.  Com  a  hypocrisia  que  o  caracteri- 
sava,  pode  bem.  se  concluir  que  o  Visconde  quiz  conciliar  o  prurido  da 
própria  vaidade  com  as  cautelas  convenientes  contra  a  possível  desappro- 
vação  régia,  si  elle  mesmo  figurasse  ostensivamente  dando  seu  nome  no- 
biliarchico  por  titulo  á  villa  recem-creada.  E  para  tal  precaução  tinha  elle 
o  exemplo  do  governador  António  de  Albuquerque  que  titulara— Villa  de 
Albuquerque— á  que  fundara  (e  não  simplesmente  mstallára  após  a  con- 
cessão de  foro  próprio,  etc.)  no  Ribeirão  do  Carmo,  titulo  que  D.  João  V 
desapprovou  e  não  subsistiu,  apezar  de  ser  António  de  Albuquerque  varão 
de  predicados  e  serviços  que  nunca  illustraram  o  nome  do  Visconde  de 
Barbacena. 

Na  hypothese  da  —  Villa  de  Albuquerque  —  havia  justificativa  para 
esse  titulo,  o  que  não  se  dava  com  referencia  á  denominação  de  Barba- 
cena. Esta,  no  emtanto,  prevaleceu  e  foi  substituído  aquelle,  não  tardan- 
do muito  a  ser  trocado  o  nome  de  —Ribeirão  do  Carmo— pelo  de— Marian- 
na— com  elevação  do  local  á  categoria  de  cidade,  só  porque  era  esse  o 
nome  da  rainha  consorte.  Pequenos  caprichos  régios  e  «justiça»  do  go- 
verno metropolitano  consoantes  aos  usos  e  regimen  do  tempo,  reinasse 
D.  João  V  ou  reinasse  Maria  1.^— (Nota  da  redacção  da  Revista). 


AACHIVO    PUBUPO   lilNEIRO  )25 

Secretario  do  Governo,  que  o  Escrevi. — Visconde  de  Barbace- 
na.  Luiz  António  Branco  Bernardes  de  Carvalho,  Manoel  de  Sá 
Fortes  Bus."  Nog' .,  Dom  Agostinho  Pitta  de  Castro,  António 
Roiz.  de  Souza,  Joze  de  Souza  Barreto,  Manoel  do  Valle  Amado, 
Joze  Vidal  de  Barbosa,  Francisco  de  Macedo  Cruz,  João  Roiz. 
da  Costa,  Manoel  Joze  da  Rocha  e  S"  .,  Domingos  António  de 
Azevedo,  Joaquim  Joze  Vieira,  Tex".  (segue-se  um  nome  inde- 
cifrável), o  P.'  António  Joze  Roiz.,  Manoel  Luis  Corr ' .  de  Payva, 
Joze  António  Ferraz,  Manoel  Francisco  Lana,  João  Roiz.  da  Cos- 
ta, Manoel  de  Faria  Mor",  Joze  de  Castro  Pinto,  António  da 
Mat  Leite,  Manoel  Joaquim  de  Araújo,  Gonçallo  Mor :  de  S.  Payo, 
Manoel  Moreira  da  Silva,  Manoel  Roiz.  dAr".,  João  de  Castro 
Guimarães,  Joze  António  de  Carvalho,  Joaquim  Marques  da 
Silva,  Manoel  Ferreira  da  S."  Moira,  Joze  Per' .  de  Alvim.  Joaquim 
Roiz.  Valle,  Bento  Joze  Per .,  Jacinto  Giz.  Campos,  Joze  Th.  de 
Freitas,  Francisco  Marq*.  Viana,  Joaquim  Roiz.  de  Ar°.,  Gregório 
Joze  da  Costa,  Joaquim  Joze  Bandr'  .  Joze  Alz.  Garsia,  Francis- 
co Alves  Garsia,  Joze  Manoel  da  Fon'".,  João  Giz.  Bahya,  Fran- 
cisco Gomes  Ferr  .,  Manoel  Roiz  Valle,  Joze  Carn.°  Mor. ' ,  Joze 
António  Frz.,  Joze  Lourenço  Ferr.-' ,  o  P'" .  Joam  Garcia  da  Sil- 
veira, o  P'  .  Joze  Roiz  de  Souza,  o  P.""  Joze  Ferr.  Paiva,  o  P'  . 
Fran.*"'  Pereira  da  Cunha,  o  P.''  Manoel  Per."  da  Cunha,  Joze 
Roiz.  Vianna,  António  Jozé  Leite,  Jozé  Francisco  Furtado,  Pedro 
Joaqm.  da  Silvr.^,  Joze  Fran.*^"  dos  Santos,  Serafim  Simoens  Sen- 
teo,  Joze  da  S."*  Valle,  Caetano  Ferr.",  Bern.*^"  Gomes  da  Costa, 
Jozé  Marselino  de  Moraes,  Jozé  de  Ar."  Barb.,  Ant."  Dutra  a 
Necasio,  Jacinto  Dias  Costa,  Manoel  Ferr."  Coelho,  Manoel  Jozé 
de  Olivr.^,  M.''  Gomes  Diniz,  Fran.'^"  Luiz  de  Medeiros,  Silvestre 
Giz.  Campos,  Jozé  Faria  Ferr.'' ,  Jozé  Pereira  da  Roza,  Vicente 
Alz.  Ar.",  Joaquim  Per."  dos  Santos,  António  de  Ar."  Barboza, 
Franc."  Alvz.  da  S.",  João  Jozé  da  Roza,  António  Lopes  da  S." 
Lx.^  M.*^'  Machado  de  Miranda,  Costodio  Jozé  Roza,  Jozé  Leo- 
nardo, Miguel  Fran."^^"  da  S.**,  Fran.'"  Martins  Roriz,  João  Pedro  de 
Olivr.",  João  Glaz  Lima,  Jozé  Roiz.  de  Araújo,  Agostinho  da  S." 
de  Miranda,  António  Jozé  Giz.,  João  António  de  Ar.",  Manoel 
Jozé  Per.",  Henrique  Ferr."  Velho,  Luis  Tavares  de  Souza,  João 
da  Costa  Per."  Terra. 


126  REVISTA    DÓ 


Auto  de  Levantamento   do  Pelourinho  da  Villa 

de  Barbacena 

Anno    do   Nascimento   de   Nossa   Senhor   Jesus    Christo  de 
mil  Seíe  Centos,  e  noventa  e   hum  aos  quartorze  dias   do    mez 
de  agosto  nesta  Villa  de  Barbacena  Comarca  do  Rio  das  Mortes 
sendo  presente  o  Illustrissimo  e  Excelentíssimo  Senhor  Visconde 
de  Barbacena  Governador,  e  Capitão    General    da  Capitania  de 
Minas  Geraes,  e  o  Doutor  Desembargador  Luiz  António  Branco 
Bernardes    de    Carvalho  Ouvidor   Geral,   e    Corregedor  da  dita 
Comarca  com  a  Nobreza,  e  Povo  da  Sobredita  Villa  novamente 
creada,  e    seu  termo,    pelo  mesmo  Illustrissimo  e  Excelelentissi- 
mo  Senhor  Visconde  Governador  foi  mandado  Levantar  o  Pelou- 
rinho da  referida    Villa  o  qual   Com  effeiío  se    levantou  Com  a 
Selemnidade  do  Estillo  no  meio  da  Praça  delia  e  de  fronte  das 
Casas  destinadas  para  postos  do  Conselho:  o  qual  Levantamen- 
to se  fez  e   concluio   repetindo  entretanto   todos    os  assistentes 
em  altas  vozes  Sucessivas  aclamacoens — Viva   a  Rainha    Nossa 
Senhora  Dona  Maria  Premeira — Comrespondendo  alternativamen- 
te a  estas  aclamacoens  com  salvas  e  descargas    o  Destacamento 
da  Cavalaria  Regular  de  Villa  Rica     que   aqui  serve  de  Guarda 
do  mesmo  Senhor,  o  da  Infantaria  do  Regimento   de    Bragança 
que  aqui  está  aquarteJlado,  e  o  Esquadrão  de  Cavalaria  auxiliar 
do  respectivo  destrito,  os  quaes  corpos   todos  estavão  postados 
e  formados  em  torno  da    referida  Praça,  e  ahi    se    conservarão 
em  ordem  até    se  finalizar  esta  solemne    Ceremonia  Depois    da 
qual  elle  Illustrissimo  e  Excelentissimo  Senhor  Governador  deter- 
minou ao   dito   Ouvidor    Geral,  e  Corregedor  da  Comarca,  que 
Logo,  em  conformidade  da  Lei  procedesse  a    eleição  das   Justi- 
ças, e  Governança  que  hajão  de  Servir  desde  hoje  nesta  dita  Vil- 
la novamente    creada  dando-lhes    posse   de  seus  nobres  cargos 
para  os  exercerem  até  o  ultimo  de   dezembro  do    anno  próximo 
futuro  de  mil  sete  centos  e  noventa  e   dois:    do    que  tudo  para 
assim    Constar  em  todo  o  tempo  mandou  fazer  e  lavrar  este  auto 
que  assignou  Com  o  dito    Ouvidor  Geral,  e  mais   pessoas    que 
presentes  se  achavão  e  Eu  Pedro  de  Araújo  e  Azevedo  Secretario 
do  Governo  que  o  escrevi:— Visconde  de  Barbacena.— Luiz  An- 
tónio Branco  Bernardes  de  Carvalho,  José  Vidal  de  Barbosa,  Ma- 
noel de  Sá  Fortes  Bus.  Nogr."*,  Dom   Agostinho  Pitta    de  Castro, 
António  Roiz.  de  Souza,  Fran.*^"  de  Macedo    Cruz,  João  Roiz.  da 
Costa,  Domingos  António  de  Aze.*^",  José    Ant."    de  Carvalho,  o 
P.e  Joze  Roiz  de  Souza,  João  Giz.  Bahya,  Manoel  Fran/"    Lima, 
Mar/"  de  Far.^  Mor.^  M.*^'  Joaq.'"  de  Ar.",  o  P.*^  Joam  Garcia  da 
Silveira,  o  P/  Jozé  Ferr.^  de  Paiva,  João  Roiz.  da  Costa,  José  de 
Castro  Pinto,  Goncallo  Mor.='  de  S.  Payo,  Joze  António  Ferraz,  M^^ 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO 


127 


Mor."  da  S.",  José  de  Souza  Barreto,  Joaq."  Roiz.  Valle.  Bento 
José  Per.^,  Joaquim  Joze  Band.",  M.''  Luiz  Corr."  de  Payva,  An- 
tónio da  Mota  Leite,  Manoel  Ferr."  da  S.'*  Moura,  Domingos  Dias 
Per."*,  o  P.'  Manoel  Ferr.'' Coelho,  Joaq.'"  Roiz.  de  Ar.",  o  P. '  Ma- 
tias Alves  de  Oliveira,  o  P...  Manoel  Per."  da  Cunha,  M.Z  Roiz. 
de  Ar.",  Luiz  Tavares  de  S.  Joze,  o  P.'  Fran.*^"  de  Salles,  Joaq.'" 
Joze  Teixeira,  Fran.'"  Marq.'  Vianna,  Gregório  José  da  Costa, 
João  da  Costa  Mattos,  José  Cani."  Fon.*"",  Joze  AIz.  Garsia,  José 
M.*'  da  Fon.^",  Manoel  Roiz.  Valle,  Gonçalo  Gomes  Miz.,  Joze 
António  Afonço,  António  Ferr."*  Pinto,  Miguel  An.'"  de  Payva, 
José  Roiz.  Vianna,  Henrique  Ferr."  Velho,  An.'"  Joze  Leite,  Mar- 
tinho da  Costa  Barboza,  José  Fran.^"  dos  Santos,  Joze  da  S." 
Valles,  Joze  Fran.^"  Furtado,  Bernardo  Gomes  da  Costa,  Pedro 
Joaq.'"  da  Silv.",  Serafim  Simoens  Senteyo,  Jacintho  Dias  da 
Costa,  José  Marcellino  de  Moraes,  Caetano  Ferr.",  Joze  de  Ar." 
Barbosa,  Jacintho  Giz.  Campos,  An.'"  Dutra  Anecacio,  M. ''  Per.'' 
Coelho,  Fran.'"  Ferr.^,  M.''  Joze  de  Olir.^.  Joaquim  Per.^  dos 
Santos,  Silvestre  Giz.  Compôs,  Joaq.'"  Marques  da  Silva,  Fran.<^" 
Luiz  de  Medeiros,  Vicente  Alves  de  Ar.",  Joze  Per.^  da  Roza, 
Joze  Faria  Ferr.''',  João  Joze  da  Roza,  João  Paulo  de  Olivr.", 
Costodio  Joze  Rosa,  An.""  de  Ar."  Barb.^  Fran.*^"  Alz.  da  S.''. 
Miguel  Fran.^""  da  Silva,  Agostinho  da  S."  de  Miranda,  M.'"'  Ma- 
chado Miranda,  João  Giz.  Lima,  Joze  Leandro  Per.^,  Joze  Roiz. 
de  Araújo,  António  Joze  Giz.,  Francisco  Miz.  Roiz.,  Francisco 
Joze  Esteves,  João  António  de  Ar.",  Manoel  Simoens  Deniz  e 
Manoel  Joze  Pereira. 


n 

'^1 


CHOROGRAPHIA  MINEIRA 


Vai  para  cinco  annos  que  o  cidadão  ora  collocado  na  dire- 
cção desta  J\('vis'/a  e  do  Archivo  Publico  Mineiro,  no  empenho 
de  colligir  informações  úteis  para  o  preparo  de  um  esboço  de 
desenvolvida  e  completa  Clioro<jr<ipkia  Mineira,  formulou  o 
«questionário'  abaixo  que,  impresso  em  centenas  de  folhetos — 
um  para  cada  districto  de  paz  do  Estado- com  preciso  espaço 
em  branco  para  as  respectivas  respostas,  distribuiu  entre  pessoas 
intellitíentes,  solicitando-lhes  o  seu  efficaz  concurso  para  o 
fim  referido: 


QUESTIONÁRIO 


1.  Qual  a  situação  e  aspecto  physico  dessa  localiflade?  Com  que 
districto  (desse  ou  de  outro  município)  esse  districto  confina?  A  locali- 
dade é  sede  de  freguezia,  ou  a  que  freguezia  pertence?  De  que  bispado 
faz  parte?  Ha  no  território  do  districto  alguma  curiosidade  natural?  Qual 
e  Oíide? 

2.  Qual  o  numero  das  casas  situadas  dentro  da  povoação?  Em  quantas 
ruas  e  praças  esta  se  divide?  Ha  edifícios  públicos?  Qual  o  seu  destino  e 
valor?  Quaes  as  egrc>as  da  localidade,  sua  importância  e  estado  em  que 
se  acham?  Em  quanto  pode  ser  estiniíxia  a  população  desse  districto  e 
do  inunicipio?  Quantos  eleitores  se  acham  qualificados?  Ha  alguma  tra- 
dição sobre  as  origens  da  povoação?  Quando  foi  ella  começada?  Já  se 
deu  ahi  algum  facto  importante,  digno  de  registro  histórico?  Em  que 
data?— (dia,  niez  e  amio). 

3.  Ck)rre  algum  rio  no  districJo?  A  que  distancia  dessa  localidade? 
Onde  nasce?  Que  tributários  recebe?  Qual  a  extensão  de  seu  cursí)?  'E' 
navegável  e  navegado?  Porque  meios?  E'  abundante  em  peixes?  As 
povoações  e  fazendas  do  districto  são  bem  abastecidas  de  agua  para  to- 
das as  necessidades  doraesticas,.da  criaçâo^e  da  lavoura?  Ha  pootes  ou 
chafarizes  f»flblico3? 

4.  Quaes  as  serras  e  morros  priucipaes  do  districto?  São  isoladas, 
ou'prendem-se  a  alguma    cadèa  de  montanlias? 

5.  Qual  o  clima  da  localidade?  Tèm  ahi  grassado  epidemias?  Ha 
moléstias  endémicas,  e  a  que  causas  são  eílas  attríbuidas?  A  população 
é  regularmente  vaccinadae  revaccinada?    O  districto  foi  em  algum   tem- 

'po  flagellarlo  por  secca  ou  inundação?    Já  houve    ahi    algum   tremor    de 

R.  A.     9 


130  HEVISTA    r>o 


terra?    São  frequentes  e  muito  fortes  as  geadas?    A  que  extremos    verifi- 
cados de  temperatura  têm  chegado  ahi  o  frio  e  o  calor? 

6.  Quaes  as  riquezas  naturaes  do  districto  mais  consideráveis  e  de 
mais  fácil  exploração?  Têm  havido  trabalhos  e  estudos  para  seu  apro- 
veitamento? Indivíduos  ou  emprezas  a  isso  se  tem  dedicado?  Com  que 
resultados? 

7.  Em  que  proporção,  approximadamente,  se  acham  ahi  as  terras— 
campos,  serrados,  capoeiras  e  mattos?  Ha  florestas  virgens?  em  que 
quantidade?  Qual  o  valor  actual  médio,  por  alqueires,  das  diversas  qua- 
lidades de  terras?  Estes  preços  são  superiores  acs  de  sete  annos  atraz 
e  tendem  a  augmentar?  A  que  géneros  de  cultura  se  prestam  melhor  as 
terras?  Quaes  as  madeiras  mais  estimadas  ahi  existentes,  seus  nomes  e  usos? 

8.  Quaes  os  ramos  principaes  da  lavoura?  Quaes  os  instrumentos  e 
processos  usados  no  amanho  das  terras?  Estão  iniciados  ou  projectam-se 
alguns  melhoramentos  agrícolas?  Para  onde  é  feita  a  exportação  dos 
géneros  não  consumidos  na  localidade?  Existe  e  desenvolve-se  o  plantio 
da  uva,  do  algodão,  do  café,  do  fumo  e  da  canna?  Aumenta  o  cultivo 
dos  géneros  alimentícios  ou  diminue  e  encarece  o  seu  valor?  Nesta 
hypothese,  quaes  as  causas?  Ha  no  districto  trabalhadores  agrícolas  ex- 
trangeiros?  A  que  lavoura  se  dedicam?  Em  que  condições  se  ajustam? 
A  que  nacionalidade  pertencem?  Tem  aptidões  para  o  serviço  e  com 
elles  estão  satisfeitos  os  lavradores?  Tem  havido  emigração  de  habitan- 
tes do  districto  para  outros  Estados  ou  outros  municípios,  para  fundar  em 
novas  fazendas  ou  se  ajustarem  como  trabalhadores  ruraes?  Em  que  al- 
garismos pode  ser  avaliada  essa  emigração  nos  últimos  7  annos?  Quaes 
as  causas  conhecidas  do  facto?  Continua  a  tendência  emigratoria,  e  é  el- 
la  provocada  por  agentes  de  outros  municípios  ou  de  outros  Estados? 
Qual  a  media  ordinária  do  salário  dos  trabalhadores  agrícolas? 

9.  Quaes  as  espécies  principaes  da  criação  do  districto?  E'  avulta- 
do o  numero  de  animaes  e  promette  augmentar?  Ha  algum  melhora- 
mento das  raças  pelo  cruzamento  e  introducção  de  bons  reproductores? 
Para  onde  se  faz  a  exportação  do  gado— vacum,  lanígero  ou  suino?  Qual 
a  media  do  respectivo  valor,  actual  e  nos  últimos  7  annos?  Quaes  os  pas- 
tos—naturaes  e  artificiaes— mais  communs  no  districto  e  quaes  preferi- 
dos para  a  engorda    do  gado? 

10.  Ha  no  districto  fabricas — de  fiação,  tecidos,  assucar,  queijos,  man- 
teiga, productos  cerâmicos,  massas  alimentícias,  cortumes,  ou  de  outras 
qualquer  industria,— e  qual  a  importância  d'ellas?  Si  ha  fabrica  de  vi' 
nho— qual  a  quantidade,  qualidade  e  preço  dos  productos,  quaes  as  es- 
pécies da  uva  cultivadas,  e  para  onde  é  o  vinho  exportado? 

11.  Quaes  os  ramos  principaes   e  valor    annual    da    exportação   do 
porção  estão  os  negociantes  brasileiros  para  com  os  estrangeiros?    E  en- 
tre estes  quaes  os  em    maior  numero?    Ha  officinas  de  artes    e    officios? 
Nellas  recebem  ensino   os  meninos  pobres?    Em  que  condições? 
districto  e  do  município?    E'  activo  o  movimento  mercantil?    Em  quepro- 


ARCHIVO     PUBLirO    MINEIRO  131 


12.  Qual  a  distancia  da  localidade  para  as  sedes  dos  outros  districtos  do 
municipio?  Os  caminhos  sáo  bons?  Ha  necessidade  de  pontes  sobre  algum 
rio?  Qual  o  custo  provável  da  obra?  A  que  povoação  interessa  ella? 

13.  Que  escolas,  ou  collegios  (públicos  e  particulares)  ha  na  localidade? 
Qual  a  população  escolar  (mais  ou  menos)  e  a  frequência  media  de  alumnos 
e  alumnas  n'aquellas  escolas?  Os  alumnos  pobres  têm  livros  e  utensilios  es- 
colares? Ha  aula  primaria  nocturna  para  adultos,  ensino  musical  ou  de  outras 
artes,  bibliotheca  publica  ou  gabinete  de  leitura?  Sâo  vastas,  claras  e  aceiadas 
as  casas  das  escolas  publicas?  São  estas  só  estaduaes  ou  também  muni- 
cipaes? 

14.  Ha  cadeia  ou  casa  de  prisílo  na  localidade?  Em  que  estado?  Que 
numero  de  presos  contêm  e  comporta? 

15.  Ha  theatro?  Pharmacia?  Praças  de  mercado?  Cemitério  publico?  Fo- 
riim?  Hospital  de  caridade,  ou  alguma  outra  instituição  de  beneficência,  lite- 
rária, artística,  industrial,  ou,  sob  qualquer  aspecto,  de  utilidade  geral?  Em 
que  estado  se  acham  esses  estabelecimentos  e  de  que  recursos  dispõem?  Ha 
sacerdotes,  médicos,  advogados  e  pharmaceuticos? 

It).  A  quanto  montam  a  receita  e  a  despcza  do  orçamento  municipal?  E 
do  districtal?  O  património  da  municipalidade  e  o  desse  districto  doque  se 
compõe?  Na  despeza  da  municipalidade  e  na  do  cotiselho  districtal  qual  a  par- 
te apresentada  pelos  vencimentos  dos  empregados?  E'  subsidiado  o  agente 
te  executivo?  Com  que  somma?  Ha  illuminação  publica  local?  O  mercado 
é  bem  abastecido  de  géneros  alimentícios?  Qual  a  procedência  delles?Quaes 
os  preços  médios  porque  são  actualmente  venaidos? 

17.  Ha  na  localidade  alguma  typographia?  Desde  quando?  Que  periódico 
edicta  e  a  data  de  seu  apparecimento?  Quaes  os  seus  proprietários  e  reda- 
ctores? Quando  appareceu  ahi  o  primeiro  periódico  local?  Qual  o  seu  titulo^ 
quem  o  fundou  e  redigiu?  Desde  então  até  agora— quaes  os  periódicos  pu- 
blicados—seus títulos  e  nomes  dos  redactores  e  fundadores  e,  ao  menos 
approximadamente,  o  tempo  de  duração? 

18.  Ha  no  districto  algum  outro  povoado,  ainda  que  simples  lugarejo? 
Qual?  A  que  distancia  fica  elle  da  séde?Quantas  casas  e  que  população  po- 
derá ter?  Ha  nelle  egreja,  cemitério,  escolas?  Em  que  condições  de  vida  se 
acham  os  habitantes  desse  povoado,  quanto  á  instrucção,  çommercio,  la' 
voura,  industria,  etc? 

19.  Quaes  as  necessidades  e  reclamos  públicos  mais  importantes  e  justi- 
ficados desse  districto,  e  do  município  em  geral?  Quaes  os  elementos  prin' 
cipaes  existentes  para  o  desenvolvimento  da  prosperidade  local? 

20.  Entre  os  filhos  dessa  localidade,  já  fallecidos,não  se  podem  citar  ai. 
guns  que  realmente  se  distinguissem  por  actos  de  notável  benemerência,  ou 
por  talentos,  virtudes  e  serviços  á  causa  publica?  Quaes  são  elles?  Em  que 
data  (dia,  mez,  anno,  e  onde  nasceram  e  morreram?  Que  profissões  ou  car- 
gos exerceram?  Quaes  os  factos  mais  salientes  de  sua  vida?  E  com  relação 
ás  pessoas  vivas  não  ha  entre  ellas  algumas  dignas  de  menção  por  ex- 
traodinarios  serviços  ou  benefícios  á  localidade? 


iaC!  REVISTA  rDO 


O  inúmero  e. a  natureza  variadissima  dos  quesitos  propostos 
dão  .ideia  do  interesse  e  importância  que  poderião  terás  i  res- 
postas .  Infelizmente,  porem,  das  centenas  de  folhetos  distri- 
buídos só  algumas  dezenas  voltarão  com  informações  das  pedi- 
das e  necessárias  para  a  confecção  conscienc^iosa  do  minucioso 
trabalho  projectado.  Alem  de  obsequio  ao  solicilante,  que  por 
ellas  de  novo  se  confessa  >  gratíssimo,  as  obtidas  respostas  ao 
«questionário»  valem  como  excellente  serviço  publico,  que 
cumpre  apregoar  por  dever  de  justiça  e  ainda  como  estimulo 
para  a  contribuição  de  idênticos  subsídios,  indispensáveis  na 
elaboração  de  um  livro  destinado  a  tornar  bem  rconhecitío  o 
Estado  Mineiro  sob  todos  os  aspectos  que  assignalem  os  seus 
pujantes  recursos  naturaes,  a  actividade,  energia  e  civismo  de 
-seus  t  habitantes,  os  elementos  de  sua  vitalidade,  e  quantos  ou- 
tros factores  tenham  cooperado  ou  possam  efficazmente  contri- 
buir de  futuro  para  o  desenvolvimento  do  seu  progresso  —  ma- 
terial, intellectual  e  moral. 

'Esperamos,  elaborando  e  inserindo  successivamente  nesta 
'Rei^isia  pequenas  «monographias  municipaes»,  poder  utilisar- 
mo-nos  dessas  respostas  no  que  forem  ellas  aproveitáveis,  am- 
pliando-as  com  outros  dados  que  já  possuímos  ou  encontram-se 
esparsos  em  numerosas  publicações,  e  reduzindo  tudo  a  um 
trabalho  quanto  possível  methodico  e  de  proveitosa  consulta. 
Mencionaremos  então,  á  proporção  que  as  alludidas  monogra- 
phias se  publicarem,  os  nomes  dos  conterrâneos  distinctos  para 
cujo  valiosíssimo  concurso,  em  tentamen  tão  caracteristica- 
mente mineiro,  não  appellamos  debalde. 

Por  agora  abrimos  espaço. na  Revista  do  Archivo  Publico 
Mineiro  ás  informações  corographicas  concernentes  ao  municí- 
pio de  S.  Domingos  do  Prata,  subsidio  valioso  que  devemos  a 
um  cidadão  distincio  por  talentos,  illustração  e  probidade,  o 
dr.  António  Serapião  de  Carvalho,  digno  juiz  de  direito  d'- 
aquella  comarca.  Tendo  elle,  por  sua  vez,  colligido  dados  e 
apontamentos  úteis,  accrescentando-lhes  não  poucas  indicações 
de  sciencia  própria,  elaborou  memoria  habilmente  ordenada, 
que  não  desiustra-lhe  o  nome  já  aureolado  nas  lettras  jurídi- 
cas. Foi  escripía  ha  cerca  de  dois  annos  e  é  novo  documento 
de  seu  grande  mérito  intellectual,  como  do  vseu  exemplar  patrio- 
tismo. 

Com  este  interessante  e  útil  trabalho,  inserto  abaixo,  temos 
o  prazer  de  encetar  o  esboço  da  planeada  COROGRAPHIA  >MI- 
NEIKA,  para  cuja  integral  elaboração  reiteramos  aqui  os  pedi- 
dos de  informações  feitos  a  illustrados  concidadãos;  e  ficam 
taes    pedidos  extensivos  a    quantos   possam   prestar-nos  contri- 


ARCHIVO    PUBI.ICO     MINliII\0  133 

biijção  valiosa  no  empenho  que  nos  anrma,  exclusivamente  em 
proveito  e  honra  da  Terra  Mineira,  que  só  tem  a  lucrar  em  ser 
bem  conhecida  par  nacionaes  ou  por  estrangeiros. 


Município  de  S.  Domingos  do  Prata; 


ÁREA  E  LIMITES 

O  municipio  de  S.  Domin<íos  do  Prata  occupa  um  território 
calculado  approximadamentc:  de  N.  a  S.,  isto  é,  de  uma  recta 
tirada  do  Piracicaba  ao  S.  Bartholomeu,  em  108  kilometros— de 
L.  a  o.,  isto  é,  da  Barra  do  Sacramento  á  cabeceira  do  Cobras, 
em  112  kilometros.  Limita-se:  a  L.  com  o  municipro  do  Caratinga, 
pelo  Rio  Doce;  a  S.  e  a  S.  E.  com  o  da  Ponte  Nova,  pelo  mesmo 
rio,  a  S.  e  a  S.  O.  com  o  municipio  de  Alvinopolis,  pelas  ver- 
tentes do  S.  Bartholomeu  inclusive,  e  Prata;  a  O.  com  ode  Santa 
Barbara  e  ao  N.  1."  com  ode Itabira(l),e  aoN.com  Itabira  e  Ferros. 

ASPECTO  PHY5IC0 

Em  geral,  montanhoso,  porque  só  é  plana  a  margem  es- 
querda do  rio  Doce  que  nos  pertence. 

Ha  alguns  vales,  e  vastas  planicies  á  margem  do  magestoso 
Rii)  DÒGO,  onde  sç  encontram  gigantescas  florestas  primitivas 
(matas  virgens)  e  formosissimas  lagoas,  murto  fundas,  que  se 
prestam  á  navegação. 

OROGRAPHIA 

As  montanhas  principaes  são: 

1.*^  A  do  MonilxfÇd  (2),  que  atravessa  a  parte  S.  E.  do  mu- 
nicipio, passando  pelos  districtos  de  Ilheos,Dionisio  e  Sacramento. 
E'  a  mais  extensa  e  a  mais  elevada  do  municipio,  e  toma  os  di- 


(1)  O  limite  natura!  com  o  municipio  cio  Itabira  é  o  rio  Piracicaba.  Enire 
esterio  e  o  limiíe  acttial  rio  Prata  ha  numa  linpíua  rle  torra  que  nâo 
checa  a  6  kiiometrn.s   do  líircjura,  o  qual  pertenro  áquelfo  municipio 

(2j  Mombaça  é  a  montanha  que  na  aliás  excellente  carta  rio  dr.  Chrockat 
está  com  o  nome  de  Sacramento. 


134  REVISTA    DO 


versos  nomes— de  S-  Bartholomeu,  Barro  Preto.  Sacramento 
e  Posse.  Os  pontos  mais  altos  são:  o  pico  de  íS.  Bartholomeu 
e  Posse.  Prende-se  á  cordilheira  do  Inficcionado.  Contem  sober- 
bas florestas.  Na  fralda  do  S.  Bat  tholomeu  ha  uma  fabrica  de 
ferro. 

2.°  As  do  Jaeróa  e  Salvador  Gomes,  que  dominam  grande 
parte  do  Rio  Doce.  Parecem  ser  um  prolongamento  em  sentido 
norte  da  montanha  do  Mombaça.  Na  fralda  e  na  base  destas 
montanhas  ha  esplendidas  mattas  virgens  em  terrenos  quasi  todos 
devolutos. 

3."  A  Serra  da  Bôa  Vista,  prolongamento  da  do  Mombaça, 
entre  os  districtos  de  Alfié  e  Dionísio.  Tem  muita  matta  virgem. 
Os  terrenos  adjacentes  do  lado  do  districto  do  Alfié  são  todos 
cultivados . 

4.°  O  morro  da  Sella,  coberto  de  vegetação  pobre,  quasi 
rachitica  em  comparação  com  as  das  outras  terras.  E'  um  pro- 
longamento da  serra  do  Inficionado,  e  não  uma  ramificação  da 
serra  de  Itabira,  morrendo  nas  margens  do  Piracicaba. 

Os  terrenos  adjacentes  já  estão  cançados. 

POTAMOGRAPHIA 

A  maior  parte  do  território  de  S.  Domingos  do  Prata  é  ba- 
nhada pelo  bello  rio  Piracicaba  e  pelo  Rio  Doce,  que  continua  a 
ser  o  atrativo  dos  Caçadores. 

Do  Piracicaba  são  tributários: 

1.°  O  rio  Prata:  nasce  na  serra  do  Mombaça  nas  divisas  de 
Alvinopolis,  banha  o  Oeste  do  município:  tem  cerca  de  50  kilo- 
mdtros  de  extenção  (3). 

2.°  O  rio  Alfié:  nasce  no  lugar  denominado  Estiva;  corre 
para  o  N.;  tem  28  kilometros  de  extensão. 

3.°  O  Onça  Peqiieno  (4)  com  42   kilometros    de    extensão. 

A°  O  Onça  Grande. 

5.°  O  ribeirão  do  Alegre  com  36  kilometros   de    exteasão. 

O  rio  Prata,  por  sua  vez,  recebe  os  seguintes  principaes  afluen- 
tes: á  margem  esquerda;  o  Baleeiros,  com  9  kilometros  de  exten- 
são: o  Cobras,  que  tem  também  dous  affluentes,  o  Bananal 
e  o  Corrientes; — á  margem   direita    o   Canfagallo   e  o  Paiva 


(3)  O  nome  de  Prata  lhe  veio  dos  descobridores,  pela  limpidez  de  suas 
aguas  que  então  pareciam  fios  de  prata. 

Actualmente  a  agua  dõ  rio  é  cor  de  terra« 

(4)  O  rio  conhecido  por  Onça  Pequeno  é  maior  do  que   o  Onça  Grande. 
E'  uma  extravagância,  mas  é    a  verdade.  E' outro  ponto  que  o  illustra- 

do  dr.  Crockat  de  Sã,  sem  duvida  corrigirá  na  2".  edição  de  sua  carta  de 
Minas-Oeraes. 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  135 

com  8  kilometros  de  extensão  cada  um,  o  Morro  da  Seda,  de 
agua  muito  clara,  e  cujo  principal  afíluente  é  o  Esperança 
com  7  kilometros  de  extensão,  os  ribeirões  da  Cachoeira  e  de 
Mafo-Deniro. 

São  tributários  principaes  do  rio  Doce 

1."  O  aS'.  Barfholomeu:  nasce  na  serra  de  S.  Bartholomeu 
— ramificação  da  do  Mombaça. 

2."  O  Santa  Rita:  nasce  na  serra  do  Mombaça  e  recebe  pela 
margem  esquerda  o  S.José,  que  nasce  n'um  plano  perto  do 
morro  dos  Allemães. 

3.°  O  Barra  Alcr/re:  nasce  também  na  serra  do  Mombaça. 

4."  O  Sacramento:  nasce  no  alto  do  Atalho  (serra  do  Sacra- 
mento), tem  42  kilometros  de  curso. 

Recebe  pela  margem  esquerda  os  affluentes  seguintes:  o 
córrego  novo  com  12  kilometros  de  extensão  e  o  córrego  do 
funil  com  8  kilometros  de  curso  e  muita  agua;  o  dos  Pau- 
listas e  o  dos  Martins,  com  6  kilometros  de  extensão  cada  um; 
nascem  todos  na  serra  do  Momt>aça,  e  pela  margem  direita  o 
córrego  da  Floriana,  com  curso  de  8  kilometros,  o  cór- 
rego do  sul,  com  4  kilometros;  e  o  da  Rocinha  com  3  kilometros 
de  extensão:  —  nascem  na  ramificação  da   serra    do  Mombaça. 

5.°  O  Mombaça:  nasce  na  serra  do  Mombaça,  em  um  plano 
perto  do  Morro  dos  Allemães. 

6.°   O  Belém,  com  24  kilometros  de  curso. 
7."   O  Piracicaba. 

8.^  O   Belhi  Fama,  com  9  kilometros  de  extensão. 
9."  O  MacuGO,  ribeirão  com  9  kilometros  de   extensão,   agua 
limpida. 

Os  terrenos  adjacentes  estão  em  mattas  virgens,  gigantescas  e 
lindíssimas, 

ILHAS.  —  Ha  algumas  no  rio  Doce.  São  muito  conhecidas: 
a  ilha  do  Sacramento  (inhabitada)  com  2  kilometros  de  exten- 
são, coberta  de  florestas,  um  kilometro  abaixo  da  foz  do  rio 
Sacramento;  a  Pellada,  abaixo  da  do  Sacramento,  coberta 
pelas  aguas  das  enchentes,  e  a  Lucrecii,  abaixo  da  Pellada 

LAGOAS.  —  Na  margem  esquerda  do  rio  Doce,  pertencente 
a  este  município,  se  encontram,  alem  de  muitas  outras,  as  gran- 
des lagoas  denominadas:  Lagoa  Nova,  Lagoa  da  Barra,  La- 
goa Verde  e  Marohá,  ft  mais  fer Hl  em  peixes,  a  Lagoa  Dolphino 
e  a  Lagoa  Grande{5) . 


(5)  A  lagoa  do  Delphino,  a  O  kilometros  de    distancia  do  rio    Doce,  e  a 
lagoa  Grande  sâo  caspios. 


136>  nnrviSTA  do 


A  Lagoa  Nf>vu,  situada  á  margem  esquerda  do  rio  Mom- 
baça, é  calculada  em  20  kilometros  de  extensão  e  em  8  kilò- 
metros  em  sua  maior  largura. 

A  Lagoa  da  Burra  é  atravessada  pelo  rio  Mombaça. 

A  Lagoa  Verde  está  situada  á  direita  do  mesmo  rio.  As 
tfes  lagoas  formão  um  triangulo  e  são  vistas  do  alto  do  Ja- 
croâ  nos  dias  claros. 

No  districto  do  Dionísio  ha  três  lagoas  grandes  chamadas— 
Pau  grande  ou  I^au  gigante,  Almecegn  e  Ágna-pé.  No  dis- 
tricto de  Ilheosha  a  lagoa  Formosa  com  6  kilometros  de  cít- 
cumferencia. 

Quasi  todas  as  lagoas  estão  em  terrenos  devolutos  e  são 
muito  abundantes  em  peixes  e  caças.  No  districto^  do  Saaa- 
mento  ha  uma^ormosa  lagoa:  a  lagoa  Dourada. 

CLIMA  (6) 

Temperado  na  cidade  de  S.  Domingos  do- Prata,  na  freguezia 
da.  Vargem  Alegre  e.  na  parte  alta  do  districto  de  SanfAnna 
do.  Alíié,  quente  e  secco.  nos  outros  logares.  —  As  doenças  mais 
communs  são  as  do  fundo  palustre  e  do  apparelho  respiratório. 
Moléstias  epidemicas  não  ha:  as  manifestações >  palustres,  que  sie 
observão  em  todo  o  município,  nos  mezes  de  dezembro  a  março, 
cedem,  de  ordinário,  a  um  tratamento  regular.  As  celebres  ma- 
leitas só  existem  nas  margens  despovoadas  do  rio  Doce,  cobertas 
de  espessas  florestas,  na  esticão  quente,  em  consequência  da 
fermentação  dós  detrictos  vegeíaes,  depositados  nos  pântanos; 
e  tanto  é  assim  que  estes  logares  são  muito  frequentados  pelos 
caçadores  na  estação  fria  (de  junho  a  setembro),  certos  de  não 
comprometterem  sua  saúde. 

FLORA 


E'  muito  rica.  Encontram-se  madeiras  de  lei,  como  jaca*- 
randâ,  leiteira,  vinliatico,  sebastião  de  ariuda,  cedro,  lurau- 
na,  ipê,  sicupira;  arvores  preciosas,  como  aamoreiru,paa  brasil 
gromarim,  canellas  de  varias  qualidades;  piuna^  pitiá,  jatobá, 
páo  de   coiher,  garapa, ,  palmito, .  paineira,  palmeira,  ai irlbá,     pe 


(6)  Esta  parte  do  presente  trabalho  me  foi  fornecida  pelo  disíincto  clinico 
d r,  Caetano  Marinho,  qvie  niuilisshmo  me  ajudou  nas  oulras  partes' com  suas 
observações  pessoaes,  estudo  de  mappas,  etc. 


ARCIIIVO    PUBLICO    MINEIRO  137 

roba,  rabiiina,  bálsamo,  gonsalo  ou  gibntão,  louro,  sapucaia,  can- 
dr'a,  bicuiba,  para  terra,  angelim,  guarita,  olho  pardo;  outras,  de 
uso  na  medicina,  como  sassafráz,  jaracatiá.  gamelleira,  andáassú, 
copahyba,  para-tudo.  quina,  poaia,  tayuyá,  tomba,  jurubeba,  bar- 
batimão,  salsa  parrilha,  japecanga,  baunilha,  piragaia,  diversas 
espécies  de  fetos:  jarreteira,  chapéo  de  couro,  caroba  e  carob?- 
nha  (para  syphiiis),  catingueira,  enxota,  herva  botão  (no  Rio  Do- 
ce), empregada  em  outros  municípios  contra  mordeduras  de 
cobra. 

FAUNA 

Também  é  rica.  Encontram-se  a  onça  pintada  (panthéra),  a 
onça.  sussuarana,  onça  vermelha,  a  onça  jabutirica,  a  anta*  o  vea- 
do, o  coelho,  queixada,  caititú,  capivara,  tamanduá  pequeno  e. 
tamanduá  bandeira,  este  no  rio  Doce,  lontra,  lobos  (cachorros 
do  matto),  paca,  cutia,  tatu,  irara,  jaratitaca,  gambá,  diversas  es- 
pécies de  macacos  (monos,  saguins,  barbados,  sauás,  etc),  tiú 
(lagarto),  jacaré. 

AVES. — Diversas  espécies  de  gaviões,  entre  os  quaes  o  pen- 
nacho  (águia  do  Rio  Doce),  de  grande  força,  a  ponto  de  pegar 
macacos,  carneiros  pequenos  e  araras,  e  o  gavião  Cciçador,  se- 
melhante ao  urubu;  araras,  tucanos,  papagaios,  periquitos,  jan^ 
daias,  tiribas,  maritacas,  maracanans,  pica-páos,  jacus,  macucos, 
mutuns,  jacutingas,  jaós,  nambus,  patos,  marrecos,  socos,  jabu- 
rus, massaricos,  capoeiras;  diversas  espécies  de  pombas  (troca*- 
zes,  juritis,  pombas  pretas,  fôgo-pagô,  rolas— as  pombas  pretas 
são  uma  espécie  de  juriti,  conhecidas  por  pomba.s  do  matto  vir*- 
gtjm),  síiracuras,  arapongas  (principalmente  no  rio  Doce),  uru* 
táos;  diversas  espécies  de  corujas,  coriangos,  inhapins,  canários, 
pintasilgos,  bicudos,  (vinhaticos);  diversas  espécies-:  de*  sabiás; 
entre  os  quaes  sabiá-una,  de  canto  muito  agradável;  bigodes 
(coUeiras),  patativos,  pinta-silvas,  papa-arroz,  melros,  guachos, 
papa-bananas,  tico-ticos,  gauderios,  assanhaço,  peixe-frito,  anuns 
(pintados  e  pretos);  João  de  barros,  diversas  espécies  de  beija-* 
flores  e  de  papa-nioscas,  seriemas,  gaturamos,  coriós,  ga^los  do 
campo,  joão  pe-nenens  e  cancan  (muito -estimado  no  rio  DAce 
pelo  seu  canto  mavioso).  Abundam  nas  lagoas  do  rio  Doce  as 
seguintes  aves  aquáticas:  baguaris,  itapicurús,  jaburus,  garças,- 
mergulhões,  pescadores,  patos,  marrecos,  bituirras  (semelhantes 
ás  andorinhas  brancas),  saracuras,  inhumas,  còr  de  macuco,  mui- 
to lindas;  Andorinhas  e  gaivotas  existem  em  grande  quantidat 
de  em  todo  o  município.  (7) 


(7)  Grande  parte  das  informações  relativas  a  este  artigo  devo  á  bene- 
volência do  revni.  padre  Pedro^Doniingues  Gomes  e  dr.  Caetano  Mafii 
nho. 


138  REVISTA    DO 


PEIXES. — No  Rio  Doce:  surubi,  piáo,  piabanha,  trahira,  ba- 
gres, mandis  e  lambaris.  Excepto  o  surubi,  nas  lagoas  e  ribei- 
rões tem  todas  as  espécies  de  peixes  referidos. 

REPTIS. — Encontram-se  diversas  espécies  de  cobras:  a  suru- 
cuiú,  a  jararaca,  jararacussú,  a  caninana,  cobra  de  sipó  e  outras; 
consta  que  nas  proximidades  do  rio  Doce  existe  a  urnfú.  Da 
ordem  dos  batrachios — ha  abundância  de  sapos  nos  rios  e  la- 
goas e  quantidade  menor  de  rans.  Ha  diversas  espécies  de  ca- 
meleões  e  de  lagartixas. 

POPULAÇÃO 

A  população  presumível  é  de  vinte  a  vinte  e  duas  mil  al- 
mas: é  em  geral  pacifica  e  hospitaleira.  O  vicio  do  jogo  é  quasi 
desconhecido;  o  da  embriaguez  quasi  nullo.  Ha  poucos  estran- 
geiros, talvez  na  razão  de  3  por  1.000  naconaes.  O  eleitorado  fe- 
deral do  município  é  composto  de  1.099  eleitores. 

RELIGIÃO 

A  catholica,  apostólica,  romana,  é  a  de  todos  os  habitantes 
do  município. 

CARIDADE  PUBLICA.— Os  orphãos  pobres  são  dados  á  tu- 
tela e  a  soldadas. 

A  esforços  do  revm.  vigário  António  Cordeiro  de  Abrantes, 
está  em  construcção  na  cidade  de  S.  Domingos  do  Prata  um  hos- 
pital de  caridade.  —  O  plano  da  obra  é  moderno  e  attende  ás 
condições  exigidas  para  estabelecimentos  desta  ordem  na  medi- 
da dos  recursos  com  que  se  conta.  O  illustre  clinico  dr.  José 
Vicente  de  Sousa  Netto  consagrou  uma  boa  parte  do  seu  tem- 
po a  esta  sympathica  idéa,  promovendo  subscripções,  leilões,  etc. 
O  illustrado  dr.  Caetano  Marinho,  que  tanto  interesse  toma  pela 
prosperidade  desta  zona,  tem  sido  um  collaborador  infatigável 
do  revm.  vigário:  ha,  pois.  Ioda  razão  para  esperar-se  que  esta 
obra  pia  se  converterá  em  realidade. 

Ha  também,  na  cidade,  uma  sociedade  protectora  das  crean- 
ças,  fundada  ha  esforços  do  sr.  Francisco  Soares  Alvim  Macha- 
do e  presidida  actualmente  pelo  dr.  Caetano  Marinho.  Esta  so- 
ciedade vai  preenchendo  os  intuitos  de  su.-^  creação,  e  conse- 
guirá, pode-se  esperar,  fazer  baixar  a  cifra  da  mortalidade  das 
creanças,  tão  elevada  nos  annos  anteriores,  pela  indigência  de 
uma  parte  da  população,  agora  aggravada  com  a  carestia  exa- 
gerada de  mais  de  400  "/o  de  quasi  todos  os  productos  necessá- 
rios á  alimeetação. 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  139 


Divisão  administrativa 


O  municipio  de  S.  Domingos  do  Prata  consta  de  seis  distri- 
ctos:  o  da  cidade,  o  do  Sacramento  o  território  desmembrado 
do  da  cidade  por  acto  da  camará  municipal  de  1893,  o  da  Var- 
gem Alegre,  o  do  Dionísio,  o  do  Alfié  e  o  de  Ilhéos,  a  ílor  do 
municipio,  pelas  suas  collossaes  florestas,  onde  se  vêem  as  ma- 
deiras mais  preciosas,  pela  uberdade  de  suas  terras,  pela  pro- 
digiosa abundância  de  suas   aguas. 

A  camará  municipal  promulgou  o  seu  Estatuto  em  16  de  ju- 
nho de  1892  (8).  Consta  de  125  artigos,  além  da  parte  penal, 
composta  de  um  titulo    único  e  74  paragraphos. 

O  exercício  financeiro  coincide  com  o  anno  civil  (art.  20).  O 
pessoal  da  administração  municipal  é  o  seguinte:  um  agente 
executivo,  um  coadjuctor  deste,  um  chefe  da  secretaria;  um 
medico  de  partido,  e  um  continuo  (art.  32).  Com  este  pessoal, 
excluído  o  medico  de  partido,  logar  que  não  está  preenchido, 
despende    a  municipalidade   4:200$   annualmente. 

A  renda  municipal  orçada  para  1894  é  de  vinte  e  cinco  con- 
tos de  réis:  presume-se,  podem,  que  attingirá  a  mais  de  trinta 
contos. 

O  municipio  não  tem  dividas  passivas. — Parece  que  ainda  não 
foi  bem  comprehendido  o  pensamento  do  legislador  mineiro 
quanto  á  creação  dos  conselhos  districtaes,  bella  instituição, 
cellula  primaria  da  organização  do  Estado,  pois,  nenhum  conse- 
lho está  ainda  organisado,  visto  que  nenhum  fez  ainda  o  respe- 
ctivo Estatuto. 

DIVISÃO  ECCLESIASTICA 

Divide-se  o  municipio  em  3  freguezias  e  um  curato.  As  fre- 
guezias  são:  l."*  a  da  cidade,  comprehendendo  o  districto  da  ci- 
dade e  o  do  Sacramento;— 2.^  a  de  Santo  António  da  Vargem 
Alegre,  comprehendendo  o  districto  de  Ilhéos;— 3.**  a  de  Sant'- 
Anna  do  Alfié.  O  curato  é  o  do  Santíssimo  Sacramento  do  Dio- 
nísio, São  dependentes  do  bispado  de  Marianna  e  estão  todas 
providas  de  parochos,  muito  cuidadosos  todos  dos  seus  deveres 
religiosos  e  civis. 


(8)    O  Estatuto  é  um  bom    trabalho,    devido  á  pena  do  sr.  Francisco 
Soares  Alvim  Machado, 


149  REVISTA     DO 


DIVISÃO  JUDICIARIA 

E'  comarca  de  1/^entrancia.  Foi  installada  em  10  rie  março 
de  1892.  Estão  providos  todos  os  cargos  para  a  administração 
judiciaria,  excepto  o  de  partidor-distribuidor. 

INSTRUCÇÃO    PUBLICA— CULTURA    MENTAL 

Havia  na  cidade  um  excellente  collegio  de  instrucção  secun- 
daria, o  Externato  de  S.  Luiz  Gonzaga,  dirigido  pelo  illustrado 
e  virtuoso  sacerdote  o  revm.  padre  Pedro  Domingues  Gomes, 
muito  competente  nas  matérias  que  leccionava  com  notável 
aproveitamento  de  seus  discipulos.  Infelizmente,  este  excelente 
collegio  fechou-se  no  dia  12  de  maio  de  1894. 

Quanto  á  instrucção  primaria,  só  ha  a  fornecida  pelo  Estado 
em  18  escolas;  sendo  3  na  cidade,  uma  do  sexo  femenino  e  duas 
dò  masculino:  uma  mixta,  no  povoado  da  Esperança,  a  12  kilo- 
metfos  da  cidade;  uma,  do  sexo  masculino,  no  districto  do  Sa- 
cramento; duas — uma  do  sexo  masculino  e  outra  do  feminino — 
no  arraial  da  Vargem  Alegre,  e  uma  no  povoado  de  Santa  Rita, 
do  sexo  masculino,  e  outra  no  logar  denominado  Teixeiras, — 
(Vargem  Alegre),  três  em  lihéos,  duas  do  sexo  masculino  euma 
do  sexo  feminino;  duas  no  Dionísio,  uma  para  meninos  e  outra 
para  meninas;  duas  no  arraial  do  Alíié,  com  a  mesma  distribui^ 
ção  da  do  Dionísio,  euma  no  povoado  da  Grammae  outra  no  de 
Babylonia,  logares  estes  pertencentes   á  dita  freguezia    do  Alfié. 

A  população  escolar  é  ao  todo  de  1 .580  discipulos;  a  frequência 
média  de  490.  Ha  necessidade  de  augmento  de  escolas  para  me- 
ninos e  de  creação  de  escolas  para  adultos.  Em  todo  o  municí- 
pio nota-se  a  falta  de  bibliothecas  publicas  e  de  gabinetes  de 
leitura.  Também  não  ha  theatro. — A  musica,  porém,  que  tão 
salutar  influencia  exerce  sobre  o  systema  nervoso,»  encontra 
cultores  por  toda  a  parte;  e  á  excepção  dos  districtos  de  Ilhéose 
do  Sacramento,  ha  em  todas  as  localidades  bandas  de  musica  in- 
strumental, regularmente  organisadas. 

A  culttira  mental  é  pouco  desenvolvida:  mesmo  em  relação 
á  musica  nenhum  mortal'  é  tão  feliz  que  ouça  actualmente  o 
som  mavioso  da  guitarra  ou  os  cadenciados  accordes  do  piano, 
posto  haja  um  instrumento  deste  género  na  cidade.  Como  na 
Rússia,  não  ha  clubs,  cafés,  ou  outros  pontos  de  reuniões  publicas. 

ESTATÍSTICA  JUDICIARIA 
A  estatística  criminal  de  1893  é  a  seguinte: 


ARCHIVO     PUBUCO     MINEIRO  -yi 

Homicidios  por  imprudência 1 

Ferimentos  graves  (art.   304  i  jjaragrapho  único  do  Cod.  Pen  )  2 

Ferimentos  .leves  (art.   303)       .  ^ 7 

•  Damno.. 1 

UjsO' de  armas 1 

Total 12 

Attendendo-se  a  que  o  crime  de  damno  não  foi' bem  caracte- 
risado,  e  que  o  homicidio  por  imprudência  foi  segundo  todas 
as  probabilidades  praticados  por  uma  creança  menor,  e  subtra- 
hindo  estes  dois  números  do  total,  temos  esta  porcentagem  : 
de  1  crime  para  2000  fiabitantes,  suppondo  mesmo  que  a  popu- 
lação não  exceda  desse  numero . 

As  causas  mais  frequentes  dosi  crimes  são  as  rixas  e  alterca- 
ções e  a  ignorância. 

O  modo  da  instrucção  deve  ser  modificado :  precisamos  sa- 
hir  desta  uniformidade  que  nos  mata  e  ministrar  francamente 
nas  escolas  catholicas  o -ensino  da  moral  christã.  O  ensino  pre- 
cisa também  ser  mais  nacional;  convém  lecionar  nas  escolas 
os  cantos  patrióticos  que  enthusiasmam  a  alma  e  cuidarmos  me- 
nos da  historia  estrangeira,  para  darmos  aos  nossos  pequenos 
concidadãos  os  fecundos  exemplos  de  nossa  própria  historia, 
tão  rica  de  tradições  honrosas  como  de  abnegação  patriótica. 

Por  outro  lado  é  mister  que  nas  escolas  se  dê  mais  im- 
portância ao  desenvolvimento  physico:  para  ser  um  bom  cida- 
dão precisa-se  de  ser  um  bom  animal,  diz  Spencer,  e  na  pra- 
tica do  endurecimento  physico  está  talvez  o  segredo  desta  for- 
te individualidade  britânica,  sempre  apta  para  a  lucta  e  sempre 
confiante  no  successo.— ^Estou  convencido  i que  esta  modificação 
íierá  favorável   á     diminuição  do  crime. 

CORREIO 

Ha  duas  linhas  de  correio  que  chegam  de  4  em  4  dias^uma 
da  estação  de  Saúde  e  outra  de  Ouro  Preto.  O  correio  de  Ita- 
bira  para  o  Alfié  e  Dionísio  é  de  2  em  2  dias.  A  agencia  ria 
cidade  é  de  3."  classe  e  rende  annualmente,  termo  médio, 
720$000.  —  As  outras  agencias  do  município  são  de  4.'' 
classe 

ESTRADAS 

Em  geral  boas.  Ha  urgente  necessidade  de  uniae.stradaque, 
partindo  do  Dionísio,  se  dirija  á  sede  do  i município  de  Caratinga, 
passando  pela  Ponte  Queimada.    Esta  estiada,    pondo    em    fácil 


142  ftftVlSTA    ftô 


communicação  os  dois  futuros  municipios,  traria  reaes  vanta- 
gens ao  commercio.  A  estrada  actual  é  penosa  e  não  de  todo 
isenta  de  perigos.— Da  Ponte  Queimada  ao  Caratinga  a  distan- 
cia é  de  seis  legoas  Esta  estrada,  facilitando  o  transporte  de 
géneros,  enriqueceria  sobretudo  esse    município   (do  Caratinga). 

DISTANCIAS.  —  As  distancias  da  sede  desse  município  para 
os   municipios  visinhos  são  as  seguintes: 

22  legoas  (132  kil.)  para  o  Caratinga,  segundo  uns,  24  le- 
goas, segundo  outros;  16  legoas  (96  kil.)  para  Ferros;  10  le- 
goas (60  kil.)  para  Santa  Barbara;  9  legoas  (54  kil.)  para  Itabira,- 
14  legoas  (84  kil.  para  Ponte  Nova  e  7  legoas  (42  kil)  para  Alvi- 
nopolis. 

PELEGRAPHOS 
Nenhum  ponto  do  municipio  é  servido  pelo  telegrapho. 

ESTRADA  DE   FERRO 

A  companhia  da  Leopoldina  tem  estudos  feitos  em  prolonga- 
mento da  estação  de  Saúde  á  Itabira  do  Matto  Dentro,  passando 
por  este  municipio. 

A  cidade  de  S.  Domingos  do  Prata  dista  daquella  estação  45 
kilometros. 

RIQUEZAS  NATURAES 

Ha  ferro  no  districto  do  Alfié  ede  Ilhéos,  ouro  nos  da  ci- 
dade, Vargem  Alegre,  Alfié  e  Ilhéos,  pedra  de  sabão,  muito  útil 
á  montagem  de  fornalhas  para  engenho  em  todo  o  municipio; 
no  districto  do  Dionísio  ha  muito  ferro,  amianto,  pedras  de 
crystal  e  um  metal  que  parece  ser  estanho;  no  da  cidade  ha 
muito  amianto  e  na  margem  do  Rio  Doce  uma  substancia  que 
parece  ser  carvão  de  pedra.  Estas  riquezas  nunca  foram  ex- 
ploradas, excepto  o  minério  de  ouro,  que  o  foi  em  1854  por 
pessoa  deste   municipio. 

Ha  uma  grande  riqueza  de  fibras  vegetaes  que,  exploradas, 
forneceriam  matéria  a  muitas  industrias.  Severino  da  Costa 
Leite,  fazendeiro  d'este  municipio,  estudou  muito  este  assum- 
pto, as  fibras  foram  sujeitas  ao  exame  de  profissionaes  estran- 
geiros; mas  a  morte  o  colheu,  ainda  em  plena  virilidade,  an- 
tes de  levar  a  bom  termo  a  empreza,  a  que  votara  a  maior 
parte  de  sua  existência. 


ARCHIVO     PUBLICO     MINElftÔ  143 


AGRICULTURA 

Solo  ubérrimo,  este  município  produz  em  abundância  canna, 
milho,  batatas,  feijão,  arroz  e  mandioca.  Do  café  e  do  fumo  con- 
tém plantações  em  menor  escala,  mas  já  promissoras  de  grandes 
receitas  futuras.  O  caju,  o  cacao  e  o  abacate  do  norte,  vingam 
perfeitamente  neste  solo;  a  pereira,  a  nogueira  e  outros  fructos 
da  Europa  acclimatam-se   aqui  perfeitamente. 

Infelizmente  o  processo  empregado  na  agricultura  é  o  bár- 
baro costume  das  queimadas :  no  mez  de  agosto  um  espectáculo 
grandioso  se  offerece  a  nossos  olhos;  estalam  as  arvores  secula- 
res; crepitam  enormes  labaredas  das  vastas  linguas  de  fogo,  das 
collossaes  fogueiras;  o  céo  empallidece;  a  athmosphera  fica  im- 
pregnada de  uma  fumaça  quente,  formada  em  espiraes  e  que  o 
vento  conduz  para  longe.  Em  poucas  horas  cahem  florestas  pre- 
ciosas, thesouro  inestimável  accumulado  pela  natureza  n'um  lento 
trabalho  e  onde  foi  a  vida  está  agora  a  morte;  os  pássaros  fu- 
giram amedrontados  á  approximação  destes  bárbaros  cultivado- 
res do  solo  que  se  expõem  muitas  vezes  á  morte  n'uma  espécie 
de  intrepidez  inconsciente,  porque  durante  a  terrível  operação 
bem  podem  ficar  esmagados  pelo  desabamento  de  alguma  das 
annosas  arvores,  circuladas  pelo  fogo. — Esta  é  a  pratica  geral,  a 
regra,  no  Brasil  inteiro.  Durante  muito  tempo,  o  viajor,  em  vez 
das  florestas  perfumosas  que  embriagavam-lhe  o  olfacto  e  á  cuja 
sombra  sentia  indizível  refrigério, — vè  o  milho  e  o  café,  e  gran- 
des tractos  de  terrenos  ao  lado,  completamente  incultos,  e  d'onde 
começam  a  brotar  nos  terrenos  assim  cançados  o  capim  e  a 
enxota. 

Quando,  porém,  a  destruição  é  de  floresta  primitiva  (matta 
virgem),  a  natureza  tropical  esforça-se  por  remediar  a  barbaria 
do  homem  civilizado:  uma  nov^a  vegetação  surge;  menos  rica,  é 
certo;  por  que  as  arvores  collossaes  cujos  cimos  pareciam  querer 
tocar  ao  ceo,  desappareceram  para  sempre;  em  lugar  destas,  le- 
vanta-se  uma  vegetação  differente  do  seio  fecundo  da  terra,  até 
que  decorram  algumas  dezenas  de  annos  e,  queimada  essa  vege- 
tação, a  terra  só  possa  produzir,  extenuada  de  trabalhos,  arvores 
rachiticasou  fique  de  todo  estéril.  As  geadas  periódicas  que  pade- 
cem as  terras  das  vertentes  do  rio  Prata,  districto  da  cidade  e 
Vargem  Alegre,  que  tantos  prejuízos  causam,  não  tem  outra 
causa  sinão  esta  annual  devastação  das  mattas;  pois  onde  estas 
se  tém  conservado,  não  ha  absolutamente.  E'  sabido  e  está  ave- 
riguado que  ao  desapparecimento  das  mattas  succede  a  mudança 
do  clima. 

Onde  este  era  ameno  e  doce,  fica  sendo  quente  e  abrasador. 
As  aguas,  por  sua  vez,  diminuem  consideravelmente. 


Í44  RBVIâTA    DO 


E — cousa  notável — o  estrangeiro  que  nos  vem  da  Europa, 
em  vez  de  reagir  contra  esta  barbaria,  barbarisa-se  também,  e  es- 
quecido doí>  processos  de  uma  civilisação  que  se  diz  adiantada, 
põe  fogo  ásmattas  com  o  ardor  de  um  louco  incendiário  (9).  Não 
ereio  que  da  acção  de  uma  lei  prohibitiva  se  colham  grandes  re- 
sultados no  sentido  da  cessação  desta  pratica  rotineira:  uma 
propaganda  bem  dirigida  pelo  Estado,  por  intermédio  de  hábeis 
profissionae.^,  o  ensino  pratico  dos  modernos  processos  d'agricul- 
tjjra  acabaria  por  extinguir,  penso  eu,  este  funestíssimo  uso  que 
reduzirá  este  grande  e  bellissimo  paiz  a  um  vasto  deserto,  si 
seguras  e  eíficazes  providencias  não  forem  tomadas   a  tempo. 

Precisamos  muito  do  ensino  agrícola,  mas  do  ensino  prati- 
co, sem  apparato.  'O  amor  ás  exterioridades,  bem  o  sei,  é  um 
dos,  defeitos  da  nossa  raça  latina;  mas  defeito  que  pode  ser  lenta- 
mente corrigido,  começando  a  classe  illustrada  dirigente  a  dar 
o  exemplo,  fazendo,  por  exemplo,  na  instrucção  publica  refor- 
mas mais  praticas,  mais  preoccupadas  de  nossas  necessidades 
reaes,  do  zelo  de  nossas  honrosas  tradições  pátrias,  do  que  do 
lustre  litíerario,  que  faz  com  certeza  boa  figura  n'uma  sala  ou 
n'uma  roda  de  estrangeiros,  mas  é  muitas  vezes  incapaz  de  ga- 
nhar o  pão  para  o  dia  seguinte-. 

A  vinha  dá-se  muito  bem  nas  terras  deste  municipio  :  muita 
gente  a  cultiva,  posto  em  ponto  pequeno . 

A  i:>hiloxcr<[   e  o   o?VZ/?í/?í,  estes  dois  flagellos  das  planta- 
ções, Jelizmente   nunca    visitaram  este  municipio :  creio,  porém, 
j^ye  o  Qidium  fará  sua   apparição  em  Minas,  causando  enormes 
prejuízos,    si    os   fazendeiros   não   tiverem   o  cuidado  de  deixar 
sempre  uma  matta  em  redor  de  seus  cafezaes. 

A  Lavoura  luta  com  a  falta  de  braços. 

O  salário  médio  do  trabalhador  é  de  1$500  por  dia,  sendo 
a  alimentação  fornecida  pelo  fazendeiro.  Esta  média  porém  tende 
a  subir  e  ha  de  subir  forçosamente;  pois  o  trabalhador  não  ha 
de  deixar  morrer  á  fome  sua  familia,  visto  que  o  preço  do  seu 
trabalho  n'um  dia  mal  chega  para  a  compra  de  meio  kilo  de 
toucinho . 

Na  crise  económica  que  atravessamos,  com  a  espantosa  de- 
preciação da  nossa  moeda,  de  que  é  medida  segura  a  baixa  pro- 
gressiva do  cambio,  seria  digna  de  lastima  a  sorte  do  pobre 
trabalhador  agrícola,  si  não  fora  a  generosidade ,  do  coração  bra- 
sileiro, sempre  aberto  ao  soccorro  do  infortúnio,  sempre  disposto 
a.attenuar  alheias  misérias. 

Destes  phílantropos  obscuros  que  occultam  a  bondade  de 
sua  alma  na  mudez  absoluta  da  palavra,  contentes  com  o  ap- 
plauso  único   de  sua  consciência,   onde  fructifjcou    o  .bello  ger- 


(9)  Vide— Sellin,  Geographia  do  Brasil,  traducçíto  de  Capistrano  de  Abreo 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  145 


men  da  caridade  christã  —  ha  alguns  neste  município,  que  ven- 
dem a  seus  camaradas  por  metade  do  preço  do  mercado,  e  até 
pela  terça  parte  o  kilo  do  toucinho,  fabulosamente  cotado  nes- 
tes últimos  tempos. 

Não  ha  trabalhadores  estrangeiros. 

No  conceito  comnuim  dos  fazendeiros,  os  libertos  pela  lei 
de  13  de  maio  são  bons  trabalhadores,  mas  inconstantes; — a 
qualquer  promessa  de  melhor  salário  emigram  como  as  andori- 
nhas, sem  nenhuma  intelligencia  prévia  com  aquelles  em  cujas 
fazendas    estão  e  cujo  serviço  desfarte  desorganisam. 

O  melhor  meio  de  ter  trabalhadores  seguros  é  interessal-os 
directamente  na  prosperidade  do  fazendeiro,  fixando-os  á  terra 
por  contractos  de  parceria.  Não  vejo  razão  para  se  recusar 
ao  liberto,  identificado  com  nossa  alimentação  e  nossos  cos- 
tumes, aquillo  que  fazendeiros  de  outros  municípios  concedem 
a  estrangeiros,  cuja  língua  aliás  mal  conhecem. 

Tomando  por  unidade  a  medida  de  15  kilos,  o  preço  actual 
do  café  varia  entre  12$000  e  14$;  o  da  farinha  de  milho  en- 
tre 11$  e  14$;  a  de  mandioca  entre  14$  e  16$;  ha  sete  annos 
passados,  estes  géneros  vendiam-se  por  menos  de  um  terço  do 
seu  preço  actual       (*) 

CREAÇÃO 

As  principaes  espécies  de  creação  são:  gado  vaccum,  caval- 
lar,  muar  e  suino. 

Poucos  são  os  que  criam  carneiros,  cuja  carne  entretanto 
é  a  melhor,  como  mais  hygienica,  para  alimentação.  Não  se 
tem  melhorado  as  raças  de  anímaes;  mas  os  d'aqui  são  rijos, 
fortes,  bem  constituídos. 

Nossos  fazendeiros  não  se  deixaram  felizmente  enthusías- 
mar  pelo  gado  zebú,  hoje  demonstrado  como  não  correspon- 
dendo ás  esperanças  que  suscitou.  O  gado  é  vendido  em  gran- 
de qunntídade  a  negociantes  de  fora. 

O  gado  muar  é  principalmente  exportado  para  os  Estados 
do  Espirito  Santo  e  de  S.  Paulo.  O  gado  vaccum  é  em  gran- 
des boiadas  exportado  para  a  zona  da  matta  deste  Estado  e 
para   a  Capital  Federal  e  Estado   do  Rio   de    Janeiro.     A  media 


(•)  Convêm  lembrar  aqui  que  o  illustiado  auctor  desta  monographia 
escreveu-a  em  1894.  Actualmente  estes  e  outros  algarismos  menriona- 
dos  por  elle  suo  diversos  e,  infelizmente,  ainda  mais  accentuam  a  crise 
económica  porque  passa  o  paiz.— (Nota  da  redacção  da  Revista). 

R.  A.     10 


146 


REVÍS+A    Dd 


actual  de  15  kilos  de  carne  de  vacca  fresca  é  de  doze  mil  réi?, 
da  de  porco  trinta  e  dois  mil  lé^s:  ha  sete  anros,  a  rredia  da 
primeira  era  quatro  mil  réis  por  arroba  e  a  da  segunda  três  mil 
réis. 

Os  pastos  são  artificiaes.  Muitos  fazendeiros  destroem  a 
matta  para  fazerem  pastos. 

São  em  geral  de  capim  melloso,  havendo  apenas  na  cida- 
de e  no  districto  de  llhéos,  pequenos  pastos  de  gramma  e  de 
outras  espécies.  As  pastagens  de  capim  gordura  na  riquís- 
sima zona  de  llhéos,  onde  ha  abundância  de  boas  agua- 
das, são  muito  boas  para  creação  e  engorda  de  gado;  porém 
as  pastagens  mixtas  são  alli  tidas  como  mais  favoráveis  á  ali- 
mentação do  gado. 


INDUSTRIA 


Fabrica-se  vinagre,  aguardente,  queijos,  manteiga,  esteiras, 
chapéus  de  palha,  sellins,  arreios  de  sola  d'anta,  chicotes,  col- 
chões, etc. 

Na  cidade  fabrica-se  excellente  doce  de  goiaba  e  de  laran- 
ja, magnifico  vinho  desta  fructa  —  productos  muito  estimados, 
mas  que  mal   chegam  para  o  consumo  local. 

O  revd.  vigari^^  António  Cordeiro  Abrantes  fabrica  deli- 
cioso vinho  de  uva,  de  uma  linda  cor  rósea  e  preferível  aos  me- 
lhores vinhos  que  com  o  titulo  de  Bordeaux  nos  vêem  do  ex- 
trangeiro. 

O  vinho  é  chimicameníe  puro  e  muito  procurado;  mas  iii- 
felizmente  não  chega  para  exportação,  pois  é  fabricado  em  pe- 
quena quantidade. 

COMMERCIO 

E'  muito  activo  e  animado.  Ha  na  cidade  quinze  casas  de 
negocio,  contadas  entre  estas  as  que  só  vendem  géneros  do 
paiz;  dos  negociantes  três  são  extrangeiros. 

No  povoado  do  Sacramento  (districto  desse  nome)  ha  duas 
casas  de  negocio;  no  de  Vargem  Alegre  ha  seis,  sendo  uma  de 
negociante  estrangeiro;  no  povoado  de  Teixeiras  três,  sendo 
uma  de  portuguez;  no  arraia!  do  Alfie  ha  duas,  uma  das  quaes 
vende  cento  e  vinte  contos  de  reis  por  anno;  no  Dionísio  ha 
três,  sendo  uma  de  negociante  portuguez. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  147 


IMPRENSA     PROFISSÕES  LIBERAES 

Ha  pouco  tempo  existiam  na  cidade  3  médicos;  ha  actual- 
mente um  só.  Ha  dois  sacerdotes,  um  jornalista,  redactor  d'0 
Prateano,  e  dois  pharmaceuticos.  Na  Vargem  Alegre  ha  tam- 
bém duas  phannacias:  no  Dionísio  e  Alfié  ha  também  pharma- 
cias. 

O  commercio  e  a  agricultura  quasi  que  absorvem  neste  mu- 
nicípio todas  as  aptidões. 

Por  parte  dos  idóneos,  ha  grande  repugnância  pelos  cargos 
públicos;  as  eleições  succedem-se  trequentemente  pela  renun- 
cia dos  empregos  municipaes.  Não  escapam  a  esta  sorte  os  lo- 
gares  retribuídos;  ha  serias  dífficuldades  em  preenchel-os,  não 
só  por  esta  razão,  como  também  pelas  incompatibilidades  devi- 
das ao  parentesco,  pela  união  constante  do  mesmo  sangue,  sem 
embargo  do  triste  prognostico  dos  physiologistas,  fundado  aliás 
nas  lições  da  experiência. 

A  agricultura,  sobretudo,  largamente  retribuída  hoje,  em 
consequência  da  depressão  constante  do  cambio,  exerce  singu- 
lar attractivo:  poderoso  iman,  abraça,  aqui,  quasi  todas  as  intel- 
ligencias. 

E'  o  sentimento  íorte  da  individualidade,  dissolvido  n'alma 
municipal,  qualidade  digna  de  apreço,  sem  duvida,  valioso  con- 
tingente de  forças  que  atravez  dos  séculos  nos  vem  infundindo 
os  bárbaros  invasores  da  idade  média,  como  elemento  da  actual 
civilísação;  mas  essa  qualidade  preciosa,  levada  ao  extremo, 
aparta  o  homem  do  meio  em  que  vive,  isola-o  e  acaba  por  en- 
fraquecer todas  as  juncturas  sociaes. 

Si  o  velho  Catão  vivesse  hoje  e  tivesse  a  intelligencia  bastan- 
te desenvolvida  para  abraçar,  n'uma  synthese  luminosa,  todo  o 
mundo  moral  hodierno,  tão  trabalhado  peias  correntes  as  mais 
oppostas,  certo  não  repetiria  o  conceito  de  seus  antepassados 
de  que  «ser  lavrador  é  o  melhor  elogio  feito  a  um  homem». 

Sem  depreciar  a  agricultura,  fonte  principal  da  riqueza,  elle 
encararia  o  problema  social,  examinaria,  attento,  esse  organis- 
mo secular,  e  sentiria  a  necessidade  de  apertar-lhe  os  laços,  de 
transformar  em  resistência  todas  as  forças  dispersas,  de  concen- 
tradas n'uma  unidade  intelligente  e  diria  pelo  menos  «o  maior 
elogio  a  fazer  a  um  homem  consiste  em  associar  á  sua  quali- 
dade de  lavrador  operoso  a  de  cidadão  que  prefere  a  tudo  a 
grandeza  da  pátria. 

Sem  o  sentimento  da  solidariedade  humana,  a  descobrir  no 
passado  os  elos  do  presente,  a  commemorar,  pela  gratidão  pu- 
blica, os  que  padeceram  para  melhorar  nossa  condição  política 
e  social,  a  ajudar  os  que  luctam  hoje  por  semear  a  ordem  no 
caminho  das  instituições  nascentes,  sem  outro  estimulo  ás  vezes 


X^  REVISTA     DO 


sinão  o  da  própria  consciência,  não  se  poderá  construir  o  edifi- 
cio  da  nacionalidade  bastante  solido  para  não  temer  invasões, 
bastante  fortificado  para  desafiar  humilhações. 

E,  como  o  Estado  é  um  organismo,  formado  dos  municípios 
como  cellulas  vivas,  certo,  onde  a  vida  se  afrouxa,  n'uma  dessas 
cellulas,  o  sangue,  menos  oxigenado,-  traz  o  gérmen  da  desor- 
dem ao  organismo   todo. 


Districto  de  S.  Domingos  do  Prata 

LIMITES.— Este  districto  confina  com  os  de  SanfAnna  do 
Alfié.  do  S.  Sacram.ento,  do  Dionísio,  Santo  António  da  Var- 
gem Alegre  e  Ilhéus — deste  município;  com  o  de  S.  José  da 
Lagoa  e  António  Dias  abaixo,  pertencentes  ao  de  ítabira,  e 
com  o  de  S.  Miguel  do  Piracicaba,  pertencente  ao  de  Santa 
Barbara 

ASPECTO  PHYSICO.— Em  geral   montanhoso. 

CURIOSIDADES  NATURAES.— A  9  kilometros  da  cidade 
no  logar  denominado  morro  da  Sella  (pela  simelhança  das  duas 
enormes  pedreiras  que  o  formam — com  uma  sella  antiga)  exis- 
tem grandes  cavernas,  formando  salões,  que  nunca  foram  exa- 
minadas 

CLIMA. — Quente  e  secco,  mas  sujeito  ás  manifestações  pa- 
lustres. 

POPULAÇÃO  PRESUMÍVEL.— 6.000  almas. 

Numero  de  eleitores  federaes,  377;  estaduaes,  460. 

TOPOGRAPHIA  —A  cidade  de  S.  Domingos  do  Prata,  quasí 
toda  á  margem  esquerda  do  rio  Prata,  com  13  ruas  e  uma  praça 
no  centro  da  cidade,  e  251  casas.  Tem  duas  Igrejas:  a  matriz, 
cujo  adro  é  ricamente  arborisado,  e  deve  ter  custado  perto  de 
cincoenta  contos  de  réis,  e  a  de  N.  S.  do  Rosário,  ainda  não  de 
odo  acabada,  pequena,  sobre  um  morro,  dominando  a  cidade. 
*Na  rua  24  de  fevereiro  está  em  construcção  o  hospital  de  ca- 
ridade. A  casa  da  camará  é  regular,  e  nesse  edifício  vai  ser 
construído  o  fórum. 

Sobre  a  origem  da  cidade  conta-se  que  ha  cerca  de  120  an- 
nos,  Domingues  Marques,  explorando  as  terras  deste  districto 
então  em  mattas  virgens,  perdera-se  e  fizera  a  S  Domingos  a 
promessa  de  edíficar-lhe  uma  capella,  se  podesse  orientar-se; 
promessa  que  cumpriu,  edificando  no  logar  em  que  hoje  é  a 
matriz  uma  capellinha  sob  a  invocação  de  S.  Domingos,  com 
licença    do    Rm."   João   Gomes,  a   quem   pertenciam    então   as 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  140 


terras  desta  localidade.  Ha  urgente  necessidade  de  um  cemitério 
publico,  pois  os  enterramentos  se  fazem  no  adro  da  Igreja  do 
Rosário;  e  também  de  canalisação  d'agua  potável,  sendo  em  ge- 
ral de  má  qualidade  a  agua  da  cidade. 

Quando  o  vereador,  o  dr.  Caetano  Marinho  esforçou-se  por 
conseguir  o  abastecimento  d'agua,  calçamento,  nivelamento  e 
iluminaçrio  da  cidade;  infelizmente,  porem,  tão  úteis  ideias,  con- 
signadas em  projectos  de  lei  municipal,  não  passaram  alem  dos 
estudos,  feitos  pelos  engenheiros  Ernesto  Betim  Paes  Leme  e 
Francisco  Monlevade. 

Ha  muitos  povoados,  como:  a  Conceição,  a  Esperança, 
Barro  Preto,  Zé  Pereira,  Barbosa,  Coelhos,  Carneirinhos,  Poço 
d'Anta. 


Districto  de  S.  António  da  Vargem  Alegre 

LIMITES— Confina  com  os  districtos  de  S.  Domingos  do 
Príita,  Ilheos  e  Dionísio,  deste  município,  e  com  os  da  Saúde  e 
Alvinopolis,  do  município   deste  nome. 

ASPECTO  PHYSICO  —  Em  geral  montanhoso. 

CLIMA  —  Temperado,     doce   e   agradável. 

No  arraial  os  dias  de  verão  são  formosíssimos,  a  athmos- 
phera,  tépida  e  luminosa,  deixa-nos  uma  agradável  impressão: 
sente-se  alli  um  certo  bem-estar. 

POPULAÇÃO  PRESUMÍVEL  —  2500  almas. 

Eleitores  federaes  qualificados —  155. 

TOPOGRAPHIA  —  Merece  o  primeiro  logar  o  arraial  da  Var- 
gem Alegre,  sede  da  freguezia  e  do  districto,  situado  á  margem 
esquerda  do  Prata,  entre  dous  enormes  morros. 

O  aspecto  da  povoação  é  agradável,  vendo-se  nos  morros 
fronteiros  animada  vegetação  em  capoeira  fina.  As  ruas  são  três, 
espaçosas  mas  irregulares,  com  155  casas  e  uma  praça.  As  casas 
são  em  geral  melhores  do  que  as  da  cidade  de  S.  Domingos 
do  Prata.  Ha  duas  Igrejas.  Quer  no  arraial,  quer  nas  fazendas, 
a  agua  é  abundante  e  excellente.  Pelo  seu  aspecto  physico,  pelo 
seu  clima  doce  e  ameno,  pda  sua  ítgua  potável  —  esta  localida- 
de devera  ter  sido  a  sede  do  município.  Não  está  sujeita  á  sec- 
cas,  nem  á  inundações;  nunca  houve  alli  tremor  de  terra  e  as 
geadas  não  são  fortes,  nem  frequentes. 

Do  districto  têm  emigrado  muitos  trabalhadores  pela  alta 
dos  sdlarios  nos  catezaes  da  matta  e  do  Rio  de  Janeiro. 


150  REVISTA    DO 


Os  géneros  de  primeira  necessidade  são  alli  tão  caros  como 
na  cidade,  pela  grande  exportação  feita  pela  estrada  de  ferro 
da  Leopoldina,  embarcando-se  os  géneros  na  estação  de  Saúde, 
a  33  kilometrns  de  distancia  do  arraial. 

Depois  do  bonito  arraial,  a  povoação  mais  notável  é  a  dos 
Teixeiras,  no  caminho  da  estação  da  Saúde,  com  excellente  clima,  a 
a  7  kilometros  do  arraial. 

Outro  povoado  que  está  tomando  incremento  é  o  de  S.  Ritn 
onde  ha  uma  escola  de  instrucção  primaria. 


Districto  de  llheos 


O  districto  de  llheos  creado  por  decreto  do  Governo  Provi- 
sório, em  Janeiro  de  1891,  está  situado  entre  a  alterosa  serra 
de  Mombança  e  o  magestoso  Rio  Doce. 

LIMITES  —  Limita-se  ao  N.  com  o  districto  do  Sacramento, 
a  O.  com  o  de  S.  António  da  Vargem  Alegre,  ao  S.  com  o  de 
S.  Sebastião  do  Rio  do  Peixe  (município  de  Alvinopolis);  a  E. 
e  S.  E.,  pelo  Rio  Doce,  com  o  districto  da  Conceição  do  Casca 
(antigamente  Bicudos),  pertencente  ao  município  de  Ponte  Nova. 

—  Neste  districto  é  situado,   na  serra  do   Mombaça,    o   pico  de 
Barro-Preto. 

ASPECTO  PHYSICO  —  Montanhoso. 

CLIMA  —  Quente  e  seco.  No  verão  ha  casos  de  hepatite,  de- 
vidos ao  grande  calor,  curáveis  pelo  tratamento  commum. 

POPULAÇÃO  — E'  de  1:480  almas,  estando  porem  a  corren- 
te de  immigração  nacional   se  desenvolvendo  satisfactoriamente. 

—  E'  de  126  o  numero  de  eleitores  federaes  qualificados. 

RIQUEZAS  NATURAES  —  Si  pelo  clima  o  districto  da  Var- 
gem Alege  é  o  primeiro  do  mjnic  pio,  pelas  riquezas  naturaes, 
consistentes  sobretudo  em  gigantescas  florestas  de  preciosíssimas 
madeiras,  em  immensidade  de  fibras  vegetaes  próprias  ao  des- 
envolvimento de  muitas  industrias,  em  uma  fauna  invejável, 
na  prodigiosa  uberdade  de  suas  terras,  excellentemente  rega- 
das, o  território  de  llheos  occupa  incontestavente  o  primeiro 
lugar.  —   Mas    quasi    tudo   está   ainda   por  fazer:  o  património  ♦! 

do  districto,  constante  somente  de  terras,  espera   ainda  o    ope- 
rário   para  construir  a    lereja   de   N.  S.    da  Purificação,  a    pa- 


ARCHTVO    PUBLICO    MINEmO 


151 


droeira  á  cuja  benéfica  protecção  se  acolhem  os  novos  habitan- 
tes ;  necessidade  esta  de  primeira  ordem,  primeiro  attestado,  na 
phrase  de  eminente  escriptor,  do  amor  á  ordem  do  colono  que 
pretende  prosperar. 


Districto  do  Dionísio 


LIMITES— Confina  com  os  districtos  de  SanfAnna  do  Alfié- 
Vargem  Alegre  e  S.  Domingos  do  Prata  e  território  do  munici, 
pio  de  Caratinga. 

CLIMA — Quente  e  secco  no  arraial,  que  é  sadio,  embora 
sujeito  ás  manifestações  palustres.  A  18  kilometros,  porém,  do 
arraial,  nas  margens  povoadas  do  Rio  Doce,  corre  serio  risco  de 
apanhar  a  celebre  liia/eita  quem  for  alli  caçar  durante  o  verão. 

POPULAÇÃO  presumível— 2:200  almas— Eleitores  íede- 
raes  qualificados:  170. 

TOPOGRAPHIA— O  arraial  do  Dionísio,  sede  de  districto  e 
do  curato,  está  edificado  n'uma  bella  esplanada.  A  povoação 
começou  em  1858:  tem  3  ruas  e  80  casas.  Está  em  constru- 
cção  a  Igreja,  collocada  em  logar  mui  conveniente  e  aprazível. 
O  arraial  offerece  espaço  para  grande  desenvolvimento  e  é  no- 
tável pela  hospitalidade  de  seus    habitantes. 

Collossaes  florestas  e  plantações  existem  em  derredor  do 
povoado.  A  agua,  boa  em  geral  no  districto,  é  pesada  e  indi- 
gesta no  arraial. 

Ha  alguns  pequenos  povoados,  dos  quaes  os  principaes, 
depois  da  sede,  são :  os  Bastos  com  280  habitantes,  e  as  Áreas, 
com  180  habitantes. 


Districto  de  SanfAnna  do  Alfié 


Este  districto  limita-se  com  os  de  António  Dias-abaixo  e  S. 
José  da  Lagoa  (município  de  Itabira),  com  os  de  S.  Sebastião 
do  Dionisio  e  da  cidade  de  S.  Domingos  do  Prata,  e  com  ter- 
ritórios do  Caratinga  e  Ferros. 

ORIGEM— A  origem  da  povoação  do  districto  remonta  ao 
anno  de  1730,  em  que  João  dos  Santos  Leite  e  seu  irmão  Ale- 
xandre dos  Santos  Leite,  homens  temerários  e   de  alguma  fortu- 


152  REVISTA     DO 


na,  entraram  em  numero  de  vinte  a  quarenta  pessoas,  como  pos- 
seiros de  terrenos  devolutos.  As  posses  de  Alexandre  tiveram 
o  nome  de  Piedade. 

Estes  dois  irmãos  se  occupavam  de  mineração ;  alli  se  de- 
moraram cerca  de  10  ou  12  annos,  mas  receiosos  das  aggressões 
dos  Índios,  venderam  suas  propriedades  a  Francisco  Rodrigues 
Rocha  e  a  José  António  Magdalena,  tendo  João  dos  Santos  Leite, 
que  fundara  á  sua  custa  a  capellinha  de  SanfAnna,  constituído 
património  a  esta  Santa  em  largos  tractos  de  terreno,  que,  com 
a  capella,  reservara  da  venda.  Rocha  levantou  á  sua  custa  e 
no  mesmo  logar  da  capella,  quando  arruinada,  uma  igreja,  que 
é  hoje  a  matriz  do  arraial. 

ASPECTO  PHYSICO— Em  geral  montanhoso. 

CLIMA— Frio  e  secco,  mas  saudável  no  arraial;  quente  nas 
approximações  do  Rio  Doce. 

POPULAÇÃO— E'  de  6.000  habitantes ;  sendo  de  271  o  nu- 
mero de  eleitores  federaes  qualificados. 

RIQUEZAS  NATURAES— Este  districto,  o  maior  do  municí- 
pio, é  muito  rico;  suas  terras  são  de  afamada  uberdade;  seus 
habitantes  intelligentes  e  hospitaleiros. 

TOPOGRAPHIA— O  arraial  de  SanfAnna  do  Alfíé  fica  si- 
tuado entre  dois  morros,  triste  e  sombrio,  ao  passo  que  á  dis- 
tancia de  12  kilometros,  nas  terras  denominadas  '^Onça^,  os 
dias  são  claros  e  agradável  o  aspecto  das  pequenas  planícies. 
Tem  4  ruas,  uma  praça,  uma  Igreja  Matriz,  e  em  construcção  a 
capella  do  Rosário  e  do  Cruzeiro. 

Os  povoados  mais  importantes  são :  —  o  Gramma  e  a  Ba- 
bylonia. 


Districto  do  Sacramento 


Está  apenas  creado.  As  terras  do  districto  são  muito  fér- 
teis e  destinadas  a  esplendido  futuro :  são  bem  regadas. — Abun- 
dam as  florestas,  sobretudo  nas  proximidades  do  Rio  Doce.  — 
O  olima  é  muito  quente,  porém  sadio.  O  aspecto physico  é 
montanhoso.  O  povoado  que  tem  de  ser  a  sede  do  districto 
yai  em  progressivo  augmanto    e  tem  o  nome  de  Santa  Isabel. 

A  população  do  districto  orça  por   3. 820  almas. 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO  153 

Os  limifes  do  districto  são :  ao  S.,  com  os  districtos  da 
Vargem  Alegre  e  Ilheos;  ao  N.  com  o  do  Dionísio;  a  O  com  o 
da  cidade;  a  L.  com  os  districtos  da  Conceição  do  Casca (Pon-  'J 

te  Nova)  e  território  de  Caratiuga 

O  Funil  tem  perto  de  I.OOO  habiiantes ,  é  mais  povoado  do 
que  Santa  Isabel.  O  povoado  da  Floriana  tem  mais  de  100 
habitantes. 


I 


I 


Bibliographia    Mineira 


UM  CIMELIO  preciosíssimo 

Na  monographia  que  publicámos  em  1894  sobre  a  Impren- 
sa em  Minas  Geraes,  demos  noticia  de  um  notável  commetti- 
mento  na  arte  chalcografica  realizado  entre  nós  ainda  no  perío- 
do Colonial,  commettimento  que  trouxe  para  um  distinto  Minei- 
ro a  gloria  de  ser  o  crcador  e  instituidor  da  imprensa  em  Villa 
Rica,  sua  terra  natal,  e  o  restaurador  delia  no  Brasil  após  a  sua 
ominosa  suppressão  por  ordem  régia  de  6  de  julho  de  1747.  (*) 
Os  trechos  do  opúsculo  concernentes  ao  interessante  objecto  di- 
zem assim: 


(*)  —  Esse  celeberrimo  documento  da  politica  oppressora  e  obscuran- 
tista do  tempo  é  do  teor  seguinte: 

«Dom  João,  por  graça  de  Deus,  rei  de  Portugal  e  dos  Algarves,  d'a- 
quem  e  d'aleni  mar  em  Afiica,  senhor  de  Guiné,  etc. 

«Faço  saber  a  vós,  governador  e  capitão-general  da  capitania  do  Rio 
de  Janeiro,  que,  por  constar  que  deste  Reino  tem  ido  para  o  Estado  do 
Brasil  quantidade  de  lettras  de  imprensa,  na  qual  não  é  conveniente  se 
imprimam  papeis  no  tempo  presente,  nem  ser  de  utilidade  aos  impresso- 
res trabalharem  no  seu  officio,  aonde  as  despesas  são  maiores  que  no 
Reino,  do  qual  podem  ir  impressos  os  livros  e  papeis  no  mesmo  tempo 
em  que  delle  devem  ir  as  licenças  da  inquisição  e  do  meu  Conselho  Ultrama- 
rino, sem  as  quaes  se  não  podem  imprimir,  nem  correrem  as  obras;  por- 
tanto, se  vos  ordena,  que,  constando-vos  que  se  acham  algumas  lettras 
de  imprensa  nos  limites  do  vosso  governo,  as  mandeis  sequestrar  e  re- 
metter  para  este  Reino  por  conta  e  risco  de  seus  donos,  a  entregar  a  quem 
elles  quizerem  e  mandareis  notificar  aos  donos  das  mesmas  lettras  e  aos 
officiaes  da  imprensa  que  houver,  para  que  não  imprimam  nem  consin- 
tam que  se  imprimam  livros,  obras  ou  papeis  alguns  avulsos,  sem  ernbar- 
gos  de  quaesquer  licenças  que  tenham  para  a  dita  impressão,  comminan- 
do-]hes  a  pena  de  que,  fazendo  o  contrario,  serão  remettidos  presos  para 
este  Reino,  á  ordem  de  meu  Conselho  ultramarino,  para  se  lhes  imporem 
as  penas  em  que  tiverem  incorrido,  na  conformidade  das  leis  e  ordens  mi- 
nhas, e  aos  ouvidores  e  ministros  mandareis  intimar  da  minha  parte  esta 
mesma  ordem  para  que  lhes  dêni  a  sua  devida  execução  e  a  façam  re- 
gistrar nas  suas  ouvidorias. 

<'E1-Rei  nosso  Senhor  o  mandou  por  Thomé  Joaquim  da  Costa  Corte 
Real  e  desembargador  António  Freire  Barbosa  Henriques,  conselheiros  do 
seu  Conselho  Ultramarino,  e  se  passou   por  duas  vias. 

«Caetano  Ricardo  da  Silva  a  fez  em  Lisboa  a  6  de  julho  de  1747.— 
O  secretario  Manoel  Caetano  Lopes  de  Gouvèa  a  fez  escrever.  —  Thomé 
Joaquim  da  Costa  Corte  Real.— António  Fnire  de  Andrade   Menrigues». 


156  REVISTA    DO 


«  Foi  Minas-Geraes  a  quarta  das  antigas  pro- 
vindas brasileiras,  em  ordem  chronologica,  a  contribuir  com 
um  orgam  seu  para  o  jornalismo  nacional.  Não  obstante,  pode 
Minas-Geraes  ufanar-se  relativamente  á  instituição  da  imprensa, 
por  duplo  motivo,  que  dá-lhe  notoriedade  singular  no  paiz :  — 
1°,  por  ter  sido,  após  a  régia  destruição  da  typographia  de 
António  Isidoro  da  Fonseca,  em  1747,  no  Rio  de  Janeiro,  o  pri- 
meiro, logar  do  Brasil  em  que  resurgiu  a  imprensa  (1807),  um 
anno  antes  da  typographia  mandada  estabelecer  pelo  príncipe 
regente  no  Rio  de  Janeiro;  —  2.°,  por  ter  sido  essa  imprensa 
mineira,  bem  como  a  typographia  que  se  lhe  seguiu  e  que  edi- 
tou o  primeiro  periódico  mineiro,  de  producção  toda  mineira  — 
chapas,  prelos,  typos  e  mais  utensílios. 

Faremos  succinta  exposição  histórica  destes  factos,  em  ge- 
ral ignorados,  que  reivindicam  para  Minas-Geraes  honra  indis- 
putável, e  também  gloria  puríssima  para  um  dos  seus  filhos  dis- 
tinctos,  cujo  nome  tem  jazido  em  iniquo  esquecimento. 

—  Em  1807,  era  governador  da  capitania  de  Minas-Ge- 
raes Pedro  Maria  Xavier  de  Athayde  e  Mello,  Visconde  de  Con- 
deixa. 

Contrastando  com  alguns  de  seus  antecessores,  como  o 
sombrio  Conde  de  Assumar  e  o  famigerado  Luiz  da  Cunha  Me- 
nezes, burlesco  heróe  das  famosas  Cartas  Chilenas,  o  capitão 
general  Pedro  Maria  era  expansivo  e  afável  e,  o  que  mais  vale, 
mostrava-se  apreciador  da  poesia,  da  musica  e  artes  em  geral, 
e  de  seus  cultores,  a  quem  acolhia  com  benevolência  fidalga  nos 
magníficos  saráos  que  dava  em  palácio,  festejando  seu  anniver- 
sario  e  o  da  Viscondessa,  ou  solemnizando  datas  régias  e  acon- 
tecimentos da  época. 

Por  esse  tempo,  dedicára-lhe  o  dr.  Diogo  Pereira  Ribeiro  de 
Vasconcellos,  também  residente  em  Villa  Rica  (Ouro  Preto),  um 
pequeno  poema,  composição  sua,  sobre  assumpto  que  ignora- 
mos, mas  que  agradou  muitíssimo  ao  governador,  e  tanto  que 
este  logo  desejou  vel-o  impresso  sem  demora. 

Não  havia  então  nenhuma  typographia  no  Brasil,  e  remet- 
ter  para  Lisboa  o  manuscripto  seria  protrahir  em  extremo  a  de- 
sejada impressão.  Alem  de  demoradíssimas  as  viagens  naquelle 
tempo,  em  regra,  só  uma  vez  annualmente  havia  navios  para 
Portugal — quando  comboiada  por  náo  de  guerra,  voltava  a  frota 
carregada  com  os  quintos  do  ouro,  diamantes  e  algumas  ou- 
tras produções  da  colónia. 

Ante  esta  difíiculdade,  e  perseverando  cada  vez  mais  no  em- 
penho de  ver  impresso  o  poema,  porque  talvez  ingenuamente 
vislumbrasse  na  encomiástica  dedicatória  a  immortalidade  do 
próprio  nome,  illuminou-se  o  espirito  do  capitão-general  Pedro 
Maria,  lembrando-se  que,  mesmo  em  Villa    Rica,    havia  alguém 


ARCHIVO     PUBI.ICO     MIiNEIRO  157 


I 


com  bastante  «eng^enho  e  arte»  para  realizar-lhe  em  prazo  bre- 
ve o  innocente,  senão  louvável  desejo.  Era  o  padre  José  Joa- 
quim Viegas  de  Menezes. 

São  aqui  necessárias  alj^umas  palavras  a  respeito  deste  ho- 
mem notável. 

Tendo  estudado  em  Marianna  as  humanidades  que  no  seu 
tempo  alli  se  ensinavam,  Viegas  de  Menezes  seguira  em  1797 
para  Portugal,  lá  continuando  estudos  e  recebendo  ordens  sa- 
cras em  1800  ou  1801. 

Durante  sua  estada  em  Lisboa,  cultivou  relações  com  o  il- 
lustre  Frei  José  Marianno  da  Conceição  Velloso,  Mineiro  bene- 
mérito e  sábio  botânico,  que  então  dirigia  a  Régia  Officinu 
typographica,  chalrograpkica,  tgpo  plástica  e  litteraria 
do  Arco  do  Cego,  na  qual  este  nosso  eminente  patricio,  no  in- 
teresse do  Brasil,  fez  imprimir  excellentes  obras  e  memorias 
úteis  á  industria,  agricultura  e  commercio  do  nosso  paiz,  escri- 
ptas  ou  traduzidas  por  elle. 

A  amisade  e  protecção  generosamente  dispensadas  pelo  sá- 
bio Frei  Velloso  ao  padre  Viegas  de  Menezes,  benéficas  sob  di- 
versos aspectos,  forão  particularmente  proveitozas  pelas  facilida- 
des que  lhe  proporcionaram  de  adquirir  nas  officinas  do  Arco 
do  Cego  conhecimentos  theoricos  e  práticos  da  arte  de  gravar 
e  dos  múltiplos  serviços  e  complexo  mecanismo  de  um  estabe- 
lecimento typographico. 

Espirito  intelligente,  laborioso  e  inv^estigador,  (comquanto  se 
applicasse  também  á  pintura  e  a  outras  bellas-artes)  não  se  li- 
mitou o  padre  Menezes  ás  licções  theoricas  e  praticas  que  assi- 
duamente recebia  nas  régias  officinas  do  Arco  do  Cego :  foi 
procural-as  igualmente  em  escriptores  estrangeiros,  de  um  dos 
quaes — Abrahão  Bosse — traduíiu  e  fez  imprimir  em  1801  em 
Lisboa,  na  mesma  typographia  do  Arco  do  Cego,  o — Tratado 
d<i  gravura  á  agua  forte  e  a  buril,  e  em  madeira  negra, 
com  o  modo  de  construit  as  prensas  modernas  e  de  impri- 
mir em  talho  doce—X  vol.  em  4."  de  VIII— IX— 189— pags  , 
com  vinte  e  duas  estampas.  Faz  menção  deste  livro  o  Diccio- 
nario  Bifdiographico  de  Innocencio  F.  da  Silva,  vol.  4.' ,  pag.  415. 

De  regresso  em  Villa  Rica,  consagrava  o  padre  Viegas  de 
Menezes  as  horas  que  sobravam-lhe  dos  seus  deveres  sacerdo- 
taes,  ora  á  pintura  a  óleo,  executando  quadros  e  retratos  que 
patenteavam  seus  talentos  artísticos,  ora  a  trabalhos  chalco- 
graphicos,  manejando  habilmente  o  buril.  Entre  estes  traba- 
lhos, gravava  e  imprimia  para  obsequiar  os  am.igos,  ou  para 
anienisar  a  solidão  de  sua  vida  concentrada,  diversas  estampas, 
com  dísticos  allusivos,  sendo  certo,  segundo  um  fidedigno  tes- 
temunho contemporâneo,  que  suas  gravuras  a  tal/t  o  doce,  não 


Í68  REVISTA    DO 


competindo  com  as  francezes,  inglezas  e  allemãs  de  seu  tempo 
podiam,  todavia,  figurar  a  par  das  melhores  que  nessa  época 
produzia  a  régia  of  icina  de  Lisboa. 

O  governador  Pedro  Maria,  portanto,  não  recorria  em  vão 
aos  talentos  do  padre  Menezes,  e  este,  ante  a  vontade  do  capi- 
tão-general — que  valia  por  certo  como  uma  determinação  irresis- 
tível— recordou-lhe,  comtudo,  mui  respeitosamente,  a  prohibição 
expressa  e  penas  respectivas  quanto  ao  uso  da  imprensa  no 
Brasil,  constantes  da  celeberrima  ordem  régia  de  6  de  julho  de 
1747,  que  já  reproduzimos. 

«Si  é  só  isto,  não  se  afflija,  respondeu-lhe  o  governador; 
tomo  sobre  mim  toda  a  responsabilidade^). 

Era,  sem  duvida,  grande  temeridade  do  Visconde  de  Con- 
deixa. Acontecesse  chegar  á  Lisboa  a  noticia  do  caso,  e  talvez 
o  governador,  comquanto  fidalgo  e  capitão-general,  houvesse 
de  arrepender-se  amargamente  por  confiar  de  mais  em  suas  im-  { 

munidades...  E  quando  estas  o  salvassem,  não  salvariam  por 
ventura  ao  pobre  padre  Menezes... 

Não  houve,  entretanto,  como  replicar  ao  governador  Pedro 
Maria.  Foi  emprehendido  o  commettimento,  e  em  pouco  mais 
de  três  mezes  de  um  trabalho  aturado,  paciente  e  pesadíssimo, 
qual  o  de  aplainar,  polir  e  abrir  onze  chapas  de  diversos  tama- 
nhos (inclusive  a  do  frontespicio,  na  qual  —  diz  informante  in- 
struído que  viu  o  trabalho — se  acham  fielmente  retratados  o  ca- 
pitão-general e  a  Viscondessa  sua  esposa),  e  bem  assim  impri- 
mir em  um  imperfeito  íorculo  quantos  exemplares  quiz  o  gover- 
nador que  se  tirassem;  teve  o  padre  Viegas  de  Menezes  o  pra- 
zer de  concluir  a  penosa  tarefa,  sem  outro  incentivo  mais  sinão 
o  de  agradar  ao  governador  Pedro  Maria  e  exercer  o  próprio 
génio,  todo  dedicado  ás  bellas  artes. 

Algum  exemplar  existirá  algures  do  poemeto  do  dr.  Diogo 
Pereira  Ribeiro  de  Vasconcellos,  gravado  e  impresso  chalco- 
graphicamente  (Villa-Rica — 1807)  pelo  padre  José  Joaquim  Vie- 
gas de  Menezes? 

Temol-o  procurado  debalde,  o  que  sentimos,  considerando 
precioso  tal  opúsculo,  por  ser  o  primeiro  trabalho  de  imprensa 
executado  entre  nós  depois  de  1747  e,  portanto,  o  que  iniciou  a 
nova  e  definitiva  phase  da  publicidade  pela  typographia  em  ter- 
ras do  Brasil'. 

(Segue-se  a  exposição  dos  factos  relativos  ao  estabeleci- 
mento da  p-imeira  typographia  e  pubhcação  do  primeiro  pe- 
riódico em  Minas-Geraes). 

Depois  de  publicada  a  monographia  a  que  pertencem  os  ex- 
tractos acima,  soubemos  que  um  exemplar  do  cimelio  referido  se 
achava  no  Rio  de  Jeneiro  e  era  possuído  pela  sr."  d.  Joanna  T. 
de  Carvalho,  noticia  que    encontrámos    no  importante  e  magis- 


í 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO 


159 


tralmente  organizado  Catalogo  da  Expos''ção  de  Historia  do 
Brasil  pela  Biblioteca  Nacional  (pag.  1107).  sob  n.  12  778,  e  no 
interessante  Z)>(?'o?iíí?'/o  BililioyiapJiico  Eras  leiro,  do  dr.  Sa- 
cramento Blake  (2".  vol.  pag.    182). 

A  vcriíicação  de  tal  facto,  provando  não  estar  inteiramente  per- 
dida a  edicção  do  preciosíssimo  impresso,  foi  para  nós,  como  era 
natural,  motivo  de  intenso  prazer,  e  maior  ainda  experimenta- 
mos pouco  depois  recebendo  carta  obsequiosa  de  um  prestimoso  e 
intelligente  Mineiro,  o  sr.  Arthur  Alves  de  Alcântara  Campos  (*) 
communicando-nos  possuir  e  offerecer-nos  um  exemplar  do 
canto  do  dr.  Diogo  Ribeiro,  impresso  em  Villa  Rica  em  1807,  . 
qual  nos  enviaria  na  primeira  opportunidádede  portador  seguro. 

Effectivamente,  por  intermédio  de  um  estimável  amigo  com- 
mum,  chegou-nos  ás  mãos  ha  mezes  o  curiosíssimo  folheto,  tra- 
zendo no  verso  da  ultima  pagina  impressa,  com  o  delicado  offere- 
cimento,  a  seguinte  noticia  sobre  a  precedência  do  opúsculo;  — 
«Este  poema,  segundo  informações  fidedignos,  foi  remettido  a 
meu  bis-avô,  o  sr.  Manuel  Francisco  Alves,  que  era  official  da 
Marinha  Portugueza  e  residia  na  sua  fazenda  da  Serra  da  Boa- 
Esperança,  pertencente  á  freguezia  do  Curral  d'El-Rey,  muni- 
cípio de  Sabará,  pelo  sr.  Conde  de  Condeixa,  que  era  seu  amigo. 
Por  fallecimento  do  offeríado,  o  seu  neto  e  meu  tio,  sr.  José  Nar- 
ciso Campos,  que  era  homem  muito  dedicado  á  leitura  e  á  po- 
litica, guardou  este  poema,  que  eu,  com  o  fallecimento  delle,  en- 
contrei entre  muitos  outros  papeis  de  valor  histórico.  E  lendo 
a  importante  monographia — A  Imprensa  em  Mifias  Geraes,  — 
do  sr.  José  Pedro  Xavier  da  Veiga,  vi  que  n?.o  se  encontrava 
em  parte  alguma  um  exemplar  deste  poema  e  que  era  uma  pe- 
ça de  alto  valor  histórico,  resolvi  offerecer-lhe  este  folheto. — 
Cidade  de  Sabará,  24  de  dezembro  de  1895.  —  Arthur  Alva- 
res de  Alcançara  Ca /tipos.' 

O  valor  histórico  do  opúsculo,  a  que  allude  o  obsequioso 
offertante,  procede  de  ser  elle.  como  já  ficou  dito,,  o  primeiro 
im^presso  que  se  obteve  em  Minas-Geraes,  com  a  circumstancia, 
que  o  encarece  muitíssimo  mais  de  apparecer  quando  nenhuma 
tipographia  havia  no  Brasil.  A  estes  dois  factos  notáveis,  suffi- 
cientes  para  tornar  preciosíssimo  o  folheto,  accrescem  os  meios 
extraordinários  pelos  quaes,  conforme  relatamos,  conseguio  o 
benemérito  padre  Viegas  de  Menezes  realizar  admiravelmente  a 


(*)  —  Reside  na  ridade  de  Entre  Rios.  de  cuja  idilidade  foi  zelozissinio 
agente  e.xecutivo.  Nesse  caractere  no  de  simoles  cidadão  tem  prestado  va- 
liosos serviços  ao  município,  sobre  qual  escreveu  e  publicou  interessante  nio- 
n  ographia  que,   opportunamente    tornaremos  conhecidas  dos  leitores  desta 
Revista . 


160  REVISTA    DO 


^ 

'% 


I 


sua  edição,  por  processo  chalcographicos,  do  trabalho  poético  do 
dr.  Diogo  Pereira  Ribeiro  de  Vasconcellos — um  canto  apologético 
escrito  em  1806  em  honra  do  governador  da  Capitania  Mineira, 
Pedro  Maria  Xavier  de  Athayde  Mello,  mais  tarde  Visconde  de 
Condeixa. 

Compõe-se  o  opúsculo  de  quartorze  paginas  impressas: — duas 
no  principio,  contendo  uma  carta — dedicatória,  do  auctor  ao  su- 
pra-dito  governador;  dez,  em  seguida,  comprehendendo  vinte 
oitavas  do  canto — apologia;  uma  de  notas  explicativas;  e  uma, 
no  fim,  com  o  «Mappa  do  donativo  voluntário  que  ao  Au- 
gusto Príncipe  R.  N.  S.  offereeeram  os  povos  da  Capitania 
de  Minas  Geraes,   no  anno  de  1806.» 

O  caracter  da  letra  na  carta-dedicatoria,  e  nas  notas  seme- 
lha o  do  typo  itálico  antigo,  corpo  8;  o  do  canto  parece  o  typo 
Santo  Agostinho,  corpo  12;  e  o  do  il/ajt?/?rt  mencionado,  verda- 
deiramente minúsculo,  pode  equiparar-se  (excepto  nas  letras 
capitães)  ao  mignon  ou  ao  non  ^^areille,  corpos  7  e6.  E  em 
todos  caracteres  traçados  pelo  buril  do  padre  Viegas  de  Me- 
nezes é  admirável  a  firmesa  como  a  regularidade  dos  traços, 
não  o  sendo  menos  a  nitidez  da  impressão,  que  parece  recente, 
já  contando  aliás  precisamente  noventa  annos,  e  feita  com  tinta 
aqui  mesmo  em  Ouro  Preto  preparada  por  aquelle  insigne  gra- 
vador ! 

Illustra  o  folheto   uma  gravura,  igualmente  aberta  em  chapa  | 

nas  mesmas  dimensões  das  do  texto  (18  centímetros  sobre  12),  | 

com    os    retratos    do   capitão-general    Pedro    Maria    Xavier  de  . 

Athayde  e  Mello  e  de  sua  esposa,  d.  Maria  Magdalena  Leite 
de  Soisa  Oliveira  e  Castro   (estes  nomes  vêm    alli    n'uma  faixa  { 

circular),  abaixo  dos  quaes  acham-se  vários  ornatos,  coroas, 
e  symbolos  nobiliarchicos  das  famílias  dos     retratados. 

Também  essa  gravura,  talvez  mais  importante  de  todo  o 
trabalho    artístico,    é  devida    ao  dezenho    e   ao  buril  do  padre  * 

Viegas  de    Menezes,    que  foi     habihssimo   pintor  de  retrato  (ti- 
rou a  óleo  os  de  diversos   bispos  e    do  governador   D.    Manoel  | 
devendo-se-lhe    mais    o   panorama    de    Marianna,  quadro  que  i 
ainda  existe  no    pia  cio    episcopal  daquella   cidade  e  se  recom-              | 
menda  pela  fidehdade  e  correcção   da  pintura . 

Ao  Archivo  Publico  Mineiro,  que  é  o  lugar  próprio  para  re- 
positório e  guarda  de  trabalhos  graphicos  semelhantes,  offere-  t 
cemos  o  curiosíssimo  e  precioso  opúsculo  gravado  pelo  distincto 
artista  mínoiro,  uma  raridade  de  valor  inestimável,  que  figu- 
rará com  plenissimo  direito  no  cimeliarchum  do  recem-funda- 
do  estabelecimento. 


"O  ALEIJADINHO" 


(ESBOÇO  BIOGRAPHICO)  (*) 


Ninguém  com  melhor  direito  a  uma  noticia  biographica  nas 
Epltei7ierides  MUiciras  do  que  o  genial  artista,  de  origem  hu- 
milde, physica  e  horrivelmente  deformado,  infeliz  ainda  por  tem- 
peramento, enfermidades  e  accidentes  da  vida,  e  que  pode,  no 
entanto,  á  força  de  trabalho  dirigido  por  excepcional  talento, 
deixar  bellos  padrões,  seculares  já,  de  suas  inspirações  artísticas 
como  architecto  e  mais  ainda  como  esculptor,  apreciado  até  por 
sábios,  e  geralmente  admirado  pelas  condições  especialíssimas  e 
desfavoráveis  em  que  exerceu  a  sua  actividade  archite- 
ctando  —  aqui,  alli,  acolá  —  os  monumentos  da  própria  gloria, 
esforço  que  elle  consagrou,  na  sinceridade  de  sua  fé  fervorosa 
á  apologia  mudamente  eloquente  da  religião  catholica.  Quem 
ha  ahi,  na  verdade,  em  toda  a  vastidão  do  território  mineiro, 
que  não  tenha  ouvido  fallar  no  Aleijadinho,  o  grande  artista 
que  delineou  e  esculpio  explendidos  e  extraordinários  trabalhos 
em  muitos  dos  antigos  e  melhores  templos  de  nossa  terra, 
que  pode  orgulhar-se,  e  orgulha-se  effeclivamente,  de  ter-lhe  sido 
berço?... 

Nem  admira  que  a  tradição  ininterrupta  circumde-lhe  o  nome 
de  palmas  immarcesciveis  na  voz  glorificadora  do  povo,   de   cujo 


(*)    As  patíinas  seguintes,  assim   como    outros  esboços    biographicos 
que  estão  sendo  publicados  no  Minas  Oercien  sob  a  epigraphe  —  Minei- 
ros llliísires  -    são  treclios  das  Ephemeiides  Mineiras,  livro  inédito  liue 
o  redactor  desta  Revista  está  concluindo. 
A.  r.  —  11 


162  REVISTA    DO 


seio  elle  surgiu  e  em  cujo  anonymato  viveria  e  morreria  obscuro 
si  as  creações  de  seu  talento  artistico  não  liie  erguessem  pedes- 
tal assaz  elevado  para  assomar  ás  vistas  da  posteridade.  Não 
admira  essa  tradição  popular,  homenagem  renovada  de  geração 
em  geração,  dictada  pela  justiça  e  que  se  vae  dilatando  com  o 
tempo,  quando  já  no  primeiro  quartel  deste  século  e  pouco  de- 
pois da  morte  de  António  Francisco  Lisboa  (o  Aleijadinho), 
um  viajante  illustre,  estrangeiro  e  parcimonioso  em  louvores, 
reconhecia-lhe  o  merilo  e  registrava  n'um  dos  seus  livros  ex- 
plendidos  as  impressões  recebidas  á  vista  de  trabalhos  do  dis- 
tincto  artista  mineiro.  E  os  trabalhos  a  que  referem-se  as  pala- 
vras de  Saint-Hilaire,  que  vamos  citar,  são,  por  certo,  dos  me- 
nos perfeitos  de  quantos  se  devem  á  surprehendeníe  habilidade 
do  famoso  esculptor,  que  foi  também  architecto  notável  para  o 
tempo  em  que  viveu. 

Narrando  a  sua  passagem  por  Congonhas  do  Campo,  escre- 
veu Saint-Hilaire:  (**)  « — On  pense  bien  que  je  ne  voulus  pas 
quitter  Con<jonltas  sans  aller  voir  Véyl^se  de  Nosso  Senhor 
Bom  Jesus  de  Mattosinhos,  qui  est  pour  cette  contreé,  comme 
V observe  Luccolck,  ce  qii'  est  pour  /'  Ifalie  Notre  Dame  de 
Lorette.  Cetie  église  a  étè  construite  sur  le  sommet  d'mi 
inorne,  au  milieud'w/e  terrasse  pavée  de  larges  pierres  et 
entourée  d'un  mur  d'appui.  Devant  elle,  ou  a  placé  sur  les 
niurs  du  perron  et  sur  ceux  de  la  ferrasse  des  statiies  en 
pierre  qui  representent  les  prophêtes.  Ces  statiies  ne  Isont 
pas  des  chefs-d'ceuvre,  sans  doute;  mais  on  remarque  dans 
la  manière  dmt  elles  07it  èté  scnlpfées  quclque  ehose  de  large 
qui  prouve  dans  Vartiste  um  talent  natureltrês  promncé^. 

Segue-se  uma  ligeira  noticia  acerca  do  esculptor  mineiro, 
sobre  quem  ainda  mais  lisongeiro  juizo  manifestaria  SanfHilaire 
si,  em  vez  dos  prophetas  de  Congonhas,  fossem  outras  obras  do 
Aleijadinho  o  objecto  da  sua  referencia  e  apreciação. 

Apezar  dos  limites  que  nos  traça  a  própria  natureza  destas 
Ephemendes,  não  podemos  fugir  ao  desejo  de  consignar  em 
suas  paginas  um  bem  elaborado  esboço  biographico  do  inspira- 
da, caritativo  e  desditoso  artista  mineiro,  trabalho  geralmente  des- 
conhecido pela  geração  actual  e  escripto  ha  quasi  quarenta  an- 
nos  por  um  outro  nosso  distincto  conterrâneo,  já  fallecido  ha 
muito,  Rodrigo  José  Ferreira  Brêtas,  laborioso  e  hábil,  que  su- 
perintendeu por  largo  tempo  com  provada  competência  o  ensino 
publico  e.n  Minas  Geraes  e  mereceu  ser  admittido  no  Instituto 
Histórico  e  Geographico  Brasileiro,  como  sócio  correspondente. 
Devemos  a  posse  desse  escripto,  publicado  em  1858  no  Correio 


(**)  Voyages  Dans  L'interieur  du  Brésil,  scconde    partie,    vol.    1 
pags.  203  e  204. 


ARCHIVO     PUBLICO     MLNEIRO 


163 


Official  de  Minas  (ns.  169  e  170),  às  pesquizas,  nas  biblio- 
thecas  do  Rio  de  Janeiro,  do  sr.  Lourenço  Xavier  da  Veiga,  pre- 
zado irmão  de  quem  escreve  estas  linhas;  e  foi  somente  muito 
depois  de  havel-o,  por  cópia,  que  soubemos  existir  o  original, 
ou  outra  cópia  manuscripta,  no  archivo  d'aquelle  Instituto  His- 
tórico. 

E'  minucioso,  contém  informações  e  apreciações  sob  vários 
aspectos  interessantes,  motivos  porque,  apesar  de  extenso,  repro- 
duzimol-o  aqui  integralmente  (inclusive  as  notas),  além  de  im- 
portar isto  devida  homenagem  á  memoria  do  artista  em  quem  o 
génio  igualou  á  desventura — dupla  aureola  que  exalça-o  á  sym- 
pathia  e  ao  respeito  da  posteridade. 


TRAÇOS    BIOGRAPHICOS   RELATIVOS    AO   FINADO 
ANTÓNIO    FRANCISCO   LISBOA 


DISTINCTO   ESCULPTOR    MINEIRO,   MAIS    CONHECIDO    PELO   APPEL- 

LIDO   DE  -  Aleijadinho 


António  Francisco  Lisboa  nasceo  a  29  de  agosto  de  1730  no 
arrabalde  desta  cidade  (*)  que  se  denomina — o  Bom  Successo, 
pertencente  á  freguezia  de  Nossa  Senhora  da  Conceição  de  An- 
tónio Dias.  Filho  natural  de  Manoel  Francisco  da  Costa  Lisboa, 
distincto  architecto  portuguez,  teve  por  mãi  uma  africana,  ou 
crioula,  de  nome  Isabel,  e  escrava  do  mesmo  Lisboa,  que  o  li- 
bertou por  occasião  de  fazel-o  baptizar. 

António  Francisco  era  pardo  escuro,  tinha  voz  forte,  a  fala 
arrebatada,  e  o  génio  agastado :  a  estatura  era  baixa,  o  corpo 
cheio  e  mal  configurado,  o  rosto  e  a  cabeça  redondos,  e  esta 
volumosa,  o  cabello  preto  e  annelado,  o  da  barba  cerrado  e 
basto,  a  testa  larga,  o  nariz  regular  e  algum  tanto  ponfagudo, 
os  beiços  grossos,  as  orelhas  grandes,  e  o  pescoço  curto.  Sabia 
ler  e  escrever,  e  não  consta  que  tivesse  frequentado  alguma 
outra  aula  além  da  de  primeiras  letras,  embora  alguém  julgue 
provável  que  tivesse  frequentado    a  de  latim. 


(*)  O  illustrado  biographo  refere-se  a  Ouro  Preto,  onde  residia  e  onde 
escreveu  o  seu  consciencioso  estudo  sobre  o  Aleijadinho. —ÇNota  da  Re- 
dacção da  Revista). 


164  REVISTA.     DO 


O  conhecimento  que  tinha  do  desenho,  de  architectura  e 
esculptura,  fora  obtido  na  escola  pratica  de  seu  pai  e  talvez  na 
do  desenhisth  pintor  João  Gomes  Baptista,  que  na  corte  do  Rio  de 
Janeiro  recebera  as  lições  do  acreditado  artista  Vieira,  e  era  emprega- 
do como  abridor  de  cunhos  na  casa  da  fundição  de  ouro  desta  capital. 

Depois  de  muitos  annos  de  trabalho,  tanto  nesta  cidade, 
como  fora  delia,  sob  as  vistas  e  risco  de  seu  pai,  que  então  era 
tido  na  província  como  o  primeiro  architecto,  encetou  António 
Francisco  a  sua  carreira  de  mestre  de  architectura  e  esculptura, 
e  nesta  qualidade  excedeu  a  todos  os  artistas  deste  género, 
que  existirão  em  seu  tempo.  Até  a  idade  de  47  annos  em  que 
teve  um  filho  natural,  ao  qual  deu  o  mesmo  nome  de  seu  pai, 
passou  a  vida  no  exercício  de  sua  arte,  cuidando  sempre  em 
ter  boa  mesa,  e  no  goso  de  perfeita  saúde;  e  tanto^que  era  visto  mui- 
tas vezes  tomando  parte  nas  danças  vulgares.  De  1777  em  diante  as 
moléstias,  provindas  talvez  em  grande  parte  de  excessos  venéreos, 
começarão  a  atacal-o  fortemente.  Pretendem  uns  que  elle  soffrera  o 
mal  epidemico,  que,  sob  o  nome  de  — Zamparina — pouco  antes  havia 
grassado  n'esta  província,  e  cujos  resíduos,  quando  o  doente  não  suc- 
cumbia,  erão  quasi  infalliveis  deformidades  e  paralysics;  e  outros  que 
nelle  se  havia  complicado  o  humor  gallico  com  o  escorbutico.  O  certo 
é  que,  ou  por  ter  negligenciado  a  cura  do  mal  no  seu  começo,  ou 
pela  força  invencível  do  mesmo,  António  Francisco  perdeo  todos  os 
dedos  dos  pés,  do  que  resultou  não  poder  andar  senão  de  joe- 
lhos :  os  das  mãos  atrophiarão-se  e  curvarão,  e  mesmo  chega- 
rão a  cahir,  restando-lhe  somente,  e  ainda  assim  quasi  sem  mo- 
vimento, os  pollegares  e  os  índices.  As  fortíssimas  dores  que 
de  continuo  soífria  nos  dedos,  e  a  acrimonia  do  seu  humor  cho- 
leríco  o  levarão  por  vezes  ao  excesso  de  cortal-os  elle  próprio, 
servindo-se  do  formão,  com  que  trabalhava!  (1)  As  pálpebras 
inflammarão-se,  e  permanecendo  neste  estado,  offerecião  á  vista 
sua  parte  interior :  perdeo  quasi  todos  os  dentes,  e  a  bocca  en- 
tortou-se  como  succede  frequentemente  ao  estuporado,  o  queixo 
e  lábio  inferiores  abaíerão-se  um  pouco :  assim  o  olhar  do  infe- 
liz adquiriu  certa  expressão  sinistra  e  de  ferocidade,  que  chega- 
va mesmo  a  assustar  a  quem  quer  que  o  encarasse  inopinada- 
mente. Esta  circumstancia  e  a  tortura  da  bocca  o  tornavão  de  um 
aspecto  asqueroso  e   medonho.  (2) 


(1)  Collocava  convenientemente  o  formão  sobre  o  dedo  que  tinha  de 
cortar  e  ordenava  a  um  de  seus  i  scravos,  que  erão  officiaes  ou  aprendi- 
zes de  talha,  que  sobre  elle  desse  uma  forte  pancada  de  macete. 

(2)  Conta-se  que  tendo  comprado  um  preto  boçal  de  nome  Januário, 
attentara  este  contra  a  própria  vida,  servindo-se  de  uma  navalha,  tendo 
dito  antes  que  o  fazia  para  não  se  ver  obrigado  a  servir  a  um  senhor  tão 
feio.  O  mal  foi  evitado  a  tempo  e  mais  tarde  foi  este  preto  um  bom 
escravo . 


AJICIIIVO     ILIil-lCO    MINEIRO  165 

Quando  em  António  Francisco  se  manifestarão  os  effeitos 
de  tão  terrível  enfermidade,  consta  que  certa  mulher  de  nome 
Helena,  moradora  na  rua  do— Areião  ou  Carrapixo  —  desta 
cidade,  dissera  que  elle  havia  tomado  uma  grande  dose  de  car- 
dina  (3)  (assim  denominou  a  substancia  a  que  se  referia)  com  o 
fim  de  aperfeiçoar  seus  conhecimentos  artísticos,  e  que  d'ahi  lhe 
havia  provindo  tão  grande  mal. 

A  consciência  que  tinha  António  Francisc-^  da  desagradável 
impressão  que  causava  sua  physionomia,  o  tornava  intolerante, 
e  mesmo  iroso  para  com  os  que  lhe  parecia  observarem-o  de 
propósito;  entretanto  era  elle  alegre  e  jovial  entre  as  pessoas  de 
sua  intimidade. 

Sua  prevenção  contra  todos  era  tal  que,  ainda  com  as  ma- 
neiras agradáveis  de  tratal-o  e  com  os  próprios  louvores  tribu- 
tados á  sua  pericia  de  artista,  elle  se  molestava,  julgando  iró- 
nicas e  expressivas  de  mofa  e  escarneo  todas  as  palavras  que 
neste  sentido  lhe  erão  dirigidas.  Nestas  circumstancia  costuma- 
va a  trabalhar  ás  occulta.s  debaixo  de  uma  tolda,  ainda  mesmo 
que  houvesse  de  fazel-o  dentro  dos  templos.  Conía-se  que  um 
general  (talvez  D.  Bernardo  José  de  Lorena)  achando-se  em 
certo  dia  a  presenciar  de  perto  o  seu  trabalho  fora  obrigado  a 
retirar-se  pelo  incommodo  que  lhe  causavão  os  granitos  da  pe- 
dra em  que  escultava  o  nosso  artista  e  que  este  deliberadamen- 
te fazia  cahir  sobre  o  importuno  espectador. 

Possuia  um  escravo  africano  de  nome  Maurício,  que  traba- 
lhava como  entalhador,  e  o  acompanhava  por  toda  parte:  era 
este  quem  adaptava  os  ferros  e  o  macete  ás  mãos  imperfeitas 
do  grande  escuiptor,  que  desde  esse  tempo  ficou  sendo  geral- 
mente conhecido  pelo  appellido  de— Aleijadinho.— Tinha  um  cer- 
to apparelho  de  couro,  ou  madeira,  continuamente  applicado  aos 
joelhos,  e  neste  estado  admirava-se  a  coragem  e  agilidade  com 
que  ovsava  subir  pelas  mais  altas  escadas  de   carpinteiro. 

Maurício  era  sempre  meieiro  com  o  Aleijadinho  nos  salá- 
rios que  este  recebia  por  seu  trabalho.  Era  notável  neste  es- 
cravo tanta  fidelidade  a  seus  deveres,  sendo  que  entretanto  ti- 
nha por  senhor  um  individuo  até  certo  ponto  fraco,  e  que  muitas 
vezes  o  castigava  rigorosamente  com  o  mesmo  macete  que  lhe 
havia  atado  ás  mãos.  Além  de  Maurício  tinha  ainda  o— Alei- 
jadinho—dous  escravos  de  nomes  Agostinho  e  Januário,  aquel- 
le  era  também  entalhador,  e  este  quem  lhe  guiava  o  burro  em 
que  andava,  e  neile  o  collocava. 

(3)  Pretendem  alguns  que  a  rharlntaneria  desse  tempo  annunciava  á 
venda  uma  substancia  que  tinha  a  virtude  de  ausfmentar  as  forças  da  in- 
telligencia,  ou  de  extinguir  a  capacidade  de  sentir  por  um  órgão,  e  dar 
assim  ( ccasião  a  que  se  tomasse  mais  ampla  a  que  era  relativa  aos 
outros. 


166  REVISTA     DO 


Ia  á  missa  sentado  em  uma  cadeira  tirada  de  um  modo  par- 
ticular por  dous  escravos,  mas  quando  tinha  de  ir  á  matriz  de 
António  Dias,  a  que  estava  contigua  a  casa  em  que  residia,  era 
levado  ás  costas  de  Januário.  Depois  da  fatal  enfermidade  que 
o  accommetteo,  trajava  uma  sobrecasaca  de  panno  grosso  azul 
que  lhe  descia  até  abaixo  dos  joelhos,  calça  e  colete  de  qualquer 
fazenda,  caloava  sapatos  pretos  de  forma  análoga  aos  pés,  e  tra- 
zia, quando  a  cavallo,  um  capote  tamtem  de  panno  preto  com 
mangas,  gola  em  pé  e  cabeção,  e  um  chapeo  de  lã  parda  bra- 
guez,  cujas  largas  abas  estavão  presas  á  copa  por  dous  col- 
chetes. 

O  cuidado  de  furtar-se  ás  vistas  de  pessoas  estranhas  de- 
ra-lhe  o  habito  de  ir  de  madrugada  para  o  lugar  em  que  tinha 
de  trabalhar,  e  voltar  á  casa  depois  de  fechada  a  noite,  e, 
quando  devia  fazel-o  antes,  notava-lhe  algum  esforço  para  que 
a  marcha  do  animal  fosse  apressada,  e  assim  se  frustrasse  o 
empenho  de  alguém  que  sobre  elle  quizesse  demorar  suas 
vistas. 


Entrando-se  agora  na  apreciação  do  mérito  do — Aleijadi- 
nho— como  esculptor  e  entalhador,  tanto  quanto  pode  fazel-o 
quem  não  é  profissional  na  matéria,  e  somente  á  vista  das  obras 
que  deixou  na  capella  de  S.  Francisco  de  Assis  desta  cidade, 
cuja  planta  é  sua,  reconhece-se  que  elle  mereceu  a  nomeada 
de  que  gosou,  attendendo-se  principalmente  ao  estado  das  artes 
no  seu  tempo,  á  falta  que  sentiu  de  mestres  scientificos,  e  dos 
princípios  indispensáveis  a  quem  aspira  á  máxima  perfeição  nos 
referidos  géneros,  e  sobretudo  as  desvantagens  contra  as  quaes 
ultimamente  luctava  em  consequência  da  perda  de  membros  ne- 
cessários á  execução  de  seus  trabalhos. 

São  obras  do — Aleijadinho — a  talha  e  esculptura  pratica- 
da no  frontispício  da  referida  capella,  os  dois  púlpitos,  o  cha- 
fariz da  sachristia,  as  imagens  das  Três  Pessoas  da  Santíssi- 
ma Trindade  e  dos  Anjos  que  se  vèm  no  cimo  do  altar-mor,  a 
talha  deste  e  bem  assim  a  esculptura  allusiva  á  ressureição  de 
Christo,  que  se  vê  na  frente  da  urna  do  altar-mór,  a  figura  do 
Cordeiro  que  se  acha  sobre  o  Sacrário,  e  finalmente  toda  a  es- 
culptura do  tecto  da  capella-mór. 

Apenas  attenta-se  para  estes  trabalhos,  depara-se  logo  com 
o  génio  incontestável  do  artista,  mas  não  se  deixa  de  reconhe- 
cer também  que  elle  foi  melhor  inspirado  do  que  ensinado  e  ad- 
vertido; porquanto  o  seu  desenho  resente-se  ás  vezes  de  algu- 
ma imperfeição. 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  167 

No  relevo  que  representa  —  São  Francisco  de  Assis  rece- 
cebendo  as  chagas — vê-se  que  elle  tem  no  corpo  e  no  sembrante 
a  attitude  e  a  expressão  próprias  de  uma  situação  tão  importante, 
Junto  do  Santo  vé-se  esculpida  uma  açucena,  cujas  hastes  ca- 
bem tão  languidas  e  pois  tão  naturalmente  que  por  isso  não  se 
pode  deixar  de   victoriar  o  artista. 

Na  frente  do  púlpito  que  fica  ao  lado  esquerdo  do  templo 
para  quem  nelle  entra  peia  porta  principal,  vê-se  Jesus  Christo 
sobre  uma  barca  pregando  ás  turbas  no  mar  de  Tiberiade.  Os 
vultos  que  representão  o  povo  tèm  o  ar  de  quem  presta  seria 
attenção,  mas  o  Salvador  não  tem  ahi  a  magestade  que  se  divi- 
sava sempre  no  seu  rosto. 

Na  frente  do  púlpito  do  lado  opposto  acha-se  representado 
um  outro  assumpto  tirado  do  Velho  Testamento.  E'  o  Propheta 
Jonas  no  acto  de  ser  lançado  ao  mar,  e  prestes  a  ser  engulido 
por  uma  baleia,  que  faminta  o  aguarda. 

Eis  o  resumo   da  respectiva  legenda  : 

Jonas  achava-se  embarcado  quando  sobreveio  uma  tempes- 
tade que  ameaçava  submergir  o  navio,  e  tendo  alguém  pensado 
que  era  castigo  do  Senhor,  inflingido  á  algum  pecador  que  nelle 
se  achasse,  o  Propheta  denunciou  o  delicto  que  havia  commet- 
tido,  deixando  de  ir  pregar  na  cidade  de  Ninive,  como  o  mes- 
mo Senhor  lhe  havia  ordenado,  e  pedio  que  o  lançassem  ao 
mar,  afim  de  serenar  a  tempestade. 

Este  grupo   parece  bem  desempenhado. 

Aos  lados  de  cada  um  dos  púlpitos  veem-se  dous  dos  qua- 
tro Apóstolos  Evangelistas,  cujos  nomes  são  indicados  pelas  figu- 
ras alegóricas  da  visão  do  Propheta  Ezequiel,  a  saber,  o  Anjo 
junto  a  S.  Matheus,  o  leão  a  S.  Marcos,  o  boi  a  S.  Lucas,  e  a 
águia  a  S.  João. 

Todos  elles  têm  o  ar  de  quem  recebe  as  divinas  inspirações. 

No  chafariz  vò-se  bem  esculpida  a  imagem  da  Fé,  a  qual 
com  a  expressão  vaga  da  cegueira  que  lhe  é  própria  apresen- 
ta num  retábulo  o  seguinte  pentametro: 

—  íToec  est  ad  Coeliun,  qnae  via  durit  oves — . 

Abaixo,  e  aproximadamente  á  pia,  vê-se,  de  um  e  outro 
lado,  mãos,  pescoço  e  rosto  de  um  Cervo,  por  cuja  bocca  deve 
correr  a  agua.  O  retábulo  que  os  encobre  offerece  á  vista  o 
seguinte  hexametro : 

— Ad  Dominam  curro,  sítieiís,  at  cervus  ad  andas. — 

Juízo  igualmente  favorável  se  deve  fazer  da  execução  das 
demais  imagens  e  esculturas,  em  vulto  ou  em  reir-vo,  que  sahi- 
rão  das  mãos  do  mesmo  artista,  e  achão-se  na  referida  ca- 
pel!a. 


1  ■ 
!i 


168  REVISTA    EK) 


Também  é  obra  do  —  Aleijadinho  —  a  imagem  de  S.  Jor- 
ge, que  annualiiiente  costuma  sahir  a  cavallo  na  procissão  de 
Corpus  Ciiristi  nesta  cidade. 

A  respeito  da  encommenda  desta  obra  deo-se  o  seguinte 
facto. 

O  general  D.  Bernardo  José  de  Lorena,  attendendo  a  que 
era  mui  pequena  a  imagem  do  dito  Santo,  que  então  havia,  deu 
ordem  a  que  viesse  á  sua  presença  o  Aleijadinho,  que  devia  ser 
encarregado  de  construir  uma  outra.  O  estatuário  compareceu 
em  palácio  depois  de  muitas  instancias  para  o  fazer.  Logo  que  o 
viu  o  coronel  José  Romão,  ajudante  d'ordens  do  general,  excla- 
mou elle,  recuando:  feio  homem !  ao  que  disse  em  tom  áspero 
António  Francisco,  ameaçando  retirar-se:  é  para  isso  que  S.  Exc. 
ordenou-me  que  aqui  viesse? 

O  general,  que  logo  appareceu,  tranquilisou  o  artista  e  pôde 
entrar  com  elle  em  detalhes  relativos  á  imagem  de  S.  Jorge,  que 
declarou  devia  ser  de  grande  vulto,  e  tendo  tomado  para  exem- 
plo o  do  dito  ajudante  d'ordens,  que  se  achava  presente,  o  Alei- 
jadinho voltando-se  para  este  e  retribuindo  a  offensa  delle  disse 
duas  vezes  meneiando  a  cabeça  e  com  ar  displicente :  forte  ar- 
ganaz  i  forte  arganaz  ! 

Pretende-se  que  quando  o  artista  deu  por  acabada  a  ima- 
gem não  houve  quem  nella  deixasse  de  reconhecer  uma  copia 
fiel  do  dito  José  Romão,  que,  formando  o  mesmo  juizo,  em  vão 
oppoz~se  a  que  ella  sahisse  nas  procissões. 

Accrescentam  a  isto  que  o  talento  do  retratista  era  nelle  mui 
pronunciado,  e  que  varias  outras  imagens  construio  de  propósito, 
representando  exactamente  vulto  e  feições  de  certas  possoas. 


Nas  esculpturas  do  Aleijadinho  observa-se  sempre  mais  ou 
menos  bem  succedida  a  intenção  de  um  verdadeiro  artista,  cuja 
tendência  é  para  a  expressão  dum  sentimento  ou  de  uma  ideia, 
salvo  commum  de  todas  as  artes  (4).  Faltou-lhe,  como  já  se 
disse,  o  preceito  da  arte,  mas  soubrou-lhe  a  inspiração  do  génio 
e  do  espirito  religioso  (5). 


(4)  A  esculptura,  como  as  demais  artes,  começou  á  ser  mais  senti- 
mental e  ideal  em  França  no  século  XVII,  depois  que  a  philosophia  es- 
piritualista de  Descartes  prevalece©  sobre  a  sensualista  de    Loke. 

(5)  Enthusiasta  da  esculptura  sagrada,  sua  leitura  favorita  era  a  Bíblia. 
Também  se  diz  que  a  de  authores    em  medicina. 


^ 


ARCIIIVO     PUBIJCO    MINEIRO  169 

No  anno  de  1790  era  este  artista  julgado  como  se  verá  do 
seguinte  trecho  d'um  artigo  escripto  pelo  capitão  Joaquim  José 
da  Silva,  2/'  vereador  do  senado  da  camará  da  cidade  de  Ma- 
rianna  no  dito  anno,  e  que  se  lè  no  respectivo  livro  de  registo 
de  factos  notáveis  estabelecido  pela  ordem  regia  de  20  de  julho 
de  1782: 


'A  matriz  de  Ouro  Preto,  arrematada  por  João  Francisco  de 
Oliveira  pelos  annos  de  1720,  passa  por  um  dos  edifícios  mais 
bellos,  regulares  e  antigos  dn  comarca.  Este  templo,  talvez 
desenhado  pelo  sargento-mór  engenheiro  Pedro  Gomes,  foi  con- 
struído e  adornado  interiormente  por  António  Francisco  Pom- 
bal com  gr.indes  columnas  da  ordem  corinthia,  que  se  elevão 
sobre  nobres  pedestaes  a  receber  a  cimalha  real  com  seus  ca- 
piteis e  resaltos  ao  génio  de  Seamozi,  Com.  a  maior  grandeza  e 
soberba  architectura  traçou  Manoel  Francisco  Lisboa  ^6),  irmão 
d'aquelle  Pombal,  de  1727  por  diante,  a  igreja  matriz  da  Con- 
ceição da  mesma  villa  com  12  ou  13  altares,  e  arcos  magesto- 
sos  debaixo  dos  preceitos  de  Vinholla.  Nem  é  inferior  à  cathe- 
dral  matriz  do  Ribeirão  do  Carmo,  arrematada  em  1734  por  An- 
tónio Coelho  da  Fonseca,  cujo  prospecto  e  fachada  correspondem 
á  galeria,  torres  e  mais  decorações  de  arte.  Quem  entra  pelo 
seu  pórtico  e  observa  a  distribuição  dos  corredores  e  naves, 
arcos  da  ordem  compósita,  janella,  occulos  e  barretes  da  ca- 
pella-nór  que  descanção  sobre  quatro  quaríões  ornados  de  talha, 
capiteis  e  cimalha  lavrada,  não  pode  desconhecer  abellezaeex- 
acção  de  um  desenho  tão  bem  pensado.  Taes  são  os  primeiros 
modelos  em  que  a  arte  excedeu  a  matéria. 

Pelos  annos  de  1715  ou  1719  foi  prohibido  o  uso  do  cinzel 
para  se  não  dilapidarem  os  quintos  de  Sua  Magestade,  e  por  or- 
dem regia  de  20  de  agosto  de  1738  se  empregou  o  escopro  de 
Alexandre  Alves  Moreira,  e  seu  sócio  na  cantaria  do  palácio  do 
governo  alinhado  toscamente  pelo  engenheiro  José  Fernandes 
Pinto  Alpoim,  com  baluartes,  guaritas,  calabouço,  saguão  e  outras 
prevenções  militares.  N'esta  casa  forte,  e  hospital  de  misericór- 
dia, ideiada  por  Manoel  Francisco  Lisboa  com  ar  jónico,  conti- 
nuou este  grande  mestre  as  suas  lições     praticas  de  architectura 


(6)  Embora  a  differença  do  agnome  ha  fundamento  para  dizer-se  que  o 
nome  Mano'^  Francisco  Lisboa  e  o  de  Manoel  Francisco  da  Costa  que  se 
acha  no  assento  de  l)aptismo  relativo  ao — Aleijadinho— pertencem  ao  mes- 
mo individuo.  No  dito  assento  supprimio-se  o  cognome  Lisboa. — e  no  tre- 
cho que  acima  se  transcreve  o  agnome  Costa.  O  nome,  pois,  do  pae  do 
Aleijadinho  era-- Manoel  Francisco  da  Costa  Lisbsa. 


170  REVISTA    DO 


que  interessarão  a  muita  gente.  Quanto  porem  excedeo  a  todos 
no  desenho  o  mais  doce  e  mimoso  Joclo  Gomes  Baptista,  abri- 
dor da  fundição,  que  se  educou  na  Corte  com  o  nosso  immortal 
Vieira;  tanto  promov^eo  a  cantaria  José  Ferreira  dos  Santos  na 
igreja  do  Rosário  dos  Pretos  de  Marianna;  por  elle  riscada;  e 
nas  igrejas  de  S.  Pedro  dos  Clérigos  e  Rosário  de  Ouro  Preto, 
delineadas  por  António  Pereira  de  Souza  Caiheiros  ao  gosto 
da  rotunda  de  Roma.  Com  este  José  Pereira  se  illustrarão  outro 
José  Pereira  Arouca,  continuador  do  seu  desenho  e  obra  da  or- 
dem 3.^  desta  cidade,  cuja  esbelta  cadêa  se  deve  á  sua  direcção 
e  Francisco  de  Lima,  hábil  artista  de  outra  igreja  Franciscana 
do  Rio  das  Mortes.  O  augmento  da  arte  se  afigura  de  sorte  que 
a  matriz  de  Caethé  feita  por  António  Gonçalves  Barcarena,  de- 
baixo do  risco  do  sobredito  Lisboa,  cede  nas  decorações  e  medi- 
das á  matriz  de  Morro  Grande,  delineada  por  seu  filho  António 
Francisco  Lisboa,  quanto  este  homem  se  excede  mesmo  no  de- 
senho da  indicada  igreja  do  Rio  das  Mortes,  em  que  se  reúnem 
as  maiores  esperanças. 

Este  templo  e  a  asumptuosa  cadêa  de  Villa  Rica,  começada  por 
um  novo  Manoel  Francisco  em  1785  com  igual  segurança  e 
m.agestade,  me  levarião  mais  longe  si  os  grandes  estudos  e 
modelos  de  esculptura  feitos  pelo  filho  e  discípulo  do  antigo 
Manoel  Francisco  Lisboa  e  João  Gomes  Baptista  não  prevenis- 
sem a  minha  penna. 

Com  ef feito,  António  Francisco,  o  novo  PraxUelles,  éqiiem 
honra  igualmente  a  architectura  e  esculptura.  O  gosto  gothico 
de  alguns  retábulos  transferidos  dos  primeiros  alpendres  e  ni- 
chos da  Piedade  já  tinha  sido  emendado  pelo  esculptor  José 
Coelho  de  Noronha,  e  estatuário  Francisco  Xavier,  e  Felippe 
Vieira,  nas  matrizes  desta  cidade  e  Villa  Rica.  "ç 

Os  arrogantes  altares  da  cathedral,  cujas   coartellas,    columnas  : 

athlantes,  festões  e  tarjas,  respirão  o  gosto  de  Frederico;  a  distri- 
buição e  talha  do  coro  do  Ouro  Preto  relevada    em   partes,  as  i 
pilastras,  figuras  e  ornamenteis    da  capella-mór,    tudo  confirma  o  \ 
melhor  gosto  do  século  passado. 

Jeronymo  Fellis  e  Felippe  Vieira,  emulos  de  Noronha  e  Xa- 
vier, excederão  na  exacção  do  retábulo  principal  da  matriz  de 
António  Dias  da  mesma  Villa  o  confuso  desenho  do  doutor  An- 
tónio de  Souza  Caiheiros;  Francisco  Vieira  Selval  e  Manoel  Go- 
mes, louvados  da  obra,  pouco  differem  de  Luiz  Pinheiro  e  Antó- 
nio Martins,  que  hão  feito  as  talhas  e  imagens  dos  novos  tem- 
plos. 

Superior  d  tudo  e  singular  nas  esculpturas  de  pedra  em 
todo  o  vulto  ou  meio  relevado  e  no  debuxo  e  ornatot<  irreg nla- 
res  do  melhor  gosto  francez,é  o  sobredito  António  Francisco. 
Em  qualquer  peça  sua  que  serve  de  realce   aos  edificios  mais  ele- 


^ 


ARCHIVO     PUBLICO    MINEIRO  171 

gantes,  admira-se  a  invenção,  o  equilíbrio  natural,  ou  composto, 
a  justeza  das  dimensões,  a  energia  dos  usos  e  costumes,  e  a  es- 
colha e  disposição  dos  accessorios  com  os  grupos  verosímeis 
que  inspira  a  bella  natureza. 

Titnta  prjniosidadf  se  ac/i<i  depositada  em  ivni  corpo 
enfermo  que  precisa  ser  conduz} do  a  qualquer  parfe  e  ala' 
rem-se-lhe  os  ferros  para  poder  obrar. ^ 


Na  epocha  a  que  se  refere  o  trecho  acima  transcripto  algu- 
mas artes  liberaes  estavão  talvez  em  maior  florescência  do  que 
hoje  n'csta  província. 

Ou  porque  a  falta  de  liberdade  politica,  como  succede  ain- 
da na  Itália,  a  tendência  dos  espíritos,  ou  a  sua  actividade  não 
podia  ter  outro  alvo,  ou  porque  o  espírito  religioso  dos  colonos, 
favorecido  pela  riqueza  de  então,  um  dos  mais  poderosos  meios 
de  realizar  grandes  cousas,  dava  occasião,  ou  incentivo  efficaz 
para  semelhantes  estudos,  o  certo  é  que  os  nossos  antepassa- 
dos deixarão-nos  em  esculptura,  musica  e  architectura  monu- 
mentos dignos  de  uma  civilísação  assaz  adiantada. 

Sabe-se  que  o  Chrístianísmo  é  eminentemente  civilísador;  á 
elle  se  deveo  na  Europa  a  restauração  das  lettras  e  das  scien- 
cias,  que  a  invasão  dos  bárbaros  parecia  ter  por  uma  vez  ani- 
quilado; não  é  menos  certo  que  o  enthusiasmo  religioso,  como 
todas  as  paixões  nobres  e  elevadas,  é  inspirador  de  grandiosas 
cousas;  e  pois  muito  natural  era  que  a  esculptura  e  pintura  sa- 
cras tivessem  entre  nós  o  desenvolvimento  que  lhes  reconhece- 
mos. O  fervor  piedoso  dos  referidos  tempos  tem  o  seo  typo  na 
grandeza  e  magnificência  quasi  fabulosas  (bem  que  entermeadas 
de  scenas  ou  allegorias  profanas)  da  trasladação  do  Santíssimo 
Sacramento  da  igreja  do  Rosário  para  a  nova  matriz  de  Ouro 
Preto,  e  que  se  intituIou=TRIUMPHO  EUCHARISTICO- 

0  —  Aleijadinho —  exerceu  sua  arte  nas  capelas  de  S.  Fran- 
cisco de  Assis,  de  Nossa  Senhora  do  Carmo,  e  na  das  Almas 
desta  cidade;  na  matriz  e  capella  de  S.  Francisco  da  cidade 
de  S.  João  d'El-Rei;  nas  matrizes  de  S.  João  do  Morro  Grande, 
e  da  cidade  de  Sabará;  na  capella  de  S.  Francisco  da  de  Ma- 
rianna;  em  Ermidas  das  fazendas  da  Serra  Negra,  Tabocas  e  Ja- 
guara  do  dito  termo  de  Sabará,  e  nos  templos  de  Congonhas 
deste  ultimo  termo,  e  de  Santa  Luzia. 

Ha  quem  affirme,  que  é  em  Congonhas  do  Campo,  e  em  S. 
João  d'El-Rei  que  se  devem  procurar  suas  obras  primas,  fazen- 
do especial  pienção  da  magnifica  planta  da  capella  de  S.  Fran- 
cisco d'aquella  cidade  e  do  bem  acabado  da  esculptura  e  talha 
do  respectivo  frontispício. 


172  REVISTA     DO 


Desde  que  um  individuo  qualquer  se  torna  celebre  e  admi- 
rável em  qualquer  género,  ha  quem,  amante  do  maravilhoso, 
exagera  indefinidamente  o  que  nelle  ha  de  extrordinario,  e  das 
exagerações  que  se  vão  depois  succedendo  e  accumulando,  che- 
ga-se  á  compor  finalmente  uma  entidade  verdadeiramente  ideal. 
E'  isto  o  que,  pode-se  dizel-o,  até  certo  ponto  aconíeceo  á  An- 
tónio Francisco,  de  quem  se  conta  o  seguinte  caso: 

Tendo  ido  á  Corte  do  Rio  de  Janeiro,  pedio  que  se  lhe  con- 
fiasse a  construcção  da  porta  principal  de  certo  templo  que  se 
concluía;  foi  isto  julgado  muita  ousadia  da  parte  de  um  desco- 
nhecido e  contra  o  qual  depunham  as  aparências.  Entretanto  foi- 
Ihe  encarregada  a  obra.  Concluída  uma  das  metades  da  porta,. 
o  artista  em  certa  noite,  e  furtivamente,  a  collocou  no  compe- 
tente lugar.  No  dia  seguinte  foi  o  seu  trabalho  julgado  acima 
de  todos  os  outros  do  mesmo  género,  e  não  havendo  artista  que 
se  animasse  a  completal-a,  em  vista  do  extraordinário  mérito  de 
sua  execução,  foi  mister  que  para  o  fazer  se  procurasse  por  to- 
da a  cidade  o  desconhecido  génio  que  afinal  e  depois  de  muitos 
esforços  foi  encontrado.  (7) 

Com  o  mesm.o  fim  de  demonstrar  a  perícia  deste  escultor, 
conta-se  que  algumas  mulheres,  tendo  ido  á  Matíosinhos  de  Con- 
gonhas do  Campo,  na  occasião  em  que  passavam  por  junto  do 
— Passo  da  Ceia — ,  cum_primeníarão  as  figuras  que  ahi  repre- 
sentam Christo  com  os  Apóstolos,  o  que,  a  ser  devido  somente 
ao  bem  acabado  da  esculptura,  nos  induziria  a  comparar  as  obras 
do  nosso  patrício  com  os  cachos  dhivas  de  Zeuxis  (famoso 
pintor  da  antiguidade)  que  os  pássaros  ferião  com  o  bico  cren- 
do serem  fructos  reaes. 

O — Aleijadinho — não  ajuntou  fortuna  alguma  pelo  exercício 
de  sua  arte;  além  de  que  partilhava  igualmente  o  que  ganhava 
com  o  escravo  Maurício  (8),  era  descuidado  na  guarda  de  seu  di- 
nheiro, que  de  contínuo  roubavão-lhe,  e  muito  despendia  em 
esmolas  aos  pobres. 

Tendo  passado  cartas  de  Hberdade  aos  escravos  acima  de- 
clarados, e  bem  assim,  á  uma  escrava  de  nome  Anna,  as  quaes 
tinha  fechado  em  uma  caixa,  os  interessados  lh'as  roubarão  para 


(7)  E'  certo  que  António  Francisco  ali  esteve  em  1776  (interessava-se 
então  n'uma  appellação  interposta  por  Narcisa  de  tal,  cabra  forra  da  qual 
havia  elle  tido  o  filho  de  que  já  se  tratou);  mas  uma  pessoa  a  quem  elle 
contava  todas  as  circumstancias  de  sua  viagem  e  estada  na  Corte  nio  dá 
noticias  deste  facto. 

(8)  Este  escravo  falleceu  em  Congonhas  do  Campo  quando  seu  senhor 
esculptava  os  Prophetas  e  os  Três  Passos  da  Ceia,  da  Prisão  e  do  Horto, 

que  se  vêem  junto  do  Sanctuario  de  Mattosinhos. 


i 


ARCHIVO     PUBLICO     MINEIRO  173 

talvez  as  lançarem  no  livro  de  notas.  E'  certo  entretanto  que 
estes  libertos  não  entrarão  no  goso  da  liberdade  durante  a 
vida  do  seu  bemfeitor.  (9) 

António  Francisco  trabalhava  á  jornal  de  meia  oitava  de 
ouro  por  dia.  Quando  concluio  as  obras  da  capeiia  do  Carmo, 
das  quaes  se  havia  primeiramente  encarregado,  queixou-se  de 
ter  recebido  o  seu  salário  em  ouro  falso.  Posteriormente,  pelos 
annos  de  1811  a  1812,  um  seu  discipulo  de  talha,  de  nome  Jus- 
tino, íendo-se  encarregado  da  construcção  do  altares  na  dita  ca- 
peiia, pôde  obter  depois  de  muitas  instancias  que  elle  fosse  in- 
speccionar e  dirigir  os  trabalhos,  e  foi  residir  na  casa  em  que 
então  existia  contigua  e  pertencente  áquelle  Sanctuario.  Por 
occasião  de  Dias  Santos  do  Natal,  Justino  retira-se  para  a  rua 
do  Alto  Cruz,  onde  tinha  a  tamilia,  deixando  ali  seu  mestre  que 
durante  muitos  dias,  por  descuido  do  discipulo,  não  teve  aquelle 
tratamento  e  cuidados  á  que  estava  acostumado.  Com  este  fa- 
cto coincidio  o  de  perder  quasi  inteiramente  a  vista  o  nosso 
famoso  esculptor. 

Neste  estado  recolheu-se  á  sua  casa  sita  na  rua  Detraz  de 
António  Dias  (10)  da  qual  depois  de  algum  tempo  mudou-se 
definitivamente  para  a  de  sua  nora  de  nome  Joanna,  que  delle 
tratou  caridosamente  até  o  seu  fallecimento,  o  qual  teve  logar 
dous  annos  depois  de  seus  últimos  trabalhos  de  inspecção  na 
capella  do  Carmo,  á  18  de  novembro  de  1814,  tendo  de  idade 
84  annos,  2  mezes  e  21  dias. 

Justino  só  tinha  pago  á  seu  mestre  uma  mui  pequena  parte 
do  salário  de  um  anno,  que  lhe  pertencia,  e  pois  desde  então  até 
o  fim  de  sua  vida  a  mofina  do  mestre  nos  seus  solilóquios  era 
exigir  do  discipulo  o  que  lhe  era  devido.  Durante  o  tempo  em 
que  esteve  entrevado,  frequentes  vezes  apostrophava  á  Imagem 
do  Senhor  que  tinha  em  seu  aposento;  e  tantas  vezes  havia 
esculpido,  pedindo-ihe  que — sobre  elle  pozesse  os  seus  Divinos 
Pês. 

E'  natural  que  então  a  vida  de  sua  intelligencia  em  grande 
parte  consistisse  em  recordação  de  seu  brilhante  passado  de 
artistn.  elle    se    transportaria  muitas  vezes   em  espirito  ao  San- 

(9)  Manoel  Francisco  Lisboa  tinha  da  mãe  do — Aleijadinho — mais  dois  fi- 
lhos e  alguns  outros  houvera  de  legitimo  matrimonio.  Entre  estes  achava-se 
o  padre  Felix  António  Lisboa,  que  falleceu  nesta  cidade  a  30  de  maio  de  1838. 
Tinha-se  aplicado  á  estatuária  sob  as  vistas  do  Aleijadinho  que  delle  dizia— 
que  só  podia  escuiptar  carranca i  e  nunca — «imagens.»— Entretanto  diz-se 
ter  sido  obra  sua,  sofrivelmente  executada,  a  imagam  de  S.  Francisco,  que 
existe  na  respectiva  capella.  Affirma-se  que  o  dito  padre  Felix  fora  instruído, 
para  o  fim  de  receber  ordens  sacras,  á  expensas  do  mesmo  Aleijadinho, 
á  quem  tratava  com  deferen':ia. 

(10)  Esta  casa  foi  ultimamente  demolida;  o  respctivo  terreno  acha-se 
fronteiro  aos  fundos  da  casa  do  cidadão  major  Joaquim  José  de  Oliveira. 


174 


REVlStA    DO 


ctuario  de  mattosinhos,  para  ler  prophecias  no  semblante  dos 
inspirados  do  Velho  Testamento,  cujas  figuras  tinham  sido  ali 
obradas  por  seu  escopo,  memorar  nos  Três  Passos  da  Paixão 
que  esculptara,  a  bondade  e  a  resignação  do  Salvador,  quando 
preso  e  osculado  pelo  Apostolo  trahidor,  a  mais  solemne  das 
Ceias,  ou  a  Instituição  do  Sacramento  da  Eucharistia,  e  a 
angustia  da  Victima  Celestial  contrastando  o  somno  profundo 
e  tranquilo    dos   três    Apóstolos  no  Horto  de  Gethsemani!.    . 

Vive  ainda  a  nora  do  Aleijadinho — (11)  e  bem  que  em  máo 
estado  existe  também  a  casa  em  que  este  fallece  ;  n'um  dos 
pequenos  departamento  interiores  delia  vê-se  o  logar  em  que, 
deitado  sobre  um  estrado  (três  taboas  sobre  dous  toros  ou 
cepos  de  pão  pouco  resaltados  do  pavimento  térreo)  jazeu  por 
quasi  dous  annos,  tendo  um  dos  lados  horrivelmente  chagado, 
aquelle  que  por  suas  obras  de  artista  distincto  tanto  havia  hon- 
rado a  sua  Pátria! 

Tanta  miséria  ousando  alliar-se  a  tanta  poesia! 

António  Francisco  acha-se  sepultado  na  matriz  de  António 
Dias  desta  cidade.  Descansa  em  uma  sepultura  contigua  e 
fronteira  ao  altar  da  Senhora  da  Boa  Morte,  de  cuja  festa 
pouco  antes  tinha  sido  juiz. 


(11)  E'  conhecida  pela  parteira  Joanna  Lopes,  cujo  idade  provável  é  de 
mais  de  80  annos;  com  ella  foi  casado  Manoel  Francisco  Lisboa,  filho  do 
Aleijadinho.  Existe  ha  muitos  annos  no  Rio  de  Janeiro,  onde  talvez  ainda 
viva  e  exerça  a  marceneria. 


sT 
V 


Archivo  Publico  Mineiro 


LEI  N.    126,  DE  11   DE  JULHO  DE  1895  (*) 

Crêa  na  cidailp  de  Ouro  Preto  uma  repartltjão  dcnoiriinada 

ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO 

O  povo  do  Estado  de  Minas-Geraes,  por  seus  representantes,  decretou 
e  eu,  em  seu  nome,  sancciono  a  seguinte  lei : 

Art.  1."  Fica  creada  em  Ouro  Preto  uma  repartição  denominada 
«Archivo  Publico  Mineiro»  destinada  a  receber  e  a  conservar  debaixo  de 
classificação  systematica  todos  os  documentos  concernentes  ao  direito 
publico,  á  Iegisla(;ãu,  á  administraçclo,  á  historia  e  geographia,  ás  mani- 
festagões  do  movimento  scientifico,  litterario  e  artístico  do  Estado  de 
Minas-Geraes. 

§  1."  Deverá  lambem  o  «Archivo  Publico  Mineiro»  conservar  quaes- 
quer  documentos  que  o  governo  determinar  nelle  se  depositem. 

§  2.°    Os    documentos,    papeis  ou  objectos  recolhidos    ao  «Archivo» 

serão  classificados  em  três  ordens,  segundo  a  natureza  de  cada  um  : 

I.  Direito  publico,  legislação  e  administração,  incluindo  uma  parte 
judiciaria  . 

II.  Historia  e  geographia  e  quaesquer  manifestações  do  desenvolvi- 
mento scientifico. 

III.  Litteratura  e  arte  em  geral. 

Art.  2.°  Até  á  creação  de  um  museo,  serão  recolhidos  ao  Archivo  e 
classificados  em  sala  especial,  á  proporção  que  forem  adquiridos,  os  qua- 
dros e  estatuas,  mobílias,  gravuras,  estofos,  bordados,  rendas,  armas,  obje- 
ctos deourivesaria,^baixos  relevos,  esmaltes,  obras  de  cerâmica  e  quaesquer 
manifestações  da  arte  no  Estado,  desde  que  tenham  valor  propriamente 
artístico  ou  histórico. 


(♦)  Profedeu  o  i)rojecto,  de  que  resultou  a  presente  lei,  da  esclarecida  inieiatlva  do 
illu:<trado  .sr.  senador  estadual  dr.  Levlndo  Ferreira  Lopes,  entào  nieuiliro  <la  lamara 
dos  deputados  ao  Conjçresso  Mineiro,  ([ue  apreí»entou-o  em  sessào  de  2t  de  junlio  de 
i89í. 

A  disposi(;ão  que  indica  a  cidade  de  Ouro  l'reto  para  sóde  do  Arclilvo  Pul>lico  Mi- 
neiro foi,  con.o  emenda,  apresentada  e  justificada  no  .'•■eiiado,  cm  Infl.s.  |'cl(i  illii-;tra<l<>  sr. 
.senadof  dr.  João  Gomes  Reliello  Horta. 


176 


REVISTA    DO 


Art.  3.°  O  Presidente  do  Estado  obterá  dos  presidentes  das  camarás 
municipaes  a  remessa  regular,  independente  de  outras  requisições,  de 
todos  os  documentos  referentes  ao  fim  desta  repartição  que  estejam  nos 
archivos  das  camarás  ou  em  qualquer  parte,  sob  a  dependência  das 
mesmas. 

Paragrapho  único.  O  governo  do  Estado  promoverá  também  a 
acquisiçâo  de  documentos  que  existam  nas  repartições  federaes,  nas  de 
outros  Estados  ou  em  poder  de  particulares  e  satisfaçam  aos  intuitos  do 
«Archivo  Publico  Mineiro». 

Art.  4.°  Os  fiscaes  das  rendas  do  Estado,  os  superintendentes  das 
circumscripções  litterarias  ou  quaesquer  funccionarios  ambulantes  ficam 
encarregados  de  descobrir  e  obter  documentos  importantes  relativos  á 
historia  de  Minas,  para  cuja  acquisiçâo  e  pelo  modo  que  se  estabelecer 
no  regulamento  do  Archivo  o  governo  marcará  uma  quantia  razoável, 
discriminada  da  do  respectivo  expediente  e  que  nunca  poderá  ser  exce- 
dida sem  ordem  ou  auctorização  sua 

Art.  5.°  Haverá  no  Archivo  um  director,  um  secretario-archivista, 
dois  officiaes  sub-archivistas,  dous  amanuenses,  um  porteiro  e  um  conti- 
nuo, com  os  vencimentos  marcados  na  tabeliã  annexa. 

Art.  6.°  O  director  será  nomeado  por  decreto  do  governo,  dentre  os 
cidadãos  de  notória  competência  na  matéria,  conhecido  zelo  e  solicitude. 

§  1.°  O  secretario-archivista  será  nomeado  por  decreto,  precedendo 
concurso,  dentre  os  cidadãos  classificados  nos  dous  primeiros  logares  nas 
matérias  constantes  do  art.  7.°,  e  os  officiaes  sub-archivistas  e  amanuen- 
ses, preenchidas  as  condições  de  idoneidade  que  serão  determinadas  em 
regulamento,  pelo  secretario  de  Estado  do  interior,  sob  proposta  do  dire- 
ctor do  Archivo. 

§  2.°    O  porteiro  e  o  continuo  serão  nomeados  pelo  director. 

Art.  7.°  As  matérias  exigidas  i;0  concurso  serão  as  seguintes:  Portu- 
guez,  francez,  mathematicas  elementares,  noções  de  direito  publico  e 
administrativo,  estudo  sobre  a  Constituição  do  Estado  e  leis  orgânicas  e 
sobre  a  Constituição  federal,  historia  e  geographia  do  Brazil,  especial- 
mente do  Estado  de  Minas,  e  redacção  ofíicial. 

Paragrapho  único.  Os  candidatos  que  apresentarem  certidão  ou  titulo 
scientifico  provando  sua  habilitação  em  qualquer  das  matérias  acima  in- 
dicadas ficarão  dispensados  de  concurso  na  parte  referente  á  mesma. 

Art.  8.°  Ficará  a  cargo  do  director  do  Archivo  a  fundação  e  reda- 
cção de  uma  revista  periódica,  editada  na  Imprensa  Ofíicial,  na  qual  pu- 
blicará não  só  os  trabalhos  históricos,  biographicos,  topographicos,  esta- 
tísticos, etc,  que  escrever  acerca  dos  acontecimentos,  homens  e  cousas 
notáveis  de  Minas-Geraes,  como  também  documentos,  composições  litte- 
rarias e  memorias  interessantes  sobre  os  mesmos  assumptos,  inéditas  ou 
não  vulgarizadas. 

Em  remuneração  deste  trabalho  especial  perceberá  a  gratificação  que 
o  governo  arbitrar  no  regulamento,  não  excedendo  a  quatro  contos  an- 
nuaes,  arrecadando-se  na  Imprensa  Official  como  renda  do  Estado  a  im- 
portância das  assignaturas  da  referida  revista. 

Paragrapho  único.  O  governo  poderá  encarregar  ao  mesmo  director 
ou  a  outro  cidadão  que  julgar  competente  de  escrever  com  exactidão  e 
circumstanciado  desenvolvimento : 

I.  As  ephemerides  sociaes  e  po'iticas  do  Estado. 

II.  A  historia  ou  chronica  de  Minas-Geraes  a  começar  da  sua  desco- 
berta e  primeiras  explorações  até  ao  presente. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO 


177 


Ao  auctor  caberá  opportunameiíte  por  essas  obras,  que  serão  edita- 
das na  Imprensa  Officidi,  o  premio  pecuniário  que  o  governo  entender 
;nerecido,  á  vista  dos  mesmos  trabalhos  e  do  parecer  que  sobre  elles 
apresentar  pessoa  ou  commissão  idónea  a  quem  disso  incumbir  í)  Presi- 
dente do  Estado. 

Art.  9.°  Os  empregados  do  Archivo,  attenta  a  natureza  especial  desta 
repartição,  gozarão  das  mesmas  isenções  estabelecidas  pelas  leis  vigentes 
para  os  membros  do  magistério  publico,  secundário  e  superior. 

Art  10.  Esta  lei  entrará  em  vigor  logo  depois  de  jjublicada,  salvo 
na  parte  dependente  do  regulamento  que  o  governo  expedirá  para  sua 
execução. 

Art.  11.  O  governo  fica  auctorizado  a  despender  até  cincoenta  con- 
tos com  a  fundação  do  Archivo,  ficando-lhe  aberto,  para  as  despesas  com 
o  mesmo,  o  credito  necessário  até  que  na  lei  de  orçamento  se  consigne 
a  verba  unnual  para  a  repartiçáo. 

Art.  12.     Revogam -se  as  disposições  em  contrario. 

Mando,  portanto,  a  todas  as  autoridades  a  quem  o  conhecimento  e 
execuçáo  da  referida  lei  pertencerem  que  a  cumpram  e  façam  cumprir  tão 
inteiramente  como  nella  se  contém. 

O  Secretario  de  Estado  dos  Negócios  do  Interior  a  faça  imprimir,  pu- 
blicar e  correr. 

Dada  no  Palácio  da  Presidência  do  Estado  de  Minas-Geraes,  aos  11 
de  julho  de  1895,  sétimo  da  Republica. 

CHRISPIM  JACQUES    BIAS  FORTES. 

Dr.  Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz. 

Sellada  e  publicada.  Secretaria  do  Interior,  13  de  julho  de  1895.— O 
director,  Raymundo  M.  A.  Corrêa. 


TABELLA  DE  VENCIMENTOS 


*                EMPREGOS 

VENCIMEN- 
TO ANNUAL 

TOTAL 

Director 

Secretario-archivista 

2  ofíiciaes   sub-archivistas 

2  amanuenses 

6:000$0U0 
4:80'  $030 
3:600$000 
2:400$000 
1:500$000 
1:200$0U0 

6:0003000 
4:800$000 
7:2003000 
4:8003000 

1  porteiro . 

1  continuo 

1:5003000 
1:2003000 

25:5003000 

Os  vencimentos    serão   divididos  em  ordenado    e  gratificação,  sendo 
esta  de  um  terço. 

Palácio  da  Presidência,  11  de  julho  de  1895. 

CHRISPIM  JACQUES  BIAS  FORTES 


R.  A.     12 


Dr.  Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz. 


1?8  iREVlSTA    bÔ 


DECRETO  N.  860 


Promulga  o  refrulameuto  do    Archivo  Pulillco  Mineiro 

O  Presidente  do  Estado  de  Minas-Geraes,  no  exercido  da  attribuição 
que  lhe  é  conferida  pelo  art  57  da  Constituição  do  Estado,  resolve  appro- 
var  o  regulamento  expedido  nesta  data  para  execução  da  lei  n.  126  de 
11  de  julho  de  1895. 

O  Secretario  dos  Negócios  do  Interior  assim  o  tenha  entendido  e  faça 
executar. 

Palácio  da  Presidência  do  Estado  de  Minas-Geraes,  em  Ouro  Preto,  19 
de  setembro  de  1895. 

CHRISPIM  JACQUES   BIAS  FORTES. 

Dr.  Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz. 


Regulamento  a  que  se  refere  o  Decreto  n.  860 

CAPITULO  I 

Fins  e  organização  do  Archivo 

Art.  l.**  O  Archivo  Publico  Mineiro,  creado  pela  lei  n.  126  de  11  de 
julho  de  1895,  na  cidade  de  Ouro  Preto,  é  destinado  a  receber  e  conservar, 
sob  classificação  systematica,  todos  os  documentos  concernentes  ao  direi- 
to publico,  á  legislação,  á  administração,  á  historia,  á  geographiã,  e,  em 
geral,  ás  manifestações  do  movimento  scientifico,  litterario  e  artístico  do 
Estado  de  Minas-Geraes. 

Art.  2."  Serão  também  conservados  no  Archivo  quaesquer  outros  do- 
cumentos que  o  governo  determinar  nelle  se  depositem. 

Art.  3.°  Os  documentos,  papeis,  livros  e  mais  objectos  remettidos 
para  o  Archivo  serão,  segundo  a  natureza  de  cada  um,  classificados  em 
três  ordens,  que  opoortunamente  poderão  ter  subdivisões  convenientes : 

I.  Direito  publico,  legislação  e  administração,  incluindo  uma  parte 
judiciaria. 

II.  Historia,  geographia  e  quaesquer  manifestações  do  desenvolvi- 
mento scientifico. 

III.  Litteratura  e  artes  em  geral. 

Art.  4.°    Na  1.^  divisão   serão  archivados : 

a)  Os  originaes  da  Constituição  Politica  do  Estado,  promulgada  a  15 
de  junho  de  1891,  e  da  Constituição  publicada  pelo  governador  do  Esta- 
do com  o  decreto  de  31  de  outubro  de  1890,  no  qual  convocou  o  primei- 
ro Congresso  de  Minas-Geraes. 


ÀUCHIVO    PÚBLICO    MINEIRO  179 

6)    Os  originaes,  copias  authenticas,  e  impressos,   contendo    as    leis, 
alvarás,  decretos,  cartas,  provisões    e  ordens  regias,    avisos,    regimentos 
etc,  concernentes  ao  governo  e  administração  da  Capitania  Mineira,    até 
1815,  e  á    Província  de  Minas-Geraes,  até  1822. 

c)  Os  actos,  em  originaes  ou  copias  authenticas  (manuscriptas  ou 
impressas)  do  Governo  Provisório  ila  Provinda  de  Minas-Geraes,  de  1821 
a  1824,  e  dos  Conselhos  Geraes  da  Provint  ia  e  do  Governo  até  1835, 
mormente  as  propostas  dirigidas  ao  Governo  e  Assembléa  Legislativa  do 
Brasil. 

d)  Os  originaes  de  todas  as  leis  e  resoluções  da  Assembléa  Legis- 
lativa Provincial,  de  1835  a  1889. 

e)  Os  originais  de  todos  os  actos  legislativos  do  Governo  Provisó- 
rio do  Estado  de  Minas-Geraes,  de  17  de  novembro  de  1889  a  15  de  ju- 
nho de  1891. 

f)  Os  originaes  das  leis  e  resoluções  do  Congresso  Legislativo  Mi' 
neiro,  desde  o  anno  de  1891. 

g)  As  coUecções  impressas  das  leis,  resoluções  e  regulamentos  da 
Província  e  do  Estado  de  Minas-Geraes;  dos  decretos  dos  Governadores 
do  Estado,  expedidos  de  1889  a  1891;  da  legislação  geral  do  Brasil,  de 
1808  a  1889,  e  da  legislação  federal  brasileira,  de  1889  em   diante. 

h)  Os  estatutos  (impressos  ou  em  copias  authenticas)  de  todas  as  ca- 
marás municipaes  do  Estado,  leis  decretadas  pelas  mesmas  e  relatórios 
dos  seus  agentes  executivos. 

i)  Os  Annaes  e  regimentos  internos  da  antiga  Assembléa  Provincial 
e  do  Congresso  do  Estado,  da  Assembléa  Geral  Legislativa  do  extincto 
Império,  desde  a  Constituint-  de  1823,  e  do  Congresso  Nacional,  desde  a 
sesssão  constituinte  começada  em  1890. 

j)  Os  originaes  e  exemplares  impressos  das  falas,  exposições  e  re- 
latórios dos  Presidentes  da  antiga  Província  de  Minas  aos  Conselhos  Ge- 
raes e  ás  Assembléas  Provínciaes. 

k)  Os  originaes  e  exemplares  impressos  das  mensagens  dos  Presiden- 
tes do  Estado  ao  Congresso  Mineiro  e  dos  relatórios  dos  Secretários  de 
Estado  aos  ditos  Presidentes,  ou  de  quaesquer  funccionarios  aos  referidos 
Secretários. 

/)  Exemplares  impressos  dos  orçamentos,  contas,  balanços,  etc  ,  or- 
ganizados na  repartição  das  Finanças,  no  antigo  como  no  actual  regimen 
politico. 

m)  Os  livros,  impressos  ou  manuscriptos,  contendo  accôrdos  e  con- 
tractos celebrados  entre  o  governo  mineiro  e  outros  governos  sobre  qual- 
quer objecto;  contractos  com  emprezas,  bancos,  associações  ou  indivíduos, 
relativos  a  empréstimos,  viação,  navegação,  colonização,  industrias  e  com- 
mercio,  cobrança  ou  arrecadação  de  im|)ostos,  direitos,  etc,  no  periodo 
colonial,  no  do  Império  e  no  actual  da  Republica, 

n)  Os  assentamentos  ou  registros,  originaes  ou  por  copia  authentica 
(impressa  ou  manuscripta)  sobre  os  próprios  do  Estado,  desde  os  tempos 
da  Capitania,  e  as  antigas  cartas  de  concessão  e  confirmação  de  sesma- 
rias;— relações  dos  processos  de  medição  e  demarcação  de  terras  devolu- 
tas, e  documentos  demonstrativos  da  venda  ou  cessão  das  mesmas 
terras. 

o)  Os  livros  de  registro  de  nomeação,  posse  e  demissão  dos  gover- 
nadores e  secretários  da  Capitania  e  Província  até  1822,  das  juntas  de 
Governo  provisório  do  dito  anno  ao  de  1H24;  dos  Presidentes  e  Secretários 
da  Província,  de  1824  a  1889;  dos  antigos  Conselheiros  do  Governo  e 
Conselheiros  Geraes,  até  1825;  dos  Governadores  e  Secretários  do   Estado, 


Í80  REVISTA    DO 


de  1889  a  1891;  dos  Presidentes  e  Secretários  de  Estado,  desde  1891;  e  bem 
assim  dos  magistrados  e  dos  chefes  das  principaes  repartições  publicas, 
a  principiar  nos  primeiros  tempos  da  Capitania  Mineira. 

p)  Os  originaes  ou  copias  authenticas  da  correspondência  official 
isobre  assumpto  de  importância  politica  ou  administrativa)  dos  chefes  do 
governo  mineiro  em  qualquer  tempo  com  o;:  governos  da  antiga  metró- 
pole, de  vice-rei  do  Brasil,  do  príncipe  regente  no  Rio  de  Janeiro  e  com 
os  de  outras  capitanias  e  províncias  do  Brasil  até  1822;  com  os  ministros 
e  presidentes  de  província  durante  o  regimen  imperial;  e  com  governo 
da  Republica,  governadores  ou  presidentes  de  outros  Estados. 

q)  Os  originaes  ou  copias  authenticas,  em  livro  ou  avulsos,  concer- 
nentes a  iniciativas,  decisões,  regimentos  e  instrucções  acerca  de  servi- 
ços públicos  importantes,  representações  ou  queixas  dos  povos  e  occur- 
rencias  extraordinárias,    em  qualquer  tempo    ou    localidade    mineira. 

r)  As  collecções  do  Mina<-Geraes  e  dos  anteriores  orgams  officiaes 
do  governo  mineiro,  a  datar  da  administração   provincial. 

s)  Os  livros  de  actas  e  termos  relativos  ás  deliberações  da  Junta  da 
Real  Fazenda  da  Capitania,  regimentos  e  mais  medidas  importantes  ini- 
ciadas, approvadas  ou  executadas  por  ella,  especialmente  os  de  teririos 
referentes  ás  Intendências  do  ouro  e  diamantes  e  á  percepção  de  direitos 
e  impostos;— e  os  livros  de  eleição  e  posse  dos  officiaes  das  antigas  ca- 
marás, e  de  registro  da  correspondência  destas  com  aquella  junta  e 
com  o  governo  da  Capitania. 

t)  Os  originaes  ou  copias  authenticas  dos  processos  de  responsabi- 
lidade que  forem  instaurados  contra  o  Presidente  ou  os  Secretários  de 
Estado,  e  dos  processos  de  que  trata  o  paragrapho  único  do  art.  72  da 
Constituição  do  Estado. 

u)  Os  summarios  de  culpa,  e  as  devassas  (no  original  ou  copia  au- 
thentica)  sobre  matéria  importante,  abertas  no  período  colonial,  e  espe- 
cialmente o  summario  ordenado  pelo  governador  Assumar,  em  1720,  con- 
tra Fellippe  dos  Santos  e  outros  revoltosos  da  Villa  Rica  e  de  Villa  do 
Ribeirão  do  Carmo,  e  as  duas  devassas  de  Villa  Rica  e  do  Rio  de  Janei- 
ro) de  1789  a  1792  contra  Tiradenfes  e  mais  «réos»  da  inconfidência  Mi- 
neira, com  os  respectivos  appensos  relativos  ao  estado  das  famílias  dos 
«inconfidentes»,  confisco  dos  seus  bens,  etc 

u)  Em  original  ou  copia  authentica,  outros  processos  importantes,  mor- 
mente em  matéria  politica,  como  os  que  foram  instaurados  em  consequên- 
cia da  sedição  militar  de  Ouro-Preto,  1833,  da  reveluçio  da  província,  em 
1842,  e  de  varias  revoltas  e  motins    em  diversas  épocas. 

Art.  5.°    Na  2.°  divisão  serão  archivados: 

a)  Os  originaes  ou  copias  authenticas  (manuscriptas  ou  impressas) 
das  cartas  régias  concernentes  á  annexação  do  território  mineiro  ás  ca- 
pitanias reunidas  do  Rio  Janeiro  e  S.  Paulo;  á  creação  das  capitanias  uni- 
das deS.  Paulo  e  Minas- Geraes,  e  á  creação  da  capitania  independente 
de    Minas-Geraes 

b)  Os  originaes  ou  copias  authenticas  (manuscriptas  ou  impressas) 
das  cartas  régias,  ordens,  resoluções,  bandos,  avisos,  autos,  assentos,  de- 
cretos e  mais  actos  officiaes  relativos  aos  limites  do  Estado  de  Minas-Ge- 
raes com  os  de  S.  Paulo,  Rio  de  Janeiro,  Espiríto  Santo,  Bahia  e  Goyaz 
e  quaesquer  relatórios,  memoriaes,  noticias,  mappas,  etc,  impressos  ou 
manuscriptos,  sobre  o  mesmo  assumpto. 

c)  Os  documentos,  em  original  ou  copia  authentica  (manuscríptos  ou  im- 
pressos) relativos  á  creação,  limites,  instituições  e  inauguração  dos  bispados  a 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  Igl 


que  pertençam  territórios  do  Estado  de  Minas  Geraes,  e  das     respectivas 
divisões  e  sub-divisòes  em  comarcas  ecclesiasticas,  parochias  e    curatos. 

d)  Nos  mesmos  termos  —  os  documentos  acerca  da  divisão  adminis- 
trativa e  judiciaria  de  Minas  Geraes,  desde  os  primeiros  tempos  da  Capi- 
tania até  ao  presente,  e  dos  recenseamentos  da  população  mineira  effe- 
ctuados  no  periodo  colonial,  no  do  Império  e  sob  a  Republica. 

e)  Nos  mesmos  termos  —  os  documentos  referentes  aos  primeiros  po- 
voamentos do  território  mineiro  —  a  guerra  civil  entre  Paulistas  e  Emboa- 
bas,  e  posteriores  revoltas,  insurreições  e  motins;  —  aos  compromissos, 
preito  e  homenagem  durante  o  governo  da  Capitania;  —  ás  eleições  e  or- 
ganizações das  juntas  de  governo  provisório  da  província;  —  á  proclama- 
ção e  aceitaç.io  em  Minas  Geraes  da  Independência  Nacional,  do  Império 
e  da  Republica;  —  e  bem  assim  as  proclamações  e  manifestos  dos  gover- 
nadores e  presidentes  da  Capitania,  da  Província  e  do  Estado,  por  motivos 
políticos   importantes. 

f)  Nos  mesmos  termos;  —  os  documentos  relativos  a  quilombos  e  inva- 
sões ou  ataques  de  selvagens  em  Minss  Geraes,  e  ás  expedições  organiza- 
das paro  destrui-los  ou  combatei  os;  —  á  introducção  de  africanos  escra- 
visados  na  Capitania  e  ao  regimen  a  que  foram  elles  submettidos;  —  ás 
pesquizas  e  estudos  ethnographicos  e  á  catechese  dos  indígenas  de  Minas 
Geraes:  —  ás  explorações  e  rendimento  fiscal  do  ouro,  diamantes  e  outros 
productos  naturaes  do  solo  mineiro;  —  ás  milícias  e  sua  organização  no 
periodo  da  Capitania;  —  á  iniciativa  e  desenvolvimento  das  industrias  e 
destruição  de  fabricas,  officinas,  etc  .  por  determinação  do  governa  por- 
tuguez;  —  á  colonização,  lavouras,  associações  e  emprehendimentos  mer- 
cantis, industriaes,  etc,  durante  o  Império  e  sob  a  Republica;  —  aos  mi- 
nistros da  justiça  e  da  religião  catholica,  e  agentes  e  actos  do  tribunal 
do  Santo  Officio.  duraite  a  quadra  colonial,  especialmente  com  relação 
á  influencia  que  elles  exerceram  ou  procuraram  exercer  sobre  os  povos  e 
manifestações  destes  a  respeito;  —  e  ás  festas  populares,  solemnidades 
religiosas,  usos  e  costumes,  naquelle  mesmo  periodo  da  vida   mineira. 

g)  Nos  mesmos  termos:  —  os  documentos  sobre  a  fundação  ou  inau- 
guração de  edifícios  e  monumentos  públicos  em  Minas  Geraes,  bem  como 
de  templos,  hospitaes.  casas  de  caridade,  asylos,  seminários,  recolhimentos, 
fabricas  e  outros  estabelecimentos  de  utilidade  publica,  com  as  possíveis 
noticias  com  relação  ao  merecimento  artístico  de  taes  construcções. 

h)  Nos  mesmos  termos;  —  os  documentos  demonstrativos  dos  im- 
postos, taxas  e  direitos  sob  qualquer  forma  exigidos  e  arrecadados  na 
Capitania,  e,  posteriormente,  com  relação  ao  regimen  tributário  e  condi- 
ções financeiras  da  Província  e  do  Estado. 

/)  Em  geral,  quaesquer  relatórios,  monographias,  memorias,  colleções 
de  folhas  periódicas  mineiras,  ou  mesmo  periódicos  avulsos,  e  indica- 
ções auctorizadas  de  origem  official  ou  particular,  sobre  explorações,  pes- 
quizas e  estudos  para  o  melhor  conheciment')  das  riquezas  e  condições 
do  território  mineiro;  das  suas  curiosidades  naturaes;  dos  melhoramentos 
materiaes  e  moraes  que  nelle  tPm  sido  nu  podem  ser  introduzidos;  dos 
factos  de  interesse  histórico  na  vida  local;  dos  dados  estatísticos  applica- 
veis  aos  serviços  da  administração  publica  e  aos  diversos  ramos  da  acti- 
vidade social;  das  investigações  tendentes  a  esclarecer,  completar  ou  re- 
ctificar quesguer  noções  e  tradições  correntes  sobre  a  historia  e  a  geo- 
graphia  do  Estado,  e  a  dar  noticia  exacta  da  sua  situação  económica, 
agrícola,  commercial  e  industrial,  e  da  ocupação,  hábitos  e  caracter  dos 
seus  habitantes. 


182  REVISTA     DO 


Art.  6.**  Na  3.^  divisão  serão    archivados: 

a)  Os  documentos  em  original  ou  copia  authentica  (manuscripta  ou 
impressa)  relativos  ao  inicio  e  desonvolvimento  da  instrucção  publica  e  do 
ensino  particular,  e  das  monifestações  litterarias  e  artísticas  em  Minas 
Geraes.  a  principiar  no  período  da  Capitania;  aos  auxílios  concedidos  pe- 
los poderes  públicos  em  favor  de  litteratos  e  artistas,  e  subsídios  presta- 
dos ã  instrucção  do  povo;  —  ao  numero,  natureza,  fins  e  elementos  dos 
institutos   de  ensino  —  primário,  secundário  profissional  e  superior. 

b)  Pela  mesma  forma  — os  documdntos,  noticias  e  merrorias  concer- 
nentes á  imprensa  e  ao  jornalismo  em  Minas  Geraes,  desde  a  sua  funda- 
ção até  o  presente. 

c)  Os  trabalhos  litterarios  —  prosa  e  verso  —  impressos  ou  manus- 
criptos  em  livros,  opúsculos,  periódicos  ou  simplesmente  em  folhas  avul- 
sas, e  as  composições  musicaes,  de  escriptores,  maestros  e  maestrinos 
mineiros,  a  começar  pelas  mais  antigas  do  século  XVlll  até  as  da  actua- 
lidade --  de  modo  a  organizar-se,  tão  completa  quanto  possível,  uma 
collecção  das  producções  íntellectuaes  de  origem  mineira. 

d)  Biographias,  impressas  ou  manuscriptas,  dos  mesmos  escriptores  e 
de  outros  Mineiros  que  tenham  se  distinguido  nas  sciencias,  nas  lettras, 
nas  artes,  nas  armas,  na  politica,  na  administração,  na  judicatura,  no  ma- 
gistério, na  imprensa  e  na  tribuna  —  ou  que  se  fizeram  beneméritos  pela 
caridade,  philantropia,  civismo,  iniciativas  úteis,  actos  heróicos  ou  de 
grande  intrepidez  humanitária,  e  ainda  por  excepcional  fidelidade  ao  de- 
ver e  assignalados  serviços  aos  seus  concidadãos  e  á  pátria. 

e)  Livros,  opúsculos  e  outras  publicações,  mappas,  desenhos,  gravu- 
ras, ets.,  de  auctores  nacionaes  ou  extrangeiros,  antigos  e  modernos,  que 
por  qualquer  modo  interessem  a  Minas  Geraes,  occupando-se  dos  Minei- 
ros ou  da  historia,  geographia,  recursos,  riquezas  e  bellezas  naturaes  do 
Estado,  da  sua  administração,  instituições,  leis,  costumes,  lettras,  artes, 
agricultura,  industria,  viação,  commercio  e  quaesquer  outros  elementos  da 
sua  prosperidade  e   civilisação. 

/)  Retratos,  fac-similes  de  assignaturas  e  autographos  de  Mineiros  il- 
lustres;  —  vistas  de  localidades  e  paisagem  do  Estado,  de  templos,  de 
monumentos  e  estabelecimentos  públicos,  fabricas,  institutos  de  ensino  e 
de  caridade,  etc,.  exarando-se  no  verso  das  respectivas  telas,  photogra- 
phias,  desenhos,  gravuras  ou  lithograghias,  as  indicações  convenientes 
sobre  as  pessoas  ou  cousas  que  ellas  representarem. 

g)  Retratos,  fac-similes  de  assignaturas  e  autographos  de  varões  be- 
neméritos que  tenham  governado  ou  representado  Minas  Geraes  em  qual- 
quer período  de  sua  historia. 

Art.  7.°  Até  á  creação  de  um  Museu,  serão  recolhidos  ao  Archivo  e 
classificados  em  sala  especial,  á  proporção  que  forem  adquiridos  os  qua- 
dros e  estatuas,  mobílias,  gravuras,  estofos,  bordados,  rendas,  armas,  ob- 
jectos de  ourivesaria,  baixos-relevos,  medalhas,  moedas,  esmaltes,  obras 
de  cerâmica,  copias  de  Inscripções,  miniaturas  de  monumentos  e  quaes- 
quer outras  manifestações  da  arte  no  Estado,  desde  que  tenham  valor 
propriam.ente  artístico  ou  histórico;  e  bem  assim  os  figurinos  ou  desenhos 
que  for  possível  adquírir-se,  quer  representativos  do  trajar  e  uso  da  po- 
pulação civílisada  ou  selvagem  de  Minas  Geraes,  em  qualquer  época, 
quer  das  vestimentas  e  fardas  de  funccionarios  civis  e  militares,  antigos  e 
modernos. 


ARCHIVO    I-LULICO    XUNEIRO  183 

Art.  8.°  Comos  livros,  opúsculos,  mappas,  periódicos  e  mais  impres- 
sos indicados  nos  arfs.  4.",  5."  e  6.",  o  director  do  Archivo  organisará  em 
sala  especial  uma  liibliotheca  Mineira  convenientemente  catalogada  e 
para  a  qual  serão  destinados  exemplares  das  precisas  publicações  já  co- 
nhecidas e  as  que  futuramente  apparecerem  sobre  as  matérias  menciona- 
das nos  citados  artigos. 

Paragrapho  único.  A  acquisiçao  pelo  Arcqivo  desses  livros  e  mais  pu- 
blicações se  effectuará:—  1.",  desde  já,  com  a  remessa  para  alli  de  tudo 
quanto,  aproveitável  para  o  fim  pretendido,  existir  nas  repartições  esta- 
duaes.  de  accordo  com  o  artigo  seguinte.  —  2P,  com  as  compras  neces- 
sárias que  o  Archivo  fizer,  nos  limites  da  verba  annual  consignada  na 
competente  tabeliã  de  despezas,  e  com  os  meios  expressamente  indica- 
dos no  art.  53.  —  3."  com  as  offertas  dos  auctores  ou  possuidores  de  li- 
vros e  outros  impressos,  quer  espontâneas,  quer  solicitadas  pelo  Archivo 
ou  promovidas  pelos  seus  correspondentes  e  por  funccionaros  estaduaes. 

Art.  9.°  Todos  os  documentos,  livros,  monographias,  opúsculos,  pe- 
riódicos, registros,  etc,  sobre  os  assumptos  especificados  nos  arts.  4.", 
5.''  e  6.°,  ora  existentes  ou  que  mais  tarde  se  achem  em  quaesquer  re- 
partições ou  estabelecimentos  estaduaes  e  que  nao  sejam  indispensáveis 
nas  mesmas  repartições  e  estabelecimentos,  serSo  promptamente  remet- 
tidos  para  o  Archivo  Publico  Mineiro  para  serem  alli  systematicamente 
classificados,  catalogados  e  conservados  em  boa  ordem. 

Igual  remessa  irá  fazendo  regularmente  a  Imprensa  Oíficial  do  Esta- 
do, de  exemplares  de  todas  as  publicações  que  editar  e  que,  directa  ou 
indirectamente,  no  todo  ou  em  parte,  sejam  úteis  para  os  fins  do  Ar- 
chivo. 


CAPITULO   II 
Da  acquisiçao,   classificação,  guarda    e    consulta  de  livros  e  decumentos 

Art.  10.  Além  das  acquisições  a  que  refere-se  o  art.  8.°,  e  das  re- 
messas indicadas  no  art.  9.°,  que  deverão  effectuar-se  proximamente  para 
a  installação  do  Archivo  Publico  Mineiro,  nos  últimos  dias  de  dezembro 
de  cada  anno  as  secretarias  de  Estado  e  mais  repartições  estaduaes  re- 
metterão  para  o  mesmo  Archivo  os  originaes  das  leis,  resoluções  e  de- 
cretos, e  todos  os  outros  papeis  que,  em  virtude  do  presente  Regulamen- 
to, devem  ser  alli  recolhidos,  salvos  os  casos  excepcionaes  em  que,  por 
ordem  do  Governo,  devam  taes  papeis  ser  conservados  por  mais  tempo 
naquellas  repartições.  Relativamente,  porém,  aos  livr  )S  de  registro,  as- 
sentamentos, I  osses  e  outros  semelhantes,  a  remessa  se  fará  somente 
quando  estiver  finda  a  respectiva   escripturação. 

Paragrapho  único.  As  remessas  de  que  trata  o  presente  artigo  serão 
acompanhadas  de  uma  relação  especificada,  em  duas  vias  assignadas 
pelo  director  ou  chefe  da  repartição  reinettente,  uma  das  quaes  será  de- 
volvida com  recibo  do  director  do  Archivo,  ficando  a  outra  archivada. 

Art.  11.  Em  nome  do  Presidente  do  Estado,  o  referido  director  soli- 
citará dos  presidentes  das  camarás  municipaes  e  agentes  executivos  das 


184  RF,  VISTA    DO 


mesmas  a  remessa  regiilar,  independente  de  novos  pedidos,  de  todos  os 
documentos  referentes  aos  fins  do  Archivo  Publico  Mineiro,  que  se  achem 
nos  archivos  das  camarás  ou  em  qualquer  parte  sob  dependência  delias. 

Pelo  mesmo  modrv  promoverá  também  o  dito  director  a  acquisição 
de  documentos  que  estejam  nas  repartições  federaes,  nas  de  outros  Es- 
tados, ou  em  poder  de  particulares,  e  satisfaçam  aos  intuitos  do  Archivo 
Publico  Mineiro. 

Art.  12.  A'  pessoas  de  reconhecida  idoneidade  intellecutal,  residentes 
no  interior  do  Estado,  na  Capital  Federal  e  nos  Estados  do  Rio  de  Janei- 
ro, S.  Paulo,  Goyaz,  Bahia  e  Espirito  Santo,  solicitará  o  director  do  Ar- 
chivo, por  si  e  em  nome  do  Presidente  do  Estado,  a  pesquiza  e  remessa 
de  idênticos  documentos  e  de  quantas  informações  úteis  aos  fins  da  in- 
stituição lhe  possam  prestar. 

§  1.°  Entre  as  alludidas  pessoas  e  sob  proposta  do  mesmo  director, 
o  Presidente  do  Estado  nnmeará  correspondentes  do  Archivo  Publico  Mi- 
neiro até  três  em  cada  município  do  Estado,  até  seis  em  cada  um 
dos  Estados  supra-ditos  e  até  doze  na  Capital  Federal.  Nos  mesmos 
termos  e  para  idênticos  ííiis  poderão  ser  creados  até  seis  corresponden- 
tes em  Portugal.  Aos  correspondentes  se  satisfarão  opportunamente  as 
despesas  que,  pelo  director,  forem  auctorizadas  a  fazer  cora  a  acquisição 
de  documentos  importantes  — originaes,  impressos  ou  em  copias  authen- 
ticas. 

§  2.°  Ao  redactor  da  folha  official  do  Estado  e  para  ter  nesta  prom- 
pta  publicidade,  o  director  do  Archivo  fará  communicação  dos  serviços 
que  os  ditos  correspondentes,  as  municipalidades,  associações,  funcciona- 
rios  e  quaesquer  pessoas  prestarem  ao  estabelecimento,  contribuindo 
para  o  augmento  das  suas  collecções.  Aos  cidadãos  que  se  distinguirem 
por  taes  serviços  serão  conferidos  diplomas  de  «Beneméritos  do  Archivo 
Publico  Mineiro». 

§  3.^  Aos  correspondentes  no  Estado,  aos  funccionarios  menciona- 
dos no  art.  13  e  a  qualquer  empregado  da  repartição  commissionado  pelo 
director,  ou  a  este,  serão  franqueados  os  archivos  e  cartórios  dos  tribu- 
naes,  repartições  e  estabelecimentos  estaduaes  para  as  pesquizas  a  que 
se  proponham,  precedendo  auctorisação  do  respectivo  Secretario  de  Esta- 
do, conforme  a  dependência  em  que  estiverem  os  archivos  e  cartórios 
alludidos. 

Art.  13.  Os  fiscaes  das  rendas  do  Estado,  os  superintendentes  das 
circumscripções  litterarias,  os  fiscaes  do  serviço  de  immigração  e  os  das 
estradas  de  ferro  auxiliadas  pelo  Estado  e  os  engenheiros  de  districto, 
ficam  encarregados  de  procurar  e  obter  quaesquer  documentos  impor- 
tantes para  a  Historia  e  Geograhia  de  Minas  Geraes,  noticias  certas  sobre 
a  vida  de  Mineiros  distinctos  e  outras  informações  que  interessem  de  al- 
guma forma  ao  Estado,  fi!iando-se  aos  intuitos  do  Archivo  Publico  Mi- 
neiro, para  onde  devem  endereçal-as. 

Aos  juizes  de  direito  e  substitutos,  promotores  da  justiça,  directores  e 
professores  de  estabelecimentos  de  ensino,  e  a  outros  funccionarios  esta- 
duaes, o  director  do  Archivo  officiará  opportunamente  solicitando  tam- 
bém o  seu  concurso  para  idêntico  fim. 

Art.  14.  Quando  os  possuidores  de  impressos  raros  e  documentos  im- 
portantes, úteis  para  o  Archivo,  não  os  queiram  ceder  sinão  mediante 
considerável  remuneração  pecuniária,  o  preço  respectivo  será  previamen- 
te combinado  com  o  director  que  proporá  a  compra  ao  Secretario  de 
Estado  do  Interior. 

Tratando-se,  porém,  de  livros,  opúsculos,  mappas,  etc.,  de  preço  ou  valor 
conhecidos  no  mercado,  de  documentos  offerecidos  a  preços  diminutos,  e  de 
copias  authenticas  ou  certidões  de  outros  existentes  em  repartições  ou  archi- 


ARCHIVO    PUBUCO    MINEIRO  185 


vo  do  Brasil  ou  Portufíal,  a  acquisiçílo  poderá  ser  feita  directamente  peio 
director  do  Arciíivo  ou  por  intermédio  de  pessoa  por  elle  auctorisada,  es- 
cripturando-se  documentadamente  em  livro  próprio  á  respectiva  despesa, 
paga  nos  termos  legaes. 

Paragrapho  único.  Todas  as  acquisiçòes  de  que  trata  o  presente  artigo 
salvo  o  disposto  na  ultima  parte  do  art.  4.°  da  lei  n.  126,  n.lo  poderAo 
exceder  a  quota  annual  consignada  para  tal  applicaçío  na  tabeliã  abaixo, 
excepto  no  primeiro  anno  após  a  intallação  do  estabelecimer<to,  durante 
o  qual  a  compra  dos  livros  necessaiios  á  Bibliotheca  Mineira  do  Aarchivo, 
de  accordo  com  o  art.  8.°  deste  regulamento,  será  )'eita  coníorme  o  dis- 
posto adiante  no   art.  53. 

Art.  15.  O  director  do  Archivo  impetrará  opportunamente  dos  revê' 
rendos  bispos  das  dioceses  de  Marianna,  Diamantina,  S.  Paulo,  Rio  de 
Janeiro  e  Goyaz  autorizaçfio  para  (|Ut'  eile  ou  seus  representantes  e  os 
funcionários  estaduaes  ao  serviço  da  Repartição  possam  visitar  e  exami- 
nar, colhendo  as  possíveis  informações  e  noticias,  as  bibliothecas  e  archi- 
vos  dos  seminários,  secretarias  e  camarás  ecclesiasticas,  bem  i;omo  os  das 
matrizes,  capellas  e  quaesques  institutos  desses  bispados  sitos  em  terri- 
tório mineiro  e  sujeitos  á  jurisdiçáo  episcopal. 

Também  se  dirigirá  officialmente  o  mesmo  director  ás  administrações 
ou  directorias  de  emprezas,  associações  e  companhias  e  aos  proprietários 
e  gerentes  de  estabelecimentos  particulares  existentes  em  Minas-Geraes 
para  o  fim  de  obter  as  informações  úteis  que  lhe  possam    prestar. 

Art  16.  Todos  os  livros,  documentos  e  mais  papeis  da  reparíiçío 
serflo  convenientemente  classificados,  numerados  e  marcados  em  chancella 
ou  carimbos  com  as  palavras  —  Archivo  Publico  Mineiro. 

Art.  17.  A  classificação  será  feita  por  matérias  e  em  cada  uma  des- 
tas por  ordem  chronologica,  systema  que  será  adoptado  também  na  or- 
ganização dos  catálogos,  sem  prejuízo  dos  índices  alphabcticos  e  chrono- 
logicos   necessários. 

Art.  18.  Attender-se-ha  na  classificação  ás  três  divisões  históricas 
fundamentaes  que  ficarão  bem  assignaladas:  —  MINAS-GERAES  —  Capita- 
nia- —  MINAS-GERAES  —  Provinda;  —  MINAS-GERAES  -  Estado. 

Art.  19.    A'  proporção  que  se   forem    organizando,  os  catálogos  serão 
publicados  na  «Revista»  do    Archivo  e  também  em  avulso  para  distribui 
ção  gratuita  pelo  que  for  julgado  mais  conveniente  pelo    director. 

Art.  20  Os  livros  manuscriptos  e  os  documentos  avulsos  que  estive- 
rem illegiveis  ou  damnificados  serão,  quanto  possível,  restaurados  por 
meio  de  traslados  fieis,  revestidos  das  cautelas  e  formalidades  precisas 
para  prova  da  sua    authenticídade. 

Art.  21.  Não  será  permittido  a  pessoa  alguma  extranha  á  Repartição 
penetrar  nas  salas  em  que  estiverem  archivados  livros,  manuscriptos,  do- 
cumentos e  outros  papeis,  e  em  que  trabalharem  os  empregados.  Quem 
precisar  falar  a  algum  destes  o  esperará  na  sala  de  recepção,  annuncian- 
do-se  por  intermédio  do  porteiro  ou  do   contiinio. 

Exceptuam-se  da  regra  acima  as  auctoridades  superiores  do  Estado,  e 
mais  pessoas  distinctas,  a  convite  do  dirrctor  e  ás  quaes  este  ou  quem  as 
suas  vezes  fizer  acompanhará  na  visita. 

§  1."  No  regimento  interno  do  Archivo  designar-se-ha  um  dia  na  se- 
mina,  a  horas  deteminadas,  no  qual  a  vista  ao  Archivo  possa  .ser  feita 
por  outras  pessoas,  obtida  previa  autorização  do  director  para  isso  e  sen- 
do o  visitante  acompanhado  pelo  mesmo  director  ou  por  quem  este  de- 
signar. 


186  REVISTA    DO 


§  2P  A  BIBLIOTHECA  MINEIRA,  porém  desde  que  se  ache  em  sala 
independente  das  do  Archivo  de  munuscriptos  e  dos  empregados  de  es- 
cripta,  será  franqueada  todos  os  dias  ás  pessoas  que  desejarem  visital-a 
durante  as  horas  marcadas  no  regimento  interno. 

§3.''  Para  as  visitas  ao  Archivo  e  á  bibliotheca  o  referido  regimento 
estabelecerá  as  regras  e  precauções  necessárias,  no  intuito  de  ficarem 
preservados  de  qualquer  accidente  os  papeis,  livros  e  mais  impressos 
confiados  alli  aos   consultantes. 

Em  todo  o  caso  não  poderão  estes  levar  para  fora  da  repartição  qual' 
quer  livro  ou  documento,  e  nem  consultar  papeis  que  tenham  a  nota  de 
—  reservados,  —  salvo  auctorização  expressa  do  Secretario  de  Estado  do 
Interior  ou  sob  a  responsabilidade  pessoal  do  director  do    Archivo. 

Art.  22.  A  ninguém  é  licito  tirar  cópia  de  documentos  do  Archivo  • 
os  que  o  fizerem  incorrerão  nas  penas  legaes  que  lhes  forem  applicaveis- 
Para  ligeiros  extractos  ou  collecta  de  simples  apontamentos  em  livros  e 
manuscriptos  que  não  sejam  reservados,  o  director  poderá  dar  permissão, 
com  as  precisas  precauções  contra  abusos. 

Art.  23.  Serão  dadas,  a  quem  as  requerer,  certidões  dos  documentos 
existentes  no  Archivo,  excepto  os  de  caaracter  reservado. 

Para  authenticidade  dessas  certidões,  deverão  ellas  conter  declaração 
lavrada  e  subscripto  pelo  secretario-archivista,  de  haverem  sido  conferi- 
das por  elle,  trazerem  apposto  o  sello  do  Estado  e  a  assignatura  do  di- 
rector sobre  as  estampilhas  estaduaes  ministradas  pelos  requerentes  e 
correspondentes  a  mil  réis  por  lauda  ou  parte  de  lauda  de  vinte  e  cinco 
linhas  de  papel  commum. 

Paragrapho  único.  Independem  de  estampilhas  as  certidões  ou  cópias: 

1.**  Quando,  por  interesse  do  serviço  publico,  forem  requisitadas 
pelas  secretarias  de  Estado  ou  solicitadas  por  funccionarios  estaduaes  em 
razão  do  seu  emprego; 

2.°  Quando,  por  interesse  scientifico  ou  litterario,  provado,  forem 
pedidas  por  particulares; 

3.°  Quando  ao  director  pareça  conveniente  remetter  aos  archivos  pú- 
blicos "de  outros  Estados,  ao  federal  e  aos  municipaes,  e  a  qualquer  insti- 
tuto histórico,  geographico  ou  ethnographico  da  Republica  cópias  authen- 
ticas  de  documentos  não  extensos  que  interessem  aos  respectivos  Estados 
e  municípios  ou  á   União. 

Art.  24.  Todo  documento,  maço,  livro  ou  qualquer  outro  objecto  ti- 
rado do  seu  logar  para  o  expediente  do  serviço  será  immediatamente 
substituído  por  um  cartão  datado  e  rubricado  pelo  empregado  que  tirar 
o  objecto,  com  indicação  do  que  se  tira  e  para  onde.  Esse  cartão  será 
inutilizado  pelo  mesmo  empregado  quando,  á  vista  do  secretario  archi- 
vista,  o  objecto  for  restituído  ao  logar  de  que  r.ahiu. 

Art.  25.  E'  absolutamente  prohibido  a  qualquer  empregado  retirar 
do  Archivo  documento  ou  livro,  mesmo  no  propósito  de  adiantar  em  sua 
casa  o  serviço  de  que  esteja  incumbido. 

Art.  26.  Quando,  por  ordem  escripta  do  Secretario  de  Estado  do  In- 
terior, for  confiado  a  alguém  qualquer  documento  ou  livro  da  Repartição, 
a  pessoa  que  o  receber  passará  recibo  em  livro  próprio  e  se  sujeitará  a 
todas  as  medidas  de  segurança  que  o  director  exig,ir,  e,  no  caso  de  extra- 
vio, ás  penas  do  Código  Penal  applicaveis  á  espécie. 

Art.  27.  Haverá  no  Archivo  um  armário  especial,  que  offereça  a  indispen- 
vel  segurança,  para  servir  de  pequeno  Cimeliarclnim  do  estabelecimento  des- 
tinado á  bôa  guarda  e  conservação  de  obj^  ctos  de  valor  considerável,  códices 


AJVOUVO    Pini.lC!)    MINlilRO  187 


importantes,  autographos   |)reciosos   e  impressos  de   estimaçAo  excepcional 
peia  sua  raridade  ou  grande  interesse  bibliograpliico. 

Art.  28  No  Cimeliarchum,  cuja  chave  estará  sempre  em  poder  do 
director  poder-so-ha  estabelecer  uma  «arca  de  sigiilo»  par.i  a  fíuarda,  com 
as  convenientes  indicat^òes  no  invólucro,  de  alguma  «memoria»  ou  segre- 
do que  ahi  queira  depositar  alguém  que  haja  prestado  bons  serviços  ao 
Archivo,  aíim  de,  opporfunamente,  ser  o  objecto  retirado  por  si  ou  por 
pessoa  que  designar.  Um  protocollo  para  os  termos  de  deposito  e  levan- 
tamento será  guardado  no  mesmo  logar. 

Paragrapho  único.  Nas  mesmas  condições,  também  ahi  poderSo  ser  ar- 
chivados  os  documentos  nâo  officiaes  que  qualquer  cidadíio  queira  doar  ao 
Archivo    ou  apenas  nelle  depositar,  relativos  á    genealogia,  biographia  e 

serviços  ao  Estado  prestados  por  si  ou  por  seus  antepassados,   quer  como  ^ 

simples  particulares,  quer  em  cargos  públicos,  civis,  militares  o  ecclesias- 
ticos. 

Todos  estes  documentos    poderSo  ser    consultados  pelo  publico:  mas,  J 

dos  de  familia,  que  apenas  forem  depositados,  nílo  se  poderá  diir  certidão 
sinío  a  quem  provar  pertencer  á  familia  respectiva. 

CAPITULO   III 
Do  pessoal  do   Archiuo 

Art.  29.  Haverá  no  Archivo  um  director,  um  secretario-archivista,  dois 
officiaes  sub-archivistas,  dois  amanuenses,  um  porteiro  e  um  continuo, 
com  os  vencimentos  marcados  na  tabeliã  annexa;  e  pela  verba  para  ex- 
pediente designada  na  mesma  tabeliã  gratificar-se-ha  com  a  quantia  ali 
designada  um  servente  para  cuidar  do  asseio  da  Repartição  e  dos  mais 
serviços  que  especificar  o  respectivo  regimento  interno. 

Paragrapho  único.  Os  empregados  do  Archivo,  attenta  a  natureza  es- 
pecial desta  Repartição,  gozarão  das  mesmas  isenções  estabelecidas  pelas 
leis  vigentes  para  os  membros  do  magistério  publico,  secundário  e  su- 
perior, 

Art  3^\  O  director  será  nomeado  por  decreto  do  governo,  dentre  os 
cidadãos  de  notória  competência  na  matéria,  conhecido  zelo  e  solicitude. 

§  1."  O  secretario  archivista  será  nomeado  por  decreto,  precedendo 
concurso  dentre  os  cidadãos  classificados  nos  dois  primeiros  logares  nas 
matérias  seguintes  : —portuguez,  francez,  mathematicas  elementares,  no- 
ções de  direito  publico  e  administrativo,  estudo  sobre  a  Constituição  do 
Estado  e  leis  orgânicas,  e  sobre  a  Constituição  Federal,  historia  e  geogra- 
phia  do  Brazil,  especialmente  do  Estado  de  Minas,  e  redacção  official. 

Os  candidatos  que  apresentarem  certidão  ou  titulo  scientifico  provan- 
do a  sua  habilitação  em  qualquer  das  matérias  acima  indicadas,  ficarão 
dispensados  do  concurso  na  parte  referente  á  mesma. 

Os  bacharéis  em  sciencias  sociaes  e  jurídicas,  por  presumoção  legal  de 
habilitação,  independem  de  concurso  para  serem  nomeados. 

Em  igualdade  de  habilitações  e  classificação  em  concurso,  terá  prefe- 
rencia o  candidato  que  for  official  sub-archivista  da  Repartição. 

§2."  Para  as  nomeações  de  officiais  archivistas  e  amanuenses  é  neces- 
sário que  os  candidatos  apresentem:— certidão,  provando  idade  pelo  meno> 
de  20  annos;  folha  corrida;  attestados  fidedignos,  affirmando  sua  moralida- 


188  REVISTA    DO 


de  e  bom  comportamento;  e  provas  de  habilitação;  para  os  candidatos  a 
officiaes— em  portuguez,  francez,  arithmetica  até  proporções  inclusive,  es- 
tudo sobre  as  Constituições  do  Estado  e  Federal  e  leis  orgânicas  estaduaes, 
historia  e  geographia  do  Brazil,  especialmente  do  Estado  de  Minas,  e  re- 
dacção officialt— e  para  os  candidatos  amanuenses :  portuguez  e  calligra- 
phia,  arithmetica  até  proporções  inclusive,  historia  e  geographia  do  Brazil, 
especialmente  do  Estado  de  Minas. 

Nas  primeiras  nomeações  podem  ser  dispensadas  as  exigências  do  pre- 
sente paragrapho,  e  nas  seguintes,  as  provas  de  habilitação  serão  dadas  em 
concurso,  recahindo  as  nomeações  em  candidatos  classificados  nos  dois 
primeiros  logares  tendo  preferencia,  em  igualdade  de  classificação  nos 
concursos  para  officiaes,  o  candidato  que  for  amanuense  do  Archivo. 

§  3.°  O  porteiro  e  o  continuo  serão  nomeados  pelo  director  da  Repar- 
tição dentre  quaesquer  cidadãos  de  bom  comportamento  e  conhecida  mo- 
ralidade, que  saibam  ler  e  escrever.  Para  servente  será  contractado  cida- 
dão nas  mesmas  condições,  admittido  e  despedido  livremente  pelo  director. 

§  4.°  Os  concursos  serão  annunciados  com  dois  mezes  de  antecedên- 
cia, mas  quando  não  appareçam  candidatos  ou  deixem  de  ser  classifica- 
dos os  que  se  apresentarem,  as  nomeações  serão  feitas  sem  mais  depen- 
dência de  concurso,  entre  pessoas  idóneas;  a  de  secretario-archivista, 
por  decreto  do  Presidente  do  Estado;  e  as  de  officiaes  sub-archivistas  e  de 
amanuenses  pelo  Secretario  d'Estado  do  Interior,  sob  proposta  do  di- 
rector do  Archivo. 

Art.  31.  Nas  horas  regulamentares  é  absolutamente  prohibido  aos 
empregados  do  Archivo  occuparam-se  de  trabalhos  estranhos  ás  suas  oc- 
cupações  e  são  responsáveis  por  quaesquer  faltas  que  nesse  sentido  com- 
mettam  e  pelos  extravios  ou  damnos  que  causarem  na  Repartição. 

Art.  32.  Não  podem  igualmente,  seja  qual  for  o  pretexto,  organizar 
para  si  ou  para  outrem,  collecção  de  assignaturas  autographas,  de  copias 
de  documentos,  etc,  e  nem  entreterem-se  em  praticas  alheias  ao  serviço 
a  seu  cargo. 

Art.  33.  Todo  o  empregado  é  obrigado  a  repor  ou  mandar  repor  no  logar 
de  que  foi  tirado  para  consulta,  exame  ou  qualquer  trabalho,  o  documento, 
livro,  maço  ou  outro  objecto,  apenas  houver  acabado  essa  consulta,  exame  ou 
serviço. 

Art.  34  Além  de  incorrerem  nas  penas  do  Código  Penal  que  lhes 
forem  applicaveis,  serão  demittidos  os  empregados  que  revelarem  o  assum- 
pto de  papeis  reservados  existentes  no  Archivo,  ou  subtrahirem,  ou  inuti- 
lisarem  ou  estraviarem  qualquer  documento  pertencente  ao  mesmo. 

Art.  35.  Ao  director  do  Archivo,  além  das  attribuições  indicadas  em 
outros  artigos  deste  regulamento,  compete : 

I.  Dirigir  e  fiscalisar  os  trabalhos  da  Repartição,  para  cujo  melhora- 
mento tomará  as  providencias  que  estiverem  ao  seu  alcance  e  proporá  ao 
governo  as  medidas  que  julgar  convenientes. 

II.  Promover  a  remessa  para  o  Archivo  de  todos  os  documentos  que 
neste  devam  ser  recolhidos,  reclamando-os  officialmente  por  si  ou  por  in- 
termédio dos  Secretários  d'Estado,  para  o  que  o  poderá  corresponder-se 
com  todos  os  lunccionarios  públicos  e  com  particulares. 

III.  Ter  relações  officiaes  com  os  directores  de  iguaes  estabelecimentos 
em  toda  a  Republica,  e  mesmo  fora  delia,  e  procurar  obter  delles,  pelos  meios 
convenientes,  originaes  ou  copias  authenticas  de  documentos  úteis  para  o  Ar- 
chivo e  de  livros  e  outros  impressos  que  preencham  o  mesmo  fim.  Nesse  em- 
penho envidará  esforços  especialmente  com  relação  aos  Archivos  Nacional  e 


AKCHIVO    PUBUGO    MINEIHO  189 

do  Districto  Federal  e  aos  da  Bibliotheca  Nacional  e  Instituto  Histórico  e 
Qeoijraphico  do  Brasil,  no  Rio  de  Janeiro,  archivo  Publico  de  S.  Paulo  e 
outros  dos  Estados  continantes  com  o  de  Minas  Geraes 

IV.  Agradecer  por  si  e  em  nome  do  governo  as  oKertas  de  documen- 
tos e  outros  objectos  feitos  ao  Archivo,  e  mandar  publicar  pela  imprensa 
o  nome  do  offertante  e  a  qualidade  da  offerta. 

V  Dar  posse  aos  empregados  da  Repartiçrui,  tomaiido-lhes  o  compro- 
misso de  bem  servirem  os  seus  empregos,  eassignando  o  respectivo  tenno. 

VI.  Ter  sob  a  sua  inspecção  o  livro  de  ponto  dos  empregados;  justifi- 
car ou  n3o  as  suas  faltas;  assignar  e  remetter  a  folha  mensal  respectiva  á 
Secretaria  das  Finanças. 

VII  Impor  aos  empregados  as  penas  disciplinares  em  que  elles  hou- 
verem incorrido  e  representar  ao  Secretario  d'Estado  do  Interior  contra  os 
que  se  acharem  no  caso  do  ctrt.  34. 

VIII.  Ordenar,  dentro  da  quota  respectiva  e  nos  termos  deste  regula- 
mento, a  despesa  com  o  expediente  e  asseio  da  Repartição  e  com  a  acqui- 
siçâo  de  livros  e  documentos  para  o  Archivo. 

IX.  Mandar,  não  havendo  inconveniente,  dar  as  copias  ou  certidões  re- 
queridas, e  tirar  os  traslados  de  que  trata  o  art.  20,  authenticando-os  com 
a  sua  assignatura,  depois  de  conferidos  pelo  secretario-archivista. 

X.  Propor  ao  Secretario  d'Estado  do  Interior,  quando  houver  necessi- 
dade, a  admissão  temporária  de  auxiliares  que  ajudemos  officiaes  e  ama- 
nuenses nos  trabalhos  de  classificação,  inventario  e  catalogação,  ou  de  co- 
pistas para  os  trabalhos  de  restauração  de  documentos  damnificados. 

XI.  Organisar  e,  depois  de  approvado  pelo  Secretario  d'Estado  do  In- 
terior, pôr  em  execução  o  Regimento  interno  da  Repartição.  Antes  disso 
vigorarão  provisoriamente  as  normas  escriptas  ou  verbaes  que  der  o  di- 
rector para  o  serviço. 

XII.  Organizar  opportunamente  e  propor  ao  Secretario  d'Estado  do  In- 
terior as  «instrucções»  convenientes  para  os  concursos  na  Repartição. 

XIII.  Assignar  a  correspondência  official  da  Repartição,  ou  fazel-a  assignar 
pelo  secretario-archivista,  em  seu  nome,  quando  não  haja  nisso  inconveniente. 

XIV  Rubricar  as  foUias  de  todos  os  livros  de  expediente  da  Reparti- 
ção, assignando  os  respectivos  termos  de  abertura  e  encerramento,  que 
deve  lavrar  o  secretario-archivista. 

XV.  Elaborar  e  apresentar  ao  Secretario  d'Estado  do  Interior,  dois  me- 
zes  antes  da  abertura  do  Congresso  Mineiro,  um  relatório  do  movimento 
do  Archivo  no  anno  anterior,  quer  quanto  ás  acquisições  feitas,  quer  quan- 
to aos  trabalhos  executados  ou  em  andamento,  propondo  as  medidas  ou 
providencias  que  julgar  necessárias  ou  convenientes. 

Esse  relatório  será  acompanhado  do  orçamento  das  despesas  da  Repar- 
tição no  anno  financeiro  seguinte  e  deverá  indicar  asoffertasde  documen- 
tos, livros  e  outros  objectos  feitas  ao  Archivo  e  os  nomes  dos  offertantes 

Art.  36.  O  director  será  substituído  em  suas  faltas  e  impedimentos  pelo 
secretario-archivista  e,  na  falta  deste,  pelo  official  sub-archivista  que  designar. 
Art.  37.  Ao  secretario-archivista  compete: 

I.  Conservar,  inventariar  e  classificar  systematicamente,  segundo  os  arts. 
17  e  18  e  ouvindo  ao  director,  os  documentos,  livros  e  quaesquer  papeis 
existentes  no  Archivo,  e  mandar  collocal-os  em  seus  devidos  logares;  pro- 
cedendo do  mesmo  modo  quanto  aos  que  forem  sendo  recebidos. 


r 


19Ò  REVISTA    hÓ 


II.  Distribuir  convenientemente  os  trabalhos  entre  os  officiaes  e  amanu- 
enses, excepto  quando  o  director  faça  por  si  mesmo  essa  distribuição;  superin- 
tender assiduamente  o  serviço  e  comportamento  (i'aquelles  empregados,  do 
porteiro,  do  continuo  e  do  servente,  e  consultar  ao  director  sobre  auctorizações 
pedidas  por  qualquer  pessoa  para  visita  ao  Archivo  e  exame  de  documentos. 

III.  Dirigir  a  organizaçio  dos  inventários,  catálogos  e  Índices;  fazer  ou  man- 
dar fazer  a  busca  dos  livros  e  documentos  pedidos  para  consulta  por  visitan- 
tes, nos  termos  regulamentares,  ou  de  que  forem  requeridas  certidões  ou  co- 
pias authenticas;  conferir  e  encerrar  as  ditas  copias  e  certidões  para  serem  au- 
thenticadas  pelo  director,  de  conformidade  com  as  prescripções  do  art.  23. 

IV.  Tomar  nota,  em  livro  especial,  communicando-a  logo  ao  director,  de 
qualquer  documento  ou  indicação  que  encontrar  dentro  ou  fora  da  Repar- 
tição, e  que  possa  ser  útil  á  Historia  de  Minas,  exigindo  que  do  mesmo  modo 
procedam  os  officiaes  sub-archivistas  e  os  amanuenses. 

V.  Ministrar  aos  officiaes  sub-archivistas  e  amanuenses  normas  e  mo- 
delos para  escripturarem  os  livros  de  expediente  da  Repartição  e  também  os 
precisos  esclarecimentos  sobre  outras  matérias  de  serviço,  solicitando  a  res- 
peito instrucções  do  director  quando  delias  necessitar. 

VI.  Fazer  registrar  ou  indicar  nos  livros  competentes,  e  com  toda  a  cla- 
reza, o  recebimento  e  expedição  da  correspondência  do  Archivo;  as  offer- 
tas  que  a  este  forem  feitas;  os  livros  e  documentos  por  qualquer  modo  ad- 
quiridos; as  nomeações  de  correspondentes  do  Archivo;  e  os  mais  registros, 
indicações  e  assentamentos  a  que  se  destinam  os  livros  para  o  expediente 
da  Repartição  e  especificados  no  art.  49. 

VII.  Apresentar  ao  director,  três  mezes  antes  da  abertura  do  Congresso  Mi- 
neiro, uma  «exposição»  circumstanciada  do  movimento  dos  trabalhos  da  Re- 
partição, lembrando  as  medidas  ou  providencias  que  julgue  convenientes 
ao  respectivo  serviço,  para  serem  tomadas  pelo  director  na  consideração  que 
merecerem  no  seu  relatório  annual  ao  Secretario  de  Estado  do  Interior. 

VÍII.  '^er  sob  a  sua  guarda  e  responsabilidade  os  livros  da  escriptura- 
ção  do  Archivo;  organizar  a  folha  mensal  dos  vencimentos  dos  emprega- 
dos, attendendo  ás  faltas,  abonadas  ou  não,  e  verificar  a  exactidão,  das 
contas  de  quaesquer  despesas  com  objectos  comprados  e  serviços  pagos 
para  o  expediente  da  Repartição. 

IX.  Minutar  a  correspondência  do  Archivo,  para  ser  escripta  pelos  officiaes 
e  amanuenses,  ou  escrevel-a  conforme  minutas  do  director  quando  a  este 
assim  pareça  conveniente;  mandar  lavrar  pelos  officiaes,  e  subscrever,  os 
termos  que  ao  director  compete  assignar,  e,  em  nome  do  mesmo,  assignar 
os  editaes  e  avisos  que  devam  ser  publicados;  e  encerrar  o  livro  do  pon- 
to dos  officiaes  e  amanuenses  á  hora  regulamentar. 

X.  Executar  o  mais  que  lhe  for  prescripto  neste  Regulamento  ou  de  que 
o  incumba  o  director,   e  substituir  a  este  em  suas  faltas  e  impedimentos. 

Art.  38.  A  cada  um  dos  officiaes  sub-archivistas,  conforme  lhe  fôr  de- 
terminado pelo  secretario-archivista,  incumbe: 

I.  Fazer  clara  e  correctamente  a  escripturação  dos  livros  do  expedien- 
te da  Repartição  que  lhe  forem  indicados,  observando  as  normas  e  modelos 
adoptados;  podendo  lembrar  as  modificações  que  lhe  pareçam  vantajosas. 

II.  Escrever  os  officios,  cartas,  editaes,  avisos,  etc,  segundo  as  minu- 
tas do  director  ou  do  secretario  e  que  lhe  forem  por  este    apresentadas. 


ARCaiIVO     PUBLICO    MINEIRO  191 

III.  Tirar  com  exactidão  e  nitidez  as  copias  e  certidões  mais  impor- 
tantes, conferindo-as  attentaniente  com  o  secretario,  e  auxiliar  a  este  no 
serviço  de  inventario  c  classificação  que  lhe  incumbe  pelo  art.  37  n.  1, 
deste  Resfu  la  mento. 

IV.  Chamar  a  attonçSo  do  secretario  para  os  livros  ou  documentos 
que  encontrar  de  particular  interesse  para  a  Historia  do  Estado,  e  dos 
que  precisarem  de  precauções  especiaes  para  sua  conservação  ou  neces- 
sitarem de  restauração  por  copia,  serviço  que  será  executado  pelos  em- 
preíjados  desijJiiados  pelo  secretario  e  pelo    modo  que  este    indicar. 

V.  Ministrar  aos  consultantes,  na  sala  da  BIBLIOTHECA  MINEIRA,  os 
livros  e  documentos  que  pedirem,  de  accordo  com  o  art.  21  e  pelo  mo- 
do que  for  especificado  no  Regimento   interno. 

VI.  Proceder  á  verificação  dos  livros  e  mais  papeis  remettidos  para 
o  Archivo,  á  v  sta  dos  officios  ou  cartas  que  os  acompanharem,  e  col- 
local-os  nos  locares  devidos,  fazendo  os  precisos  assentamentos  e  regis- 
tros nos  livros  competentes. 

VII.  Auxiliar,  quando  seja  necessário,  aos  amanuenses  em  qualquer 
trabalho;  dar  aos  mesmos  os  esclarecimentos  de  que  precisem  no  desem- 
penho de  seus  serviços,  e  fiscalizal-os,  bem  como  ao  porteiro,  continuo 
e  servente. 

VIII.  Cumprir  todas  as  ordens  do  director  e  do  secretario,  concer- 
nentes ao  serviço  da  Repartição,  e  substituir  o  secretario  em  suas  faltas 
e  impedimentos,  conforme  a  designação  do  director. 

Art.  39.  Incumbe  a  cada  um  dos  amanuenses,  segundo  determinação 
do  secretario-archivista. 

I.  Tirar  com  nitidez  e  exactidão  as  certidões  e  copias  que  lhe  forem 
indicadas,  conferindo-as  attentaniente  com    o  secretario. 

II.  Escripturar  clara  e  correctamente  os  livros  de  escripturação  da 
Repartiçãt ,  que  lhe  forem  indicados,  conforme  as  normas  e  modelos  ado- 
ptados e  para  os  quaes  poderá  lembrar  as  modificações  que  lhe  pareçam 
convenientes. 

III.  Proceder  á  numeração  e  carimbamento  dos  livros  e  documentos 
e  ao  seu  arranjo  nas  respectivas  estantes  e  armários,  observando  as  re- 
commendações  que  receber  do  secretario  para  esse   fim. 

IV.  Fazer  com  regularidade  e  promptidão  o  expediente  da  remessa 
dos  números  da  «Revista  do  Archivo»  para  o  correio,  rotulando-os  para  os 
seus  destinatários  e  organizando  desse  serviço  o  preciso  registro. 

V.  Auxiliar  a  qualquer  dos  officieas  sub-archivistas  em  seus  trabalhos 
quando  elle  o  reclame    por  necessidade  do  serviço. 

VI.  Cumprir  quaesquer  ordens  que  receber  para  outros  trabalhos  da 
Repartição,  fiscalizar  o  serviço  do  porteiro,  continuo  e  servente  e  substi- 
tuir em  suas  faltas  ou  impedimentos  aos  officiaes  sub-archivistas,  confor- 
me designação  do    director. 

Art.  40.     São  obrigações  do  porteiro: 

I.  Abrir  a  Repartição  ás  9  horas  da  manhã  e  fechal-a  logo  que  ces- 
sem os  trabalhos. 

II.  Cuidar  na  segurança  e  asseio  da  casa,  inspeccionar  o  serviço  ao 
continuo  e  servente,  e  encerrar-lhes  o  ponto  diário  ás  9  1/2  hora  da  ma- 
nha. 

III.  Fazer  o  pedido  dos  objectos  necessários  ao  expediente  da  Re- 
partição, e  compral-os,  depois  de  auctorização  do  director  apresentando 
conta  documentada  da  despesa  ao  secretario-archivista  para  o  devido 
pagamento. 


192  REVISTA    DO 


IV.  Ter  sob  sua  guarda  e  responsabilidade  os  objectos  para  o  expe- 
diente e  asseio  da  Repartiçcto,  e  as  chaves  de  todas  as  portas  da  casa, 
externas  e  internas;  e  inventariar  toda  a  mobilia,  uíensilios  e  mais  obje- 
ctos do  estabelecimento,  cuidando  na  sua  conservação.  Desse  inventario 
ficará  uma  copia  em  poder  do  secretario. 

V.  Receber  os  requiMimentos  dirigidos  ao  director,  lançando  no  «li- 
vro da  porta»  os  respectivos  despachos,  e  expedir  e  receber  toda  a  corres- 
pondência official,  tomando  nota  de  uma  e  de  outra  em  competente  pio- 
tocollo,  e  entregando  immediatamente  ao  director  a  que  houver  rece- 
bido. 

VI.  Fornecer  a  quem  se  apresentar  para  exame  e  consulta  de  docu- 
mentos (de  accordo  com  o  que  ficar  disposto  no  Regimento  interno  da  Re- 
partição) o  competente  cartão  em  que  inscreva  o  seu  pedido  e  transmit- 
til-o  immediatamente  ao  secretario,  de  cuja  resposta  dará  sciencia  ao  pos- 
tulante; e  guardará  o  cartão  para  ser  feita  opportunamente  a  estatística 
das  consultas. 

VII.  Impedir  que  transponha  a   sua  sala  para  o    interior  da  Reparti- 
ção qualquer  pessoa    que   não    tenha  licença  para    isso  ou  que,  tendo-a, 
traga  comsigo,  sem    permissão  expressa   do  director,  livro,  pasta,  rolo  de 
papeis  ou  outros  objectos,  que  guardará,    restituindo-os    fielmente  a   seu . 
dono  na  sabida  deste. 

VIII.  Poro  sello  da  Repartição  nos  papeis  que  dependerem  dessa 
formalidade;  impedir  que  entrem  na  Repartição  loucos,  ébrios  e  garotos; 
fazer  enxotar  pelo  servente  ou  pelo  continuo  quaesquer  cães  e  outros  ani- 
mais que  possam  penetrar  no  estabelecimento;  velar  assiduamente  pela 
preservação  do  Archivo,  quanto  á  humidade,  fogo,  ratos  e  insectos  damni- 
nhos;  e  cumprir  promptamente  as  ordens  que  receber  de   seus  superiores. 

Art.  41.     São  obrigações  do  continuo: 

I.  Comparecer  na  Repartição  ás  9  horas  da  manhã  e  ahi  se  conser- 
var até  que  cesse  o  trabalho  diário  (salvo  ligeiras  ausências  em  serviço 
por  ordem  do  director  ou  do  secretario);  espanar  os  livros,  papeis  e  mo- 
veis; e  arrumar  as  mesas  dos  empregados,  fornecendo-as  do  necessário 
para  o  expediente. 

II.  Acudir  promptamente  ao  toque  das  campainhas,  na  forma  do 
Regimento  interno,  para  transmittir  recados  e  papeis  dentro  da  Reparti- 
ção ou  cumprir  dentro  e  fora  delia  as  ordens  que  lhe  forem  dadas  pelo  di- 
rector ou  pelo  secretario. 

III.  Auxiliar  aos  officiaes  e  aos  amanuenses  no  arranjo  de  livros  e  pa- 
peis nos  logares  convenientes,  na  numeração  e  carimbamento  de  livros  e 
documentos  e  no  mais  que  elles  reclamem  para  o  bom  andamento  do 
serviço. 

IV.  Velar  zelosamente  pela  boa  conservação  de  todos  os  livros  e 
mais  papeis  do  Archivo,  nos  termos  indicados  quanto  ao  porteiro;  substi- 
tuir a  este  em  suas  faltas  e  impedimentos,  e  ajudal-o  no  que  for  preciso, 
a  seu  pedido  ou  por  ordem  do  secretario. 

Art.  42.  O  servente  fará  a  limpeza  da  Repartição  logo  que  for  esta 
aberta  pelo  porteiro,  ahi  se  conservando  até  terminarem  os  trabalhos  do 
dia.  Conduzirá  cautelosamente  ao  seu  destino  a  correspondência  e  quaesquer 
outros  objectos  da  Repartição  ou  para  ella,  que  lhe  forem  entregues  para 
esses  fins.  Auxiliará  no  que  for  necessário  ao  porteiro  e  ao  continuo,  sub- 
stituído a  este  em  suas  faltas,  e  ambos  elles  inspeccionarão  o  seu  serviço 
especialmente  para  evítar-se  o  estrago  ou  extravio  de  qualquer  papel  do 
Archivo;  e  cumprirá  com  presteza  as  ordens  que  receber  em  bem  do  ser- 
viço da  Repartição. 


ARCHIVO    PUBLICO    MINEIRO  193 

CAPITULO  IV 
Da  'Revista*  do  Archiuo 


Art.  43.  Installado  o  Archivo  Publico  Mineiro,  o  seu  diretor— sem 
prejuízo  dos  encargos  que  lhe  cabem  pelo  presente  regulamento,  iniciará 
€  dirigirá  a  publicação  de  uma  «Revista»,  na  qual  serão  insertos  os  es- 
criptos  históricos,  biographicos,  estatísticos,  topographicos,  etc,  que  ela- 
borar acerca  dos  acontecimentos,  homens  e  cousas  notáveis  de  Minas 
Geraes;  os  documentos  (menos  os  reservados),  noticias,  composições  litte- 
rarias  e  memorias  ou  monographias  interessantes  sobre  os  mesmos  as- 
sumptos inéditos  ou  nSo  vulgarizados  que  houver  no  Archivo,  mandando 
para  esse  fim  fazer  as  copias  ou  extractos  necessários;  e  bem  assim  os 
catálogos  e  Índices  dos  livros  e  documentos  do  Archivo  que  forem  orga- 
nizados na  repartição;  as  referencias  de  offertas  de  livros,  documentos, 
opúsculos,  periódicos  e  outros  objectos  adequados  á  natureza  da  institui- 
ção; actos  officiaes  com  relaçào  a  ella,  e  quaesquer  notas  ou  excerptos 
consoantes  aos  seus  fins. 

Em  remuneração  desse  trabalho  especial,  perceberá  a  director  a  grati- 
ficação annual  de  quatro  contos  de  réis. 

Paragrapho  único.  Incumbe  ao  director  a  escolha  do  formato  e  da 
qualidade  do  papel  e  typos  da  «Revista»,  que  será  editada  na  Imprensa 
do  Estado,  bem  como,  com  auxilio  de  outro  empregado  do  Archivo  que 
designar,  a  revisão  das  ultimas  provas  da  composição  typographica. 

Art.  44.  A  juizo  do  respectivo  director,  poderão  ser  também  inser- 
tos na  <fRevista»  quaesquer  trabalhos  ou  docamentos  sobre  os  assumptos 
indicados  no  artigo  precedente  e  que  para  aquelle  fim  sejam  offerecidos 
por  seus  auctores  ou  possuidores, 

Art.  45.  A  «Revista»  do  Archivo  será  publicada  trimensalmente,  ou 
mais  vezes  si  for  conveniente,  com  duzentas  paginas,  pouco  mais  ou 
menos,  e  tiragem  de  1000  exemplares,  numero  que  poderá  ser  alterado 
por  determinação  do  Governo.  Dessa  tiragem,  500  exemplares  serão  des- 
tinados á  venda  e  assignatura  na  Imprensa  do  Estado,  pelos  preços  que 
forem  opportunamente  adoptados;  loO  exemplares  ao  deposito  do  Archivo 
para  ulterior  destino;  e  os  restantes  convenientemente  distribuídos  entre 
as  autoridades  superiores  do  Estado  e  da  Republica;  representantes  e  ca- 
marás municipaes  do  Estado;  correspondentes  do  Archivo  e  outras  pes- 
soas que  lhe  prestarem  reaes  serviços;  repartições  estaduaes;  arcliivos  e 
institutos  históricos  e  geographicos,  de  outros  Estados  e  federaes;  impren- 
sa periódica,  directores  ou  presidentes  de  associações  litterarias  e  scien- 
tificas,  etc. 

Art.  46.  Concluída  em  tempo  regular  a  edição  de  cada  numero  da 
«Revista»,  conforme  a  data  do  primeiro,  será  a  metade  dos  exemplares 
impressos  e  brochados  remettida  ao  Archivo  para  os  fins  do  artigo  ante- 
rior, e  a  outra  metade  ficará  ein  logar  conveniente  na  Imprensa  do  Es- 
tado, para  a  remessa  aos  assignantes  e  venda  avulsa  dos  fascículos,  es- 
tabelecendo-se  alli  escripturação  especial  da  receita  respectiva  e  annun- 
ciando-se  pelo  Minas  Geraes  as  condições  da  assignatura  e  venda  da 
«Revista». 

Art.  47.  Serão  colleccionadas  e  convenientemente  consenadas  as 
publicações  que  permutarem    com  a   «Revista»    ou  forem    por    qualquer 

R.  A.     13 


194  REVISTA    DO 


modo  adquiridas  e  que  tiverem  interesse  para  os  fins  do  Archivo.  DeKas 
far-se-ha,  no  fim  de  cada  anno,  registro  methodico  em  livro  próprio. 

Paragrapho  único.  Essas  collecções,  as  da  folha  official  do  Estado.^e, 
em  geral,  os  livros  em  brochura  da  BIBLIOTHECA  MINEIRA,  serão  enca- 
dernadas na  Imprensa  do  Estado,  com  todas  as  precauções  necessárias, 
mormente  nos  casos  de  edições  raras  ou  preciosas,  afim  de  evitarem-se 
damnos  ou  extravios. 

CAPITULO  V 
Disposições  Geraes 

Art,  48.  O  Archivo  Publico  Mineiro  estará  aberto  todos  os  dias  úteis, 
devendo  o  trabalho  da  secretaria  começar  ás  10  horas  da  manhã,  e  ás  9 
o  do  porteiro,  do  continuo  e  do  servente,  terminando  para  todos  ás  3  1/2 
da  tarde;  mas  em  caso  de  urgência,  poderá  o  director  prorogar  o  serviço 
por  mais  tempo  ou  mandar  executar  qualquer  trabalho  na  Repartição  em 
horas  ou  dias  exceptuados.  O  livro  de  ponto  deve  ser  assignado  quer  na 
entrada  quer  na  sabida. 

Art.  49.  Para  o  expediente  da  Repartição  e  mais  escripturação  pe- 
culiar do  Archivo  haverá  os  seguintes  livros,  além  de  outros  que  a  expe- 
riência e  o  desenvolvimento  do  serviço  possam  tornar  mais  tarde  neces- 
sários, e  que  o  director  creará: 

— De  registro  da  lei,  regulamento  e  regimento  interno  concernentes  á 
Repartição  e  das  instrucções,  editaes  e  avisos  expedidos  e  publicados  para 
o  serviço  da  mesma. 

De  registro  das  portarias  do  director  sobre  serviços,  ordem  dos  tra- 
balhos e  policia  da  Repartição. 

— De  ponto  dos  empregados. 

De  termos  de  compromisso  e  posse  dos  mesmos. 

— De  registro  das  nomeações,  licenças,  substituições  e  demissões  dos 
mesmos. 

De  registro  da  correspondência  expedida. 

De  registro  da  correspondência  recebida. 

De  registro  das  nomeações  de  correspondentes  do  Archivo. 

—De  registro  das  offertas  feitas  á  Repartição,  de  documentos,  livros  e 
outros  objectos. 

— De  registro  chronologico  de  documentos,  livros  etc,  remettidos  of- 
ficialmente  para  o  Archivo  após  a  sua  installação. 

— De  assentamento  das  despezas  de  expediente,  com  referencia  aos 
documentos  que  as  comprovam  e  que  serão  guardados  em  legar  pró- 
prio. 

— Das  despezas  effectuadas  com  a  acquisição  de  livros  e  documentos. 

— De  inventario  da  mobília,  utensílios  e  mais  objectos  da  repartição . 

— De  prciocollos  do  porteiro:— para  a  correspondência  expedida  pelo 
Archivo;  para  a  correspondência  destinada  ao  Archivo;  e  para  os  despa- 
chos e  ordens  do  director,  em  requerimentos  ou  sobre  policia  da  Re- 
partição. 

—Indicador  das  pessoas,  municipalidades,  institutos,  archivos  associa- 
ções, redacções,  etc,  a  quem  deve  ser  remettida  a  «Revista»,  na  forma 
do  art.  45  deste  Regulamento. 


ARCHIVO     PUBI/CO    MINEIRO  105 

—De  carga  e  descarga  dos  volumes  cem  as  preorrs  irdicr.çCes  fará 
serem  encadernados  e  dos  originaeí;  da  «Revista  rcmettidos  á  Imprensa 
do  Estado. 

—De  registro  do  inventario  e  clarsilicaçí^o  annual  dos  periódicos,  re- 
vistas e  mais  publicações  recebidas  pelo  Archivo, 

—De  numeração  e  classificação  dos  cimelios. 

—De  numeração  e  classificação  dos  nianuscriptos  avulsos  em  geral. 

—De  numeração  e  classificação  dos  livros   nianuscriptos. 

—De  numeraçSo  e  classificação  dos  livros  impressos,  periódicos  e 
mappas  da  Bibliothcca  Mineira. 

—De  numeração  e  indicaçílo  dos  retratos,  vistas,  estampas,  dese- 
nhos, etc. 

Arf.  50.  O  director  do  Archivo  poderá  admittir  na  repartição,  quan- 
do julgar  conveniente,  até  dois  praticantes-coUaboradores,  sem  vencimen- 
tos, percebendo  somente,  no  caso  de  substituírem  os  amanuenses  licen- 
ciados ou  que  estiverem  substituindo  os  officiaes,  a  gratificação  que  per- 
derem os  mesmos  amanuenses.  Nos  concursos  para  as  vagas  destes,  os 
referidos  praticantes-coUaboradores,  em  igualdade  de  classificação,  terão 
preferencia  nas  nomeações; 

Art.  51.  Relativamente  ao  modo  de  percepção  de  vencimentos,  tole- 
rância para  certos  casos  de  n3o  comparecimento  dos  empregados  á  Re- 
partição, licenças,  penas  disciplinares  e  outras  hypolheses  não  incluídas 
no  presente  Regulamento  e  que  possam  occorrer,  observar-se-ha  o  Re- 
gulamento da  secretaria  de  Estado  do  Interior  e  mais  disposições  legaes 
vigentes. 

Art.  52.  A  todos  os  empregados  incumbe  esfroçareni-se  igualmente 
pela  bòa  ardem  da  Repartição,  conecto  e  prompto  desempenho  dos  tra- 
balhos e  pela  perfeita  conservação  e  guarda  de  todos  os  documentos,  li- 
vros e  mais  papeis  do  Archivo,  respondendo  cada  empregado  pelas  fal- 
tas que  commetter  e  de  que  resulte  ou  possa  resultar  estrago  ou  desap- 
parecimento  de  documento,   livro  ou  outro  objecto  qualquer. 

§  1.°  Todas  as  precauções  serão  tomadas  pelos  empregados  contra 
a  possibilidade  de  incêndio  na  Repartição,  não  sendo  a  ninguém  permit- 
tido  fumar  dentro  delia,  sinão  no  local  e  com  as  cautelas  que  o  Regi- 
mento interno  indicará. 

§  2."  Aos  officiaes  e  amanuenses,  especialmente,  cabe  observar  e 
acautelar  os  papeis  contra  os  estragos  da  humidade,  traças,  baratas,  po- 
lilha,  etc;  e  ao  porteiro,  continuo  e  servente  a  mais  constante  vigilância 
quanto  aos  ratos,  observando  diariamente  se  ha  na  casa  buracos  ou  fres- 
tas por  onde  elles  penetrem  ou  possam  penetrar,  afim  de  serem  logo  ta- 
pados. 

^'/^  Art.  53.  Para  a  prompta  acquisição  dos  livros  e  outros  impressos  ne- 
cessários á  Bibliothcca  Mineira  do  Archivo,  indicados  nos  arts.  4.°,  5.°  e 
6.°  e  aos  quaes  refere-se  o  art.  14,  ultima  parte,  a  despesa  se  fará  den- 
tro do  credito  especial  destinado  á  fundação  do  estabelecimento,  e  aber- 
to ao  governo  no  art.   11,  da    lei  n.   126. 

Art.  54.  Nos  limites  do  citado  credito  effectuar-se-ha  também  a  des- 
pesa precisa  com  acquisição  de  armários,  estantes,  mesas  e  mais  mobí- 
lia, utensis,  livros  de  escripturação  e  outros  objectos  necessários  à  Repar- 
tição, bem  como  com  os  concertos,  limpeza,  preparo  e  adaptação  ás  exi- 
gências do  Archivo  do  prédio  em  que  tiver  elle  de  ser  installado. 

Paragrapho  único.  Mediante  requisição  do  Secretario  de  Estado  do 
Interior,  si  elle  assim  julgar  conveniente,  serão  transferidos  para  o  Archi- 
vo os  moveis  que  alli  se  tornem  precisos  e  que  se  achem  desaprovei- 
tados ou  forem    dispensáveis,  em  quaesquer  Repartições  estaduaes. 

Art.  55.  O  Governo  poderá  encarregar  ao  director  do  Archivo  Pu- 
blico Mineiro,    ou   a  outro    cidadão   que  julgar    competente,  de  escrever 


193 


REVISTA    DO 


■  » 
.* 


com  exactidão  e  circumstanciado  desenvolvimento :  —  I  —  as  Ephemeri- 
des  sociaes  e  politicas  do  Estado;  —  II  —  a  Historia  ou  Chonica  de  Minas 
Geraes,  a  começar  da  sua  descoberta  e  primeiras  explorações  até  ao  pre- 
sente. Ao  auctor  caberá  opportunamente  por  essas  obras,  que  serão  edi- 
tadas na  Imprensa  Official,  o  premio  pecuniário  que  o  Governo  entender 
merecido,  á  vista  dos  mesmos  trabalhos  e  do  parecer  que  sobre  elles 
apresentar  pessoa  ou  commissão  idónea  a  quem  disso  incumbir  o  Presi- 
dente do  Estado.  (Lei  n.  126,  de  11  de  julho  de  1895,  art.  8.°,  paragra- 
pho  único). 

Art.  56.  Logo  que  esteja  organizada  a  Dihliotheca  Mineira  do  Archi- 
vo,  com  todos  os  livros  e  mais  impressos  que  lhe  são  precisos  e  possam  ser 
adquiridos,  o  director  encetará  a  elaboração  de  um  esboço  de  Dicciona- 
rio  Bibliographico  Mineiro,  que  irá  publicando  na  Revista  do  Archivo 
para,  depois  de  concluído,  e  com  os  additamentos  e  rectificações  que 
essa  publicação  suscitar,  ser  editado  em  volume  especial,  conforme  o  Go- 
verno determinar  opportunamente. 

Art.  57.  Revogam-se  as  disposições  em  contrario. 

Secretaria  do  Interior  do  Estado  de  Minas  Geras,  Ouro  Preto,  19  de 
setembro  de  1895. 

Dr.   Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz. 


Tabeliã  de  veiaeisssentos 


Director 

Gratificação  especial  ao  mesmo,  para  os  fins  do 
art.  8.*^  da  lei  n.   126 

Secretario-archivista 

2  Officiaes    sub-archivistas 

2  Amanuenses 

1  Porteiro  

1  continuo 

Despesa  annunl  de  expediente  da  repartição,  in- 
clusive QOOSOOO  para  um  servente . .    

Quota  máxima  annual  (nos  termos  do  art.  4.°, 
da  lei  n.  126 1,  para  acquisição  de  livros  e  do- 
cumentos, conforma  os  arts.  8.°  e  14.°  deste 
Regulamento 


Vencimento 
annual 


6:000$OCO 

4:030$0n0 
4:800$030 
3:600$000 

2  4no$ooo 

1:500$000 
1:20JS0G0 

3.CO0$00O 


3:000$00 ) 


Total 


6:0008000 


4:0005000 
4:SO0S00O 
7:20(.)S000 
4:800$C00 
1:500$000 
1:2()0$000 

3:000$0OO 


3:0003000 


Os  vencimentos  serão    divididos]  em    ordenado  e  gratificação,  sendo 
esta  de  um  terço. 

Secretaria  do  Interior  do  Estado    de    Minas  Geraes,    Ouro    Preto,   19 
de  setembro  de  1895. 


Dr.  Henrique  Augusto  de  Oliveira  Diniz, 


REVISTA 


li 
i 


DO 

1 


Archivo  Publico  Mineiro 


DIRECÇÃO     E   REDACÇÃO 


I 
\    1 


J.      P.      XAVIERDAVEIGA  ,  H, 

ttreotor  do  mosmo    Acchiro 


Anno  I  — Fascículo  2.°  — Abril  a   Junho  de  1898 


^iâfeJ 


i 
I 


OURO    PRETO 


IMPRENSA  OFFICIAI,  DE  MINAS-f.EllAES 

1893 


Summario  dssts  fascículo 


I  — 
II  — 


III  — 

IV  — 

V  — 
VI  — 

VII  — 


Chorographia  Mineira  (Município  de  Poços  de  Caldas)  pags 
Memorias  Municipaes  : 

I  —  Camará  do  Caeté » 

II  —  Camará  de  S.  João    d'El-Rey » 

III  —  Camará  de  Sabará » 

Nomenclatura  das  ruas,  praças,  etc,  da   cidade  de 

Uberaba » 

Uberaba  (liistoria  topographica  e  carta  de  sesmaria)  » 

Creação  de  villas  no  período  colonial » 

Cláudio  Manoel  da  Costa  (noticia  biographica) » 

Additamentos  e  rectificações » 


,-  197 


•225 
•243 


289 
339 
347 
373 
391 


Acceitam-se  para  serem  insertos  nesta  Revista  os  artigos  ae  nos 
forem  offerecidos,  uma  vez  que  sejam  elles  escriptos  em  ternis  con- 
venientes e  tenha  sua  matéria  interesse  real  para  os  lins  do  —  pcliivo 
Publico  Mineiro. 


Ficou  demorado  o  preparo  do  presente  fasoieiílo  pe  aecn- 
miilo  de  trabalhos  na  Iiiipreusa  do  X^stado.  Os  segniiiis  fas- 
ciciilos  desta  «  Revista  »  serão  regiilarmeute  publicado. 


ch:rographia  miheira 


A  fonnos;i  florescente  Villa  dos  Poços  de  Caldas,  cujo  município 
se  compõe  dum  stS  districto,  é  objecto  da  monographia  abaixo  que, 
como  a  do  p?cedentc  fascículo  e  consagrada  ao  estudo  do  município 
de  S.  Dominós  do  Prata,  lioje  abrilhanta  com  grande  utilidade  as 
paginas  de»i : Retusta . 

Esta  nov;i  e  valíosissima  contribuição  para  o  consciencioso  pre- 
paro da  Chorjraphia  Mineira  nos  foi  cavalheiramente  ministrada  pelo 
nosso  distinc.)  co-estaduano  dr.  Pedro  Sanches  de  Lemos,  clínico  no- 
tável n'aquea  localidade  e  que,  mesmo  fora  da  esphera  dos  seus  es- 
tudos profisonaes,  salíenta-se  por  solida  íllustração  e  peregrinos 
talentos. 

Ha  cerca  o  cinco  annos  o  erudito  dr.  Pedro  Sanches  de  Lemos  esbo- 
çara essa  intressante  «  memoria »,  respondendo  obsequiosa  e  proficiente- 
mente ao  quítíonario  que  lhe  dirigimos  e  que  foi  reproduzido  no  pre- 
cedente fascínio  da  Revista.  Agora,  ampliando  e  rectificando  com 
recentes  dads  estatísticos  o  trabalho  então  feito,  elaborou  a  mono- 
graphia que  oje  publicamos  sobre  Poços  de  Caldas  —-  monographia 
digna  de  seu  Ilustrado  auctor,  pela  abundância  e  fidelidade  das  úteis 
informações  ue  systematicamente  registra,  como  pela  forma  attra- 
hente  e  corríta  que  imprímiu-Ihe  a  penna  magistral  do  dr.  Pedro 
Sanches. 


SumiT.ario  deste  fascículo 


I  —  CiiOROGRAPHiA  Mineira  (Município  do  Poços  de  Caldas)  pags. 
II  —  Memorias  Municipaes  : 

I  —  Camará  do  Caeté » 

II  —  Camará  de  S.  João    d'Ei-Rey » 

III  —  Camará  de  Sabará » 

III  —  Nomenclatura  das  ruas,  praças,  etc,  da   cidade  de 

Uberaba » 

IV  —  Uberaba  (liistoria  topographica  e  carta  de  sesmaria)  » 

V  —  Creação  de  villas  no  período  colonial » 

VI  —  Cláudio  Manoel  da  Costa  (noticia  biograpliica) » 

VIÍ  —  Additamentos  e  rectificações » 


—  197 

—  225 

—  243 

—  267 

—  289 

—  339 

—  347 

—  373 

—  391 


Acceitam-se  para  serem  insertos  nesta  Revista  os  artigos  que  nos 
forem  offerecidos,  uma  vez  que  sejam  elles  escriptos  em  termos  con- 
venientes e  tenha  sua  matéria  interesse  real  para  os  flns  do  —  Arcliivo 
Publico  Mineiro. 


Fíooii  deiiiorad»  o  preparo  «lo  presente  fasoiculo  por  aocii- 
niiilo  <le  Iralmllios  na  Imprensa  do  Kstailo.  Os  segnintes  fas- 
cienlos  desta  «  Revista  »  serão  regnlaruiente  piihlioados. 


CHOROGRAPHIA    MINEIRA 


A  formosa  e  florescente  \ill;i  dos  Poços  de  Caldas,  cujo  município 
se  conipòe  de  um  stS  districto,  ô  objecto  da  monographia  abaixo  que, 
como  a  do  precedente  fascículo  e  consagrada  ao  estudo  do  município 
de  S.  Domingos  do  Prata,  lioje  abrilhanta  com  gr.mdo  utilidade  as 
paginas  desta  Revista. 

Esta  n<»va  e  valiosíssima  contríbui<;ãu  para  o  consciencioso  pre- 
paro da  CHOROGRAPHIA  MiNEiRA  uos  foí  cavalheíramcnte  ministrada  pelo 
nosso  distíncto  co-estaduano  dr.  Pedro  Sanches  de  Lemos,  clinico  no- 
tável n'aquella  localidade  e  que,  mesmo  fora  da  esphera  dos  seus  es- 
tudos protissionaes,  salienta-se  por  solida  illustragão  e  peregrinos 
talentos. 

Ha  cerca  de  cinco  annos  o  erudito  dr.  Pedro  Sanches  de  Lemos  esbo- 
çara essa  interessante  «  memoria»,  lespondendo  obsequiosa  eproílcientc- 
menteao  questionário  que  lhe  dirigimos  e  que  foí  reproduzido  no  pre- 
cedente fascículo  da  Revista.  Agora,  ampliando  e  rectilicando  com 
recentes  dados  estatísticos  o  trabalho  então  feito,  elaborou  a  mono- 
graphía  que  hoje  publicamos  sobre  Poços  db  Cald.vs  —  monographia 
digníi  de  seu  illustrado  auctor,  pela  abundância  e  tídolidade  das  úteis 
informações  que  systematicamoute  registra,  como  pela  forma  attra- 
hente  e  correcta  que  imprimiu-lhe  a  penna  magistral  do  dr.  Pedro 
Sanches. 


198 


UICVISTA    DO 


Este  municipio,  quo  unicainente  coiriprolicndo  o  território  da  fro- 
guezia  e  lio.je  Vill.i  do  Poços  do  Caldas,  está  situado  ao  siidueste  do 
Estado  de  Minas,  ciilre  Cnldas,  Campestre,  S.  .losé  dos  Botelhos,  Ca- 
conde  (S.  Paulo),  Sapecado  (  S.  Paulo),  S.  .loão  da  Boa  Msta  (  S. 
I'auIo  )  ea  Villa  do  Caracol,  a  2  i;2  léguas  da  serra  limitroplie  coi)i  o 
E.  de  S.  Paulo  ;  a  área  da  Mlla,  gratuitamente  cedida  ao -antigo  go- 
verno da  Provinda  de  Minas  pelo  proprietário  Junqueira  e  sua  íamilia, 
no  dia  6  de  novembro  de  1872,  consta  de  UG  hectares  e  oito  décimos  de 
terreno.  As  divisas  do  districto  com  a  parochia  de  Caldas  começam 
na  barra  do  Ribeirão  das  Campinas  com  o  Rio  Pardo,  por  aquello 
acima  subindo  pelo  Córrego  do  Maribondo,  e  da  cabeceira  deste  em 
linha  recta  até  o  Rio  das  Antas  e  por  este  al)ai.xo  até  fazer  barra  com 
o  Rio  Pardo,  doudo  segue  rio  acima  até  a  barra  do  Ribeirão  das 
Campinas,  onde  as  divisastiveram  principio. 

«A  villa,  escreveu  o  dr.  Ezequiel  CoiTéa  dos  Santos,  está  assentada 
sobre  um  largo  vallo  formando  unui  área  de  terreno  perfeitamente 
plano,  circulado  por  uma  linha  de  morros,  em  geral  apenas  cobertos. 
de  relva,  entre  os  quiios  se  nota  uma  collina  pedregosa,  completamente 
despida  de  qualquer  vegetação,  de  cujo  cimo  se  divisam  para  todos 
os  lados  magnilicos  panoramas.  Do  lado  opposto  existe  uma  serra 
mais  elevada,  Serra  dos  Poços,  eni  cuja  base  se  vé  uma  bella  matta 
(  1).  O  terreno  sol)re  o  qual  assenta  a  povoação  é  cortado  por  um  pe- 
queno rio,  Ribeirão  dos  Poços,  que  corre  muito  próximo  ás  fontes  ther- 
maes,  quasi  encostado  a  cilas  e  em  cujo  seio  despejam  estas  constan- 
temente o  excesso  de  suas  aguas,  sempre  abundantes  ;  ha,  alem  deste, 
dous  outros,  o  Ribeirão  da  Serra  e  o  Córrego  do  Meio,  aílluentes  e  tri- 
butários d'aquel]e». 

Como  o  Riljeirão  dos  Poços  caho  no  Rio  das  Antas  e  este  no  Rio 
Pardo,  que  desagua  no  Rio  Grande,  podemos  dizer  que  esta  villa 
está  situada  no  Valle  do  Rio  Grande  e  na  Bacia  do  Rio  da  Prata. 

O  Ribeirão  de  Poços,  que  nasce  na  Serrados  Poços,  amais  de  duas 
léguas  do  património,  no  ponto  denominado  Teicceira, -percorre  toda 
a  arca  da  povoação  de  nascente  a  poente,  indo  encontrar  o  Rio  das 
Antas  apouca  distanciada  villa. 

A  Serra  de  Poços  é  um  galho  da  Serra  do  Caracol,  e  esta  pertence 
ao  systema  orographico  da  Mantiqueira. 


(  1  )  —  Esta  malta  (|uasi  (|uo  dosaijparcceu  hoje,  por  amor  do  niacliado  e 
do  íogo,  apezar  dos  nossos  mais  velieincidcs  prolestos.  Nunca  se  viu  maior 
dcspreso  pelos  conselhos  da  liygicno  I 


Aucmvo  ptnn.ico  ^rI^Emo 


líV.) 


A  poví);i(;ri(),  liojo  villii  do  IN)<,'Os  do  CaMiis,  coniC(;ou  om  margo  de 
1873,  epoclia  em  (luo  o  ongonliciro  lIoDorio  llonrique  Soares  du  Couto, 
por  ordem  do  cx-seuador  Joaquim  Floriauo  do  (íodoy,  então  pi-esidonte 
da  antiga  Proviucia  do  Minas,  dividiu  em  lotes  a  parto  do  património, 
(jue  foi  primitivamoiito  odilioada  ;  autos  do  so  executar  aquelle  ser- 
vido, su  existiam  a(|ui  quatro  casas  cobertas  do  tolha  :  quom  vinha 
usaras  aguas  tliormaes  ou  mandava  construir  ranclio  ou  ti'azia  l)ar- 
raca ;  disto  posso  dar  testemunho,  porque  me  mudei  para  Togos  na- 
quelle  anno. 

Ksta  povoarão  foi  elevada  a  districto  de  paz,  sob  o  nome  de  Fre- 
guezia  do  X.  S.  da  Saúde  das  .-l//im\  de  Caldas,  pela  Lei  n.  :í542  de  O 
de  dezembro  de  187U,  e  elevada  á  villa  em  18U0  pelo  então  governa- 
dor de  Minas  dr.  João  Pinheiro  da  Silva,  Os  intendentes  —  dr.  Os- 
caVo  Corrêa  Notto,  presidente,  coronel  Agostinho  José  da  Costa  Jun- 
([uoira,  capitão  Manoel  Junqueira,  Aureliano  de  Campos  Camargo  o 
António  Ferreira  Rodrigues  loram  nomeados  poi'  acto  de  li»  de  maio 
daquelle  anno  e  a  villa  installada  no  sol)rado  de  residência  do  cida- 
dão Francisco  Joaquim  Pinto,  no  dia  30  do  mesmo  mez. 

O  progresso  de  Pogos  de  Caldas,  que  se  pode  datar  do  dia  22  de 
outubro  de  188(),  porque  naquello  dia  so  inaugurou  o  Ramal  de  Cal- 
das, pertencente  á  Unha  Mogyan;i,  com  a  assistência  dos  Sobera- 
nos do  Brasil,  uaquolla  cpoclia,  tom  sido  extraordinário,  e,  podemos 
dizel-o,  em  inteira  contraposiç;ão  com  o  que  so  nota  nas  outras  povoa- 
ções do  sul  de  Minas. 

Querem  uma  prova  ? 

Ha  cinco  annos  que  o  auctor  desta  noticia,  fornecond(.  dados  ao, 
hoje,  illustro  director  desta  iíer<s/r?  e  do  Archivo  Publico  Mineiro,  para 
a  patriótica  obra  da  oonlecgão  da  Chorographi;i  Mineira,  deu  como 
existentes  nesta  villa,  282  casas  e  50  om  construcção,  20  ruas  e  uma 
praça  —  a  Praça  do  Senador  Godoy. 

Poisbení,  neste  curto  espaço  de  tempo  tudo  mudou:  temos  hoje 
em  Poços  õ41  casas  construídas,  53  quasi  concluídas  o  93  cm  começo 
de  construcção  ;  três  praças.  —  a  Praça  do  Senador  (lodoy — ,  a  Praça 
da  Independência  — ,  e  a  Praça  da  Columbi.i  — ,  ao  passo  que  as  ruas 
são  hoje    (27  de  junho  de  185)0)  28. 

Não  será  esto  progresso  verdadeiramente  americano? 

Corto  que  sim. 

E  note-se  :  entre  as  casas  construídas  em  Poços  ha  vivendas  de 
primeira  ordem,  com  agua,  exgottos  de  aguas  servidas  o  matérias 
lecaes,  banheiras,  chuveiros  e  latrinas  modei-nissimas  :  assim  as  resi- 
doncins  do  coronel  José  Procopio  de  .\zeved(t  So])rinho,  do  alfcM-os 
Clu'istiano  Osório  de  Oliveira,  do  liarão  de  Itacurussú,  ilo  Condo  de 
Pínlial,  do  Barão  de  Miranda,  do  deputado  Octaviano  Ferreira  de 
Uritto,  do  cidadão  Joaquim  José  de  Oliveira,  de  d.  Ignez  Hernardina 
da  Silva,  do  cidadão  Eduardo  Prates,  do  dr.  Pedro  Sanches  de  Lemos, 


), 


11 


200  REVISTA    DO 


do  coronel  Agostinho  José  da  Costa  Junqueira,  de  d.  Maria  do  Carmo 
de  Paula  Vianna  &  &.  Pode-se  dizer  que  não  ha  casa  nova  con- 
struída em  Poços  que  não  tenha  estes  melhoramentos,  que  se  notam 
em  qiiasi  todos  os  hotéis  da  localidade.  lia  mais  :  é  raro  encontrar- 
se  em  Pogos  uma  casa  que  não  tenha  agua  dentro,  e  como  a  agua  é 
aqui  abundante,  agua  da  Serra  e  hatida  pelo  ar,  dentro  de 
pouco  tempo  não  teremos  na  povoação  uma  habitação  que  não  seja 
perfeitamente  saneada,  mormente  porque  a  Camará  Municipal  trata 
com  serio  empenlio  de  estabelecer  quanto  antes  uma  rede  de  exgottos 
para  toda  a  Yilla,  a  qual  será  seguida  de  outras  medidas  de  sanea- 
mento geral  ;  destes  trabalhos  esta  encarregado  o  hábil  engenheiro 
dr.  Alexandre  Brodonslvi,  cujos  estudos  já  vam  adiantados. 

Mais  ainda. 

Calculando  que  cada  casa  em  Poços  custasse  o  preço  de  5:000.$000, 
o  que  alias  é  modestissimo,  porque  lia  aqui  ricas  ha])itações  (  e  o 
custo  das  edificações  é  caríssimo  ),  temos  que  o  capital  [aqui  immobi- 
lisado  em  construcções  orça,  digamal-o  assim,  por  3:500.$000.000. 

Não  será  isto  para  admirar  em  umn  povoação  do  sul  de  Minas, 
cujo  progresso  é  em  geral  de  uma  desanimadora  morosidade  ? 

Em  1891,  escrevendo  sobre  este  mesmo  assumpto,  avaliei  em 
2000  os  habitantes  dé  todo  o  districto.  Pois  bem  :  a  população  rixa 
da  villa  pode  ser  avaliada  lioje  em  3500  habitantes  e  a  do  districto 
todo  em  4000.    Já  não  será  isto  caminhar  para  a  frente  ? 

Mas  antes  de  proseguir,  devemos  dar  uma  deséripção  minuciosa 
das  ruas  de  Poços  de  Caldas,  as  quaes,  menos  duas,  as  do  Ipircuiga  e 
do  Yae  e  Volta,  tém  20  metros  de  largura,  sendo  todas  ellas  perfeita- 
mente orientadas  : 

Ruas    que  cori-em  de  N.    a    .S.  seguindo  a  contagem  de  E.  para  O  : 

Rua  Saldanlia  Marinlio   com 680  metros 

»    Marquez  do  Herval  com 1500  » 

»    Marquez  do  Paraná  com 1520  » 

»    da  Saúde  com 760  » 

»    Tiradentes  com 620  » 

»    do  Vae  e  Volta  com 380  » 

»    do  Ipi ranga  com 200  » 

»    do  Dr.  Broncski  com 100  » 

»    do  Collegio  com 1 80  » 

Mais  duas  ruas  sem  nome  — cada  uma  com 400  » 

Ruas  que  correm  de  E.  a  O.  seguindo  a  contagem  de  S.  para  o  N: 

Rua  Ferreira  Lage  com 300  metros 

»    do  Riacliuelo    com 460  » 

»    dos  Poços  com 460  » 

»    do  Itororó  com 460  » 

»    7  de    Setembro  com 460  » 

;>^    7  de  Março  com UOO  » 


AnCIflVO   PUlil.lCO  .MINKIUO  201 

Rua  Diroií.i  com 000    metros 

»    do  Humaylá  com 700        » 

»    (la   Frilcraçrio     com     660        » 

»    do  Ci'ii/.L'i ro   com 680        » 

»    da    Hòa  Vista  cum 510        » 

Na  pai-to  .S'd(»  Lado  Kiomo».  a  i'ua  dos  .luiiquoiras  com  1(»(»  meii'os 
e  mais  l  ruas  sciii  ikhiio,  as  ijiiaesj  ostam  sendo  prosentemeiíte  po- 
voadas. Ainda  na  parte  S  desta  villa  c  do  ladd  O  tomos  a  rna  da  l^s- 
ta(,'ão  com  :i()0  metros. 

A  l*i'aga  dn  Senador  (iod(ty  tem  dn  um  lado  u  comprimento  de  ;}80 
metros  e  do  outro  o  de  300  metros —  com  a  largura  unilurme  de  160 
metros. 

A  Prava  da  Independência  tem  140  metros  do  comprimento  por  100 
de  larfíura. 

A  Praga  da  CoIuml)ia.  tem  as  mesmas  dimensões  da  l'ra(;a  da  Inde- 
pendência. 

São  309  os  eleitores  lederaes  e  Sõô  os  eleitores  estaduaes  da  villa. 


O  movimento  da  exportação  pela  Estação  de  Caldas,  cujo  coniieci- 
mento  devo  a  ol)se(iuiosidade  do  sr.  clieCe  Luiz  Góes,  é  outra  prova 
evidente  do  nosso  progresso,  como  se  vae  ver  : 

Kolaçiio    «los  ^eiioroM    exportados   iia  Ksta<;ão    <le  ('aldas 

1S»5 


MEZES 


.laniiro. . . 
Fevoreiro. 

M;irco 

AbiH 

Mtio 

J    nlio 

JulÍKi 

A}íi>sli).  .. 
Set  'iid)ro. 
Outnliro. . 
Novoíniiro 
Dozeiid)ro 

Total 


r.AFK 


Kilos 


fir. 

70 

01 

115 

SI 

23 

17 

125 

182 

143 

14.') 

\:^2 


.776 

r)ti4 
:aò 

.1;>5 
.'.'10 
.261 
06.") 
.0.-)! 
.2X9 
.281 


l.245.83.'> 


mkhoauori.vs 


Tor.M, 


Kilos 

Kilos 

23.722 

89.408 

20.661 

01.437 

10.19.T 

110.044 

17.842 

16:{..")06 

19.614 

101.129 

20.7:50 

43.885 

8.188 

26.128 

12.387 

137.6.-)! 

11.007 

103.072 

10.338 

l.')4.2,s9 

:20.6:)3 

16').  922 

24.0.Í4 

176.335 

208.671 

1.454.506 

2fJ2 


REVISTA    DO 


Rrlação  «los  «leiíeritM  evp<»rta  lo»»  na  Estaçnu  fio  Caldas 

1896 


.MF7.es 

C.\FK 

ilERCADtini.VS 

TOTAL 

Kilos 

Kilos 

Kilos 

Jaueiro 

1Í5.090 
14S.7;iO 
()l.::x9 
:í0.775 
27.427 
12.000 

In.lCG 

15.314 

11.877 

4.044 

14n  256 

Fevereiro 

lf>7.7G3 

Março 

71  G72 

Aliril 

4G  089 

Maio 

38  S04 

Juulio 

IG  044 

Tola! 

-105.431 

G5.107 

470  628 

Estas  cargas  procedem  das  seguintes  freguezias  :Cabo  ^■erde  (café); 
S.  José  dos  Botelhos  (caro);  Caconde  (em  parte)  também  café;  Areado 
(café)  ;  Caklas  (queijos)  ;  Campestre  (queijos  e  toucinho)  :  Santo  An- 
tónio do  Machado  (cale  e  queijos)  ;  Po(;os  de  Caldas  (café,  queijos  e 
toucinho). 

O  movimento  da  importação,  que  procura  os  mesmos  centros  da 
exporta(,'ão,  é  como  abui.\o  se  segue: 

Relação  dos  géneros    importado.»    na   Estarão    de  Caldas 

]s9J 


MEZES 

AUROZ 

|iS:LC.in 

S.VL 

DIVERSOS 

TOTAL 

Kilos. 

Kilos 

Kilos 

Kilos 

K  i  los 

.l.inpiro 

35.100 
iG.OOj 
75.101' 
43.100 

21.  ih; 

24.090 
31.1(0 
38.35'i 
33.28G 
4G.951I 
21.00(1 
39.1(0 

79.553 
41.352 
90.333 
40. 4 -.'4 
()0.4(i  ' 
60.974 
10.040 
•22.833 
49.7G1 
24.(ifiO 
4-i.lO"» 
10.0.0 

Gn.394 
7.500 
2..9i0 
23.GOO 
0.53-.' 
40.10) 
38.940 
20.8.111 
70.99G 
80.49,1 
12.800 
30.100 

101.4  9 
114.200 
lõi  .1(10 
130.147 
170.357 
140,08o 
137.040 
1('0.140 
112.140 

i:;i;.o4o 

150.10  1 
91.010 

282  4CG 

Fevereiro 

1&9  1)52 

Marco  ■ 

344  43.; 

Abril   

237.271 

Maio 

2(;2  494 

.1 11 II  lio 

2(55  244 

.lullio 

217  V^O 

A"OSto 

18.    13^ 

Setfiiiliro 

2fG.l,S3 

Oiituliro 

2S7  iS40 

Noveiiiltro 

22t;  o,.o 

DtZeiíibrr 

179  3^0 

Total 

434.381 

431.381 

430. 15? 

1. '.•33.80.5 

2.039.275 

AUCHIVO  PlULiCO  .MINKlKu 


:>(»:{ 


ICeliiçãu  (loM    (jCiicc-OM  iiiijiortiidu»    nu   I-^sla«;iio  de   CaliluM 

l^a•. 


M!'./.i:-í 

aí;  HO/. 

ASÍllAll 

SAL 

niVEKSOS 

Ti)T\I. 

Kili.s 

Kilos 

Kilos 

Kil  s 

Kilus 

.l:iii;'iri) 

IVvi'ivini 

,M;i:C') 

Aliril 

Aluio  

■      4.'.  140 

.  47.0^:. 

4;>  21S 

20.  \m 

13.(»;l) 

ni;.7;ís 
i:».iui' 

0.732 

4;-i.C.I(: 

ni.s.v. 

2.1  HO 

ii.nx! 

ir>0..')03 
171.480 
l."iO.S3-< 
llO.dlMi 
15U.'100 

2:í3.515 
32;í.741 
271.040 
101.070 

r.ii.2uu 

Tolal  

101.G.S3 

i.'j.lii 

i' •?..::% 

:<57.227 

1  tsl  787 

N;k)  SC  iiiflue  íiqui   o  mez  de  jnulio,  porque  rulo  cslá  ainda  liquidado. 

Co;UO  era  ilo  prever,  o  numero  de  negociantes  existentes  em  Fo- 
>;os  acompanlui  este  grandi.'  movimento  comniercial. 

Temos  aqui  108  negociantes,  assim  distril)iiidos  :  nacionaes  —  64 
õxtrangeiros —  44  (1).  Temos  maia  cinco  harliciros,  cinco  padarias, 
cinco  açougues  e  três  pliarmacias.  Dus  a(;ougues  três  são  de  carne 
de  vaeca  e  doi.s  do  carne  do  porco  ;  nas  estações  balnearias,  cada 
;u;ougnô  abato  dois  !)ois  ou  dois  porcos  diariamente;  lóra  das  esia- 
(.'des  a  matanga  diária  é  de   um  boi  ou  de  um  porco. 

K  qual  será  a  razão  do  rapiílo  dosenvolviníonto  da  villa  de  Poros 
d<-  Cabias  í 

Será  porque  esta  povoação  é  um  i)onto  terminal  de  um  ramal  de 
estrada  de  Ibrro,  o  líanial  de  Cabias,  leito  exclusivamente,  seja  dito 
do  passagem,  á  custa  de  capitães  |)aulistas  ?  será  poríjue  este  clima, 
situado  acerca  do  1200  metros  acima  do  nivel  do  mar,  quasi  constan- 
temente varrido  pelos  vemos  do  iu)r/)estc  ou  do  sueste,  com  uma 
meiiia  de  temperatura  de  11  ,  com  unia  máxima  de  28  >»  e  com  uma 
minima  de  G -^  abaixo  de  zero,  rivaliza  com  os  melhores  do  mundo? 
será  portiuo  Tocos  de  Caldas  ê  a  sede  de  uma  imi)ortantissima  es- 
tancia de  aguas  tliermaes  sulfurosas,  cujo  debito  em  2 !  horas  è  de 
41Õ.S72  litros? 

Tudjj  isto  vale  muito  som  diiviíla  ;  mas  p;u'a  nós  outros  o  que 
valo  mais  é  a  vísinhança  de  S.  Paulo,  cujo  enorme  progresso  transbor- 
dou para  a(iui  :  os  Paulistas  lir.eram   do   Poços    a  sua  Petrópolis.   E' 


1}  Km  1801  havia  oiu  Po^os  10  ncgcciantos  brasileiros,  O  italianos  c  9   por 


tUgllC.''," 


204  REVISTA    DO 

certo  que  nada  disto  se  daria,  si  este  bello  torrão  de  Minas  nio  ti- 
vesse valor  próprio;  mas  seriamos  ingratos  si  desconhecêssemos  a 
grande  importância  que  os  Paulistas  uos  têm  dado,  por  amor  delles 
mesmos. 


A  renda  do  nosso  municipio,  para  1896,  Ibi  orçatla  em  40:U(X),$U0O. 
K'  uma  cifra  relativamente  baixa,  força  é  confessal-o;  mas  o  imposto 
tende  a  render  mais  e  lia  de  render. 

Como  quer  que  seja,  o  illustre  presidente  da  camará  municipal  de 
Poços,  dr.  José  Ignacio  de  Barros  Cobra,  apesar  de  mover-se  dentro 
de  escassos  recursos,  muito  ha  feito  em  nosso  beneficio,  já  aterrando 
as  ruas  e  praças,  já  levantando  empréstimos  para  o  serviço  de  aguas, 
de  exgottos  e  da  illuminaçflo  eléctrica,  sendo  que  este  ultimo  melho- 
ramento, contractado  com  o  liabil  e  prestimoso  oíTicial  de  marinha, 
tenente  Arthur  AíTonso  de  Barros  Cobra,  já  vai  em  começo  de  exe- 
cução. E  não  é  tudo  :  a  administração  municipal  em  Poços,  pois  o  dr. 
Barros  Cobra  é  presidente  da  camará  e  seu  agente  executivo,  é  um 
modelo   no  seu  género  e  desafia  toda  e  qualquer    competência. 


Situado  na  zona  do  campo,  o  districto  de  Poços,  como  de  razão, 
tem  ao  demais  bellas  mattas,  que  são  aproveitadas  para  o  cultivo  dos 
cereaes  e  o  plantio  do  café,  o  qual  vai  sendo  feito  em  larga  escala 
na  fazenda  do  Barreiro,  propriedade  do  coronel  Agostinho  José  da 
Costa  Junqueira,  que,  com  seus  filhos  e  genros,  já  colhem  boa  por- 
ção do  precioso  producto. 

As  mattas  do  districto  fornecem  estimadas  madeiras,  o  pinho,  o 
óleo  vermelho,  o  óleo  pardo,  o  pau-brasil,  a  peroba,  a  pereira,  o  ipé, 
o  jacarandá,  a  canjerana,  a  massaranduva,  o  dedal,  o  sassafraz,  o  ce- 
dro e  a  amoreira,  que  são  empregadas  na  construcção  das  casas  e  no 
t^brico  da  mobília,  pelos  marceneiros  e  constructores  allemães  f  ita- 
lianos, que  abundam  em  Poços  de  Caldas. 

Os  campos,  cobertos  de  capim  mimoso,  são  aproveitados  para  a 
criação  do  gado  e  a  exploração  da  lan  (em  pequena  escala), assim  como 
para  a  venda  do  leite  e  dos  lacticinios  ;  mas  os  campos  de  Poços  ser- 
vem perfeitamente  para  a  criação  dos  carneiros  Merinos,  que  fazem  a 
riqueza  do  Rio  da  Prata,  para  o  plantio  do  trigo,  que  é  uma  das  ri- 
quezas da  Rússia,  e  para  a  exjdoração  da  industria  vinhateira ;  aqui 
o  immigrante  se  pode  fixar,  porque  podemos  fornecer-lhe,  a  par  de 
um  clima  ameno,  carne,  pão  e  vinho.  Quanta  riqueza  desaproveitada 


ARCIIIVO  I'UHI,IC(»   MINKÍKO 


205 


Ainda  :  h;i  na  villa  grandos  quedas  (rafrua,  que  podem  mover  ma- 
cliinas  destinadas  ao  preparo  da  lan  o  da  seda,  asssim  como  ao  fa- 
hrico  dos  artefactos  cori'olatos.  E  tudo  jaz  para  alii,  desaproveitado 
e   som  destino! 

As  niatta-^  i\o  u\un\i''\\V\o,  rcrrddns  o  '•tr^ifirints,  ostao  para  (»s  cam- 
pos, iia.s  si'i<  lazcudas  do  distrift.o,  como!»  para  1.  Ha  ainda  aíjui 
llorostas  virjíons,  em  todas  as  fazendas,  (|ue  portencom  ao  coronel 
Ajíostinho  .losé  da  Costa  .iun(iueira,  ao  major  .lua(|uini  Candidct  da 
Custa  Junqueira,  ao  capitão  Manoel  .lun(|Uoira,  ao  cidadão  .Ioa(|UÍin 
Hornardos  Junqueira,  ao  cidadão  Antíuiio  do  Andrade  Junqueira  e  ao 
cidadão  Manoel  de  Andrade  Junqueira.  Antes  da  Repuldica,  se  vendia 
em  Poços  o  alqueire  de  campo  por  6()S0(X)  e  a  de  matto  entre  40;(XX) 
e  505000.  Hoje,  fazendeiro  alf^um  vende  terras,  porque  ninguém  quer 
trocar  o  que  tem  um  valor  leal  por  pedaços  de  papel,  que  pouco 
valem. 

Como  quer  que  seja,  vamos  em  proíiresso,  por  amor  do  iníluxo 
suggestivo  de  S.  Paulo. 

Na  fazenda  do  Barreiro,  graças  â  intervenção  do  dr.  Martinho  da 
Silva  Prado  Júnior,  ha  bois,  vaccas,  cavallos,  jumentos,  porcos,  car- 
neiros e  cabritos  de  superior  qualidade,  o  que  sem  duvida  muito 
tem  melhorado  a  nossa  ronceira  industria  pastoril.  Nas  fazendas  do 
município  empregão-se  o  arado,  as  machinas  de  debulhar  milho  e  de 
preparar  o  fubá,  assim  como  excellentes  engenhos  de  serra,  movidos 
a  vapor  ou  á  agua,  pai'a  o  beneticiamento  da    madeira. 

Infelizmente,  por  causa  da  escassez  do  braço,  o  cultivo  dos  ce- 
reaes  tende  a  diminuir;  todos  querem  plantar  e  colher  café. 

Os  trabalhadores  agrícolas  são  extrangeiros  em  geral,  principal- 
mente italianos;  elles  se  dedicam  ao  serviço  dos  cafezaes,  que  já  re- 
cebem plantados  pelos  trabalhadores  nacionaes;  mas  exploram  a  pe- 
quena lavoura,  cujos  géneros  são  consumido.^  no  mercado  de  Poços, 
fartamente  abastecido. 

Pela  formação  de  cada  alqueire  de  café,  com  75  X  75  braças,  o  fa- 
zendeiro paga  a  quantia  de  800"?000  annuaes  por  espaço  de  quatro  an- 
nos,  sendo  os  pagamentos  feitos  na    íorma   ajustada. 

O  que  é  certo  é  que  a  única  colonização  que  nos  convém  é  a  ita- 
liana, a  portuguezae  a  hespanhída,  porque  só  aquella  gente  tem  conr 
nosco  a  communidade  de  raça,  de  religião  e  de  hábitos  sociaes,  diver" 
siflcando  pouco  as  respectivas  linguas  ;  neste  particular  Oliveira  Mar- 
tins tem  carradas  do  i"azão  (O  Brazil  e  ax   Colo/iúis  Fortugnezftx). 

lnferir'-se-ha  daqui  quo  outras  colónias  extrangeiras  não  nos  pos- 
sam prestar  serviços?  Absolutamente  não. 

Basta  dizer  que  ha  aqui    em  i'oços  uma    chácara  modelo,    perten- 
cente a  allemães  (Das  klcine  Lnudgut  i\c  Carlos    Maynald  iSc  Comp.'),  a 
qual  se  recoinmenda  á  attenção  dos  visitantes  pela  sua    grande    área 
e  importantes  trabalhos,  referentes  ao  plantio  da  videira,  das  batata 
«das  hortaliças,  assim  como  pelos  serviços  de  apicultura. 


:20G 


uEvifiTA  no 


Em  Pogos  (lo  Caldas,  úcxcoptjru)  dos  dois  estabelecimentos  balnea- 
res —  o  Eslabclcc/inenlo  Velho  o  o  d(js  Macacos —  e  da  Capellado  Se- 
n)ior  Tiom  Jesus,  não  líMnos  ediiic.ios  ])iiblicoí;  Ijasta  dizer  que  a  Casa 
da  Camará,  iii^ovisorianicnte  assim  denominada,  ò  ])i'opriedade  do  ca- 
pitão ManoelJunq^i^eira,  que  a  cedeu  ã  Municipalidade  para  que  nella 
se  r.eíílisassem  ..a|s*sessões  da  Gamara  o  servisse  do  cadeia,  até  que  o 
n^nicipio  tivesse  recursos  para  edificar  prcdiu  ;ide(iuado  âquelles 
1ln.s. 

A  Capellado  Senhor  Bom  Jesus,  ediiicadaà  custa  dos  cslorços    dos 
prestimosos  cidadãos  António  Ferreira  Rodrigues,  José  Pinto    Barbosa 
e  tenente  coronel  Sebastião  Fernandes  Pereira,  os  dous  primeiros  in- 
felizmente Já  lallecidos,  ô  pequena  e  modesta;  mas  se  acha    perfeita-, 
mente  apparelliada. 

Os  dous  Estabelecimentos  Halneares,  cada  qual  guardando  a  forma 
de  uma  barca  da  Companhia  Feri-y,  só  facultam  presentemente  aos 
banhistas  o  uso  de  Ijanhos  de  agua  corrente  ou  dormente,  de  tempe- 
raturas diversas  :  o  velho  tem  59  banheiras,  26  do  primeira  classe  e  33 
de  segunda,  sendo  as  primeiras  de  cimento  o  as  segundas  do  cedro; 
o  novo,  o  dos  Macacos,  inaugurado  no  dia  27  de  fevereiro  do  cor- 
rente anno  (1890),  tem  24  banheiras,  11  de  primeira  classe  e  13  de  se- 
gunda. Asbanheiras  do  primeira  classe  são  de  azulejo,  perfeitamente 
trabalhadas,  as  de  segunda  classe  são  de  cedro,  mais  liem  feitas  do  que 
as  antigas;  o  antigo  estabelecimento,  inaugurado  a7  de  abril  de  1885, 
tem  dous  roservatori<is  de  pero])a,  cada  um  com  a  capacidade  de  20 
mil  litros,  destinados  a  recel)erem,  durante  a  noite,  a  agua  da  fonte 
dos  Macacos,  habilitando  assim  a  Empresa  Balnearia  a  fornecer  ba- 
nhos de  diversas  temperaturas;  o  velho  estabelecimento  tem  um  re- 
servatório de  cimento,  de  forma  ovolar,  de  uma  capacidade  de  42 
mil  litros,  porque  do  contrario  seria  impossível  darem-se  l)anhos,  por 
isso  que  a  fonte  dos  Macacos  só  tem  um  debito  de  128.100  litros  em 
24  horas, 

Sabe-se,  porem,  que  a.  Empreza  Balnearia  foi  encampada  pelo  Go- 
verno do  Estado  a  30  de  Março  deste  anno  e  arrendada  ao  auctor  des- 
ta noticia  pelo  prazo  de  22  annos.  Nos  termos  do  contracto  cele])rado 
com  o  Hoverno,  o  arrendatário  organizou  uma  sociedade  composta  dos 
Drs.  Antoni(»  de  Pádua  Assis  Rezende,  (íabriel  de  Oliveira  Santos 
e  .Mar(;al  José  dos  Santos,  sob  a  lirma  de  Rezende,  Santos  »k  Comp.-"^ 
da  qual  é  elle  simplesmente  sócio  eomnnuiditario,  com  o  íim  de  ex- 
plorar o  contracto  de  30  de  mari;o,  que  exige  serias  relbrmas  nos 
actuaes  estabelecimentos,  de  modo  que  sejam  elles  collucados  a  par 
dos  melhores  da  Europa.  O  actual  gerente  da  no\'a  sociedade,  Dr. 
António  de  Pádua  Assis  Rezende,  homem  activo,  trabalhador  e  intel- 
ligente,  está  á  testa  de  todos  os  servi(,'0s  de  rel'orma  dos  estabeleci- 
mentos e  do  Hotel  da  Empreza,  animado  da  melhor  vontade  e  cheio 
de  esperanças  de  ultimar  em  breve  a  sua  pesada    tareia. 


i 

1 


AHCIItVO  l'lIHI,lco  MINKIKO  :^(»7 


Tudo  leva  ii  rivr  (luc  dentro  do  poncu  tempo  osta  ostaucia  l>al- 
neariii  será  dotada  do  importantis.sinios  molliofaiiuMitos,  reclamados 
pela  sdioncia  e  pela  nossa  adiantada  civilizaí^ão. 


O  {írande  nojíocio  de  1'ovos  de  Caldas  è  a  exploi'a(;âo  do  hotel  o  de 
casas  para  alugar  aos  banhislas.  Assim,  temos  a(iui,  actualmente, 
15  liotcis  :  llolel  (ht  EntprczK,  Hotel  do  GícOo,  Clraiiflc  llotcl  do  Sid, 
Holrl  Sol  feriu  i,  llolel  Central,  Hotel  São  Prado  e  Rio,  Hotel  d(t  FMrelld  ^ 
Hotel  da  Aurora,  Reslauraate  da  Ualia,  Restaura  ide  Cairiljuldi,  Hotel 
do  Emijgdio,  Hotel  dos  Hanliistas,  Cafisi^io,  Restaurante  de  Roma  e  H<.- 
tcl  dos  Macacos;  outros,  porem,  estam  cm  construc(,âo.  O  numero  de 
casas  para  alugar  ó  assaz  avultado. 


Ha  aíjui  duas  aulas  publicas  de  primeiras  lettras,  a  do  1).  Idalina 
(iuilhermina  de  Andrade  para  o  sexo  íeniinino,  e  a  de  D.  Evangelina 
Mourão  para  os  dous  sexos,  mas  em  salas  separadas.  As  duas  aulas 
tèni  a   frequência  legal. 

Ha  Ires  collegios  exccllenies:  o  de  I).  Laudelina  Jcrocy  para  o  sexo 
íeminino;  o  coUogio  Rosa,  que  pode  receber  até  40  aluniiins  cse  acha 
bem  montado,  e  o  do  cidadão  Bento  Dias  Ferraz  de  Arruda  para  o 
sexo  masculino.  Todos  estes  estabelecimentos  são  muito  IVeqneiitados 
já  por  cau-^a  da  exctUencia  do  nosso  clima,  já  por  causa  da  proliciencia 
dos  seus  directores.  O  colIegioFerrazjà  passou  porgrandes  reformas  e 
mellioramontos,  de  modo  que  pôde  receber  llOalumnos.  O  collegio  Je- 
rocy,  que  já  comporta  50  alumnas,  vai  passar  por  transformações  que 
o  habilitem  a  receber  mais  disoipulas.  No  collegio  Feri'az  ensinam-se 
todas  as  matérias  exigidas  para  a  matricula  nos  cursos  superiores  e 
tambom  Historia  Natural,  Physica  e  Chimica.  No  collegio  .lerocy  lec- 
cionam-se  todas  as  matérias  estudadas  em  congéneres  esta!)elecimen- 
tos.  Vai  ser  também  installado,  brovemcnte,  o  collegio  Mourão,  em 
prédio  liom,  propriedade  do  sr.  Xandú.  Destina-se  ao  sexo  íeminino. 


Ha  em  Pogos  uma  typograpliia,  (jue  publica  a  Villa  de  Poços,  sob 
a  redacção  do  cidadão  Adolpho  (luimarães  Corrêa  :'a  publicação  é  se- 
manal. Antigamente,  sob  a  redacção  do  tenonte-coronel  João  Pereira 
Elias  Amarante,  se  publicou  aqui  o  Correio  de  Poços,  que  começou  a 
15  de  agosto  de  1880  e  parou  em  outubro  de  1892;  soguiu-se-lhe  en- 
tão a  Villa  de  Poços,  cuja  publicação  nunca  foi  regular. 


208 


REVISTA    DO 


Como  se  vé,  oní  que  pese  ao  nosso  progresso,  em  Poros  de  Caldas 
está  quasi  tudo  por  lazor :  não  tomos  ruas  e  pragas  que  prestem  ; 
nao  temos  serviro  de  auuas  e  de  exgottos;  não  temos  illuminação  pu- 
blica;  não  temos  editicios  públicos  sinão  em  projecto,  sendo  que  o 
nosso  Mercado,  aliás  lai-tamcnte  abastecido,  é  um  edifício  alpendrado, 
tosco,  pequeno,  im mundo  e  grotesco  ! 

Não  obstante  a  nossa  (alta  de  estlietica  e  de  hygiene,  vamos  vi- 
vendo monos  mal,  porque  este  clima,  que  é  excellente,  tem  uma 
atmospliera  rica  de  oxigénio,  o  qual  vai  queimando  os  detrictos  or- 
gânicos accumulados  na  superlicie  do  solo  ;  mas  dia  virá,  por  amor 
do  augmento  da  nossa  população,  que  o  gaz  vivificante  não  basta- 
ra mais  e  tremendas  epidemias  de  febre  typhoide  farão  aqui  a  sua 
appariçao,  si  não  tratarmos  de   sanear  já  e  já  esta  villa. 

E  este  estado  de  cousas  não  pode  continuar. 

Poços  de  Caldas  é  uma  estancia  balnearia  de  primeira  ordem,  fre- 
quentada annualmente  por  mais  de  2000  pessoas  e  aqui  tem  vindo 
parar  tudo  que  a  pátria  possue  de  mais  notável  na  politica,  na  scien- 
cia,  na  litteratura,  na  arte,  na  industria,  no  commercio  e  na  agri- 
cultura. 

E'  pois  necessário  que  a  nossa  terra  seja  digna  de  nós  e  digna  da- 
quelles  que  a  visitam  annualmente,  e  ella  não  o  será  emquanto  não 
tiver  hygiene,  isto  é,  asseio,  porque  a  limpeza  é  a  própria  civilisa- 
ção  ;  o  asseio  é  a  ordem,  o  inethodo,  a  economia,  a  belleza,  a  saúde, 
a  moralidade  e  os  bons  costumes. 

Felizmente  a  nossa  municipalidade,  que  está  sob  a  direcção  de  um 
homem  superior,  comprehende  tudo  isto  ejámetteu  mãos  á  obra,  de 
modo  que  esta  terra  seja  bella  e  seja  limpa,  livre  de  outras  molés- 
tias que  não  as  agudas  do  apparelho  respiratório,  as  quaes  sam 
próprias  dos  climas  de  altura  como  o  nosso. 

Ha  mais  :  ha  em  Poços  cinco  facultativos,  os  drs.  Francisco  de 
Faria  Lobato,  Augusto  de  Toledo  Mattos,  José  Caetano  de  Oliveira 
Guimarães,  David  Ottoni  e  o  auetor  desta  noticia,  e  todos  elles  se  in- 
teressam vivamente  por  esta  magna  questão,  sempre  dispostos  a  se- 
cundar os  esforços  da  municipalidade.  Ainda  bem  ! 


A  curiosidade  natural,  que  existe  na  povoação,  sam  as  fontes 
thermaes  e  sulfurosas,  as  qnaes  compõem  dous  grupos  hydrologicos  : 
o  de  Pedro  Botelho  e  o  dos    Macacos. 

Antigamente  as  fontes  thermaes  constituíam  barreiros  ou  bebedou- 
ros frequentados  pelos  animaes  do  sertão,  antas,  veados,  etc,  de  sorte 
que  não  é  para  admirar  que  os  caçadores  portuguezes,  nas  suas  ex- 
curções  venatorias,  viessem  ter   aos   Poços  por   alguns    dos  carreiros 


^K- 


AUCmVO   IMHI,IC()   MINKIIiO  '^(YJ 

í|ue  a  elles  conduziuni ;  e  a  aiialogi.i  entro  entre  estas  aj^uas  e  as  Cal- 
das de  Portugal  deu  necessariamente  origem  á  denominação  do  I*o«;08 
de  Caldas,  que  até  hoje  as  íbntes  conservam. 

Foi  daqui  o  nome  da  cidade  visinlia  e  o  do  seu  municipio.  (1) 

A  ellicacia  das  aguas  tiíermaos  de  Pogos  de  Caldas  na  cura  do 
rheumatismo  era  conhecida  muito  antes  do  1815,  pois  foi  naquolle 
anno  que  o  capitão  Joaquim  Bernardo  da  Costa,  pai  do  majjor  Joa- 
quim Bernardes  da  Costa  Junqueira  e  morador  na  Concei(;ão  do  Rio 
Verde,  distante  de  Poços  cerca  de  30  loguas,  vindo  passar  neste 
logar  a  sua  tei-ceira  estaçHo  balnearia,  tomou  a  resolução  de  íazer 
com  que  seus  lilhos  requeressem  diversas  sesmarias  nestas  para- 
gens ;  daqui  nasceu  a  actual  fazenda  do  Barreii'o,  que  consta  quasi 
toda  das  sesmarias  então  requeridas,  posteriormente  compradas 
a  seus  irmãos  peh»    major  Joaquim    Bernardes   da  Costa    Junqueira. 

Foi  o  conselheiro  1).  Manoel  do  Portugal  o  Castro,  governador  e 
capitão  general  da  capitania  de  Minas-deraes,  quem  concedeu,  no 
dia  23  de  julho  de  1819,  a  José  Bernardes  de  Costa  Junqueira  uma 
sesmaria  de  icma  légua  de  lerra  em  quadra  por  serem  camjKfs,  no. 
paragon  do  Pinhal,  no  xer Ião  que  fica  entre  a  serra  das  Caldas  e  o 
Rio  Pardo,  termo  da  villa  da  Campanha  da.  Princeza. 

A  sentença  civil  de  sesmaria  do  scsmeiro  José  Bernardes  da  Costa 
Junqueira,  no  logar  e  paragem  do  Pinhal,  freguezia  de  Nossa  Senhora 
do  Patrofinio  do  Rio  Verde  de  Caldas,  loi  dada,  depois  de  satisfeitos 
os  tramites  legaes,  pelo  dr.  Faustino  José  de  Azeredo,  juiz  das  ses- 
marias e  demarcações  da  Campanlia  da  Princeza,  no  dia  7  de  dezem- 
bro de  1820,  sendo  1.»  batallião  do  publico  judicial  e  notas— Manoel 
Lopes  de  Figueiredo. 

O  auto  de  posse  é  assim  concebido  :  «Anno  do  Nascimento  de  Nos- 
so Senhor  Jesus  Christo,  de  mil  oitocentos  o  vinte,  aos  trese  dias  do 
mez  de  novembro  do  dito  anno,  nestes  campos  das  Caldas  e  Ribeirão 
do  Pinhal  ou  das  Caldas,  freguezia  de  Nossa  Senhora  do  Patrocínio  do 
Rio  Verde  das  Caldas,  termo  da  villa  da  Campanha  da  Princeza,  Mi- 
nas e  comarca  do  Rio  das  Mortes,  e  dentro  das  terras  mencionadas 
na  carta  de  sesmaria  e  Mercê  feita  ao  sesmeiro  José  Bernardes  da 
Costa  Junqueira,  aonde  foi  vindo  o  dito  sesmeiro,  junto  com  o  dr. 
Faustino  José  de  Azeredo,  juiz  das  sesmarias  e  demarcações  da  mes- 
ma villa  da  Comp;mha  da  Princeza,  por  provisão  competente,  e  co- 
migo escrivão  do  seu  cargo,  adiante  nomeado,  ahi  sendo  .sol  fora  e 
dia  claro,  demos  posse  actual,  real  e  judicial  e  corporal  das  terras 
medidas  e  demarcadas,  constantes  do  auto  de  medição,  nestes  mes- 
mos autos  descripto,  ao  dito  sesmeiro  José  Bernardes  da  Costa  Jun- 
queira, quebrando  elle  ramos,    cavando    terr.i,    lançando-a    ao    ar,  o 


(D  A  froRiiezia  da  cidade  de  Caldas  foi  creada  pelo  alvará  de  27  de  março 
de  1813,  e  elevada  á  villa  pelo  ?;  1/  do  art.  Vda  Lei'n.|  134 de  1839;  teve  a  ca- 
Ihegoria  df  cidade  pelo  art.  l.*  da  Lei  n.  973  de  2  de  junho  de  1859. 


210 


REVISTA    DO 


olhando  para  a  extensão  das  terras  com  animo  de  tomar  posse  delias, 
em  cujo  auto  disse  cu  escrivão  três  vezes,  em  voz  alta,  clara  e  in- 
tcllifrivol,  que  se  liavia  quem  se  oppozesse  á  dita  posse  —  apparecesse, 
e  proferidas  estas  palavras,  e  íeitas  as  ceremonias  da  Lei,  não  houve 
opposição  alfruma;  em  vista  do  quo  houve  elle  ministro  por  empos- 
sado das  ditas  terras,  quanto  em  direito  se  requer,  ao  sesmeiro  dito 
José  bernardes  da  Costa  .lunqueirii,  o  que  tudo  presenciaram  as  tes- 
temunhas Manoel  Cardoso  da  Silva  e  Elias  José  Pereira;  e  para  constaj. 
fa(;o  este  auto,  em  que  todos  assignam,  o  dito  juiz,  o  procurador  do 
sesmeiro,  e  testemunhas  acima  referidas,  depois  de  lido  por  mim, 
Manoel  Lopes  de  Figueiredo,  primeiro  tabellião  do  publico,  judicial  e 
notas,  que  o  escrevi  e  assignei.  —  Dr.  Azeredo — Manoel  Lopes  de  Fi- 
gueiredo— José  Bernardes  da  Costa  Junqueira— Manoel  Cardoso  da 
Silva  e  Elias  José  Pereira.» 


São  quatro  as  fontes  minero-thermaes  que  existem  nos  Poços  de 
Caldas  :  Pedro  Botelho — 40  •,  AUu^iqiiinha  e  Chiqiiinha,  hoje  reunidas, 
— 44o;  'Mf (cacos — 37^  2;  na  nascente  a  temperatura  desta  fonte  é  de 
41  o  2. 

Não  se  pode  censurar  a  Eitipreza  Balnearia  por  haver  misturado 
a  segunda,  e  a  terceira  fontes  :  237'iino,  porque  entre  ellas  não  ha  dif- 
lerença  de  composição  chimica,  sendo  para  notar  que  a  tempei\\tura 
da  Mariquinha  na  nascente  é  de  44«,  e  a  da  Chiquinha  é  de  44c,  6; 
sicunão,  porque  até  1S77  as  duas  fontes  não  se  distinguiam,  ambas 
eram  usadas  sob  o  nome  de  i^/ar^■g^í^■>^/^«,  com  a  temperatura  de  44  .^; 

Naquelle  anno  o  sr.  Manoel  Franco  de  Araújo  Vianna,  de  Santos, 
lembrou-se  de  utilizar  uma  das  nascentes  da  Mariqvinlia  para  ba- 
nhos de  demora,  e  para  esse  flm  mandou  fazer  uma  banheira,  a  que 
deu  o  nome  de  Paulista. 

Em  1878  houve  uma  grande  enchente  do  Ribeirão  dos  Poços  e  a 
Paulista  foi  carregada  pela  enxurrada. 

Então  os  balneantes,  que  na  occasião  estavam  nos  Poços,  manda- 
ram fazer  outra  banheira  e  recebeu  ella  do  Barão  de  Campo  Mys- 
tico  o  nome  de  Chiquinha  ,  porque  se  veriíicou  então  que  as  diuis 
nascentes  eram  diversas,  por  causa  da  diflerença  da  temperatura  entre 
a  Mariquinha  e   a  Chiquinha. 

A  temperatura  das  fontes  pôde  ser  considerada  como  fixa,  e  isto 
está  de  accôrdo  com  o  que  diz  Ch.  Contejean  á  pag.  343  dos  seus 
Elementos  de  Geologia:  «  A  temperatuiva  é  constante  para  as  fontes 
quentes  ou  muito  quentes,  e  pouco  variável  para  as  outras. » 

Sabe-se  que  o  centro  da  terra  é  incandescente  e  que  o  calor  vai 
crescendo  um  grão  centigrado  por  25  metros,  à  medida  que  nos  adian- 
tamos na  profundidade  do  solo. 


ARCUIVO  PUnLICO  MINEIRO  Vil 

Portanto,  ii  temporatura  das  aguas  dos  l'oços  de  Caldas  depondo, 
coiiKt  a  d(>  toílas  as  ajíiias  liíerniaos,  da  inaini' mi  nifintr  prídiímlidadc 
oní  qiii^  nasLMMii,   »mii    rolarão  â  pyrosi)liora. 

No  dia  IG  do  outubro  do  iss;!  o  ilr,  Herculano  Nolloso  Ferreira 
Penna  niodiu  o  debito  das  fontes,  o  serviu-se  para  esse  lini  de  uma 
medida  do  U2  litros. 

A  fonte  dos  Macacos  encliou  a  medida  em  r,2",  o  Prrlvn  Bole- 
///o  em  (i'5S",  a   Ma riqi(i)> In/  oiw  1*1'.»",  a   Clià/u/aha  em   T-l^-i". 

Em  24  li.  o  del)ito  do  Bolei ho  ó  de  l:i(),'J4I  litros,  o  dos  Macacos  (■ 
de  128,100  litros,  o  da  Chiquinha  e  de  77,004  litros,  o  da  Mariquinha  ■ 

ò  de  72,804  litros,  o  debito  de  todas  as  fontes  em  24  li.  ò  de  415,872 
litros. 

Devo-se  ao  Dr.  João  Allredo  Corrêa  de  oliveira^  quando  ministro 
do  império,  o  conhecimento  da  analyse  (lualilativa  e  quantitativa  das 
aguas  tliermaes  dos  Poços  de  Caldas. 

A  commissão  medica  por  elle  nomeada, composta  dos  drs.  Ezequiel 
Corroa  dos  Santos,  Agostinho  José  de  Sousa  Lima  o  José  Borges  Ri- 
beiro da  Costa,  veiu  aos  Poços  no  anno  de  1874  e  apresentou  o  seu 
tra>»alho  no  anno  seguinte  a  O  de  fevereiro. 

Como  as  aguas  mineraes  de  Vizella,  em  Portugal,  cuja  analyse  foi 
feita  pelo  dr.  Agostinho  Vicente  Lourenço,  lente  de  chimica  da  Es- 
cola Polyteclinica  do  Lisljoa,  as  dos  Poços  do  Caldas  apresentam  uma 
composição  chimica  muito  análoga,  diversilicando  apenas  em  insigni- 
licantissimas  proporções  de  alguns  dos  seus  elementos  minoralisa- 
dores  mais  importantes. 

Portanto  só  transcreverei  para  aqui  a  analyse  da  fonte  dos  Maca- 
cos, at(''  porque  foi  a  iinica  analyse  interpretada  polo  illustrado  dr. 
Sousa  Fernandes,  de  saudosa  memoria. 

Agua  dos  Macacos: 

«  Agua  clara,  límpida,  transparente,  de  cheiro  e  sabor  hepático  e 
tocar  unctuoso.  Temperatura  do  41o,  tomada  n'agua  das  banheiras» 
e  42-2  na  do  poço  onde  está  a  nascente.  Densidade  O, (lOOíi  sob  a  pres- 
são do  06:?'"  e  tem  a  temperatura  de  22j.  Um  litro  d'agua  forneceu 
de  resíduo  lixo  0,0540,  constituído  pelos  princípios  seguintes  : 

Acido  sulfúrico 0,0.500 

Sílica ((,0200 

Acido  carbónico 0,220.'? 

Chloro 0,fK)42 

Cal 0,01 10 

Potassa <»,(»105 

Soda 0,207:5 

Matéria  orgânica  e  perdas 0/)191 

Magnesia  e  ferro  (vestígios) 

0,()540 


212  REVISTA    rx) 


«  Quanto  aoí!  gazes,  encontrou  a  commissão  10  o^,  6  por  litro,  ísoiulo 
os  mesmos  cias  outras  fontes  (azoto  e  liydrogeno  suHuretado)  c  o  fei- 
tio sulpliydrico  na  mesma  dose.  » 

A  analyse   interpretativa  é  esta,  para  um  kylojíramma  d'af3[ua  : 

GKAMMAS 

Sulpliato  de  potássio 0,0305 

Sulpliato  de  sódio 0,0756 

Chlorureto  de  sódio 0,0069 

Carbonato  de  cálcio 0,0195 

Carbonato  de  sódio .     0,4450 

Silicia 0,0200 

Acido  sulpliydrico 0,0027 

Azoto 0,0013 

Matéria  orgânica  e  perdas 0,0191 

Carbonato  de  magnesia vestígios 

Dito  ferroso * » 

Totalidade 0,6206 

Assim  as  aguas  thermaes  dos  Poços  de  Caldas,  descriptas  neste 
ti-abalho,  são  thermaes,  e  em  alto  grào,  pois  a  sua  temperatura  va- 
ria de  41  o  a  46  '5. 

Todas  ellas  são  fracamente  mineralisadas,  pois  a  mais  rica  em 
substancias  mineraes,  a  fonte  dos  Macacos,  só  fornece  por  litro  0,6540 
de  residuo  fixo. 

A  base  que  nellas  predomina  é  a  soda,  a  exemplo  das  sulfúreas 
.sódicas. 

Separam-se,  porem,  das  sulfúreas  sódicas  :  pela  ausência  do  sulfu- 
reto de  sódio  ;  pela  sua  inalterabilidade  ao  contacto  do  ar  ;  pela  pre- 
sença do  bydrogeno  sulphuretado  livre  desde  a  sua  sabida  do  solo, 
e  independentemente  da  acção  da  athmosphera. 

A  fama,  a  notoriedade  das  aguas  thermaes  dos  Poços  de  Caldas, 
dependem  de  três  circumstancias  :  —  a  presença  de  gaz  hydrogenio 
sulphuretado,  a  thermalidade  da  agua  e  a  alcalinidade  do  banho  ; 
mas  estas  três  circumstancias  de  nada  valeriam,  si  não  fosse  a  abun- 
dância das  fontes,  que  podem  prestar-se  a  todos  os  processos  balneo- 
therapicos,  augmentando  o  seu  valor  therapeutico  ;  o  estabelecimento 
balnear  dos  Poços  de  Caldas,  á  semelhança  do  de  Neris  (Allier),  do  de 
Aix  (Provença),  do  de  Aix  (Sabóia),  só  fornece  ao  balneante  banhos  de 
agua  corrente  e  dormente  ;  mas  como  o  de  Bagyières  de  Luchon  pôde 
fornecer  aos  doentes  banhos,  duches  geraes  e  locaes,  piscina  de  na- 
tação, pequenas  piscinas,  estufas,  inhalação,  humage  e  pulverisação. 

Actualmente,  fora  do  estabelecimento,  no  reservatório  de  Pedro 
Botelho,  os  doentes  podem  fazer  a  inhalação  dos  gazes  e  a   humagQ 


1 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  2V.i 


OU  respiração  dos  vaiores  da  agua,  e  brevemente,  dentro  do  Esta- 
belecimento, cm  banlioiras  do  primeiía  classe,  encontrarão  os  doen- 
tes estufas,  ([ue  proeuelierào  os  seus  Uns. 

Como  todo  banlio  thermal,  o  dos  Togos  do  Caldas  excita  a  super- 
íicie  da  pelle,  mas  é  uma  excitação  inteiramente  especial,  como  diz 
Durand-P^irdel  :  «  E'  esta  especialidade,  diz  elle,  que  determina  a 
conveniência  do  banho  salino  para  os  escrolulosos,  do  banho  sulfu- 
roso para  os  dartrosos,  do  banho  de  Ncris  ou  do  Widbad  para  os 
nevroputicos». 

E  é  esta  especialidade  de  acção,  dizemos  nós,  que  colloca  as  aguas 
thormaes  dos  Poços  de  Caldas,  no  terreno  clinico,  ao  mesmo  nivel 
do  grande  o  rico  gruiio  hydrologico  das  aguas  sulfurms  sódicas  de 
França,  cuja  riqueza  mineralógica  não  se  pôde  comparar  com  a  po- 
breza das  nossas  íbntes. 

E  para  explicar  esta  especialidade  de  acção  não  ha  a  appellar  para 
a  penetração  na  economia  dos  princípios  medicamentosos  do  banho, 
porque  está  hoje  demonstrado  que  a  ])elle  sã  os  não  absorve. 

Não  é  também  uma  questão  do  temperatura,  porque  n'este  caso 
os  banhos  de  Teixeira  <S:  Irmão  bastariam. 

Portanto,  força  ó  convir  que  a  theoria  therapeutica  da  balneação 
tliermal  nos  escapa  completamente  ;  estamos  reduzidos,  neste  parti- 
cular,   a  um  verdadoii'u  empirismo. 

«  Entretanto,  diz  Durand-Fardcl,  um  facto  de  observação,  recente- 
mente introduzido  na  sciencia,  e  de  que  a  pratica  começou  a  tirar 
algum  proveito,  põe-nos  talvez  no  caminho  de  uma  explicação:  quero 
fallar  da  motallotherapia. 

« Efleitos  physiologicos  incontestáveis  resultam  do  contacto  de 
uma  superíicic  metálica  com  a  pelle  revestida  da  sua  epiderme.  Ac- 
ções therapeuticas  sensíveis  tem  resultado  deste  facto.  A  relação  des- 
tes phenomenos  com  os  que  determina  a  applicação  da  electricidade 
foram  estudados.  Não  é  permittido,  no  momento  em  que  escrevo  es- 
tas linhas,  tirar  conclusOes  e  fazer  applicaçGes  determinadas  de  phe- 
nomenos ha  pouco  veriíicados  e  cuja  critica  está  apenas  esboçada. 

«  Não  se  pôde  negar  entretanto  que  a  applicação,  sobre  a  pelle, 
de  uma  superlicie  metálica  dá  logar  a  plienomenos  reflexos  em  rela- 
ção do  especialidade  com  o  metal  empregado.  Portanto  não  é  illo- 
gico  pensar  que  os  principio»  metálicos  ou  outros,  contidos  numa 
agua  minorai  poderiam  determinar,  por  sou  contacto  com  a  pelle, 
elVeitos  physiologicos  e  curativos  de  uma  ordem  igualmente  especial. 

«  Isto  não  passa  de  uma  hypotheso,  ã  qual  vem  juntar-se  o  cara- 
cter hypothetico  da  constituição  das  aguas  mineraes,  tanto  no  ponto 
do  vista  dos  princípios  mineralisadoi-es,  cuja  existência  ainda  não  se 
]>òdo  revelar  nellas,  como  das  condições  estranhas  á  sua  composição 
analytica,  e  que  assim  não  foram  delinidas». 

A.  r.-2 


214  REVISTA    DO 

A  estação  balnearia  dura  em  geral  de  25  a  30  dias,  e  são  duas  as 
epochas  do  anno  escolhidas  para  estada  nos  Poços  de  Caldas  :  Março, 
Abril  e  Maio  ;  Agosto,  Setembro  e  Outubro. 

Hoje,  por  causa  das  accomniodações  que  se  enccjutrani  aqui,  po- 
de-se  fazer  estação  balnearia  em  qualquer  tempo. 

As  nossas  aguas  convém  principalmente  às  moléstias  clironicas, 
cujo  lundo  é  de  ordinário  constituído  por  alguma  das  três  diatbeses, 
de  que  pode  a  economia  ser  presa  :  a  escrofulose,  a  arthrites  e  o  licr- 
petismo. 

Cura-se  aqui  o  rlieumatismo   clironico  ã  fi-igore. 

Melhora-se  o  estado  geral  e  pôde  liaver  parada  do  processo  mór- 
bido no  rlieumathismo  articular  chronico  progressivo,  no  rheuma- 
tismo  chronico  parcial,  nas  nodosidades  do  Heberden. 

Cura-se  nos  Poços  a  bronchite  chronica,  e  modilica-se  o  catharro 
pulmonar  dependente  de  lesão  no  centro  circulatório. 

As  aguas  convêm  sempre  ás  dermatoses,  quer  se  trate  de  herpeti- 
des,  escroíulides  e  arthcitides  ;  fazem  sempre  bem  nos  engorgitamen- 
tos  chronicos  do  útero  e  dos  ovários  ;  curam  as  coryzas  chronicas  e 
as  rhinites  ulcerosas  ;  e  aproveitam  muito  na  cystite  chronica,  na 
blenorrhéa,  naleuchorréa,  nas  anginas  e  laryngites  chronicas. 

Achorréa,  a  escrófula  e  aasthma  ièm  perfeita  relação  com  as  nos- 
sas aguas. 

As  paralysias  funccionaes  curam-se  aqui  ;  as  orgânicas  moditi- 
cam-se. 

Na  syphilis,  quando  se  lança  mão  da  medicação  apropriada,  a  ac- 
ção das  aguas  é   evidente. 

.    Os  asthmaticos  e  os  diabéticos  dão-se  sempre   bem    nos   Poços    de 
Caldas. 

As  ulceras,  seja  qual  fòr  o  seu  fundo,  tendem  á  cicatrização  sob  a 
acção  das  nossas  aguas. 

Como  se  vé  acontecer  nas  outras  estancias  balnearias  da  mesma 
natureza  que  a  nossa,  o  banho  thermal  aqui  é  contra-indicado  aos  car- 
díacos, na  pliase  asystolica,  e  aos  quejá  soíTreram  insultos  cerebraes, 
seja  qual  fòr  a  sua  forma. 

São  estas  as  principaes  indicações  therapeuticns  das  aguas  ther- 
maes  dos  Poços  de  Caldas^  que  colhemos  durante  vinte  e  três  annos 
de  pratica  medica  nesta  localidade  ;  ha,  porém,  uma  ultima,  e  para 
ella  chamamos  a  attenção  dos  nossos  collegas. 

A  estancia  balnearia  dos  Poços  de  Caldas  não  convém  unicamente 
aos  doentes,  cujas  moléstias  tém  relações  therapeuticas  com  estas 
aguas  ;  deve  também  ser  considerada  como  elemento  hygienico,  como 
meio  de  conservar  a  saúde  e  prolongaria  existência,  e  pelas  seguintes 
razões. 

A  boa  execução  das  funcções  da  pelle  é  uma  condição  necessária 
cio  equilíbrio  orgânico.    Aqui  nos  Poços  goza-se  de  excellente  clima, 


AKCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  215 

^'espira-so  o  ar  puríssimo  do  campo,  acerca  de  1.200  metros  acima  do 
nivel  do  mar,  o  solo  é  enxuto  e  desprovido  de  pântanos,  e  si  a  estas 
circumstancias  Juntarmos  a  acção  de  um  hanhci  alcalino  e  sulfuroso, 
excitante  das  ruuci;ues  da  pello,  que  sobre  ser  agradável  restitue  ao 
tegumentít  externo  todos  os  seus  caracteres  physiologicos,  nSo  sa- 
bemos que  haja  outro  logar  melhor  apparelhado  pela  natureza  do 
que  os  Pogos  de  Caldas  para  passar-se  o  verílo,readquirirem-se  forças 
o  lazer-se  provisão    de  saúde. 

Uma  questão  merece  ser  ventilada  nesta  rajjida  noticia :  a  da 
pretendida  allcração  das  aguas  sulfurosas  de  Poços  de  Caldas,  por 
causa  do  seu  encanamento  desde  a  nascente  ató  o  Estabelecimento 
Balnear. 

Muita  gente  acredita  que  as  nossas  fontes  thermaes,  mormente  a 
dos  Macacos,  cuja  nascente  ilista  do  Estabelecimento  mais  de  500 
metros,  acham-se  alteradas,  poniuc  a  sua  temperatura  baixou  e  de 
quando  em  vez  entram  nas  banheiras  fragmentos  de  uma  substancia, 
que  com  iusta  razão  o  povo  compara  â  nata  da  cangica.  «São  os 
saes  que  se  depositam  nos  encanamentos,  diz  olle,  alterando  profun- 
damente a  constituição  chimica  das  fontes. » 

A  esta  accusação  responde^  vic*oriosamente  a  analyse  chimica  fei- 
ta pelo  dr.  Souza  Lima,  a  qual  demonstrou  que  a  agua  não  se  altera 
no  seu  percurso,  e  esta  demonstração  é  peremptória,  porque  a  prova 
experimental  se  impõe  com  toda  a  brutalidade  das  exigências  lógicas. 

Como  quer  que  seja,  vem  aqui  de  molde  algumas  considerações  a 
respeito. 

Em  relação  ás  fontes  Pedro  Bnlelho  e  Mariquinha,  a  accusação  da 
baixa  de  temperatura  não  colhe,  porque  ella  não  variou  sensivelmen- 
te por  causa  do  trajecto  da  agua  das  fontes  atravez  dos  encíinamen- 
tos. 

Resta  a  fonte  dos  Macacos,  cuja  temperatura  é  de  37c  2,  correndo 
II  agua  do  encanamento  para  a  banheira  n.  4  de  primeira  classe. 

Damos,  porém,  de  barato,  por  amor  á  argumentação,  que  os  en- 
canamentos houvessem  abaixado  de  alguns  grãos  a  temperatura  de 
todas  as  fontes. 

A  que  montaria  isso  ? 

A  temperatura  das  aguas  mineraes  não  é  uma  virtude,  mas  uma 
qualidade,  que  nellas  pôde  ser  augmentada  ou  diminuída,  conforme 
as  exigências  balneotlierapic;». 

«Certas  aguas  sulfuntsas,  diz  Sénac-Lagrange,  Estudos  sobre  Cau- 
terets,  pag.  167,  surgem  do  seu  ponto  de  emergência  em  um  grão  in- 
sulticiente  para  serem  administradas  em  banhos,  em  duches.  Para 
uccommodal-as  a  estes  usos,  é  costume  aquecel-as  artificialmente  ». 

Sendo  assim,  como  se  poderá  acreditar  que  a  temperatura  dominu 
a  acção  do  bunho  mineral  V 


I 


216  REVISTA    DO 

E'  O  caso  de  repetir :  —  si  fosse  assiiyi,  o  banho  sulfuroso  de  Tei- 
xeira &  Irmão,  cuja  temperatura  pòde-se  variar  á  vontade,  bastaria 
aos  usos  balneários,  não  liavoria  necessidade  de  vir  a  Poços  de 
Caldas. 

Mas  podemos  cerrar  a  questão  mais  do  perto. 

A  fonte  dos  Macacos,  cuja  temperatura  primitiva  é  de  41  c  2,  che- 
ga ao  Estabelecimento  com  37  c  2,  perdendo  por  consequência  4  grãos 
centígrados,  durante  o  seu  trajecto  atravez  do  encanamento  que  se 
desdobra  por  mais  de  quinhentos  metros. 

Será  novo  o  facto  ? 

Envolverá  oUe  mais  um  capitulo  de  accusação  contra  a  Empreza 
Balnearia  de  Poços  do  Caldas  ? 

Não. 

vSô  os  que  ignoram  os  mais  rudimentares  principies  de  liydrologia 
medica  poderão  v.ílirmal-o. 

E  se  não,  leia-se  : 

«A  distancia  a  percorrer,  diz  Sénac-Lagrange,  ol).  cit.  pag.  167,  é 
ás  Tezes  considerável  para  uma  agua  quente :  a  fonte  dos  Ovos,  em 
Cauterets,  percorre  um  espaço  que  não  attingem  as  aguas  quentes 
em  geral,  pouco  mais  ou  menos  2  hilonietros  e  meio.  Durante  este 
longo  trajecto,  ella  perde  perto  de  O  grãos  e  chega  a  uma  temperatu- 
ra que  necessita  a  sua  mistura  com  a  agua  fria  para  uso  dos  banhos. 
Além  dos  conductos  de  Manilha,,  maus  conductores  do  calórico,  a  fon- 
te é  ainda  protegida  por  uma  espessa  parede  do  pedra  ». 

A'  vista  disto,  como  se  poderá  censurar  a  Empreza  por  ter  encana- 
do as  aguas  dos  Macacos  á  uma  distancia  de  quinhentos  metros  de 
sua  nascente,  guardando  no  respectivo  encanamento  os  mesmos  pre- 
ceitos observados  na  celebre  estancia  balnearia  de  Cauterets? 

Acaso  não  disporá  o  Estabelecimento  do  banho  de  41c  2,  como  é  o 
banho  dos  Macacos  na  sua   nascente? 

Pois  a  composição  ehimica  das  fontes  dos  Poços  não  será  idêntica, 
variando  somente  a  temperatura? 

E  chegando  a  agua. dos  Macacos  ás  banheiras  com  37c  2,  não  se 
aproximará  cila  mais  da  temperatura  de  36c,  a  qual  deve  ser  o  ideal 
para  o  l)anho  thermal,  na  plirase  de  DuraiuWardel  ? 

]SIas  a  agua  dos  Macacos,  dizem,  perde  saes  atravez  do  encanamen- 
to, e  isto  altera  a  composição  do  banlio. 

E'  outra  inverdade  e  outra  censura  infundada. 

Em  primeiro  logar,  a  analyse  cliimica  derruiu  pela  base  esta 
asserção,  como  peremptoriamente  o  demonstra  o  relatório  do  nosso 
illustrado  mestre  e  amigo,  dr.  Souza  Lima. 

Em  segundo  logar,  a  fonto  dos  Macacos  não  deposita  saes  atravez 
do  encanamento;  mas  sim  a  matéria  orgânica  que  se  acha  em  sus- 
pensão na  agua,  a  «lual  é  conhecida  pelo  nome  de  glerina. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  217 

O  que  õ  vord.ulo,  poróni,  è  ((uo  n  rjlrriíut  iiuo  se  deposita  iliari.i- 
iiieiitu  no  oncaiiaineiito  dos  Macacos ;  inuití)S  dias  se  passam  sem 
que  o  phonomono  seja  observado. 

Seja  como  fôr,  o  lacto  nada  tem  de  extraordinário,  e  não  pôde  ser 
levado  á  conta  de  erro  da  Emproza  lialneari.i,  poniuo  ollo  se  observa 
mais  ou  menos  jios  encanamentos  das  aguas  sulpliurosas  om  todos 
os  pontos  da  terra,  desde  que  o  mundo  existe. 

«As  ajíuas  sulpliurosas,  diz  SèndoLiiorauria,  ob.  cit.,  pag.  lõl,  le- 
vam com  ellas  e  depositam  no  seu  perciimo  uma  matéria  fíclatinosa, 
que  possuo  ás  vezes  os  caracteres  de  um  vegetal  bom  determinado.» 

lista  matéria  pôde  i|:or  orgânica  ou  organisada:  no  primeiro  caso, 
temos  a  barcgina,  que  existe  sempre  em  dissolução,  ou  i\  fjlerinn ,  (\\\q 
se  encontra  em  suspensão;  no  segundo  caso  temos  a  sulplinrarid, 
sultstancia  lundamontal,  verdadeira  conserva,  que  podo  existir  em 
liVierdade,  ou  envolvida  na  fjleriíui. 

Mais  ainda  ! 

«  Nos  conductos  e  reservatórios  das  aguas  sulpliurosas,  diz  Sénac- 
Lagrange,  ob.  cit.  pag.  1.5.3,  depõe-se  de  ordinário  uma  matéria  bran- 
co-encardida,  de  apparoncia  gelatinosa,  translúcida  ou  opaca  por 
causa  da  mistura  com  substancias  estranhas,  macias  o  onctuosas  ao 
tocar.    Esta  substancia  recebeu  o  nome  de  (jleriíui.» 

Si  o  lacto,  portanto,  do  deposito  da  matéria  orgânica  no  encana- 
mento dos  y\acacos  é  observado  sempre  que  se  beneficiam  as  aguas 
ulíurosas  ;  porque  razão  se  ha  de  incriminar  a  Empreza  por  elle, 
quando  é  certo  que  cila,  tornando  impermeável  o  encanamento  e 
procurando  proporcionar  o  debito  da  fonte  á  capacidade  dos  tubos 
de  INIanilha,  fez  o  que  a  sciencia  aconselha  para  prevenir  a  precipita- 
ção da  glerina  ? 


Já  desappareceramjna  voragem  mysteriosa  da  morte  notáveis  ci- 
cadãos,  habitantes  desta  freguezia,  cujos  nomes  devem  ser  lem- 
brados e  cujas  qualidades  devem  ser  salientadas,  embora  rapi- 
damente. 

« 

A  7  de  maio  de  187G  íaileceu,  na  sua  lazenda  do  Barreiro,  o  major 
Joaquim  Bernardo  da  Costa  Junqueira,  prestimoso  cidadão,  que  ce- 
deu ao  governo  de  Minas,  no  dia  G  de  novembro  de  1872,  gratuita- 
mente, as  fontes  thermaes  de  Poços  de  Caldas  e  os  92  hectares  e 
oito  décimos  de  terra,  que  constituem  o  património  desta  villa  ;  os 
membros  de  sua  lamilia,  que  acompanharam  o  honrado  velho  nesta 
doação  foram  os  seguintes  :  capitão  José  Bernardes  da  Costa  Jun- 
queira e  sua  mulasr  d.  Anna  Flausina  da  Costa,  o  capitão  [José 
Osório  de  Oliveira  e  sia  mulher   d.    Anna  Cândida,  de  Oliveira  Jun- 


218  UEVISTA    DO 

queira,  Agostinho  .losò  da  Costa  Junqueira  e  sua  mulher  d.  Isaura 
Claudina  Affonso  Junqueira,  e  Joaquim  Cândido  da  Costa  Junqueira  e 
sua  mulher  d.  Maria  Luiza  de  Oliveira  ;  representou  o  jxoverno  de 
Minas,  naquelle  dia,  o  advoíj;ado  procurador  tiscal  da  Thesouraria 
Provincial  António  Luiz  Maria  Soares  de  Albergaria.  O  major  Joaquim 
Bernardes  da  Costa  Junqueira  morreu  aos  83  finnos  deidade,  chorado 
pelos  seus  e  respeitado  por  todos  quantos  o  conheceram,  tão  severos 
eram  os  seus  princípios  e  tão  imaculado  eri  o  seu    caracter. 

No  dia  5  de  setembro  de  1875,  na  idade  de  (58  annos,  íalleceu  na 
sua  fazenda  do  Sellado  o  prestante  cidadão,  coronel  Manoel  Ro- 
drigues da  Costa,  notável  pela  sua  lúcida  intelligencia,  attenciosas 
maneiras  e  perfeito  equilibrio  moral,  cuja  morte  é  até  hoje  sentida 
e  chorada,  por  causa  dos  serviços  que  elle  prestou  e  ainda  podia 
prestar  a  Poços  de  Caldas. 

Mas  a  grande  perda  para  Poços  de  Caldas  foi  a  do  dr.  Pedro 
Aflfonso  Junqueira,  lilho  do  coronel  Agostinho  José  da  Costa  Jun- 
queira, fallecido  a  2  de  março  deste  anno,  na  idade  de  25  annos,  elle 
uma  das  glorias  da  Escola  de  Minas,  cujo  curso  percorreu  até  o  fim 
do  5.*  anno — com  o  maior  brilliantismo  e  superior  talento.  Elle 
morreu  chorado  pelos  seus,  pranteado  pelos  numerosos  amigos  de 
sua  família  e  nunca  será  esquecida  a  sua  memoria  pelo  povo  de 
Poços  de   Caldas. 

E  a  melhor  prova  do  valor  intellectual  do  dr.  Pedro  Affonso  Jun- 
queira está  no  offlcio,  que  se  vae  ler,  dirigido  ao  seu  inconsolável 
pai  pelo  illustre  director  da  Escola  de  Minas  : 

«Escola  do  Minas  de  Ouro  Preto,  em  18  de  março  de  1896. —  Te- 
nho ahonra  de  levar  ao  vosso  conhecimento  que  a  Congregação  desta 
Escola,  em  sua  reunião  de  13  do  corrente,  deliberou  unanimemente 
inserir  na  acta,  um  voto  de  pezar  pelo  fallecimento  do  ex-alumno 
desta  Escola  Pedro  Junqueira,  tão  cedo  arrebatado  á  Pátria  que  delle 
muito  esperava,  ao  seio  de  sua  familia,  aos  amigos  e  coUegas. 

Fazendo-vos  esta  communicação  em  nome  da  congregação,  com 
ella  apresentamos  sentidas  condolências  a  toda  a  illustre  familia 
Junqueira.  —  Saúde  e  fraternidade. 

lllm.°  sr.  Agostinho  Junqueira. 

Archias  Medrado,  Director  da  Escola  ». 
A'  beira  da  sepultura  do  dr.  Pedro  Junqueira,  o  auctor  desta    no- 
ticia proferiu  o  seguinte  discurso,  que  resume  a  dolorosa    impressão 
do  angustioso  momento : 

«  Senhores  : 

Nós  outros  que  representamos  actualmente  o  nosso  papel  neste 
cantinho  do  planeta,  que  se  chama  —  Poços  de  Caldas  —  não  somos 
filhos  desta  terra,  á  parte  uma  ou  outra  excepção.  O  dominio  de 
Poços  pelos  filhos  de  Poços  ha  de  começar  na  próxima  geração  e  na- 
quellas  que  se  lhe  seguirem. 


ARcmvo  rniu.ico  minriuo  219 


I 


K  è  justMinont.fi  sob  osto  ponto  do  vista  quo  a  morto  do  dr.  Pedro 
AlVonso  .luiiquoira,  i-ujo  cadavorjaz  extcndido  doaiito  do  nós,  so  tor- 
na mais  pi'()lundaniente  lainontavel,  porque  elle,  sobre  ser  o  typo 
do  infellcaliuil,  era  lillio  deste  districto,  que  tudo  tinha  a  esperar  do 
sua  notável  porsomilidado.     Sim  I  —  purqiio  o  dr.    Pedro   Junqueira  i 

possuia  muitos  dos  attrituitos  da  prando/a  :  —  brilhantes  talentos, 
vasta  illustrac;ão,  admiravíd  Ixnn  senso,  vista  chira  e  perfeita  da 
realidade,  e,  o  (|uo  mais  ò  —  a  paixão  irresistível  por  tudo  aquillo 
que  era  bom,  verdadeiro  e  bello,  isto  ó,  por  tudo  aquillo  que  perten- 
cia nos  domínios  puros  e  serenos  do  Ideal. 

A  estos  iittributos,  como  do  razão,  devia  corresponder  uma  orpa- 
iiiza(,'ão  pliilosopliica  tão  noljre  u  tão  olovada  como  ollos,  e  ou,  que 
fui  o  seu  mais  intimo  conlidonte  e  recolhi  todos  os  seus  mais  se- 
cretos pensamentos,  posso  dizel-o  com  perfeito  conhecimento  d© 
causa. 

O  dr.  Pedro  AÍTonso  Junqueira  pertencia  á  eschola  plillosophica 
que  tem  por  princípios  fiindamentaos  o  culto  do  ideal,  a  negação 
do  sobre  natural  o  a  procura  experimental  da  realidade.  Esta  phi- 
losophia,  a  Idealista,  só  admitte  duas  certezas  theologlcas  attestadas 
pela  observação  :  uma  vez  exceptuadas  ellas,  tudo  o  mais  se  re- 
sume em  probíihil idades  ou  so/iJios  ao  sabor  do  primeiro  subjectivista 
queapparoça.  —  A'  primeira  certeza  theologica  que  o  idealismo  expe- 
rimental allirma  ó  que  «o  Unlveaso  é  governado  por  leis  fixas.  In- 
variáveis, im mutáveis,  brutaes  ás  vezes  nas  suas  manifestações  » — 
o  Universo  é  o  numero,  o  peso,  e  a"  medida ;  nclle  tudo  se  submette 
ás  leis  da  esthetica.  e  da  eurliythmia,  linje  como  liontem,  amanhan 
como  sempre. 

O  idealismo  entende  que  Deus  não  actua  por  vontades  particula- 
res, como  dizia  Malebranche  ;  e  este  facto  só  pôde  ser  contestado  por 
aquelles  que  não  se  acham  liliados  ao  methodo  experimental,  que  fez 
as  sciencias,  que  fez  a  civilização,"  que  operou  todas  as  maravilhas 
que  a  humanidade  ha  um  século  contempla  no  planeta. 

E  slnão,  vejamos. 

—  SI  Deus  influísse  directamenfe  no  tecido  das  coisas  humanas, 
nenhuma  occasiao  melhor  se  lhe  ofl'ereceria  para  agir  do  que  ampa- 
rando a  innocencia  ou  defendendo  uma  causa  ju^ta.  Ora  —  isto, 
absolutamente  nunca  se  realizou  :  —  a  historia  da  humanidade  é 
uma  teia  de  immoralidades  e  de  Injustiças.  —  Si  Deus  influísse  dire- 
tamente  nas  coisas  do  planeta,,  o  dr.  Pedro  AÍTonso  Junquei  ranão 
morreria  no  verdor  dos  annos,  cheio  de  talento  e  replecto  de  aspira- 
ções, querendo  e  podendo  prestar  aos  seus,  á  sua  terra  e  á  sua  pá- 
tria, relevantistimos  serviços...  Deram-lhe  ávida  sem  que  elle  a 
pedisse  e  o  arrancaram  do  mundo  violentando  a  sua  vontade,  uma 
vontade  boa  e  sò  inclinada  ás  grandes  coisas  e  aos  grandes  acon- 
tecimentos. 


220  HEVISTA    DO 

Nao  !  Deus  níto  actua  por  vontades  particulares  :  —  o  dr.  Pedro 
Junqueira  morreu  victima  do  hacillo  de  Koch,  e  um  bom  physico  ja- 
mais se  deve  revoltar  contra  a  natureza. ..  K  loi  o  que  fez  o  illustre 
moço  —  tão  resignado,  tão  paciente  perante  as  brutalidades  da  sua 
doença  ! 

Neste  planeta  não  ha  actos  volitivos  si  não  partidos    do   homem  ; 

—  e  aprova  de  que  um  ser  qualquer  outro  que  não  o  homem,  liaja 
manifestado  na  terra  a  interferência  da  sua  vontade,  deixando-nos 
vestígios  da  sua  passagem  —  jamais  nos  foi  dada  materialmente,  de 
modo  que  os  habitantes  dos  outros  planetas  não  são  seres  muito  mais 
inteliigentes  e  poderosos  do  que  nós,  por  isso  ijue  ainda  não  fizeram 
sentir  no  mundo  a  acção  do  seu  poder. 

—  A  segunda  certeza  theologica  afflrmada  polo  idealismo  é  que  o 
mundo  caminha  para  um  fim  e  trabalha  numa  obra  rnysleriosa.  Ha 
no  planeta  alguma  coisa  que  se  desenvolve  por  uma  necessidade 
interior,  por  uni  instincto  inconsciente,  à  maneira  do  movimento  da 
planta  para  a  agua  ou  para  a  luz,  do  esforço  cego  do  embryão  para 
sahir  do  útero,  da  necessidade  intima  que  preside  ás  metamorphoses 
do  insecto.  — O  mundo  está  no  trabalho  de  aiguma  coisa:  —  omnis 
creatura  ingemiscit  et  parturit... 

E  quereis  saber  qual  é  o  grande  agente  do  caminhar  do  mundo  ? 

—  é  a  dor  ;  é  o  ser  descontente,  o  ser  que  se  quer  desenvolver  e  não 
está  á  vontade  para  o  conseguir.  O  bem  estar  só  gera  a  inércia  ;  — 
o  embaraço  ó  o  principio  do  movimento  :  —  é  a  pressão  que  faz  a 
agua  subir  e  que  a  dirige.  A  puberdade  da  mulher  vem  de  um  ovo 
amadurecido  para  a  vida  e  que  quer  viver.  —  «  Como  um  grande  co- 
ração que  transborda  de  um  amor  impotente  e  vago,  assim  o  uni- 
verso está  incessantemente  na  dòr  das  transformações  »... 

E  sabeis  qual  o  grande  escopo  da  marcha  do  mundo  ?  é  a  forma- 
ção de  uma  consciência  cada  vez  mais  reflectida  no  seio  do  Universo, 
O  que  é  possível  —  deseja  realizar-se.  Toda  a  realidade  aspira  à 
consciência.  Toda  consciência  obscura  aspira  a  osclarecer-se, 

Não  tenhamos  medo  de  que  o  progresso  do  mundo  venha  a  parar, 
percutido  pelo  egoísmo  que  nada  produz. 

Assim  como  a  Providencia  guardou  no  seio  da  mãe  a  dose  de 
amor  necessária  a  assegurar  a  perpetuidade  da  espécie,  assim  depoz 
também  no  seio  da  humanidade  a  parcella  de  desinteresse  sufflcíente 
para  que  se  mantenha  no  planeta  a  tradição  da  vida  superior. 

Ella  tem  interesso  em  que  o  homem  seja  virtuoso,  ame  a  verdade 
o  cultive  o  Hello,  embora  elle  ignore  a  recompensa  que  o  espera. 

O  «imperativo  categórico»,  que  é  amais  alta  expressão  do  divino 
no  mundo  e  o  fundamento  de  todas  as  religiões,  segura-nos  pela  gar- 
ganta, obriga-nos  ao  cumprimento  do  dever,  embora  o  homem  se  con- 
fesse   um    explorado. 


ARCHivo  rnoijco  minriro  221 

Si  o  veriladoiro.o  bom  o  o  hcllo,  disso  aljali/.iido  pensadoí',  fossom 
coisas  IVivoIas,  lia  inuitfj  que  o  iioineni  teria  abandonado  o  cnlto  que 
lhes  presta,  porque  o   ideal  não  rende  nada. 

Em  vez  de  produzir  êxito  na  batallia  da  vida,  o  verdadeiro  ta- 
lento, a  vcrdadeir;i  virtude  e  a  verdadeira  sciencia  prejudicam,  con- 
stituindo ás  vezes  o  maior  dos  martyrios. 

E  acaso  o  dr.  Pedro  .Junqueira  não  terá  sido  um  martyr  do  estudo, 
da  sciencia  ? !  P^oi,  estudando,  traballiando  indelessainente  pela  sci- 
encia,  que  elle  adiiuiriu  o  gérmen  da  moleltia  que  o  matou  em  tão 
verdes  annos. 

K  não  penseis,  senhores,  que,  procedendo  por  esta  lòrma,  o  idea- 
lismo intenta  resuscitar  a  philosophia  das  causas  linaes,  tão  velha 
quanto  desmoralisada. 

O  que  anti^^amente  se  collocava  nos  domínios  do  ser  e  da  creação  é 
hoje  oolhjcado  no  ponto  de  vista  do  /icri,  da  lenta  evolução. 

Estabelecidos  estes  princípios,  claro  ó  (lue  a  sciencia,  para  o  dr. 
l\Hlro  .Junqueira,  só  podia  ter  unia  base  e  uma  ideia,  amparando-a  e  di- 
rigindo-a,  o  que  tudo  se  pode  condensar  neste  principio:  —  «todos  os 
phenonienos  naturaes  podem  e  devem  ser  explicados  por  meio  do 
movimento  dos  átomos  ». 

Isto  quer  dizer  que  elle  rejeitava  a  concepção  moniata  do  mundo, 
que  só  vé  na  Natureza  a  energia  ou  grupo  de  energias,  negando  a 
existência  da  matéria,  como  recentemente  fizeram  (  no  Conguesso 
DOS  NATURALISTAS  ALLEMÃKs,  reunído  ciu  Lubccls.  )  O  cclebrc  chimico 
Ostwald  e  o  eminente   anatomo  pathologísta  Rindíleisch. 

Não,  a  ideia  é  uma  virtualidade  que  não  pode  ter  existência  sem 
a  matéria  :  —  não  ha  edifício  sem  pedras ;  não  ha  pensamento  sem 
cérebro  e  não  ha  musica  sem  instrumentos.  —  E  as  pedras  não  são 
o  ediíicio,  o  cérebro  não  c  o  pensamento  e  os  violinos  não  são  a 
musica,  mas  simplesmente  a  condição  shie  qua  aoa  do  appareci- 
mento  da  ideia  no  seio  da  realidade. 

Uma  sonata  de  Beethoven,  no  papel,  não  existe  senão  em  poten- 
cia. E'  a  vibração,  facto  physico,  que  põe  em  acção  o  pensamento 
do  compobítor,  a  circumstaneia  que  dá  á  sonata  uma  existência 
real. 

Isto  quer  ainda  dizer  que  o  dr.  Pedro  .Junqueira  rejeitava  scien- 
tificamente  toda  a  investigação  relativa  ás  causas  primarias  e  linaes, 
que  de  direito  pertencem  aos  metapliysícos  e  aos  tlieologos  ; —  elle 
parava   na    contemplação    das  causas  secundarias  ou  instrumentaes  ;• 

( — inslruínenfum  rede  clcfinitur  aiuxa  cgens  in  virtutc  (lUcriía). —  O  A  i 

que  elle  queria  era  que  os  operários  da  sciencia  trabalhassem  —mas  ! 

sem  ter  em   vista  o  resultado  pratico  dos  seus    esíorços.     Quem  põe  j'  ' 

a  mão  á  charrua  do  lavrador,  disse  um  sábio,  não  deve  voltar-se  para  'j 

olhar  o  sulco  aberto  no  seu  rasto,  a  menos  (jue  não  queira  ser    in-  •' 

digno  de  trabalhar  no  campo  da  sciencia.  'j 

E  para  que  mais,  senhores  ?  ! 


222  REVISTA    DO 

Foi,  adoptando  este  ponto  de  vista,  que  a  sciencia,  esta  sciencia 
que  ha  cerca  do  100  annos  diri^íe  os  destinos  da  civilização  e  a  elles 
preside,  operou  no  pl;ineta  as  maravilhas  do  nosso  tempo,  exclusi- 
vamente apoiada  no  methodo  experimental  o  na  consideração  dos  li- 
mites da  intelligencia  humana. 

E  quem  poderá  prejulfíar  o  luturo?  Até  onde  irá  o  desenvolvi- 
mento dii  intellijíencia  e  o  aperfeiçoamento  da  sciencia?  —  Nós  não  o 
sabemos. 

Si  em  100  annos  a  sciencia  transformou  o  mundo,  —  que  será  o 
planeta  daqui  a  100  séculos,  daqui  a  um  miliião  de  séculos?  Até  lá 
quem  nos  dirá  a  nós  que  os  habitantes  de  outros  planetas,  dada  a 
lei  profíressiva  do  Universo,  não  se  communicarão  com  os  moradores 
da  Terra,  dando  um  solitlo  ponto  de  apoio  á  intelligencia  liumana, 
tão  frágil  e  tão  fallivel,  para  a  comprehensão  de  conjunctos  cada  vez 
maiores  do  infinito,  no  espaço  e  no  tempo  ? 

Sonlios..  sim — sonhos... 

E'  preciso  voltar  á  realidade. 

A  realidade  ó  tão  triste  ! 

—  Tombou  um  grande  talento  na  lucta  pela  existência,  para  não 
mais  se  erguer,  cobrindo  de  lucto  a  familia,  os  amigos  e  a  sua  terra 
natal, — e  esta  perda  é  irreparável  porque  a  morte  não  tem  direito 
e  não  tem  avesso.  E,  si  alguma  coisa  nos  consola,  na  immensidade 
da  nossa  dòr,  é  que  a  personalidade  do  dr.  Pedro  Junqueira  jamais 
será  esquecida  por  nós  —  porque  a  sua  memoria  perdurará  sempre  no 
coração  daquelles  que  o  amaram  e  admiraram  nesta  vida,  que  foi  para 
elle  um  tormento  e  um  martyrio. 

Possa  o  seu  exemplo,  que  foi  edificante,  despertar  no  coração  da 
mocidade  de  Poços  os  grandes,  os  nobres,  os  generosos  estímulos  que 
lhe  serviram  de  incentivo  no  curto  viver. 

E  agora,  adeus,  adeus  para  sempre,  meu  cunhado  e  amigo,  meu 
companheiro,  minha  boa,  minha  nobre,  minha  santa,  minha  illustra- 
da  convivência  I 

Emquanto   eu  viver,  o  teu  i  espirito  viverá  commigo. 

Adeus ! » 


E  qual  será  a  lição  de  tudo  isto  ? 

E'  que  a  felicidade  absoluta,  neste  mundo  contingente,  é  uma 
verdadeira  chimera,  sem  existência  sinão  nas  imaginações  desvaira- 
das. A  felicidade  neste  planeta  só  pode  dar-se  por  um  acto  supremo 
da  intelligencia  e  da  vontade,  por  um  esforço  ideal  e  meramente  sub- 
jectivo. «  Job,  cantando  os  seus  hymnos  de  resignação  e  glorificando 
a  Deus  nomeio  da  miséria  a  mais  cruel,  é  a  expressão  excessiva  de 
uma  grande    verdade  moral ».    A  felicidade  não  existe  sinão  quando 


AUCHIVO   niRLICO   MINKIRO  223 


O  espirito  é  porieitamonte  equilil)ra(lo  o  sabo  pairarão  do  cima  das 
(^irciimstanoias  exteriores  da  realidado  que  aiiios(|uinliam  e  matam,  o 
tal  era    o  caso    do  dr.    Pedro   AíVonso  .luiiqueira. 

O  sentimento  do- dever,  a  que  Catão  ciiamava  o  Medo,  é  a  mola 
intima  que  sòe  r-oalizar  a  (elioidade  possivel  neste  mundo,  porque 
desde  que  o  individuo  perde  o  temor  de  Deus  ou  n  níspeito  de  si 
próprio,  o  as  sociedades  o  respeito  das  íbrças  exteriores  e  concur- 
rentes,  (|ue  as  devem  eijuilibrar,  tudo  rue  por  terra  e  se  desor- 
ganiza. 

A  existência  luimana,  neste  mundo  do  ephemeros,  passe-se  entre 
o  Amor  o  a  Morte,  a  gera(.-ào  o  a  desti-uigão,  o  zenitli  e  o  nadir  de 
toda  a  realidade  individual.  Nòs  nos  agitamos  na  eterna  atinos- 
pliera  do  leminino  e  vamos  alinal  decompor-nos  no  tumulo.  Mas 
que  valeria  tudo  isto,  si  não  fòra  o  «  imperativo  categórico  »  (jue 
nos  aconseliia  e  ordena  o  amor  ideal,  puro,  quasi  divino,  que  des- 
aliroclia  em  compaixão  e  piedade,  «  retemperando  com  as  crises  que 
provoca  o  equilíbrio  dos  nossos  pensamentos  e  a  saúde  do  nosso 
espirito  »  ? 

«  Aquello  que,  som  ter  de  esmagar  desapiodamonte  os  sentimen- 
tos e  paixões  da  sua  natureza,  sem  ter  de  partir  a  mola  interior  que 
o  torna  um  ser  vivo,  consegue  mitigar,  moderar,  ponderar  ou  equi- 
librar os  impulsos  do  seu  sangue  com  os  dictames  .das  suas  ideias, 
sanccionando  paixões  e  pensamentos  com  a  luz  inextinguivel  dos  in- 
stinctos  moraes  e  do  senso  esthetico  ;  olhando  para  si  próprio  e 
para  as  angustias,  para  as  dores  e  para  as  feridas  da  sua  vida  com 
uma  commiseração  visinha  do  desdém  ;  olhando  para  o  próximo  e 
para  o  mundo  sem  desprezo  nem  orgulho,  mas  com  a  ironia  cari- 
dosa que  se  deve  a  toda?  as  cousas  involuntariamente  inferiores  ; 
contemplando  finalmente  com  uma  curiosidade  plácida  e  discreta 
nevoeiro  dos  mysterios  e  problemas  que,  sondados,  endoidecem  e  de 
que  é  mister  fugir  cómodos  abysmos cujas  vertigens  allucinam  ou 
embrutecem  ;  esse  homem,  por  fora  activo,  por  dentro  como  que 
apatthico,  por  vezes  (  só  por  vezes  )  atacado  de  tédio,  mas  sabendo 
que  não  deve  nem  pode  aborrecer  a  vida  ;  esse  homem  é  o  único 
verdadeiramente  feliz  ». 

Tal  foi  o  dr.  Pedro  Allonso  Junqueira,  e  por  isso  nós  veneramos 
a  sua  memoria  e  o  estimámos  durante  a  sua  curta  passagem  sobre  a 
terra . 

Ephemeros  —  que  nós  somos  ! 


1 


*1 


I 


1 


I 


(Manuscriíilos  do  An-liivoj 


ia  ao 


i 


iii 


llaiiifcstafnes  ún  a  Iiiè  leiídcnda  Kacioia 


Acta  do  dia  doze  de  outubro  de  mil  oito  centos  e  vinte  e  dois  ankos 


Anno  do  Nassimento  de  Nosso  Senhor  Jesus  Cliristo  de  mil  oito 
centos  e  vinte  o  dois,  aos  doze  dias  do  mez  de  outubro,  Nesta 
Villa  Nova  da  Rainha  de  Caithé,  em  os  Passos  do  Concelho,  onde 
se  acham  presentes  O  Guarda  Mór  (íeral  das  ^Nlinas  João  Baptista 
Teixeira  de  Sousa  Coutinho  Juiz  Ordinário  Presidente  da  Camará, 
Veriadores  e  Procurador  delia,  o  Juiz  dos  Orpliams,  O  Almutacél,  os 
Homones  Bons  da  (lovcrnani.'a,  os  Reverendos  Paroclios  desta  Villa 
o  do  Arraial  de  S.  Jofio  Baptista  do  Morro  Grande,  com  os  seus 
Clérigos,  o  Barão  de  S.  João  ^larcos  e  muitas  outras  pessoas  da 
Nobreza  do  Brasil  o  muitos  oiliciaes  Majores  e  Subalternos  dos 
Corpos  de  .Milicias  e  Ordenanças  e  Cidadãos  do  todas  as  Claces  ;  por 
todos  unanimemente  Ibi  declarado  <iue  Julfrando-se  a  Pátria  atacada 
nos  seus  mais  sagrados  Direitos,  desprezada   u  sua  dignidade,    em- 


26  REVISTA  DO 


sultados  seus  Representantes  em  Portugal  e  perdida  toda  aconíian(;a 
no  Congres(;o  de  Lisboa  que  só  tenta  escravisar  de  novo  este  ri- 
quicimo  Império,  postergando  nossas  representaçoins  e  todos  os  de- 
veres e  relaçoins  da  Coníraternidade,  que  deverião  ligar  os  dous 
hemisférios  habitados  por  Homeins  da  mesma  Religião,  do  mesmo 
sangue,  da  mesma  lingua,  tendo-se  outro  sim  deliberado  a  convo- 
cação da  Assemblea  Geral  Constituinte  e  Legislativa,  e  sendo  por 
isso  necessário  que  o  puder  exzecutivo  esteja  plenamente  autori- 
zado para  exzecutar  as  leis  que  se  forem  promulgando,  o  que  não 
podia  efeitoar-se,  istando  o  Prencipe  Regente  como  delegado  de  El- 
Rey  ;  e  constando  alem  disso  que  o  sr.  D.  João  Sexto  se  acha  em 
estado  de  coacção  e  obrigado  a  sanccionar  tudo  quanto  querem  as 
Cortes  de  Lisboa,  como  aconteceu  a  pouco  ;  expedindo  Decretos 
para  Remessa  de  Tropas  para  acometer-nos  ;  e  exigindo  linaJmente 
a  grandeza  deste  Continente,  que  nelle  se  funde  a  Sede  do  Governo, 
que  nos  fellicite  :  por  tantos  e  tão  pondero  zos  motivos,  e  attendendo 
ao  incançavel  desvelo  com  que  o  Príncipe  Regente  e  Erdeiro  da 
Crõa  tem  desimponhado  o  titulo  de  Defençor  Perpetuo  do  Brasil 
concordaram  todos  de  suas  muito  livres  vontades  em  ratilicar  so- 
lemnemente  a  proclamada  Independência  do  Brasil  ;  protestando  da- 
rem por  ella  as  vidas  ;  e  aclamar  com  as  devidas  solemnidades 
neste  dia  o  mesmo  Príncipe  Regente  e  Defençor  Perpetuo,  Senhor 
Dom  Pedro  de  Alcântara,  Primeiro  Imperador  do  Brasil,  com  a  con- 
dição de  que  o  mesmo  Augusto  Senhor  Jure  previamente.  Guardar, 
Manter  e  Defender  a  Constituição  pulitica,  que  fizer  a  Assemblea 
Geral  Constituinte  e  Legislativa  do  Brasil.  —Depois  disto  mandou  o 
Presidente  ao  Primeiro  Veriador,  ao  Segundo  e  ao  Terceiro  fazerem 
Aclamação  seguinte  :  « Imperial,  Imperial,  pelo  Senhor  Dom  Pedro  Pri- 
meiro Imperador  Constitucional  do  Brasil »  —  a  qual  sendo  aplaudida 
com  vivas  da  maior  alegria  e  entuziasmo  por  todo  o  Povo  seguirão 
todos  os  cidadãos  para  a  Igreja  Matriz  para  unirem  seus  votos  pella 
prosperidade  do  Império  do  Brasil,  do  Imperador  e  de  sua  Imperial 
Familia  e  para  renderem  ao  Supremo  arbitro  dos  Impérios 
as  devidas  graças,  por  tão  juntos  motivos.  E  desta  sorte 
houverão  por  finda  esta  Acta  que  todos  assignão,  commigo 
José  António  Fecundo  Velloso,  Escrivão  da  Camará  que  o  es 
crevy.  O  Juiz  Presidente  João  Baptista  Ferreira  de  Sousa  Cou- 
tinho, O  Vereador  J^é  Sá  de  Bittencourt  e  Camará,  O  Vereador 
Francisco  Thomaz  Carneiro  de  Miranda,  O  Vereador  Manoel  da  Mota 
Teixeira,  O  Procurador  Pedro  Lino  da  Silva  Lopes,  O  Escrivão  da  Ca- 
Mara  José  António  Fecundo  Velloso,  O  Juiz  d'Orphãos  Manoel  José 
Pires  da  Silva  Pontes,  O  Juiz  Almotacel  José  Ferreira  Pinto,  O  Juiz 
Almotacel  Policeno  da  Costa  Pacheco,  AíTonso  Isidoro  da  Silva  Diniz, 
Vigário  Manoel  Gonçalves  de  Almeida,  O  Padre  José  Joaquim  de 
Sousa  Coimbra,  O  Padre  Emerenciano  Maximino  de  Aseredo  Coutinho, 


ARCHIVO   PUBLICO  MINEIRO  227 

O  Padre  António  Alvares  do  Sousa  Coutinho,  O  radreScbfistiilo   José 
do  Carvaliio  1'enna,  U  l'adre  Manoel  Tinto  Ferreira,  Coadjutor   de  8. 
João  iJaptista,  O  Padre  Joào  Allonso  Mondes,  O  Padre  Nicolau   Gomes 
de  Sousa,  Capellão      da     Ptiulia,       O     linrào  de  S.  João  Marcos,  An- 
tónio Tiiomaz  do  Fijíueiredo  Neves,  Tenente-coronel   José    de    Mello 
do  Sousa  Almeida     Hrandào  e    Menezes,  Coronel    José  de  Sá  Bitten- 
court, Jacintho  Pinto  Teixeira,   Coronel    Apgrejíado,    Coronel  Felicio 
Moniz  Pinto  Coelho  da  Cunha,    Coronel  J'oão  da  Motta  Ribeiro,    José 
Feliciano    Pinto  Coelho,     Major  de  Cavallaria,  O  Capitão    Mòr  Felis- 
berto José  Corrêa  de    Miranda,  O  Commandante  Interino    das  Orde- 
nanças Ipnacio  José  Horfíes,  Capitão  das  Ordenanças  José  Ferreira  da 
Silva,  João  Gomes  de  Araújo,  Joa(iuim  José  de  Senna,    Capitão  Seve- 
rino da  Costa  Ribeiro,    Capitão  António  José  Ferreira  Hretas,  S.  Mór 
Tenente  Manoel  Dias  de  Freitas  e  Mosa,  Ajudante  Joaquim    Claudino 
de  Sousa  Hr;indão,  Guarda  Mói-  e  P.  Estandarte  João  António  de  Ma- 
galhães,   Manoel    de    Campos  Cruz,    José  Ancheta  Teixeira,  Capitão 
Commandante  de  Milícias    Pedro    Pereira  de   Andrade  Rego,  Manoel 
Thomaz  Pinto  de  Figueiredo,  Egas  Muniz  Pinto  Coelho  da  Cunha,  João 
Miz    de    Oliveira    Salazar,     Tenente    Manoel   Miz  de  Oliveira    Leme, 
Alferes  João  Duarte    de  Lacerda,    Capitão  João  da    JNIotta    Teixeira. 
Commandante  de  Companhia   José  Silvério  Pereira,  Tenente  Nicolau 
de  Tolentino    e  Azevedo,  Advogado    António   F.    Magalhães  e  Silva, 
Alferes  Félix  António  Dislandes  de  Monlevade,    António  Teixeira  Al- 
meida   e  Silva,  Maximiano   Augusto     Pinto    de  Moura,    Quintiliano 
Martins    da  Costa,  Tenente    da  2."  linha  de    cavallaria  António  Fer 
reira  Torres,   Sargento  António  Gome  s  Rebello,  Giuseppe  Musaglio, 
Italiano,  Manoel  Mariano  de  Azeredo     Coutinho,    Cadete-Furriel   An- 
gelo Oliveira  de  Toledo,    Furriel  J  oaquim  Caldeira  Fernandes,  Porta 
Estandarte  João  Baptista  Gomes  de     Freitas,  Manoel    Furtado    Pinto 
Coelho,Tenente  de  primeira  linha  José  de  Aguiar  Leite,  Capitão  Félix 
Pereira    da  Silva,  Tenente   da  1.'  Companhia  José  da  Costa  Nunes, 
Quartel-Mestre  Domingos  Rodrigues  Vieira,  Ajudante,  Jacintho  José 
Pimenta  de   Figueiredo    Vasconcellos,   Eugénio    Pereira  Neves,    Te- 
nente António   da  Costa  Alvares,    Joaquim    Gomes     Lima,    Alferes 
Manoel  José  Ferreira,  Sargento  da  1.=^  Companhia  João  Alves  de    Al- 
meida, Alferes  Theotonio  Gomes  da  Cruz,  Alferes  Roberto  Gomes  da 
Silva,  Capitão  da  3.*  Companhia  Felizardo  Mendes  Pereira,    Tenente 
José  Corrêa  Araújo,  Vicente    Magalhães  Pereira,    Proposto  tenente 
João  Bento  Padillia,  Alferes  Feliciano  Ferras  Costa,    Jacinto   José  de 
Almeida,    João  Gomes    da  Cunha   Gouveia,  Quartel-Mestre  da  Compa- 
nhia de  Milícias  João  José  Carneiro   de  Miranda,  Francisco    José   da 
Fonseca,  António  Francisco  da  Costa, António  Ferreira  da  Cunha,    o 
Padre  José  Ferreira  da  Cunha,  António    Muniz  de  Oliveira,  José  de 
Almeida  Bastos,     Capitão  o    Guarda  Mor  Quintiliano  Justino  de  Oli- 
veira Horta,  Porta  Estandarte  Manoel  Ribeiro    de    Magalhães,  Fran- 
cisco António  da  Camará,  Joaquim  Pedro    de     Azevedo  Coimbra,   Al- 


! 


228  REVISTA   DO 

leres  commandante  Joaquim  Rodrigues  Villaça,  O  Padre  Luis 
António  França,  Francisco  Gomes  da  Cruz,  António  José  Ribeiro  da 
Costa,  Tenente  José  Caetano  Teixeira  Souto,  Capitão  José  António 
Cordeiro  da  Silvji,  Jonquim  Luis  de  Siqueira,  Alferes  Confirmado 
po:  S.  Majrcsiado  .Manoel  dos  Passos  Ferreira,  André  António  de 
Almeida,  Domingos  António  F  ranças,  João  Ribeiro  <le  Macedo,  Luiz 
António  de  Azevedo,  Fclippe  António  Teixeira  da  Motta  Joaquim 
Pereira  da  Costa,  António  Gomes  da  Silva,  António  Xavier  Vieira, 
Joaquim  de  Oliv^eira  Pacheco,  José  Simão  Gomes  de  Faria,  João  José 
da  Roclia,  José  Rodrigues  Lima,  António  de  Magalhães  e  Silva,  Ca- 
millo  Maria  de  Lolis,  Leandro  J  osé  Ferreira  de  Sousa,  António  Fe- 
cundo Velioso,  Francisco  do  Pau  la  Novaes  de  Campos,  António  Ro- 
drigues Lima,  Capitão  de  Ordenanças  MatheUs  Lopes  de  Maga- 
lliains.  Alferes  de  Ordenanças  Francisco  Josc  Ferreira  de  Sousa,  An- 
tónio Passos  Ferreira,  Manoel  do  Couto  Ribeiro,  António  José  Leite, 
Venâncio  António  França,  José  Ferreira  de  Sousa,  José  da  Costa 
Aguiar  de  Sá,  Severino  Soares  Ferreira,  Primeiro  Tabelião  Francisco 
Victorino  da  Costa,  Francisco  Corrêa  Rego,  Narciso  António,  Gos- 
tinho Nunes  de  Faria,  João  Chrysostomo  da  JNIotta,  Caetano  Affonso 
Vasconcelos,  Vigário  de  S.  Miguel  Francisco  Anastácio  da  Silva  Pon- 
tes, João  José  da  Cruz,  António  Ferreira  de  Paula,  António  José 
Ferreira,  António  Luis  Moreira,  o  Alferes  Elias  Ferreira  Affonço, 
Cabo  d"Esquadra  José  Silvério,  José  de  Sousa  Telles  Guimarães,  Ca- 
pitão de  Cavallaria  de  2.^  Linlia  João  Nepomuceno  Pereira, 
Felício  Pereira  da  Silva,  António  José  Pinheiro,  Euzebio  da  Costa 
Seabra,  Manoel  Rodrigues,  Francisco  José  de  Moraes  Gonçalves, 
Miguel  Theodoro  Ferreira,  Francisco  de  Assis  Xavier  de  Paula, 
Manoel  Fernandes  da  Trindade,  Manoel  Gonçalves  Barroso,  Fran- 
cisco Borges  de  Sousa  Pais.  J  oaquim  António  da  Silva,  Brás  Pe- 
reira d'Afronseca,  Joaquim  José  de  Castro,  Francisco  do  Coito  Bar- 
bosa, Bento  do  Coito  Barbosa,  Tenente  José  Corrêa  Araújo,  Pedro 
Ferreira  Gomes,  Capitão  Manoe  1  José  Dias  Azedo,  António  Pereira 
de  Affonseca,  Nicolau  Gomes  de  Faria,  Domingos  António  de  Sousa, 
José  Carlos  Ferreira,  Alferes  Manoel  José  Dias  Alves,  Francisco  Ro- 
drigues Franco,  Luis  José  Pereira  da  Fraga,  Francisco  Pereira  da 
Silva,  Laurenço  Francisco  Rib  eiró,  Vicente  Ferreira  da  Silva,  Ma- 
noel Joaquim  do  Santos,  Capitão  dos  Caçadores  do  mato  Jacinto 
Joze  Andrade,  Romão  de  Sousa  Ribeiro,  Advogado  não  Formado  João 
José  dos  Santos,  José  Gonsalves  da  Fonseca,  Quintiliano  José  de  Oli- 
veira Alvarenga,  Aurélio  Alves  Ferreira,  Januário  Gomes  Ferreira, 
Joaquim  Bazillio  de  S.  José,  Gervásio  Ferreira  da  Fonseca,  Fran- 
cisco José  Duai^te,  Estevão  de  Barros,  João  da  Silva  Torres,  Lou- 
renço Justiniano  Duarte,  Gaspar  de  Sous-i  Reis,  Capitão  de  Orde- 
nanças Marcellino  Pereira  Tavares,  Francisco  José  de  Sousa,  Felicio 
José  de  Castro,  José  Emerenciano  e  Faria,  Cabo  Manoel  Dias  de  No- 
vaes, Joaquim  Tliomaz,  Jerónimo  Gonçalves    Rodrigues,  Cabo    aspe- 


í^^■ 


AHCHIVO  PUBLICO  MINEIUO  229 


r.ida    António   («oníes,  Matioi^l    da   Silva   Azevedo,    A,judante  Manoel 
( longa Ives  de  Garvalliu,    O    Alferes  Doniiníros    Alves   de     (!i'i'.,     Sar- 
<;ento  João  Gon(;alves  C<íri'ea,    Capitão   .João  Roza  Nepomuceno,  Cabo 
do    Esquadra  Manoel  Alvos  Pinto,  Tonont(>da  2.*  linha    .loaquim    José 
do    Faria,  Ijínacio     António  Marques,  Manool  Rodrifíues    Rattes,   Ma- 
noel Francisco  da  Costa,  Manoel   Joaquim  Congalvos,  Francisco   Gon- 
(,alves   Nolasco,   Kinilio  l'into  Ferreira  (hí  Queiroz,    Caetano    José    do 
Carvalho  1'oniia,  Jozó    da  Rooiui   Lonios,  Joãí»  Batista    do    Almeida, 
Francisco  Dias  de  CarvalJKJ,  .loaquim    l'into     Tliomaz,   Manool    Con- 
i-alv^s   de  Mendonssa,  João  Luís  do  Miranda,  Francisco  de    Paula  do 
Carvalho,   Manoel  Rayão    de  Almeida,  Sar^íento    de   Ordenanças  João 
Carlos   Varella  da  Fonseca,  Guarda  Mór  Manoel  Romão  da    Cruz,  As- 
sino por  mim  o  como  procurador  domou  Pai  Alteres  Manoel  Alves  de 
Araújo,  José  Alves  do  Araújo  Paixam,  Saríjonto  de  Ordenança,  Asino 
como   procurador  de  Salvador  José    Pimentel    e  de  João    Fernandes 
Madoira    por  apresentar    de    cada    uiu     dollos    procuração,    Manoel 
Bayão    de  Almeida,  Bernardo  António    da    Costa,   Tenente  Francisco 
Alves    da  Cunha,  Eujronio  do  Moraes    Pires,    João  Francisco  de    An- 
drade,   Capitão  de  Ordenança  l'aulo  José  de  Sousa,    Alferes    de    Or- 
denança João  de  Deus  da  Fonseca    Aleixo,  Alferes  de  Ordenança  João 
Ribeiro  da  Fonseca,  António    Coellio  Ferreira,  Capitão     de  Ordenança 
Cassemiro  Carlos  da  Cunha  Andrade,    Joaquim  Bento    da  Silva,    iMa- 
nool  de  Ma<íalliaens  e  Silva,  João  Coelho  de  Carvallio,    António    Gon- 
salves   Corrêa,  Jozé  Joaquim  Coelho,   Severino  António,  Angelo  Cus- 
todio   de  S.  Annna,  Joaquim  Mendes  Durnello,  José  Luiz  Pereira,    Te- 
nente de  granadeiros   Joaquim    Jozé   de   SanfAnna,    Tenente    da  3.^ 
Companhia    Jozé  Pereira   da   Costa    Vianna,   Camillo    Simoens,  Fran- 
cisco de   Paula     Pereira,    Manoel  Ferreira  de  Mello,   Pantalião  Pinto 
Ribeiro,    João    Bicudo  de    Alvarenga     Leme,    Alferes    de    Ordenança 
Jozé   Gonsalves  Moreira,  Jozé  Luís  Rodrigues    de  Moura,  Guarda    Mor 
Theolonio    da  Costa  Lage,  António   Teixeira  Borges,  Alferes  de  Orde- 
nanças  Manoel    Nunes    Coelho,    Tenente   Policarpo    Jozé    Barballio, 
Alferes  Agostinho  Lopes    Ramos,     Manool   Pereira  de   Senna,    Fran- 
cisco de    Paula,    Cabo   d'Esquadra  Luis  Alves   Pereira,  João   Esteves 
Larangeira,    Venâncio     Alves    Pereira,    Alexandre    Jozé    Pinto,    Ca- 
pitão   António  Gomes  dos  Reis,  Silvestre  Demétrio,  Asino  pelo  Revd. 
Vigário     de    S.    Barbara,    António    da    Affonseca    Vasconcelos,  pela 
Procuraçam    que    me     mamlou    por   empedimento  de  sua  enfermi- 
dade,   Jozé  de  Anxieta  Teixeira,  Capitão— Asino  pelo    C.  João  Vieira 
de  Godoy    pela  Procuração     que    me  mandou  para  empedimento  de 
sua  enfermidade,    Jozé  Anxieta  Teixeira,    Capitão     Vicente    Ribeiro 
(Uiimaraons,   Francisco    Jozé  da  Silva,     Alferes  Rafael    da  Roclia  de 
oliveira,  Tenente  Manoel  Pereií-a  de  Jesus,   Francisco  Gonsalves  Thores, 
Francisco  Carvalho    mais  Assigno  como  Procurador  do  Alferes    Jozó 

A.  P.-3 


230  REVISTA    DO 


(lo  -Moura  Ribeiro,  assistente  do  Arraial  da  Itabira,  pella  Procu- 
ração que  apresento  e  Certidão  do  sua  infermidadc,  Policarpo  Jozé 
Barba  lho,  Alícres  Vcrissimo  Martins  Torres,  Cláudio  Francisco 
Praxa,  Joaquim  Jozé  Dias,  Jozc  Soares  Alves,  Francisco  Machado  da 
Rocha,  Faustino  Pereira  da  Silva,  Francisco  do  Paula  Pacheco,  Ma- 
noel Gonsalves  Aflbnseca,  Furicl,  Jozó  Joaquim  de  Sant'  Anna,  Jozé 
Ferreira  da  Costa  líuono,  G.  Môr  Bernardi»  Jozé  Mendes,  Alferes 
Ambrozio  Gonsalves  da  Motta,  Manoel  Caetano  da  Silveira,  Felicis- 
simo  Jozé  de  Souza,  Joaquim  José  de  Lacerda,  José  Carvalho  Vilha- 
penna,  António  Jozé  Vianna,  Furriel  Jozé  Teixeira  Coelho,  Fran- 
cisco das  Chagas,  Estevão  Delgado  Motta,  Alferes  Jozé  Joaquim 
de  Oliveira,  Cabo  de  Ordenança  João  de  Souza  Leal  Xetto,  Manoel 
Alves  Ferreira,  Francisco  de  Araújo  Lima,  Alferes  João  ?iIanoel  de 
Oliveira,  Cabo  de  Escoadra  Manoel  de  Oliveira  Pacheco,  Paulo  Fer- 
reira de  Oliveira,  António  Jozé  Leal,  Jozé  Nunes  Ferreira  Brandão, 
João  Gonsalves  de  Carvalho,  Luis  Pereira  AíTonço,  Jozé  Pereira 
Alonso,  Joaquim  P^erreira  Barros,  Francisco  Nunes  Figueira,  An- 
tónio Francisco  dos  Reis,  Policarpo  Corrêa  de  Araújo,  Luiz  Pe- 
i-eira  da  Silva,  Profeçor  de  Cyrurgia  António  de  Araújo  Quintão  e 
Miranda,  Capitão  Brás  Ferreira  de  Araújo,  Alferes  Gabriel  Vellozo 
de  Araújo,  Clemente  Eugénio  Rebello  e  Castro,  Jozé  Pereira  Rego, 
Alferes  Manoel  Luis  Perdigão,  Serafim  Dias  Tavares,  António  Cae- 
tano Vas,  Tliomé  Jozé  de  Castro,  Manoel  Gonsalves  Roza,  Adam  Lo- 
pes de  Souza,  Pedro  Anacleto  da  Silva  Lopes,  S.  Môr  João  ^lartins 
de  Oliveira,  Manoel  Ferreira  da  Costa,  João  Ferreira  de  Queiroz, 
João  t  Felis  do  Amaceno,  Bernardino  Jorge  Pereira,  ^liguei  Joa- 
quim de  Araújo,  Policarpo  Jozé  de  Freitas,  Manoel  Francisco  de 
Oliveira,  Ignacio  de  Barbeicitos  Ladrão,  Jozé  Joaquim  Lopes,  Manoel 
da  Silva,  Thomaz  Baptista  Ferreira,  Felisberto  Duarte,  Francisco 
Gonsalves  Roza,  João  Luis  Pinto  Mora,  Bernardo  Vieira  Leite, 
João  Baptista  Pinto  Ferreira  de  Queiroz,  Angelo  Custodio 
de  Menezes,.  António  de  Magalhaens  Portilho,  Luis  Jozé  dos 
Santos,' Alferes  Joaquim  Ferreira  da  Silva,  Guarda  Mór  António 
Marques  Guimarains,  Joam  Gonçalves  Barrozo,  Sargento  'Mór  Ber- 
naixlo  Joaquim  dos  Santos,  Alferes  Cláudio  Jozé  dos  Santos,  Alferes 
Joaquim  Jozé  dos  Santos,  Aferes  João  Dias  Bicalho,  António  de 
Souza  Telles  Guimarains,  João  Vicente  de  Freitas,  Cabo  de  Escoadra 
João  Duarte  de  Moraes,  Manoel  Ribeiro  da  Costa,  ]\Ianoel  de  Araújo 
Lima,  António  da  Silva,  Luis  António  da  Silva,  Manoel  João  de 
Souza,  Jozé  Francisco  Gomes,  Sargento  António  Pinto  da  Roxa, 
Cabo  António  Baião  de  Almeida,  Jozé  Dias  de  Miranda,  Cabo,  Joa- 
quim Rodrigues  Pereira,  Cabo,  Theodorico  Rodrigues  Alves,  Alferes, 
O  Padre  Jozé  de  Freitas  Rangel,  António  Correia,  João  Baptista 
Barroso,  Capitão  cômmandante  Jozé  Fernandes  Lobo,  IManoel  de 
Soiza  Machado  Chaves,    Guarda  Mór    Jozé  Gomes   de     Araújo,    Te- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO 


231 


nente   Joaquim  Gomes    Drumond,  íluarda    Môr    da  Freíruezia  df  S. 
Mi^niel,    Manoel    Moreira     de   Fi;rueirodo  Mascai-enhas,  ProCossor  de 
Graminatica    Latina,    Manoel    António    f    Souza  Lol)am,  Manoel  Fe- 
lippe    da    Silva    Diniz,    Manoel  António   de  Moraes  Castro,   António 
Pereira     da   Costa,    (1      M.    lozc    Joaíjuini    do    Andi'adc,  Manoel  da 
Costa  Lafíe,    Alleres  Franeiseo   Pi'oc(jpio    da  Silva  Monteiro,  Jozé  Tel- 
les   Ferreira,  Alleres  JozO  «icrvazio,  Fi'anciso(»  Lopes,  Manoel  dos  Reis 
Ca!'valiio,    António    Cezario  de    l'u;:as,    Manoel  (lon(;alves    da  Costa, 
Franeiseo  .luzè  P^erreira,  Luiz  Rodri^rues  Franct»  Manoel  Monteiro  Pe- 
reira,   Manoel  da  Rocha  Oliveira.  João  Comes  da  Costa,  Francisco    di 
Paula   Azevedo,  António  Monis,  João  da    Costa  Bitencourt,    Joaquim 
Mendes  do  Mello,    Luis  Soares    de  Oliveira,  Félix  Ferreira  da  Motta, 
Jozt"    (;ont;alves    Lima,    Jozó  Soares  d"Antas,  Jofio    (íon(;alvcs    Lima, 
Luis    António  da  Silva,   António    Jozé  de     Andrade  Pereira,    Manoel 
domes,    João   Barbosa  de  Oliveira,    João   Chrisostomo  da  Silva,  Jozé 
Joaquim  Teixeira  Penna,  Assipno  como  Procurador  do    Capitão  João 
Joz('    Ferreira  de  Abreu,  Capitão  João    Duarte  de  Lacerda,  Marianno 
Francisco    Pereira  da  Silva,  Santos  Alves  de  Castro,   Francisco    An- 
tónio da  Silva,    Manoel  Jozé  do  Mello     Fagundes,     Alferes    de  orde- 
nanças,   António  de  Sampaio  Silva,  Alferes    de  Ordenaças.  Assino  por 
mim    e   por  Bento    Cardoso  (íato.  Vicente  Jozé    Gonçalves,    Jozé  de 
Almeida  de   Carvalho,  Luiz  Alves    Pinto    Ferreira,    António   Manoel 
Souza  Guerra,   Manoel  Ferreira  Carneiro,    Jozé  Theotonio  da  Paixão, 
Porta    Bandeira,  Dominfros  António  Teixeira  da  Costa,  Jerónimo  Fer- 
reira de    Aguiar  e  Silva,  Francisco  Jozé  Ferreira  Camará,    Agostinho 
Francisco  Pereira  de   Camargos,    Julião  Moreira,  João  da  Costa  Pe- 
reira,   Gregório  Coelho  de  Moraes,  Luis  Barbosa  de  Oliveira,  Patrício 
Francisco    de  Souza  Pereira,,    Veríssimo    Xavier,   Vicente  Francisco 
Alves,    Como  Procurador  do  Padre  Pedro    Coelho    de  Moraes  Castro, 
João    Duarte  de  Lacerda,    .Manoel    Furtado    Leite,    Guilherme  Fur- 
tado Leite,     Alferes  de    Ordenanças    Januário  Jozé  do  Rego    e  Silva, 
António    da   Silva  de  Athaide,    Jozé  Joaquim    de    Figueiredo,  Alferes 
António    Carrilho    de   Campos,   Alferes   João  Vieira  de  Carvalho,  Te- 
nente de  milícias,   Jozé    Fernandes  de  Mello  Silva,    Joaquim  Roberto 
de   Carvalho  Macedo,  Luiz  Jozé  Pinto    Coelho  da    Cunha,    Francisco 
de    Assis  Pinto  Coeliio  da  Cunha.  Como  Procurador    do  Capitão    Joa- 
quim   Alexandre,    Jozé    Tavares  de  Paiva.    Jozé  de  Almeida  Bastos, 
Capitão    Guarda     Mõr     Manoel     Felippe     Lobato,    Manoel    António 
de    Azevedo,    Alferes  de  Ordenanças,  Francisco   Xaxier  de  Almeida, 
Francisco  Jozé  de  Almeida,  Arnaldo  José  Gomes  Nascimento,  Ignacio 
António  Mendes,  Manoel  António  Vaz,    Jozé    Nunes  Ramos,     João   da 
Cunha,  João  Gonçalves  Meira,  Manoel  da   Silva,  Jozé  Pereira  da  Sil- 
va, Francisco  de  Souza  Barbosa,  Hypolito  Cassianno  de  Oliveira,  Joa- 
quim Jozé  Ferreira  de  Souza,  Francisco  Pacheco  Ribeiro,  Manoel  Pe- 
dro de  Amorim,  António  Dias  Furtado,  António  Jozé  de  Macedo,  Ca- 


232  REVISTA  DO 


pitíío  Commandanto  do  Ordenaiirjis,  Caetano  Dias  Torres,  Alferes 
de  Oi"denangas,  Quintino  Rodrigues  Esteves,  AUeres  da  2.=*  Linha, 
Quintino  Rodrigues  Esteves,  como  Procurador  do  Alferes  José  Rodrigues 
Esteves.  Como  Procurador  do  Ajudante  Roque  João  Pereira,  Quintino 
Rodrigues  Esteves,  Como  Procurador  do  Alferes  Venâncio  da  Costa 
Santos,  Caetano  Dias  Torres.  Cypriano  Vieira  de  Moraes,  Tliomaz  de 
Aquino,  Francisco  de  Paula  Coelho,  (}uarda-mòr  .Joaquim  Coelho  Linlia- 
res,Mauricio  dos  Santos  Ferreira,  Ignacio  Furtado  Leite,  PYancisco  dã 
Silva  Diniz,  Custodio  .José  da  Cruz,  Jozé  Dias  de  Araújo,  Assignopor  Pe- 
dro de  Barbeitos  Ladrão,  como  seu  bastante  Procurador,  Domingos  An- 
tónio França.  Jozé  António  da  Silveira,  Jozé  de  Almeida  Lima,  O  Padre 
Vicente  Aleixo  de  Oliveira,  António  Barboza,  António  Severino  de  Olivei- 
ra,Joaquim  Gomes  da  Silva,  Félix  Rodrigues  Chaves,  O  Padre  Jozé  An- 
tónio de  Araújo.  Como  procurador  do  Capitão  Joaquim  da  Costa  Lage 
embaraçado  com  enfermidade  grave,  O  Padre  Jozé  António  de  Araújo. 
Como  Procurador  do  G.  M,  Jozé  da  Costa  Lage  com  justo  im- 
pedimento, O  Padre  Jozé  António  de  Araújo.  Como  procurador  do  Ca- 
pitão José  Luiz  Pinto  enfermo  e  inhabil  para  viajar,  O  Padre  Jozé 
António  de  Araújo.  Como  procurador  do  Capitão  Thomé  Nunes  Figuei- 
ras com  queixa  attestada,  O  Padre  Jozé  António  de  Araújo.  Como  pro- 
curador do  Revd.  Manoel  Pinto  de  ^ledeiros  com  queixa  notória,  O 
Padre  Jozé  António  de  Araújo.  Como  procurador  do  Alferes  de  Orde- 
nanças João  Jozé  dos  Santos  com  justo  impedimento,  O  Padre  Jozé 
António  de  Araújo.  Faustino  Alves  Guerra.  Joaquim  de  Souza  Almeida, 
Joaquim  Ribeiro  da  Costa.  Como  procurador  do  Revd.  Félix  de  Amo- 
rim Costa  impedido  por  causa  de  enfermidade  conhecida  e  certilicada» 
o  Padre  José  António  de  Araújo.  Ma;  oel  Xis  lo  Pessoa,  João  Caetano 
de  Oliveira,  João  Paulo  de  Andrade,  Victoriano  de  Andrade  Gomes, 
Manoel  Nunes,  António  Ferreira  de  Miranda,  Francisco  Barbosa  da 
Silva.  Como  procurador  do  Sargento-mòr  ]\Ianoel  Gonçalves  de  Oli- 
veira, João  Duarte  de  Lacerda,  Jozé  Ferreira  dos  Santos,  João  Jozé 
Rezende,  Jozé  Pereira  Guimarães,  Jozé  Theodoro,  Domingos  Rodri- 
gues Guerra,  João  Nunes  Ferreira  Brandão,  Gonçalo  Rodrigues  Pe- 
reira de  Bragança,  Como  procurador  do  Forriel  ]\Ianoel  Ignacio  de 
Moraes  que  por  enfermo  o  não  poude  fazer,  Gonçalo  Rodrigues  Pe- 
reira de  Bragança.  João  Felippe  Vianna,  Domingos  António  Guimarães, 
Cypriano  de  Lacerda,  O  Alferes  de  Ordenanças  António  Soa- 
res da  Cruz,  O  Juiz  de  inventario  do  Distrito  de  Cocais  Jozé  António 
Vieira.  Como  procurador  bastante  de  Manoel  António  dos  Santos  e 
procuração  e  attestado  de  enfermidade  que  appresento,  Nicolau  de 
Tolentino  e  Azevedo.  Christovão  Dias  Duarte.  Como  procurador  do 
Revd.  Camillo  de  Lellis  Brito,  por  procuração  e  attestado  que  na 
mesma  procuração  faz  de  enfermidade  que  o  inhabilita  de  vir  a  esta 
Villa,  Nicolau  de  Tolentino  e  Azevedo.  Como  Procurador  Bastante  do 
Alferes  João  da   Silva    Cardoso  por   procuração    que  appresento  o  at 


ARCHIVO  PUBLICO   MINEIRO 


233 


testado  (lo  Kevd.  Ca])olirni  «lo  Destricto  quo  por  causa  do  enfcnnidado 
se  Hão  pode  approsentar,  Nicolau  do  Toloutino    e  Azevedo.  Como  pro- 
curador e  attostado  que  appresento  pelo  Capitão  Francisco  do  Assiso 
Souza  Itiboiro  quo  por  cauza  do  enforniidade  o  não   pode  fazer,  Nico- 
lau dl'  Toloutino  o  Azevedo.  Como  procurador   do  Capitão  Leandro  do 
(diveira  lirajía  quo  por  causa  do  sua  enlormidade   não  i)ode  vii*  assi- 
líuar,  Nicolau  de  Toloutino  e  Azevedo.  Manoel  Pessoa  de  Faria,  Jacin- 
to da  Silva  Dinis,  o    Padro  Manoel  Rodrigues    Loreto,  Manoel  Gomes 
Ivodrifrues  da  Costa,  Felisardo  Gonçalves  Ferreira,  Felisberto  Moreira 
Lião.  Como  ])rocurador  do  Kevd.  .loaquim  Ferreira  Barros  que  por  im- 
pedimento de  sua  enlormidade  não  i)odo  vir  assignar,  O  Padre    Luiz 
António    França.    António  do  Aguiar,    António  Gonçalves  do  Nasci- 
mento, Francisco  Xavier  de  Sá  Gloria,  Fstevão  Ferraz  de    Mello,    Jozó 
Manoel  do  Nascimento,  Manoel  António  do  Nascimento,  Arclianjo  Jozó 
Pinto,  Manoel  Toixoiíva  do    Miranda,    Alferes    Joaquim  Rodrigues  da 
Costa,  Ricardo  Jozó  Duarte, Manoel  Francisco  de  Quadros,  Manoel  Fran- 
cisco Gomes.  Por  mim  e  por  meu  Pai  F^rancisco  José  Gonçalves,  Jozé 
Ferreira  da  Silva.  Manoel  de    Moraes  e  Souza,  João  Francisco  Danta, 
Tliomaz  Gomos  Rodrigues,  António  dos    Santos  Baptista,    Manoel  Pe- 
reira Rog'i,  1'rudencio  Pereira  da  Silva,    Jozó  Joaquim  da    Silva,  Joa- 
quim Romão,  Manoel  Dias  de  Araújo,  Bento  Pereira  da  Fonseca  Souza, 
Manoel  Jozó  dos  Santos,  Vitorino  da  Silva  Maxado,  Joaquim  Teixeira 
de  Souza,  David  Gomes  da  Costa,  José  Caetano  Pereira  e  Silva,    Bar- 
tliolomeu  dos  Santos,  António  Pereira  da  Silva,  Caetano  Lopes  da  Sil- 
veira, José  Alexandre  da  Fonseca,  Manoel  Jozé  Gomes  da  Mata,  F^ran- 
cisco  de  Magalhães  Bastos,  Joaquim  Ferraz    Tibaens,  O  C.  Luiz  Soares 
de  Gouveia,  João  Alvares- Portugal,  Cirurgião-mór  Jozé    AíTonso  Fer- 
reira, Máximo  Teixeira  de  Andrade,  João    Vieira,  Alanoel    Carlos   da 
Luz,  Joaijuim  João  de  Souza,  Manoel  Angelo    Gonçalves,  2.°  Cabo   Je_ 
ronimo  Emiliano  Gonçalves,  '.^.*  Cabo  de  Esquadra  Jozé  Gonçalves    da 
Costa,  Coarto  Cabo    Lúcio  Rodi-igues  de  Souza,  Joaquim  de    Miranda 
Ferreira,  José  Carlos  Marques,  António  Jorge  Marques,  e  como  pro- 
curador de  meu  Pai  o  Capitão  de  Milícias  Jozé    Carlos  Marques,  Ma- 
noel Gabriel,  Manoel  .Martins  Rodrigues,  .Manoel  .\lves  de  Mora,  .\nto- 
nio  Rangel  Soares,  .Manoel  Francisco  .\lves,  .\Titonio  Machado  Lemos, 
.Manoel  da  Roxa  Evangelho,  .Manoel  Gonçalves  Oliveira,  António  José 
Gomes,  .-Vlexandre  Ribeiro  de  Freitas,  José   Joaquim  Gomes  do  Nasci- 
mento, Bernardo  Gomes  dos  Santos,  João  Jozé  Soares  de  Gouveia,  An- 
tónio Felisardo  da  Silva,    Capitão  Francisco    Dias  Soares,    Sebastião 
Carvalho  de  .\rauJo,  .\ntonio  Dias  .Mendes,  Manoel  Vianna,  Felipe  Car_ 
neiro,  Francisco  Pinto  de  Almeida,  .Xlleres  de  Milícias  de  segunda  li- 
nha João  Barbosa  da  Cruz,   João  .Martins  de    Moraes,  Manoel  Germano 
de  .Moraes,  .\ssigno  como  procurador  do  Jozé    Ignacio  do  Oliveira  em- 
pedido  por  moléstia,  Pedro  Lino  da  Silva  Lopes.  Jozó  Vicente  Pereira. 
Como  Procurador  do  AUeres  Domingos   Barbosa  da  Silva  por  empedi- 


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231  REVISTA    T)0 


mento  do  eiironnidade,  Nicolau  do  Tolentino.  Como  Procurador  do 
Sarfíento  Comniaiidanto  Felisberto  Constâncio  Harbosa  da  Silva  por 
empedimento  tie  enfermidade,  Nicolau  de  Tolentino  Araújo,  o  1'adro 
José  Dias  Duarte,  .lozr  Teixeira  da  Silva,  Alleres  Francisco  -losu  da  Cu- 
nha, Joaquim  Manoel  do  Almeida  Pinto,  Capitão  de  Ordenanças  Joa- 
quim António  .Alarquei,  Luiz  Ferreira  do  St."  Como  Procurador  do 
Alferes  Francisco  de  PauUa  de  Moura  (lue  por  empedimento  de  sua 
enfermidade  não  pode  vir,  Josõ  Anxieta  Teixeira.  Assigno  como  Pro~ 
curador  do  Revd.  Francisco  José  da  Costa  por  impedimsnto  de  sua  in- 
fermidade,  Jozè  Anxieta  Teixeira.  Assigno  como  Prourador  do  Alfe- 
res António  Alves  Correia  pelo  impedimento  de  sua  infermidadc,  Joze 
Anxieta  Teixeira.  Como  Procurador  do  Capitão  Manoel  Teixeira  Bor- 
ges Aranha  por  causa  de  sua  infermidade.  Dominares  António  Fran- 
ças. Como  Procurador  do  Alferes  Joaquim  Alves  Couto  por  impedi- 
mento de  sua  infermidade,  Domingos  António  Franças.  Luiz  Teixeira 
Boríies  Amada,  Sargento  de  ordenanças  Ignacio  Alves  Naccntes,  Te- 
nente de  2.*  linha  Felicio  INIoreira  da  Silva,  Luciano  António  Cor- 
reia, António  Francisco  da  Motta,  João  Francisco  Leite,  Joaquim  Lo- 
pes Ferreira,  Joaquim  Lopes  de  Souza,  António  Jozó  de  Car^■alh01 
Jozé  Martins  Rodrigues,  Luiz  Fernandes  Vieira,  Manoel  Coelho  Fer- 
reira, António  Pereira  Sarmento,  Jerónimo  Fernandes  Moruyra,  Regi- 
naldo  António  Pereira  da  Costa,  Sargento  Manoel  Rodrigues  Pereira, 
Manoel  da  Silva  Mattosinho,  Cabo  Vicente  de  Freitas,  Manoel  Dias  da 
Silva,  António  Jozé  de  Oliveira  Bastos,  O  Padre  António  de  Souza 
Reis,  António  Teixeira,  Narciso  Corrêa  Lima,  José  António  Pereira, 
Francisco  António  de  Paula,  Porta  Estandarte,  .Alanoel  Pinto  de  Al- 
meida, Manoel  Henriíiuo  de  Souza,  Sargento  Miliciano  Francisco  Souza, 
Manoel  Felippe  Vianna,  Jozé  António  Gomes,  Jozé  Martins  Pacheco, 
João  Teixeira  de  Souza,  Francisco  da  Silva  Ferreira,  Domin- 
gos António  Ribeiro,  João  Villela  de  Araújo,  Joaquim  Jozé  da  Silva, 
Manoel  I*into  Ferreira,  António  de  :Meirelles  Coelho,  Estevão  de  Mei- 
relles  Coelho,  António  de  Souza  Alves,  Luiz  de  ^^loraes,  :Manoel  Luiz  de 
^Mendonça,  Francisco  Luiz  Corrêa  de  Paiva,  Tenente  de  Cavallaria  o 
Milícias  Bernardino  José  Pimentel,  Guarda-mòr  substituto  José  Fer- 
reira Gomes,  Porta  Estandarte,  Felippe  Dias  de  Souza,  Manoel  Alves 
Fernandes,  António  Dias  do  Couto  Manso,  Miguel  Caetano  da  Fonseca , 
Jozé  da  Costa  Santos,  Jozé  de  Almeida  Fonseca,  Sargento  do  Ordenan- 
ças Francisco  José  da  Silva,  Bento  dos  Reis  Filgueiras,  Euzel)io  dos 
Reis  Dutra,  João  Gabriel  de  Vasconcellos,  João  Francisco  de  Aguiar, 
Manoel  Martins  Gonçalves,  Luiz  Fernandes  Dantas,  Manoel  Ferreira 
da  Costa  Passos,  Luiz  António  Ribeiro,  Manoel  Vieira  Leito  ^'elho, 
Domingos  Jozé  Alvares,  António  Lopes  Chaves,  José  Joa(iuim  do  Rogo, 
Joaquim  José  do  N;iscimento,  Cassomiro  José  do  Nascimento,  Bernar- 
do Martins  de  Carvalho,  João  Abreu  e  Silva,  Capitão  de  Milícias  João 
Ignacio  da  Rocha,  Vicente  de  Souza  Santos,  Ajudante  de  2.-'  linlia  Ma 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  235 


noel  Joaquim  de  Aiaiijo,  António  da  Silva  Dias,  António  Caldeira  Hrat, 
Manoel  Ferreira  da  Silva,  .Manoel  José  de  AlVonseca,  Domin*íos  Tinto 
(lo  Almeida,  Manoel  Caetano  Rodrigues,  (írejrorio  Feniiindes  de  Mello, 
Josi';  Lazaro  da  Costn,  (luarda-mór  António  (lont.'alves  Couto,  <iuai'da- 
múr  Manoel  José  de  Harros,  Manoel  Fernandes  Ciuimarães,  João  Coe- 
lho Jacome,  Alferes.  Como  procurador  do  Capitão  Jozé  Rodrigues  (íal- 
vão,  ([ue  por  impedimento  de  infermidade  não  pode  vir  assinar,  João 
Coellio  Jacome,  Como  procurador  do  Manoel  Kspinello  íla  Silva  que 
por  impedimento  de  sua  enlerniidade  nã  >  podo  vir,  João  Coelho  Ja- 
come. Como  Procurador  de  João  Dias  de  Freitas  que  por  impedimento 
de  sua  enfermidade,  não  pode  vir,  João  Coelho  Jacome.  Como  procu- 
rador do  Alferes  Matlieus  (lomes  Ferreira  que  por  impedimento  de 
sua  infermidíide  não  pode  vir,  João  Coelho  Jacome,  Como  procurador 
do  Alferes  Alexandre  Maxado  Coelho  que  por  impedimento  de  sua  in- 
fermidade não  podo  vir,  João  Coelho  Jacome.  Como  procurador  do  Al- 
feres Leandro  Nunes  Figueiras  que  por  impoilimento  do  sua  enfermi- 
dade não  pode  vir,  João  Coelho  Jacome.  José  Fernandes  de  Oli- 
veira, José  Rodrigues  Matta,  Joaciuim  Lopes  Alves  Jacinto,  Comman- 
dante  do  ltal)ec  Jozé  António  Leite.  Como  procurador  do  Alferes  An- 
tónio Dias  de  Freitas,  pelo  seu  impedimento  de  enfermidade  Domingos 
António  França,  António  de  Araújo  Silva,  Jozé  do  Couto  Ribeiro,  Cus- 
todio Jozé  da  Costa,  Alferes  de  Ordenança  Silvério  Ribeiro  Souto, 
Sargento  Clemente  Rodrigues,  Nicolau  do  Souza  Teixeira,  José  líasilio 
de  Azevedo,  Joam  «íomes  de  Sousa,  Alferes  reformado  de  Milícias, 
José  Gonsalves  de  Barcellos,  António  Pedro  do  Rego,  João  Jozé  Fer- 
nandes, João  Alves  de  Carvalho,  Domingos  Jozé  Vieira,  Marcellino 
Nuno  de  Souza,  Manoel  Jozé  da  Roza,  Jozé  Monteiro  Novais,  António  é 
Martins  Roris,  Manoel  de  Harros  Araújo,  Manoel  Simão  de  Figueiredo, 
Sart."  d'Henrique,  Serafim  João  (íonçalves  de  Moraes,  Manoel  Monis 
Rabello,  Francisco  Xaviei*  de  Almeida,  Faustino  Pereira  da  Silva,  An- 
tónio Rodrigues  Masso,  Sargentí)  Domingos  Francisco  de  Almeida, 
João  Leandro  da  Cruz  Machado,  Simão  Maxim.»  Campello.  Como  Pro- 
curíidor  de  Jozé  António  dos  Santos  em  attcnção  aos  seus  impedimen- 
tos de  infermidade,  João  Leandro  da  Cruz  Machado.  Anastácio  Antó- 
nio dWzevedo  Barros,  Capitão  daS.""  linha,  O  Padre  João  da  Costa  P^oii- 
seca.  Alferes  Joaquim  do  Soiza  Monteiro,  Manoel  Brandão  de  Mello, 
Manoel  António  da  Silva,  Joa([nim  (íonçalves  de  Miranda,  Tliomé  Do- 
mingues Veiga,  Sargento  de  Infantaria  da  2.»  linha  e  Commandante 
da  8.*  Companhia  de  São  Gonçalo  do  Rio  Abaixo  e  agraduado  em  Ca- 
pitão, Manoel  António  Teixeira,  José  Alves  de  Almeida,  Francisco  Dias 
da  Silva,  Jerónimo  José  de  Sá,  João  António  d.i  Silva,  Manoel  Pereira 
Lima,  Domingos  António  da  Silva,  Francisco  Ignacio  Lima,  Francisco 
António  da  Silva,  Francisco  Alves  Caldas,  José  Oliveira  Castro,  Júlio 
Marciliano  de  Oliveira.  Assigno  como  Procurador  do  Alferes  Matheus 
Gomes  Ferreira  por  Procuração  que  apresento  por  causa    de  impedi- 


230  REVISTA    DO 


mentos,  Nicolau  de  Tolentino  e  Azovodo.  Como  Procurador  do  AUeres 
Tliomõ  Pereira  da  Roza  c  certidão  dei  doente  que  o  iuliabilita  de  poder 
vir,  Nicolau  de  Tolentino  e  Azevedo.  João    do  Araújo  Lima,  .loaquim 
de  Meirelles  Coelho,  Manoel  Avelino  da  Costa,  Francisco  de  Meirelles 
Coelho,  Luiz  Conçalves  de    Brito,  Joaquim  Manoel  de  Menezes.  Antó- 
nio Rodrijíues  da  Costa,  Joatiulin   Ferreira    de    Mello,  Furriel  da  Se- 
gunda Linha  de  eníantaria  Francisco  Severo    de  Souza,  João  Jozô  de 
Carvalho,  Manoel  Jozó  da  Costa,  Luiz    António  dos  Santos,   Ajudante 
do  Segundo  Regimento  do  Infantaria  do  C,  Agostinlio  Alves  Ribeiro, 
cabo  de  escuadra   da  2.^  linha,  Joaquim  José  de   Barros,  Sargento  de 
Ordenanças,  Simplício  Ribeiro  Neves,  Alferes  de  Ordenança.    Assigno 
como  procurador  do  Alferes  Gaspar  de  Souza   Brajidão    que  pela  sua 
infermidade  como  prova  pella    attestação    Simplício    Ribeiro  Neves. 
Procurador  de  Manoel  Alves  de  Araújo,  que  pela  sua    infermidade  o 
pode    fazer,    Quintiliano    Justino    de  Oliveira  Horta.  Como  Procura- 
dor de  Jozé  Caetano  Teixeira  da  Motta  que  pela  sua  infermidade  o  não 
não  pode  vir  fazer,   Quintiliano  Justino  de   Oliveira    Horta.  Joaquim 
Francisco  de  Almeida,  José  Justino  de  Oliveira  Gondim,  Manoel  Bicudo 
de  Alvarenga,  Joaquim  Américo  de  Brito,  António  José  de  Moraes,  João 
Jozé  de  Menezes.  Como  Procurador  do  Revmo.  Padre  António    Pedro 
de  Souza  que  por    causa    de  enfermidade    não  jjode    vir,  Romão  de 
Souza  Ribeiro.  Como  Procurador  de    Innocencio    Rodrigues  de  Castro 
que  por  moléstia  não  pode  vir,  Romão  de  Souza  Ribeiro.    Como  Pro- 
curador do  Capitão  Jozé  Joaquim  de  Menezes  que  por    enfermo  não 
pode  vir,     Romão    de    Souza  Ribeiro.  Como  Procurador  de  Joaquim 
Nunes  de  Mattos  que  por  enfermo  não  pode  vir,    Romão  de  Souza  Ri- 
%  beiro.  José  Vieira  de  Senna,  Manoel  Ribeiro  da  Torre,  António  Pinto 
Moreira,  Jozé  Ferreira  da  Costa,  Manoel  António  Furtado  da  Silva,  Luiz 
Rodrigues    Machado,  Alferes  de    Milícias  Amaro  Lobão  Botelho,  Joa- 
quim da  Rocha  e  Souza,  João  Fernandes  da*  Costa,  Vital   Jozé   Rodri- 
gues Silva,  Sebastiam  João   Duarte,  Bernardo  de  Freitas  Souza,    João 
Rodrigues  da  Costa,  Jozé  Joaquim  de  Menezes,  João  Nunes  de  Souza, 
António  de  Almeida  Lapa,  João  Capistr-ano  de  Almeida.  Como  procu- 
rador do  Alferes  António  dos  Santos  Ribeiro  que  por  impedimento  de 
sua      enfermidade    não     pode  vir    assinar,    João      Rodrigues     da 
Costa.      Sargento    Manoel   Dias    Duai^te,      Sargento    Domingos     Dias 
Duarte,     Joaquim    da,   Mota    Teixeira.     Assigno    como    Procurador 
dos  pessoaes  Domingos  António  Franças.    Assigno    como    Procurador 
do    Padre    João     Canelo     Ribeiro    por     encommodo    Alferes     Braz 
António    Vieira   em    razão   de    seu     justo    Impedimento,     Domingos 
António      Franças.    Manoel     Vilolla     de      Magalhães,     Tenente      da 
2."  Unha  de  Cavallarla  Paullo,  de  Araújo  Sylva,   Alferes  do   ordenan- 
ças. Como  Procurador  do  Capitão  António  Gomes  de  Abreu  Freitas  que 
por  Impedimento  de  sua  Infermidade  não  pode  vir,  Manoel  Villolla  de 
Magalhães  Tenente  da  2.*  Unha,  António  Pereira  Coura,  Basílio  Pereira 


AUCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  237 

Coura,Est;inislau  Domingues  da  Silveira. r'oIa  Communidade  e  Seminário 
da,  keal  Casa  de  N.  SonlioraMilo  dos  Homens,  o  Tadro  Leandro  Rehol- 
li)  Peixoto  e  Castro,  Supoi-ior.  Asssigno  como  Procurador  de  Manoel  Pe- 
reira Braga,  Francisco  Pereira  Hraga  e  Jozó  Uias  de  Freitas  —  Jozô  do 

Almeida  Bastos,  Jozé  Dias  Bicallid,  .Ictzó  [''renciscodos  Santos. O  Padre  ; 

Manoel    I.uis  António  da    Costa  Passos.    Procurador  de  Silvério  Dins  ! 

liicaliio,  quo  por  enfermo  não  pôde  vir  lazer,  o  Padre  Luis  António  da, 
Costa  Passos.  Felicio  Pereira  Barroso.  Assigno  por  Man0(d  Anlonio  Pe- 
reira por  impedimento  deste,  como  seu  bastante  procurtidor,  Domingos 

António  Franças.  Assigno  por  Manoel  José  dos  Santos,  como  Procurador  i 

Bastante  polo  impedimento  de  moléstia  que  tem  o  mesmo  Santos,  Ni- 
colau de  Tolentino  o  Azevedo.  Manoel  de  Souza  Graya,  Bonifácio  Ba- 
ptista de  .Jesus,  Manoel  Pereira  Chaves,  (luarda-Mór.  Assigno  a  rogo  de 
António  Rodrigues  Frade  como  seu  bastante  Procurador  pelo  motivo 
de  seu  justo  impedimento.  Domingos  António  Franças.  Francisco 
Domingues  Gomes,  Alferes  de  Ordenansia  da  Prata,  Francisco  Fer- 
nandes Ala,  .Jozé  Gonçalves  de  Gurgel,  Joaquim    Brandão  de    Mello, 

Jozé  Dias    Torres  de    Amorim,  Sargento  de    Ordenanças.    Manoel  de  . 

Soiza  Reis,  José  de  Soiza    lieis,     Vicente  Alves    Fernandes,  O  Padre  r 

Silvério  (jonçalves  de  Araújo,  Francisco  Alves  Ferreira,  Francisco  de 
PauUa  Rodrigues  Silva,  Capitão  de  Districto,  Manoel  Jozé  Vieira,  João 
AlVonso  Pereira,  Francisco  Moreira  dos  Santos,  Pantalião  Moreira  Ro- 
drigues, Manoel  Moreira  Marques,  Luiz  Marianno  de  Almeida  Fonseca. 
Asino  a  rogo  de  Luis  Barboza  Teyxeira,  como  seu  Procurador  e  pelo 
seu  impedimento,  Domingos  António  França.  Asino  á  rogo  de  Fran- 
cisco Barboza  Teyxeira,  e  Manoel  Barboza  da  Silva,  como  Procura- 
dor destes  e  pelos  seus  impedimentos,  Domigos  António  França.  Luiz 
Mariano  da  Silva  Perdigão,  Manoel  Gonçalves  de  Oliveira,  António 
Alves  Barrozo,  Luis  Corrêa  Pessoa,  Jozé  Rodrigues  Lima,  Caetano  Pe- 
reira da  Silva,  Capitão  de  Ordenansa  de  S.  Miguel.  Como  Procura- 
dor do  Cuadijutor  João  Bento  da  Cruz  que  por  sua  enfermidade  não 
pode  vir,  Caetano  Pereira  da  Silva.  Mecias  da  Costa  Pereira,  António 
Luiz  Alves.  Asino  como  Procurador  do  Padre  Jozé  da  Silva  de  Azeve- 
do, Capelão  Cura  da  Capella  de  Santo  Amaro  do  Arrayal  do  Brumado 
de  mato  tlentro  quo  por  causa  de  sua  enfermidade  não  pôde  vir,  Ma- 
noel da  Silva  e  Azt;\edo.  Miguel  da  Rocha  Ferreira,  Manoel  António 
Rodrigues.  Assigno  como  Procurador  do  António  Joaquim  Freitas,  que 
se  acha  molesto  em  Paços,  onde  hó  morador  e  por  isso  não  pode  vir, 
Romão  de  Souza  Ribeiro.  Assigno  da  mesma  sorte  como  Procurador 
de  António  Silvério  da  Silva,  morador  na  ltabira,que  por  enfermo 
não  pode  vir  assignar,  Romão  de  Souza  Ril)eiro.  Assigno  como 
Procurador  de  Francisco  Joaquim  de  Andrade,  morador  abaixo  da 
Itabira,  (jue  por  )uolestia  não  pode  vir,  Romão  de  Souza  Ribeiro. 
Assigno  como  procurador  de  Balthazar  Gonçalves  Martins,  morador 
om    S.   Miguel,  que    por  enformo   não  pode  vir,    Romão    do    Souza 


238  REVISTA   DO 

lvibeii'(».  Assifi'no  ctiiiio  prucurnilur  do  Alíeres  João  Gomes  de  Souza, 
morador  no  l-ii-umadinho,  que  por  enfermo  não  pode  vir,  Ilomão 
de  Souza  Ribeiro.  Assi^no  como  procurador  do  C.  Manoel  Martins 
da  Costa,  morador  no  Rio  do  Peixe,  que  por  moléstia  não  veio  — 
Jozó  Ancliieta  Teixeira.  João  Pereira  de  Andrade,  Francisco  P^ernan- 
des  Madeiras,  Joaquim  Felisberto  Ferraz,  Assigno  como  procurador 
de  Manoel  Fernandes  da  Silva,  qne  por  enfermidade  não  pode  vir 
Francisco  Ferraz  Madeiras.  Assigno  como  procurador  de  r^Ianoel  Gon- 
»;alves  de  Mendonça,  (jue  por  enlcrmidadc  não  pode  vir,  Francisco 
í\n'nande.s  Madeiras.  Assigno  como  procurador  de  António  Rodrigues 
Silva  que  por  enfermidade  não  pode  vir,  Francisco  Fernandes  Ma- 
deiras. As^gno  pello  Alferes  André  Rodrigues  da  Silva  como  procura- 
dor bastante  delle  por  se  achar  actualmente  enfermo  em  uzo  de  re" 
médios,  Nicolau  de  Tolentino  e  Azevedo.  Assigno  como  procurador  de 
Francisco  Ferraz  Coimbra,  Jozô  Luiz  Machado  e  Manoel  Jozé  dos 
Santos  por  empedimento  que  tem  o  causa  de  moléstia,  Nicolau  de 
Tolentino.  Assigno  pelo  Jozé  Rodrigues  Ferreira  por  moléstia  actual 
que  elle  padesse,  Nicolau  Tolentino  Azevedo  procurador  bastante  do 
mesmo  e  ordem  que  teve.  Assigno  pelo  Furriel  Francisco  da  Silva 
de  Oliveira,  como  procurador  deste,  em  razão  do  seu  impedimento. 
Domingos  António  Fi^ancos.  Boasventura  Gonçalves  Coelho,  M.  L. 
Xavier  Moreira,  Ignacio  de  Carvalho,  Leal  Vaçallo,  João  da  Costa 
Gama.  Assigno  como  procurador  do  Alferes  André  de  Medeiros  Braga 
que  não  pofle  vir  por  enfermidade  que  mostrou  por  atestação,  Félix 
Pereira  da  Silva.  António  Pereira  da  Silva,  Jozé  Fernandes  Vieyra,  Jozé 
Joaquim  Teixeii\a.  Assigno  como  procurador  do  Alferes  António  Do- 
mingues da  Silva  que  por  moléstia  não  pode  vir  faser,  João  Jozé 
Carneiro  de  [Miranda.  Assigno  como  procurador  do  Reverendíssimo 
Coadjutor  António  da  Costa  .Marinho,  O  Padre  Luis  António  França. 
Assigno  como  procurador  do  Reverendo  Manoel  Francisco  de  Souza 
Guerra,  O  Padre  Luiz  António  França.  Assi  gno  como  procurador  de 
António  Joaquim  Freitas,  António  Ferreira  da  Cunha.  João  Ferreira 
dos  Santos,  Felício  dos  Reis  de  Carvalho,  António  Romualdo  Mon- 
teiro. Assigno  como  procurador  do  Reverendo  Padre  Florianno 
Jozó    Ribeiro    que     não    pode     vir,    António    Romualdo    ^Monteiro. 


Termo  de  vereança  Geral  do  dia  dois  de  Fevereiro  de  mil  oito  cen- 
tos e  vinte  trez  —  Aos  dous  de  Fevereiro  de  mil  oito  centos  e  vinte 
e  três  nesta  villa  Nova  da  Rainha  do  Caethé,  na  Igreja  Matriz  da 
mesma  villa,  onde  se  achavão  reunidos  o  Juiz  Prezidente,  veriadores 
e  Procurador  da  Camará  e  os  Homeins  Bons  que  custumão  servir  na 
Governança,  olllciaes  de  sagunda   linha  e  das  ordenanças  e    muitos 


ARCIIIVO   PUBLICO  MINKIltU  239 

proprietários  desta  villa  e  sen  Termo,  aliaixo  assijiiiados.  Leu  o  l're- 
sideiite  um  ollloio  do  líxcellentissimo  Trocurador  (leral  desta  Pro- 
víncia, Kstevão  Rilieiro  de  Resende  e  li  um  protesto  deste  e  outros 
Procuradores  Gerais  do  Congellio  de  Sua  .Majestade  Imperial  con- 
tra a  Clauzula  do  Prévio  Juramentd  do  mesmo  Au^rusto  Senhor  á 
Constitui(;ão  que  houver  de  laser-se  no  l>ra/,il  pela  Asseml)lcia  I>e}íis- 
lativa,  encarrefíando  a  todos  que  dissessem  livremente  o  que  enten- 
(le(;('m  sobro  o  contiúdo  destes  dous  munumentos  por  todos  oniíor- 
mementc  Ibi  dito  quo  quando  elles  aderiram  a  seus  Irmãos  de  P«tr- 
tu^;;il,  para.  a  sua  K(ígenera(;ão  Politica  não  foram  movidos  por  su- 
jíestoins  liumanas,  nem  por  I-Isi)irit(»  do  curiosidade,  sim  pelo  in- 
stincto  irrezistivel  de  milhorarem  a  sua,  sorte  ja  latijíados  de  ve- 
Ihacoins  e  arhitrariedades;  que  similhmítimcnte  quando  se  acharão 
infíanados  na  isperanga  de   futuros  mais  lelizes   pela  tirania  do  Cttn- 

gro(;o,  o  <iual  dividindo  as  Províncias  <lo  15ra/,il  As  ilesaimava  para  res-  . 

seberem  novos  ferros,  elles  não  precisavão  de  informagoins  paia  ado-  I 

ptaroui  medidas  de  rezistencia  â  peroção  e  para  revendicarem  seus 
inauíeriveis  direitos    ofeutlidos,  estabele(;endo-ce    espontaniamente  a 

oj)iiiião    Publica,  de  que  as  Cortes  de  Portu^^al  eram  tiranas  e  de  que  / 

a  salva(;ão  do  Brazil  dependia  ile  medidas  diametralmente  opostas  a 
saber  da  conver>,'encia  das  Provincias  para  hum  sentro  comum  de 
fort^as  para  que  no  caso  de  reputa  da  Justa  Reclamação  se  lavraceni 
novo  Pacto  no  qual  nunca  deixaçe  de  ser  o  Chefe  do  Poder  Executi- 
vo o  Herdeiro  da  Monarquia  a  quem  o  Senhor  Dom  João  Sexto  havia  | 
conferido  a  Re}íencia  o  (jue  tudo  se  deprende  da  Deputação  desta  I 
Província  de  ([ulnzo  de  Fevereiro  do  Anno  passado  e  decreto  de 
qurlação  do  Concelho  dos  Procuradores;  que  deste  mesmo  decreto  o 
deputação  se  colhe  que  tanto  os  súditos  como  os  Regentes  se  conci- 
liavam m»  pedido  e  promessa  com  Juramento  de  huma  horganização 
sabia  Justa  e  adecuada  a  seus  inalienáveis  direitos,  decoro  e  futura 
felicidade,  (lue  tinhão  bem  presente  em  suas  memorias  que  sua  .Ma- 
gestade  Imperial  antes  da  sua  Exaltação  ao  Trono,  nunca  deixava  de 
Reconliecer  e  proclamar  a  Subranla  Nacional;  e  que  por  tanto  aclia- 
vão  não  terem  cometido  aljcssurdo,  e  nem  inovação  ])rigoza  em  esti- 
pularem a  condição  tanto  antes  pelos  Hrazilelros  proposta  e  por  Sua 
Magestade  Imperial  aseita;  dicerão  mais  que  se  nos  contratos  ordiíui- 
rios  deve  Reinar  a  clareza,  muito  principalmente  no  contracto  daAsii- 
ciação  de  hum  Povo  deve  brilhara  franqueza  e  Ingenuidade  e  portanto 
declaravão  que  a  Constituição,  a  cual  exigirão  o  prévio  Juramento 
de  sua  .Magestade  Imperial  e  que  elles  tamliem  não  dovldariam  asel- 
tar  se  entendo  do  hua  Constituição  Liberal  em  que  se  declai-em  os 
direitos  Políticos  e  individuais  dos  Hrazilelros,  e  o  hnperador  tenha 
todo  o  poder  o  esplendor  compatível  com  a  liberdade  e  que  linalmente 
detestavão  as  formas  democráticas  com  as  (|uaes  o  Corpo  Legislativo 
he  tudo  e  o  Rey  lie  nada;  e  por  conclusão,  dezejando  todos  ardente- 


240  REVISTA    DO 


mente  a  instalar-uo  do  nossa  Assembleia  Constituinte  e  Legislativa 
para  obrar  de  ocordo  com  o  Chefe  da  Suciedade  na  confecção  das  Leys 
que  hão  de  ol)ri}iaI-o  e  a  seus  súditos  ratiíicavão  os  poderes  que  tem 
dado  aos  Excellentissimos  Procuradores  Gerais  desta  Província  para  . 
que  em  Nome  dus  Povos  desta  Villa  eseu  Termo  possâo  requerer  e 
protestar  ein  seu  nome  tudo  quanto  for  conducente  para  a  prosperi- 
dade do  Império  e  bem  ser  dos  Povos  e  para  aquelle  Espelendor  da 
representação  Nacional  que  não  for  ofençivo  dos  nossos  direitos  po- 
líticos e  civis  :  e  desta  forma  houverão  por  íinda  esta  Acta  que  as- 
signão.  Eu,  Jozé  António  Fecundo  Vellozo  Escrivão  da  Camera  que 
o  Escrevy.  O  Juiz  Prezente  João  Baptista  Ferreira  de  Souza  Couti- 
nho, O  Juiz  Ordinário  Jozé  de  Sá  e  Bittencourt  e  Camará,  O  Vere- 
ador Jozé  Duarte  de  Lacerda,  O  Vereador  Jozé  Ferreira  Pinto,  O  Ve- 
reador Luiz  Jozé  Pinto  Coelho,  O  Procurador  Jozé  d'Almeida  Baeta. 
O  Juiz  dos  Orlãos  Manoel  Jozé  Pires  da  Silva  Pontes.  O  Juiz  Almota- 
cel  Francisco  Thomaz  Carneiro  de  Miranda,  Jozé  de  Sá  Bittencourt, 
Coronel  do  2."  Regimento  de  Infantaria,  Coronel  João  da  Matta  Ri- 
beiro, O  Coronel  Felicio  Monis  Pinto  Coelho,  O  Coronel  Jacinto  Pinto 
Teixeira,  Tencnte-coronel  Jozé  de  Mello  de  Souza  e  Almeida  Brandão 
e  Menezes,  O  Tenente  Sebastião  Jozé  de  Carvalho  Penna,  Manoel 
Carvalho  de  Moraes,  Vigário  da  Freguezia  da  Villa  do  Caeté,  O  Ca- 
pitão Mór  Felisberto  Jozé  Correia  de  Miranda,  O  Capitão  Paulo  Jozé 
de  Souza,  O  Capitão  João  Reis  Pinto,  O  Capitão  João  Gomes  de  Ara- 
újo, O  Cabo  Luiz  Soares  de  Gouveia,  O  Ajudante  António  da  Costa  Al- 
vares, Manoel  Pinto  Coelho  Furtado,  Tenente  de  l.*"  Linha  Pedro 
Pereira  de  Almeida  Rego,  o  Capitão  Jozé  de  Aguiar  Leite,  Tenente 
Comandante  do  2.-  Regimento  Felisardo  JNIendes  Teixeira,  Paulino 
da  Costa  Pacheco,  João  Vieira  de  Godoy  Álvaro  Leme,  o  Capitão  An- 
tónio Gomes  de  Abreu  e  Santos,  Brás  Ferreira  de  Araújo,  O  Capitão 
João  Jozé  Ferreira  de  Abreu,  Tenente  da  Cavallaria  de  Miliciana  An- 
tónio Jozé  Ribeiro,  O  Porta  Estandarte  de  Cavallaria  Quitiliano  Jus- 
tino de  Oliveira  Horta,  O  Porta  Estandarte  Feliciano  Ferraz  Costa,  O 
S.  I\I.  Manoel  Gonçalves  de  Oliveira,  O  Capitão  Pedro  Lyno  da  Silva 
Lopes,  Vital  Jozé  Rezende  Silva,  Manoel  Fernandes  da  Conceição» 
Vicente  Mis  Pereira,  proposto  Tenente,  O  Alferes  José  Joaquim 
de  Figueiredo,  O  Capitão  Caetano  Pereira  da  Silva,  O  Alferes  Theoto- 
nio  Gomes  da  Cruz,  O  Capitão  João  Asevedo  Camará,  João  da  Motta 
Teixeira,  Luis  Jozé  dos  Santos,  OS.  M.  João  Mis  de  Oliveira, 
Roberto  Gomes  da  Silva,  Sargento  Felisberto  Chrysostomo  Barbosa  da 
Silva,  Sargento  Comandante  de  Gerão  e  Tanque,  Tenente  Jozé  Cor- 
reia Araiijo,  O  Capitão  Joaquim  Manoel  de  Almeida  Pinto,  O  Al- 
feres Gaspar  de  Souza  Brandão,  O  Ajudante  Manoel  Furtado  Leite, 
Manoel  Mis  da  Costa,  O  Alferes  Joaquim  Pedro  de  Azevedo  Coim- 
bra, Alferes  Elias  Pereira  Aílonço,  Jozé  LuciaHO  Pereira  da  Costa, 
Joaquim  Gomes  Leme,  O  C.    António    Roiz    Lima,    Vicente  Jozé   Mo- 


^ 


ARCHIVO  PUBLICO  MINRIRO  241 


reira,  I)omin}íos  António  Friin(;;i,  S;it';innto  Jozó  da  ivoclia  Lima,  .Jorio 
Alvos  de  Souza  foutiiilio,  Francisco  Xa\i(!i'  Hitoncoiirt  1'oroyra  de 
Noronha,  Manoel  Jozé  Ferreira  Saríjento  «la  l".  Conipanliia,  Capitão 
Severino  da  Costa  Ribeiro,  1.-  Tahellião  Severino  Spares  Ferreira, 
António  Monoel  do  Souza  (íuorra,  (íaspar  do  Souza  Uios,  Francisco 
Doniinííos  (ionios,  .lozõ  i'eroira  Albnço,  M;inoel  Jozò  Vioií-a,  António 
T('ixcii'a  Horfíos  Aiulrado,  António  .lozò  Pinheiro,  Joaquim  .Io/ó  do  Bar- 
ros, João  Jozô  Carneiro  de  Miranda,  João  Mis  do  Oliveira  Salazar, 
Tenente  Jacinto  Jozó  de  Almeida,  João  Jozó  da  Silva  Martins,  Jíjzó  Ro- 
drigues Lima,  Furriel  Manoel  Jozò  dos  Santos,  Sebastião  Alves  do 
Araújo,  Sarfíento,  António  de  Magalhãos  1'ortilho,  Jozé  Jojiquim  (ío- 
mes  do  Nascimento,  Jozó  de  Souza  Telles  (iuimarães,  António  1'orti- 
lho de  Magalhães,  João  Jozó  de  Moraes,  Sargento,  Félix  Pereira  da 
Silva,  João  Gomes  da  Cunha  (louveia,  (imirda  Mòr  da  2'.  Linlia,  Jozó 
Luís  da  Rocha,  Furriel,  João  Aharos  Portugal,  Jozó  (iongalves  Mo- 
reira, António  Ferreira  da  Cunha,  Advogado,  João  Honto  Padilha,  Ful- 
gencio  Moreira  Maya,  Brathazar  (lonçalves  Martins,  Eugénio  Ferreira 
Neves,  Tenente,  Eugénio  de  Moraes  Pires,  Alleres  de  Cavallaria, 
Manoel  da  Rocha  Soares,  Sargento,  Tliomó  Domingues  Veiga,  Jozé 
Silvério  Pereira,  Tenente,  Jozé  Luiz  Machado,  Tenente  Domingos 
Rodrigues  Vieira,  Ajudante  Luis  António  de  Azevedo,  Sangento  Ha- 
zilio  Joaquim  de  Moraes,  Aleixo  da  Costa  Pereira,  Alíeres  de  Caval- 
laria, José  Antunes  Ferreira,  Furriel,  Miguel  de  Andrade  Silva,  Sar- 
gento, Manoel  Francisco  Moreira,  Sargento,  I\Ianoel  Fernandes  da 
Trindade,  Jozé  Fernandes  Lobo,  André  António  de  Almeida,  Manoel 
Ribeiro  de  Magalhães,  António  dos  Passos  Ferreira,  Joaquim  Pinto  de 
Oliveira,  Furriel  de  Milícias,  Francisco  António  da  Camará,  António 
Gomes  dos  Santos,  Padre  Jozô  Ferreira  da  Cunha,  O  Padre  António 
Alves  Souza  Coutinho,  O  Padre  Luis  António  da  Costa  Passos,  O  Pa 
(Ire  Manoel  Pinto  Ferreira,  O  Padre  i-uis  António  França,  O  Padre 
Nicolau  Gomes  de  Aaraujo,  Ignacio  dos  Santos  Baptista,  Capitão  Co- 
mandante João  Jozé  Soares  de  Gouveia,  Romão  de  Souza  Ribeiro, 
Advogado  não  formado,  O  Capitão  Jozé  Caetano  Teixeira  Souto,  Antó- 
nio Romualdo  Monteiro,  João  Chrysostomo  da  Matta,  Capitão  Ignacio 
Jozé  Borges,  Capitão  Jozé  Anxieta  Teixeira,  Francisco  Jozó  da  Fon- 
seca, António  Teixeira  Miranda,  S.  g.  António  Pereira  da  Alfonseca, 
Jozó  Theotonio  da  Paixão,  Porta  Bandeira,  Francisco  Gomes  da  Cruz, 
João  Alves  de  Almeida,  Jozé  da  Costa  Aguiar  de  Stá,  João  Nepomu- 
ceno  Pereira,  Manoel  Jozé  Dias,  Agostinho  Nunes  de  Faria,  Joaquim 
António  da  Silva,  Manoel  António  da  Silva,  Nicolau  de  Tolentino  e 
Azevedo,  Joaquim  Dias  de  Cirqueira,  Alíeres  da  3."  Linha,  O  Major 
de  Cavallaria  Jozé  Feliciano  Pinto  Coelho. 


242  REVISTA  DO 


Tornio  de  juramento  quo  presta  I\Ianoel  tUi  Fonseca  Franco  —  Aos 
(lezenove  dias  do  mez  de  Abril  de  mil  e  oito  centos  e  vinte  e  trez 
do  dito  anno,  nesta  Villa  da  Rainlia  de  Nossa  Senhora  do  Bom  Siic- 
cesso  do  Caethé,  comarca  do  Rio  das  Vellias,  nos  Passos  do  Conse- 
llio  delia  onde  presentes  se  acliavão  em  acto  de  veriação  o  Juiz  or- 
dinário Presidente  João  l^aptista  Ferreira  de  Souza  Coutinlio,  e  mais 
officiaes  da  Gamara  aljaixo  assignados,  commigo  Escrivão  adeante  no- 
miado,  e  alii  apareceu  presente  INIanoel  da  Fonseca  Franco,  que  que- 
ria prestar  juramento  de  Fidelidade  ao  Prezente  Impei-io  do  lírazil 
por  estar  ou  vir  agora  nelle  Residir,  e  logo  pelo  dito  Juiz  Presi- 
dente Ibe  loi  deferido  o  Juramento  dos  Santos  Evangelhos  em  hum 
livro  delles,  em  que  poz  sua  mão  direita,  e  lhe  encarregou  juraçe 
de  Rezidir  no  dito  Império  com  suburdinagão  as  Leis  delle,  a  pena 
de  íicar  incurço  nas  mesmas  e  recebido  por  elle  assim  o  prome- 
teu cumprir  na  forma  que  hera  obrigado  e  que  em  tudo  se  sujei- 
tava ás  penas  das  Leis  e  para  constar  mandou  o  dito  Juis  faser  este 
termo,  em  que  assignou  com  as  mais  testemunhas  e  o  dito  Jurante, 
E  eu  Jozé  António  Fecundo  Velloso,  Escrivão  da  Camará  que  o  Es- 
crevi —  Souza  Coutinho^  Lacerda,  Lopes,  Manoel  da  Fonseca  Fran- 
co. 


-Caiíiaía  de  §.  Jeao  ii'EI-R8f 


í 


Termo  de  abertura.  —  Aos  vinte  dias  do  niez  de  outubro  de  1825, 
quarto  da  Independência  e  do  Império  nesta  Villa  de  S.  João  d'El- 
Jtey,  Minas,  e  Comarca  do  Rio  das  Mortes,  em  Casas  da  Camará 
delia,  acliando-se  alii  reunidos,  o  Padre  Francisco  António  da  Costa, 
o  Padre  Mestre  José  Lameda  de  Oliveira^  o  Padre  Mestre  José  Joa- 
quim de  Santa  Anna  o  Felippe  Gomes  Pereira,  ]\Iembros  da  Commis- 
sâo  nomeada  para  a  redacção  dos  acontecimentos  Políticos  que  tivo- 
rão  lugar  nesta  Villa,  e  seu  Termo  desde  o  anno  deT821  ate  ao  pre- 
sente, encarregada  para  o  dito  lim  pelo  Olíicio  de  15  do  dito  mez,  e 
anno  do  Doutor  Juiz  do  Fora  Prezidcnte,  e  mais  Officiaes  da  Camará, 
que  actualmente  servem  ;  logo  se  procedeu  a  eleição  de  Secretario 
que  foi  por  aclamação  eleito  Felippe  Gomes  Pereira.  ,E  no  mesmo 
acto  deu  principio  a  Commissão  aos  seus  trabalhos;  para  cujo  íim 
lhe  forão  aprezentados  pelo  Escrivão  da  Camará  todos  os  Livros,  e 
papeis  olíiciaes  existentes  no  seu  Archivo,  que  a  mesma  julgou  ne- 
cessários para  o  desempenho  desta  tarefa.  E  para  constar  fasso  esto 
termo,  e  eu  Filippe  Gomes  Pereira  Secretario  eleito,  que  o  subscrevi, 
o  assino  com  os  mais  Membros  da  Commissão.  —  O  Padre  Francisco 
António  da  Costa,  O  Padre  José  J^ameda  d'01iveira,  O  Padre  José  Joa- 
quim de  Santa  Anna,  Filippe  Gomes  Pereira. 

A  Commissão  nomeada,  de  pois  do  examinar  todos  os  Livros,  e 
mais  papeis  oUiciaes,  que  se  conservão  no  Arcliivo  desta  Camará, 
Memorias  dos  Agentes  de  Donativos  para  a  Marinha  do  Império,  ur- 
gências do  Estado,  e  socorro  aos  habitantes  da  Província  da  Bahia, 
aprezenta  o  seguinte. 


244  REVISTA    DO 


REGISTROS  DE  ORDENS  REGIAS  DO  ANNO  DE   \H-A 

A  f.  17  V.*  vè-so  hum  Ollicio  do  Capp.""  General  D.  JMaiiocl  de  Por- 
tugal e  Castro  de  10  de  Março  de  1821  dirigido  a  esta  Camará,  pelo 
qual  lhe  participa,  q.«  S.  M.  o  Senhor   Rey  D.  JoSo  6.*   por  Avizo  de 

26  de  fevereiro  do  dito  anno  fora  servido  declarar,  que  aprovava  a 
Constituição,  que  se  estava  fazendo  em  Lisboa,  para  ser  observada 
no  Reino  do  Brazil,  e  nos  mais  Domínios  da  Coroa. 

A  f.  17  V.*  e  18  acha-se  hum  Olficio  do  mesmo  Exm.  Capp.'"  Gene- 
ral de  2  de  Abril  de  1821,  pelo  qual  faz  ver  a  esta  Camará,  que  S  M. 
o  Senhor  D.  João  6.'  por  Decreto  de  7  de  Março  do  mesmo  anno  fora 
servido  detei  minar  a  todos  os  Governadores,  Cappitães  Generaes, 
Authoridades  Ecleziasticas.  Civis,  e  Militares  das- Províncias,  que  pre- 
'stassem  Juramento  de  observar,  manter,  e  guardar  a  Constituição, 
e  o  mesmo  fizessem  observar  aos  seus  Súbditos,  e  Subalternos,  da 
mesma  maneira,  que  foi  prestado  pelo  Mesmo  Augusto  Senhor,  e  mais 
Familia,    Povo,    e  Tropa  na  Corte  do  Rio  de  Janeiro. 

A  f.  18  V.-  e  19  se  vé  hum  Offlcio  do  Dezembargador  Ouvidor 
desta  Comarca  de  7  de  Mayo  de  1821,  dirigido  a  esta  Camará  com  a 
Carta  do  Capp."^  General,  incluzos  o  Decreto,  e  Instruçoens  para  as 
Eleiçoens  Parochiaes,  pelo  qual  recomenda  a  prontidão  das  mesmas 
exigindo-se  dos  Parochos  os  respectivos  Mappas  de  População  com  a 
p  ssivel  exactidão. 

A  f.  19  té  21  ve-se  hum  Offlcio  do  mesmo  Exm.     Capp.™  General  de 

27  de  Abril  de  1^1,  dirigido  ao  Ouvidor  da  Comarca  com  32  Exem- 
plares, e  outros  tantos  das  Regias  Instrucçoens,  que  devem  servir  de 
regra  para  as  Eleiçoens  de  Deputados,  pelo  qual  authoriza  ao  mesmo 
Ouvidor  por  A\;^zo  de  23  de  Março  do  dito  anno  para  fazer  aquellas 
modiíicaçoens,  que  elle  julgasse  convenientes:  quanto  aos  paragra- 
phos  28  e  29  declarativos  da  reprezentação  Nacional,  deliberou  dever 
comprehender,  não  só  os  ali  especificados,  mas  a  toda  a  pessoa  de 
representação  pelos  seus  previlegios,  ou  propriedades,  exceptuando- 
se  somentes  os  mendigos,  vadios,  e  sem  offlcio  ;  assim  como,  que  os 
Eleitores  do  Comarca  houvessem  de  comparecer  na  Capital  até  o  dia 
15  de  setembro  do  mesmo  anno,    para  as  Eleiçoens    dos  Deputados. 

A  f.  23  até  31  v.*  achão-se  registrados  o  Decreto  de  7  de  Março 
de  1821,  e  as  Instrucçoens  para  as  Eleiçoens  de  Compromissarios,  e 
Deputados  da  Constituição,  Contendo  —  103  artigos  todos  descriptos 
em    theor. 

A  f.  33  athe  36  ve-se  huma  Carta,  que  esta  Camará  dirigio  ao 
Capp."  General  em  datada  12  de  Mayo  de  1821  em  que  descreve  cir- 
cunstanciadamente o  patriotismo  digo  o  patriótico  cnthusiasmo  de 
que  se  possuirão  os  habitantes  desta  Villa,  illuminando-se  esponta- 
niamente  na  noite  de  10  de  Março,  em  que  souberão,  que  S.  M.  se 
dignara  Jurar  a  Constituição  no  dia   26  de  Fevereiro  pretérito,    se- 


AHCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  261 


depois  de  ponderado  a  utididado  rozultante  da  adopgão  do  m.'"' 
Projecto,  aiiiiiiifn<j  lodos  os  Cidadãos  (|U(!  se  adiavílo  prozentos  e  se 
assiííiiarão. 

AC.  5(i  se  ve  que  esta  Camará  Acordou  i-iu  i'emotter  para  aCorte 
a  Cei"f,idão  da  Acta  (leral  do  dia  11  do  corrente,  etodos  os  mais  papeis 
relativos  a  Reprozeiítat^ão,  q.-  esta  Gamara  p.""  si,  e  cm  nome  dos 
liahitantos  deste  Termo  faz  a  S.  M.  1..  ro.íjando  ao  Mesmo  Augusto  Se- 
nhor liaja  p  '■  bem  .Iui'ar,  e  mandar  c|uo  se  Jure,  e  adopte  como  Consti- 
tuição do   Império,   o   Trojectop.'    iille  oderecido. 

Al".  71  te  77  V.'    se  encontra  o  Auto  de  Juram.'"    prestado  a  Cons- 
tituií^ão  F^olitica   do   lmpoi"io   do    Hruzil  no    1.'  do    Maio  de  1824,    no 
t|ual  se  ve  ser    o  Juram. '•^    na    formula    sefíuinte  —  Juro  aos  .Santos 
Kvangellios  obedecer,  e  ser  tiel  á  Const,ltuii;ão  Politica  da  Nagão  Bra- 
zileira,  a  todas  as  suas  Leis  e  ao  Imperador  Constitucional,  e  Defen- 
sor Perpetuo  do  Brazil  o  Senhor  Dom  Pedro  1.*,  e  assim  o  praticarão 
todas  as  dilferontes  Classes  q.'     se  acliavão  prezentcs,  e  assignarão- 
se  ;  e  a  Camará  .\cordou  em  participar  ao  Exm."    Menistro,   e  Secre- 
tario de  Estado  dos  Negócios  do  Império  o  ter  se  aqui  prestado  o  So- 
lemne   Juram.'"    a    mencionada    Constituição,  rogando  ao    m.  ■'"  Me- 
nistro se  Dignasse  elevar  á  Augusta  Prezcnga  de  S.  M.  1.  os  aconte- 
cim.'"=*  que    tiverào  lugar  nesse  dia,  euju  discrição    he    do  theor    se- 
guinte. Illin.   e  Exm.  Senhor. —  A  Camará  da  V.'    de     São  João  de  El- 
Rey  leva  ao  conhecim.'-  de  V.    Ex."  p.'    constar   a   S.     M.    !.,    que, 
em  observância    do   Decreto  do    11  de  Março   próximo  pretérito,  foi 
ir(iui  prestado    o   Sijlemne    Juram.''     do    ol)ediencia   á    Constituição 
Politica  da  Nação  Brazilelra,  como  consta  da  certidão,  q.'  vai  junta  : 
e  para  que  appareça  perante  o  .Mesmo  .\ugusto  Senhor  aquelle  entliu- 
siasmo  patriótico,  de    que  este  generozo,    e   liei    Povo    se  mostrava 
então  possuído,  julga  a  m."'  Camará,    que   cumpre  seu  dever  appre- 
zentando  a  V.  Ex.'  o  seguinte,  ligeiro,    mais    exacto  esboço  das  cir- 
cunstancias, que  concorrerão   para    maior  Solemnidade  daquelle  glo- 
riozo    Acto.  No  1."  dia  do  corrente  mez  de  Mayo  pelas  sinco  horas  da 
madrugada,  ao  estrondo  de  uma  girandola,  que  das  Gazas  de  sua  re- 
sidência fez  subir   o  Doutor  Juiz    do    Fora  Joze  Gezario  de    Miranda 
Ribeiro,  repicarão  os  Sinos  de  todas  as  Igrejas  desta  Y.»  ;  soarão    as 
trombetas  do   1.'  liegim.'"   de  Cavallaria   da  2.  i  Linha   desta  Comarca, 
mandadas  postar  pelo  respectivo  Comandante  o  Coronel  Francisco  de 
Paula  Barboza  nas  eminências,  q.»    cercão    a    m.'"*  V.»   ;    ouvio-se  a 
muzica  do  Regim.'"  de  Infantaria,  de   que  he  Chefe  o  Coronel  Fran.»» 
cisco  da  Costa  Monteiro,  Salvou  competentemente  a  caza  da  Gamara, 
o  desta  maneira  com  a  harmonia  dos  Sinos,  das  trombetas,  da  mu- 
zica, e  dos  fogos    foi  Saudada  aprecursora  da  quelle  venturozo   dia. 
Depois  deste  harmoniozo  festejo,  que  durou  p.""    mais  do  huma  hora, 
apprezontava-se  esta  Villa  aos  olhos  do  observador  patriota  um  qua- 

A.  P.-õ 


í 


262 


REVISTA  CO 


dro  tleporfoita  alejíria  :  tudo   estava  em    movimento:  Inins   cuidavão 
da  limpeza  das  ruas,  outros  do  rico  ornato  das  suas  cozas  ;  numeroza 
Soldadesca  p.f    diversos  caminhos  procurava  reunir-se  nos  pontos  das 
suas  respectivas  paradas;  enchia  as  ruas  de  immenso  numero  de  Ci- 
dadãos; que  ricamente  vestidos  concorrião  p.'    as  cazas  da    residên- 
cia  do  mencionado  I)r.   Juiz   de  Fora,    d'onde    einpompozo    préstito 
havia  de  ser  conduzida  p.^    as    Cazas    do  Consellio,    a   Constituição, 
que  se  havia  jurar :  e  esta  agitação,  liem  de   monstradora  da  pureza 
dos  sentimentos  desta  porção  dos  gonerozos  Brazileiros,  durou  até  as 
onze  horas   e  meia  da  manhã.  A  este  tempo  o  Regimento  de  Infanta- 
ria, ricamente  preparado,  marchando  do  largo   da  Camará,  ao  som  de 
muito  bem  concertada  muzica  se  foi  reunir  no  largo  de  Sam  Francisco 
á  numeroza  Cavallaria,  que  ahi   já  o  esperava  também    ornada  com 
o  maior  possível   aceio,  e  montada  soljre  os  soberbos,    e  bem  doutri- 
nados Cavallos:  e  logo  feitas  as  devidas  continências,  o  já  mencionado 
Coronel   Francisco  de  Paula  Barboza,    como  Comandante  da  Brigada, 
pondo  toda  a  Tropa   em  movimento,  e   fazendo-a  marchar  pela  rua 
de  São  Francisco,  mandou  fazer  alto   na  quelle  ponto,  em  q."   esta  he 
cortada  pela  outra  da  Intendência,  p.^   dar  logar,    a  q.«   passase  pela 
sua   frente  a  Camará,  que  já  então,  tendo  sido  antecedentemente  p.  ■■ 
elle   avizada,   sahia  da   morada   do  Doutor  Juiz  de  Fora  procedida  do 
immenso  numero  de  Cidadãos,  de  que  á  pouco  se  foz  menção,  elevando 
immediatamente  diante   de  si  aíigura  da  America ;  que  muito  rica,  e 
apropriadamente  vestida  tendo  na  mão  o  Sagrado  Código,  com    que 
S.  M.  I.  acabava  de  coroar  agrando  obra  da  nossa  existência  politica 
p.r    Elle  tão  heroicamente  começada,  e  mostrando  a.todos  este  objecto 
de  seus    puros  prazeres,  accendia  nos  peitos  Brazileiros  aquelle  en- 
thuziasmo  nascido    do  verdadeiro  amor  da  pátria  do  respeito,  efede 
lidade  ao  Grande  Senhor  D.   Pedro  1."  aquelle  enthuziasmo,  digo,  que 
se  desemvolvia  em  taes  de  monstraçoens  de  contentamento,  que  se  a 
Camará  quizesse  pintar  com  suas  vivas  cores,  merecera  talvez  a  nota 
de  exageradora,    q.*""  no    seu    modo  de    sentir  não    expremia  senão 
metade.  Ao  passar  pela  frente  da  Tropa  a  Camará  com  todo  acompa- 
nhamento mencionado,    huma  grande  girandola,  que  mandou  soltar 
da  Intendência  o  Dr.  Juiz  de  Fora,  foi  o  signal,  p.*    q.»   se    ouvissem 
em  diversos  pontos   desta  Villa  p.""    dispoziçoens  da  Camará,  iguaes 
demonstraçoens  de  jubelo,  q.«    era  augmentado  pelo  continuado  repi- 
que de  todos  os  Sinos:  e  então  na  mellior  ordem  possível  os  Cidadãos,  a 
quem  precedia  uma  guarda  avançada  de  Cavallaria,  apòz  estes  a  figu- 
ra da  America,  que  conduzia  a    Constituição  immediatamente  depois 
a  Gamara,    e  logo  a  Cavallaria,  a   Infantaria,  e  o  Povo  ao    som  das 
sonorosas  trombetas,  e  bem  afinadas  muzicas  se  dirigirão  aos  Paços 
do  Conselho,  passando  p."    grande  numero  de  ruas  q."    oíTerecião  ao 
olfato  o  suave  a  romã  das  mimozas  flores,  que  as  alcatifavão;  e  cujos 
edeflcios  de  um  o  çutro  lado,  magnificamente  adornados,  e  apinhados 


AUCHIVO  PUnLICO  MINRIRO  203 

(lo  pravos  Matronas,  o  Ibrmosas  DonzcUas  parocião  outros  tantos 
Templos  de  jiloi-ia,  doilicados  ao  heroísmo,  o  Constitucioiíiilidado  do 
nosso  Defensor  I'er])otuo,  Nas  ca/.as  do  Conselho,  preparadas  com  a 
majiiiiliconcia  correspondente  ao  suldinio  Acto,  que  se  ia  nellas  pra- 
ticar, apenas  entrou  a  parte  cnie  ora  possível  ali  caber  deste  nume- 
rozo  concurso,  lopo  pelo  l)r.  .Iiiiz  de  iMira,  Prezídento  da  Camará, 
posto  de  Joelhos,  e  com  amão  direita  sobro  o  Livro  dos  Santos  Evan- 
gelhos, que  estava  sobre  luinia  grande  meza,  Toi  prestado  cm  vós 
alta,  o  intelliííivel,  o  Solemno  .luramonto  de  obediência  e  fedelidado 
á  Constituiyfio  Politica  da  Nação  Brazileira  a  todas  as  suas  Leis,  e 
ao  Senhor  D.  Pedro  1.-  Imperador  Constitucional,  e  Defensor  Perpetuo 
do  Brazil,  com  toda  a  Sua  Auirusta  Dinastia,  no  q."  Ibi  seguido  pelos 
mais  OíVcciaes  da-  Camará,  c  Cidadãos  de  todas  as  dilYerentes  Clas- 
ses pela  maneira  que  consta  da  Certidão  junta  :  até  que  dan- 
do-so  depois  de  algumas  horas  p.""  terminado  este  Acto 
na  quelle  dia,  e  fazendo-so  disto  avizo  ao  Comandante  da  Tropa,  cui- 
dou este  immcdiataiuente  de  a  mandar  formar  em  linlia  ;  o  logo  sa- 
hindo  ao  meio  da  Pra(;a  a  Camará  acompanhada  dos  Cidadãos,  o  ahi 
pelo  seu  Prezidcnte,  íbrão  repetidos  os  seguintes  —  Viva  —  a  Santa 
Religião  Catholica  Apostólica  Romana  —  Viva  a  Constituição  Politica 
da  Nação  Brazileira  —  Viva  o  Senhor  D.  Pedro  1.»  Imperador  Consti-  ' 

tucional,  e  Defensor  Perpetuo  do  Brazil,  e  toda  a  sua  Augusta  Dinas- 
tia ao  que  respondeu  todo  o  Povo,  e  a  Tropa,  que  salvou  com  três 
descargas,  sendo  prehoncliidos  os  intrevallos  com  muito  alegre  musi- 
ca, o  cstrondozo  fogo  em  diversos  pontos  da  V.*  Daqui  com  a 
mesma  ordem,  com  que  sahio  da  Intendência,  dirigio-se  todo  o  prés- 
tito à  Matriz,  onde  com  hum  Solemno  Tò  Deum  se  renderão  ao  Su- 
premo Numen  as  devidas  graças  pelo  gloriozo  motivo  de  nos  ver-mos 
Constituídos,  00  que  mais  he,  possuindo  entre  nós  na  llor  dos  seus 
annos,  o  Autor  desta  grandíssima  Obra  :  e  que  doce  recordação  !  !  ! 
Vindouros,  he  muito  mais  felix  que  vós  a  geração  prezente,  embora 
vos  caiba  somente  colher  sasonados  fructos  da  Arvoro,  que  vemos 
agora  plantada  apenas  ;  em  bora  nascidos  nos  Séculos  futuros  a  som- 
bra desta  Constituição  Sublime,  já  bem  arregada,  etendo  em  toilo  o 
seu  desemvolvimento  os  inapreciáveis  princípios,  q.«  ella  abrange, 
em  bora  sim,  goseis  logo  desde  o  berço  da  quella  completa  felicidade, 
de  que  vemos  apenas  traçadas  as  primeiras  linhas,  nós  possuímos 
entre  nós  o  Auctor  dessa  felicidade,  jà  vimos  aqui  mesmo  nestes  lu- 
gares o  Immortal  Defensor  Perpetuo  do  Brazil,  vivemos  no  Império 
do  fundador  da  Liberdade  Brasileira,  sim  no  Império  do  Senhor  D. 
Pedro  Primeiro,  cujo  Nomo  ouvireis  com  pasmo,  e  isto  basta  vindou- 
ros, invejareis  anossa  sorte.  ?tlas  volta  jà  a  Camará,  Exmo.  Senhor 
desta  pequena  digressão  nascida  do  patriotismo,  de  que  ella  se  acha 
possuída,  á  discripção  que  hia  fazendo.  Depois  daquelle  Solemne  Tô 
eum  com  a  m.'"»  ordem  já  discrita,  em  caminhou-so    todo  o   prés- 


264  REVISTA    DO 

tito  pelo  outro  lado  da  Villa  igiialnionte  adornado  ao  largo  de  S3,o 
Francisco,  onde  posta  a  Camará,  com  os  Cidadãos  no  centro  da  Pra- 
ça, e  a  Tropa  em  linha,  de  pois  de  varias  evoluçoens  íbrão  pelo  Co- 
ronel Francisco  de  Paula  Barboza  repetidos  os  Vivas  a  cima  mencio- 
nados, aque  respondeu  toda  a  Tropa,  e  Povo  com  o  m.""  enthusias- 
mo,  e  grandíssimo  estrondo  do  fogo  :  elogo  a  companhada  dos  oíflci- 
aès  da  Cavallaria  apó  do  Regimento  de  Inlantaria,  e  de  todo  o  Clero, 
Nobreza,  e  Povo,  A'oltou  aCamara,  p.^  guardar  o  seu  Estandarte  ás 
cazas  do  Conselho,  onde  todos  se  dispedirão,  para  irem  cuidar  da  il- 
luminaçcão,  q.'*  devia  terminar-se  na  terceira  noite  seguinte,  e  na 
quella  começou  d'ali  apequeno  espaço  de  tempo,  quando  também  o 
concerto  de  Muzica,  com  que  sahindo  das  mesmas  Casas  do  Concelho 
o  Prezid.«  ,  Vereadores,  e  Procurador  da  Camará  de  companhia  com 
o  Coronel  Fran.»»  de  Paula  Barboza,  os  Off.es  do  Corpo  do  seu 
Comando  e  muitos  Cida.dãos,  passarão  até  alta  noite  pelas  ruas  desta 
Villa,  q.'^  acada  passo  estrondava  com  muitos  íbgos  de  artelicio.  Es- 
ta he,  Exmo.  Senhor,  exactamente  a  solemnidade  com  q.»  foi  nesta 
terra  praticado  a  quelle  acto,  e  alfirmando  a  Camará,  q.^  ella  não 
pode  expressar  o  enthusiasmo,  com  que  cada  huma  das  diíierentes 
Classes  da  Sociedade  caprichava,  em  exceder  às  outras  na  demonstra- 
ção do  seu  jubilo  p.""  tão  gloriozo  motivo  ;  roga  a  mesma  Camará  a 
V.  Exca.  p.''  si,  e  em  nome  dos  habitantes  do  seu  Districto,  queira 
V.  Exca.,  levando  estes  seus  bons  sentimentos  á  Prezença  de  S.  M. 
L,  offerecer  nelles  ao  Mesmo  Augusto  Senlior,  mais  uma  prova  con- 
vincente do  respeito,  amor,  efedilid.»  ,  que  este  briozo  Povo  tributa 
ao  seu  Defensor  Perpetuo.  Deos  Guarde  a  V.  Exca.  por  muitos  annos 
S.""  João  deElRey  em  Camará  de  10  do  Maio  de  1824  —  Ulustrissimo 
e  Exmo.  Senhor  João  Severiano  Maciel  da  Costa,  Menistro  e  Secreta- 
rio de  Estado  dos  Negócios  do  Império.  Acha-se  a  Camará  assignada. 

R.o    DE  EDITAES,    E   OFF.o=   DA  GAMARA  DO  ANNO  D'  1825 

A  f.  45  verso  se  acha  o  registo  de  hum  Edital  da  Camará  de  3  de 
7br."  de  1825  pelo  qual  fãz  publico  aos  Povos  desta  V.^  q.e  ten- 
do ella  de  promover  entre  os  Cidadãos  habitantes  do  seu  Districto 
huma  subscrição  voluntária  p.^^  q.«  se  realize  na  Capital  deste  Im- 
pério a  Innauguração  de  hum  Monumento  Publico  à  S.  M.  o  Imperador 
em  testemunlio  de  gratidão  pelos  relevantíssimos  feitos  do  Mesmo 
Augusto  Senhor  abem  da  Independência,  e  Liberdade  Politica  do  mes- 
mo Império  :  se  propoz  a  ir  pelas  cazas  dos  Habitantes  desta  Villa  a 
rogar-lhes  quizessem  concorrer  com  o  que  o  seu  Patriotismo  lhes  pe- 
disse  p.'  tão  louvável  íim,  p.'  o  q.»  marcou  o  dia  10  do  referido 
mez. 

A  f.  46  verso,  47,  48  verso,  e  49  verso  fo  achão  registados  os  OíB- 
cios  em  data    de  3  de  7br."  de  1825,    que     aCamara   dirigio  as   Au- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  265 

thorid."^  Ecleziasticas,  e  MoIit.;ircs,  nos  quiies  in.''  lhos  rocomon- 
da  q.-  exijão  das  pessoas  da  sua  Corpora(;no,  liunia  subscrição  volun- 
tária, p.'  q."  se  consiga  na  Capital  do  Império  a  Inauguragfio  de 
hum  Monumento  Publico  a  S.  M.  !.,  pelos  relevantíssimos  leitos  do 
Mesmo  Senhor,  al)em  desic  Império. 

Af.  3")  t({  45,  do  L."  competenlo,  se  observa  a  Klei(;ão  dos  Juizes 
de  Facto,  sobre  a  liberdade  da  Impreasa,  e  a  sua  apuração  aq.'  teve 
lugar  aos  24  de  Obr.     de  i825. 

Das  Memorias,  que,  á  requezigão  daCommissão,  lhe  forão  aprezen- 
tadas  pelos  encarregados  das  Subscriçoens  voluntárias  p. '  as  Urgên- 
cias dos  Povos  da  Rabia,  do  Estado,  e  augmento  da  Marinhado  Guer- 
ra do  Império  do  Hrazil,  consta  ter  o  Povo  desta  V.^  ,  e  sou  Termo 
concorrido  p.^  todas  eHas  com  aq.''  de  treze  contos  seiscentos, 
e  cincoenta,  e  oito  mil  sete  centos  e  seis  vr  —  13:658S706.  O  P.  o 
P^rancisco    António  da  Costa,  o    P."    Jozé  Lamèda  d'01ivcii'a,    O    P.  « 

Joze  Joaq.'"   de  S  "  Anua,  Filippe  Gomes  Pereira. 

Termo  de  remessa. 

Aos  dezcnove  dias  do  mez  do  Janeiro  de  182G,  quinto  da  Independên- 
cia, e  do  Império,  nesta  Villa  de  São  João  de  El-Iley,  Minas,  e  Co- 
marca do  Rio  das  Mortes  em  os  Paços  do  Concelho  (Pella,  o  sendo 
ahi  lasso  remessa  aos  111.'""*  Senhores  Doutor  Juiz  de  Fora 
Prezidente,  Voriadoros,  e  Procurador  da  Camará  do  prez.«  anno, 
em  duas  Copias,  a  redacção  dos  acoptecimentos  Políticos  que  na 
mesma,  e  seu  Termo  tem  tido  lugar  desde  1821  até  1825,  para  lUus- 
tragão  da  Historia  do  Império  do  Hrazil;  as  quaes  contém,  com  esta, 
doze  folhas  escriptas  sem  couza  que  duvida  lassa,  de  que  para  cons- 
tar se  lez  este  termo.  E  cu  Filippe  Gomes  Pereira  Secretario  daCom- 
missão, que  o  subscrevi  e  assignei 

Filippe  Gomes  Pereira. 


t; 


I 


lll-CamafadeSato 


111."*"  o  l^x.*"' S."'- —  Acompanhíi  esto  duas  copias  das  —Noticias 
dos  acontecimentos,  que  tivorãu  lugar  nesta  F.  V.»  do  Sabará 
desde  ;o  anno  de  18:^1  que  me  íôrão  remettidas  pela  Camará  desta 
V.^  ,  e  que  exigi  p.*  cumprir  o  que  V.  Exa.  me  ordena  em  Portaria 
de  4de|Março  du  corr.'  .  Deos  Guarde  a  Y.  Exa.  m.»  a.s  .  Sabarà  31 
de  Agosto  de  1825.  111.'""  e  Ex.'""  S.""'  Presedente  José  Teixeira  da 
Fonseca  Vas.>="'  —  O  Ouvidor,  A)tloniu  Augusto  Monteiro  de  Barros. 


NOTICIA  DOS  ACONTIOCIMICNTOS,   QUE  TIVERÃO    LUGAR   NESTA   FIDELISSYilA 
VII.I.A  DO  SAUARA'  DESDE  O   ANNO  DE    1821 


1821 


Em  Vereança  de  23  de  Margo  se  recebeo  o  oHicio  do  GoA-ernador  e 
Capitão  General  desta  Província,  participando  haver  sua  Magestade 
Ellley  o  Senhor  Dom  João  Sexto  aprovado  à  Constituição  que  se  es- 
tava fazendo  em  Lisboa.  (Docuinenfo  n.  1). 

Em  25  de  Abril  se  prestou  o  juramento  de  observar,  manter,  e  go- 
ardur  a  Constituição,  que  íizessem  as  Cortes  de  Portugal  em  virtude 
da  determinação  do  Governador  c  Capitão  General  de  2  de  .Vbril.  {Do- 
cumento n.  2). 

Em  10  de  Junho  se  fi/.orão  as  Eleições  nas  Juntas  Parocliiaes  em 
todas  as  Freguezias  do  Termo,  e  no  dia  15  de  Julho  se  procedeo  aJun- 


t 


268  REVISTA    DO 

ta  Eleitoral  da  Comarca  na  conlbrin idade  do  Decreto  de  7  de  Março 
(Io  dito  anno. 

No  dia  8  de  Agosto  se  prestou  ojuramento  Solemne  às  Bazes  da 
Constituirão  1'ortngueza  oní  virtude  da  dotertniaarão  do  (íuvornador 
e  Capitão  (ienoral  euíoilicio  dirigido  ao  Dozeinbargador  Ouvidor  da 
Comarca.  {Documento  n.  3). 

Km  Vereança  de  3  do  Setembro,  a  que  concorrerão  as  pessoas  da 
governança,  e  homens  bons  da  Villa  e  Termo  íbrão  nomeados  o  De- 
zcmhargador  Ouvidor  Jozó  Teixeira  da  Fonseca  Vasconcellos,  o  Doutor 
Juis  de  Fora,  Joze  António  da  Silva  Maya,  e  o  Sargento  Mor  Manoel 
de  Freitas  Pacheco,  para  representarem  pelos  Povos  na  nomeação  da 
Junta  do  Governo  Provizorio  Mandada  créar  por  Avizo  de  14  de  Agos- 
to; e  para  esse  lim  se  lhes  deo  a  Procuração  junta  ao  Documento 
N.  4.- 

1822 

Por  accordão  da  Vereança  de  9  de  Fevereiro,  se  deliberou. dirigir-se 
a  S.  Magestade  Imperial  então  Príncipe  Regente  huma  Carta  apresen- 
tando aobediencia  desta  Cornara  e  Povo,  eagrndecendo  o  beneficio 
rezultado  da  deliberação  tomada  pelo  Mesmo  Augusto  Senhor  no  dia 
9  de  Janeiro  próximo  passado. 

Em  Camará  de  6  de  Abril  se  nomearão  por  Deputados  da  mesma 
Camará,  e  Povos  deste  Termo,  o  Tenente  Coronel  António  da  Costa 
Moreira,  e  o  Capitão  Francisco  Joze  dos  Santos  Hroxado,  para  irem  á 
Capital  da  Villa  Rica  beijar  a  Mão,  e  cumprimentar  a  Sua  Alteza 
Real  que  constou  achar-se  na  mesma  Villa. 

Em  9  do  mesmo  mez,  por  deliberação  de  Camará  geral,  seles  a  Sua 
Alteza  Real  a  reprezentação,  que  vai  no  Documento  N.  5. 

Em  Camará  de  15  se  receberão  pjr  mão  dos  Enviados  da  Camará  os 
dous  Avizos,  que  vão  nos  documentos  n."'=*    6.',  e  7.* 

Em  Camará  geral  de  25  se  lèo  a  Carta  de  Sua  Alteza  Real,  que  Se 
Dignou  Enviar  a  esta  Camará  por  mão  do  Desembargador  Jozé  Tei- 
xeira da  Fonseca  Vasconcellos,  copiada  no  documento  n.  8.* 

No  dia  28  se  procedeo  á  eleição  dos  Procuradores  Geraes  desta  Pro- 
víncia na  conformidade  do  Decreto  de  16  de  Fevereiro,  participado 
pelo  Avizo  da  Secretaria  de  Estado  dos  Negócios  do  Brazil  de  20  de 
Fevereiro,  e  Portaria  do  Governo  Provizorio  de  11  de  Abril.  (Ho- 
cumentos  ns.  9.'  e  10.') 

Em  15  de  Agosto  na  conformidade  do  Decreto  de  três  de  Junho  se 
procedeo  á  eleição  nas  Juntas  Parochiaes  deste  Termo,  para  anomea- 
ção  dos  Deputados,  que  devião  formar  a  Assembléa  Geral  Constituinte, 
e  Legislativa,  e  no  dia  31  de  Agosto  se  fes  a  reunião  do  Colégio 
Eleitoral  da  Comarca. 

Por  deliberação  de  Camará  geral  de  25  de  Setembro  se  dirigio  a 
Sua  Alteza  Real  a  Reprezentação  que  vai  no  documento  n.  11.- 


ARCHIVO  PUBLICO   MINEIRO  269 

No  (lia  12  de  Outubro  nos  Paços  do  Conselho  em  Camará  geral  se 
acclaiiiou  Sokímiíeinonte  a  S.  Alteza  Real  por  I*riineiro  Imperador 
Constitucional  do  Mrazil,  e  seprestou  ojuranionto  de  defender  a  Inde- 
pendência do  Hrazil,  e  obedecer  em  tudo  opoi-  tudo  ao  Senhor  Dom 
l'edro  1.- 

1823 

Em  19  de  Janeiro  em  Gamara  geral  se  ratificou   econflrmou  oprotes- 

o,  que  fizera  o  Excellentissimo  António    Vieira  da  Soledade,  Procu- 

radoí  Geral  da  Província  de  S.  Pedro  do  Rio  grande  do  Sul,  contra  a 

clauzula  do  Juramento  prévio  declado  na  Acclamagão  de  Sua   Mages- 

tade  Imperial. 

1824 

No  dia  7  de  .Janeiro  em  Secção  geral  unamimente  se  approvou  o 
Projecto  da  Constituição  para  o  Império  do  Ki'azil,  que  Sua  Magesta- 
de  Imperial  Houve  por  bem  formar  com  o  Seo  Conselho  de  Estado, 
eno  dia  18  de  Abril  se  prestou  aelle  o  Solemnejuramento. 

No  dia  1.'  de  Fevereiro  sefizerão  íffe  Eleições  Parocliiaes  em  todas 
as  Freguezias  do  Termo  para  á  nomeação  dos  Deputados,  que  devião 
substituir  aos  da  extincta  Assemblea  na  forma  do  Decreto  de  17  de 
Novembro  de  1823. 

No  dia  30  de  Maio  sefizerão  as  eleições  Parochiaes  para  a  nomeação 
dos  Senadores,  e  Deputados,  que  por  esta  Província  reprezentem  na 
Assemblea  tíeral  Legislativa,  bem  como  os  Membros  do  Conselho  Ge- 
ral da  Província  naforma  da  Constituição,  e  Instrucções,  que  baixarão 
com  o  Imperial  Decreto  de  26  de  Março. 

No  dia  19  de  Junho  se  Reuniu  o  Colégio  Eleitoral  da  Comarca  para 
aRoferida  nomeação,  assim  como  a  do  Conselho  do  Presidente,  eJui- 
zes  de  Facto,  Mandados  créar  pela  Carta  de  Ley  de  20  de  Outubro  de 
1822,  6  Decreto  de  22  de  Novembro. 

DOCUMENTOS  : 

N.  1  —  ElRey  Nosso  Senhor  em  Avizo  de  vinte  e  seis  de  Fevereiro 
próximo  pretérito  Foi  Servido  Mandar  declarar,  que  aprovava  á  Cons- 
tituição, que  se  está  fazendo  em  Lisboa  para  ser  observada  no  Reino 
do  Brazil,  enos  mais  Domínios  de  Sua  Coroa;  e  Determinando  o  Mes- 
mo Augusto  Senhor,  que  sefaça  constar  esta  Sua  Real  Deliberação  nes- 
ta Capitania,  eu  lh'oparlicipo  para  o  fazerem  publico  nessa  Villa, 
nos  mais  Districtos  de  sua  jurisdição.  Deos  Guarde  a  Vossas  Mercês. 
Villa  Rica  dés  de  Março  de  mil  oito  centos  e  vinte  e  hum.  —  Dom 
Manoel  de  Portugal  e  Ca^/ro/,  —  Senhores  Doutor  Juis  de  Fora,  e  Offl- 


i 


270  RI3VISTA    1)0 

ciaos  (l;i  Camará,  da  Villa  do  Sahará.// — Está    conforme.   Maximianno 
I\Iartins  da  Costa. 

N.  2  — Constando  ja,  que  fora  Deos  Nosso  Senhor  Servido  Felicitar 
este  Reino  com  o  Nascimento  de  hum  Princepe  Real,  que  a  Princeza 
Real  do  Reino  vindo  do  Portujíal,  Brazil,  e  Algarves,  Dera  a  Luz  com 
lelis  Sucesso  no  dia  Seis  de  Alaryo,  eu  communico  a  Vossas  Mercês 
esta  faustissima  noticia,  para  que  se  apressem  aíestejala  com  todas 
aquellas  demonstrações,  do  aplauzo,  e  contentamento,  que  são  do 
costumo  em  semelhantes  occazioens,  e  que  Sirvão  de  prova  irrelraga- 
vel  ao  profundo  acl  digo  profundo  acatamento,  e  Lealdade,  (lue  como 
lieis  Vassallos  devemos  prestar  aos  nossos  Soberanos.  Constando 
igualmente  por  Decreto  de  sete  de  Março,  próximo  pretérito,  que  El- 
Rey  Nosso  Senhor  fora  Servido  Determinar  aos  Governadores,  e  Capi- 
tães Genoraes  e  Authoridades  Civis,  Militares,  o  Ecleziasticas  das  Pro- 
víncias prestassem,  e  deílirissem  atodos  os  seos  Súbditos  o  Subalter- 
nos ojuramento  de  observar,  manter,  egoardar  á  Constituição,  como 
foi  prestado  naCorte  pelo  Mesmo  Senhor  emais  Real  Familia,  Povo,  e 
Tropa,  edevendo  cumprir-se  as  Reais  Dispozicôis  no  citado  Decreto  : 
ordeno  a  Vossas  Mercês,  que  immadiatamente,  que  lhes  for  entregue 
este  ofUcio  se  preste,  e  se  diíira  ahi  ojuramento  Solemne  de  se  obser- 
var, manter  eguardar  adita  Constituição,  tal  como  ella  for  delibera- 
da, feita,  eaecordada  pelas  Cortes  Gerais  do  Reino,  ficando  Vossas 
Mercês  na  inteligência  de  dar  meparte  circunstanciada,  damaneira 
por  que  ahi  se  cumprirão  as  Roais  Determinações  do  Seberano,  sobre 
aprestação  do  referido  juramento,  edo  que  se  praticou  pelo  motivo  do 
Nascimento.  Deos  guarde  a  Vossas  Mercês.  Villa  Rica  dous  de  Abril  de 
mil  oito  centos  e  vinte  ehum.  —  Do}n  Manoel  de  Portugal,  e  Castroli 
Senhores  Doutor  Juis  de  Fora  Presidente,  emais  officiais  daCainara  da 
Villa  do  Sabará.  Esta  conforme. — Maximianno  ^tíartins  da  Costa. 

N.  3  —  Sua  Alteza  Real  O  Príncipe  Regente  do  Reino  do  Brazil  Ha- 
vendose  Dignado  Prestar  o  Solemne  juramento  as  Bazes  da  Constitui- 
ção Portugueza  transcriptas  no  Decreto  de  nove  de  Março  deste  anno, 
expedido  pelas  Cortes  Geraes,  e  Constituintes  para  o  Reino  de  Portu- 
gal, e  Algarves,  Foi  Servido  Determinar  pelo  Seu  Real  Decreto  de 
oito  de  Junho  próximo  pretérito,  que  em  todas  as  Províncias  do  Rei- 
no do  Brazil  seprestasse  sem  demora  o  mesmo  Solemne  juramento, 
como  se  havia  praticado  na  Cidade  do  Rio  de  Janeiro  com  todos  os 
Tribunaes  e  Empregados  Públicos,  Civis,  Militares,  e  Ecleziasticos, 
servindo  as  reliridas  Bazes  provisoriamente  de  Constituição  naforma 
deliberada  nos  Referidos  Decretos  do  nove  de  Março,  e  oito  de  Junho, 
e  devendo  dar  se  a  mais  prompta  execução  as  Reais  Ordens,  deter- 
mino a  Vossas  Mercês  digo  determino  a  Vossas  Mercês,  que  immedia- 
tamcnte  lassa  prestar  na  cabeça  de  sua  Comarca  o  mencionado  jura- 
mento, seguindo-se  o  mesmo  que  se  praticou  com  o  da  Constituição 
expedindo  as  convenientes  ordens  aos  Juizes  de  Fora,  e  Ordenarios  dos 


í 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  271 

ilillerentes  Termos,  o  Julgados  para  que  nesta  conformiclado  hajílo 
do  lazer  prestar  o  mesmo  juramento  com  a  Soloinnidado  devida  a 
tão  Respeitozo  acto.'  Vossa  morce  mo  dará  aliiial  conta  d(í  tudo 
quanto  so  obrou  nessa  ^■illa,  o  nos  outros  Districtos  da  Comarca. 
Doos  Guarde  a  Vossa  merco.  Villa  Rica  onze  de  JuUio  de  mil  oito 
centos  c  vinte  e  liun.i.  —  I)(jm  MíiudcI  de  Portugal  <;  Ccmlro.—  Se- 
nhor Uosemharírador  Ouvidor  Jozo  Teixeira  da  Fonseca  VasconccUos. 
—  Está  conforme.  Maximianno  Martins  da  Costa. 

N.  4  —  Nesta  Villa  Real  de  Nossa  Senhora  da  Conceição  do]]  Sa- 
liará,  Cabeça  da  Comarca  do  Rio  das  \elhas,  aos  três  dias  do  mez  de 
Setembro  do  Anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesus  Cliristo  de 
mil  oito  centos  e  vinte  o  hum  nos  Pac;osdo  Conselho  delia  a  onde  es- 
tavão  juntos  o  Doutor  Juiz  de  Fora  Presidente  com  os  \'ereadores 
e  mais  olliciaes  da  Camará,  pessoas  da  governança  e  homens  bons 
da  sobre  dita  Villa,  e  seu  Termo  ;  por  todos  olles  Ibi  dito  perante 
mim  Escrivão  abaixo  assignado,  quo  t(Mulo-se  procedido  á  nomeação 
das  pessoas,  que  na  qualidade  de  Represintantes  desta  dita  Villa 
e  da  Provinda  de  Minas  (ieraes,  devem  hir  "a  Capital  da  mesma  Pro- 
víncia a  juntar-se  com  os  eleitos  pelas  outras  Comarcas,  para  aplu- 
ralidade  de  votos,  so  crear  e  installar  o  Governo  Provisório,  tinhão 
sido  eleitos  o  Desembargador  Ouvidor  Joze  Teixeira  da  Fonseca  Vas- 
conccUos, o  Doutor  Juiz  de  Fora  José  António  da  Silva  Maya,  e  o 
Sargento  ^lòr  Manoel  de  Freitas  Pacheco,  como  consta  do  termo  de 
Vereança  do  dia  de  hoje  lavrado  no  livro  delles  ;  e  que  a  todos  em 
geral,  e  a  cada  lium  em  particular,  outorgavão  amplos,  e  plenos 
poderes,  para  que  com  os  mais  Representantes  da  Província  possão 
proceder  a  or;.'anização  do  Governo  Provizorio  de  Minas  Oeraes, 
dando-Ihe  a  forma,  que  melhor  parecer,  nomeando  o  Presidente,  e 
Vogaes  ;  fixando  o  numero  destes,  e  designando-llie  as  attrihuiçoens, 
como  mais  convier  ao  bem  comum  e  geral  ;  o  que  elles  Outorgantes 
se  obrigavão  por  si,  o  em  nome  dos  moradores  desta  Villa,  a  ter  por 
firme,  e  valiozo,  quanto  lizerem  em  virtude  desta  Procuração,  e  dos 
poderes,  nella  conleridos.  Assim  o  dicerão,  (Jutorgarão,  e  assigna- 
rão,  do  que  dou  fé  ;  e  eu  Maximianno  Martins  da  Costa  Escrivão  da 
Camará  a  escrevi.  —  Jozc  Anlonio  da  Silva  Maija.  —  Manoel  de 
Araújo  da  Cunha. —  An/onio  Gomes  liaplista.  —  Anlonio  Xa:.  da  Sil- 
va. —  Seguem-se  as  mais  assignaturas.  —  Está  conformo.  Maximian- 
no Martins  da  Costa. 

N.  5  —  Senhor.  Convocadas  hoje  as  pessoas  da  \ereança.  Clero, 
Nobreza, e  Povo  desta  \'\\\a  c  sou  Termo  para  se  lhe  fazer  sciente  a 
estada  de  Vossa  Alteza  Real,  nesta  Província,  e  para  se  haverem  os 
seos  pareceres  sol»re  qualquer  Representação,  quo  qui-zerem 
fazer  a  Vossa  Alteza  Real,  apresentou  o  Coronel  Pedro  Gomes 
Nogueira  o  seu  parecer  por  escripto,  quo  geralmente  foi  aprovado,  e 
he  o  seguinte  :  «.Vvaliando  mui  sezudamcnte  as  circumstancias  poli- 


I 


272  REVISTA   DO 

ticas  (lesta  Província,  e  consultando  com  a  mais  imparcial  reflexão 
os  sentimentos  dos  famigerados  Publicistas,  que  ex  professo  tem  tra- 
etado  desta  importante  matéria,  me  convenso  da  poderoza  necessidade 
de  reforma,  que  administraçfio  Publica  da  mesma  Província  ;  e  de- 
sejando ainda  a  custa  dos  mais  pezados  Sacrifícios  sor  útil  ao  Paiz 
a  que  tenho  ligada  a  minlia  f(;rtuna,  e  a  cujos  habitantes  sou  por  tan- 
tas maneiras  obrigado  ;  tomo  a  ousadia  de  com  o  meu  pequeno,  ou 
nenhum  cabedal  de  luzes,  levantar  a  voz  perante  liu  concurso  de 
sábios,  e  Respeitáveis  Cidadãos,  animado  meramente  pelo  estimulo 
do  meu  inabalável  patriotismo  ;  e  coherente  ao  meu  entender  com 
os  princípios,  e  ideias  Constitucionaes,  sem  os  quaes  a  experiência 
mostra  ter  digenerado  em  arbitrariedade  as  mais  bem  fundadas  in- 
stituições, proponho  como  mais  profundo  Respeito,  que  este  Illus- 
tre  Senado  em  accordão  geral  Represente  a  Sua  Alteza  Real  o  Prín- 
cipe Regente  que  haja  pelo  Prezente  acto  como  ratificada  a  união 
desta  Província  de  Minas  Geraes,  ao  Governo  Constitucional  do  Mes- 
mo Augusto  Senhor,  conforme  a  expressão  Solemne,  que  o  Governo 
Provincial  dirigio  á  Corte  do  Rio  de  Janeiro  pelo  órgão  do  seu  Vice- 
Presidente,  o  qual  aprezentou  os  votos  de  firme  adhesão  a  Sua  Al- 
teza Real  na  judicioza  fala  de  quinze  de  Fevereiro  passado  ;  e  jul- 
gandose  de  nenhum  eflfeito  as  illimitadas  attribuigões,  com  que  o 
sobre  dito  Governo  Provisório  se  supôs  instalado,  as  quaes  pela  sua 
natureza  chocão  os  Poderes  Legislativos,  digo  os  Poderes  Legisla- 
tivo, e  Executivo,  se  lhe  substitua  hum  Governo  legal  a  consenso  da 
Pi^ovincia  pelos  seos  legítimos  Reprezentantes,  Reconhecendo-se  des- 
de já  por  via  de  hmn  Governo  Interino  a  Sua  Alteza  Real  como  Re- 
gente deste  Reino  do  Brazil,  Centro  da  união,  e  Chefe  do  Poder 
Executivo,  segundo  a  opinião  manifestada  pelo  Senado,  e  Povo  da 
Capital  no  dia  sempre  memorável  nove  de  Janeiro  de  mil  oito  cen- 
tos e  vinte  e  dous  de  accordo  com  as  Províncias  da  Sam  Paulo,  e  Rio 
grande  de  Sam  Pedro  do  Sul,  que  felismente  se  achão  Revistidos  dos 
mesmos  patrióticos  sentimentos.  Tudo  bem  entendido  até,  que  as 
Cortes  Gerais  Extraordinárias,  e  Constituintes  da  Nação  Congregadas 
em  Lisboa,  melhor  informadas  das  nossas  actuais  circumstancias,e  pe- 
zando  em  justa  balança  a  igualdade  de  direitos,  com  que  proclama- 
rão identificados  os  Povos  de  hum,  e  outro  Mundo,  cuja  união,  e  con- 
fraternidade  tão  ardentemente  anhelamos^  revoguem  o  Decreto  de 
vinte  e  nove  de  Setembro,  que  nos  Reduzia  ao  lamentaA^el  estado  de 
mizoros  Colonos  ;  protestando,  que  toda  a  ulterior  deliberação,  que 
a  nosso  respeito  tomar  o  Congresso  de  Portugal,  não  possão  produ- 
zir eíleito  neste  Reino  do  Brazil,  sem  que  obtenha  a  Sancção  do  Prín- 
cipe Regente,  ouvido  o  Conselho  de  Estado,  que  se  vai  crear  com  as 
attribuições  convenientes  emquanto  se  não  instala  nesta  parte  .  da 
Monarcliia  unida  nossa  Reprezentação  Nacional  Brazileira,  que  com 
conhecimento  de  cauza  próxima,    lance  as  bazes  da    nossa  peculiar 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  273 


Legislatura.  E  pi'aza  que  om  tilo  assi^niahida  occaziSo,  que  Tornia  o 
objecto  desta  Camará  extraordinária  demos  evidentes,  e  demonstra- 
tivas provas  donosso  amor,  e  j,'ratidào  ao  Mesmo  Soronissimo  Senhor 
Que  se  Dignou  Honrar  esta  Província,  com  apreleroncia  de  Sua  Au- 
gusta Pessoa  digo  aprelerencia  de  Sua  Augusta  I'rezonça,  e  mesmo 
para  que  se  Lhelagão,  e  tributem  as  honras  devidas  á  sua  Preemi- 
nente Reprezentagão,  Requeiro,  e  voto,  que  se  indique  aos  Comman- 
dantes  dos  Regimentos  de  Cavalaria,  e  Infantaria,  a  Reunião  imme- 
diata  dos  mesmos  nesta  Villa  onde  se  espera  o  Principo  Regente ; 
epara  que  possa  subsistir  mais  commodal  digo  mais  commodamente 
e  lazer  o  Serviyo  compromptidão  se  po^-fio  subsidios  pecuniários  aos 
beneméritos  Cidadãos  da  Villa  e  Termo  ;  estando  ou  inteiramente  per- 
suadido, (lue  todos  aporlia  se  prestarão  a  contribuir  para  hum  lini 
tão  Justo,  e  tão  louvável.  Estes  os  meos  sentimentos,  eo  meo  modo 
de  encarar  o  Orizonte  Politico,  que  amoava  talvez  amaior,  e  mais 
temível  Ruina,  si  males  tão  ponderozos,  não  íbrem  promptameute 
curados;  maz  esta  lllustre  Assembléa  julgará  com  o  acerto,  com  que 
sempre  procede  em  matérias  de  tão  transcendente  considera<.'ao.» 
Respeitozamente  o  aprezentamos  a  Vossa  Alteza  Real  a  Quem  Deos 
(iuarde  por  mui  dilatados  annos  como  carece  o  Brazil.  Sabará  em 
Camará  geral  de  novo  de  Abril  de  mil  oito  centos  e  vinte  e  dous.  — 
Jozv  António  (la  Silva  May  a—  Manoel  de  Freitas  Pacheco  —  Antó- 
nio Joze  Gonçalves  de  AtJtfiu  ^Manoel  de  Araújo  da  Cunha—  Sebastião 
da  Silva  Leão  Lucena  — Ma:ciniianno  Martins  da  Costa.  —  Seguião-se 
as  assignaturas  —  Está  conforme.  Maximianno  Martins  da  Cos 
ta.  » 

N."  6  —  Manda  Sua  Alteza  Real  o  Príncipe  Regente  participar  a  Ca- 
mará da  Villa  de  Nossa  Senhora  da  Conceição  do  Sabará,  que  por  mão 
dos  seus  dous  Deputados,  Recebeo  a  Carta,  que  amesma  Camará  por 
si,  epelo  Povo,  que  Reprezenta,  lhe  dirigio  significando  o  seu  reco- 
nhecimento, e  excesso  deprazer  pela  Honra,  que  Sua  Alteza  Real  Fez 
a  esta  Província,  vindo  visitar  os  Seos  habitantes,  atravéz  de  tão 
penoza  jornada,  exprimindo  a  esperança,  que  tem  de  que  Sua  Alteza 
Real  Será  otirme  apoio,  o  Garante  da  Constituição,  para  cuja  funda- 
ção no  Brazil  tanto  Cooperou.  Sua  Alteza  Real  Manda  _  agradecer  aCa- 
mara,  e  Povo  da  mesma  Villa,  e  seu  Termo  os  sentimentos,  que  por 
este,  e  outros  muitos  modos  tem  patenteado  do  adhesão  a  Sua  Real 
Pessoa,  declarando,  que  a  Cauza  do  Reino  do  Brazil,  eda  Constitui- 
ção será  íirmemente  a  Sua  Cauzx,  e  que  Cooperará  com  todas  as  For- 
ças para  afelicidade  geral  do  Reino  unido,  e  especial  do  heróico,  e 
generozo  Povo  da  Rica  Província  de  Minas  Geraes,  e  que  opasso,  que 
acaba  de  Dar  bem  prova  a  Attenção,  que  Lhe  Merece  apaz,  e  tran- 
quillidade  dos  Povos  de  tão  bella  Província.  Paço  de  Villa  Rica  doze 
do  Abril  de  mil  oito  contos  e  vinte  e  dous.  —  Estevão  Ribeiro  de  Re- 
zende.   Está  conforme. —  Maximianno  Martins  da  Costa. 


1 


274  REVISTA    DO 


N."  7.— Manila,  Sua  Alteza  Real  o  Príncipe  Rente  participará  Camará, 
Clero,  Nol)reza,  c  Povo  da  Villa  Real  de  Nossa  Sonliora  da  Conceição  de 
Sal)ar;i,  que  Rocobon  a  sua  Carta  do  novo  do  corrente  mez  por  mão 
do  Sarficnto  i\I(H'.lacome  Tliemoteo  de  Araújo,  e  que  opatriotismo  lie- 
roismo,  efedolidade,  qne  tão  bem  desenvolvidas  se  achão  nas  ex- 
pressões da  mesma  Carta  merecem  bom  os  a<íradecimcntos,  que  Sua 
Alteza  Real  Llies  manda  dar,  omquanto  com  a  Sua  Real  Prczença  não 
vai  Satislazer  os  dozejos  de  tão  bons  o  sensatos  Súbditos,  que  zello- 
zos  do  verclfideiro  bem,  e  lieran(;a,  que  bão  do  deixar  a  soos  lillios, 
eposteridade  pugnao  com  sólidos  fiindamontos  pelo  centro  da  União 
no  Brazii,  epela  Sustentação  da  Constituição  de  que,  do  que  Sua  Al- 
teza Real  Ho  omaior  digo  He  omais  lirmc  Apoio.  Paço  de  Villa  Rica 
aos  doze  de  Abril  de  mil  oito  centos  evinto  e  dous.  —  Estevão  Ribeiro 
de  Resende. —  Está  conforme,  Maximianno  Martins  da  Costa. 

N."  8 —  Cnniara  o  Povo  da  Comarca  do  Sabará.  Eu  o  Príncipe  Re- 
gente vos  Ínvio  muito  Saudar.  Devendo  por  circumstancias,  que  ur- 
gem aMinlia  Prezença  no  Rio  de  Janeiro,  Partir  quanto  antes,  não 
Posso  deixar  de  vos  agradecer.  Louvar,  e  Bem  dizer  pelo  honrado, 
eheroico  comportamento,  e  entrepides,  com  que  vos  haveis  mostra- 
do á  bem  da  Nação  em  geral,  e  do  Grande  Brazil,  de  quem  Me  prezo 
Ser  Regente.  Eu  vou  seguramente  com  o  Meu  Real  Coração  mui 
triste  porque  não  pude  como  Dezejava,  Congratular-me  Pessoalmente 
com  vosco.  O  Sabarci  existirá  na  IMinlia  Leni^)rança  em  quanto  Vida 
Tiver,  e  contai,  que  Heide  fazer  todas  as  deligencias,  segundo  Mo 
permittirem  os  negócios  públicos,  para  voltar  a  Província,  de  quem 
Me  aparto  Saudozo,  Fazendo  caminho  para  a  Capital  pela  vossa  Co- 
marca afim  de  vos  Mostrar  o  ]\Ieu  Reconhecimento.  Fazei  publica 
esta  Minha  Real  Demonstração  por  todas  as  Camarás  e  difte rentes 
Corpos  de  Tropa  da  Vossa  Comarca.  Paço  de  Villa  Rica  vinte  de 
Abril  de  mil  oito  centos  evinte  edous  —  Príncipe  Regente.  —  Estevão 
Ribeiro  de  Resende. —  Para  a  Camará  e  Povo  da  Comarca  do  Sabará. 
—  Está  conforme.    ]\Iaximianno  ]\Iartins  da  Costa. 

N.'  9. —  Manda  Sua  Alteza  Real  o  Príncipe  Regente,  pela  Secretaria 
de  Estado  dos  Negócios  do  Reino,  Remetter  á  Camará  da  Villa  do  Sa- 
bará o  induzo  exemplar  do  Decreto  de  dezesseis  do  corrente,  pelo 
qual  Houve  por  bem,  attentos  os  transcendentes  motivos  nelle  expen- 
didos, mandar  crear  hum  Conselho  de  Estado,  composto  de  Procura- 
dores de  todas  as  Províncias  do  Brazil :  E  Ordena  que  inteirada  ames- 
ma  Camará  do  seu  conteúdo  lhe  dé  adevida  execução  pela  parte,  que 
lhe  toca.  Palácio  do  Rio  'de  Janeiro  em  vinte  de  fevereiro  de  mil 
oito  centos  evinto  e  dous.  José  Bonifácio  de  Andrada  c  Silva. — Está 
conforme. —  Maximianno  Martins  da  Costa. 

N."  10. —  Tendo  Sua  Alteza  Real  O  Príncipe  Regente  do  Reino  do 
Brazil  Mandado  expedir  ao  Governo  Provisório  desta  Província  a  in- 
c  luza  Portaria  de  onze  deste  mez,  por  copia  assignada  pelo    Secreta- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINKIRO  275 

rio  Deputíulo  do  mosino  (ioverno  p;ira  so  (l;ir  pronij)!;!  ('Xccu(,'rio  ao 
Decreto  do  de/.esseis  do  Fevereiro  próximo  pretérito,  tainl)om  por  co- 
pia ;  determina  o  Governo  Trovisorio,  que  a  (!amai"a  da  \illa  do  Sa- 
bará,  cumpra  pela  parte,  que  lho  toca,  o  immediatamonte  tudo  quan- 
to na  mencionada  Portaria  se  contem,  expedindo  as  conveni(Mites  or- 
dens asinielluinte  ivcspeitu,  elicando  Ivosixtnsavei  i)or  toda  aialta  quo 
houver.  Villa  Rica  onze  de  Abril  do  mil  oito  centos  evintc  o  dons. 
Vasconcellos —  Mdcifl  — Pacheco  — Doittor  Lopcx — Soares —  Lopefi  Men- 
des—  Mello  —  Ferreira  de  Meífo —  I-^stá  conlbrme.  M.iximianno  Mar- 
tins da  Costji. 

N.'  11.  —  Manda  Sua  Alteza  Real  o  Principo  Roj?onte  por  esta  Se- 
cretaria do  Estado,  que  o  («overno  Provisório  desta  Província  de  Mi- 
nas Geraes  expessa  sem  perda  de  tempo  as  necessárias  Ordens  aos 
Ouvidores,  o  Camarás  da  mesma  Província  pnra  apromptn  execu(,Tio 
do  Decreto  do  de/.cssois  de  Fevereiro  do  corrente  anno,  jjcIo  qual 
Annuíndo  as  Reprezcntaçòes  dos  Povos  Houve  por  l)em  ciear  hum 
Conselho  d'Estado  composto  de  Procuradores  das  Províncias  do  Dra- 
zil.  Ordena  mais  Sua  Alteza  Real,  quo  omesmo  (íoverno  faça  constar 
atodas  as  ("amaras,  e  Authoridades  da  Província,  que  achandose  Re- 
conhecido Príncipe  Regente  do  Hrazíl  he  do  Seu  dever  adoptar  me- 
didas, que  íação  aíelicidado  geral  do  Reino  Unido,  ede  cada  huma  das 
Províncias  deste  Reino,  e  ho  de  baixo  destes  princípios,  quo  exifío  o 
bem  geral  da  Província,  que  dentro  em  vinte  dias  contados  da  data 
deste,  ou  mais  Itreve,  selbr  possível  se  devem  apurar  nesta  Capital 
Eleições,  quo  selizerem  nas  Cabeças  das  diderentos  Comarcas  ;  prevê 
nindo  as  Authoriílades  competentes,  que  as  devem  remetter  imme- 
díixtamente  ao  mesmo  Governo  para  as  transmittir  a  esta  Secretaria 
d'Estado  afim  do  se  mandar  proceder  ao  apuramento  logo,  que  exis- 
tirem as  Eleições  de  todas  as  Comarcas  ;  pois  quo  Sua  Alteza  Real 
não  dezeja  nem  Quer  Partir  desta  Província,  sem  deixar  os  Povos  sa- 
tisfeitos e  napaz,  e  tranquilidade,  que  tanto  Apraz  Seu  Paternal  Co- 
ração. Espera  Sua  Alteza  Real  amais  activa,  eprompta  execução  pela 
parte  do  (ioverno,  dando  conta  (le  assim  o  haver  cumpriílo.  Paço  de 
Vílla  Rica  aos  onze  de  Abril  demil  oito  centos  evintc  e  dous.  —  Este- 
vZiO  Ribeirão  de.  Rezende. —  Cumprase,  e  Regíste-se. —  Villa  Rica  onze 
de  Abril  de  mil  oito  centos  ovinte  e  dous. —  Vasconcellos  — Maciel — 
Pacheco  —  Sfjares  —  Lopes  Mendes  —  Mello  —  Ferreira  de  Mello  — 
Está  conforme.  João  Jozc  Lopes  Ribeiro.  —  Está  conforme.  Maximi- 
anno  Martins  da  Costa. 

N.  12.  —  Tendo  Eu  annuido  aos  Repetidos  votos,  o  dezejos  dos 
leaes  liabitantes  desta  Capital,  e  das  Províncias  de  S.  Paulo,  e  Minas 
Geraes,  que  Me  Requererão  Houvesse  Eu  de  conservar  a  Regência 
deste  Reino,  que  Meu  Augusto  Pay  Me  havia  conferido,  até  que  pela 
Constituição  da  Monarchia  se  lhe  desse  huma  final  organização  sabia, 
justa,  e  adequada  aos  seos  inalienáveis  Direitos,  decoro,  efutura  feli- 


276  REVISTA    DO 


cidade  ;  por  quanto  deste  modo  digo  por  quanto  de  outro  modo  este 
Rico,  e  vasto  Reino  do  Brazil  ficaria  sem  hum  centro  de  união,  cde 
força  exposto  aos  males  da  anarquia,  e  da  guerra  civil  ;  E  Dezejaado 
Eu  para  utilidade  geral  do  lleino  unido,  epartif^ular  do  bom  Povo 
do  Brazil,  hií*  de  antemão  dispondo,  e  arreigando  o  Sistema  Consti- 
tucional, que  elle  merece,  e  Eu  jurei  dar-lhe,  formando  desde  já  hum 
centro  de  meios  e  de  fins,  com  que  melhor  se  sustente,  e  defenda  a 
integridade,  e  liberdade  deste  fertilissimo  egrandiozo  Paiz,  esepro- 
mova  a  sua  futura  felicidade  :  Hey  por  bem  Mandar  convocar  hum 
Conselho  de  Procuradores  Geraes  das  Províncias  do  Brazil,  que  as 
reprezentem  interinamente,  nomeando  aquellas,  que  tem  até  quatro 
Deputados  em  Cortes,  hum,  as  que  tem  de  quatro  até  oito,  dons  ;  eas 
outras  daqui  para  sima  três  ;  os  quaes  Procuradores  geraes  poderão 
ser  removidos  de  seos  cargos  pelas  suas  Respectivas  Provindas,  no 
cazo  de  não  desempenharem  devidamente  suas  obrigações,  se  assim  o 
Requererem  os  dous  terços  de  Suas  Camarás  em  Vereação  geral,  e 
extraordinária,  procedendose  ã  nomeação  de  outros  em  seu  lugar. 
Estes  Procuradores  serão  nomeados  pelos  Eleitores  das  Parochias 
juntos  nas  Cabeças  de  Comarca,  cujas  eleições  serão  apuradas  pela 
Camará  da  Capital  da  Província,  sahindo  eleitos  afinal  os  que  tiverem 
maior  numero  de  votos  entre  os  nomeados,  e  em  cazo  de  empate  de- 
cidira a  sorte;  procedendose  em  todas  estas  nomeacoens,  eapuracões 
na  conformidade  das  Instruccoens,  que  Mandou  executar  Meu  Augus- 
to Pay  pelo  Decreto  desete  de  Março  de  mil  oito  centos  evinte  ehum, 
na  parte  em  que  for  aplicável,  enão  se  achar  Revogada  pelo  prezente 
Decreto.  Serão  as  attribuiçoens  deste  Conselho:  primeiroA  Conselhar 
Me  todas  as  vezes,  que  por  Mim  lhe  for  mandado,  em  todos  os  negó- 
cios mais  importantes,  e  difficeis  :  Examinar  os  grandes  projectos  do 
reformas  que  se  devão  fazer  na  Administração  Geral,  eparticular  do 
Estado,  que  Iheforem  communicados  :  Terceiro  proporme  as  medidas, 
eplanos,  que  lhe  parecerem  mais  urgentes,  e  vantajozos  ao  Bem. do 
Reino  unido,  e  aprosperidade  do  Brazil :  Quarto  advogar,  e  zelar  ca- 
dahum  de  seos  Membros,  pelas  utilidudes  de  sua  Província  Respecti- 
va. Este  Conselho  se  Reunirá  em  huma  Sala  do  Meu  Paço  todas  as 
vezes,  que  Eu  o  Mandar  convocar,  ealem  disto  todas  as  outras  mais, 
que  parecer  ao  mesmo  Conselho  necessário  de  se  Reunir,  se  assim  o 
exigir  a  urgência  dos  negócios  públicos  para  o  que  Me  dará  parte  pelo 
Ministro  e  Secretario  de  Estado  dos  Negócios  do  Reino.  Este  Conse- 
lho será  por  Mim  Presidido,  o  ás  suas  Sessoens  assistirão  os  Meus  Mi- 
nistros, e  Secretários  de  Estado,  que  terão  nellas  assento,  e  voto. 
Para  obom  Regimen,  e  expediente  dos  negócios  nomeará  o  Conselho 
por  pluralidade  de  votos  hum  Vice  Presidente  mensal  d'entre  os  seus 
Membros,  que  poderá  ser  reeleito  de  novo  se  assim  Iheparecer  conve- 
niente, enomearâ  defora  hum  Secretario  sem  voto,  que  fará  o  Proto- 
colo das  Sessões,  e  redigirá,  e  escravos,  digo  e    Redigirá,  e  escreverá 


t\ 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  245 


ffuiinlo-so  a  mesmu  illuniinagão    no    dia  11  e  12    em  que    se  entoou 
Tó  Dcum  em  acção  do  (;ra<,-as  pela  Cufura  prosperidade    deste    Rídno, 
o  que    a    mosnia  Cainara,    cõiilonnando-.so   aos    soiitinientos  (Jeraos, 
convocara  Muzica  para  festejar  com  liarmoniozos  Cânticos,  alluzivos  a 
este  objecto,  dias  que    agouravão    a  nossa  íutura  felicidade  :  assim 
mais  em  conlbrmidado  ao  OlTicio  de  Sua  Kxcelencia,  que  a  convidava 
a  lostejar  o  Nascimento   do  í'rincipe  da  Beira,  e  ifíualmento  ao  .lura- 
mcnto    determinado    pelo  Régio  Decreto  de   7    de  Março  do    mesmo 
anuo,  ao  que  annuio    com  o  maior  prazer;  porque  não  foi  bastante 
a  illuminação  de  7,  8,  e  9  de  Abril,  para  que   não    continuasse   por 
mais  trez  dias,  o  que  de  lacto  se  fez  ontoando-se  no  ultimo  Té   I>euiu 
tMU  acção  de  Graças  ;  quanto  a  segunda  parte  do  Ollicio,  tendo    des- 
tinado a  sua  execução  para  o  dia  29  do  corrente,    depois  de  convo- 
cadas oíVicialmente  todas  as  Authoridades  Ecleziasticas,  Civis,   e  Mi- 
litares, se  deu  principio  na  noite  de  28  por  huã  illuminação  Geral, 
llynnos,  e  Concertos  Patrióticos,  que  annunciavão  a  véspera  do  dia 
mais  memorável  da  nossa  Historia:  ao  raiar  este  tremulou    a  Ban- 
deira Nacional  firmada  com  huma  Salva  Real,  as  duas  horas  da  tar- 
de estando  tudo  disposto ;  abertas  as  Salas    da    Camará,    magnillca- 
mento  ornadas  e  reunidos  Clero,  Nobreza,  e  Povo  prestarão  todos    o 
Juramento  na  conformidade  do  Decreto,   cujo  acto  senão    pode    con- 
cluir, senão  as  sinco  horas  da  tarde.    Daqui  acompanhados  de   todo 
o  luzido  ajuntamento  se   dirigirão  a    Igreja  Matriz,    onde   se  entoou 
Te  Deum  a  dois  Choros ;  findo    este-  Religiozo   acto    tudo    concorreu 
ao  largo  de  São  Francisco,  onde  os  Corpos  de  2.='    Linha  de  Cavallaria, 
e  Infantaria,  lido  o  Decreto,  de  pois  de  formado  o    circulo    resoavão 
alegres  vivas  ã  nossa  Santa  Religião,  a    1£1    Rey  do  Reino  Unido,  a 
Sua  Augusta  Dinastia,  e  a  Constituição    que    tizessen'i  as  Cortes  Ge- 
raes  ;  ao  que  se  seguia\ão  as    Salvas    Reaes    correspondidas  por  treZ 
descargas  de  fogo  rolante. 

Assim  terminou  hum  acto,  que  nos  deixou  possuídos  do  mais 
profundo  reconhecimento  pelo  melhor  dos  Pais  e  dos  Reis. 

A  f .  36  e  V.-  ve-se  hum  Otíicio  do  Capp.'"  General  de  27  de  Abril 
de  1821,  dirigido  ao  Juiz  de  Fora  desta  Villa,  em  que  lhe  faz  ver, 
que  com  este  lhe  ha  de  ser  enviado  outro  do  Ouvidor  da  Comarca,  a 
quem  encarrega  de  remeter,  e  aos  outros  Juizes  o  Decreto  de  7  do 
Março,  e  mais  Instruçoens  que  devem  servir  de  regra  para  as  Elei- 
çoens  Parochiaes,  e  que  em  tudo  se  conformem  ao  que  lhe  for  co- 
municado pelo  mesmo  Ouvidor. 

A  f.  3G  V.-,  e  37,  se  nota  hum  Ollicio  do  Ouvidor  da  Comarca  de  9 
de  Julho  dirigido  ao  Juiz  de  Fora,  e  mais  Olliciaes  da  Camará,  com 
o  qual  i*emete  incluzos  o  Decreto  de  8  de  Junho,  e  hum  impresso  das 
Bazes  da  Constituição  publicadas  nas  Cortes  Geraes  a  9  de  Março, 
alim  de  se  publicar  na  forma  ordinária,  o  por  bem  delle  se    prestar 

A.  P.-i 


24G  REVISTA    DO 

O  Juramento  tis  mesmas  Bazes,  para  que  depois  de  juradas,  e  publi- 
cadas, liquom  todos  sujeitos  ã  sua  observância. 

A  f.  37  té  43  SC  vc  o  Decíeto  de  9  de  Março  de  1821  das  Cortes 
Geraes,  e  Constituintes,  que  lixa  as  Bazes  da  Constituição  Politica 
com  37  artigos  mandadas  observar  por  Decreto  de  8  de  Junlio  do 
mesmo  anno, 

A  í".  46  V.*  c  47  se  nota  hum  Officio  da  Camará  de  Villa  Rica  de 
27  de  Agosto  de  1821  dirigido  a  Camará  desta  Villa,  pelo  qual  lhe 
faz  vêr,  que  Decretando  S.  A,  R.  a  instalação  de  hum  Governo  Pro- 
vizional  por  Avizo  de  14  do  corrente,  que  hajão  primeiro  de  o  fazer 
publico  por  Editaes,  aíini  de  que  reunidos  os  Cidadãos  em  Camará 
Geral  nomeem  apluralidade  de  votos  Eleitores,  que  devem  compare- 
cer na  Capital  para  Eleição  do  Prezidente,  e  mais  deputados  que 
hão  de  compor  o  mesmo  Governo  ;  com  a  declaração  porem  de  que  o 
numero  dos  Eleitores  não  deve  exceder  de  hum  a  quatro,  e  cazo 
quizessem,  podião  encarregar  para  o  mesmo  lim  aos  Eleitores  de 
Commarca,  recomendando-lhes  toda  abrevidade  por  se  ter  marcado 
para  a  reunião  o  dia  1.-  de  Outubro. 

A  f.  47  V.'  se  acha  registado  o  Avizo  de  14  de  Agosto  de  1821, 
pelo  qual  S.  A.  R.  Houve  por  bem  ordenar  que  nesta  Provinda  se 
criasse  huma  Junta  Provizoria  para  Governar  segundo  as  Leis 
actuaes,  e  Bazes  da  Constituição  Portugueza,  com  subordinação  ao 
Mesmo  Augusto  Senhor  como  Regente  do  Reino  do  Brazil,  tudo  isto 
interinamente  em  quanto  senão  põem  em  execução  o  systema  dos 
Governos  Provinciaes,  que  as  Cortes   Decretarem. 

A  f.  52  acha-se  registado  o  Avizo  de  20  de  Fevereiro  de  1821,  pelo 
que  S,  M.  Houve  por  bem  declarar  que  aprovava  a  Constituição  que 
se  está  fazendo  em  Lisboa  para  ser  observada  neste  Reino  do  Brazil, 
e  mais  Domínios  da  Coroa. 

A  f.  52  té  53  V.  •  se  acha  registada  huma  Proclamação  do  Governo 
Provizional  feita  aos  habitantes  desta  Província  em  27  de  7br.* 
de  1821  ;  pela  qual  lhe  faz  ver,  que  iirgindo  atranquilidade  Publica, 
Ibe  faz  ver,  digo,  possuindo-se  a  Tropa  da  Capital  dos  mais  honrados 
sentimentos,  e  tendo  á  sua  frente  o  Tenente  Coronel  José  Maria  Pin- 
to Peixoto  convocou  ao  Prezidente,  Olíiciaes  da  Camará  e  os  Eleitores 
de  Comarca  que  já  se  achavãj  reunidos,  para  a  instalação  do  Gover- 
no, segundo  o  Avizo  de  14  de  Agosto,  o  que  se  fizera  com  a  melhor 
ordem  no  dia  20  de  Setembro,  sahindo  Eleitos  apluralidade  ,de  votos 
Prezidente,  Yice-Prezidente,   Secretario  Deputado,  e    oito  Deputados. 

A  f.  55  té  58  se  acha  registada  huma   Proclamação  das  Cortes    Ge- 
raes feita  aos  habitantes  do  Brazil  em  data  de  13  de  Julho  d      1821, 


AIICIIIVO  PUBLICO  MINEIRO  247 


NO  L.»  QUIÍ  SÉRVIO  PARA   SH   RI-(1ISTAREM    AS  BAZES    DA    CONSTl- 

TUic.o  i'()iau(;uEZA 


A  r.  1  té  5  so  encontra  o  Registo  do  Decreto  do  8  do  Junho  do  1821, 
pelo  qual  S.  A.  R.  O  Principe  Regente  do  Hrazil  manda  que  so  jurem 
as  mesmas  Bazes  Decretadas  pela  Assembléa  Constituinte  e  Legisla- 
tiva de  Lisboa ;  bem  como  em  extenso  so  observão  as  mencionadas 
Bazes,  c  Decreto  das  Cortes  que  acompanbavão. 

A  1".  5  té  8  se  vc  o  Auto  do  Juramento  as  mesmas  Bazes,  prestado 
aos '^2  de  Juliio  do  ix-^l,  pela  Camará,  Autiioridades  Ecleziasticas,  Ci- 
vis, e  Militares,  e  os  demais  Cidadãos,  que  prezeates  se  acliavão  tanto 
da  Mlla,  como  do  Termo,  e  so  assignarão. 


X()  L.°  QUE  SÉRVIO  PARA  AS  ELEICOEXS  PAROCHIAES    DE-^TA 

FRE(iUEZÍA 

A  r.  1  the  3  v."  se  encontra  o  Auto  de  Eleição  dos  Compromlssa- 
rios  da  mesma,  quo  teve  principio  aos  25  dias  do  mez  de  Jullio  de 
1821,  tudo  coníbrme  as  Instruçoens,  que  baixarão  com  o  Real  Decre- 
to de  7  de  Março  do  dito  anno,  e  logo  se  \è,  que  os  Cidadãos  quo 
obtiverão  apluralidade  de  votos  procederão  a  nomeação  de  Eleitores 
de  Parochia,  que  devião  eleger  os  de  Comarca  ;  na  mesma  conformi- 
dade se  procederão  as  EleiçOes  de  Compromissarios,  e  Eleitores  de 
I'arocliia,  nas  Freguezias  de  Santa  Anna  de  Lavras,  Dores,  e  Concei- 
ção de  Carrancas  deste  Termo,  como  as  dispunlião  as  Instrucçoens,  e 
Decreto  supra  citado. 

,  .   NO  L.°  DE  ELEICOEXS  DE  ELEITORES  DE  COMARCA 

A  r.  8  tò  9  so  acha  o  Auto  de  Eleição  dos  Eleitores  do  Comarca,  pra- 
ticada com  todas  as  circunstancias  recomendadas  nas  Instruções 
supra. 

NO  L.»  DOS  ACÓRDÃOS    DESTA  CAMARÁ  DE    1821 

A  f.  32  se  encontra  o  Auto  do  Juramento  â  nova  Constituição  ^na 

conformidade   do  Decreto  de  7  de   Março  de  J821    deíTerindo    contudo 

na  formula  do  Juramento  aqual    he  do  tlicor  sepuinte—Jnro  venci a- 

ção,  e  respeito  á  Nossa  Santa  Religião,    Oldiencia  a  El-Hey,  e  ol)ser- 

var,  manter,  e  guardar  a    Constituição,  como  for  deliberada,    feita  e 

acordada  pelas  Cortes  Geraes  da  Nação— O  qual  depois  de   assignado 

pela, Camará   oíbi   igualmente    pelos  Cidadãos  que  so  achavão  pre- 
zentes. 


24«  UEVISTA    DO 

A  r.  52  V,',  53  c  V.'  SC  acliao  Auto  do  Vereansa,  em  que  a  Camará 
om  consequência  de  lium  olíicio  da  de  Villa  Rica  de  27  de  Agosto, 
enconfonn idade  do  Avizo  expedido  pela  Secretaria  de  Estado  dos 
Negócios  do  ileino  cm  14  do  mcz  pretérito,  convocou  aos  Cidadãos 
desta  Villã  para  olim  de  nomearem  quatro  pessoas,  que  devirio  mar- 
char á  Capital,  e  alii  noincarem  o  l'rezidente,  e  mais  Deputados  que 
devião  compor  o  Governo- da  l^rovincia,  o  que  assignou  a  Camará,  e 
os  Cidadãos  concurrentes. 

A  f.  59  V.'  por  hum  Accordâo  de  -^i)  de  Outubro  acuza  a  Camará  a 
recepção  de  huma  Pioclamação  Icita  aos  habitantes  deste  Reino  do 
Brazil  pelas  Cortes  Geraes  da  Nação  Portugueza  em  data  de  13  de 
Julho  a  qual  se  publicou. 


REGISTOS  DE    ORDENS  REGIAS  DO  ANNO  DE  1822 

A  ÍT  61  V."  té  03  se  nota  huma  Representação  desta  Camará  de  21 
de  Janeiro  de  1822,  dirigida  ao  Exm.  Governo  Provizional,  pela  qual 
roga  ao  mesmo  Governo  leve  a  Augusta  Prezença  de  S.  A.  R.  os  sen- 
timentos da  mesma  Gamara  que  exulta  de  prazer  pela  rezolução  que 
S.  A.  R.  se  dignou  tomar  de  annuir  ao  dezejo  de  todos  os  seus  Povos 
do  Brazil,  demorando  o  seu  regresso  para  Portugal,  e  emque  expres- 
sa acontradição,  que  nota  nos  Decretos  das  Cortes  numero — 124 — , 
no  artigo  9.'  e  14,  e  n.-  125  no  artigo  1.*  em  nada  conformes  á  feli- 
cidade do  Brazil. 

A  f.  64  V.  •  se  acha  registada  huma  reprezentação  que  a  Camará 
desta  Villa  fez  a  S.  A.  R.  aos  11  de  Março  de  1822,  cujo  theor  hé  o  se- 
guinte :  Senhor.  Ardendo  no  mesmo'  Patriótico  Zelo,  e  inflammados 
dos  mesmos  briozos  sentimentos,  que  a  Cíimara  dessa  Cidade  levou 
respeitosamente  á  Augusta  Prezença  de  V.  A.  R.  em  o  dia  para  sem- 
pre memorável  de  9  de  Janeiro  ;  muito  hà,  que  nós  reprezentamos  ao 
Governo  Provizional  desta  Província  o  nosso  descontentamento,  e 
geral  disconíiansa  contra  os  dous  .Decretos  de  29  de  Setembro,  que 
tem  por  objecto  dispojar-nos  com  a  Adorável  Pessoa  de  V.  A.  R.  de 
toda  agloria,  e  consolação  que  nos  restavão  na  auzencia  saudoza  do 
Augusto  Pay  de  V.  A.  R.  O  Senhor  Dom  João  6.',  nos  expunhão  de 
mais  pela  incrível,  e  insidioza  criação,  de  Governos,  sem  centro  de 
União,  e  energia  para  suas  operaçoens  aos  horrores  da  discórdia, 
anarchia,  e  guerra  eivei.  Estremecemos  Senhor,  quando  neiles  desco- 
brimos, preparada,  em  vez  da  prometida  liberdade,  a  mais  abominá- 
vel escravidão,  atroco  da  divida  igualdade  de  Direitos,  a  extinção 
das  regalias,  que  nos  erão  uzurpadas,  e  pela  reciprocidade  de  inte- 
resses até  então  aíiansada  a  mais  abjecta,  e  caviloza  reeolonização 
aquc  seriamos  reduzidos.  Protestando  a  mais  enérgica  oppozição  a 
Decretos  tão  insubsistentes,  que  antes  erão  principies  de   dezorgani- 


ARCHIVO   PUULICO  MINlíIRO  :^40 

za(.-rio,  quG  aiiieaçavíío  ao  Hrazil  Ue  liuina  completa,  i-  eiievitavol  ruí- 
na, participamos  ao  mesmo  (i(»vorno,  que  por  si^  om  nosso  nomo,  o 
em  nome  de  todo  este  F'ovo,  que  temos  a  lionra  de  roprezentar  su- 
plicasse a  V.  A.  ii.  não  abandonasse  as  lagrimas,  o  males  da  Orplian- 
dado  este  1'aiz  doliciozo,  que  não  cederá,  á  custa  dos  mais  vaieivr/os 
esforgos,  da  Alta  Eminência,  a  que  foi  elevado,  desde  o  moniento  di- 
tozo  em  que  abrio  o  seu  rico' seio  para  ser  seguro,  e  paciíico  abrigo 
a  \'.  A.  R.,  e  atoda  a  sua  Augusta  Familia,  no  naufrágio  de  tumul- 
tos, e  invazoens  em  que  soçobrarão  quazi  todos  os  Trincipes  da,  Ku- 
ropa.  Estos  volos  Seidior,  que  erão  os  públicos,  e  constantes  votos 
de  todo  este  Reino,  intci-iiorerão  o  Nohi-o  ("oragão  de  V.  A.  R.,  (»  forão 
igualmente  acolhidos  por  V.  A.  K.  tin  d  dia  *.)  de  Janeiro  ;  estas  ex- 
pi-essoons  consoladoras  dignas  de  serem  gravadas  com  letras  do  ouro 
sobre  os  Pórticos  dos  Palácios  de  todos  os  Suberanos — Como  lie  para 
bem  de  todos,  e  felicidade  geral  da  Nayão,  estou  prompto  ;  diga  ao 
Povo  que  lico — Retumbando  logo  de  bum  a  outro  extremo  deste  vas- 
tíssimo Continente  restetuirão  ao  coração  dos  sempre  Ijriozos,  o  lieis 
Mineiros,  a  alegria,  e  tranquilidade,  que  havião  perdido,  e  a  doce 
esperança  da  paz,  que  temiiM)  com  razão  ver  ti'ocada  no  liagollo  de 
sediçoens,  e  guerras  intestinas. 

Pressurozos  pois  em  agi-adecer  a  V.  A.  R.  apar  dos  Maiores  Reis 
seus  lUustros  Predecessores,  igualmente  pelo  mais  justo  Titulo,  que 
adquire  para  Vossa  Alteza  Real  os  gloriosos,  e  bem  merecidos  Títulos 
do  Libertador,  e  Restaurador  do  lirazil.  Órgãos  dos  Sentimentos  ge- 
nerozos  do  todo  o  Povo  deste  Termo,  nós  protestamos,  a  V.  A.  R.  a 
nossa  eterna  gratidão,  pela  deliberação  tão  lieroica,  como  magnâni- 
ma, tão  acertada  como  Politica,  que  de  liuma  vez  nos  garantio  das 
tentativas,  ora  infructuozas,  que  vinlião  profundamente  traliir  a 
nossa  senceridade,  e  b(ni  fé,  seguramos  a  V.  A.  R.  os  nossos  coraçoens, 
e  vidas,  aquelles,  para  Altares  das  nossas  mais  puras,  e  respeitozas 
adoraçoens,  e  estas,  pai-a  as  Sacrilicarmos  a  todos  os  perigos,  em  fle- 
feza  da  Augusta  Pessoa  de  Vossa  Alteza  Real,  peia  sustentação  inta- 
cta da  Alta,  e  Precioza  Dignidade  de  Regente  deste  Reino,  e  pela  con- 
cervação  ileza  dos  nossos  mais  Sagrados  Direitos. 

A  Augusta  Pessoa  de  V.  A.  R.  Guarde  Deos  os  mais  fdizos,  o 
dilatados  annos.  Em  Cini.UM.  nssitjnnilos  n  Jiii/  ib*  For;i.  o  ni;iis  ()(li- 
ciaes  da  mesma. 

Af.  GO  V.  se  acha  registado  o  Aviso  de  S.  a.  R.,  pelo  qual  de- 
termina a  esta  Canuira  ponha  em  observância  o  Decreto  de  IH 
de  fevereiro  de  IS'^'^  em  (jue  houve  por  bem  mandar  crear  hum 
Conselho  de  Estado  conii»"--»  <•<•  1'i'oeuradori's  ib-  iodas  as  Pi"i>vincias 
do    Brazil. 

Af.  7:i  V.  té  74  se  acha  registada  luta  representação  da  Camará, 
e  Povo  desta  Villa  de  4  de  abril  ile  1822  a  S.  A.  R.  o  Príncipe  Re- 
gente cujo  theor  he  o  seguinte. 


250  '  REVISTA   DO 

Sonlior.  A  lionra  inaudita,  e  íiloriosa  que  os  Povos  desta  Villa,  o 
seu  Termo  recebem  liujo  de  possuirem  no  seu  seio  a  Augusta,  o  ado- 
rada Pessoa  do  V.  A.  R.  mais  scxplica  no  publico  ro^^ozijo,  e  geral 
contentamento  do  que  pode  discrever-se  em  hum  discurso  (*)  To- 
dos Senhor  concorrem  á  porfia  atril)utar  a  V.  A.  R.  as  merecidas 
adoraroens  o  os  rospoitozos  cultos,  de  que  são  credores  o  Nobre,  e 
Generozo  Coração  de  V.  A  R.  a  Sua  Magnanimidade,  sobre  natural  ílr- 
mesa,  e  a  constância  verdadeiramente  heróica,  com  que  atravez 
de  ladigas,  o  dos  perigos,  sacrilicando  ao  publico  socego  o  seu  par- 
ticular descango,  e  arrancando-se  dos  abraços  conjugaes  de  liuma 
lllustre  Princeza,  dadiva  mais  preciosa,  com  que  o  Ceo  tem  mimo- 
siado  ao  Brazil  se  digna  derramar  no  meio  dos  seus  Povos  as  doçuras 
da  paz,  e  da  tranquillidade. 

Estes  cordiaes  sentimentos,  que  não  podem  deixar  em  duvida 
tantas  demonstraçoens  externas,  estes  sentimentos  briosos,  tão  pró- 
prios de  felicidade  de  Portuguezes,  quanto  inseparáveis  da  honra  de 


(*)  Chegou  iicstca  Villa  S.  A.  l\.  na  lar.lo  de  quarta  fíira  3  de  abril  de  1822, 
e  porque  o  Povo  iiào  tivos.íc  noticia  cerlada  sua  vinda  apeuas  correu  oboato 
no  dia  l."  —  quando  todos  aporfia  se  exforcavfio  apatentear  as  mais  decedi- 
das  demonstraroeDS  de  alegria.  Ercgirão  se  6  arcos  magnificamente  preparados 
pelos  lugares  por  onde  S.  A.  R.  havia  passar  até  a  Igreja  Idalriz.  As  4  horas 
da  tarde  niarction  a  Camará  incorporada  o  Ciero  de  Cruz  alçada  os  Hcgimentos 
de  Cavallaria,  e  Infantaria  de  2"  Linha  Nobreza,  e  Povo  ao  sitio  em  que  se  devia 
esperara  Augusta  e  Sagrada  Pessoa  de  S.  A.  U.,  e  praticar  as  ccremonias,  que 
se  prestão  aos  Senhores  heis,   c    Príncipes. 

Eis  que  se  vê  ao  longe  voar  ao  uos.-o  seio  o  Anjo,  que  nos  trazia  o  fron" 
dozo  ramo  da  dezejada  paz.  Concluídas  as  ccremonias  do  estillo  eutào  o  Prosi- 
deule  da  Camará  proferio  em  alia  ^óz  os  Vivas  a  S.  A.  U.  o  Príncipe  lie- 
gcnte  do  Brazil ;  ele.  a  que  forcão  correspondidos  por  todos  que  se  achavcão 
presentes  ;  e  lo  entoou  o  Clero  o  cautigo  Benedictus,  e  desta  maneira  se 
progredio  até  a -Matriz  onde  se  cantou  hum  Solemne  Té  Deum.  Por  toda  a 
parte  rezoavão  os  vivas,  que  sendo  nascidos  de  hum  intimo,  e  completo  pra- 
zer, se  julgarião  filhos  do  lomulto,  e  da  confusão ;  não  podendo  o  Povo  ex- 
pressar de  outro  modo,  o  eutliusiasuio  de  que  se  achava  possuído.  Findo  este 
acto  religiozo  o  .Mesmo  Augusto  Senhor  acompanhado  de  todo  o  povo  se  deri- 
gio  as  casas  da  Camará  destinadas  para  o  sen  apo.sento. 

Ahi  immedialamente  para  mais  honrar  e.te  Povo  se  dignou  dar  Reija  Mão. 
Vindo  a  noite  aparecerão  todas  as  Casas,  e  Edificios  expontaueamenle  illuiin- 
nados,  o  que  se  continuou  nasscguintes.  No  outro  dia  foi  repetida  a  mesma  lioni  a 
d  '  lieija  Jlão  ;!0  que  o  povo  mais,  e  mais  agradecido  se  coníundio  pela  Alia  í?ení- 
gnidade  do  \(;>inr  dos  Príncipes.  A  Camará  i)0is"  pressurosa  de  prpslar  quanto 
a  lies,  como  devia,  ohijíencía,  respeito,  e  iedelidade  a  S.  A.  U.  o  Princi[)e  Ko- 
gente  do  Brazil,  como  Chefe  do  Poder  Executivo,  e  centro  da  uuiào  e  tranquíi- 
liiJade  deste  Pvcitio,  envia  em  seu  nonie,  e  cm  nome  do  Povo  a  Representação 
acima.  E  então  uinguem  poderá  roubar  a  esta  Villa,  e  seu  Termo  a  gloria  de 
ser  a  primeira  da  Província,  que  reconheceu  a  Regência  deS.  A.  R. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  251 

i\Iiueirus,  sfiu  os  votos*,  que  esta  Camará  por  si,  e  na  qualidadíi  de 
Reprosuntante  dos  Povo.s  tuiu  a  .satislíK.-ào,  o  o  prazer  do  vir  anniin- 
ciar  peranfo  V.  A.  R.  cm  qiiom  por  miraculoza  Graça  da  Divina 
Providencia  apparecem  reunidas  semultaniamente  as  preclaras  vir- 
tudes dos  maiores  Reis,  Au^rustos  Predecessores  de  V.  A.  R.  Sim  Ma- 
gnânimo, (íenorozo,  e  Idolatrado  Principo,  que  íormaes  as  delicias, 
e  a  esperam^-a  de  todo  esto  Reino,  nós  divisamos  em  V.  A.  R.  a  re- 
ligioza  le,  o  eximia  Piedade  de  D.  Aflbnso  Henriques,  a  imparcial 
Justiça  do  Grande  Rey  D.  Diniz,  a  depurada,  o  solida  politica  do  D. 
João  1.-  Illustro  Tronco  da  Serenisrsima  Caza  do  Bragança,  a  sabedo- 
ria, famigerada  de  El  Rey  D.  Duarte,  o  o  valor  a  constância,  c  a 
prudência  do  immortal  D.  João  2/  que  mais  adquirem  para  V.  A- 
R.,  do  (luc  o  fervoroso  zello,  e  incrível  actividade  com  que  V.  A.  R. 
plantou    no  Brazil  a  Arvore  da  nossa  Liberdade. 

He  sem  duvida,  para  colhermos  os  seus  fructos  sasonados,  e  per- 
feitos, que  V.  A.  R.  vem  atravessando  esta  riquissima  Provincia, 
a(im  do  emendar  os  erros,  quo  a  primeira  vista  so  observão  na 
installação  do  Governo  Pruvizional  da  mesma,  no  qual,  ou  seja  pela 
disconíiança,  que  então  haveria  do  Gabinete  do  Rio  de  Janeiro,  ou 
seja  pela  nimia  precipitação  dos  Eleitores,  ou  seja  em  fim  pela 
sua  demasiada  creduliilade,  e  boa  fó  nas  Cortes  de  Lisboa,  so 
aclião  reunidos  os  três  poderes  Legislativo,  Executivo,  e  Judiciário  : 
Poderes    repugnantes,  o   inadimissiveis      em  huma    sò  pessoa,    ou  | 

Corpo  Moral  porque  fíizem    a  incerteza,  e    mutabelidado    das    Leis, 

confundem  o  Direito  das    Partos,  e  tornam    perplexo,  e  duvidozo  o  !> 

dominio,  e  a  propriedade  :    Poderes    quo  as  Cortes  dividirão,    e  que 
os  Povos  já  não  podem  reunir. 

He  com  tudo  desta  reunião  do  Poderes,  que  provem  a  maior 
parte  das  Dileberaçoens  que  se  notão  ao  Governo  Provizional.  Tal 
he  a  da  criação  de  huma  Casa  de  Moeda,  querendo  talvez  por  em 
vigor  a  Carta  Regia  de  10  de  março  de  1720  ;  tal  he  a  da  extinção 
das  Notas  feliaes  do  Banco  ;  tal  hé  a  da  erecção  de  hum  Corpo  de 
Infantaria  em  liuma  Provincia,  que  nada  tem  a  reciar  de  externas 
invasões,  e  taes  são  algumas  outras,  que  não  cabem  na  brevidade 
deste  nosso  Discurso. 

Senhor  cumpre, "^que  V.  A.  R.  reflicta  seria,  e  maduradamente  so- 
bre este  viciu  primordial  da' installação  do  Governo  opposto,  sem  du- 
vida aos  principies  mais  claros,  e  luminosos  do  Direito  Publico  uni- 
versal, e  até  as  Bazes  da  Constituição  da  Monarquia,  já  estão  jura- 
das, e  cumpro  que  V  A.  \l.  não  saia  da  Proviílcia,  sem  que  elle 
fique  de  huma  voz  emendado.  Se  a  vontade  dos  Povos  inconsideradíi- 
e  nullamente  enunciada  no  dia  20  .de  setembro  conferio  ao  Gover- 
no estes  I*oderes,  a  vontade  dos  Povos  solida,  e  legitimamente  de- 
clarada agora,  pelas  respectivas  Camarás,  e  por  elles  mesmos,  quo. 
ouvidos  forão,  vai  estabelecer  os  justos  lemites  da  sua.  Jurisdicção. 


í 


i. 


252  REVISTA    DO 

So  O  Governo  Provizional  não  se  julgava  autliorizado  para  dimittir 
de  si  estes  poderes  ;  Julííue-se,  atçora,  que  o  brado  geral  começa  afe- 
rir os  seus  ouvidos.  V.  A.  R.  he  Príncipe  Regente  do  Reino  do  Bra- 
zil,  V.  A.  R.  deve  ser  o  centro  do  Poder  Executivo  de  todas  as  Pro- 
víncias, e  da  sua  pjiz,  e  tranquilidade.  Nas  Cortes  Geraes  da  Nação 
reside  o  Poder  Legislativo  obedeça-mos  as  suas  Dicizoens  no  que 
não  ofleifderem  á  honra,  a  Dignidade  e  a  Reprezenção  Nacional  do 
Brazil  tornando  nos  em  vez  de  Irmãos,  escravos  seus.  Nos  Ministros 
existe  o  Poder  Judiciário  não  se  uzurpe  a  sua  authoridade,  e  sejão 
severamente  castigados  os  que  maliciozos  abuzarem  delia.  Emfim 
Senhor,  seja  V.  A.  R.  aBaze  mais  íirnie  da  união  de  ambos  os  Hemis- 
férios, da  qual  depende  essencialmente  a  ventura,  e  propriedade  do 
Reino  Unido,  e  a  cautelle  vigilante,  que  huma  •  divisão  prematura 
não  reduza  a  cinzas  a  rica  e  preciosa  Heransa  de  V.  A.  R..  Deus. 
Guarde  a  V.  A.  R.  muitos  annos  Villa  de  São  João  de  El-Rey  em  Ca- 
mará de  4  de  abril  de   1822. 

Af.  90  té  91  V.  se  acha  registada  huma  reprezentação,  que  a  Ca- 
mará desta  Villa  dirigio  a  S.  A,  R.,  o  Príncipe  Regente,  em  data  de 
19  de  setembro  de  1822  cujo  theor   he  o  seguinte. 

Senhor  Se  os  Povos  do  Brazil  em  cujos  Coraçoens  magnânimos 
imprimio  a  Natureza  sentimentos  de  honra  e  de  brio  Nacional  Je- 
pozitarão  entre  as  Mãos  Augustas  de  V.  A  R.  os  preciozos  dons  da 
sua  segurança,  liberdade,  e  independência,  contra  os  quaes  ainda 
atentão  aperíidia  de  huns,  a  ambição  de  outros,  e  o  egoismo  de  mui- 
tos ;  se  V.  A.  R.  tem  sido  o  Defensor  mais  intrépido  de  nossos  Di- 
reitos, e  Regalias,  já  estabelecendo,  e  consolidando  hum  systema 
perfeito  de  união  entre  as  diversas  partes  integrantes  deste  vastís- 
simo Reino,  já  perseguindo,  e  dezarmando  os  seus  mais  cruéis  ini- 
migos, já  emflm  mandando  convocar  huma  Assembléa  Geral,  que 
promova  os  meios  da  sua  prosperidade,  que  mal  podião  esperar-se 
das  tardias  deliberaçoens  das  Cortes  de  Lisboa,  ou  seja  pela  separa- 
ção do  Oceano,  ou  seja  pelo  menoscabo,  com  que  encarão  seus  De- 
putados, parece  sem  duvida  que  nada  mais  nos  resta  a  dezejar  para 
inteiro  complemento  de  nossos  votos.  Hum  Povo  heróico,  e  hei... 
Hum  Príncipe  generozo,  desvelado...  hum  Paiz  extenso,  rico,  e 
poderoso..  ?  que  nos  falta  ainda  para  vivermos  tranquillos  na  se- 
gura posse  de  •■  tantos  bens  ?  Se  reflectirmos  porem  nas  circuns- 
tancias verdadeiramente  criticas,  em  que  o  Brazil  se  acha  consti- 
tuído, ora  tendo  que  apagar  o  fogo  de  discórdias  domesticns,  que 
filhos  ingratos  acccnJem  no  seu  seio  carinhozo,  até  onde  pertendem 
cravar  o  punhal  matricida,  o'ra  tendo  que  repelir,  e  quebrar 
os  ferros  que  se  preparão  contra  a  sua  independência,  ferros  la- 
bricados.  (o'  vergonha  da  razão  humana  !)  no  próprio  recinto  da 
liberdade,  então  conhecerá  V.  A.  R.  que  nunca  nos  aproximá- 
mos ao  Throno  Augusto  de  V.  A.  R.  com  suplica  tão  justa,  como 
a  que   hoje   temos    a    honra    de    apresentar-Lhe.    A    liberdade   po- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  253 

litica  em  hum  Cidadão,  diz,  o  Sábio  Auctor  do  Esporito  das  Leis, 
consiste  na  tranc|uillidade  proveniente  da  Opinião,  que  cada  hum 
tem  da  sua  s('guran(;a,  o  para  que  haja  esta  liijcnhuie  hc  mister  que 
o  Governo  seja  tal,  que  imm  Cidadão  não  possa  temer-se  de  outro 
Cidadão  :  como  poderemos  por  tanto  nós  considerar  mo-nos  livres 
vendo  ali  ultrajad(».s  os  nossos  Direitos,  aqui  enfraquecidas  as  nos- 
sas Ibrgas,  e    acolá    desenvolvido    o  medonho    aparato    da  guerra  ? 

Como  poderemos  viver  tranquillos,  quando  ponderamos,  que  ape- 
zar  de  ser  V.  A.  R.  capaz  de  lazer  os  mais  heróicos  sacriíici(js  em 
l)eneliei(),  e  defeza  do  Brazil,  e  de  rezistir  as  insidiozas  tentativas  dos 
(jue  pertendem  escravizalo,  faltão-Ihe  com  tudo  poderes  para  por 
empratica  os  emprohendidos  meios  da  nossa  salvação  ?  E  sem  exe- 
cui.ri()  destes  meios  como  poderá  ella  conse<íuir-se  ?  De  que  servirão 
nos  amigos  tempos  o  animo,  e  os  talentos  do  Anibal,  sem  os  recur- 
sos, que  Hannon  lhe  negava  ?  Eclipsou-se  em  um  dia  toda  a  gloria 
do  Franzimeno,  e  Cannas.  De  que  servirão  a  V.  A.  R.  todos  seus 
talentos,  e  todo  o  seu  Patriotismo  Brazileiro,  não  podendo  exe- 
cutar os  meios  de  defeza  e  seguransa,  e  engrandecimento,  por  que 
insta  o  Reino  do  Brazil  ?  Desaparecerá  o  seu  nome  em  um  ins- 
tante da  lista  das  Na(,*oens  livres,  e  submergido  outra  vez  na  igno- 
rância, e  no  vilipendio  em  vão  chamará  em  soccorro  seu  o  Augusto, 
e  Perpetuo  Defensor  de  seus  já  perdidos  Direitos.  Os  principies  pois 
immutaveis  do  Direito  Publico  Universal,  os  encargos  de  Defensor 
Perpetuo  deste  Reino  a  Ley  suprema  da  Publica  Salvação  tudo  exi- 
ge. Senhor,  que  V.  A.  R.  seja  envestido  no  exercício  de  todas  as 
atribuiçoens,  que  competem  ao  Peder  Executivo  pela  Constituição 
da  Monarchia.  Eisaqui,  Senhor,  o  que  nós  nos  apressamos  a  pedir 
a  V.  A.  R  em  nosso  nome,  e  em  nome  do  Povo,  de  cuja  vontade  te- 
mos a  honra  de  ser  o  Órgão.-  Veio  a  epocha,  em  que  o  Brazil  deve 
occupar  o  eminente  lugar  que  lhe  compete  entre  as  mais  Naçoens. 
Se  até  aqui  pouco  tem  figurado  entre  ellas,  tão  bem  no  meio  do 
Reinado  de  Luiz  14  a  Inglaterra,  e  a  Escócia  não  formavão  hum 
Corpo  de  -Monarchia,  nem  a  Moscovia  era  mais  conhecida  na  Europa 
do  que  a  Crimeia,  e  hoje  são  sem  duvida  duas  Naçoens  poderozas. 
Somente  he  mister  que  V.  A.  R.  possa  defendelo  de  seus  inimigos, 
e  de  pois  promova  a  sua  prosperidade,  e  engrandecimento  ;  e  como 
para  se  obter  estes  dois  fins  he  necessário  empregarem-se  meios, 
que  não  estão  ao  alcance  de  V.  A.  R.  segundo  as  Instruçoens  que 
baixarão  com  o  Decreto  de  22  de  Abril  de  1821,  e  he  de  sumnia 
urgência  que  a  execução  de  todas  as  medidas  indispensáveis  para 
elles  se  conseguirem  se  ponha  em  pratica,  fica  encontestavel  a  ne- 
cessidade que  occorre  de  que  \'.  A.  R.  entre  desde  já  no  exercício  de 
todas  as  atribuiçoens  (jue  cumpetem  do  poder  Executivo  ;  pois 
que  só  assim  pode  V.  A.  R.  livremente  cuidar  na  salvação,  e  pros- 
peridade deste    Reino.  Nós  nos  lizongeamos   por  tanto  de  que   V.   A. 


254  REVISTA   DO 


R.  anniiirá,  benigno  as  nossas    rogativas,  que  devem  ser   o    começo 
da  expressfio  da  vontade  Geral  dos  seus  fieis   súbditos  do  Brazil. 

At".  93  té  95  V.'  se  acha  registado  Imm  OlTicio  do  Senado  da  Ca- 
mará do  Rio  de  Janeiro,  dirigido  a  esta  em  data  de  18  do  setembro 
de  18if2,  polo  qual  lhe  participa,  que  tendo-se  declarado  pozetiva- 
mJj  a  opinião  publica  tem  rezolvido  Aclamar  Solemnem.*»  no 
dia  12  de  Outubro  o  Senhor  D.  Pedro  de  Alcântara  1.*  Imperador 
Constitucional  do  Brazil  prestando  o  Mesmo  Senlior  previamente, 
lium  Juramento  Solemne  de  Jurar,  guardar,  manter,  e  defender  a 
Constituição,  que  fizer  a  Assembléa  Geral  Constituinte  Legislativa  do 
Brazil,  afim  de  q.«  esta  Camará  faça  o  m.™"  no  dia  12,  porq.« 
nos  será  muito  gloriozo,  q  »  S.  A.  R.  seja  Aclamado  no  m.""*  dia 
em  todas  as  Províncias  Colligadas. 

Af.  96  V,  e  97  se  vê  o  registo  de  huma  Representação,  que  esta 
Camará  derigio  a  S.  A.  R.  no  1/  de  Outubro  de  1822,  cujo  theor 
he  o  seguinte. 

Senhor.  A  Camará  desta  Yilla,  arrebatada  de  maior  prazer,  e  en- 
thuziasmo,  logo  que  chegou  ao  seu  conhecimento,  que  a  Camará, 
e  Povo  da  Cidade,  e  Corte  do  R.  de  Jan.'"'»,  tinha  marcado  o  faus- 
tissinio,  digo,  o  laustozo  dia  12  do  corrente  ]\Iez,  Feliz  Natalício  de 
V.  A.  R.j  para  nelle  ser  V.  A.  R.  Aclamado  Imperador  Constitucional 
do  Brazil,  único  passo,  que  nos  pode  garantir  do  pélago  tremendo 
de  males,  que  nos  ameação  :  vendo  identeficados  os  sentimentos,  e 
desejos  da  quella  Camará  com  os  desta,  que  ha  muito  tempo  anhe- 
lava  p.""  ver  chegar  a  Epocha  venturoza,  q.^  deve  firmar  em  bazes 
inabaláveis  o  magnifico  edificio  da  nossa  futura  prosperidade,  e  gran- 
deza, passou  immediatamente  a  convocar  todos  os  Cidadãos  desta 
Yilla,  e  seu  Termo  ]).'  q.«  reunidos  nos  Passos  do  Conselho  mani- 
festassem com  franqueza  os  seus  sentimentos  sobre  tão  interessante 
objecto. 

Da  certidão  junta  do  termo  da  Yereança,  a  q.°  em  consequên- 
cia se  procedeo,  e  que  temos  a  honra  de  pôr  na  Augusta  Prezença 
de  Y.  A.  R.,  conhecerá  V.  A.  R.  os  sentimentos  que  nos  animão,  e 
ao  Povo   que  reprezentamos. 

Digne-se  Y.  A.  R,  de  acolhe-los  benigno,  e  de  annuir  as  suplicas 
dos  seus  fieis  súbditos,  que  unanimes  A  clamão  a  Y.  A.  R.  seu  1.* 
Imperador  Constitucional,  assim  o  exige  a  honra  de  todos  os  bons,  e 
leaes  Brazileiros,  a  sua  liberdade,  e  a  gloria  de  Y.  A.  R. 

No  L.-  que  sérvio  para  Eleição  Parochial  daFreguezia  de  São  João 
de  El  Rey  afi.  I  té  4,  se  vé  que  se  procedeo  a  mencionada  Eleição 
a  25  de  Agosto,  segundo  o  Decreto  de  3  de  Junho  de  1822,  e  Instru- 
çoens  de  19  do  mesmo,  na  m.™^  conformidade  se  achão  praticadas 
as  Eleiçoens  ■  das  Freg.^*  je  N.  Senhora  da  Conceição  de  Carran- 
cas Dores  do  Pântano,  e  Santa  Anna  de  Lavras  do  Funil,  Termo  desta 
Yilla,  o  que  consta  dos  L.<*i  competentes. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  255 

No  Livro  (luo  scrviíj  p.  »  as  Actas  das  Klei(,'ouns  do  Dcputadu.s 
oát  a  Provincia  de  Minas  Goraos,  que  dcvião  compor  a  Assomhiúa 
Geral  Constituinte,  o  Legislativa,  aí'.  2  té  19  se  vè,  q.«  o  Ouvidor 
Interino  pez  em  eflectiviJ.»  a  8  de  7br.  de  18::j2  o  §  1.*  do  Ca- 
pitulo 5.*  das  Instruçoens  de  IV»  de  .luiilio  do  dito  anno,  relativa- 
mente   atai    objecto. 

No  L.  o   de  Acórdãos  de  lS;i2, 

A.  'J4  o  Verso  Acordou  a  Camará  em  lazer  liunui  Carta  a  S.  A. 
R.  o  Príncipe  iiegente  afíradecendo  ao  Mesmo  Augusto  Senhor  o  ter 
t(tmado  a  rezoIut^Tio  do  i-ezedir  no  R.  de  Jan.'"  annuindo  ao  voto 
geral  do  Brázil,  até  ulterior  delibcra(;iio  das  Cortes. 

Assim  mais  1)5,  90,  e  verso  Acordou  a  Camará  a  :>()  de  Mari.-o  de 
ISv';?,  por  noticias  certas  que  teve  de  vir  a  esta  VillaS.  A.  R.  Honrar 
com  a  Sua  Prezença  esto  Povo,  que  o  Procurador  da  m.^  autho- 
rizado  por  ella  concorresse  com  todas  as  despezas  necessárias  p.» 
lium  tratam.'"  proporcionado  ã  Alta  loraroliia  do  Mesmo  Augusto 
Senhor,  que  se  Olliciasse  ao  Commandanto  da  Tropa  da  1.*  Linha, 
p.^  ir  em  recebimento  do  S.  A.  R.  no  R.  do  Elvas,  p.*'  que  logo 
que  ahi  chegasse,  a  m.'"'  Camará  encorporada  passasse  a  ir  rece- 
ber ao  Mesmo  Senhor  com  a  devida  decência  aonde  quer,  que  fosse 
encontrato  ;  OíVeciarão  tão  bem  aos  Commandantes  da  í;.'*  Linha  p.» 
segurança  da  Villa,  e  p.-*  o  que  posteriorm.'»  fosse  percizo  ;  OíTe- 
ciarão  trio  bem  as  Authoridades  Ecleziasticas  p.^  o  Solemne  rece- 
])imento  de  S.  A.  R.,  e  como  julgasse  a  Camará,  que  S.  A.  R.  vinha 
arreigar  nesta  Província  oSystema  Constitucional,  achou  ser  do  seu 
dever  o  reconhecer  ao  Mesmo  Augusto  Senhor  como  centro  da 
união,  da  Paz,  e  tranquilidade  do  Brazil,  e  como  Regente  do  mes- 
mo Reino. 

Assim  mais  af.  97,  98,  e  verso  aos  4  de  Abril  se  encontra  hum  ter- 
mo de  Vereança  em  que  a  Camará,  p.-^  poder  elevar  a  Augusta 
Prezenga  de  S.  A.  R.  huma  Representação,  convocou  o  Povo  desta 
Villa  para  dár  verbalmente  o  seu  voto  relativo  aosobjecctos  constantes 
da  dita  Reprezentação ;  ao  que  todos  uniformemente  annuirão  e  se 
assignarão. 

Af.  100  V.*  e  101  se  acha  hum  Acórdão  pelo  qual  a  Camará  abrío 
hum  ollicio  dorigido  pela  Secretaria  de  Estado  dos  Negócios  do  Reino 
acompanhando  o  Decreto  de  IG  de  Fevereiro,  do  corrente  anno  ins- 
ti'uindo  a  maneira  de  se  elegerem  os  Membros  do  Conselho  de  Es- 
tado ;  a  sim  mais,  que  se  registasse  hum  0R'.°  dcrigido  p."  ordem 
de  S.  A.  R.  a  esta  Camará,  p.""  Estevão  Ribeiro  de  Rezende,  em  q.-» 
partecipava  a  sua  chegada  a  esta  Villa  em  3  do  Corr.  » Abril. 

Af.  102,  ev.  se  encontra  hum  Acórdão  emque  deliberarão  abrir 
hum  oíllcío  do  Governo  Provizíonal  desta  Província  expedido  em  vir- 
tude da  Portaria,  emque  S.  A.  R.  o  Príncipe  Regente  mandava  proce- 
der a  Eleição  dos  Procuradores  Geraes  de  Cada  Província. 


256  REVISTA  DO 

Immediatamento  so  mandarão  passar  Editaes,  e  outras  providen- 
cias p.»    a  sua  prompta  execução. 

Af.  103,  e  V.  se  vc,  que  p,'-  Acórdão  abrio  a  Camará  hum  Olficio 
do  Doutor  Ouvidor  Interino^  acompanliado  da  Portaria  p.-"  copia  pas- 
sada pelo  Secretario  de  Estado  Interino,  p.""  Ordem  de  S.  A,  R.  o 
Príncipe  Regente  ao  Governo  Provizorio,  afim  de  serem  p.'  esta  Ca- 
mará avizados  todos  os  Eleitores  deParochia  deste  Termo,  p.»  se  con- 
gregarem na  Capital  no  dia  20  de  Maio  próximo,  p.»  serem  Eleitos 
7  Membros  de  que  se  devia  compor  o  Governo,  conforme  o  Decreto 
de  1.-  de  Outubro  do  anno  passado. 

Aí'.  110  V.  se  observa  hum  Acórdão  p.^^  abrir  hum  OíT,"  dirigido 
pela  Camará  da  Cidade  do  Rio  de  Janeiro  a  -esta  enique  expressava 
os  seus  sentimentos  â  cerca  de  reprezentar-se  a  S.  A.  R.  a  instalação 
de  huma  Assembléa    no  Bi^azil. 

Af.  112  e  113,  e  V.  se  acha  hum  Acórdão  em  que  deliberarão  res- 
ponder ao  Senado  do  Rio  de  Janeiro,  expressando  os  seus  sentimen- 
tos,  e  dos  Povos  deste  Termo  relativamente  â  Assembléa. 

Af.  115  V.,  e  116  se  encontra  hum  Acórdão  em  que  a  Camará  de- 
liberou dirigir  a  S.  A.  R.  o  Príncipe  Regente  huma  carta  congratula- 
♦  toria,  expressando  os  seus  sentimentos  degratidão,  e  os  dos  Povos 
deste  Termo,  pela  benegnídade  comque  o  Mesmo  Augusto  Senhor  foi 
servido  aceitar  as  devidas  Reprezentações  afim  de  se  convocar  as  Cor- 
tes Brazileíras. 

Af.  119,  e  V.  se  acha  hum  Acórdão  emque  abrirão  hum  Ofíicío  di- 
rigido a  esta  Camará  pela  Secretaria  de  Estado  dos  Negócios  do  Reino 
incluindo  huma  Portaria  do  Menistro  de  Estado  daquella  Reprezenta- 
ção,  digo.  Repartição  que  acompanhava  os  Exemplares  dos  Decretos 
do  1."  e  3.-  do  mez  de  junho  do  anno  corrente,  das  Proclamaçoens  de 
S.  A.  R.  o  Príncipe  Regente,  e  o  discurso  dirigido  ao  Mesmo  Augusto 
Senhor  pelos  Procuradores  Geraes,  Concelheiros  de  Estado,  e  as  Ins- 
truçoens  aque  se  refere  o  citado  Decreto  p.*  as  Eleiçoens  dos  Depu- 
tados da  Assembléa  Geral   Constituinte,  e  Legislativa. 

Af.  120  V.  se  encontra  hum  Acórdão  em  q.^  a  Camará  deu  as  mais 
enérgicas  providencias  ah m  de  se  pòr  inimediatam.'"  em  observân- 
cia o  Decreto  de  3  de  junho,  e  Instruçoens  que  o  acompanharão. 

Af.  121  se  vé  Acordar  a  Camará  em  abrir  hum  Oíf."  da  Secretaria 
de  Estado  dos  Negócios  do  Reino  emq. '  S.  A.  R.  O  Príncipe  Regente 
manda  participar  á  m."^^,  que  Elle  havia  ouvido  comparticular  sa- 
tisfação o  Off."  ,  que  ella  teve  ahonra  de  elevar  a  Sua  Augusta  Pre- 
zença,  em  a  data  de  30  de  junho  do  corrente  anno. 

•Af.  124  V.  125  e  V.  Acordou  a  Camará  em  abrir  hum  Off."  da  Se- 
cretaria de  Estado  dos  Negócios  do  Reino  incluindo  os  Exemplares  do 
Manifesto  de  S.  A.  R.  O  Príncipe  Regente  do  Brazil,  dirigido  aos  Po- 
vos deste  Reino.  Bem  como  outro  da  Camará  do  Rio  de  Janeiro  re- 
metido a  esta  em  data  de  7  de  Setembro  em  que  faz  ver    a    necessi- 


ARCmVO  PUBLICO  MINEIRO  257 

dade,  que  liavia  de  envistir  a  S.  A.  R.  o  Príncipe  Regente  no  exer- 
cício de  todos  os  Atributos,  q.»  pela  Constituí(;rio  lho  díivião  compe- 
tir como  Chefe  do  Poder  blxecutivo,  ao  que  esta  Camará  respondeo 
fazendo  ver,  q.«  ella  ia  levar  a  Prezença  de  S.  A.  R.,  os  seus  senti" 
mentos  em  conformidade  com  os  da  dita  Camará. 

,Af.  12(3  V.  e  127  Acordou  a  Camará,  emque  tendo  noticia  certa 
de  que  S.  A.  R.  o  Priíicipo  Rejíonte,  o  Perpetuo  Delensor  do  Brazil 
por  unanime,  e  geral  vontade  dos  Povos  do  Rio  de  .lan.""»,  e  sua 
Província,  devia  ser  Aclamado  nodia  12  do  corr.-'  mez,  Natalício 
do  Mesmo  Augusto  Senlior,  Imperador  Constitucional  do  Brazil,  se 
convocasse  os  Cidadãos  desta  Nilla,  e  seu  Termo,  a(im  de  se  reuni- 
rem no  dito  dia  1.'  de  Outuhro  nos  Passos  do  Conselho,  e  ahi  ex- 
pressarem os  seus  sentimentos  sobro  este  interessantíssimo  objecto  ; 
o  q.'  se  fez  publico  p.""  Editaes.  E  logo  a  f.  127  V.,  128,  e  V.,  em 
consequência  do  convite  feito  aos  Cídadivos  pelo  Edital,  e  se  acha  o 
termo  de  Vereança  Geral,  no  qual  a  Camará,  Clero,  Nobreza,  e  Povo, 
como  em  huma  só  vez  expressou  seus  sentimentos,  os  quaes  aníma- 
vão  ao  Povo  Fluminense,  quoerão  os  de  ser  S.  A.  R.  o  Príncipe  Re- 
gente, e  Defensor  Perpetuo  deste  Reino,  Aclamado  Imperador  Cons- 
titucional do  Brazil.  E  depois  de  assignar  a  Camará  seguírão-se  as  as- 
signaturas  de  todos  os  Cidadãos  que  se  achavão  prezentes. 

Af.  130  V.,  131,  e  V.  Acordou  a  Camará  em  que  para  melhor  so- 
lem nizar  a  Aclamação  de  S.  A.  R.  o  Príncipe  Regente,  e  Perpetuo 
Defensor  do  Brazil,  esta  tivesse  lugar  no  dia  12  do  Natalício  do  Mes- 
mo Augusto  Senlior  ;  p.*  o  que  oíTeciaTão  as  Authoridades  Ecle- 
ziasticas,  e  Militares,  e  igualmente  fezerão  certo  ao  Publico,  p.""  Edi- 
taes a  Celebração  desta  tão  Augusta  Ceremonía.  Assim  determina- 
rão haver  Missa  Cantada  Solemnemente  em  acção  de  Graças  p.""  tão 
fausto  motivo  ;  e  que  depois  de  concluída  a  Ceremonía  da  Aclama- 
ção se  entoasse  hum  Tó  Deuní  Solemne,  e  que  tãobem  houvesse  illu- 
mínação  por  expaço  de  9  dias. 

Af.  132,  e  V.  se  encontra  hum  Acórdão  em  que  a  Camará  abrio 
hum  oíY.  datado  de  17  de  7br.>'  do  Senado  da  Camará  do  R.» 
de  Jan-f",  emque  comunicava  que  o  Povo,  e  Tropa  daquella  Cidade 
tinha  manifestado  os  dezejos  de  ser  S.  A.  R.  o  Principo  Regente  De- 
fensor Perpetuo  do  Brazil,  Aclamado  no  dia  12  de  Hbr.»  prestando 
o  Mesmo  Augusto  Senhor  previamente  hum  juramento  Solemne  de  Ju- 
rar, Guardar,  Manter,  e  Defender  a  Constituição  que  íizer  a  Assem- 
bléa  Geral  Constituinte,  e  Legislativa  Brazilíca. 

Ao  que  esta  Camará  respondeo  :  que  ella,  e  o  F'ovo  desta  Villa,  e 
Termo  possuídos  dos  mesmos  sentimentos,  já  tínhão  tomado  a  m."* 
rezolução  de  Aclamar  a  S.  A.  R.  Imperador  Constitucional  do  Bra- 
zil no  mencionado  dia  12  sem  que  para  isso  lhe  fosse  percizo  partici- 
pação, ou  insinuação  alguma,  e  sim  p.''  ser  essa  avontade  unaniniQ 
desta  Camará,  e  Povo. 


258 


REVISTA    DO 


Af.  ir!5  se  acli.a  o  Auto  tln  Indepoiídencia  de  levantamento  de  Acla- 
maçào,  c  reconhecini.*"  a  S.  M,  Iniporial  o  Senhor  Dom  Pedro  1.* 
Imperador  Constitucional  do  Brazil,  c  juramento  de  Preito,  e  Ho 
menaf^em,  o  qual  depois  de  prestado  pela  Camará,  Clero,  Nolireza,  e 
Povo,  e  praticadas  as  Ceremonias  seguirão-se  as  assiiinaturas  de  to- 
dos os  Cidadãos,  que  prezcntes  se  acbavão. 

Af.  147  se  encontra  hum  Acórdão  em  que  a  Camará  participa  ao 
Menistro  de  Estado  dos  Negócios  do  Brazil,  a  eflectividade  da  Acla- 
mação de  S.  I\I.  1.  nesta  Villa,  'remetendo-lhe  juntam.'"  o  respectivo 
Auto,  p.*  ser  prezente  ao  Mesmo  Augusto  Senhor,  assim  mais  rece- 
berão huma  Proclamação  do  Governo  Provizional  desta  Provencia  sol- 
licitando  aos  Habitantes  deste  Termo,  soccorros  pecuniários,  pes., 
soaes,  e  de  viveres  para  a  Bahia,  em  attenção    a  Guerra. 

Af.  149  Acordou  esta  Camará  em  mandar  hum  dos  seus  Vereadores 
á  Corte  do  Rio  do  Janeiro  p.*  aprezentar  a  S.  M.  I.  por  parte  delia, 
e  do  Povo  deste  Termo  as  devidas  felicitaçoens  pela  Sua  Elevação  ao 
Tbrono  Imperial  do  Brazil. 


REGISTROS  DE  ORDENS   REGIAS  DE   1823 

Af.    186  e  V.  sevé  registada  a  Felicitação   que  por  parte  desta  Ca- 
mará, o^Doutor  António  Paulino  Limpo  de  Abreu,  fez  a  Augusta    As 
sembléa,   com  a  data  de  23  de  Agosto  de  18S3. 

Af.  194,  e  V.  se  ve  registado  o  Decreto  de  17  de  9br."  de  1823 
pelo  qual  S.  ^I.  I.  houve  porbem  determinar  se  proceda  a  Eleição  dos 
Deputados  p,^  a  nova  Assemblèa  Geral,  Constituinte,  e  Legislativa, 
segundo  as  Instruçoens  de  19  de  junho  do  anno  pretérito  combinadas 
com  o  Decreto  de  3  de  Agosto  do  mesmo  anno. 

Af.  215  té  232  se  acha  o  registo  do  Projecto  de  Constituição  p.^  o 
Império  do  Brazil,  emviando  a  esta  Camará  em  data  de  II  de  De- 
zembro de  l'S23. 

ACÓRDÃOS  DO    ANNO  DE  1823 


Af.  163  Acordou  a  Camará  em  abrir  hum  .Oíí.o  do  Procurador 
Geral  desta  Província  acompanhado  de  hum  Protesto,  que  fizerão  os 
Procuradores  das  Províncias  no  qual  acuza  a  iluzão  comq.e  esta,  e 
outras  Camarás  exigirão  prévio  juramento  a  S.  M.  I.,  e  para  que 
fosse  revogada  esta  clauzula,  convocarão  p.""  Editaes  ao  Povo  desta 
Villa,  e  seu  Termo  aflm  de  rezolverem,  e  assignarem  a  dita  recla- 
mação. 

Af.  166,  se  acha  o  Auto  de  reclamação  no  qual  se  vê,  que  a  Ca- 
mará, Nobreza,  c  Povo  de  commum  Acordo  Aclamarão  S.  M.  1.  sem 


ARCIIIVO  PUBLICO  MINEIRO  250 

ristrição  alguma,  licando  de  iicnluiin  clVoito  a  clauzAila  do  juraiiionto 
prévio,  acujo  Auto  a!?.signou-se  a  Camará,  o  os  mais  Cidadãos  que  se 
achavão  prezentes,  eíoi  remottido  ao  Procurador  Geral  da  Provincia 
para  ser  prezento  ao  Mesmo  Augusto  Senhor. 

tAf.  175,  se  encontra  hum  Acórdão,  no  (|ual  abrio  aCamara  hum 
OíT.o  do  Ouvidor  Interino  desta  Comarca  acomiianhado  do  Decreto  de- 
huma  subscri<,'ã()  mensal  para  augmento  da  Marinha  de  Guerra  deste 
Império. 

.Af.  194  se  acha  hum  Acórdão  omquo  esta  Gamara  authoriza  ahum 
Procurador  para  no  Rio  do  .lan.'"  felicitar  a  Assembléa  pela  sua  ins- 
talação. 

Aí".  198  se  vè  hum  Acórdão  enniue  ;i  Camará  p.""  noticias  que  teve 
dallestauração  da  Bahia,  expontaneamente  convidou  p.-"  Editaes  ato- 
dos  os  Cidadãos  p.»  illuminarem  as  suas  Cazas  p.""  espa(;o  de  3  dias 
noflm  dos  quaes  renderão  a  Deos  Graças  entoando-se  hum  Solemne 
Tè  fíenni. 

tAl".  35  V  :  de  outro  livro  de  Acórdãos  consta  ter  aCamara  aberto 
hum  Ofílcio  do  Menistro  de  listado  dos  Negócios  do  Império  acompa- 
nhando os  Exemplares  do  Projecto  de  Constituição  oílerecido  p."-  S.  M, 
I.  as  Camarás. 

REGISTRO  DE  ORDENS  REíMAS  DE  1824 

Al".  3  V.  e  4  se  acha  registada  a  Portaria  do  Governo  Provizorio 
desta  Provincia,  q.»  manda  proceder  a  Eleição  de  Conselheiros  na 
forma  da  Carta  de  Ley  de  20  de  Outubro  de  1823,  e  de  Juizes  de  Fa- 
cto sobre  aliberdade  da  Imprensa,  como  o  determina  o  Decreto  do 
22  de  Novembro  do  dito  anno. 

Af.  18  se  acha  registada  hunia  Portaria  do  Ex.™»  Prezi- 
dente  desta  Provincia  em  data  de  30  de  M.í«  de  1824  dirigido  aesta 
Camíira  com  o  Decreto  de  S.  M.  I.  de  11  do  d."  mez,  e  anno  no  qual 
manda  jurar  como  Constituição  do  Império  o  Projecto  p.'  Elle  offe- 
recido,  e  aprovado  Unanimimente  por  tcjdaa  Nação.  Igualmente  af.  19 
se  acha  o  registo  de  huma  Portaria  do  Menistro  de  Estado  dos  Negó- 
cios do  Império  de  13  de  M.?",  que  acompanhou  o  Exemplar  do  De- 
creto do  1 1  do  corrente  pelo  qual  o  Mesmo  Augusto  Senhor  uianda 
prestar  o  juramento  â  Constituição  do  Império. 

Af.  39  té  40  se  acha  o  registo  do  Decreto  de  26  do  Março  de  1824, 
e  Instruçoens  da  m.™»  data,  p.»  as  Eleiçoens  de  Deputados,  e  Se- 
nadores da  Assembléa  Geral,  e  Legislativa  do  Brazil. 

Af.  3  de  outro  L.»,  que  igualmente  serve  de  registo  de  Ordens  Re- 
gias, se  acha  lançado  hum  Edital  da  Gamara  de  28  de  Fcv.''"  de 
1824,  emqa  faz  publico  aos  Cidadãos  desta  V.»  ,  e  seu  Termo  que 
no  dia  25  do  futuro  mez  do  M.í»  pelas  8  horas  da  manhã,  se  dará 
priacipio  as  Eleiçoens  Parochiues,  assim    nesta  Freg.   ,    como   nas 


i) 


I 


260  REVISTA   DO 


mais  do  Termo,  o  q."  cumprio  em  observância  do  Decreto  de  17  de 
Novembro  do  anno  próximo  passado,  emq^  se  ordena  a  convocação 
de  uma  nova  Assemblèa,  rofíuIando-SG  pelas  Instruçoens  de  19  de  Ju- 
nno  de  1822,  combinadas  com  o  Decreto  de  3  de  Agosto  do  mesmo  anno. 
Outro  sim  laz  ver  aos  Cidadãos,  q.«  nestas  Eleiçoens  saliirôm  Eleitos 
estejão  prontos  nesta  Villa,  p.**  que  em  dia  aprazado  pela  mesma 
Camará,  Jurem  o  Projecto  aprezentado  p.""  S.  M.  I.  como  Constituição 
do  Império. 

Af.  5  se  encontra  huma  Carta  da  Camará  dirigida  ao  Rd.*  Vigr.* 
da  Freguezia  de  Carrancas  em  q.«  lhe  comunica,  q."  tendo  ella  mar- 
cado o  dia  25  do  próximo  mez  de  Março  p.*  o  processo  das  Eleiçoens 
Parochiaes  nesta  V.*  ,  e  seu  Termo,  elle  haja  de  fazer  fixar  na  porta 
da  sua  Matriz  um  Edital  p.^  onde  conste  enumero  de  fogos  de  sua 
Parochia  conforme  as  Instruçoens  que  se  lhe  i^emettem,  p.»  o  q.^ 
deve  dar  todas  as  providencias  indicadas  nas  mesmas.  Igualmente  lhe 
participou  que  um  dos  seus  Vereadores  iria  servir  de  Prezidente.  Nesta 
conformidade,  e  data  offlciou  a  Camará  a  todos  os  mais  Parochos  do 
Termo, 

Af.  13  V.',  e  14  se  acha  o  registo  de  huma  Carta  da  Camará  diri- 
gida a  10  de  Julho  de  1824  ao  Exm.-  Prezidente  desta  Província  em 
que  lhe  dá  parte  de  estarem  feitas  as  Eleiçoens  dos  Senadores,  Depu- 
tados, e  Membros  do  Conselho  Geral  da  Província  em  conformidade 
ao  Decreto  de  26  de  M.?''  próximo  passado,  e  das  Instrucçoens  da 
m."»»  data.  Igualmente  participa  estar  feita  a  Eleição  dos  Membros 
do  Conselho  do  Governo  da  Província,  q.e  forão  mandados  criar  pela 
Ley  de  20  de  8br.'  de  1823;  q.«  estão  eleitos  os  Juizes  de  Facto, 
em  observância  da  Portaria  do  m.™»  Exm.-  Prezidente  de  9  de  Junho 
do  corr.'^  anno,  e  que  se  remetteo  certidão  da  Acta  desta  ultima 
Eleição  ao  Doutor  Ouvidor  da  Com.'^^.  p.a  a  devida  apuração,  q.^" 
se  reunissem  as  Eleiçoens   de  outros  Colégios  Eleitoraes. 

No  L.°  que  sérvio  p.»  a  Eleição  dos  Eleitores  Parochiaes  da  Fre-. 
g.a  de  Nossa  Senhora  do  Pillar  da  V.*  de  São  João  de  ElRey,  af. 
5  té  8  se  vé,  que  se  procedeu  as  m.'^^^  a  30  de  Mayo  de  1824,  na 
conformid."  das  Instruçoens  de  26  de  Março,  e  Decreto  do  m.™o 
anno :  e  assim  se  praticou  nas  mais  Freguezias  do  Termo  o  q.e  consta 
dos  L.os  respectivos. 

No  L."  q.e  sérvio  p.^^  Eleição  de  Senadores,  Deputados,  e  Mem- 
bros do  Conselho  Geral  desta  Provincia,e  Conselheiros  do  Governo;af; 
17  té  33,  se  vé  q.'^  se  procederão  a  todas  estas  Eleiçoens  segundo  as 
Instruçoens  de  26  de  Março  de  1824,  e  Decreto  da  m.»    data. 

Acordãoá  do  anno  de  1824. 

Af.  43  té  51  V.o  se  acha  hum  Acórdão  desta  Camará,  que  tendo 
convocado  todos  os  Cidadãos  p.»  delibcrarem-se  se  devia  jurar,  e 
a  doptar  já  como  Constituição  do  Império,  o  Projecto  formado  no 
Conselho  de  Estado  sobre  as  Bazos  aprezentadas  p.""   S.  M.  I.,  a  q.a 


AKCIIIVO    rURÍ.ICO   MINEIRO  277 

os  iii'ojecto.<  aprovados,  e  as  decizòos  que  se  tomarem  cm  Conselho. 
Logo  que  esviverom  Reunidos  os  Procuradores  do  três  Províncias,  en- 
trara o  Consolho  no  exercício  de  suas  funcoons.  Para  honrar  como 
Devo,  tão  úteis  Cidadãos  :  ilcy  por  bem  conscder  lhos  o  tratamento 
de  Exeeilencia,  cmquanto  exercerem  os  Scos  importantes  Empregos  ; 
c-  IVIando  outro  sim,qu(>  nos  funcòes  publicas  preceda  o  Conselho  a  to- 
das as  outras  Corpora i;òes  d" Estado,  e  gozem  seos  Membros  de  todas 
as  preeminências,  de  que  gozavão  até  aqui  os  Conselheiros  do  Estado 
no  Reino  de  Portugal.  Pai,'o  em  dezesseis  de  Fevereiro  de  mil  oito 
centos  evint<^  o  dous. — t!om  aRubrica  do  Príncipe  Regente. — 7ozé  Bo- 
nifácio de  Andrada  e  Silva.— "Sa  Imprensa  Nacional. —  Está  conlbrme. 
João  Joze  l.opes  .Mondes  Riboifo — Está  coníbnne.  Maximianno  iMartins 
da  Costa.  ^ 

N.  Ri.—  Senlior.  <)  árduo,  eperigozo  espado  dos  negócios  políti- 
cos deste  Reino  do  Brazil,  nos  leva  a  Augusta  Prezeuíja  de  Vossa  Al- 
teza Real  a  suplicar  oque  mister  para  á  salvação  do  mesmo.  Au- 
gusto Senhor  o  grande  Povo  deste  Reino,  vive  ho  verdade  a  Sombra 
da  Alta  Protigão  de  Vossa  .\lteza  Real,  que  atravez  de  excessivas  fa- 
digas, Patriotismo,  e  nergia,  e  accerto  tem  conseguido  o  grande  bem 
da  nossa  tranquilidade,  porem  o  estado  politico  dos  interesses  da 
Grande  Família  lUaziliense  não  está  asalvo  de  huma  horroroza  tem- 
pestade de  males  ímminentes  pela  intrega,  e  divergência  de  opiniões, 

que   fazendo  Renascer  o  despotismo,  que  detestamos.    Temos  desgra-  |  f, 

«.-adamente  entre  nós  mesmos  inimigos,  que  abuzando  dos  beneíicios 
da  May,  que  os  alimenta,  retribuem  com  ingratidão  ;  temos  inimigos 
externos,  que  vendo  malogrados  os  planos  da  mais  negra  períldia,  in- 
sistem em  nos  atraiçoar  valendose  de  sofismas  audaciozos  para  nos 
escravizar,  chegando  o  seu  delírio  aponto  de  sacrilicar  onosso  sangue 
innocente  a  acto.s  de  hostilidade  :  anfolhamos  por  isso  a  alluvíão  do 
desgraças,  que  vem  sobre  esto  Reino  sempre  unido,  que  dando  asilo 
ahuns,  Pátria  a  outros  se  verá  delacerado  por  mãos  iníquas  com  au- 
xilio de  cães  deli  Ia  se  não  íbrmos  acautelados  :  Que  inaudita  teme- 
ridade! Estes  males  pedem,  exigem,  e  instão  por  medida  proporcio 
nadas,  asua  natureza,  equalidade;  esuposto  August<j  Senhor,  seja 
Aossa  .Mteza  onosso  Anjo  Tutelar  na  Qualidade  de  Dolcnsorporpotu»», 
chele  da  união,  e  Centro  Ao  Poder  Executivo,  com  tudo  adelbnga  pu- 
blica perigará,  se  Vossa  Alteza  Keal  para  complemento  do  nosso  Bem 
ser,  se  não  Dignai'  receber  mais  amplos,  e  decizivos  Poderes,  para 
obrar  a  nosso  beneíicio  tanto,  quanto  exiga  a  necessidade  da  nossa 
Santa  Cauza.    Sim  .\ugusto  Senhor,   nós  conhecemos,  que    os    fins  se 

não  conseguem  sem  os  precizos  meios:  Ligado  Vossa  .Vileza    Real  tão  ' 

lemitadamente,  como  poderá  encher  agrande  medida  da  Salvação  Pu- 
blica da  nossa  prosperidade,  segurança  de  nossas  pessoas,  e  de  nos- 
sas propriedades?    Queira  por    tanto  Vossa    Alteza  Real  Annuir    aos 

A.  P.  -f,  ■  , 


278 


REVISTA    00 


uossos  votos  investi ndose  quanto  antes,  nos  ecenciaes  Attributos  do 
Poder.  Executivo  em  toda  a  extencão,  e  plenitude,  que  he  indespen- 
savel  ahum  Rey  Constitucional,  para  que  desta  sorte  possa  ellevar 
este  vasto  Reino  ao  gráo  de  segurança,  esplendor,  prosperidade,  e 
grandeza  de  que  he  susceptivel,  desviandonos  dos  males,  que  nos- 
cercão,  fazendo  perdurável  apaz,  união,  e  tranquilidade,  vantagens, 
que  só  Vossa  Alteza  Real  nos  pode  conferir,  collocando  o  Seu  Augus- 
to Nome  no  Templo  da  Immortai idade.  A  Precioza  Vida  de  Vossa  Al- 
teza Real  Guarde  por  dilatados  annos  como  carecem  os  Soberanos,  e 
todo  oBrazil.  Sabará  em  Vereação  geral  de  vinte  e  cinco  de  Setem- 
bro demil  oito  centos  e vinte  o  dous  »  O  Dezembargador-Ouvidor,  Joze 
Teixeira  da  Fonseca  Yasconcellos  —  O  Juiz  de  Fora  pela  Ley,  Manoel 
de  Freitas  Pacheco  —  O  Vereador  Francisco  Joze  dos  Santos  Broxado 
—  O  Vereador  Anastácio  Joze  Gonsalves  de  Abreu.  —  O  Procurador, 
Sebastião  da  Silva  Leão  —  hucena. — O  Escrivão  Maxiniianno  Martins 
da  Costa. —  Está  conforme. —  Maxiniianno  Martins  da  Costa. 


IV-Camaía  de  Paíacatú 


Ill.'"o  e  Ex."'"  8oi-.  —  Conforme  o  ofl"."  de  V.  Exc,  exped."  em  4 
de  Mil.'"'  do  anuo  próximo  passado,  tenho  a  honra  de  remetter  nesta 
occaziào  copias  duplicadas  das  Atas  (hi  Acclam.^'"  de  S.  M.  O  Im- 
pe."', e  do  solemiie  juramento  prestado  ã  Constitiii(,'ão  do  Imp..  ,  q.'^ 
são  os  únicos  docum.'"*  úteis  á  Historia  do  Brazil,  que  existem  no 
Archivo  da  Camará  desta  \.^  ,  como  se  mostra  pela  correspond.e 
oft".*'  desde  !.•  até  n.  6.*;  elico  esperando  pelos  que  exigi  de  cada  úm 
dos  Julfíados  p.*  os  levar  á  Prezença  de  A'.  Ex.^  D.'*  G.e  a  V.  Ex.* 
m.-'  a.»  como  a  Frov.-'  hã  mester.  V.»  de  Pyracatú  do  Principe  em 
7  de  Janr,"  de  1826.  lUm.  e  Exm.  Snr.  J.e  Tcix.»  da  Fons.^  Vas.^»,  Pre- 
sid.'*  da    Prov.*  de  Minas  Uer.*  . — António  Paulino    Limpo  de  Abreu. 

N.   1.- 

Devendo  na  conformid.«  do  ofl"."  de  S.  Ex.'^  o  lUm.-  e  Exm.*  Sr. 
Presid."  desta  Prov.»  ,  em  dada  de  4  de  Março  do  corr.»  anno,  remet- 
ter a  Secretaria  do  Governo,  copias  authonticas  de  todas  as  me- 
morias, Docum.'"»,  e  q.-^^  q.r  outros  p.^  ull>8,  q.«  possão  servir  para 
illustrár,  elacililar  aultimaçío,  do  importante,  e  útil  trabalho  da  His- 
storia  dos  Successos  do  Brazil,  desde  o  anno  de  1821,  a  cargo  do 
Consr.o  J.  •  da  S.''  Sz.»  ,  tenho  a  ordenar-lhe  a  remessa  ilestes  docu- 
m.'"-  na  parte  que  respeita  áo  Archivo  dessa  Camará,  enviando  de 
tudo  copias  duplicadas,  como  convém  áo  dezempenho  da  diligencia 
D."  G.8  á  V.  S.'»*  m.'*  a.-*  .  V.^  do  Pyracatú  do  Principe  20  de  7br."  de 
1825  O  Ouv.»'"  da  Com.«*  An.'»  Paulino  Limpe  de  Al)reo.  —Snr.  Juiz 
Prezid.*  ,  e  m.^  Off."  da  Camará  desta  \'.'  .—Está  conf.-í  Eduardo 
Ant."   Roq'a  Franco. 


280 


REVISTA  DO 


N.  :i 

Recebemos  o  OíV."  q."  \'.  S.  nus  dirijíiu  em  data  de  -^i)  do  cov- 
!'.«  mez  de  7br.o  emq."  nos  faz  ver,  q."  ]).*  illustràr,  e  lacilitàr  a  ul- 
timarão do  importante,  e  ntil  trabalho  da  Historia  dos  succes.so.s  do 
Brazil  desde  o  anno  de  1821,  iiiviassimos  a  V.  S.  Copias  documon- 
tâes  de  tudo  qu.'"  liouver  no  Ai-quivo  desta  Camará,  concernente  áo 
referido  objecto.  Certilieamos  ii  V.  S.,  (j.  no  Arcliivo  desta  Camará 
não  se  acha  Memoria  alguma  dos  Successos  dn  l^ra/.il  (|uc  possa  in- 
teressar a  Historia  acima  mencionada.  1).^  (iiiarde  a  ^'.  S.  \.'>-  do 
Pyracatú  do  Príncipe  em  Camará  de  2\  ãr  Tbr.'."  de  I8.vf."í.  lllm.  Snr. 
Dr.  Ouv."""  C.^  António  Paulino  Limpo  de  .Vbreo.  António  Lopes  de 
Oliveira,  Anastácio  Cor.'»'  liar)).'  .  Izidoro  .Manoel  Soares  de  Souza, 
António  de  Britto  Freire.    l']sta,  conl>  Eduardo  An. 't-   Roq.*e  Franco. 

X.  3 

Accuzando  o  oll'.*'  q.  \'V.  SS.  me  dirigirão  em  data  de  ontem,  no- 
q.i  ,  respondendo  áo  meu,  do  dia  :^0  do  corr.a  ,  asseverão  não  exis- 
tir no  Archivo  da  Camará  papel  algum,  q.'^  possa  contribuir  p.''  escla- 
recim.to  da  Historia  do  Brazil  desde  o  anno  de  1821,  tenho  a  reíle- 
ctir  a  YV.  SS.  q.  na  classe  dos  d.'*  pap.s  se  compreliendem  as  Actas 
da  Acclam.™  de  S.  M.  O  Imp.»'',  e  do  juram, ^^^  da  Constituic(;ão, 
q.«  cumpre  me  sejão  devolvidos  em  Copias  duplicadas,  devendo  V\'. 
SS.  proceder  a  hum  circunspecto  exame  no  Archivo,  e  ainda  em  al- 
guns 1.°*  d  Reg."*  em  conseq.-^  do  q.'  se  verelique  com  toda  a  evi- 
d.^  não  haver  pessa  alguma  das  q.'"  se  exigem.  D.^  (i.o  a  YV.  SS.  Y.^^  do 
Peracutú  do  Pr.''^  22  de  Tlir.»  de  1825.  O  Ouv.»'-  da  Com.*^».  An.*"  Pau- 
lino Limpo  dl'  Al)reu,  Snrs.  Juiz  Prezid.o  e  m.s  OíV.-j^  da  Camará  des- 
ta V.*  .Est  conL''   Eduardo  An.'»   Roq.*"   Franco. 

N.  4.- 

Observando,  q.»  vai  occorrendo  considerável  demora,  no  cumpri- 
mento dos  meos  olV.o'  de  22,  e  2õ  de  Tbr.»  pretérito  relativos  o  1.- 
àos  docum.*'s,  c(.«  exegi  p.'''  illustração  da  Historiado  Brasil,  e  o  2.*  as 
Contas  de  Receita,  e  Desp.--^  dessa  Camará,  tenho  a.  roeomendar-Uies, 
q,a  expeyão  q.''-»  antes  aconv.«  resp.^^,  tanto  a  hum,  cojuo  a  outro. 
1).^  (L^  a  VY.  SS.  m.^  a.^  .  V.^  [de  Piracatii  do  Pr."  13  de  lObr.»  de 
182Õ.  O  Ouv.'""  da  Com.'^  ,  Au.^"  Paulino  Limpo  de  Abreu,  Senhores 
Juiz  Prezidente  -emais  Oiliciaes  da  Camará  desta  Yilla.  Está  con- 
fr.e  Eduardo  An.*"    Roq.'=    Franco. 

N.   .5.- 

Respondendo  âo  ofl'."  que  V.  S.  nos  dirigio  em  data  de  13  do  cor~ 
r.«  mez,  em  o  qual  de  novo  nos  recommenda  abrevid.«  da  remesssa  de 
iodas  as  memorias,  ([."  uc  constarem  dos  L.^s  desi.a  Camará,    p.'-   aii- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  281 

gmonto,  o  ilIustraQão  da  Historia,  do  Rrazil  desde  o  anno  do  1821  em 
iante;  romottemos  a  V.  S.  p.--  Copias  autlienticas  as  únicas,  q.«  exis- 
tem nos  respectivos  L/"—  E  q.  "  ás  Certidões  da  Receita,  o  Despoza 
desta  Gamara,  recomendadas  p/  or  \'.  s.,  não  remettemos  nesta  occa- 
z.">  p.'  (i.«  airora  acabâo  de  ser  apresentadas  nesta  Sessão  pelo  ex 
1'roc.'"',  1)  q.-  laremos  com  al)revid.-j  possível.  1).*  Ci.o  a  V,  S.  V.'*  do 
Pj-racatú  em  Camará,  dv  LM  de  lOh.'"''  do  48-.^5.  lUm.  Sr.  D."  Ouv.»'  (\.>  , 
e  Corriír."'-  desta  Com.>=-'— An.'"  Lopes  de  Olivr.^  —  Fran.'^»  M.«'  Soares 
do  Sz.;'  — António  «lo  Brito  Freire— Está  confr"  Eduardo  An.'»  Roq.*« 
Franco. 

N.-  n.- 

Accuzando  recebido  o  oíV."  q.a  me  dirigirão  com  o  íexo  de  24  do 
mez  ])roximo  passado,  vou  arellectir-lhes  q."  devendo  remetter-me 
duas  copias  do  cada.  uma  das  Actas  da  Acclamação  de  S.  M.  O  Imp.*" 
edo  solemne  juramento  prestado  ã  Constituição  do  império,  con- 
fr.í  a  literal  expressão  dos  meos  On'."^  de  20,  ede  22  de  7br."  pretérito, 
emq.'>  mo  explequi  pelo  vocábulo— duplicadas— ,  q."  tanto  valle  como 
duas,  convém  quf  do  cada.  uma  das  ditas  Actas  me  enviem  q.*''  antes 
mais  outra  Copia,  demaneira,  q."  ainda  possão  liir  pelo  Corr."  ,  q.«  ho- 
.j.«  tem  de  expedir-se,  sendo  desnr."»  o  m.'""  trabalho  pelo  q'.  perten- 
ce as  outras  Actas,  q'.  acompanharão  o  d."  seo  Otr.o  .  D.*  G.e  a  VV.  Ss. 
m.«  a.s  \:<-  do  IMracatn  do  Pri.--^  em  O  de  Janr."  de  182G  O  Cuv.'"'  da 
Com.'-"  .Vnt.o  Paulino  Limpo  de  Al)reo— Srs.  Juiz  Presidente,  emais  Oíl'."^ 
da  Camará  desta  V.^  -Está  conlV.«  Eduardo  An.'**  Roqueto  Franco. 

Copia  do  Auto  úo  Reconhecimento  e  Proclamação  da  Independência 
politica  do  Império  do  Hrazil  eda  Aclamação  doseu  Primeiro  Impera- 
ilor  Constitucional  o  Senhor  Dom  Pedro  primeiro.  Anno  do  Nasci- 
mento de  Nosso  Senhor  Jezus  Clii'isto  dcmil  coito  centos  evinte  e 
dons  annos  aos  trinta  ehum  dias  doniez  de  Novembro  do  dito  anno 
nesta  Villa.  eComarca  do  Paracatú  do  Príncipe  em  as  Gazas  da  Camará 
e  Passos  do  Concelho  dclhi  aonde  presente  se  aehavão  o  .Juiz  Ordena- 
rio  Pr('ZÍ<l(Mite  Vereadores  eoniciacs  da  Camará  o  Ouvidor  Geral  pela 
Ley  M<!nistros  i']cleziasticos  etropa  .Militar  Clero  Nobreza  o  Povo  pes- 
soas da  \irianna  e  sondo  ahy  em  consequência  da  vontade  Geral  dos 
Povos  tlesta  Nilla  eseu  termo  .idiiiido  adetoda  aProvincia  Universal- 
mente ailo  Hons  Brazileiros  ouverão  elles  por  Proclamada  e  Reconhe- 
cida a  [ndepen<Icncia  politica  do  Império  do  Hrazil  ecom  cfleito  re- 
conhecerarão  eproclamarão  cntit,'  os  mais  inergicos  e  cntuziasticos 
vivas  (»  Primeiro  Imperador  Constitucional  do  Hrazil  oSenhor  Dam  Pe- 
dro Primeiro,  e  conse«!:uinteme'te  prestarão  o  juramento  detirmemente 
guardar  manier,  odefender  ;iinda  mesmo  acusta  das  próprias  vidas  â 
Indepeddencia  politica  do  Brazil  aConstituição  que  lizer  a  Assemblea 
Geral  Constituinte    Legislativa  do    Brazil  de  reconhecer   respeitar,  e 


983  REVISTA    DO 

defender  o  Nosso  Imperador  Constitucional  prestando  omesmo  Seniior 
o  Juramento  solemne  do  guardar  manter,  e  defender  asobredita 
Constituição  que  Assemljlea  Geral  lizor  edecomo  assim  o  disserão  Pro- 
clamarão, Aclamarão,  ejurarãoos  sobredittos  juntamente  com  a  Tropa, 
Militar  ouverão  por  ílndo  este  Auto  que  assignarão  com  migo  Luiz 
António  de  Moura  e  Carvalho  Escrivão  da  Camará  que  oEscrivi  e  as- 
signoi— Júlio  António  lloquete  Franco  Izidoro  Manoel  Soares  de  Soiza— 
Domingos  Alves  de  Soiza — António  Felizardo  de  Oliveira — Luiz  António 
de  Moura  e  Carvalho — António  da  Costa  Pinto — o  Vigário  Geral  João 
(iaspar  Estevão  Rodrigues — o  Cónego  Provizor  e  vigário  Joaquim  de 
Mello  Franco —  Domingos  Joze  Pimentel  Barboza  —  Manoel  Baptista 
Franco — o  Padre  Manoel  Rodrigues  Cordeiro — o  Padre  Francisco  Pereira 
Tavares — o  Padre  Francisco  Xavier  Mascarenhas  —  o  Padre  Joze 
Guedes  da  Silva  Porto,  o  Padre  Joaquim  Ferreira  Braga,  o  í^adre  Ig- 
nacio  da  Cunha  Aranha,  o  Padre  Joze  Luiz  Ferreira,  o  Capitam  Antó- 
nio da  Costa  Caatos,  Melchior  Joze  de  Campos,  Joze  Fernandes  de  Aze- 
vedo, o  Capitam  António  R  ^'  Teixeira,  Domingos  Joze  Pereira 
Leitão,  Miguel  Alves  de  Souza,  Jerónimo  Ferreira  de  Almeida,  Joze 
Gonsalves  Torres,  Lino  Soares  Brandão  Capitam  Commandante  dos 
Henriques,  Ignacio  de  Oliveira  Campos,  Ignacio  Rodrigues  de  Almeida, 
Calisto  Joze  dos  Reis  Calçado,  Nicoláo  Pereira  do  Nascimento,  Joze  An- 
tónio da  Silva  Canedo,  Florianno  António  Alves,  Francisco  Manoel  So- 
ares de  Soiza,  Theodozio  Caetano  de  Moraes,  Fidelis  de  Oliveira  Ma- 
ciel, Leopoldo  António  Joaquim  de  Soiza,  António  de  Araújo  Ferreira, 
Thome  Jozé  dos  Santos  Batalha,  Joaquim  Joze  da  Costa,  João  de  Pin- 
na  eVasconcelos,  António  de  Araújo  Braga,  Eduardo  António  R  )quete 
Franco,  António  Joaquim  da  Costa,  Carlos  de  Almeida  Leite,  Domin- 
gos de  Araújo  Mesquita,  Joaquim  Pimentel  Barboza,  Francisco  António 
de  Assis,  Estevão  Cardozo  Romeiro,  Leonardo  Joze  da  Cunha  Aranha, 
Joze  de  AÍTonseca  Silva,  Damazio  da  Motta  Pinto,  Marianno  Gregório 
Vieira,  Saturnino  Gonsalves  de  Aragam,  Geraldo  Joze  Gomes  Camacho» 
Joaquim  Gonsalves  Torres,  Joaquim  Joze  de  Carvalho,  Marcos  Joaquim 
Moura,  Joze  Alves  Vianna,  Joze  António  de  Moura,  Joaquim  Gonsal- 
ves dos  Santos,  Manoel  de  Assumpção  Ferreira,  Eugénio  Gomes  do 
Rego,  Esequiel  Cardozo  do  Rego,  Francisco  Cardozo  do  Rego,  Joze 
Caetano  de  Soiza,  Marianno  Pereira  Furtado,  Joze  de  Soiza  Guima- 
rães, Jacob  Joze  dos  Reis  Calçado,  António  de  Soiza  Dias,  Manoel  Pe- 
reira Furtado,  André  Pereira  Furtado,  Maximianno  da  Costa  Dias, 
Anselmo  Tavares  Netto,  Ignacio  de  Carvalho,  Joze  de  Soiza  Dias,  Be- 
raldo  Joze  Alves,  Joaquim  Matheus  Ferreira,  Joze  de  Crasto  Guima- 
raens,  Joaquim  Martinianno  de  Crasto,  Amaro  Pereira,  Bernardino  da  ^^i 

Silva  Meireles,  Severino  Gonsalves  de  Carvalho,  Luiz  Pereira  Fur- 
tado, Malhias  da  Fonceca  Silva,  .Manoel  da  Silva  Monteiro,  Ignacio 
Chrisostomo  da  Silva,  Francisco  Soares  Guimaraens,  Ignacio  de  Araújo 
Mesquita,  Dionizio  Joze  Pereira  Porto,  Gregório  Gonsalves    de    Noro" 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  283 

nha,  All)iuo  Corrêa  Barboza,  Joze  Fortunato  de  Moura,  JoSo  da  Cunha 
Chaves,  Joze  Alves  de  Soiza. 

Esta  Conlornio    com  original  extraido   do    L.»    Competente.  O   Es- 
cr.'"   daCaniara  Joze  da  Costa  Coimbra. 

Copia  de  Juramento  do  Ouvidor  Interino  desta  Comarca   daCamara 
desta  \'illa  do  raraeatú  do  Prencipe  Corpo  Eeleziastico,    Civil  o    Mili- 
tarão Projecto  daConstituiyão  olVorecido  p.""    Sua  Magestade  Imperial 
como  abaixo  sedoclara,    Anno  do  Nascimento    de  Nosso  Senhor  Jezus 
Christo  de  mil  oito  contos  e  vinte  e  quatro  o  Terceiro  da  Independên- 
cia odo  Império  do  Brazil  aos  vinte  etrez  dias  do  mez  de  Maio  do  dito 
anno  nesta  \'il!a  do  P.iraoatú  do  Príncipe  nas  Gazas  do  Conselho  delia 
aonde  se  acliavão  reunidos  o('apitam    Mor    Domingos    Joze   Pimentel 
Barboza  que  pela  Ley  serve  de  Ouvidor  Geral    nesta   Comarc  i   com  o 
Juiz  Ordinário  Theodozio  Caetano  de  Morais  e  os  Mais  OfTeciaes  daCa- 
mara conp;irecerão  eíbrão    prezentes  os  Ministros    Ecleziasticos    jun- 
lamonte  com  o  Clero  os  Cheles  dos  Regimentos  de  Cavalaria  e  Infan- 
taria Milicianna  Nobreza  e  Povo  llcando  aTrópa    postada  no  largo  das 
Cazas  do  Concellio  e  estando  assim  reunidos  pelo  dito   Ouvidor  Geral 
foi  mandado  ler  por  mim  Escrivão  abaixo  nomeado  o  Oííicio  do  illus- 
trossimo  Snr.   Prozidente  desta  Provinda  datado  de  trinta  de    Março 
doprezente   anno  eo    Decreto  de  Sua  Magestade  Imperial  de  onze    do 
dito  me/,  e  anno  para  effeito  desejurar  o  Projecto  da  Constituição  ofle- 
recido  pelo  mesmo  Augusto  Senhor  para  flcar  servindo  de    Constitui- 
ção Politica  deste  Império  do  Brazil  cujo  Projecto  já  tinha    sido  uni- 
formemente aceito  nesta  Comarca  depois  deser  lido  erefletido  e  avista 
do  referido  Oflicio  e  Decreto  todos  com  auniformidade   de    votos  ede- 
prazer  e  saptislação  c'ovencidos  do  enteresse  que  rezultava  dasua  ob- 
servância Jurarão  de  observar  manter  guardar  efazer  observar  quanto 
acada  hum  pertence-se  odito  proje^cto  como    Constituição   Politica   do 
império  do  Brazil  que  forma  emaneira   em    que    nello   secontem    ede- 
clara  edecomo  assim  o  disse  Juravão  mandou  odito  Ouvidor  lavrar  este 
Auto  emque  todos  se  assignarão  elogo   determinou    que    eu  Escrivão 
da  Camará  extrahisse  huma  Certidam  deste  dito  auto  com  as  suas  as- 
'  signaturas  para  ser  remetida  oíTicialmente  ao  Illustrissimo  Snr.  Pre- 
zidente  desta  Província  eEu  Joze    Bento  da  Silva  Escrivam  daCamara 
que  aescrivi,  Domingos  Joze  Pimentel  Barboza,  Theodozio  Caetano  de 
Moraes,   Luiz  Gomes  Caldas,  Manoel  Pacheco     deCarvalho,    Francisco 
de  Paula  Teixeira,  Gabriel  Dias    Ferreira,    o    Vigário    Provizor  Joa- 
q.™    de  Mello  Franco,  O    Vig.'-'^  Geral  da    Comarca   João    Gaspar  Es- 
teves Rodrigues,  J."  Bento  da  Silva,    ()  Padre  Francisco  Pereira    Ta- 
vares, O  Padre  Francisco  Xavier  Mascarenhas,  O  Padre  Joaquim  Fer- 
reira Braga,  o  Padre  Ricardo  Joze  da  Rocha,  o  Padre  Ignacio  da    Cu- 
nha Aranlia,  o  Padre  Joze  d  Moura  Brocliado,    o  Padre  Joze  Luiz  Fer- 
reira, o  Padre  Bernardo  do  Araújo  Ferreira,  o  Padre  Joze    Guedes    da 
Silva  Porto,  oCoronel  de  Infantaria  Manoel  Baptista  Franco,  oCoronel 


284  REVISTA   DO 

de  Cavalaria  António  da  Costa  Pinto,  Sancho  Lopes  deOlhôa,  Tenente 
Coronel  Francisco  António  Caldeira,  Joaquim  Pimentel   Barboza,  Jozo 
Baptista  Franco,  jNIanoel  Carneiro  de    Mendonça,    Júlio    António    Ro- 
quete  Franco,  Luiz  António  de  Moura    eCarvalho,   Pedro  António  Ro- 
quete  Franco,  António  Constantino  Lopes  de  Olhòa,  O    Sargento    Mor 
António  da  Costa  Carlos,  Isidoro  Manoel  Soares    de    Soiza,    Anastácio 
Corrêa  Barboza,  Eduardo  António  Roquete  Franco,  Joze  da    Costa  Co- 
imbra, Manoel  Gonsalves  dos  Santos,  João  Alves  Vianna,    António  de 
Britto  Freire,  oCapitão  Lino  Soares  Brandão,   o  Capitam  António    Ro- 
drigues Teixeira,  Nicolao  Pereira    do    Nascimento,    João    Teixeira  de 
Soiza  Guimaraens,  Cyprianno  da  Silva    Mascarenhas,    Ignacio    Rodri- 
gues de  Almeida,  Joze  Joaquim  daSilva,  João  de  Pinna  e  Vasconcelos, 
Francisco  Manoel  Soares  deSoiza,  o  Capitam  de  Ordenanças  Jerónimo 
Ferreira  de  Almeida,  Thome  Ferreira  Soutto,  Joze  de  Britto    Freire  e 
Vasconcelos,  Joaquim  Joze  da  Costa,  Luiz  Rodrigues  Alves,  Joze  Fer~ 
nandes  de  Britto,  João  Baptista  da  Costa    Pinto,    Simão    Ferreira    de 
Morais,  Joaquim  Manoel  da  Silva  e  Oliveira,  Domingos  Joze    Pimentel 
Barboza  Júnior,  Luiz  Joze  Souto,  António  Rodrigues  de  Oliveira,  Joa- 
quim Joze  de  Carvalho,  Ignacio  Chrisostomo  da  Silva,  Sabino    Joze  de 
Carvalho  Lima,  António  Joaquim  da  Costa,  Leonardo  Joze    da  Cunha, 
Aranha,  Fortunado  Rodrigues  Teixeira,  Miguel  Leite  de  Faria,    Antó- 
nio Lopes  de  Oliveira,  Theodoro  Nunis    Valadão,   Jacob    Bartholomeu 
de  Miranda,  Luiz  Rodrigues  de  Oliveira,  Thome  Joze  dos    Santos    Ba- 
talha, Manoel  de  Assumpção  Ferreira,   o  Vigário    do  Urucuia    Carlos 
Manoel  Soares  de  Souza,  ]\íanoel  Ferreira  de    Almeida,    António    Car- 
los Soares  de  Souza,  Joze  Januário  de  Souza  Osório,    Domingos    Alves 
de  Soiza,  Joze  Gonsalves  Torres,  O  Advogado  Carlos  de  Almeida,  Joze 
Gonsalvez  Torrez  Júnior,    ^Nloyises  Aarão  Januário,  Ignacio  Francisco 
de  Oliveira,  Melchior  Gaspar  dos  Reis,  o  Padre  .Manoel  Rodrigues  Cor- 
deiro, o  Padre  António  da  Fonceca  e  Mello.  —  Está  conforme  com  ori- 
ginal extraído  do  L.''  competente.  O  Escr.'"   da  Camará  Joze    da  Costa 
Coimbra. 


Illm.«  e  Exm.°  Snr.  Conlr."  o  OIT."  de  V.  l':\e.,  expodido  em  4  de 
Março  do  anno  próximo  passado  ;  lenho  alionra  de  remctter  nesta 
occazião  copias  duplicadas  das  Actas  da  Acclama;'ão  de  S.  M.  o  ímp.<"", 
e  do  solemne  juram.*"  prestado  à  Constituição  do  Império,  q.-  são  os 
únicos  documentos  úteis  â  Historia  do  Brazil,  q."  existem  no  Ar- 
chivo  do  Conselho  de  S.  Romão,  como  se  mostra  pela  correspondên- 
cia Ofl'.ii  desde  n.  1.-  até  n.  4.*  D.^  G.«  a  V.  Exc.  m.'  a.*  como  a  Pro- 
v.a  há  mister  V.'^  do  Piracatú  do  Pri.-^  em  20  de  Fevr.>'  do  1826  Illm.  e 
Exm.  Snr.  Barão  de  Caethé,  Presidente  da  Prov.^  de  Minas  Geraes. 
—An.'''    Paulino    Limpo  de  Abreo. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  285 

N.  1.- 

Devendo  na  Conformidiulo  ilo  OIT.»  do  S.  Kxc.  o  Illni.  o  E\ni.  Snr. 
Presidente  dosta  Pi-ov,^  em  data  do  4  do  M.ç»  do  corr.»  anno,  roniettor 
á  Secr.*  do  ílovcrno  Copias  anthonticas  do  todas  as  memorias,  Do- 
ctum.*"'  c  (|.^  (i."-  outros  papeis  ofl'.«%  q."  poss3to  servir  p.'^  illiístrar,  e 
facilitar  a  ultimacão  do  impor.",  o  ntil  trabalho  da  Histoi'ia  dos  $uc- 
cessos  do  Hra/.il  desde  o  anno  do  18-?1,  a  Car^ro  do  Consr."  .1."  da 
S."^  S.z' ,  tenlio  M  (Jrdenar-llio  a  remessa  destes  docuni.*"%  na  p.'' 
•  |.'  re^p.'^  áo  Arcliivo  desse  ('on."  ,  enviando  do  tudo  copia  duplica- 
das coiíio  convém    ao  dezempenho  da  diliíícncia. 

V.'  do  Pyracatn  do  Príncipe  20  de  Julho  de  ISS^  o  Ouv."--  da 
Com.;a  Ant."  Paulino  í/mipo  de  Abreu,  Snr.  Jui/  Ordinr."  do  Juliiadu 
de  S.  Romão  —  llsiá     conlV.''  I']duardn    António    l\oqu<'1('  Fi'anoo. 

lUm.  Sr.  Dr.  Ouvid.of  (!.>  e  Correfr.*»'  Acu/.o  o  recebim.'"  do  Oíl'."  de 
V.  S.  em  data  de  -M  de  Jullio,  acompanhado  com  a  l)otermina(;rio  de 
S.  M.  O  imp.'^'",  pela  Secr.'  de  Est."  dos  Ncfxocios  do  Imp. ■  ,  tanto  a 
respeito  da  marcha,  q."  devem  se^^uir  as  ropresentagões,  que  (Porá 
em  diante  houverem  de  dirigir  a  Sua  Auííusta  Presença,  como  soltre 
o  destino,  (j."-"  contenua  a  dár-se  as  esmoUas  ajjplicadas  p.''  o  decoro 
dos  S.«"^  Luííares  de  Jeruzalem,  o  q.a  li /,  publicar,  elico  naintelligen- 
cia  p.^  a  sua  observ.''  .  (J.'"  â  remessa  das  copias  authcnticas  de  todas 
as  memorias,  docum.'»^  e  q.-*  (i.""  outros  papeis  off."*  q.«  V.  S.  exifre 
no  Off."  da  m.™^  data  de  20  de  julho,  p.'  a  illustração  dá  Historia  do 
Brazil,  não  existe  no  .\rchivo  deste  Cons."  papeis  alguns  de  seme- 
lhantes matérias,  D.»  ('..'  a  V.  S.  S.  Romão  7  do  .Sbr."  do  1825  .1,'"' 
.).'   de  Azoveilo  —  Kstá    conlV. '  Eduardo    António    K'oquete   Franco. 


Accusando  o  soo  Oíl"."  com  o  lecho  de  7  (Ic  Sbr.'^  pretérito,  tenho 
adeclarar-lhe  qt.»  a  sefíunda  p."  delle,  q".  entre  os  docum.'"*  exiííidos 
p.'i  lllustração  da  Ilistoi-ia  do  P,ra/,il,  devem  entender-se  comprehen- 
didas  as  Actas  da  Accláin.'"  do  S.  M.  O  lnip.'%  e  do  juramento  prest.a- 
<lo  a  Constituição  do  Império,  e  como  he  de  crer.  (|.e  anibas  existílo 
lançadas  nos  L."''  «lesse  Cons.o  ,  ciunpre,  q.'  do  cad.i  uma  delias  mo 
envie  copias  duplicadas  confr."  o  moo  OIV."  de  20  do  julho.  N'.^  do 
Pyracatn  do  Pr.",  12  de  lObr.'»  de  1S25  o  ouv.""  da  Com.^^^  António 
Paulino  Limpo  de  Abreu,  Snr.  Juiz  Ordenr."  do  Juk-^ado  de  S.'"  Ro- 
mão.   Está  conlr.'^  Eduardo  António  Ro(iuete  Franco. 

N.  -I.' 

lUm."    Sr.    Dr.    Ouv.«''  An.'"   Paulino  I.impo  de    .\breu,  Em   conse- 
quência do  OH'.»  de  12  de  Dezembro   pretérito,  q.«  V.  S.  me    diripio, 


286  REVISTA   DO 

envio  induzas  as  Copias  dos  Actos  da  Acclam.'"  de   S.  M.  O  Imp.»""  e 
do  Juram.»  prestado  á  Constituição  do  Império,  extrahido  do  L."  des- 
te Conselho.    D.^  G.-  a  V.   S.  m.-  an.->   São  Romão  10  de  Fevereiro  de 
1826  An.'"  Roiz  Lima  —Está  confr.e  Eduardo  António  Roquete  Franco. 
António  Jozó  de  Bitancurte  Pessoa  tabalion    publico    dojudicial  e 
Notas,  emais     annexos  neste  Julgado  de  Sam  Romão  p.'"  Provimento 
do  Doutor  Ouvidor  Geral  e  Corregedor  desta  Comarca  etc.    Aos  Senho- 
res aquém  esta  í"or  apresentada  Certifico,  que    Revendo  o   Livro    de 
Registo  de  Leis,  Decretos,  e  Ordens  Superiores  e    no  mesmo    afolhas 
Setenta,    e  oito,  Seacha  o   Auto  da  Acclamagão    do     Thlor    Seguinte 
Auto  de  Aclamação  «  Anno  do  Nascimento    de  Nosso  Senhor    JESus 
Christo  de  mil  oito  centos,  e  vinte  três  annos  neste  Arraial    de  Sam 
Romão  Comarca  da  Villa  do  Pracatú  do    Príncipe,   em  a  Igreja    Ma- 
tris,  do  mesmo  onde  fuivindo,    eo  actual    Juis     Ordinário    o  Capitão 
João  Pereira  da  Costa,  e    o    Parocho    da  mesma    Freguezia,    o  Re- 
verendíssimo  Manoel    Caetana    de   Moraes,     com  o  Clero,    Nobreza 
Povo,  eTropas  do  mesmo  Julgado,  ahi  pello  dito  Juis  depois  de  Lida 
Aproclamação  em  que  fazia  ver,   que  omotivo  dopresente  Congresso, 
herapara  otim  de  Se  aclamar  oSerenissimo  Príncipe  Regente  perpetuo 
defensor  do  Brazil,  O  Senhor  Dom  Pedro  de   Alcântara,  Primeiro  Im- 
perador do  mesmo   Império  du  Brazil.  Elogo  portodos  unanimemente 
foi  aclamado   omesmo  Sereníssimo  Senhor,  com  os  vivas  do  Custume, 
depois  doque  pondo  as   mãons  direita  sobre  o  Livro  dosSantos  Evan- 
gelhos, Jurarão,  Respeito,  e  Obediência,   aSua    Magestade  Imperial,  e 
adefender  aCusta  dasua  ultima  gota  de  Sangue  atodasua  Posteridade; 
não  Sô  o   direito  do  Império  do  Brazil  com — a  Religioza  obdiencia  do 
mesmo  Constitucional    Imperador,  easua  Imperial  Dinastria,  e  as  Cor- 
tes doSoberano  Congresço  Braziliense  dequedetudoparaConstar  seExa- 
rou  oprezente   Auto,  emque  todos  seasignai^ão  depois  deLido  por  mini 
Joze  António  Silva,  Secretario,  queO  Escrevi,  aos  vinte  Seis  de  Janeiro 
daheraSupra. — João  Pereira  da  Costa,  O    Vigário  Manoel   Caetano  de 
Moraes,  e  asignouce  mais  onumero   decincoenta,  e   Seis  pessoas,  que 
Seachavamprezentes  ao  dito  Auto  da  Aclamação.  Está  Conforme  o  ori- 
ginal, e  ao  mesmo  Auto,  asignatui^as  me  Reporto,  enfedoqual  opasei. 
S.  Romão  10  de  Fevereiro   de  1826.    O  Escri."'   António  Joze  de  Bitt. 
Pessoa. 


António  José  deBitancurte  Pessoa  Tabaleam  publico  doJudicial 
eNotas,  e  mais  annexos  neste  Julgado  deSaniRomão  p."-  Provimento 
do  Doutor,  Ouvidor  Geral,  eCorregedor  desta  Comarca  &  Aos  Senhores, 
aquém  esta  for  apresentada,  Certilico,  queRevendo  o  Livro  de  Rigisto 
deLeis,  Decretos,  e  Ordens  Superiores,  e  nomesmo  afolhas  Oitenta 
Seacha  O  juramento  do  Thior  Seguinte  &  Termo  do  juramento  dos  Pro- 
jectos  da  constituição  do    Império,  Aostrezo   dias    do   mes  de  Junho 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  287 

deinil  oitos,  evinte  (luatro,  OTerctúro  da  Yndepondencia,  e  doYmperio, 
neste  Arraial  deSainRoniuo  Comarca  da  \'illa  do  Paracatú  do  Principe, 
ena  Matriz  do  mesmo  bondo  Scacliavão  (»  .Inis  Presidente,  eORere- 
rendo  Vigário  da  mesma  Freguezia,  e  mais  Cloro,  eNobreza,  Povo, 
oaTropa  daS.-gunda  I.inba,  Comandada  prllo  Seu  comandante,  para, 
clVcito  desepi-estar  Solcmnemontc  o  .lui-aniento  dosProjoctos  olerecidos 
por  Sua  .Maj,'estade  iuipt-rial,  detrinn-nailo  pello  Seu  Decreto  de  Onze 
deMai\o  doprezento  anno.  Cujos  projotos  liçiio  servindo  deConsti- 
tuição  Pulitica  do  Império.  Klogo  pello  dito  Reverendo  Vigário  da 
Freguo/.ia  foi  deferido  ojui-ameiíto,  ao  Juiz  Prezidente,  e  aseuCompa- 
nlieiro,  eigualmente  ao  Juiz  tleUrlaons,  v  Sacerdotes,  Osquaes  todos 
jurarão,  eprometerão  deguardar,  manter  o  Observar  O  disposto  nos 
Projectos,  como  constituiçrio  Politica,  Obediência,  a  Sua  Magestado 
Imperial,  edolender  a  sua  Pessoa,  e  aNação;  Cujo  Juramento  egual- 
mento  prestou  O  mesmo  Reverendo  Parodio  sobre  os  Evangelhos,  de- 
pois do  que,  pello  Juis  Presidente  íoi  deferido  opredito  Juramentíj,  a 
todos  os  cidadoons,  que  presente  se  achavão,  e  aTropa  comtodas  as 
Circumstancias,  mencionadas,  que  todos  prometerão  guardar  a 
Constituição  na  lorma  detreminada  na  mesma,  edecomo  assim 
odeserão,  eJurarão,  mandou  o  Juis  Presidente,  Lavrar  opresente 
Termo,  que  assignarão  comigo  Secretario,  que  o  Escrevi  —  Felis 
da  Conceição,  e  Araújo  —  O  Parocho  da  Freguezia  e  Vigário  da  Vara, 
o  Padre  Manoel  Caetano,  de  Moraes  —  oCapitam  Juis  Ordinário, 
João  Francisco  de  Paiva  —  Alferes  Leopoldo  Joaquim  de  Souza — o  Ca. 
pitão  Juis  de  orfaons  Joze  .\ntonio  Lemos  da  Silva,  eSeaSignou  mais, 
Onumero,  dequ;irenta,  e  quatro  pessoas,  que  jurarão  o  Projecto 
Constitucional.  Está  conforme  o  original,  eao  mesmo  Termo,  eassigna- 
dos  mereporto  emfé  doque  do  quepasso  opresente.  S.  Romão  10  de 
Fevereiro  de  18'^6.    O  Escri.">   .\ntonio  Joze   Bitt.  Pessoa. 


NOMENCLATURA 

(ies  roas,  Iravessas,  liccos.  collíoas,  iempios  ec[lííiciOò  piiiilicOò  da  cidade 
de  Uticraiia,  proviocia  de  fíliiias  Gsraes,  precediila  de  m  lireve  liisíorico 
do  cooieço,  situação,  diiiieosoes  e  liydroloíjia  desta  povoação ;  razoes  que 
jijstiíicao  a  iioiiecíatiira  ayora  adoptada,  c  ooiras  aiiootaçoes ;  coih  as 
djiioerâçias  da  Ca.nâía  Municipal  (jiie  autorizarão  a  preseote  oryaoizaçao. 


riíLO    MiUKADOll 


ANTÓNIO    BORGES   SAMPAIO  O 

1«80 


BreYG  histórico 


NO  íiin  do  século  piissado,  alsinií^  habitantes  da  província  de  Mi- 
iias-(leraos  estabelcceram-se  em  diversos  sítios  do  Julf^ado  do  Dosem- 
1)(>([U(',  então  (l(?spovoados,  o  cdilicaram  uma  Capella  dedicada  a 
Siuito  António  <•  S.  Sebastião,  que  licou  sendo  lilial  do  relerido  Jul- 
j:;ulo. 

Esta  Capella  ora  situada  nas  cal)eceiras  do  córrego  Lageado,  ao 
lado  direito  delle,  cerca  de  quinze  kílometros  da  actual  cidade  de 
Uberaba.  I)'ella,  como  das  primitivas  edilicações,  quasí  n5o  se  veeni 
hoje  vestígios. 


(')— Esta  riiemori.i.  até  a^íora  indlila,  sérvio  de  titulo  para  a  admissão  de 
seu  digno  auctor  no  íiiemio  do  Instituto  Histórico  e  (iooRraphici  Braziieiro,  ao 
qual  tem  prestado  evcoilcntes  scrviros.  como  prcscuteinenle  presta  ao  Arcbivo 
I'al)lico  Mineiro.— (Nola  da  redacção  da  Rfciila). 


290  REVISTA   DO 


Denominava-se,  naquelle  tempo,  de  Farinlia-Pôdre  o  va.sio  e 
ubérrimo  território  compreliendido  entre  o  ribeirão,  ainda  hoje  co- 
nhecido por  —  Farinlia-F>òdrc  —  ;  o  i'io  das  Velhas  até  a  sua  foz 
no  Paranahyba  ;  o  llio  (Irande,  desde  a  foz  do  Farinha-Pôdre  até  a 
confluência  com  o  Paranahyba. 

Ainda  depois  de  ter  sido  este  povoado  elevado  á  districto,  o  terri- 
tório —  Farinha-Pòdre  —  pertenceu  ã  província  de  Goyaz  ;  mas  a 
Provisão    regia  de    1816  o  ahnexou  á  província  de  Minas-Geraes. 

Os  poucos  moradores  da  Capella  do  Lageado  transportaram-se  para 
a  beira  do  córrego  da  Lage,  onde  editicaram  uma  lígreja  Matriz  com 
a  mesma  evocação  ;  isto  antes  do  povoado  ter  sido  elevado  á  dis- 
tricto, facto  que  posteriormente  teve  logar  por  acto  do  governo  ge- 
ral de  13  de  fevereiro  de  1811. 

O  decreto  real  de  2  de  março  de  1820  elevou  este  districto  â  ca- 
tegoria  de  parochia. 

A  lei  mineira  n.  28  de  22  de  fevereiro  de  1836  conferiu-lhe  as 
prerogativas   de  villa. 

Pela  lei  provincial  n.  759  de  2  de  maio  de  1856  fòram-Ihe  con- 
feridos os  foros  de  cidade. 

Na  graduação  das  liberdades  que  foi  recebendo,  a  povoação  de 
Uberaba  conservou  sempre  o  mesmo  nome. 

A  primeira  sessão  da  sua  Camará  Municipal  teve  logar  em  7  de 
janeiro  de  1837. 

Em  1812  Tristão  de  Castro  Guimarães  doou  á  Egreja  Matriz,  para 
seu  património,  uma  légua  de  terras  em  quadro. 

Importa  muito  o  conhecer-se  no  futuro  : 

a  )  —  que  a  medição  e  demarcação  deste  património  foi  julgada 
em  17  de  junho  de  1843. 

b)  —  que  esta  medição  e  demarcação  foi  rectificada  por  sentença 
de   1  de  outubro  de  1870  ; 

c  )  —  que  ambas  estas  diligencias  foram  executadas  por  deli- 
beração da  Camará  Municipal, representada  por  seu  procurador,  para 
o  efifeito  de  flxar-se  os  limites  dentro  dos  quaes  era  devido  o  im- 
posto de  licença  para  edificar  em  terreno  desoccupado,  na  execução 
da  lei  mineira  n.  206  de  2  de  abril  de  1841  ;  limites  que  ainda 
prevalecem  ; 

d  )  —  que  esta  medição  e  rectificação  não  tiveram  por  ponto 
de  partida  a  actual  Egreja  Matriz  (  Matriz  Nova  ;  mas  sim  a  pri- 
meira Egreja  Matriz  (  Matriz  Velha  ),  demolida  em  1856  para  con- 
struir-se  o  cemitério  publico  ; 

e  )  —  que,  se  no  futuro  houver  necessidade  de  rectificar-se  outra 
vez  a  medição  e  demarcação  da  légua  de  terras  de  património  da 
Matriz  doada  em  1812  por  Tristão  de  Castro  a  Santo  António  e  S.  Se- 
bastião, deverá  começar-se  essa  diligencia  do  Portão  do  Cemitério 
Publico,  por  ter  sido  este  o  ponto  em  que  justamente  existia  a  porta 


ARCUIVO   PUBLICO  MINEIRO  29l 

principal  da  Matriz  Vollui,  duiido    já  partiu  a    medição    de  1843   e  a 
remedirão  de  1870  ; 

/• )  _  que  isto  deverá  por  conseguinte  observar-se,  quer  a  reme- 
dição  ou  avivontaçao  da  demarcação  tenha  por  fim  a  execução  da 
Kesolurão  Mineira  n,  206  de  1841  ;  isto  é,  o  exercicio  de  direitos 
nuinicipaes  ;  —  quer  soja  a  Fal)rica  quem  pretenda  usar  dos  di- 
•eitos  civis  (|ue  a  doação  lho  confere  para  IVuir,  por  aforamentos  ou 
arrendamentos,  os  terrenos  que  para  a  sustentação  do  culto,  foram 
iloados  á    Matriz. 


I  Situação 


A  povoação  de  Uberaba  foi  começada  e  desenvolveu-se  n'uma  de- 
pressão de  terreno  de  forma  alluviana,  entre  seis  collinas  com  de- 
clives suaves,  derivadas  do  uma  planura  que  a  rodeia  em  arco  quasi 
perfeito,  rompido  somente  a  N  N  O,  para  dar  passa^jem  ás  aguas 
do  córrego  —  I^age  — ,  do  que  falia  Miliet  de  Saint  Hilaire  no  seu 
diccionario  geographico  brasileiro  (  Paris,  1845  ). 

Do  entre  estas  collinas  sahem  as  nascentes  d'agua  que,  pouco  e 
pouco,  formam  os  regatos  —  abastecedores  da  povoação. 

Todos  elles,  uns  após  outros,  fazem  juncção  dentro  da  cidade, 
em  modo  que,  quando  suas  aguas  passão  na  ponte  do  Matadouro,  vão 
reunidas,  formando  uma  só  correnteza. 

Os  primeiros  habitantes  não  prevendo,  talvez,  o  grande  desen- 
volvimento que  o  povoado  —  Uberaba  —  om  breve  tempo  havia  de 
attingir  o  o  importante  papel  que  mais  tarde  representaria  no  paiz, 
não  seguiram,  desde  principio,  um  plano  rectangular  de  arruamento 
para  as  edificações  dos  prédios  urbanos. 

Antes,  desprezando  esse  alinhamento  regular,  que  tanto  convém  e 
agrada  nos  grandes,  como  nos  pequenos  povoados,  foram  edificando 
casas,  formando  as  quintaes  e  chácaras,  acompanhando  as  ondulações 
do  terreno  e  serpenteamento  dos  pequenos  regatos,  quiçá  porque  as- 
sim se  lhes  offerecia  melhor  commodidade  para  o  uso  das  aguas, 
utilisando-se  mais  da  fertilidade  do  solo. 

Daqui  veio  que  a  rua  principal,  a  primitiva,  a  maior  c  mais 
importante,  aquella  que  por  muito  tempo  se  chamou  —  Direita  — , 
é  das  menos  rectas  ;  occasianando,  ella  mesma,  a  irregularidade  que 
hoje  se  lamenta,  quanto  ao  arruamento  da  cidade  de  Uberaba  ;  ar- 
ruamento que  tão  má  impressão  faz  ao  forasteiro  que,  pela  primeira 
vez,  percorre  o  povoado  na    parte  mais  central. 


292 


REVISTA    DO 


CoUínas 


A  planura  (|iic  rodeia  a  cidade  desde  a  estrada  que  vcin  da 
ponte  conliecida  por  —  Ponte  do  Uberaba  —  ao  lado  direito  do  cór- 
rego Lage,  até  a  estrada  que  vem  da  ponte  conliecida  por  —  Ponte 
do  Vão  —  ao  lado  esquerdo  do  mesmo  córrego,  deslisa-se  suave  e 
concentricamente  sobre  a  cidade,  dando  nascimento  aos  cinco  regatos 
que  a  abastecem  d'agua,  occasionando,  a  "seu  turno,  a  formação 
das  seis  collinas,  de  acccsso  tambein  suavissinio,  pela  sua  pouca 
elevação  e  brando  declive. 

Estas  collinas,  que  já  estão  sendo  invadidas  por  novas  construc- 
çõcs  e  ruas,  começaado-se  pelo  lado  direito  do  córrego  Lage,  são 
actualmente  conliccidas  por  denominações  que  conviria  se  conser- 
vassem invariavelmente  nos  actos  m  unicipaes,  offlciaes  e  particu- 
lares» 

Eis  a  descripçàtj   de  cada  unia: 

Cullina   Hoa  '^^isla 

Aquella  que  dá  entrada  na  cidade  a  quem  Aier  da  Ponte  do  Ube- 
raba por  onde,  actualmente,  lio  ranc  ho  denominado  —  do  Fabrício  — . 
E'  separada,  â  direita,  pelo  córrego  Lage,  da  collina  Cuyabâ  ;  á  es- 
querda, da  collina  Estados  Unidos  pelo  regato  que  nasce  na  chácara 
Padre  Zeferino . 

Culliua  E^stuclos-Uuicto!!!» 

Aquella  que  dá  eutrada  na  cidade  a  quem  vier  dos  lados  do  La- 
geado  pelo  capão  conhecido  —  do  Chico  Prata  — .  E'  separada,  á  di- 
reita, da  collina  Boa  Vista  pelo  regato  que  nasce  na  chácara  Padre 
Zeferino  ;  á  esquerda,  da  collina  !Misericordia  pelo  regato  que  nasce 
na  chácara  Joaquim  dos  Anjos. 

Collina  ]%Ilsei*icopclia 


Aquella  que  dá  entrada  na  cidade  a  quem  vier  do  lado  do  Porto 
da  Ponte  Alta  pelo  lado  da  Misericórdia.  E'  separada,  á  direita,  da 
collina  Estados-Unidos,  pelo  regato  que  nasce  na  chácara  Joaquim  dos 
Anjos  ;  á  esquerda,  da  collina  —  Barro-Préto  — ,  pelo  regato  que 
nasce  no  capão  conhecido  por  —  Capão  do  —  Barro  Preto  — ,  no  Fras- 
quinho. 


1 


•'< 


ARCniVO  PUBLICO  MINEIRO  293 


Collina   da  Hlíitria: 

Aiiuclla  quo  dá  entrada  ui\  cidado  aquém  vier  dos  lados  do  porto 
da  Kspiíília  pelo  lado  do  cemitério  e  matriz.  E'  separada,  á  direita, 
(la  ('(diinado  Barro  Preto,  pelo  regato  que  nasce  no  capão  conhecido 
por  Cai);u)  du  Kfírcja  ;  á  esquerda,  da  collina  Cuyabá,  pelo  regato 
t|U«í  nasce  na  chácara  —  do  Alloros  Silvestre. 


Collina   Cuyrtbrlí 

Aqiudla  (|ue  dá  entrada  na  cidade  a  quem  vier  dos  lados  do  Cassii 
pola  piiuto  d(J  Vão.  E'  separada,  á  direita,  da  collina  da  jMatriz, 
poio  rogato  que  nasce  na  cliacara  —  do  Alferes  Silvestre  ;  à  esquerda, 
da  collina  Boa  Vista,  pelo  córrego  Lage, 


Collina  Oíirro-F^reto 


Aquella  que  é  mais  culminante  e  central  :  deriva-se  do  Alto  das 
Toldas.  E'  separada,  á  direita,  da  colli  na  da  Misericórdia,  pelo  re- 
gato que  tem  a  nascente  nos  lundos  do  quintal  da  chácara  conhe- 
cida por  —  Chácara  do  Krasiiuinho  —  ;  á  esquerda,  da  collina  da  Ma- 
triz, pelo  regalo  que  tem  a  nascente  no  Capão  da   Egreja. 


Regatos -Córregos 


I 


1. 
Com  quanto  ao  tratar  da    situação  das    collinas    se  tenha  fallado 

nas  nascentes  d'agua  que  abastecem  a  povoação,  todavia  será  con- 
veniente descrever  estas  com  mais  detalhe,  pela  importância  que 
caracterisará  no  futuro  a  planta  topographica  da  cidade  de  Uberaba, 
visto  o  seu  augmento  crescente. 

Todas    as  nascentes  estão    actualmente  fora    dos    limites  do  po- 
voado. 

Os  dous  principaes  regatos  teem  sou  começo  quasi  que  em    egual 
altitude.     Todavia,  em  razão  da  longitude,  podo    dar-se     preferencia 
a»   do  Barro    Preto. 
A.  r.-7 


294  r.KvisTA  DO 


Acinalmcnte  estes  regatos  são  melhor  diíTerençados  pelas  seguin- 
tes denominaçCíes: 

Regato  Barro  I»reto 

O  primeiro  regato  tem  a  nascente  na  eliacara  vulgarmente  clia- 
niada  —  do  Frasquinho  —,  e  faz  juncção  com  o  que  nasce  no  Ca- 
pão da  Egreja  e  no  fundo  deste  mesmo  capão,  entre  as  ruas  Barro 
Preto  e  Brasileira.  E'  atravessado  pela  rua  Barro  Preto  sem  ponte. 
Este  regato  separa  a  collina  da  Misericórdia,  que  lhe  fica  á  direita, 
da  collina  do  Barro  Preto,  que  lhe  liça  á  esquerda. 


Regato  Capão  da  Egreja 

O  segundo  regato  tem  a  nascente  no  Capão  da  Egreja,  ao  lado  es- 
querdo do  regato  do  Barro  Preto,  com  o  qual  fazjuncção  no  fundo 
do  dito  Capão  da  Egreja,  entre  as  ruas  Barro  Preto  e  Brasileira.  E' 
atravessado  pelas  ruas  Brasileira,  Constituição,  João  Alferes,  S.  Mi- 
guel e  Ladeira.  Nas  três  primeiras  ruas  não  ha  pontes  ;  nade  S. 
Miguel  existe  uma  de  atrazada  construcção  ;  porem  na  da  Ladeira 
ha  uma,  bôa  e  solida,  mandada  construir  pela  actual  Camará  Mu- 
nicipal. 


Regato  da  F*onte  de  Santa  Rita 

D  terceiro  regato  tem  a  nascente  ao  lado  direito,  na  chaeafà  cís 
Joaquim  dos  Anjos,  o  faz  juncção  com  o  precedente  abaixo  da  Egreja 
de  Santa  Rita,  entre  as  ruas  Ladeira  e  Commercio.  Tem  de  ser 
atravessado  pela  rua  Farinha  Podre.  Passa  no  fundo  do  largo  de 
Santa  Rita,  onde  ha  uma  ponte  de  construcção  antiga.  Este  regato 
separa  a  collina  Estados  Unidos,  que  lhe  flca  ã  direita,  da  collina  Mi- 
sericórdia, que  lhe  íica  â  esquerda. 


Regato  do  Coiiiniercío 

O  quarto  regato  tem  a  nascente,  ao  lado  direito,  na  chácara  Sa- 
rtre Zeferino,  e  fazjuncção  no  córrego  Lage,  entro  as  ruas  do  Com- 
mercio e  de  Guttemberg.  E'  atravessado  pelas  ruas  Padre  Zeferino, 
Rosário  o  Imperador.  Em  todas  estas  ruas,  ha  pontes  de  fraca  coilá- 
trucção,  e  duas  delias  bem  pequenas. 


ARCiiivo  PL-ni.ico  MiNKruo  2r5 


Regato    da    ClBacax*a   do    Msirlnli^» 

o  quinto  rofXiito  tom  a  nasconto,  ao  I;ulo  osqiicrdo,  na  cliacarii,  do 
Alferes  Silvestre,  o  laz  junc(.'ão  no  oorrejío  Lafío,  entro  as  ruiis  (Uit- 
toniberfí  o  Matadouro.  E'  atr.ivossado  pelas  ruas  S.  Sebastião  o  Ti- 
radentos,  em  fracas  pontos.  Este  repato  separa  a  collina  da  Matriz, 
que  lhe  íica  á  direita,  da  collina  Cuyabá,que  lhe  fica  â  esquerda. 


Córrego    Lage 

'  Desde  que  os  dous  primeiros  retratos  acima  doscriptos  rounoni 
suas  aguas  no  fundo  do  Capão  da  Egroja,  conservam  este  nomo  até 
se  lhes  reunir  as  do  rofrato  da  Ponto  de  Santa  Rita. 

Desde  esto  ponto,  ato  á  foz  no  rio  Uberaba,  o  córrego  (om;i  a  do- 
nominagão  do  Córrego  da  Luf/e  ;  derivado,  talvez,  do  correr  dalii  em 
diante,  sobre  leito  pedregoso. 

Este  córrego  é  atrevcssado  pelas  ruas  do  Commercio,Guttemberg  o 
INIatadouro.  Nestas  ires  ruas  ha  pontes  ;  merecendo  mon(;ão  a  da 
rua  do  Commercio  pela  sua  boa  o  solida  construcçâo,  mandada  fazer 
pela  actual  Camará  Municipal. 

Por  fim,  este  córrego  vae  lançar  suas  aguas  no  rio  Uberaba,  a  cerca 
de  quatro  kilomctros  da  cidade. 


Chácaras 


Em  discdssões  judiciarias,  relações  oíllciaes,  registros  públicos, 
actos  fiscaes  e  títulos  particulares,  como  na  descripção  que  agora  se 
faz  sobre  a  cidade  de  Uberaba,  caractorisam-se  os  prédios  e  logares 
com  referencia  a  localidades  de  chácaras  do  dilVerontes  denomi- 
nações. 

Mais  de  uma  vezo  mesmo  ponto  local,  na  mesma  época,  ou  em 
varias  épocas,  é  denominado  diversamente,  em  actos  públicos  o  re- 
lações   particulares. 

Convom  registrar  aqui  ossas  chácaras,  a  quo  também  as  ruas  da 
cidade  tòm  referencia  ;  com  as  denominações  porque  são  o  loram  co- 
nliodidas;  tanto  quanto  a  tradicção  o  periuittir,  começando  pelo  lado 
direito. 


296  REVISTA   DO 


Chácara  de  «João  IHatlieus 

Situada  ao  lado  direito  do  córrego  Lage,  na  collina  Boa  Vista. 
Pertenceu  primeiramente  seu  terreno  a  Francisco  Soares  Ferreira  ; 
depois,  João  i\Iatheos  dos  Reis  construiu  a  actual  moradia,  residindo 
nella  sua  viuva,  d.  Anna  Soares  Ferreira.  Não  é  raro,  pois,  o  dar-se 
a  esta  chácara  o  nome  de  —  JoãoMatheus  ;  de  Anna  Soares. 

Chácara  do  Padre  Zeferino 


Situada  no  íim  da  rua  do  Commercio  em  frente  á  Matriz,  entres  as 
collinas  Boa  Vista  e  Estados  Unidos.  Nasce  nella  o  regato  da  rua 
do  Commereio.  Foi  estabelecida  pelo  padre  Zeferino  Baptista  Carmo  ; 
em  seguida  pertenceu  a  Francisco  José  da  Silva  Prata,  Camillo  An- 
tónio de  Menezes,  residindo  nella  actualmente  a  A-iuva  de  ambos,  d. 
Anna  Eufrozina  dos  Santos.  E'  por  isso  que  se  tem  denominado  chá- 
cara —  do  Padre  Zefei^ino  ;  do  Chico  Prata  ;  do  Camillo  António  ; 
ou  de  d.  Anna  dos  Santos. 


Chácara  de   «íoacioiíii   dos  Anjos 

Situada  entre  as  duas  estradas  que  dão  entrada  na  cidade  a  quem 
vier  da  villa  do  Sacramento  ;  íica  entre  as  collinas  Estados  Unidos 
e  Misericórdia.  Nasce  nella  o  regato  da  Ponte  de  Santa  Rita.  Foi 
fundada  por  Joaquim  dos  Anjos  Baptista  ;  em  seguida  pertenceu  a 
Felicio  da  Costa  Camargos,  Francisco  Màtheus  de  Sousa  Camargos, 
Felicíssimo  da  Motta  Cardoso  ;  actualmente  pertence  a  Fortunato  Ri- 
beiro Guimarães  :  nella  habitou  algum  tempo  Frey  Eugénio  Maria  de 
Génova.  Daqui  vem  que  a  esta  chácara  se  ha  dado  a  denominação 
de  —  Joaquim  dos  Anjos  ;  do  Felicio  ;  do  Chico  Matheus  ;  de  Frey 
Eugénio  ;  do  Felicíssimo  ;  e  se  está  dando   também  a  de  Fortunato. 


Chácara  do  Krasquinlio 

Situada  â  entrada  da  cidade  na  estrada  que  vem  do  porto  da  Ponte 
Alta,  ao  lado  esquerdo  da  collina  Misericórdia.    Ahi  nasce  o    regato 
Barro  Preto.     E'   de  época  recente,   fundada  por  Francisco  António 
Irineu,  mais   conhecido     por  —  Frasquinho  — ,  donde   vem  o  ser  co- 
nhecida   por  esto  nome. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEI  KO  297 


Chácara  do  ^^Iferes  Silvestre 

Situada  i-ntre  as  colliiias  da  Matriz  o  Cuyahâ.  Foi  fundada  polo 
Alferes  Silvestre  da  Silva  e  oliveira  ;  pertenceu  depois  a  José  Ma- 
rinho do  Oliveira  Kanios  e  reside  nella  actualmente  a  sua  viuva  Do- 
celinfl,  da  Silva  e  Oliveira,  inais  conlieeida  pelo  abreviativo  do  — Doce. 
Nasce  nesta  chácara  o  regato  denominado  da — Chácara  do  Ma- 
rinho —  ;  vindo  dahi  o  conhecer-se-a  pela  denominação  de  —  Alferes 
Silvestre  ;  do   Marinho  ;  ou  da  Doce. 

Chácara  do    Alferes  Soares 

Situada  ao  lado  esquerdo  do  córrego  Lage,  na  collina  Cuyabá. 
Pertenceu  primitivamente  ao  Major  Anton  io  Eustachio  de  Oliveira ;  de- 
pois ao  Alferes  Francisco  Soares  Ferreira,  António  Lopes  da  Silva,  á 
viuva  deste  Rita  Soares  Ferreira  :  hoje  pertence  ao  tenente  Fidelis 
Gonçalves  dos  Reis  ;  resultando  que  se  a  tem  denominado  chácara 
—  do  Major  Eustachio  ;  do  AHbros  Soares  ;  de  d.  Rita  ;  sendo  ultima- 
mente já  conhecida  -—  do  Fidelis. 


Kota 


A  vários  outros  prédios  se  tem  dado,  e  ainda  se  dá  presentemente, 
a  denomino,çíío  de  —  chácara  — ,  mas  esses  prédios  não  influem  tanto 
na  nomenclatui'a  das  ruas  da  cidade,  como  os  precedentes  ;  motivo 
porque  não  se  llies  deu  situação  própria. 


Chácara  dos  f*iiilie3ros 


Situada  entre  o  regato  que  nasce  na  chácara  de  Joaquim  dos  An- 
jos (  á  direita  ),  e  o  regato  que  nasce  no  capão  da  Egreja  (  á  es- 
querda ).  Dá  iilinhamento,  polo  lado  direito,  á  rua  do  Carmo;  e 
pelo  esquerdo  á  rua  da  Ladeira.     Foi  fundada  por  José  Francisco  de 


298  REVISTA  IiO 

Asevedo  ;  pertenceu  successivamcnto  aos  dous  cunhados  conhecidos 
por  Ckiudios,  ou  Tellieiros,  que  alli  tiveram  uma  olaria  de  telha  ;  foi 
em  scfruida  de  Jo.sô  Lucas  Ribeiro  ;  do  tenente  coronel  Manoel  José 
dos  Santos  ;  de  Frey  Arcan^^clo  ;  de  Moyzcs  ;  hoje  pertence  ao  capi- 
tão António  Tliomaz  do  Miranda.  Denominou-se  —  Chácara  dos  Pi- 
nheiros —  por  haverem  alli  algumas  destas  arvores  da  espécies  Ara- 
iicaria  Brasileira.  Por  estas  rasões  tem  sido  conhecida  por — Chácara 
—  de  José  Francisco  —  dos  Claudios  —  dos  Telheiros  —  da  Olaria— 
de  -José  Lucas  —  dos  Pinheiros  —  de  Manoel  José  —  de  Frei  Ar- 
canjo —  do  Moizés  — ,  e  já  se  diz  —  de  António  Thomaz. 


Comprimento  -  Largura 


A  maior  extensão  da  cidade  actualmente  é  a  que,  tomando-se  dos 
Olhos  d' Agua  pela  rua  S.  Joaquim  e  Ladeira  até  a  rua  Vigário  Silva, 
no  canto  da  casa  onde  reside  o  professor  Manoel  Garcia  da  Rosa 
Terra,  continua  pela  rua  Vigário  Silva,  Largo  da  Matriz,  ruas  Muni- 
cipal, Tiradentes  e  Mercês,  até  a  porteira  da  chácara  de  Fidelis  Gon- 
çalves dos  Reis    (antiga  chácara  do  Soares  ). 

Nesta  extensão,  tomada  por  partes,  sem  Icvar-se  em  conta  os  de- 
clives, ha  2820  metros,  segundo  a  planta  olíicial  levantada  em  1865 
pela  commissão  do  engenheiros  annexa  ás  forças  militares  expedicio- 
nárias á  província  de  ]Matto  Grosso,  sob  a  direcção  do  chefe  da 
mesma  commissão,  Juvencio  Manoel  Cabral  de  Menezes. 

Si  levar-se  á  conta  os  declives,  visto  que  as  medidas  foram  toma- 
das topographica  e  horisontalmente  sobre  a  dita  planta  da  commis- 
são, excederá  a  maior  extensão  a  três  kilometros. 

Uma  recta  tomada  entre  os  dous  pontos  extremos  do  arco,  mede 
1360  metros. 

A  parte  mais  larga  é  a  que,  partindo  do  extremo  da  rua  do  Com- 
mercio  (  na  chácara  do  Padre  Zeferino  ),  pela  dita  rua  do  Commercio 
passe  no  largo  da  Matriz  e  rua  de  Tristão  de  Castigo,  até  á  casa  de 
José  Raymundo . 

Nesta  extensão,  sem  levar-se  cm  conta  os  declives,  pelas  rasOes 
expostas,  ha  1570  metros. 

Si  os  declives  forem  levados  á  conta,  excederá  a  maior  largura  da 
cidade  a   1620  metros. 

Tomada  a  linha  recta,  attingirá  apenas  1560  metros  entre  os  dous 
pontos    terminaes    do  arco. 


ARCIIIVO  PUBLICO  MINEIRO  299 


n 


nomenclatura  Isgal 


Ati'.  dezembro  do  I.S79  ncnlmma  doliberagâo  tinlia  tomado  a  Ca- 
mará Municipal  para  dar  ás  ruas  da  povoação  do  Uberaba  a  nomen- 
clatura legal,  que  devesse  regular  seus  liabitantes  nos  actos  públicos 
e  relações  particulares  ;  guiar  ella  mesma  na  concessão  do  licenças 
para  a  edilicação  do  prédios,  percepção  de  impostos  ou  execução  do 
obras. 

Apenas  a  Resolução  jMineira  n.  852  de  22  de  julho  de  1857  art. 
2.*  denominou  , os  largos  de  Santa  Rita,  Matriz  e  Cemitério  —  Praças 
da  cidade—,  sem  marcar-lhes  limites  nem  situação. 


nomenclatura  em  185S 


Nos  últimos  quatro  dias  de  dezembro  de  1855,  os  cidadãos  An- 
tónio Borges  Sampaio  e  Manoel  Garcia  da  Rosa  Terra,  em  commissão 
voluntária  percorreram  a  povoação  de  Uberaba,  então  villa  e  levan- 
taram o  recenceamento  da  população. 

Oíl'eroctíram  esse  trabalho  ã  Camará  Municipal,  e  ella,  com  este 
documento,  pediu  á  assemblóa  legislativa  provincial  os  1'óros  de  ci- 
dade ;  graça  que  obteve  em  maio  de  1856. 

Eis  a  nomenclatura  que  nessa  época  era  mais  conhecida  : 

Rua  do  Commercio. 

Rua  dos  Inglezes. 

Rua  do  Mamede. 

Rua  dos  Bois 

Rua  Direita  ou  Grande. 

Rua  de  Santo  António. 

Rua  da  Alegria. 

Rua  de  Anna  Constança. 

Rua  do  CoUegio. 

Rua  do  Padre  António. 

Rua  do  Pedro. 

Rua  de  Manoel  António. 

Rua  de  Santa  Rita. 


^00  REVISTA   DO 

Rua  do  Rancho. 
Rua  do  Joaquim  dos  Anjos. 
Rua  do  Presiganga. 
Rua  da  Constança. 
Largo  da  Matriz  Nova. 


ProcGSSo 


Das  deliberações  tomadas  ultimamente 
pela  Camará  Municipal,  sobre  a  deno- 
miTihção  das  ruas  e  numeração  das 
casas  da  cidade. 


Na  sessão  da  Camará  Municipal  de  18  de  dezembro  de  1879  foi  lido 
e  mandado  á  commissão  geral  da  mesma  Camará,  para  examinar,  o 
seguinte  requerimento  do  vereador,  alferes  Joaquim  Rodrigues  de 
Barcellos : 

«  Requeiro  que  a  Camará  providencie  de  -modo  que  o 
«  mais  breve  possível  se  mande  denominar  todas  as  ruas 
«  da  cidade  e  numerar  as  casas  respectivas.  Conside- 
«  rando  que  esta  é  uma  necessidade  palpitante,  posta 
«  em  pratica  em  todas  as  cidades  nas  condições  de  Ube- 
«  raba,  espero  que  se  attenda  a  este  meu  pedido.  Ube- 
«  raba,  18  de  dezembro  de  187  9.  —    Barcellos». 

Na  sessão  do  dia  seguinte  (  11) )  foi  lido  e  approvado  unanime- 
mente o  seguinte  parecer  da  commissão  geral,  composta  dos  verea- 
dores capitão  José  Bento  do  Valle  e  Quirino  Rodrigues   de  Miranda : 

«  A  commissão  geral,  tendo  examinado  o  requerimento  do  sr.  Bar- 
cellos, em  que  pede  que  se  providencie  de  modo  que  o  mais  breve 
pcssivel  se  denominem  todas  as  ruas  da  cidade  e  se  numere  as  casas 
respectivas  ; 

«  E'  de  parecer  : 

«  Que  seja  approvado  o  requerimento. 

«  Pondera  a  commisão  que  esse  serviço  deve  desde  já  ser  publi- 
cado por  edital,  chamando  concorrentes,  que  apresentarão  suas 
propostas  em  cartas  fechadas  para  serem  abertas  ao  mesmo  tempo 
em  um  dia  para  esse  íim  destinado  ;  devendo  constar  do  referido  edi- 


ARCmVO  PUBLICO  MINEIRO 


301 


tal  quo  os  nomes  das  ruas  sorão  postos  om  cada  esquina  dos  quar- 
teirões oní  fundo  preto  e  letras  brancas,  o  o  mesmo  relativ©  á  nu- 
meração . 

«  Pondera  ainda  a  commissão  que,  cjuanto  á  denominação  das 
ruas,  devora  a  mesa  reunida  doliljorai-,  não  impedindo  este  facto  de 
se  chamar  desde  já  os  proponentes  para  esse  mister. 

«  Sala  das  commissõos,  19  do  dezembro  do  1879.  —  Jose'  Bento 
DO  Valle.  —  Miranda  ». 

Na  sessão  de  24  de  fevereiro  de  1880,  a  commis  são  geral,  composta 
dos  vereadores,  tenente  Ananias  Ferreira  de  Andrade  o  capitão  João 
Baptista  Macliado,  propoz,  e  a  camará  approvou  unanimemente,  que 
se  nomeasse  uma  commissão  composta  do  alferes  Joaquim  Rodrigues 
de  Barcellos,  capitão  José  Bento  do  Vallo  o  Quirino  Rodrigues  de 
Miranda,  para  assentar-se  sobre  as  respectivas  denominações  das 
ruas. 

Esta  commissão,  na  sessão  de  26,  leu  o  seguinte  parecer,  cuja  de- 
liljeração  foi  adiada  na  sessão  de  27  : 

«  A  commissão  incuml)ida  da  denominação  das  ruas  da  cidade 
apresenta  os  titules  de  todas  as  ruas  e  becos  pelo  modo   seguinte  : 

Rua  das  Mercês. 
»    de  Tiradentes. 
»    do  Commercio. 
»    de  S.     Sebastião. 


Antiga  rua  do  Boi, 
»  »  (Irande, 
»  »  do  Commercio, 
»  »  do  Maurity, 
»  »  da  esquina  do  Matadouro  até 
a  casa  ultima  adiante  da  Igreja  de 
Santa  Rita, 

«  De  Santa  Rita  até   o  Barro  Preto, 
«  Entre  Frey    Paulino  e  Misericórdia, 
«  Rua  da  Casa  do  Prolessor  Terra  até 

os  Olhos  d' Agua, 
«  Do  Cemitério  até  o  Professor  Terra, 
«  Cemitério  até  o  largo  ■  da   Misericór- 
dia, 
«  Antiga  rua  do   Azagaya, 
«  Beco  entre  a  casa  do  Vigário, 
«  Beco  entre  a  casa  de    Cliico    Gordo, 
«  Rua  do  Quinca  \'az  para  cima, 
«  Antiga  rua  de  José  da  Silva  Diniz, 
«  Rua  do  Justino, 
«  Antiga  rua  das  Flores, 
«  Rua  do  Capitão  José   Bento, 
«  Rua  do  Fabricio,  atravessando  o  Ro- 
sário, 
«  Antiga   rua  da  Pinga, 


Rua  de  Santa  Rita. 
Rua  (reneral  Osório. 
Rua  da  Misericórdia. 

Rua  S.  Joaquim. 
Rua  da  Ladeira. 
Rua  do  Carmo. 

Rua  de  S.   Miguel. 
Beco  da  Liberdade. 
Beco  de  Guttemberg. 
Rua  General  Camará. 
Rua  do   Major  Eustachio. 
Rua  Frey  Eugénio. 
Rua  do  Àlercado. 
Rua  Alegre. 

Rua  do  Rosário. 
Rua  das  Flores. 


Uberaba,    26  de  fevereiro  de    1880.  —  Jose'    Bento  do    Valle.  — 

Barcellos.  — -  Miranda  ». 

Na  sessão  do  dia  seguinte  (  27  )  foi  lido  o  seguinte  otTicio  : 

«  Ulmos.  Srs.  —  Tenho  noticia  que  a  illustre  municipalidade  tomou 

em  consideração  a  denominação  das  ruas  da  cidade  e  numeração  das 

casas. 


302  REVISTA    DO 

« Alguma  pratica  quo  tenho  adquirido  na  gerência  do  negocies 
públicos  tinha-me  convencido  desta  necessidade,  a  que  vv.  ss.  solícitos 
pe  dispõem  a  at tender.  Mas  essa  mesma  pratica  me  ha  convencido 
do  quanto  convirá  que  o  trabalho,  por  ser  o  primeiro  neste  mister, 
seja  o  mais  completo  possível,  attendendo-se  a  que  vai  elle  servir  de 
base  á  estabilidade  da  propriedade  real,  localisando-a. 

«  Alguma  cousa  tinha  eu  procurado  fazer  neste  sentido  quando 
me  assentava  entre  meus  honrados  coUegas  da  vereança  ;  mas  a  in- 
compatibilidade que  me  sobreveio  paralysou  o  trabalho,  em  que  tanto 
me  prezava  de  collaborar  com  vv.  ss. 

«  Tenlio  a  planta  da  cidade  exactamente  levantada  pela  commissão 
de  engenheiros  aqui  estacionada  em  1865  ;  tenlio  também  bons  mo- 
delos destes  trabalhos  tomados  da  cidade  do  Rio  de  Janeiro,  que  tudo 
pode  ser  aproveitado  no  plano  por  vv.   ss.  concebido. 

«  Si  tudo  estivesse  acabado,  eu  o  oífereceria,  desde  já,  á  conside- 
ração do  vv.  ss.  ;  mas  não  o  está. 

«  Todavia  animo-me  a  vir  solicitar  de  vv.  ss.  a  graça  de  adiarem 
a  resolução  definitiva  deste  negocio  até  que  eu  organise  um  plano 
em  tal  assumpto  e  o  ofTereça  á  consideração  dos  meus  respeitáveis 
collegas.  Não  sò  prometto  fazel-o  no  prazo  mais  breve  que  permit- 
tir  um  trabalho  desta  ordem,  como  me  comprometto  entender-me 
com  a  illustrada  commissão  incumbida  por  vv.  ss.  de  estudar  este 
negocio. 

«  Si  assim  o  julgarem,  peço  se  dignem  communicarm'o  para 
meu  governo  ;  pedindo  também  desculpa  se  assim  concorro  para 
occasionar  alguma  demora,  visto  que  o  meu  pensamento  é  o  do  bem 
estar  publico,  que  vv.  ss.  egualmente  desejam. 

«  Deus  Guarde  a  vv.  ss.  Uberaba,  27  de  fevereiro  de  1880.  —  Ulmos, 
srs.  presidente  e  vereadores  da  Gamara  Municipal  do  Uberaba.  —  An- 
tónio  Borges   S.oipaio  ». 

A  camará,  na  mesma  sessão,  aceitou  o  concurso  no  seguinte 
oflicio  : 

« N.  3õ.  —  Illin.  sr.  —A  Camará  Municipal  de  Uberaba,  em 
reunião  de  hoje,  deliberou  unanimemente  aceitar  o  seu  valioso  con- 
curso como  membro  da  commissão  encarregada  de  dar  parecer  sobre 
a  denominação  das  ruas  da  cidade  e  numeração  das  respectivas 
casas. 

«A  Camará,  pois,  aceitando  esse  concurso,  agradece,  ainda  uma 
vez,  a  V.  s.  o  ardente  interesse  que  sempre  manifesta',  quando  se 
trata  de  qualquer  melhoramento  municipal. 

«  Deus  Guarde  av.  s.  Uberaba,  28  de  fevereiro  de  1880.  —  lllm. 
sr.  tenente-coronol  António  Borges  Sampaio.  —  Joaquim  José  de  Oli- 
veira Penna.  —  João  Borges  de  Araújo.  —  Quirino  Kodrigues  de  Mi- 
randa. —  João  Baptista  Machado,  —  Joaquim  Kodrigues  do  Barcel- 
los.  —  José  Bento  do  Valle», 


Aucnivo  ruRLico  mineiro  ?,C):) 


Razõss 

Que  justiíicáo  a  preíerencia  dada,  agora, 
na  deaominarào  de  al^"umas  ruas 

# 

Em  todos  os  tempos  se  ha  líonrndo  n  liistoria  do  liomons  o  factos 
notáveis,  annotnndo-os  nadonominarão  das  ruas  das  cidades  c  villas  ; 
pratica  esta  reeel)ida  por   todos  os  paizcs  civiiisados. 

Nao  deveria  a  Camará  da  cidade  de  Uberaba  afastar-se  deste  no- 
bre proceder,  desde  que,  pela  primeira  vez,  vai  pôr  em  obra  um  traba- 
lho idêntico. 

Memorando,  pois,  na  denominação  das  suas  ruas  alguns  homens 
o  factos  da  historia  desta  povoa(;ão,  ao  mesmo  tempo  que  é  justa 
homenaírem  tributada  aos  passados,  recommenda  aos  vindouros  a 
veneração  e  respeito  que  aquelles  mereceram  aos  presentes. 

Tanto  mais  útil  isto  será,  quando  é  certo  o  ir  desaparecendo  a  tra- 
dição do  alguns  da  memoria  de  muitos  dos  nossos  contemporâ- 
neos. 

Sob  o  dominio  deste  pensamento,  algumas  ruas,  como  adiante  so 
verá,  tiveram  nomes  cujo  attributo  interessa  a  todos  os  brasileiros  ; 
outros  que  lhe  são  naturaes  ;  outros  que  symbolisam  factos  ou 
actos  relativamente  locaes  ;  outros,  em  lim,  de  pessoas  que  na  his- 
toria de  Uberaba  occuparam  sempre  o  devem  uccupar  com  justiça 
menção  distincta. 

A  não  ser  dous  factos  especiaes  de  contemporaneidade,  só  foram 
tomados  os  nomes,  tanto  quanto  possível,  de  homens  cuja  vida  em 
Uberaba  esteve  ligada  a  actos  do  interesse  publico  mais  transcen- 
dente. Fazendo-se  nesta  occasião  uma  breve  resenha  delles,  não  só 
mostra-se-lhes  gratidão,  como  se  os  aponta  ao  historiador  futuro  que 
tiver  de  completar  a  obra. 

Assim,  pois  : 

O  paço  da  municipalidade,  alem  de  estar  situado  no  largo  da  Ma- 
triz fazendo  canto  á  rua  principal,  ò  um  bom  e<.lilicio.  lí'  também 
o  logar  das  sessões  dacamara,  dojury  e  outras  ;  bem  cómodas  au- 
diências de  todos  os  juízos.  A  rua  onde  está  tem  bons  odilicios 
particulares.  Caberá  melhor  do  quo  á  outra,  que,  desde  o  largo  até 
o  primeiro  canto,  descendo,  a  encontrar  o  que  ú  mais  conhecido  do 
Luiz  Soares  Pinheiro,  onde  atravessa  a  rua  Guttomberg,  so  deno- 
mine 

Rua  ]%KiiiiieipnI. 


304  REVISTA    DO 


A  Egreja  Matriz  tem  por  oragos  Santo  António  e  S.  Sebastião.  A 
antiga  rua  Maurity  atravessa  o  adro  desta  Egreja  pela  frente  da 
porta  principal.  Esta  rua  é  interceptada  pelo  próprio  adro.  Era 
uma  rua  extensissima.  e  por  isso  fácil  de  dividir-se  pelo  próprio 
alinhamento. 

E'  bem  acertado  e  natural  que  a  rua  situada  á  direita,  desde  o 
adro  até  o  largo  da  Independência,  se  denomine 


Rua  de    lS»nto    i%iitoiiio. 


E  a  que  flca  á  esquerda,  desde  o  adro  até  a  collina  Cuyabá,  que  ê 
recta  e  unida,  á  esquerda,  se  denomine 


Rua  de  S.  Sebastião. 


A  rua  que  do  largo  de  Santa  Rita,  em  frente  a  esta  Egreja,  vai  até 
o  largo  da  Misericórdia  pela  actual  ponte,  deverá  naturalmente  to- 
mar a  denominação    de 


Rua  de  Santa  Rita. 

Pela  mesma  razão,  a  rua  que  do  largo  do  Rosário,  em  frente  a 
esta  Egreja,  vai  ao  largo  da  Boa  Vista,  deverá  denominar-se 

Rua    do  Rosai-io. 

Tristão  de  Castro  Guimarães  foi  um  disticto  benemérito  desta  po- 
voação. No  seguinte  anno  ao  em  que  o  governo  geral  a  elevou  á 
categoria  de  districto  (  1811  ),  Tristão  de  Castro  fez  doação  â  Egreja 
de  Santo  António  e  S.  Sebastião,  para  seu  património  (  1812  ),  de  uma 
légua  de  terra  em  quadro,  no  centro  da  qual  está  situada  a  actual 
cidade  de  Uberaba.  E'  justo  que  o  nome  do  doador  seja  perpetuado 
na  denominação  das  ruas.  O  território  pertencia  então  à  fazenda 
das  Toldas  ;  a  rua  que  mais  quadra  a  esta  memoria  é  a  que  até  aqui 
se  tem  chamado  —  rua  do  Azagaya,  por  ser  a  que  primeiro  encontra 
quem  vem  das  Toldas,  a  qual  deverá  passar  a  chamar-se. 

Rua  Xristao    de    Castro. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  305 

O  major  António  Eustacbio  de  Oliveira  foi  uni  dos  primeiros  lio- 
mens  na  historia  du  povoagnu  de  Uberaba.  Commandante  de  dis- 
tricto  no  antigo  regimen  policial  e  governador  dos  índios,  occupou 
posi<;ao  distincta  e  preponderante  nos  negócios  públicos,  como  o  at- 
testou  ainda,  ha  poucos  annos,  no  «  Brasil  Histórico  »  unia  penna 
conscienciosa  da  província  de  S.  Paulo.  Sem  duvida  deve  caber  a 
este  cidadão  a  perpetuação  do  seu  nome,  dando-se-o  a  uma  das  ruas 
do  povoado  que  elle  Ibi  dos  primeiros  a  habitar,  policiando-o.  Oe 
preíerencia  se  deverá  destinar  para  isso  a  rua  onde  reside  actual- 
mente d.  Sebastiana  Maria  do  Espirito  Santo,  sua  filha,  senhora 
respeitável  e  tronco  de  uma  grande  família.  E' justo  que  esta  rua 
se  denomine 


Rua  do  Majoi*  Kustacliio. 

O  Vigário  António  José  da  Silva,  depois  cónego  da  Capella  Impe- 
rial, foi  o  primeiro  vigário  colhido  desta  povoação  apôs  a  sua  eleva- 
ção á  categoria  de  parochia  em  1820,  onde  residiu  por  muitos  annos, 
procurando  sempre  engrandecel-a.  Preponderou  vigorosamente  nos 
negócios  públicos  delia  até  1855 ;  e  Uberaba  por  sua  vez  concorreu 
ininterrompidamenle  para  que  elle  a  representasse  perante  os  po- 
deres legislativo  geral  e  provincial  e  o  administrativo.  Foi  por  con- 
seguinte um  homem  distincto  desta  povoação,  cuja  memoria  está  no 
caso  de  conservar-se  lembrado  nella  para  a  posteridade.  Sua  resi- 
dência era  na  rua  grande  em  frente  á  Matriz.  E'  justo  que  a  rua  se 
denomine 


Rua  do  Vigai-io  Silva. 


O  ajudante  Pedro  Gonçalves  da  Silva  foi  um  dos  primeiros  entran- 
tes  desta  zona  —  Farinha  Podre  — .  Fez  parte  da  primeira  excursão 
mineira  (  Bandeira  )  entrada  neste  sertão,  prestando-lhe  bom  ser- 
viço por  sua  reconhecida  coragem.  Foi  o  primeiro  que,  auctorisado 
pelo  governo,  abriu  uma  picada  para  fazer-se  caminho  mais  curto 
desta  povoação  para  a  capital  da  província  de  Goyaz.  Perpetuar-se 
sua  memoria,  dando-se  o  seu  nome  a  uma  das  ruas  desta  cidade  em 
que  falleceu  na  avançada  idade  de  114  annos,  é  acto  de  justiça  :  a  que 
mais  convirá  ó  que  a  do  largo  da  Boa  Vista  vai  á  chácara  de  João 
Matheus  apenas  começada,     que  se  chamará 

Rua  do  I*eclro  Oonçalvos. 


306  REVISTA  DO 


O  capitíXo  Domingos  da  Silva  e  Oliveira  foi  o  primeiro  que  exerceu 
neste  termo  o  cargo  de  juiz  municipal,  em  1837.  Sob  sua  administra- 
ção gnituita  o  diligencia  pessoal  no  agenciamento  do  donativos,  con- 
struiu-se  o  actual  editicio  do  pago  da  camará  municipal  desta  po- 
voação, onde  até  agora  se  celebram  as  sessões  da  mesma  camará,  as 
do  J ury,  coUegios  eleitoraes  e  outras  ;  nelle  dão  as  audiências  todas 
as  auctoridades  judiciarias.  Alem  disso,  foi  mais  tardo  presidente  da 
Camará  e  exerceu  outros  cargos  públicos,  com  preponderância  con- 
stante nos  negócios  communs  desta  povoação,  até  o  seu  passamento 
em  185.2.  E'  justo  que  seu  nome  seja  contemplado  na  denominação 
das  ruas,  especialmente  na  que  lhe  dava  entrada  vindo  da  sua  fa- 
zenda da  Conquista,  onde  era  sua  residência  mais  activa  ;  e  esta  ó  a 
que  do  largo  da  Misericórdia  vai  para  o  Barro  Preto,  que  se  deno- 
minará 


Rua  do  Capitão  IDomlngos. 

Joaquim  dos  Anjos  Baptista  foi  um  dos  primeiros  moradores  des- 
ta povoação.  Foi  o  primeiro  procurador  da  Camará,  e  nessa  qua- 
lidade o  que  requereu  a  medição  da  légua  do  património  doado  por 
Tristão  de  Castro.  O  logar  onde  se  estabeleceu  nunca  deixou  de 
ter  o  seu  nome.    Deverá  pois  continuar  a  chamar-se  essa  rua 

Rua  de  «Joaquim  tios  i^^njos. 

A  antiga  Camará  Municipal  deverá  ser  symbolisada  na  denomi- 
nação das  ruas  da  cidade.  Dous  camaristas,  que  quasi  o  foram  suc- 
cessivamente  nas  eleições  de  tão  nobre  corporação,  podem  recordar 
aos  vindonros  a  antiga  vereança  ;  e  são,  o  major  Francisco  Rodri- 
gues de  Barcellos  e  capitão  Joaquim  António  Rosa  ;  dous  vereado- 
res patriarchas  desta  povoação,  onde  se  teem  ainda  distinguido  por 
outros  actos  de  bcneflciencia.  As  duas  ruas  da  bella  rua  Alegre,  que 
na  collina  Estados-Unidos  a  ligam  ao  largo  da  Piedade,  com  boa  ra- 
zão devem  receber  seus  nomes.    Uma,  pois,  se  chamará 

Rua  do  llajor  Barcellos. 


Outra  tomará  a  denominação  de 

Rua  do  Capitão  Ilosa. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  DO? 


é 


O  reverendo  padro  Zeferino  Baptista  Carmo  foi  o  proprietário  da 
chácara  que  feclia  a  rua  do  Commcrcio  e  o  seu  fundador.  Foi  o  juiz 
que  presidiu  c  julfrou  a  primeira  medigão  dos  limites  da  povoação 
em  execução  da  Resolução  IM'0Vincial  Mineira  n.  ííOi;  do  2  do  abril 
do  1841,  fazendo  certa  dosdo  então  a  légua  quadrada  do  património 
da  Matriz.  Foi  também  o  primeiro  que  fabricou  vinlio  nesta  po- 
voação de  colheita  sua  nessa  mesma  chácara.  E' justo  que  sou  nomo 
se  memoro  nossa  rua,  que  se  chamará 

Rua   do    I^íidre   Zereríno. 

O  reverendo  Frey  Euírenio  INIaria  do  Génova,  Missionário  Capu- 
cliinho  da  Ordem  do  S.  Francisco  de  x\ssis,  íoi  um  benemérito  desta 
povoação.  Em  1850  fez  edilicar  e  concluir^  pelo  povo,  o  solido  e 
vasto  cemitério  publico  actutil  ;  fez  auírmcntar  a  Matriz  do  um  con- 
sistório ;  fez-lhc  construir  o  adro.  Por  llm,  liundou  em  1858  e  adian- 
tou a  construcção  da  Santa  Casa  de  Misericórdia,  legando-lhe  recur- 
sos para  adiantar  a  obra.  E'  justo  quo  seu  nome  so  memore  em 
uma  rua,  e  do  preferencia  na  quo  liça  entre  o  liospital  quo  fundou 
o  a  casa  em  que  residiu,  chamando-se-lhe 

Rua  do  S^rei  Ij^ugenio. 

A  rua  quo  do  lar<ío  da  Independência  segue  para  a  collina  da  Mi- 
sericórdia, em  attenção  a  que  foi  aberta  por  esforços  de  João  Alves 
Villela,  mais  conhecido  por  João  Alferes,  se  deverá  chamar   • 

Rua  de   JTosIo   Al  Teres. 

Joaquim  Ignacio  de  Sousa  Lima  è  um  agricultor  que  nesta  povoa- 
ção dedicou-se  á  industria  vinliateira,  a  única  neste  género,  na  pro- 
priedade em  quo  reside  á  rua  do  Major  Eustacliio.  Actualmente 
tem  mais  de  sete  mil  pós  do  parreiras,  colhendo  delias  cerca  do  (nia- 
tro  mil  litros  de  vinlio.  Tão  especial  industria  merece  ser  memo- 
rada, dando-se  â  travessa  que  lhe  flca  em  frente  á  morada,  a  deno- 
minação 

Travessa  de  «loaqulin  Ignacio. 


308  REVISTA    DO 


Kova  nomenclatura 

Das  ruas,  travessas,  becos    e    largos 
da  cidade  de  Uberaba 


Como  corolário  do  que  fica  exposto,  segue  a  descripção  de  cada 
uma  das  ruas,  travessas,  becos  e  largos,  indicada  para  a  actual  ci- 
dade de  Uberaba. 

Posto  que  não  se  observe  nesta  nomenclatura  a  forma  de  dicciona- 
rio,  acba-se  todavia  a  alphabetica  ;  o  que  foi  considerado  sufficiente 
para  facilitar  a  consulta,  visto  como  ainda  são  poucos  os  titulos  a 
inscrever.  Todavia  esta  ordem  não  poude  deixar  de  alterar-se,  por 
equivoco,  na  letra  —  F  — com  a  descripção  da  rua  das  Flores,  a  qual 
é,  por  essa  rasão,  encontrada  no  lim  da  nomenclatura  das  ruas. 

Em  seguida  á  descripção  de  cada  uma  rua,  beco,  travessa  ou 
largo,  e  sob  o  signal  —  B— ,  addicionaram-se  explicações  que  concor- 
rem a  dar  mais  prompto  conhecimento  das  situações,  denomina- 
ções porque  passaram  e  foram  encontradas,  não  só  pelos  recencea- 
dores  de  1855,  como  pela  commissão  neste  anno. 


Ruas 


Rua   Alegre 

Principia  na  rua  do  Mercado*^;  finda  no  largo  de?  Santa  Rita,  (no 
lado  de  traz  desta  Egreja  ),  começa  nella,  á  esquerda,  a  rua  Capi- 
tão Rosa.    Pertence  á  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  E' a  rua  que  vai  do  Joãozinho  Ignacio  até  Santa  Rita,  da 
qual  foi  primeiro  morador  o  capitão  José  Bento  do 
Valle.  E'  nova,  mas  está  em  bom  adiantamento  ; 
depois  de  acabada  será  muito  aprasivel  e  hygienica. 
A  commissão  lhe  tinha  dado  este  nome,  e  a  tinha 
achado  com  o  de  —  rua  do  capitão  José  Bento. 


\ 


ARCiiivn  rrnijco  mineiuo  :)0n 


Rua  liou  Vista 

I'1'incipiii    no    largo  da  Roa    Visti  ;    liiula  na  rua  Padre  Zeferino. 
Pertence  â  coHina  Hoa  Vista, 

N.  B.  E'  a  rua  que  sobe  do  rancho  do  Fabrício  c  se  prolonga  em 
IVonto  á  rua  do  Cunuuercio.  Devo  ser  aprasivol  e 
liygienica  quando  Ibr  acabada,  porque  está  ;i pe- 
nas começada.  A  commissão  nao  mencionou  esta 
rua. 

liua  Ilarro  I»reto 

Principia  na  rua  Capitão  Domingos  ;  lind;i  no   campo  .para  o  lad(j 

das  Toldas.      E'   atravessada  pelo    regato    Barro  Preto,    pertence  á 

collina  da  Misericórdia  em  parte,  e  em  outra  á  collina    Barro  Preto. 

N.  B.    Foi  nesta  rua  que,  alòm  do  regato,  em  uma  chácara,  residiu 

Anauias  Ferreira  Lopes,  mais  conhecido  por  Ananias 

carpinteiro.  Está  ainda  em  começo,  mas  tende  a  con- 

tinuar-se  em  ambas    as  extremidades.    A  commissão 

não  mencionou  esta  rua. 

Rua  do  Bispo 

Principia  na  rua  S.  Joaquim  ;  linda  nu  rua  Joaquim  dos  Anjos* 
Pertence    á  collina  da  Misericórdia. 

N.  B.  Forma-se  esta  rua  seguindo  o  alinliamento  do  muro  do  ter- 
reno que  íoi  de  Cliico  Madeira  e  IkjJ o  pertence  a  Lú- 
cio Lopes  dos  Santos  :  tem  o  alinhamento  perpendi- 
cular ao  regato  que  nasce  na  chácara  Joaquim  dos 
Anjos.  Está  apenas  começada.  A  commissão  não 
mencionou  esta  rua. 

Rua  Oi*ai8iIeii*a 

Principia  ua  rua  da  Princcza  ;  linda  »na  rua  Capitão  Domingos. 
Acabam  nella  as  ruas  S.  José;  e  Carmo,  Começa  na  collina  da  Matriz 
e  acaba  na  collina  Misericórdia.  Atravessa  o  regato  que  tem  a  nas- 
cente no  capão  da  Egreja. 

X.  B,    r)isti?igue-se  mais  esta  rua,  ainda  em  conieço,por  descer  adi- 
ante da   casa  de  d.  Anua    líodi-igues     (íondim,  e  su- 
A.  l'.-i< 


310  REVISTA    DO 

bir  do  outro  lado,  perto  da  casa  de  Augusto  Theodoro 
de  Oliveira.  E'  a  ultima  deste  regato  para  o  lado 
de  cima.  Não  tem  ponte.  A  commissãc  não  mencio- 
nou esta  rua. 

Rua  do  Cruzeiro 

Principia  no  alto  do  Cuyabá  ;  finda  na  rua  das  Mercês.    Pertence  .v 

á   collina  Cuyabá 
N.  B.    Na  sessão  da  Camará  de  24  de  abril  de  1880  foi  deliberada  a 
abertura  desta  rua  ;  mas  está  em   simples    projecto, 
pois  que  ainda  não  foi  alinhada,  e  por  isso    a   com- 
missão  não  a  mencionou. 

Rua  do  Carmo 

Principia  no  largo  de  Santa  Rita  ;  finda  na  rua  Brasileira.  E' 
atravessada  pelas  ruas  da  Ladeira,  S.  Miguel,  João  Alferes,  e  Cons- 
tituição.    Pertence  à  collina  da  Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua  toma  alinhamento,  pela  direita,  na  casa  de  Manoel 
Rodrigues  de  Barcellos  perto  da  Egreja  de  Santa  Rita ; 
segue  entre  a  chácara  dos  Pinheiros  e  terreno  de 
Clemente  ;  passa  na  casa  do  Tenente  Ananias  í'er- 
reira  de  Andrade  ;  na  de  José  da  Silva  Diniz,  até 
topar  o  muro  do  quintal  do  finado  José  Bravo,  onde 
passa  a  rua  Brasileira,  que  lhe  detém  a  continuação, 
A  commissão  achou  esta  rua  com  o  nome  de  —  Antiga 
rua  de  José  da  Silva  Diniz  — ,   e  tinha-lhe   dado  o  de 

—  Major  Eustachio  — .     Em  1855,   tinha  o  nome    de 

—  Rua  do  Pedro. 

Rua  do    Commercio 

Principia  no  fundo  do  largo  da  Matriz  (  em  frente  à  porta  prin- 
cipal desta  Egreja  )  ;  finda  na  rua  Padre  Zeferino.  Nella  começam, 
do  lado  direito,  as  ruas  da  Imperatriz,  e  a  do  Presidente  ;  e  do  lado 
esquerdo  as  do  Imperador  e  do  Rosário.  Passa  em  frente  á  Egreja 
do  Rosário  no  largo  deste  nome.  Atravessa  o  córrego  Lage  em  boa- 
ponte.  Tem  começo  na  collina  da  Matriz,  mas  quasi  toda  pertence  á 
collina  Estados-Unidos. 

N.  R.  Esta  rua  é  a  mais  extensa  e  rectilínea  da  cidade.  A  commis 
são  a  acliou  com  este  nomo,  que  sempre  teve,  mes- 
mo antes  de  1855. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  311 


Rua    Capitão  Roxa 

Principia   na  rua    Alegre,  indo  no   lar<ro  da  Piedade.     Pertence  à 
collina  Estados-Unidos. 
N.  B.    Esta  rua  tlca  em  (rente  á  casa  do  Capitão  José  Bento  do  Valle. 
Está  ainda  em  começo  ;    mas  será    muito  aprasivel  o 
hygienica  depois  de  acabada.    A  commissão  não  men- 
cionou esta  rua. 

Rua    Capitão    Doiiiingos 

Principia  no  largo  da  Misericórdia  ;  finda  na  rua  Barro  Preto. 
Terminam  nella  as  ruas  João  Alferes,  Constituição,  e  Brasileira. 
Pertence  á  collina    da    Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua  é  a  que  segue  de  Eduardo  Formiga  em  direcção  à 
casa  de  João  Ferreira,  no  Barro  Preto.  A  commissão 
considerou  esta  rua  começando  em  Santa  Rita  e  fin- 
dando no  liarro  Preto,  e  a  denominou  —  General 
Uzorio. 

Rua  Const^tuiç^^âo 

I*rincipia  na  rua  daPrinceza  ;  linda  na  rua  Capitão  Domingos.  Atra- 
vessa as  ruas  de  S.  José,  e  rua  do  Carmo.  Começa  na  collina  da  Ma- 
triz, e  acaba  na  collina  da  Misericórdia.  E'  atravessada  pelo  regato 
que  nasce  no  Capão  da  Egreja  :  —  não  tem  ponte. 

N.  B.  Esta  rua,  sahindo  das  pro.ximidades  da  casa  de  d.  Anna  Ro- 
drigues Gondim  atravessa  o  córrego,  subindo  no  ali- 
nhamento das  casas  do  lallecido  Ricardo,  e  de  Fran- 
cisco das  Cliagas.  A  commissão  não  contemplou  esta 
rua. 

Rua  do    Cemitério 

Principia  no  lado    direito  lateral    do  Cemitério  Publico  ;  finda  no 
largo  da  Independência.    Pertence    â    collina  da  Matriz. 
N.  B.    Esta  rua  fica  nos  fundos  da  casa  do  finado  Esequiel  Torres, 
onde  actualmente   reside  o  padre  Angelo.    Esta  ape- 
nas começadaé    A  commissão    não  contemplou    esta 
rua. 


312  REVISTA    DO 


Rua  l^roi    Eugénio 

Principia  no  larjío  da  Misericórdia  ;  linda  no  campo,  (em  direcção 
à  cluicara  do  Frasquinho).    Pertence    á  collina  da  Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua  sobe  entre  a  casa  em  que  morou  Frey  Eugénio  e  o 
edifício  do  Hospital  da  Santa  Casa  :  segue  sempre 
para  os  lados  do  Barro  Preto,  passando  na  frente  do 
Cemitério  de  S.  Francisco,  que  lhe  fica  á  esquerda. 
Está  cm  começo.  Será  aprasivel  quando  lòr  povoada. 
A  commissão  localisoii  esta  rua  como    situada  entre 

—  Frey  Paulino  e  Misericórdia,  e  a  tinha  denominada 

—  Rua  da  Misericórdia. 

Rua   Farinlia    I*ôdre 

Principia  no  largo  da  Misericórdia  ;  finda  na  rua  S.  Francisco.  E* 
atravessada  pela  rua  Joaquim  dos  Anjos.  Atravessa  o  regato  que  tem 
a  nascente  na  chácara  Joaquim  dos  Anjos,  e  não  tem  ponte.  Começa 
na  collina  da  Misericórdia  e  acaba  na  collina  Estados-Unidos. 

N.  B.  Esta  rua  toma  suadirecção  perto  e  adiante  de  António  Caixa  ; 
mas,  ao  atravessar  a  de  Joaquim  dos  Anjos,  onde  re- 
side Jerónimo  Bueno,  fica  interrompida  por  terreno 
deste.  Do  lado  opposto  do  regato,  o  alinhamento 
está  feito,  podendo  mesmo  a  rua  prolongar-se  na  di- 
recção do  muro  dos  terrenos  da  Misericórdia,  que  lhe 
dão  bom  alinhamento.  Esta  rua  não  foi  contemplada 
pela   commissão. 

Rua    Giittemberg 

Principia  na  rua  S.  Sebastião  ;  finda  no  largo  da  Boa  Vista.  Passa 
no  ponto  onde  acaba  a  rua  Municipal  (  â  direita  )  e  começa  a  rua  Ti- 
radentes  (  à  esquerda  ).  E'  atravessada  pela  rua  Imperador.  Atra- 
ivessa  o  córrego  Lage  em  ponte  de  fraca  construcção.  Começa  na  col- 
lina da  Matriz  e  acaba  na  collina  Boa  Vista. 

N.  B.  Esta  rua,  do  canto  da  casa  onde  Euiz  Soares  Pinheiro  teve  ne- 
gocio, para  cima,  foi  conhecida  pelo  Bòco  do  Pereira, 
e  ultimamente  —  beco  do  Chico  Gordo.  Do  lado  op- 
posto do  córrego  ô  muito  ingremo,  mas  em  pequeno 
distancia.  A  commissão  encontrou  esta  rua  com  a 
nome  de— Beco  —entre  a  casa  do  Chico  Gordo—,  e  lhe 
deu  o  nome  de— Beco  de  Guttemberg, 


ARCiTivo  PUBLICO  ^rI^•Emo  313 


Rua  da   Imperatriz 

Principia  na  rua  do  Commercio  (á direita);  flndano  larpro  de  Santa 

Rita.    Começa  nella  (  á  esquerda  )  ii  rua  do  Mercado.    Pertence  á  col- 

lina  Estades    Unidos. 

N.  B.    Fui  antitraniente  conliecida  osía  rua  por  Manoel  António — , 

e  assim  'o  era  em  1855  ;  também  se  chamou  —  do  So- 

liradinlio  e  de  Santa  Rita.    A  commiss5o  contemplou 

como  sendo  uma  só  rua  todo  o  alinhamento  compre- 

hendido,    desde  a  rua    do    Matadoui'o   (  chácara  de 

João  Matlieus  ),  atô  o  muro  do  pasto  da  Misericórdia 

adiante  do    Santa  Rita,  e  lhe  tinha  dado  o  nomo  de 

—  Rua  de  Santa  Rita.    No  presente  plano,  essa   rua 

foi  dividida  em  três,  sendo    esta  a  segunda  parte  da 

da  commissão. 


Rua  do  Imperador' 

Principia  na  rua  do  Commercio  (á  esquerda  )  ;  finda  na  rua  do 
Matadouro.  E'  atravessada  pela  rua  Guttemberg.  Começa  nella 
(  à  direita  )  a  travessa  Alegria.  Atravessa  o  regato  que  nasce  na 
chácara  Padre  Zeferino  em  pequena  ponte.  Quasi  toda  pertence  à 
collina  Boa  Vista,  porque  apenas  começa  na  collina    Estados  Unidos. 

N.  B.  Esta  rua,  desde  muito  tempo,  foi  conhecida  com  a  denomi- 
nação de  —  Rua  da  Palha,  e  antes  desta,  e  em  1855, 
peia  do  —  Mamede  —  ;  também  se  conheceu  pela 
rua  do  —  Pedro  Panga  :  antes  da  passagem  do  re- 
gato, foi  conhecida  por  —  Beco  de  João  Alves.  —  A 
commissão  contemplou  como  sendo  uma  só  rua  todo 
o  alinhamento  oomprehendido  desde  a  rua  do  Mata- 
douro (  chácara  de  João  ]Matheus  ),  até  o  muro  do 
pasto  da  Misericórdia,  adiante  de  Santa  Rita.  No 
presente  plano,  essa  rua  foi  dividida  em  três,  sendo 
esta  a  primeira  da  da  commissão. 

Rua  ttloaciuigii  dos  í^iiJoía 


Principia  na  rua  Santa  Rita  :  linda  quando  encontra  os  terrenos 
fechados  da  Misericórdia.  Tem  do  ser  atravessada  pela  rua  Fari- 
nha Podre.  ,  Fica-ihe  no  ponto  terminal  a  rua  do  Bispo.  Pertence  á 
collina  da  Misericórdia. 


314 


REVISTA   DO 


N.  B.  Esta  rua  é  a  em  que  mora  Justino  José  de  Carvalho  e  sem- 
pre foi  conhecida  —  Joaquim  dos  Anjos  (assim  o 
era  em  1855  ),  por  ser  este  o  que  primeiro  alli  morou. 
A  commissão  contemplou  esta  rua  como  —  rua  do 
Justino  — ,  e  lhe  deu  o  nome  de  —  Rua  de  Frei  Eu- 
génio. 


Rua   «loao  Alferes 

Principia  no  fundo  do  largo  da  Independência  ;  finda  na  rua  Ca- 
pitão Domingos.  E'  atravessada  pela  rua  do  Carmo.  Atravessa  o 
regato  que  tem  a  nascente  no  capão  da  Egreja,  mas  não  tem  ponte. 
Começa  na  collina  da  Matriz,  mas  quasi  toda  pertence  à  collina  da 
Misericórdia. 

N,  B.  Esta  rua  sahe  do  canto  conhecido  do  Jacob,  em  beco,  até  a 
rua  do  Carmo  ;  ahi  alarga-se  até  encontrar  a  do 
Capitão  Domingos.  Conta-se  que  em  breve  estará  to- 
da alargada.  A  commissão  não  contemplou  esta 
rua. 


Rua 


(Ia  1  adeira 


Principia  no  largo  da  Matriz(  ao  lado  direito  da  cancella  do  cercado 
do  Cemitério  Publico)  ;  finda  no  largo  da  Misericórdia.     E'  atraves- 
sada pelas  ruas  Santo  António,  Vigário  Silva  e  Carmo.    Começa  nella 
(  à  esquerda  )  o  beco    Liberdade.    Atravessa  o  regato  que  nasce  no 
capão  da  Egreja  em  bôa  ponte.    Começa  na  collina  da  Matriz  ;  acaba 
na  collina  da  Misericórdia. 
N.  B.     Esta  rua  é  a  que  desce  entre   Balduino  de  Rezende  e  Fras- 
quinho ;  passa  no  canto  da  casa  do  professor  Terra  ; 
na  do  Tenente  Ananias  de    Andrade,  sahindo  na  ex- 
tincta  Presiganga.    Desde  a  rua  Vigário  Silva  até  o 
largo  da  Misericórdia  tinha,  em  1855,    o  nome  de  — 
rua  da  Presiganga  — .  A  commissão  contemplou  esta 
rua  dando-lhe  acabamento  no  canto  da  casa  do  pro- 
fessor Terra,  e  o  nome  de  —   Rua  da  Ladeira. 

Rua  Leste 


Principia  no  largo  da  Boa  Vista  ;  finda  na  rua  do  Imperador.  Per- 
tence à  collina  Boa  Vista. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  315 


N.  B.  Começou-se  a  alinhar  esta  rua  coma  casa  de  Martinho  Penna 
que  faz  canto  na  rua  Pedro  Gonçalves.  Kstà  ape- 
nas começada.  A  commissilo  não  contemplou  esta 
rua. 

Rua    .Municipal 

Principia  no  largo  da  Matriz  ;  íinda  na  rua  Guttemberg.    Começa 
nella  (  à  esquerda  )    a   rua  Major   Eustachio.    Pertence  à  collina  da 
Matriz. 
N.  B.    Por  muito  tempo    se  chamou  —  Rua  Direita  — ,  Rua  Grande 

—  da  qual  fazia  parte.  E'  a  mais  importante  da 
cidade.  E'  a  segunda  parte  da  rua  que  a  commis- 
são  contemplou  sob  a  denominação  de  —  Rua  Grande 

—  á   qual  tinha  dado  a  de  —  Tiradentes. 

Rua  (ias  Mercês 

Principia    na  rua  S.  Sebastião  ;  íinda    na  porteira  da  Chácara    de 
Fidelis  dos  Reis.    E'  atravessada  pelas  ruas  Tiradentes  e  Matadouro. 
Deve  acabar  nella  ( á  esquerda  )  a  rua  do  Cruzeiro.    Pertence  à  col- 
lina Cuyabà. 
N.  B.    Esta  rua  sobe  em  frente  á  chácara  de    Bento  José  de  .Sousa  ; 
passa  na  casa  do  escrivão  de  orphams  Luis  da    Silva 
e  Oliveira  ;  nas  de  António  Matheus  e  Delfino  Gomes ; 
prolonga-se  no  alinhamento  dos   teírenos    de  Anna 
Soares,  até  topar  a  porteira  de  Fidelis  Gonçalves  dos 
Reis,   antigamente  do    major  António    Eustachio  de 
Oliveira   e  alferes  Francisco  Soares.    Foi    conhecida 
com  o  nome  de  —  Rua  do  Boi —  ou  —  dos  Bois  ( 1855 ). 
O  seu  alinliamento  é  o  de  um  arco.    A  commissão  a 
contemplou  com  o  nome  de  —  Rua  do  Boi  — ,  e  lhe 
deu  o  das  —  Mercês. 


Rua  Mnjoi*   Eu^tacliio 

Principia  na  rua   Municipal  ;   finda   no  campo    para   os  lados  da 

chácara  do  capitão  Joaquim    António  Rosa.     E'  atravessada  pela  rua 

S.  Sebastião,  e  pela  travessa    da  Fonte.    Acabam    nella  as    travessas 

Joaquim  Ignacio  e  do  Felippe  ( ambas  á  esquerda   ).    Pertence  à  col- 

lij^a  da  Matriz. 


31G  REVISTA  DO 

N.  B,  Esta  ma,  próximo  ;i  tle  S.  Sebastião,  tem  um  pedaço  muito 
mal  alinhado.  Já  foi  conhecida  com  os  nomes  de  — 
Rua  do  Padre  António  (  1855  )  —  Rua  de  d.  Sebasti- 
anna  —  Rua  do  Desemboque.  A  commissão  con- 
templou na  desiírnaçrio  de  —  Rua  do  Quinca  Vaz 
para  cima —  e  lhe  tinlia  dado  o  nome  de  — General 
Camará. 


Rua    ^fí»joi*    Barcellos 

Principia  no  largo  de  Santa  Rita  ;  íinda  no  largo  da  Piedade.  Per- 
tence á  collina  Estados  Unidos. 

N.  R.  Pertence  ;i  collina  Estados  Unidos  como  se  disse.  Parte  do 
canto  (  direito  )  atraz  da  Egreja  de  Santa  Rita,  for- 
mando canto  do  outro  lado  a  casa  de  Paixão  :  está 
em  começo.  Depois  de  acabada  de  povoar  será  ápra- 
sivel  e  liygienica.  A  commissão  não  mencionou  esta 
rua. 


Rua  do      Mercado 


Principia  na  rua  Imperatriz  ;  finda  na  rua  Padre  Zeferino.  Fica- 
Ihe  á  direita  o  largo  da  Piedade,  á  esquerda  o  Mercado  Publico  e  o 
lar<:o  do  Rosário.  Começa  nella(  à  direita)  a  rua  Alegre  ;  à  esquer- 
da a  rua  Presidente.    Pertence  â  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  Esta  rua  está  sendo  bem  povoada ;  será  aprasivel  e  hygienica. 
A  commissão  tinha  achado  esta  rua  com  o  nome  — 
Antiga  rua  das  Flores,  e  lhe  deu  o  do  —  Mercado, 


Rua  (lo  Matadouro 


Principia  na  rua  das  Mercês  ;  finda  na  rua  do  Imperador.  Atra- 
vessa o  córrego  Lago  em  ponte  de  fraca  construcção.  Fica-lhe,  â  es- 
querda, o  Matadouro  Publico.  Pertence  quasi  que  em  partes  iguaes 
â  collina  Cuyabá  e  collina  Boa  Vista. 

N.  B.  Ambas  as  extremidades  desta  rua  tendem  a  prolongar-se  ; 
então  será  ella  atravessada  pelas  ruas  das  Mercês  e 
do  Imperador.  A  ponte  que  a  communica  tem  sido 
conhecida  por  —  Ponte  de  João  Matheus,  A  commis- 
sSo  não  contemplou  esta  rua. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  317 


Rua  da   I»riiiceza 

Principia  no  largo  da  Independência  ;  finda  no  campo  para  o  lado 
do  Capão  da  Egreju.    Começam  nella  (  â  esíiuorda  )   as    ruas  Consti- 
tuirão e  Hrasileira.    Pertence  à  collina  da  Matriz. 
N.  b.     E'  a  rua   que  se  acha    no  alinliamento  da  casa  da  fallecida 
Anua  llodrigues  Gondim.    Presentemente  só  tem  pré- 
dios do    lado  esquerdo  ( debaixo  ).    A  commissão  nSo 
contemplou  esta  rua. 

Rua  do  I*rt'8Ítlonto 

Principia  na  do  Mercado  (  à  esquerda  ) ;  linda  na  rua  do  Commercio. 
Pertence  â  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  Está  em  começo  no  alto,e  em  projecto  ilo  lado  da  rua  do  Com- 
mercio. Tem  de  sahir  onde  habitou  o  Damazo.  A 
commissão    não  contemplou  essa  rua. 

Rua  do   r»eílro  Gonçalves 


Principia  no  largo  da  Boa  Vista  ;  finda  no  campo  para  o  lado  da 
chácara  de  João  Matheus.    Pertence  à  collina  Boa  Vista. 

N.  B.  Esta  rua  esta  apenas  alinhada  pela  casa  de  Pedro  Lucas.  E' 
situada  em  aprasivel  e  hygienico  local.  Terá  de  ser 
atravessada  pela  rua  do  Matadouro.  A  commissão 
não  contemplou  esta  rua. 


Rua  I*aclre  Zeferino 

Principia  no  Campo,  na  collina  Estados  Unidos  ;  finda  também  no 
campo,  na  collina  lioa  Vista.  Nella  acabam  as  ruas  do  Commercio, 
Flores  e  Mercado  ;  não  tardará  a  ser  atravessada  pela  rua  do  Mercado. 
Atravessa  o  regato  que  nasce  na  chácara  Padre  Zeferino  em  ponte 
de  atrazada  construcção.  Pertence,  quasi  que  em  partes  iguaes,  ás 
collinas  Estados  Unidos  e  Boa  Vista. 

N.  B,  Quando  as  extremidades  desta  rua  se  prolongarem,  será  ella 
cortada  pelas  ruas  do  Mercado  c  Boa  Vista.  A  com- 
missão não  contemplou  esta  rua. 


318 


REVISTA    DO 


Rua   Ponte  i%.Ita 

Principia  no  lar«ío  da  Misericórdia  ;  finda  no  campo,  para  os  lados 

do  Barro  Preto.    Pertence  á  coUina  da  Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua,  ainda  em  começo,  acompanha  o  alinhamento  do  edi- 
fício da  Santa  Casa  pelo  lado  de  cima,  ficando-lhe 
esta  e  o  Cemitério  de  S.  Francisco,  á  direita,  o  não 
tem  outras  ediílcações.  A  commissão  não  contem- 
plou esta  rua. 
N.  B.  Esta  rua,  ainda  em  começo,  acompanha  o  alinhamento  do 
edifício  da  Santa  Casa  pela  lado  de  cima,  fícando- 
Ihe  esta  e  o  Cemitério  de  S.  Francisco,  á  direita, 
e  não  tem  outras  edifícações.  A  commissão  não 
contemplou  esta  rua. 

Rua  do  Rozai-io 

Principia  na  rua  do  Commercio  ;  finda  no  largo  da  Boa  Vista.    E' 
atravessada  pela  rua  das  Flores.    Atravessa,  em    pequena  ponte,  o 
regato  que  nasce  na  chácara  Padre  Zeferino.    Quasi  toda    pertence 
á  collina    Boa  Vista  ;  sò    uma  pequena    parte  é  da  collina  Estados 
Unidos. 
N.  B.    Esta    rua  fica  fronteira  á  egreja  do  Rosário.  Também  foi  co- 
nhecida pela     rua  de  Magalhães,  da  Maçonaria,    do 
Fabrício.    A  commissão  mencionou  esta  rua  —  Rua 
do  Fabrício  atravessando  o  Rosário  — ,    e  deu-lhe   o 
nome  de  —  Rua  do  Rosário. 


Rua  de  Ssàiito  António 


Principia  no  largo  da  Matriz  (á  direita)  ;,e  finda  no  largo  da  In- 
dependência. E'  atravessada  pelo  Beco  Liberdade,  nas  ruas  Ladeira 
e  S.  Miguel.     Pertence,  à  collina  da  Matriz. 

N.  B.  Esta  rua  passa  na  casa  do  cónego  Santos,na  do  Frasquinho, 
na  do  fallecido  João  Ignacío,  e  na  do  finado  José  Fer- 
nandes da  Silva.  Esta  rua  tinha  o  nome  de  —  Rua 
de  Anna  Constança  em  1855.  A  commissão  tinha  con- 
siderado nesta  rua  todo  o  alinhamento  desde  o  Cuyabá, 
até  o  largo  da  Independência  sob  o  nome  de  —  Rua 
de  —  Maurity,  e  lhe  deu  o  nome  de  —  Rua  de  S. 
Sebastião  :  esta  é  a  segunda  parte  dessa  rua. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  319 


Rua  de  S.  SebastiâLo 

Principia  no  largo    da  Matriz  (  á  esquerda  ) ;  finda  no  campo,  no 
alto  do  Cuj-abà.    E'  atravessada  pela    rua    Major  Eustachio.    Come- 
çam neila  (  à  direita  )    as  ruas  (Tuttenihcrfi:  e  Mercês.    Atravessa  o 
regato  «lue    tem  a    nascente    na  ciiacara   do    Alferes   Sivestre.     Per- 
ttMice  em  parte    á  collina  da  Matriz  e  em  parte  ú  collina  Cuyabá. 
N.   B.    Esta  rua  tem  o  nome  de  Maurity,  Santo  António,  e  do  Col- 
legio  (  1855  ).     A    ponte  que  a  liga  às  duas  collinas 
é  de  má  construcção.    A  commissão   tinha    conside- 
rado nesta  rua  todo  o  alinhamento,  desde  o  Cuyahá, 
até  o  largo  da  Independência,  sob  o  nome  de  —  Rua 
do  Maurity  — ,  e  lhe    deu  o  nome    de  —  Rua  de  S. 
Sebastião  ;  esta  <-    a    primeira  parte  dessa  rua. 

Rua  de    N.   «loaquim 

Principia  no  largo  da  Misericórdia  ;  finda  nos  Olhos  d'Agua.    Co- 
meça nella  a  rua  do  Bispo.    Pertence  à  collina  da  Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua  toma  o  alinhamento  no  prédio  de  António  Caixa, 
passa  na  casa,  edificada  pelo  tabellião  Fonseca,  [se- 
gue entre  as  casa  e  chácara  do  alferes  Joaquim  Ro- 
drigues de  Barcellos,  antiga  de  Zizica.  A  commis- 
sEo  tinha  contemplado  esta  rua,  principiando-a  no 
canto  da  casa  do  professor  Terra,  dizendo-a :  —  Rua 
da  casa  do  Professor  Terra  aos  Olhos  d' Agua  — , 
dando-lhe  o  nome  de  —  Rua  de  S.  Jaaquim  — ,  que 
se  conservou,  mas  começando-a  no  largo  da  Mise- 
ricórdia. 


Rua  de  S.   ^lliguel 

Principia  no  lado  lateral  direito  do  Cemitério  Publico  ;  finda  no 
largo  da  Misericórdia.  E'  atravessada  pelas  (ruas  Santo  António, 
Vigário  Silva  e  Carmo.  Atravessa  o  regato  que  nasce  no  capão  da 
Egreja  em  ponte  de  fraca  construcção.  Pertence  em  parte  á  col- 
lina da  Matriz  e  em  parte  á  collina  Misericórdia. 

N.  B.  Esta  rua  já  se  chamou—  da  Alegria  ( 1855),  do  José  Fernan- 
des, do  Esequiel.  E'  a  que  desce  pela  casada  Chico 
Elias  e  sobe  do  lado  opposto  nas  casas  de  José  da 
Silva  Diniz  e  Natinho.    k  commissão  tinha    contem- 


320  REVISTA   DO 


piado  o  alinliíimento  do  —  Cemitério  Publico  até  o 
largo  da  Misericórdia  — ,  dando-lhe  o  nome  de  —  Rua 
do  Carmo. 


Rua  do  Santa   liita 

Principia   no  largo  de  Santa  Rita  ,  finda  no  largo  da  Misericórdia. 
Começa  nella   (  á  esquerda  )  a  rua    Joaquim  dos  Anjos.    Atravessa  o 
regato  que   tem  a  nascente  na  chácara  de  Joaquim    dos    Anjos  em 
ponte  de  soffrivel  construcção.    Pertence  à  collina    da  Misericórdia, 
N.  B.    Esta  rua  flca  em  frente  à     Egreja  de  Santa  Rita  e  sahe  no 
largo  da  Misericórdia  no  logar  onde  houve    o  edifício 
conhecido  por  —  Presiganga  —.  A  commissao  tinha 
denominado  de  —  Rua  do   General    Ozorio  -—  todo  o 
alinhamento  —  de  Santa  Rita  até  o  Barro    Preto  — . 
Neste  plano,  do  largo  da  Misericórdia  em   diante  to- 
mou o  nome  de  —  Rua  do  Capitão  Domingos. 


Rua  de  S.  Francisco 


Principia  no  largo  de  Santa  Rita  ;  flnda  ao  encontrar  o  muro  dos 
terrenos  da  Misericórdia,  onde  passa  a  rua  Farinha  Podre.  Pertence 
à  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  E'  a  rua  onde  mora  a  cega  Miquelina.  Ella  será  fechada  pela 
rua  Farinlia  Podre.  A  commissao  incluiu  esta  rua 
naquella  que  ia  da  esquina  do  Matadouro  ao  muro 
dos  terrenos  da  Misericórdia,  a  que  tinha  dado  o 
nome  de  —  Santa  Rita  — .  Agora  é  a  terceira  parte 
dessa  rua. 


Rua  do  Sacramento 


Principia  no  largo  da  Misericórdia  ;  finda  no  campo  para  os  la- 
dos dos  Olhos  d'Agua.  Pertence  á  collina  da  Misericórdia. 
N,  B.  Principiada  apenas  esta  rua,  distingue-se  por  começar  entre 
a  estalagem  e  rancho  do  linado  António  José  Bar- 
bosa e  tomar  a  direcção  da  estrada  do  Sacramento, 
para  o  lado  dos  Olhos  d'Agua.  A  commissao  não  a 
nomeou. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  321 


Rua  do  8 .  «Tose 

Principia  no  laríro  da  Indcpondoncia  ;  linda  na  rua  Brasileira.  E' 
atravessada  pela    rua  Constituivrio.    Pertence  á  collina    d;i    Matriz. 

N.  B.  E'  a  rua  que  da  casa  de  Jacob  acompanha  o  regato  no  ali- 
nhamento dos  pastos  de  Joíío  da  Silva  c  Oliveira  e 
Joaquim  António  do  Rezende.  A  oommissão  tinha 
comprehendido  esto  peda(;o  de  rua  na  —  Anti^^i  Rua 
Grande  — dando-llie  também  o  nome  de  Tiradentes — . 
Neste  plano,  esta  rua  é  a  ([uarta  o  ultima  parte 
daquella.  Em  1855  loi  incluída  como  íazendu  parte 
da  —  Rua  Direita  ou  Grande. 

Rua  Xristíio  de  Castro 

Principia  no  larf^o  da  Matriz  ( canto  da  travessa  Joaquim  Ignacio  ) ; 
linda  no  campo  para  o  lado  da  casa  do  José  Raymundo.  Começa 
nella  a  travessa  Filippe.    Pertence  á  collina  da  Matriz. 

N.  B.  Esta  rua  tem  sido  denominada  de—  Azagaya  — .  EUa  acom- 
panha a  estrada  do  Capão  Limpo.  A  commissão  ti- 
nha contemplado  esta  rua  —  Antiga  rua  de  Azagaya 
—  dando-lhe   o  nome   de  —  Rua  de  S,  Miguel. 

Rua  Xiradeiites 

Principia  na  rua  Guttemberg  (  no  ponto  onde  termina    a  rua  Mu- 
nicipal )  ;  finda    no  alto  do  Cuyabá.    E'  atravessada  pela    rua  das 
Mercês.    Atravessa  o  regato  que  tem  nascente   na  chácara   do   Alfe- 
res Silvestre  em  pequena  ponte.    Pertence  em  parte  á  collina  da  Ma- 
triz, e  em  parte  á  collina  Cuyabá. 
N.  R.    E'  a  rua  que,  começando  no  canto  da  casa  onde  foi  o  estabe- 
lecimento commercial  de  Luiz  Soares  Pinheiro,  passa 
na  ponte  denominada —  da    Monteira — ;    passa    o 
rego  na  fronte  da  casa   do  escrivcão  de  orphams  Luiz 
da  Silva  o  Oliveira,  e  sobe  o  alto  na  casa   da    linada 
Maria  Fernandes,  a  alcançar   o  alto  do  Cuyabá,  onde 
houve  o  Collegio  do  Vaz  de  Mello,    demolido  depois. 
A  conimissão    tinha  comprehendido  esta  rua,  como 
um  pedaço  da  —  Antiga  Rua  Grande  — ,  a  que  tinha 
dado  o  nomo  —  Tiradentes  — .  Neste  plano,  é  esta  a 
primeira  parto  da  antiga  rua  Grande,  que  também  foi 
adiada  em  1X55.    Foi  muito  conhecida  pelo  nome  de 
—  Rua  da  Montciru  — ,  c  —  do  Felício. 


322  REVISTA  DO 


Rua  ^i^ai*io  Silva 

Principia  no  largo  da  Matriz  ;  íinda  no  largo  da  Independência.  E' 
atravessada  pelas  ruas  Ladeira  e  S.  Miguel.  Acaba  nella  o  Beco  Li- 
berdade,   Pertence  à  collina  da  Matriz. 

N.  B.  Esta  rua  foi  sempre  conhecida  por —Direita  ou  Grande— .E' 
uma  das  mais  importantes  da  cidade,  mas  de  alinha- 
mento em  arco.  A  com  missão  a  tinha  comprehendido 
na  —  Antiga  Rua  Grande  —  este  pedaço,  a  que  ti- 
nha dado  o  nome  —  Tiradentes  — .  Neste  plano,  é 
esta  j  a  terceira  parte  da  antiga  rua  —  Grande  —  ou 
—  Direita. 

Rua  das   Flores 

Principia  na  travessa  Alegria  ;    finda  na  rua  Padre  Zeferino.    E' 
atravessada  pela  rua  do  Rosário.     Pertence  á  collina  Boa  Vista. 

N.  B.  Esta  rua  é  a  em  que  residiram  os  fallecidos  Lemos,  Vieira  e 
Firmino.  Também  foi  conhecida  pela  rua  dos  —  In- 
glezes  — ,  e  em  1855  era  assim  conhecida.  Ultima- 
mente distinguia-se  mais  pela  denominação  de  — 
Rua  da  Pinga  — .  A  commissão  contemplou  esta  rua 
com  o  nome  de  —  Antiga  rua  da  Pinga—,  e  deu-lhe 
o  de  —  Rua  das  Flores  —  que  neste  plano  é  con- 
servado. 


Travessas 


Travessa   ilLlegria 

Principia  na  rua  do  Imperador  ;  finda  no  largo  da  Boa  Vista.  Co- 
meça nella  (  á  direita )  a  rua  das  Flores.  Pertence  à  collina  Boa 
Vista. 

N.  B.  Nesta  travessa  não  ha  casas,  mas  na  sua  meia  distancia  á 
esquerda  ha  duas  moradas  para  dentro  do  alinha- 
mento. Pode  ser  mais  conhecida  pelo  grande  tran- 
sito de  carros  que  ahi  passam  vindos  do  alto  do  Fa- 
brício para  a  nova  casa  do  Fabrício  Borges,  e  vice- 
versa.    A  commissão  não    contemplou  esta  travessa. 


ARCIIIVO  PUBLICO  MINEIRO  323 


Travessa  do  Felippe 

Principia  na  rua  Major  Eiistachio  ;  linda  no     campo  para  o  lado 

do  Cemitério  e  por  detraz    deste.    E'  atravessada  peia  rua  Tristão  de 

Castro.     Pertence  à  coUina  da  Matriz, 

N.  H.     Esta  travessa,  quando  fòr  continuada,  passará  atraz  da  Ca- 

pella  de  S.  Miguel.    A  commissão    não    contemplou 

esta  travessa. 

Travessa    •Joaquim  Ignaeio 

Principia  no  largo  da  Matriz  ;  íinda  na  rua  Major  Eustacbio.    Per- 
tence á  collina  da  Matriz. 
N.  B.    Não  tem  casas  esta  travessa.  No  canto  delia  acaba  o  largo 
da  Matriz.    A  commissão   não  contemplou    esta  tra- 
vessa. 


f 


Escos 


Beco   da  Fonte 

Principia  na  rua  Tristão    de  Castro  ;  íinda  na  fonte  publica.    E' 
atravessado  pela  rua  Major  Eustachio.     Pertence  á  collina  da  Matriz. 
N.  B.    Não  ha   sabida  deste  beco  da  fonte  em   diante,  a  qual  fica 
ao  lado  direito  da  rua  Major  Eustachio.    A  commis- 
são não  contemplou  este  beco. 

Beco    luiberdade 

Principia  na  rua  da  Ladeira ;  finda  na  rua  Vigário  Silva.  E'  atraves- 
sado pela  rua  Santo  António.    Pertence  á  collina  da  Matriz. 

N.  B.  A  rua  de  Santo  António  atravessa  este  beco  próximo  ã  casa 
do  Cónego  Carlos  José  dos  Santos.  A  commissão  ti- 
nha-o  contemplado  —  Beco  entre  a  casa  do  Vigário 
—  dando-lhe  o  nome  que  agora  recebe.  Tambeiu 
foi  conhecido  por  —  Beco  de  Padre  Francisco* 


324  REVISTA   DO 


»~i-rxj~M"»-»"*^.<~i-'~t'~n~i'~M"i'~"~«~i'~>i~"~i  ~  ~ij   -   -I -I  _j-i_ruj'L-i-L-ru-i_i  ^  _  _i  L-i'i-j"«n  "  -1" .  ~  i~  n  j~  i~  t~i  ~  "  i~i  —  f~~~"r'i~  —  ■~-  —  *  — - 


Largos 


Largo  da  Boa.  '^'■isto 

Situado  na  entrada  da  cidade  pela  estrada  que  vem  da  ponto  do 
cima  no  rio  Uberaba.  Principiam  nelle  (  á  direita  )  as  ruas  Pedro 
Gonçalves  e  Leste  ;  a  rua  Boa  Vista  (  á esquerda)  ;  findam  nelle  a 
rua  do  Rosário  e  travessa  Alegria.    Pertence  â  collina  Boa  Vista. 

N.  B.  Esta  localidade  tem  sido  conhecida  pelo  —  Alto  do  Fabrício. 
E'  aprasivel  e  hygienica.  Os  dous  A'ertices  do 
quadrado  que  devem  limitar  este  largo  para  o  lado 
do  Caximbo  ainda  não  estão  marcados.  A  commissão 
não  compreliendeu  este  largo   com  situação  própria. 

Largo  do  Ceniiterio 

Situado  atraz  da  Egreja  Matriz,  em  frente  ao  Cemitério  Publico- 
Pertence  á  collina  da  INIatriz. 
N.  B.  Todo  este  largo]  está  fechado  por  uma  cerca  de  rachas  de  aro- 
eiras. No  portão  deste  Cemitério  é  o  ponto  central 
da  légua  quadrada  do  património  da  Matriz.  As  pos- 
turas de  1857  lhe  dão  este  mesmo  nome.  A  commis- 
são não  lhe  deu  situação  própria. 

Largo  da  Independeiicia 

Situado  no  fim  da  rua  Vigário  Silva.    Principiam   neste  largo,   á 
direita,  as  ruas  Princeza,  S.  José,  e  João  Alferes;  findam   nelle,  á  es- 
querda, as  ruas  Vigário  Silva   e  Santo  António.    Pertence   á    collina 
da  ]\Iatriz. 
N.  B.    Foi  conhecido  este  largo,  pelo—  Largo  do  Jacob —,  e  por  ul- 
timo conhecia-se  pelo  largo  de  João  Bento  Garcia.    A 
commissão,  não  contemplou  este  largo  com  situação 
própria. 

Largo  da  Mati*iz: 

Situado  no  centro  da  cidade.  Principiam  neste  largo,  à  direita,  as 
ruas  Ladeira,  Santo    António,  e   Vigário  Silva ;  na    frente  a  rua    do 


^ 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  325 

Cominercio  ;     á  esquerda  as  ruas  Municipal    o  S.  Sebastião,   o  a  tra- 
vessa Joaquim  Igiiacio.    Pertence  á  collina  da  Matriz, 

N.  H.     Polo  lado  de  traz  da    Matriz  íica  o  Cemitério  Publico.  Entro 
esto  o  a  Efírqja  li;i  uma  casa  isol.ida  portcncentc   ao 
^  Major  Francisco  Rodrigues    do    Harceilos.    No  fundo 

do  largo,  á  esquerda,  está  o  Paço  Municipal  ;  à  di- 
reita, o  Tlieatru  S.  Luiz.  A  commissílo  não  contem- 
plou esto  largo  com  situação  própria.  Já  em  1H55  se 
o  conhecia  pola  dononuníição  de  —  Largo  da  Matriz 
Nova — .  As  posturas   do  IHÕT  o  denominam — Praça. 

Largo  da  Miserlcofclia 

situado  na  entrada  da  cidade  para  ([uem  vem  da  província  de  S. 
Paulo  pela  estrada  desporto  tia  Ponte  Alta.  Principiam  nolle,  á  di- 
reita, as  ruas  Ponte  Alta,  Sacramento,  S.  Joaquim,  e  Farinha  Podre; 
á  esquerda,  as  ruas  Capitão  Domingos  e  Frei  Eugénio  ;  lindam  nello, 
á  esquerda,  as  ruas  Santa  Rita,  Ladeira  e  S.  ]\Iiguel.  Pertence  á 
collina  da  Misericórdia. 

N.  H.  Este  largo  é  o  mais  espaçoso  dos  de  toda  a  povoação  ;  nelle 
existe  o  grande  ediíicio  da  Santa  Casa  de  Misericór- 
dia fundada  por  Frei  Eugénio,  fazendo  alinhamento 
com  o  Cemitério  Publico,  tam))em  fundado  pelo 
mesmo  sacerdote.  A  commissão  não  contemplou 
este  largo  com  situação  própria.  Em  1855  ora  deno- 
minado —  Largo  do  Rancho. 

Largo  das  Mercês 

Deste  largo  fallou-se  na  Gamara  Municipal  quando,  na  sessão  de 
24  de  abril  de  1K80,  foi  deliberada  a  abertura  da  rua  do  Cruzeiro. 
Não  ha  para  ellc  demarcação  alguma  polo  omquanto  ;  mas  si  fòr  de- 
marcado, licará  situado  no  alto  do  Cuyabá,  do  lado  por  onde  se  entra 
na  cidade  vindo- da  ponte  do  Vão,  onde  existe  um  Cruzeiro.  Neste 
largo  começará  a  rua  do  Cruzeiro  ;  findarão  nelle  as  ruas  S.  Sebas- 
tião e  Tiradentes.     Pertence  â  collina  Cuyabá. 

N.  D.  Desde  muito  tempo  se  projecta  edificar  nesta  localidade  uma 
Capella  sob  a  invocação  de  Nossa  Senhora  das  Mer- 
cês. Ha  mais  do  vinte  annos  também  se  pretendL-u 
construir  alli  uma  capollinha,  tendo  Santa  Rarbai-a 
por  orago.  Nesta  localidade  funccionou  por  alguns 
annos  o  Collegio  do  Vaz  do  Mello  em  cdillcio  já  de- 
molido, o  naquolla  época  conhecido  poi'  —  Cuvabá. 
A.  I'.-0  i  f  I  . 


326  REVISTA    DO 


Largo  da  I^iedade 


Situado  em  frente  à  Matriz.  Começa  neste  largo,  á  esquerda,  a 
rua  Major  Barcellos  ;  findam  nelle,  á  direita,  a  rua  Presidente  ;  na 
frente,  a  rua  Capitão  Rosa.    Pertence  á  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  Projecta-se  edificar  no  centro  deste  largo  uma  Egrejinha,com 
a  invocação  de  Nossa  Senliora  da  Piedade.  O  terreno 
deste  largo  está  apenas  demarcado.  Ficar-lhe-ha  a 
Egreja  do  Rosário  á  direita,  e  a  de  Santa  Rita  á  es- 
querda. Será  um  ponto  summamente  aprasivel. 
Esta  localidade  também  tem  sido  conliecida  por  — 
Alto  das  Cavalhadas  — ,  Alto  do  Rosário  — ,  Morro 
Plano  — .  A  commissão  não  compreliendeu  este  largo 
com  situação  própria. 


Largo  do  Rosar-io 


Situado  entre  a  rua  do  Commercio  (  à  direita  )  e  a  rua  do  Mer- 
cado (  á  esquerda  ).  Principia,  em  frente  a  Egreja,  á  rua  do  Rosário  ; 
passa-lbe  pela  frente  a  rua  do  Commercio,  e  pelo  lado  opposto  a 
rua  do  Mercado.    Pertence  à  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.  No  centro  deste  largo  está  edificada  a  Egreja  do  Rozario  ; 
lateralmente,  na  collina,  á  esquerda,  tíca-lhe  a  Egreja 
de  Santa  Rita.  A  commissão  não  compreliendeu 
este  largo  com  situação  própria. 


Largo  de  Saota  Itita 

Situado    em    frente   ao  edifício    da    Santa    Casa  de  Misericórdia.  *^* 

Principiam  neste  largo,  na  frente,  as  ruas  Carmo  e  Santa  Rita  ;  á 
esquerda  a  rua  S.  Francisco;  findam  nelle,  á  direita,  as  ruas  Major 
Barcellos,  Alegre,  e  Imperatriz.    Pertence  á  collina  Estados  Unidos. 

N.  B.    No  centro  deste  largo   está  edificada  a  Egreja  da  invocação  | 

de  Santa  Rita  de  Cássia.  Do  lado  opposto  da  collina, 
à  direita,  fica-llie  a  Egreja  do  Rosário.  A  commis- 
são não  contemplou  este  largo  com  situação  própria. 
As  posturas  de  1857  o  denominam  —  Praça  de  Santa 
Rita. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  327 

Annotações 

o, nj.  })uat!i]i  servi]' paríi  melhor  conhecer- 
se  M  direcção  e  posição,  direita  ou  es- 
querda, das  ruas,  largos,  collinas,  re- 
gatos o  corrtgo  ;  bem  como  a  colloca- 
çáo  dos  números  nos  prédios. 


Convirá  que  o  lado  direito  ou  esquerdo  nos  largos  da  Matriz,  Santa 
Rita  e  Rosário,  se  determine,  suppondo-se  a  pessoa  coUocada  na 
porta  principal  de  qualquer  destas  Egrejas  —  em  acção  de  sahir. 

Nos  largos  do  Ceurterio  e  Misericórdia,  collocando-se  a  pessoa, 
também  na  acgão  de  sahir,  no  portão  ou  porta  principal  destes 
edilicios. 

No  largo  da  Independência,  olhanão-se  para  a  collina  da  Miseri- 
córdia, que  lhe  íica  fronteira. 

No  largo  da  Piedade,  olhando-se  para  a  Matriz.  O  mesmo  quanto 
aos  largos  Boa  Vista  e  Cuyabá. 

Com  relação  às  collinas,  regato  e  córrego,  postando-se  a  pessoa 
com  a  Trente  para  Ibz  do  córrego  Lage. 

Convirá  igualmente  que  a  numerarão  se  comece  nos  largos  pelo 
lado  direito. 

Convirá  ainda  que  o  lado  direito  ou  esquerdo,  como  pontos  de 
partida  para  a  numeração  dos  prédios  seja  determinado  parti ndo-se 
dos  largos  ;  dando-se  preferencia  ao  da  Matriz  para  as  ruas  que  delle 
sahirem  e  forem  dar  em  outros  largos. 

Nas  ruas  que  tiverem  princípios  om  outros,  se  determine  a  collo- 
cação  da  numeração  partindo,  o  mais  próximo  possível,  do  centro  da 
cidade. 

Convirá  também  que  a  numeração  de  cada  um  prédio  seja  collo- 
Cada  na  sulleira  da  porta  da  entrada  ;  cada  uui  deiles  recebo  uma  sò 
numeração  ;  ainda  que  ahi  habite  mais  de  um  individuo,  ou  família, 
de  economia  separada. 

Si  o  prédio  a  numerar-se  fôr  situado  om  canto  de  duas  ruas,  não 
receba  mais  do  um  numero  ;  e  este  mesmo  do  lado  da  rua  mais  im- 
portante ;    ou  então  daquella  que  o  proprietário  preferir. 


or 


28  REVISTA   DO 

Si  a  algum  prédio  houver  anncxo  (lepoiulencias  com  entrada  pela 
frente  da  rua,  cada  uma  dessas  dependências,  si  íor  distincta,  em- 
bora pertença  ao  proprietário  do  prédio  principal,  deverá  receber 
a  numeração    como     si  fosse  prédio  habitado,  ou  distincto. 

Os  portões,  portas,  ou  cancellas,  que  da  rua  derem  entrada  para 
pateos  ou  quintaes  de  prédio  principal,  convém  que  sejam  excluídos 
da  numeração.  Mas  os  que  derem  inírresso  a  prédios  habitados,  se- 
jam numerados. 

A  pratica  hoje  adoptada  nas  cidades  mais  adiantadas  é  a  de  escro- 
ver-se  a  numeração  alternadamente,  ficando  â  direita  os  números 
pares,  e  a  esquerda  os  impares.  E  quando  posteriormente  se  edi- 
fica novo  prédio  entre  os  jà  numerados,  repetir-se  nelle  a  numeração 
acrescentando-se-lhe  somente  uma  letra  na  ordem    alphabetica. 

Algumas  das  ruas  da  cidade  de  Uberaba  prestam-se  mal  a  esta 
forma  de  numerar  os  prédios  pela  disseminação  delles  :  não  obstante 
tem  sido  a  mais  praticável  em  logares  de  iguaes  condições. 

Não  é  de  pratica  o  por-se  numeração  nos  Templos  e  Edifícios  Pú- 
blicos ;  ou  que  tenham  sido  construídos  para  íim  especial  de  carac- 
ter publico. 


Templos  —  Edifícios   Publfcos 


Ainda  que,  como  já  ficou  dito,  os  Templos  e  os  Edifícios  Públicos, 
bem  como  os  que  assim  são  caracterisados,  por  terem  sido  construí- 
dos com  destino  á  coneurrencia  publica,  como  sejam  os  Theatros, 
não  seja  de  pratica  numerarem-se,  —  esta  mesma  circumstancia  con- 
corro para  que  se  descreva  a  situação  delles  ;  visto  como,  por  mais 
de  uma  vez  tem  sido  referidos,  o  continuarão  a  scl-o,  em  actos  pu- 
l)licos,  judiciaes  e  administrativos,  e  nas  relações  particulares,  ca- 
racterisando  outros  prédios. 

E'  isto  tanto  mais  importante  quanto  è  certo  que  os  Poderes  do 
Estado  estudam  a  conveniência  de  fundar-se  no  Império  o  cadastro 
territorial,  para  oljrigar  os  actos,  que  lhe  são  inherentes,  ao  Registro 
Publico  ;  quando  a  medida  já  é  aconselhada  pelo  actual  Registro 
Geral  das  Hypothecas,  Transmissão  de  Immoveis  e  Ónus  Reaes. 

Não  foi  seguida  a  ordem  alphabetica  emquanto  a  estas  edifi- 
cações. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  329 


Templos 


Egreja    Matriz 

lístá  odilicada  no  centro  do  largo  da  Matriz,  sob  a  invocação  do 
Santo  António  e  S.Sebastião.  Fica  no  lado  esquerdo  do  córrego  Lago 
na  coUina    <l.i  M.itriz. 


Egreja  de  Santa  Usta 

Está  edilieada  na  encosta  esquerda  da  collina  Estados  Unidos,  sob 
a  invoca(;rio  de  Santa  Rita  do  Cássia.  Fica  ao  lado  direito  do  cór- 
rego Lage  na  collina  Estados-Unidos. 

Egreja  do  Itozarío 

Está   edilieada  na    encosta  direita  da  collina  dos  Estados-Unidos 
sob  a  invocação  de  Nossa  Senhora  do  Rozario.    Fica  ao  lado    direito 
do  córrego  Lage. 


Egreja  de  S.  MlguoA 

Está  edificada  na  collina  da  Egreja  JMatriz,  dentro  dos  muros  do 
Cemitério  Publico,  sob  a  invocação  de  S.  Miguel.  Fica  ao  lado  es- 
querdo  do  Córrego  Lage. 


Egreja  de  S.  F'raiicísco 

Está  edificada  no  Hospital  de  Santa  Casa  de  Misericórdia,  sob  a 
invocação  de  S.  Francisco  de  Assise  Nossa  Senhora  das  Dores.  Acha- 
se  em  reconstrucção.  Fica  ao  lado  direito  do  córrego  Lage  na  col- 
lina da  Misericórdia. 


330  REVISTA    DO 


Edifícios   Públicos 


Paço    ]%Iunieip£il 

Situado  no  largo  da  Matriz  (á  esquerda)  canto  da  rua  Municipal. 
Foi  construido  a  expensas  dos  habitantes  de  U  beraba  em  1837,  sob  a 
administração  do  Capitão  Domingos  da  Silva  e  Oliveira.  Serve  para 
us  sessões  da  Camará  Municipal,  do  Jury,  Juntas  Municipaes,  de  Qua- 
liíicação  e  outras  de  caracter  publico,  Reunem-se  no  seu  salão  os 
Collegios  Eleitoraes.  Todas  as  auctoridades  judiciarias  dão  nelle 
suas  audiências.  Annexos  íicam-lhe  os  compartimentos  que  servem 
de  prisão  aos  criminosos  e  detentos,  aos  quaes  se  tem  dado  o  nome 
de  —  Cadeia  — .  E'  da  collina  da  Matriz. 

ClsiçleisL 

Chama-se  Cadeia  nesta  cidade  a  um  accrescentamento  contíguo 
ao  Paço  Municipal,  e  que  por  conseguinte  é  dependência  deste  edi- 
licio.  Ao  compartimento  da  rez  de  chão  chama-se  enxovia,  tendo 
somente  grades  para  a  rua  Municip  ai  e  a  entrada  pelo  largo  da  Ma- 
triz. Por  cima  da  enxovia  íica  a  sala  livre,  servindo  também  de  es- 
tação ao  Carcereiro.  Debaixo  dp  salão  do  Paço  Municipal  ha  mais 
dous  pequenos  quartos  que  servem  de  prisão  —  xadrez  :  também 
ahi  é  o  logar  onde  estaciona  a  guarda  dos  presos,  que  se  denomina 
—  corpo  da  guarda;  tudo  com  a  entrada  pelo  largo  da  Matriz.  Po- 
de dizer-se,pois  que  a  cidade  de  Uberaba  não  tem  Cadeia  propriamente 
dita.    E'  da  collina  da  Matriz. 

]M[ercftclo    I*ul>lico 

Situado  na  encosta  da  collina  Estados-Unidos,  entre  as  ruas  do 
Commercio  (  á  direita  )  e  a  do  Mercado  (  á  esquerda  ).  Foi  cons- 
truído pela  Camará  Municipal  em   1880.    Ainda  não  esta  concluído. 

Meitadoiiro   lPul>lico 

Situado  á  margem  esquerda  do  córrego  Lage  e  lado  esquerdo  da 
rua  Matadouro,  entre  a  rua  das  Mercês  (  ao  lado  direito  )  e  Impera- 
dor (  ao  lado  esquerdo  ),  próximo  à  ponte  —  João  Matheus.  Foi  man- 
dado construir  pela  Camará  Municipal  em  1875. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  331 


Coinitorio     Publico 


Situado  atrnz  da  E{7reja  Matriz.  Foi  construído  pelos  habitantes 
de  Uberaba  em  1850,  sob  a  dirocgão  do  Missionário  Capuchinho  Frei 
Kujíonio  Maria  de  Génova.  Tem  dentro  dos  muros  a  i^groja  do  S. 
Miguel.  No  portão  da  entrada  deste  Cemitério  ô  o  ponto  central  da 
medição  e  demarcação  da  légua  quadrada  quo  doou  Tristão  de  Cas- 
tro Guimarães  cm  1812  para  o  património  da  Matriz,  medida  em  1843 
e  rectificada  em  1H70.     H'  da  coUina  da  Matriz. 


Santtt  Ca!â£à  de  ]lIisei*icoi*clÍ£à 


Situada  no  largo  da  Misericórdia.  Foi  íundada  pelo  Missionário 
Capuchinlio  Frei  Eugénio  Maria  de  Génova,  em  1858.  -E'  da  collina 
da  Misericórdia.    Está  ainda  em  construcção. 


Cemitério  <ie   S.   Francisco 


Situado  nas  dependências  da  Santa  Casa  de  Misericórdia,  ao 
lado  esquerdo  da  rua  Frei  Eugénio.  Foi  começado  em  1870,  desti- 
nado aos  irmãos  de  S.  Francisco.  Não  está  concluído.  E'  da  col- 
lina da  Misericórdia. 


Xlieatro  íS.   Liuiz 


Situado  no  largo   da(  Matriz    à  direita  ).    Foi  mandado  construir 
Por  uma  associação  particular  em  1863. 


Escola  I*ul>licffc 


A  segunda  escola  publica  de  instrucção  primaria  do  sexo  mascu_ 
lino,  regida  pelo  prolessor  normalista  vitalício,  Manoel  (iarcia  da 
Rosa  Terra,  luncciona  desde  1876  em  edifício  apropriado,  construído  a 
expensas  do  referido  professor  em  1875.  E'  situada  na  rua  Vigário 
Silva,  á  esquerda,  entre  as  ruas  da    Ladeira  e  S.    Miguel. 


332 


REVISTA   DO 


Kota 


As  outras  escolas  funccionam  em  casas  que  não  foram,  como 
esta,  construídas  para  esse  íim. 

O  mesmo  cabe  diser-se  dos  prédios  onde  os  íunccionarios  públi- 
cos exercem  seus  cargos. 


Emprszas 


Posto  que  a  descripção  das  emprezas  fosse  mais  cabivel  n'um  al- 
manak  noticioso,  por  participarem  mais  de  elemento  industrial,  to- 
davia, sendo  as  que  se  fundaram  e  existem  actualmente  dentro  da 
cidade  de  naturesa  mais  ou  menos  mixta,  não  é  fora  de  propósito 
consignal-as  neste  escripto,  em  razão  da  sua  importância  histórica 
no  futuro. 

Actualmente  possue  a  cidade  de  Uberaba  quatro  estabelecimentos 
que  se  podem  considerar  nas  condições  supra.    São  elles  : 


Typographia  da    «  Gazeta  de  Uberaba  » 


Estabelecida  no  largo  da  Matriz,  canto  da  rua  S .  Sebastião.  Em- 
presa particular  fundada  em  1879  pelos  propritarios  Ludovice  & 
Companhia,  sob  a  administração  de  José  Augusto  de  Paiva  Tei- 
xeira e  redacção  de  diversos.  Esta  typographia,  a  primeira  estabe- 
lecida nesta  cidade,  em  1874,  pertenceu  primitivamente  ao  doutor 
Henrique  Raymundo  des  Genettes,  que  nella  publicou  o  Paranahyha, 
depois  o  Echo  do  Sertão.  Em  1875  foram  seus  proprietários  H.  R. 
de  Genettes  &  Paiva  Teixeira.  Em  1876  passou  a  ser  propriedade 
de  P.  Teixeira,  Ribeiro  &.  Magalhães,  sob  a  redacção  de  António 
Borges  Sampaio,  gerência  de  António  Augusto  Pereira  de  Maga- 
lhães, edicção  de  José  Augusto  de  Paiva  Teixeira.  Actualmente  são 
proprietários  desta  empresa  João  Caetano  &.  Rosa,  sob  a  redacção 
do  bacharel  João  Caetano  de  Oliveira  e  Sousa. 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  33:5 


Typographia    do   *:  Correio  CJlícraÍjeiíse  » 

Estabelecida  na  rua  S.  Sebastirio,  á  esquerda,  oní  fronte  á  rua  Gut- 
lemberjí.  Einpreza  particular  de  propriedade  de  Oliveira  Teniia  & 
Teixeira,  sob  a  redacção  do  J  A.  tt.  Silva  Júnior  e  Gaspar  da  Silva, 
fundada  em  ItiSl).  Inipriniiu-se  também  nesta  typographia  O  Recreio, 
de  propriedade  do  F.  Bastos,  periódico  que  ultimamente  passou  a 
cbamar-so  O  Raio,  sob  a  mesma  direcção. 

Fabrica    de   Cliapeos 

Da  qual  é  proprietário  Quirino  Rodrigues  de  Miranda,  e  por 
elle  estabelecida  em  1880,  em  prédio  adquirido,  sobre  o  córrego  Lage, 
na  rua  do  Commercio,  á  direita,  entre  o  largo  da  Matriz  e  o  ponto 
onde  come(,'am  as  ruas  da  Imperatriz  (  <á  direita  ),  e  do  Imperador 
(  á  esquerda  ).  E'  o  primeiro  estabelecimento  desta  natureza  lun- 
dado  nesta  cidade  com  bazo  o  methodo  ;  por  quanto,  embora  em 
1850  Luiz  Soares  Pinheiro  fundasse  uma  fabrica  de  cliapeos  em 
Uberaba,  numdando  vir  da  Europa  officiaes  e  carneiros  vivos,  esta 
industria  não  prosperou,  por  limitar-sc,  talvez,  à  obra  de  lan,  sem 
as  niachinas  da    actual. 

Collejíio    Piedade 

Fundado  em  1878  pelo  alferes  Joaquim  António  Gomes  da  [Silva 
Júnior,  do  qual  è  proprietário  e  director.  Funcciona  actualmente 
em  prédio  construido  adequadamente  para  o  extincto  Lijceii  Ubera- 
bense,  na  rua  do  Imperador  (  á  esquerda  ),  entre  as  ruas  Guttem- 
berg  e  Matadouro,  e  frente  da  rua  Leste. 


Conclusão 

Ahi  fica  traçado  um  projecto  sem  erudicção,  que  ao  [menos  poderá 
servir  a  lactores  mais  robustos  que  se  proponham,  no  luturo,  a 
melhorar  o  importante  serviço  da  nomenclatura  das  ruas  da  cidade 
de   Uberala. 

Outubro  de  1880. 

António  Borges  Sar.ipalo^ 


] 


•>^ 


V,  .: 


Noticia  sobre  a  approvação  que  a  CAMARÁ  MUNICIPAL  DE  UBERABA  deu 
ao  projecto  de  1880,  oryaoisaodo  a  NOMENCLATURA  das  ruas  da  cidade 


o  autor  do  projecto  da  —  DENOMINAÇÃO  DAS  RUAS  DA  CIDADE  DE 
UBERABA  —  apresentou-o  á  Commissão  especial,  que  a  camará  mu- 
nicipal tinlia  nomeado  para  organizal-o,  com  o  seguinte  oiflcio  : 

«  Illms,  Srs.  —  Desempenho-me  hoje  do  compromisso  que  meim- 
puz  em  olTicio  de  27  de  fevereiro  do  corrente  anno  e  meus  coUegas 
acceitárfio,  no  que  se  dignarão  dirigir-me  no  dia  seguinte,  apresen- 
tando o  projecto  sobre  a  nomenclatura  das  ruas  desta  cidade,  con- 
forme o  plano  que  eu  tinha  concebido. 

«Não  ha  nelle  erudição,  mas  sim  simples  e  original  singeleza. 
«  Si  o  considerarem  digno  de  apresentação  á  lllustrada  Camará,  e 
esta,  por  sua  vez,  me  honrar  com  a  adopção  delle,  dar-me-hei  por 
compensado  das  minhas  fadigas  em  organizal-o  ;  fadigas  que  não  só 
proviérão  de  ser  o  primeiro  trabalho  desta  natureza,  com  relação  à 
nossa  povoação,  como  da  curteza  de  minhas  habilitações  intelle- 
ctuaes. 

«  Em  compensação  dos  limitados  conhecimentos  para  dizer  com 
elegância,  procurei,  o  mais  possível,  registrar  com  exactidão  ;  re- 
cordando aos  vindouros  que  quizerem  dedicar-se  a  rever  este  tenta- 
men  a  tradição  dos  factos  relativos  á  historia  deste  ponto  do  Im- 
pério. 

«Si  não  pude  organizar  este  projecto  como  talvez  melhor  con- 
viesse, sobrou- me  para  isso  muita    vontade. 

«Deus  guarde  a  vv.  ss.  Uberaba,  II  de  outubro  de  1880.  —  Illms. 
srs.  capitão  José  Bento  do  Valle,  Quirino  Rodrigues  de  Miranda  e 
capitão  Joaquim  Rodrigues  de  Barcellos,  d.  d.  membros  da  commis- 
são especial  encarregada  de  assentar-se  sobre  a  denominação  das 
ruas  da  cidade  de  Uberaba.  —  António  Borges  Sampaio. 


1 


330  REVISTA   DO 

A  Commissão,  depois  do  ter  estudado  o  projecto,  apresontou-o,  por 
sua  voz,  á  camará  em  sessão,  com  parecer  seu,  sem  alterar-Uio 
cousa    alguma. 

O  quo  se  lè  na  acta  da  sessão  da  camará,  de  19  de  outubro,  prova 
que  o  ti'aballio  do  autor  foi  recebido  e  approvado  com  agrado,  por 
deliberação  unanime  dos  vereadores  presentes  —  Major  Joaquim  José 
de  Oliveira  Penna,  João  Borges  de  Araújo,  Tenente  Ananias  Ferreira 
de  Andrade,  Capitão  Joaquim  Rodrigues  de  Barcellos,  Capitão  José 
Bento  do  Valle  e  Professor  António   Carlos  de  Ai\iiijo. 

Diz  a  acta  desse  dia,  na  parte  em  que  se  refere  ao  assumpto  : 
«  A  commissão  especial  encarregada  por  esta  camará  de  assen- 
tar-se  sobre  a  denominação  das  ruas  da  cidade  e  numeração  das  casas, 
tendo  examinado  o  projecto  organizado  para  esse  lim  pelo  sr.  te- 
nente coronel  António  Borges  Sampaio,  é  de  parecer  que  seja  appro- 
v^ado,  Uberaba,  15  de  outubro  de  1880.  —  Barcellos.  —  Miranda.  — 
Yalle  ». 

«  Posto  em  discussão,  o  sr.  tenente  coronel  António  Borges  Sam- 
paio, que  se  acbava  presente,  pediu  licença  para  elle  mesmo  proce- 
der á  leitura  desse  trabalho,  porque  desse  modo  iria  dando  as  expli- 
cações necessárias. 

«  Concluída  a  leitura,  o  sr.  Sampaio  pediu  desculpa  por  ter  oc- 
cupado  por  longo  tempo  a  attenção  da  camará. 

«  Posto  em  discussão  o  parecer,  foi  unanimemente  approvado,  man- 
dando convidar  o  proponente  para  proceder  ao  trabalho  da  denomi- 
nação e  numeração  das  ruas. 

«  O  sr.  Barcellos,  pedindo  a  palavra,  apresentou  o  requerimento 
concebido  nos  seguintes  termos  : 

«  O  tenente  coronel  António  Borges  Sampaio  acaba  de  prestar  á 
Camará  Municipal  um  relevantíssimo  serviço,  no  importante  traba- 
lho da  nomenclatura  das  ruas  desta  cidade. 

«  Este  prestigioso  cidadão,  tomando  a  si  a  árdua  tarefa  de  con- 
feccionar um  registro  histórico  desta  povoação,  desde  os  seus  primi- 
tivos tempos  até  hoje,  desempenhou-a  de  modo  muito  satisfactorio. 

«  A  denominação  das  ruas,  do  modo  porque  foi  organizada,  é  um 
trabalho  muito  importante,  muito  consciencioso  e  útil. 

«  Requeremos,  pois,  que  na  respectiva  acta  seja  lançado  um  voto 
de  louvor  o  gratidão  a  esse  digno  cidadão,  que  por  mais  de  uma  ve^ 
tem  prestado  relevantes  serviços  á  Camará  Municipal  desta  Cidade. 
—  Uberaba,  19  de  outubro  de  1880.  —  Barcellos.  —  Valle.  —Penna.  — 
Andrade.  —  Araújo.  —  A.   Carlos. 

«  Posto  em  discussão,  foi  unanimemente  approvado  ». 


ARCHIVO  PUBLICO  MINElKO  337 


Em  virtude  desta  decisão,  expediu  a  Camará  o  seguinte    odicio  : 

«  N.  G9  A.  —  Illm.  Sr.  —  A  Gamara  Municipal  desta  cidade,  em  ses- 
são do  liqjo,  resolveu,  unanimemente,  lanyar  em  sua  acta  um  voto 
de  gratidão  e  louvor,  pelo  rolevantissimo  serviço  que  V.  S.  acaba  do 
prestar-lhe,  airxiliando  a  Commissão  encarregada  da  nomenclatura 
das  ruas,  praças  e  largos    desta    povoação. 

«  O  registro  histórico  de  Uberaba,  desde  os  seus  primitivos  tem- 
pos até  hoie,  Ibi  por  V.  S.  confeccionado  com  muita  proliciencia. 

«  A  denominação  das  ruas,  do  modo  por  que  se  acha  organizada, 
ó  um  trabalho  muito  importante,  mui  consciencioso  e  util. 

«A  Camará,  pois,  reconhecendo  que  V.  S.  por  mais  de  uma  vez 
tem-lhe  auxiliado  em  seus  mais  espinhosos  tra])allios,  não  podia  dei- 
xar de,  nesta  occasião,  apresentar  a  V.  S.  o  testemunho  de  sua  gra- 
tidão, 

«  Deus  guarde  a  V.  S.  —Paço  da  Camará  Municipal  de  Uberaba,  20 
de  outubro  de  1880.  —  Illm.  Sr.  Tenente-Coronel  António  Borges  Sam- 
paio. —  Joaquim  José  de  Oliveira  Penna.  —  João  Borges  de  Araújo. 

—  Ananias  Ferreira  de  Andrade.  —  Joaquim  Rodrigues  de  Barcellos. 

—  José  Bento  do  Yalle.  —  António  Carlos  de  Araújo  ». 


Da  Commissão  especial,  também  o  autor  do  projecto  recebeu  o 
seguinte  oHicio  : 

«  Illm.  Sr.  —  A  Commissão  encarregada  da  denominação  e  nume- 
ração das  ruas,  praças  e  largos  desta  cidade,  apresentou  o  impor- 
tante traballio,  que  V.  S.  confeccionou,  â  Camará  Municipal,  que  o 
adoptou  unanimemente,  fazendo  lançar  em  sua  acta  um  voto  de  lou- 
vor e  gratidão  a  V.  S. 

«  A  Commissão  não  pôde,  também,  e  nem  deve  deixar  de  vir 
apresentar  a  V.  S.  os  seus  protestos  de  reconhecimento. 

«  Queira,  pois,  V.  S.  acceitar  as  seguranças  de  nosso  cordial  agra- 
decimento, e  sincera   estima. 

«  Deus  guarde  a  V,  S.  — Uberaba,  22  do  outuliro  de  1880.  —  Illm. 
Sr.  Tenente-Coronel  António  Borges  Sampaio.  —  A  Commissão  —  José 
Bento  do  Valle.  —  Joaquim  Rodrigues  de  Barcellos.  —  Quirino  Rodri- 
gues de  Miranda  ». 


  Redacção  do  i<  Correio  Uberabense»,  dando  noticia  deste  projecto 
fem  o  n.  22  de  24  de  outubro  do  1880,  publicou  as  seguintes  linhas  : 
^  TRABALHO  NOTÁVEL.  —  Na  sessão  da  camará  do  dia  10    foi  lido 


338  REVISTA   DO 

um  importante  e  minucioso  trabalho  do  nosso  respeitável  amigo,  te- 
nente-coronel  António  Borges  Sampaio,  sobre  a  fundação  e  desen- 
volvimento deste  logar  e  sobre  as  denominações  que  devem  dar-se  às 
ruas. 

«  A  camará  acceitou  as  indicações  de  s.  s.  e  lavrou  na  acta  um 
voto  de  louvor  e  agradecimento  a  tão  intelligente  quão  dedicado  au- 
xiliar. 

«  O  trabalho  do  tenente-coronel  Sampaio  revela  muita  paciência, 
muitos  conhecimentos  da  historia  e  topographia  do  Uberaba,  e  muita 
observação  ». 


Na  sessão  de  22  do  mesmo  mez  e  anno,  a  Camará,  entre  outros 
assumptos  sobre  que  deliberou,  registrou  o  seguinte,  que  se  lè  na 
acta  desse  dia  : 

«  Em  seguida,  estando  presente  Belmiro  António  Villarouco,  pro- 
ponente acceito  pela  Gamara  para  fazer  a  denominação  das  ruas  e 
numeração  das  casas  da  cidade,  lavrou-se  o  contracto,  com  as  bases 
estabelecidas  no  edital  publicado  ». 


Em  junho  de  1881,  todas  as  ruas  da  cidade  de  Uberaba  já  tin- 
hão  sua  denominação  própria,  por  meio  de  taboletas,  fixadas  nos 
cantos,  de  conformidade  com  o  projecto  approvado,  sendo  a  inscrip- 
ção  em  lettras  brancas  sobre  fundo  preto. 

Como  as  edificações-  erão  de  madeira,  dando  espaços  acanhados  e 
irregulares,  somente  as  taboletas  se  prestavão  á  nomenclatura. 

Em  quanto  á  numeração  dos  prédios,  foi  feita,-  collocando-se-a 
nos  edificios  em  chapas  metallicas  pintadas  de  preto  com  lettras 
brancas,  na  entrada  principal  delles. 

Também  nesta  parte  forão  observadas  as  indicações  do  Capitulo 
12.*  do  projecto. 

A  Camará  prestou  assim  um  grande  serviço  á  povoação,  facili- 
tando  os  característicos  da  propriedade  em  diversas  transacções. 

Uberaba,  20  de  junho  de   1896. 

António  Borges  Sampaio. 


UBERABA 


Historia  Topographica  da  Fregue:4ia  do  Uberaba  vulgo 

Farinha  Podre  (*) 


Entre  o  Rio  Grande,  e  o  Rio  das  Velhas  na  Provincia  de  Minas 
Geraes,  Comarca  do  Paracatú  do  Principe,  Julgado  do  Dezeuiboque, 
Prelasia  de  Goyaz,  está  a  Povoação  de  S.'"  António  e  Sam  Sebastião 
do  Uberaba.  Os  lugares  que  ella  compreliende,  erão  incultos,  e  de- 
sertos ate  1807,  e  apenas  conhecida  a  estrada,  que  a  atravessa  de 
S.  Paulo  para  Goyaz,  onde  residião  alguns  índios,  que  tinhão  sabido 
da  Aldeia  de  Santa  Anna,  os  quaes  nunca  tiverão  anino  de  alongar-se 
para  algum  dos  lados  da  mesma  estrada,  nem  ao  menos  meia  legoa, 
como  depois  se  conheceo  pelas  culturas  sempre  visinhas  as  suas  ha- 
bitações :  então  Januário  Luis  da  Silva,  Pedro  Gonsalves  da  Silva, 
José  Gonsalves  Eleno,  Manoel  Francisco,  Manoel  Bernardes  Ferreira, 
e  outros  moradores  na  Freguezia  do  Dezemboque  entrarão  até  a  dis- 
tancia de  algumas  legoas  de  Sertão,  e  descobrindo  lindas  campinas,  e 
óptimos  matos  appossiarão  algumas  Fazendas,  evoltarão  tanto  por 
falta  de  mantimentos,  como  pello  terror,  que  lhes  inspirava  o  Gentio 
Caiapó,  cujo  vestigio  incontrarão  em  diversas  partes.  Commonicarão 
o  resultado  da  sua  entrada  ao  S.  M.'  António  Eustáquio  da  Silva,  e 
a  outros,  e  aquelle  por  génio  emprehendedor  de  novas  descobertas 
projectou  logo  explorar  todo  o  Sertão,  que  podesse,  e  convidou  mui- 
tas pessoas  das  Geraes  para  companheiros  :  entretanto  passou  para  o 


(*)  No  manuscripto  original,  offsrecido  ao  ArchiTO  Publico  Mineiro  pelo  seu 
dicno  oorrespoiídeute  Sr. Coronel  António  Borges  Sampaio,  ha  uma  nota  na  qual 
se  diz:  «Esta  liisloria  é  obrado  fallecido  cónego  António  José  da  Silva.  Deve  ter 
sido  escripta  entre  os  annos  de  1824  a  1826.»— (N.  da  redacção  da  RevistaJ. 


>40  REVISTA   DO 

Norte  da  Província  de  Goyaz  o  Coronel  José  Manoel  da  Silva  c  Olivei- 
ra, e  sabendo  a  pertenção,  que  tinlia  o  d."  Sargento  Mor  seu  Irmão,  a 
declarou  ao  Ex."'"  Marquez  de  S,  Joáo  da  Palma,  que  então  governa- 
nava  aquella  Província,  a  que  pertencia  o  Julgado  do  Dezemboque,  e 
este  conhecendo  quanto  podia  interessar  esta  nova  descoberta,  inter- 
vindo adirecção  do  relci'ido  S.  M.f  ,  de  quem  tinha  muito  boas  no- 
ticias, o  nomeou  Commandanto  Regente  dos  Sertões  da  FarínhaPodre 
por  Portaria  de  27  de  Outubro  de  1809.  Nos  primeiros  dias  do  mez  de 
Julho  de  1810  o  Sargento  M.""  munido  das  necessárias  provisões  de 
mantimentos,  associando-se  os  que  primeiro  liavião  entrado,  e  alguns 
outros  Geralistas,  formando  todos  huma  bandeira  de  30  homens  in- 
gredirão  pelo  Sertão  dentro  até  o  Rio  da  Prata  na  distancia  de  30  le- 
goas,  a  contar-se  o  caminho  em  direitura,  encontrando  a  cada  passo 
o  embaraço,  ja  de  Rios,  ja  de  pântanos,  que  dificultosamente  transi- 
tavão,  sempre  temerosos  do  Gentio,  cuja  existência  se  conhecia,  ou 
pelas  queimadas,  que  lasia,  do  campos, ou  pelos  seus  ranxos  encontra- 
dos aqui,  e  ali.  He  de  notar-so  operigo,  aque  se  achavão  expostos  es- 
tes emprehendedores,  quanto  aos  animaes  silvestres  eferozes,  pelo 
que  aconteceo  a  António  Rodrigues  da  Costa,  o  qual  acomettido  cara 
a  cara  por  huma  onça  pintada,  que  avançou  furiosamente  ao  cavallo, 
em  que  hia  montado,  e  o  segurou  com  unhas  e  dentes,  pôde  com  des- 
treza (depois  de  faltar-lhe  o  recurso  da  espingarda,  cujo  gatilho  nunca 
mais  encontrou )  delender-se  com  a  espada,  que  trazia  ao  lado,  dan- 
do algumas  estocadas,  com  a  dor  das  quaes  largou  a  onça  o  cavallo, 
efngio  até  morrer  a  chumbo,  depois  de  perseguida  pelos  caens  em 
hum  capão,  que  se  achava  vizinho,  e  que  pelo  acontecimento  ficou 
denominado  o  capão  da  onça.  O  referido  Sargento  M.'  ,  e  toda  a  sua 
comitiva,  depois  de  lançadas  algumas  posses,  ou  sinaes  pelo  Sertão 
na  decurrencia  de  dous  mezes,  e  feitas  algumas  pequenas  rossas, 
voltou  a  cuidar  de  meios  para  transportar-se,  assim  como  alguns  de 
seus  companheiros  ;  pois  havião  todos  conhecido  a  transcendência, 
tanto  dos  campos,  como  dos  matos.  Em  1812,  quando  ja  a  Povoação 
constava  de  huns  poucos  de  moradores,  alem  dos  Índios  da  estrada,, 
fez  segunda  entrada,  trasendo  comsigo  muitas  pessoas,  que  denovo 
convidara,  e  alguas  das  quaes  o  havião  acompanhado  a  primeira  \oz 
entre  as  quaes  se  contava  o  Reverendo  Hermogenes  Casimiro  d'Arau- 
jo,  que  dormia  junto  a  elle  em  certa  noite,  quando  huma  grande  co- 
bra Jararaca-assú  passou  por  cima  de  ambos  e  sendo  percebida,  a 
expellirão  com  a  coíxa,  e  depois  a  matarão,  antes  do  que  mordeo  a 
hum  cão,  que  immcdiatamento  morreu,  o  que  decerto  aconteceria 
aos  dois,  se  afortuna  os  não  bafejasse. 

Depois  desta  segunda  entrada,  as  noticias,  que  derão  os  que  ha- 
vião acompanhado  ao  S.  ^^I.''  ,  os  convites,  e  as  persuações  deste  atra- 
hirão  em  ln*ev0  muitas  pessoas,  que  vinhão  das  Geraes  a  procurar 
novos  estabelecimentos,  não  obstante  o  medo  do  Gentio,  qite  se  an- 
tolhara. 


ARCHIVO    PUBLICO  MINEIRO  357 

tentes  Provimentos  com  u  doclaração  de  serem  obriyiidos  a  satisía- 
zeroni  a. Minha  lical  Fazenda  a  terya  parte  do  seu  UendinientOjO  o  novo 
Direito  a  respoilo  do  prero  cm  que  houvoívm  de  sor  I.otiidos,  (|ue  de- 
vem alliançar  na  Intendência  respectiva  dando-nie  conta  d(!  tudo  pela 
Junta  da  .Minlia  Real  Fazenda  desta  Capitania  para  ulteriormente  rc- 
/.olver  o  mais  (jue  me  parecer  justo.  A  Rainha  NossaSenhora  o  man- 
dou por  Bernardo  Juzo  de  Lorena  do  seu  Conselho  Governador,  e  Ca- 
]>itã()  (íeneral  da  Capitania  do  Minas  (Jeraes,  e  Presidente  da  .lunta  da 
Administrai,'âo  da  Real  Fazenda  da  mesma.  João  de  Souza  líenavides 
afez  em  Villa  Rica  do  Oiro  preto  aos  sinco  dias  do  mez  do  Dezembro 
de  mil  sete  centos  noventa  e  nove  annos  o  eu  António  de  Hritto  Amo- 
rim Dezcmbartrador  Intendente  no  impedimento  do  Escrivão  Deputa- 
do a  subscrevi. — Ijernardo  Jozó  de  Lorena. 


AUTO  DE   VEREAÇÃO  em  que  so   tracta  do  estabeleci  mento  das 
Rendas  para  a  Camará  desta  ^■ilIa. 

Anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesu  Christo  de  mil,  e  oito 
centos  aos  vinte  sete  dias  do  mcz  do  Setembro  do  dito  anno  nesta 
Villa  do  Paracutu  do  Príncipe,  Comarca  do  Rio  das  Velhas  nas  Caza- 
da  Camará  onde  eu  escrivão  fui,  e  sendo  ahi  tão  bem  prezentes  o  Dous 
tor  José  Gregório  de  IMoraes  Navarro  Creador  desta  Villa,  o  do  Lujrar 
de  Juiz  de  Fora,  e  actualmente  Ouvidor  Geral,  e  Corregedor  desta  Co- 
marca, Os  Olliciaes  da  Camará  Nobreza,  o  Povo  abaixo  assignados,  o 
convocados  para  se  tractar  do  estabelecimento  das  Rendas  da  mesma 
Camará,  depois  de  darem  cadahum  livremente  os  seus  votos,  accorda- 
rão  uniformemente,  q.'  visto  não  ter  a  Camará  outras  Rendas  mais 
do  que  as  provenientes  das  afilacoens,  e  das  Cabeças  de  gado  que  se 
cortão  nos  assouguos,  as  quaes  não  são  bastantes,  para  as  despezas 
publicas  necessárias,  se  estabelecesse  o  pequeno  foro  de  oitenta  reis 
por  braça  em  todas  as  Ciizas,  Quintaes,  e  Propriedades  desta  Villa 
existentes,  medidas  pela  frente  da  Ru:i  principal,  onde  estiverem  as 
ditas  Propriedades,  e  este  mesmo  foro  se  imporá  em  todas  as  Gazas, 
que  da  qui  por  diante  se  erigirem  ne{;ta  ^■iiIacxceptuando-so  somen- 
te as  cazas  e  quintaes  existentes  nos  arrcljaldes  desta  Villa  perten- 
centes a  pessoas  pobres  e  mizeraveis  :  Que  so  medisse,  c  demarcasse 
liuma  Legoa  de  terra  em  quadra  fazo:ndo  pião,  ou  baliza  do  onde  de- 
vora principiar  a  medição  nas  cazas  da  Camará,  e  todo  este  terreno 
assim  medido,  e  demarcado  íicará  ser  do  forciro  a  mesma  Camará,  e 
ninguém  poderá  nelle  erigir  Cazas,  Quintaes,  Ortas,  nem  fazer  outra 
qual  quer  Propriedade,  sem  medição,  demarcação,  e  afloramento  feito 
pela  mesma  Camará,  a  qual  lhe  arbitrará  o  foro  q.o  lhe  parecer  mais 
justo,  e  conveniente  conforme  o  Sitio  das  Propriedades,  e  o  tamanho 
delias,  e  as  Cazas,  Fazendas,  Quintaes,  ou  Ortas,  que   se    acharem  ja 

A.  r.-u 


358  REVISTA    DO 


dentro  desta  demarcação  pagarão  hum  foro  módico,   que    se  lhe  arbi- 
trar a  proporção  da  grandeza  do  Editicio,  Quintal,  ou  Chácara. 

Que  de  cada  surrão  de  sal  da  terra  que  entrar  para  esta  Villa,  c 
seu  Termo,  se  pague  a  Camará  vinte  reis,  e  de  cada  couro  de  boi  que 
sahir  desta  Villa,  e  Termo  para  foni  pague  o  comprador  vinte  reis,  e 
que  a  mesma  Camará  poderá  fazer  administrar  todas  estas  rendas  da 
maneira  que  lhe  parecer  mais  justo,  e  conveniente,  ou  pondo  as  em 
arrematação  todas  juntas,  ou  cada  huma  delias  separadamente  com 
as  fianças,  e  cautellas  necessárias,  ou  commettondo  a  sua  administra 
ção,  e  cobrança  a  pessoas  lieis,  e  capazes  de  toda  a  satisfação  arbitran- 
do lhes  ordenados  competentes  a  proporção  do  trabalho,  e  de  tudo 
para  constar  mandarão  fazer  este  auto  que  assignarão  o  sobredito 
Ministro,  os  Officiaes  da  Camará,  Nobreza,  e  Povo,  e  eu  Joze  Guedes 
da  Silva  Porto  Escrivão  da  Camará  q.«  o  escrevi.  .Joze  Gregório  de 
Moraes  Navarro  —  O  Capitão  Joze  da  S.*  Paranhos,  Vereador  mais  Ve- 
lho que  sirvo  de  Juiz  de  Fora  —  O  Ver/^-  Francisco  Dias  Duarte  —  O 
S.  Mj  Manoel  Joze  de  01. »  Guim.«^  —O  Procurador  da  Camará  —Luiz 
Joze  de  Carvalho  —  Florêncio  Guedes  Pinto  de  Sz.^  Carv.o  ,  Cappitão 
Commandante  —  Sarg.t'^  M.--  Alberto  Duarte  Ferr.^  —  O  Cap.'"  Joze  Pin- 
to de  Queiroz — Estevão  Joze  Gomes  Camacho,  Almotacé —  O  Juiz  Al- 
motacé  —  Alexandre  Joze  Pereira  Castro  —  O  Cap.'"  Joze  Pereira 
Barros  —  O  Cap.'"  António  da  Costa  Carlos  —  O  Ten.«  Francisco 
Joze  de  S.  Paio  e  S.^  —  O  Ten."  Sebastião  Joze  de  Carvalho  —  O 
Alf.s  António  da  Costa  ^  Pinto  —  O  Alf.^  Manoel  Nunes  Proença  — 
Manoel  da  Fonceca  Silva'—  O  G.*!*  M."*  Fran.^^»  M.ei  Soares  Vianna  — 
António  de  Britto  Freire  —  Joze  Corrêa  — Manoel  Rodrigues  Alves  — 
Manoel  da  Costa  Cardozo — Caetano  Miguel  de  Moura  —  Vicente  de 
Almeida  Leite — António  Duarte  de  Paiva — Domingos  Soares  da 
Costa—  António  Netto  Carneiro  —  Luiz  Pereira  da  Cunha  —  Manoel 
Giz,  Bragança — António  Pimentel  Barboza  —  Custodio  Joze  "  de  Oli- 
veira —  O  Cap.™  Manoel  Pires  Bragança  —  Joaquim  Joze  Coutinho  — 
O  Vigr.o  Ger.i  Foraneo  e  Provizor  —  Jozé  de  Pinna  Vasconcellos  —  O 
T.e  Thomé  Alz'.  de  Araújo  —  O  P.«  Jozé  de  Britto  Freire  —  António 
Joze  Pereira  Cidade  —  O  ?.«  Manoel  Roiz.e  Cordeiro  —  O  P.e  Manoel 
J.e  Ferreira  Sotto  —  O  Cap.™  Juiz  Ordinar.'^  de  S.  Romão— Manoe^ 
Rodrigues  Lima  —  Miguel  Fernandes  Vianna  —  Manoel  Pereira  da 
Silva  —  O  Tabellião  do  Julg.'^"  de  S.  Romão  —  Bento  Joaquim  de 
Albuquerq.« —O' P.e  Manoel  da  Silva  Pereira. 


AUTO  DE  VEREAÇÃO  em  que  se  determinou  as  propinas  que   de- 
vião  vencer  os  Officiaes  da  Camará. 

Anuo  do  Nascimento  de  Nosso    Senhor  Jesu  Christo  de  mil,  e  oito 
centos  annos  a  os  quatro  dias  do  mez  de  Oitubro  do  dito  anno  nesta 


ARCHIVO   PUBLICO  MINEIRO  359 

Villa  do  Paracatu  do  Príncipe  Comarca  do  Rio  das  Velhas  nas  cazas 
da  Camará  da  mesma  onde  eu  Escrivão  lui,  e  bem  assim  o  Doutor 
.loze  (;re^'orio  ile  Moraes  Navarro  Creadur  da  mesma  Villa,  e  do  Lu- 
gar Juiz  de  Fora,  e  Oííiciaes  da  Camará,  Nobreza,  e  Povo  abaixo  as- 
signados  para  effeito  de  estabelecerem  as  propinas  que  deverão  ven- 
cer o  Juiz  de  Fora  ^■eroadores,  Procur.idor,  e  Kscrivão  da  Camará 
dost;i  Villa,  e  tendo  bem  visto  a  Certidão  das  propinas  que  vencem  o 
Juiz  de  Fora,  e  Ollloiaes  da  Camará  da  Cidade  de  iMiiri;inna,  deter- 
minarão que  o  Ministro,  o  Olliciaes  da  Camará  desta  Villa  cada  lium 
vencesse  pelos  bens  do  Concelho  oitenta  mil  reis  de  propinas  por 
assistirem  as  lestas,  c  Procissoens  que  abaixo  se  declarão  a  lem  da- 
quollas  que  se  celebrarem  extraordinariamente  pelos  Cazamentos,  o 
Nascimentos  de  Príncipes,  e  pelas  exéquias  do^i  Nossos  Augustos  So- 
beranos, e  Pessoas  Reaes  por  que  da  assistência  de  cada  húa  destas 
vencerão  a  mesma  propina  que  tiverem  por  assistir  a  cada  huma  das 
outras  festas,  ou  Procissoens  Ordinárias,  e  alem  disto  cada  hum  do-'' 
sol>roditos  teria  mais  de  propinii  meia  arroba  Cera  animal,  e  de 
tudo  para  constar  mandou  o  dito  Ministro  lazer  este  auto  que  assi- 
gnou,  e  eu  Jozé  Guedes  da  Silva  Porto  escrivão  da  Gamara  que  o 
escrevi. 


FKSTAS,  K  PROCISSOENS  a  que  deverão  assistir  o  Juiz  de  Fora,  e 
Olliciaes  da  Camará  para  vencerem  as  Propinas  que  lhes  são  esta- 
belecidas, de  oitenta  mil  reis,  e  meia  arroba  de  cera    para  cada  hum. 

Festa  do  dia  de  Corpo  de  Deos.  A  de  Santa  Izabel,  ou  da  sua  Vi- 
zitação  a  Nossa  Snra. '  A  do  Anjo  Custodio  do  Reyno.  A  de  Santo 
António  que  he  Orago  da  Matriz  desta  Villa.  A  de  S.  Sebastião.  A  das 
Ladainhas  dos  Santos.  A  Publicação  da  Bulia  da  Santa  Cruzada.  A 
do  dia  de  São  Silvestre  em  que  deverá  haver  Te  Deum  Laudamus. 

Da  assistência  de  cada  liuma  destas  Festas  ou  Procissoens  vencer^ 
o  dito  Ministro,  e  Oííiciaes  da  Camará  cada  hum  dez  mil  reis  que  vem 
a  fazer  a  quantia  de  oitenta  mil  reis  de  Propinas  ametade  das  que 
vencem  o  Juiz  de  Fora  e  OlFiciaes  da  Camará  da  Cidade  de  Marianna, 
e  o  Alcaide,  e  seu  Escrivão  que  são  Ofíiciaes  próprios  da  Camará 
vencerão  cada  hum  delles  meias  Propinas,  e  assim  accordarão  todos 
uniformemente  e  assignarão,  e  eu  Joze  Guedes  da  Silva  Porto  Escri- 
vão da  Camará  que  o  escrevi. 

Joze  Gregório  de  Moraes  Navarro  —  Joze  da  Silva  Paranhos  — 
Francisco  Dias  Duarte  —  Manoel  J.»  de  Olivr.*  Guimarães  —  Luiz  Joze 
de  Carvalho  —  Joze  de  Pinna  Vasconcellos — Manoel  Rodrigues  Lima — 
Manoel  Pires  Bragança  —  O  P."  Joze  de  Britto  Freire  —  Manoel  Cae- 
tano de  Moraes  — O  Vigário  Manoel  Rodrigues  Cardozo  —  Estevão  Joze 
Gomes  Camacho — António  do  Britto  Freire  —  Joze  de  Barros  Albu- 
querque— Manoel  Nunes  Proença  — Alberto  Duaito  Ferreira  —  Caeta- 


360  REVISTA  DO 

no  Miguel  de  Moura  —  António  Duarte  de  Paiva  —  Joze  Pinto  de 
Queiroz  —  Bento  Joaquim  de  Albuquerque  —  Miguel  Fernandes  Vian- 
n;!  —  António  Pimentel  Harboza— Manoel  Pereira  da  Silva  —  António 
Joze  Pereira  Cidade — António  da  Costa  Pinto  —  Sol^astião  da  Silva 
Leão  —  António  da  Costa  Carlos  — Joze  Soares  Rodrigues  —  Jozó  Cor- 
rêa Silva— Manoel  Giz.  dos  Santos  —  Manoel  Roiz'.  Alves  —  Miguel 
Leite  de  Faria  —  Thomc  Alves  de  Araújo  —  Joachim  Joze  Cout.» 


TERMO  DE  DECLARAÇÃO  ao  Accordão  retro  em  que  se  determi- 
nou, que  o  Juiz  de  Fora  desta  Villa  haja  de  ter  as  mesmas  propinas 
que  vence  o  Juiz  de  Fora  de  Marianna  na  Conformidade  do  Alvará 
de  20  de  Oitubro  do  1798. 

Nesta  mesma  Vereação  accordarão,  o  sobredito  Ministro,  Officiaes 
da  Camará  Nobreza,  e  Povo  abaixo  assignados  que  o  Juiz  de  Fora  des- 
ta Villa  baja  de  ter  as  mesmas  propinas  que  vence  o  Juiz  de  Fora 
da  Cidade  de  IMarianna  na  Conformidade  do  Alvará  de  vinte  de  Oitu" 
bro  de  mil  sete  centos  noventa  e  oito  em  attenção  a  os  encomodos,  e 
despezas  de  Longas  jornadas  por  caminhos  de  Certão^  e  a  o  pequeno 
rendimento,  e  muito  trabalho  do  Lugar,  e  para  constar  mandarão 
fazer  este  termo  que  assignarão  reformando  nesta  parte  o  Accordão 
anterior  que  em  tudo  o  mais  licará  em  soo  vigor  e  eu  Joze  Guedes  da 
Silva  Porto  Escrivão  da  Camará  que  o  escrevi. 

Joze  Gregório  de  Moraes  Navarro  —  Joze  da  Silva  Paranhos— Fran- 
cisco Dias  Duarte  —  Manoel  Joze  de  Oliveira  Guimar.s  —  Luiz  Joze  de 
Carvalho  —  Joze  de  Pinna  Vasconcellos  —  O  Vigário  Manoel  Roiz.  Cor- 
deiro—Manoel Roiz'.  Lima  — O  P.e  Joze  de  Britto  Freire  —  António 
de  Britto  Freire  — Manoel  Pires  Bragança  —  Estevão  Joze  Gomes  Ca- 
macho —  Alexandre  Joze  Pereira  Castro  —Alberto  Duarte  Ferreira  — 
Caetano  Miguel  de  Moura  —  Miguel  Fernandes  Vianna  —  Manoel  Pe- 
reira da  Silva  — António  da  Costa  Pinto  —  António  da  Costa  Carlos  — 
Sebastião  da  Silva  Leão— António  Pimentel  Barboza  —  Joaquim  Jozé 
Coutinho  —  António  Joze  Pereira  Cidade  —  Thomé  Alz.  de  Araújo  — 
Manoel  Rodrigues  Alves  —  Joze  Corrêa  Silva  —  Joze  Pinto    do  Quei- 


jo 
roz. 


AUTO  DE  VEREAÇÃO  em  que  se  determinou  por  Accordão  da  Ca- 
mará, Nobreza,  e  Povo  que  se  rezervasse  a  terça  parte  de  todas  as 
Rendas  do  Concelho  para  as  despezas  particulares  do  Príncipe  Re- 
gente N.  Senhor. 

Anno  do  NascinKjnto  do  Nosso  Senhoi'  Jesu  Christo  de  mil  e  oito 
centos  annos  aos    pito  dias  do  mez  de   Oitubro   do  dito    anno  nesta 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  301 

\illa  (lo  1'aracatu  do  Príncipe  Comarca  do  Rio  das    Vollias  (3iu  Cazas 
da  Camará  ondo  se   achava  o  Doutor  .loze  (Ircfforio  de  Moraes  Navar- 
ro Creador  da  mesma  Villa,  e  do  I.ujíar  de  Juiz  de  Fora,  c  que  actual- 
iiionto  serve  de  Ouvidor  (íeral,  e  Corre^íedor  desta  Com.irca,  e   sendo 
alii  tãobem  prezentes  os  Olllciaes   da  (Gamara  Nobreza,  e  Povo  al)aixo 
assiírnados  o  dito  Ministro  lhes  Louvou,  e    afíradeceo  a  boa  vontade 
prudência  e  zello  com     que  todos  concorrerão  uniformemente  para  o 
estabelecimento    das  rondas  deste  Concelho  fazendo-lhes  ver  que  sen- 
do ellas  bem  applicadas  para  as  obras  publicas  e  necessárias  de  Cha- 
farizes, Fontes,  Pontes,  Calsadas,  Caminhos,   e  Creagoens  do  Ensí^ita- 
dos  vinhão  aceder  em  benelicio  commum  dos    moradores  do    mesmo 
Destricto,  recebendo  a  Camará  por  liua  mão,  o  espalhando  por  outra 
com  utilidade  puljlica,    e    ventagem  não  sò    de  todos  os   moradores 
deste  Destricto,  maz  ainda  de  todos  os  Viandantes  das  diferentes  Ca- 
pitanias que  por  ello  tranzitarem,    Lembrou-lhos  tãobem  e  dito  Minis- 
tro os  grandes  benelicios  (lue  Sua  Alteza  Real  ()  Principe  Nosso    Se~ 
nhor  lhes  acabava  de  fazer,  erigindo  este   d'antes  Arraial   em  Villa, 
liberalizando-lhes  logo  no  momento  da  sua  Creação  a  .Merco  de  hum 
Juiz  de  Fora  do    Civel  Crime,  e  Orphaons  encarregado  da    Creação  da 
mesma  Villa,  o  que  servisse  também    de  Provedor  das   Fazendas  do^ 
Defuntos,  e  Auzentes,  Capellas,  e  Reziduos,  e  fazendo-lhes  finalmente 
a  Graça  de  honrar  esta  Villa  do  Paracatu  do  Principe    com    o  Nom^ 
do  seu  Augusto  Titulo;  e  penetrados  todos  dos  mais  ternos  sentimen- 
tos accordarão  uniformemente  qiio  de  todas  as   rendas  do   Concelho, 
ja  estabelecidas,  e  das  que  para  o  futuro  se  estabelecerem  se  rczerve 
a  terça, parte  para  as  despezas  particulares  do  Principe  Regente  Nos- 
so Senhor,  supplicando-lhe  que  se  digne  de   acceitar   este    humildi', 
simples,  piquenino,  maz  verd.fo,  e  puro   sinal    da  nossa    gratidão,  e 
oíTorecendo-lhe  som    rezerva  as  nossas  pessoas,  vidas  e  Fazendas  em 
todas  as  occazioens   que  for  precizo  socrificá-las  em  abono  do    nosso 
amor,  e  da  nossa  fidelidade  e  de  tudo    para   constar    mandou   o  dito 
Ministro  fazer  este  auto  que  assignou  com  os  ditos  Oítlciaes  da  Cama- 
rá Nobreza,  e  Povo,  e  eu  Jozé  Guedes  da  Silva  Porto  Escrivão  da  Ca- 
mará que  o  escrevi. 

Joze  Gregório  de  Moraes  Navarro  —  Joze  da  Silva  Paranhos,  Ve- 
reador mais  "\'elho  —  O  Vereador  Francisco  Dias  Duarte  —  O  Ver..*"" 
Manoel  J.o  de  Olivr.»  Guimar.»  —  O  Proco'  Luiz  Joze  de  Carvalho  — 
Florêncio  Guedes  Pinto  de  Souza  Carv.» ,  Cappitão  Command.»  —  O 
Provizor,  e  Vigário  Geral  Foraneo,  José  de  Pinna  Vasconcellos  —  O 
Vigário  Manoel  Roiz'.  Cordeiro  —  O  P.'^  Manoel  Pereira  de  Amorim — 
O  P."  Joze  de  Britto  Freire  —  Manoel  Rodrigues  Lima  —  Alberto  Duar- 
te Ferreira  —  Caetano  Miguel  de  Moura  —  Miguel  Fernandes  Vianna 
— Manoel  Pereira  da  Silva  —  António  da  Costa  Pinto  —  António  da 
Costa  Carlos  —  Estevão  Joze  Gomes  Camacho  —  Sebastião  da  Silva 
Leào  —  Manoel  Pires  Bragança  —  Manoel  Caetano  de  Moraes  —  Ale- 
xandre Jozo  Pereira  de  Castro  —  António  de  Britto  Freire  — António 


362  REVISTA  DO 


Netto  Carneiro  —  Joaquim  Joze  Coutinho  —  Domingos  Soares  da  Cos- 
ta —  Joze  Pereira  de  Barros  —  Francisco  Rodrigues  Cordeiro  —  O  GJ^ 
M.''  Fran.*^"  M.«i  Soares  Vianna  —  Vicente  de  Almeida  Leite  —  Luiz 
Joze  de  Barros —António  Pimentel  Barboza  —  António  Joze  Pereira 
Cidade  —  Thomé  Alves  de  Araújo  —  Manoel  Rodrigues  Alz'  —  Joze 
Corrêa  da  Silva  —  Joze  Pinto  de  Queiroz. 


AUTO  DE  VEREAÇaO  em  que  se  tractou  da  Demarcação  do  Termo 
desta  Vi  lia 

Anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesus    Christo  de  mil  e  oito 
centos  annos  aos  quinze  dias  do  mez  de  Oitubro  do  dito  anno  nesta 
Villa  do  Paracatu  do  Principe  Comarca  do  Rio  das  Velhas    em    cazas 
da  Camará  da  mesma  onde  se  achavão  o  Doutor  Joze  Gregório  de  Mo- 
raes Navarro,  Creador  desta  Villa,  e  do  Lugar    de  Juiz  de    Fora,  que 
actualmente  serve  de  Ouvidor  Geral,  e  Corregedor   da    Comarca,  os 
Offlciaes  da  Camará,  Nobreza,  e  Povo  desta  Villa,  o  Juiz  Ordinário,  e 
Procuradores  do  Povo  do  Julgado  de  S.    Romão  abaixo    assignados,  e 
convocados  pelo  dito  Ministro  para  tractar  com  elles  de  comu    accordo 
sobre  os  Limites  por  onde  será  mais  conveniente  íazer-se  a  Demarca- 
ção do  Termo  desta  Villa    demaneira  que  em    beneficio  publico    com- 
prehenda  os  Lugares  que  lhe  ficarem  mais  próximos  do  que  a  outra 
qualquer  Villa  confinante  na  Coníormidade    do    Alvará  de    vinte  de 
Oitubro  de  mil  sete  centos  noventa  e  oito,  e  depois  de  darem    cada 
hu  seus  votos,  e  de  serem  vistas,  e  examinadas  as    iníbrmaçoens,    e 
memorias  de  pessoas  antigas  fidedignas,  e  de  mais    conhecimento,    e 
experiência  do  Paiz  accordarão  uniformemente  que  se    deve  anexar 
ao  Termo  desta  Villa  o  Julgado,  e  Destricto  de  S.  Romão,  e  í'azer-se  a 
demarcação  por  balizas  certas,  e  naturaes  de  Rios  e  de  Serras    princi- 
piando no  Porto  Real  do  Rio  de  S.  Francisco,  seguindo  por  elle  abaixo 
até  a  barra  do  Rio  das  Velhas,  desta  ao  Julgado  de  S.    Romão,  deste 
até  a  barra  da  Carinhanha,1clesta    seguindo  o    dito    Rio    Carinhanha 
acima  até  as  suas  cabeceiras  nas  Chapadas  de  S.'-'  Maria  destas  as  Ca- 
beceiras do  Rio  Preto,  destas  seguindo  pelo  Rio  dos  Rios  dos  Arrepen- 
didos acima  até  as  suas  cabeceiras,  destas  cortando  etn  rumo  direilo  ao 
Rio  de  S.  Marcos  hindo  por  elle  até  fazer  barra  no  Rio  da  Pernaiba,  e 
seguindo  por  este  Rio  acima  até  as  suas  cabeceiras,  e  destas    attra- 
vessando  em  rumo  direito  para  o     Registo  dos  Ferreiros,  e   descendo 
pelo  Rio  do  Funchal  abaixo  até  a  sua  barra    no    Andaiá   e    por  este 
abaixo,  até  a  sua  embocadura  no  R.o    de    S.     Francisco,    e  por    este 
abaixo,  até  o  mesmo  Porto  Real  onde    se    principiou  a   Demarcação. 
Ficão  dentro  deste  Sirculo  as    Povoaçoens  do    Julgado   de   S.  Romão, 
Salgado,    Ribeiras  do   Orucuia,  do  Accari,  dos  Pandeiros  de  baixo,  Pe 


ARCHIVO  PUBLICO  MINElKU  363 

ruasii,  Rio  Pardo,  Rio  Preto,  Carinbanha,  Chapadas  de  Santa  Maria, 
o  todas  as  Fazemlas  da  Picada  de  (iuiaz  saliiiido  desta  Villa  pela  lis- 
trada q.'  vai  ao  Bambuhi,  ate  os  Ferreiros,  que  vem  a  ser  as  Vazan- 
tes, Andrequicè,  Almas,  Onça,  F'attos,  Kabilonia,  Aragoens,  Cortume, 
Riacho  de  S.  .loão,  Ferroií-os,  o  todas  estas  Povoaçoons  jã  pertenciilo 
aos  Dostrictos  do  S.  Romão,  ou  do  Paracatú  por  posso  antij^a.  Repre- 
zontou-lhes  então  o  dito  Ministro  que  anexando-se  o  Julgado,  e  Des- 
tricto,  do  S.  Romão  ao  Termo  desta  Villa  e  não  podendo  em  hum 
mesmo  Termo  haver  dous  Julgadores  que  conheção  na  mesma  Ins- 
tancia, era  necessário  al)ullir-so  o  dito  Julgado,  c  q.»  o  Juiz  do  Fora 
desta  Villa  em  distancia  de  sincoenta  Legoas,  não  podia  bem  admi- 
nistrar Justiça,  nem  dar  promptas  providencias  nos  cazos  occorren- 
tes,  que  elle  vinha  Crear,  e  não  abullir,  e  que  não  queria  encarre- 
gar-se  de  obrigaçoens  que  não  podesso  cumprir  perfeitamente  para 
não  íicar  responsável  por  ellas  a  Deos,  ao  Príncipe,  e  ao  Estado  :  Res- 
ponderão lho  os  ditos  Olliciaes  da  Camará,  Nobreza  e  Povo  desta 
Villa,  o  Juiz  Ordinário  e  Procuradores  do  Povo  de  S.  Romão  q.'  na 
prezente  conjunctura  havendo  nesta  Villa  Juiz  de  Fora,  era  não  só 
útil,  maz  necessário  abullir-so  o  Julgado  de  S.  Romão  anexando-se  ao 
Termo  desta  MUa  com  todo  o  seu  Destricto  por  que  o  dito  Julgado 
dista  desta  Villa  só  sincoenta  Legoas,  e  da  Villa  do  Sabará  para  ondo 
atè  agora  se  recorria  dista  noventa  e  seis  Legoas,  e  por  isso  quazi 
nunca  ahi  vão  de  Correição  os  Ouvidores  da  Comarca,  e  a  experiên- 
cia de  muitos  annos  tem  mostrado,  que  nos  Lugares  de  pequena  Po- 
voação onde  não  ha  Letrados,  nem  abundância  de  homens  para  ser- 
virem com  desempenho  os  empregos  públicos,  e  onde  não  vão  os 
Ministros  de  Correição  todos  os  annos,  a  Justiça  não  he  bem  admi- 
nistrada por  homens  Leigos,  e  ignorantes  de  Direito,  que  finalmente 
a  Freguezia  desta  Villa  comprehende  não  só  o  Julgado,  e  Destricto 
de  S.  Romão,  máz  ainda  outros  Lugares  de  mais  longe,  e  se  o  Vigário 
desta  Villa  pode  cumprir  os  seus  deveres  em  maiores  distancias,  me- 
lhor o  poderá  fazer  o  Ministro  Secular  hindo  todos  os  annos  rezidir 
na  quello  Arraial  de  S.  Romão  bum  mez,  ou  dous  para  de  mais  perto 
administrar  Justiça  aos  Povos  Creando-so  hum  Juiz  da  Ventena  na 
quelle  pequeno  Arraial,  hu  Tabellião  para  approvar  testamentos,  e 
hum  SubF*rovedor  com  seu  Escrivão  para  arrecadar  os  bens  dos  Au- 
zeutes,  e  dos  Orphaons,  o  que  sendo  ouvido  pelo  dito  Ministro  se 
convenceo  da  verdade  desta  resposta,  e  da  necessidade  quo  havia  de 
abuUir-se  o  dito  Julgado,  onde  havião  treze  annos  que  não  hião  de 
Correição  os  Ouvidores  do  Sabará  por  cauza  da  sua  grande  Longe- 
tude,  e  esta  mesma  falta  experimentavão  os  Povos  desta    Villa. 

Por  tanto  concordando  com  o  voto  geral  de  todos  rezolveo  que  se 
fizesse  a  Demarcação  pelas  balizas  acima  declaradas,  e  depois  de  se 
haver  a  approvação  do  lilustrissimo  e  Excellentissimo  General  desta 
Capitania  aquém  piujsava  a  dar  immediatamente  conta,  ficaria  a  de- 
marcação em  seu  vigor  e  se  haveria  por  abullido  o  dito  Julgado  de  S 


3GI  REVISTA  DO 

Romão,  e  so  tomarião  justas  medidas  para  q.^  aqucllos   Povos   expe- 
rimentassem os  ofteitos  do  liuma  Justic^a  mais  l)em     administrada,  e 
do  tudo  para  constar  mandou  o  dito  Ministro  fazer  este  auto  que  as- 
siírnou  com  os  sobreditos  OHiciaes  da  Gamara  Nobreza  e  Povo    desta 
Villa,   Juiz  Ordinário,  e  Procuradores  do  Povo  do  Julgado  de S.  Romão 
e  eu  JozG  Guedes  da  Silva  Porto  Escrivão  da  Camará  que   o  escrevi, 
e  assignei.    Joze  Gregório  de  Moraes  Navarro  —  Joze  da    Silva  Para- 
nhos— Francisco  Dias  Duarte  —  Manoel  Joze  de  Oliveira  Guimarães  — 
Luiz  Joze  de  Carvalho  —  Joze  Guedes  da  Silva  Porto  —  I\Ianoel  Pires 
Bragança  — Manoel  Caetano  de  Moraes  —  Florêncio  Guedes  Pinto  de 
Souza      Carvalho,      Cappitão     Commandante   —  O    Vigário    ^lanoel 
Roiz."    Cordeiro  —  O  Vigário  Geral  Foraneo  —  Joze  de  Pina    Vascon- 
ccllos  —  O  Coadj.'^'^  Joze  de  Sz.*    Corrêa    Landim  —  O    1'.°    Joze    de 
Britto  Freire  —  O  P.''  Manoel  Pereira    de  Amorim  —  Vicente    de    Al- 
meida Leite  —  O  G.*"^  INI.'"   P^rancisco   M.o^  Soares     Vianna  —  António 
Pimentel  Barboza  —  INíanoel    Gonçalves  Bragança  —  Alberto    Duarte 
Ferreira  —  Joze  Pinto  de  Queiroz  —  António  da  Costa  Carlos  —  Anto_ 
nio  Duarte  de  Paiva  —  Alexandre    Joze    Pereira  Castro  —   Francisco 
Joze  de  São  Paio  Silva —  Estevão  Joze  Gomes  Camacho  —  António  da 
Costa  Pinto  —  António  de  Brito  Freire  —  Miguel  Leite  de  Faria  —  Luiz 
Joze  de    Barros  —  IManoel  Roiz  Lima,  Juiz  Ordinário  de  S.    Romão  — 
Miguel  Fernandes  Vianna,  Procur.'^""  do  Povo  do  S.  Romão —  Joze  Joa- 
quim de  Mendonça  Lima —  Bento  Joaquim   de    Albuquerque  —  Fran- 
cisco Xavier  Vieira  —  ;Manoel  Nunes  Proença  —  Domingos  Soares  da 
Costa  —  ]\Ianoel  Roiz.  Alz.  —  Custodio  Joze   de  Oliveira  —  Sebastião 
da  Silva  Leão  —  Luiz  Pereira  da  Cunha  —  António  Joze  Pereira   Ci- 
dade —  Domingos  d^Aílonceca  Silva  —  Francisco   Rodrigues  Cordeiro 
—  Thomé  Alves  de  Araújo  —  António   Netto   Carneiro  —Manoel   Pe- 
reira da  Silva,  Procur.»'"  do  Povo  de  S.  Romão. 


ARCniVO  PUBLICO  MINEIRO 


:?65 


Mnppa  (loN  IlabJfníitoM   4'\ÍKfoiifoN  <l<'iilr<»  «la  Yilla  «lo  l*ar]i«-]if rt 
«lo    l*rÍBB«'iiio  iic»  aiiiio  <!<>  iSOO 


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.Mappa  «los  Habitantes  «Io  toda  a  Fi'o;;iiozia  «io  Kaiito  Aiitoiíú» 
da  .1Iau$;a.  \'i!la  do  l^aracatú  do  I''riucii>c  ISispado  de  Per- 
nambuco no  aniK»  de  ISOO 


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BRANCOS 

MULATOS 

PRETOS 

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Captivos 

Livres 

Caplivos 

Casadds. 

610 

850 

200 

1.608 

3.317 

3S0 

70 

20^ 

23 

718 

1.049 

14(1 

83 

Solteiros 

4.307 

Viu vos 

30 

o 

PO 

eo 

o 

366  REVISTA  DO 


Manoel  Bernardes  Varela  da  Fonseca,  escrivão  da  Ouvidoria 
Geral  e  Correição  desta  Comarca  do  Rio  das  Velhas  por  Provisão  do 
Tribunal  da  Junta  da  Administração  da  Real  Fazenda  desta  Capitania 
de  Minas-Geraes. 

Certilico,  e  porto  por  íe,  que  a  cópia  de  todos  os  autos  que  se 
achão  escriptos  neste  Livro  desde  íolhas  liuma  até  quarenta  e  seis  está 
conforme  com  os  originaes  que  se  achão  escriptos  nos  Livros  com- 
petentes da  Camará  desta  Villa  dos  quaes  foi  extrahida  a  dita  cópia 
por  mandado  do  doutor  José  Gregório  de  Moraes  Navarro  Juiz  de 
Fora  creador  desta  mesma  Villa  que  actualmente  serve  de  Ouvidor 
Geral  e  Corregedor  desta  Comarca.  E  por  verdade  passei  esta  que 
assigno  e  conferi  com  o  dito  Ministro.  Villa  do  Paracatú  do  Príncipe 
4  de  Novembro  de  1800. 


José  Gregório  de  Moraes  Navarro. 
Manoel  Betnarcles  Yarela  da  Fonseca, 


ORAÇÃO  GRATULATORIA  NA  EXALTAÇÃO  DO  PARACATÚ',  A'  VILLA 
DO  PARACATÚ'  DO  PRÍNCIPE  —  Pelo  vigário  de  toda  a  Freguezia 
de  S'".  António,  e  de  S.  Romão  da  Manga,  por  mercê  de  SuaMa- 
gestade,  que  a  fez  e  recitou  — 

António  Joaquim   de  Souza  Corrêa  e  Mello 
(Original  do  Archivo) 


Que  estrondozos  apparatos !  Que  magníficos  ornamentos !  Que 
agradável  riso !  Que  sons  de  grande  prazer  !  Que  riquíssimas  galas  a 
todos  adornão !  Fora  do  Sanctuario  também  este,  como  a  Esposa 
quando  caminha  para  as  bodas !  As  veneráveis  cans,  se  até  agora 
penteando  desenganos,  agora  mostrando-se  varoens  illustres,  glorio- 
sos, cheios  de  graça,  quaes  inclytos  da  antiga  Sião!  Os  moços  são 
huns  Nazarêos  nunca  tonsurados,  todos  brilhantes,  todos  especiosos : 
os  mesmos  insensíveis,  as  casas,  as  ruas,  toda  esta  Povoação  respira 
alegria  sem  dissabores,  grandeza  sem  vaidades,  modéstia  magestosa 
sem  cobardias !  E  isto  em  huns  tempos  estéreis,  pobres,  os  tenebrosos 
dias  do  Inverno;  em  huns  tempos,  que  tantas  Nasçoens  vem,  e  la- 
mentão  talhadas  suas  searas,  demolidas  suas  cidades,  arrazadas  suas 
Torres,  quebradas  suas  columnas,  em  pó  suas  alfaias,  as  suas  precio- 
zídades,  os  seus  thezouros  nas  maons  inimigas,  também  as  vidas  de 
muitos  seus,  também  a  delicioza  liberdade  verdadeira  de  innumera- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  367 

veis,  também  enterradas  as  sciencias,  sepultada  a  precioza  sabedo- 
ria, acabado  o  bom  gosto,  a  Celestial  verdade,  e  Fé  quaze  a  pique  a 
barca  do  Pedro,  e  (|ut'i'endo  as  pui-tas  do  Infenio  eugolil-a!  em  bum 
tempo,  (jue  os  mais  brilhantes,  illunnnadds,  jxidorozos,  e  impávidos 
Impérios,  ou  se  mostrão  campos,  em  que  bouvo  Troyas,  ou  nem  o 
lupar  se  vô,  em  que  já  forão:  em  liuns  tempos,  que  terras,  mares, 
tudo  mostra  estragos  catástrofes,  ruinas,  abominaçoens,  a  maior  de- 
solarão, lome,  mendiguoz,  e  angustiai  Tu  ò  habitação  bemaventu- 
raila,jà  exultas,  tu  brillias,  tu  tloreces,  tu...  O'  quanta  inveja  cau- 
zarás  aos  teus  vizinhos,  aos  teus  amigos,  aos  estranlios,  quaze  a  este 
todo,  também  ao  mais  antigo  mundo  I —  Benedictus  Deus,  et  Pater 
Domini  nostri  Jesu  Christi,  Pater  Misericordiaruni,  Deus  totius  con- 
solationis,  qui  consolatur  nos  in  omni  trihulatione  —  2  Cor  1  — 

Preclarissimo,  Sábio,  Uluminado,  e  aqui  Régio  Chefe  da  Justiça, 
Virtude  vinda  do  Ceo,  e  Vós,  preclarissimos  Senadores,  taes  como 
vosso  cabeça,  e  que  como  este  de  Deus  pela  nossa  Augusta,  e  Fide- 
líssima Soberana  recebeis  o  poder,  e  representaes  a  grandeza.  Ilegal 
Sacerdócio,  Nobreza,  lllustrissimo  Congresso,  Gente  Santa,  e  Povo 
escolhido  —  Bendicto  seja  Deus,  e  Pai  de  Nosso  Senhor  Jesu  Christo, 
Pai  das  misericórdias,  D<»us  de  toda  a  consolação,  que  nos  consola 
Í7i  omni  tribulalione. 

Lembra-me,  que  lá  a  gente  de  dura  garganta,  de  coraçoens  de  pe- 
dra, celebrava  a  Páscoa,  por  Deos  ter  salvado  os  seus  primogénitos  na 
geral  mortandade  das  de  todos  os  Egypcios :  o  Pentecoste,  por  lhe  ter 
dado  as  Leis  no  Sinai;  a  das  Trombetas,  por  terem  chegado  a  hum 
anno  novo;  a  das  Luminárias,  por  salvar  Bethulia;  a  do  Purim,  por 
escaparem  da  cilada  do  soberbo  valido  Amán ;  a  das  Tendas,  pelos 
fructus  novos:  outras  muitas,  como  a  da  Senopegia,  a  das  Ensenias, 
todas  em  agradecimento  por  benefícios.  Lembra-me,  que  esse  Povo 
inconstante,  p""  que  o  Senhor  lhe  abrio  o  caminho  por  meio  do  Heri- 
tréo,  lhe  levantou  doze  padroens,  que  até  a  seus  vindouros  mos- 
trassem o  beneíicio,  que  tinlião  recebido :  que  esses  mesmos  que  a 
penas  souberão  sacrificar  victimas  corruptíveis,  por  que  o  Deos  de 
seus  Pais  os  libertou  do  poder  dos  Reis  Pastores,  em  suas  maons 
quizerão  trazer  escripta  esta  Mercê,   para  que  nunca  lhe  esquecesse. 

Lembra-me,  que  ainda  huns  bárbaros,  huns  idolatras,  huns  Baltha- 
zares,  huns  Nabucos,  huns  Faraós;  aquelles  com  Daniel,  este  com 
Jozé  forão  gratos.  Que  até  o  Boy  e  outro  animal  bem  grosseiro;  que 
todas  as  creaturas,  ainda  insensíveis,  como  os  Campos,  os  montes,  os 
prados,  reconhecem  a  Primavera :  Que  emíim  —  Ignis,  grando,  nur, 
glacies,  spiritus  procellaru>/i  faciunl  verbum  ejus. 

Então  só  nós  seremos  insensíveis  até  tanto,  que  nem  reconhecere- 
mos a  hum  grande  beneficio  nem  daremos  as  graças  devidas  ao  Su- 
premo Bemfeitor? 

Está  bem  longe  de  ânimos  tão  generozos,  ideia  assim  grosseira. 
Em  desempenho  a  seu  dever,  já  que  não  posso  mais,  deste  lugar  alto, 


3G8  REVISTA   DO 

e  da  verdade,  exporei  quanto  alcance  do  beneficio  prezonte.  E  vós 
preclarlssimo  Ministro  Régio,  Senado  Real,  Venerando  Sacerdócio,  No- 
breza, todos  obrareis  o  que  vossas  Almas  grandes  vos  inspirão. 

Quão  outros  ja  fostes  nos  séculos  passados,  vós  ó  montes,  ó  valles, 
ó  Campinas,  ó  rios,  ó  rochedos!  Apenas  sustentáveis  feras,  apenas 
vos  pizavão  monstros,  o  precioso  de  vossas  entranhas  jazia  sepultado 
nas  da  terra :  as  vossas  arvores  sendo  talves  bem  para  estimar,  só 
nutrião  os  fogos  voráses :  as  vossas  Aves  eram  todas  Ijravias ;  e  alguns 
quaze  homens,  que  para  aqui,  penso,  arrojou  algum  sobejo  do  dilu- 
vio, bem  pouco  erao  diflerentes  das  mesmas  feras.  Tinhão  si, 
maiores  mas  sem  polieia,  mas  sem  doutrina,  sem  civilidade  algua 
por  génio,  p-"  criação  Esaús,  em  tudo  Esaús,  ou  feros  Cains.  Chegou 
a  feliz  época  de  Christovão  Cólon:  cede  a  maioral  dos  grandes  Esta- 
dos da  Bahia,  seus  dominios,  seus  direitos,  todas  as  suas  jurisdiçoens 
aos  Senhores  Reys  de  Portugal  e  dos  Algarves,  livremente  lhe  dá 
tudo :  abençoão  os  Summos  Sacerdotes  as  santas  intençoens  dos  nossos 
Monarchas,  os  Calistos,  os  Nicolaus,  outros  ;  bem  como  dando  exer- 
cício, e  uzo  a  huma  das  cliaves :  passa  o  Senhorio  por  contracto,  que 
legitima  o  Direito  natural,  também  o  das  Gentes,  ainda  o  Sagrado 
confirma  e  abençoa  a  Nasção  Portugueza:  Logo  a  maneira  do  Sol, 
quando  se  ergue  no  Horizonte,  depois  de  huma  noite  tenebroza,  que 
tudo  illumina,  que  a  tudo  dá  còr,  que  reparte  mil  graças,  o  matiz,  a 
belleza,  o  brilhante ;  assim  se  vio,  e  se  alcança  ainda  agora.  Tudo  se 
renovou,  tudo  se  melhorou ;  a  mesma  Primavera  não  melhora  tanto  s 
quanto  aqui  o  braço  Portuguez ;  que  aquella  só  enriquece  os  corpos; 
esse  adornou  os  mesmos  espíritos. 

Com  o  senhorio  da  Bahia,  e  seus  Recôncavos,  também  com  os  mais 
direitos,  que  a  Portugal  cedera  aquella  Heroina,  que  jas  na  Igreja  da 
Graça,  desse  grande  Porto  Americano,  e  que  de  tudo  era  Legitima 
Senhora,  ainda  por  guerra  justa,  e  muito  religioza  vierão  á  Coroa 
Portugueza  os  dilatados  Certoens,  veio  este  clima,  e  emflm,  veio  prin. 
cipalmente  dado  pelo  mesmo  Rey  dos  Reys,  que  concedera  ao  seu 
antigo  Israel  á  custa  da  destruição  de  muitos  Reynos  á  Terra  promet- 
tida.  Assim  hé  Senhora  destes  Estados  a  Soberana  Rainha  Fidelíssima. 
Aqui  a  pezar  do  engano  de  Delile,  e  de  outros  sábios  Geógrafos,  não 
em  Lagoas,  mas  em  Rios  dèo  o  Altíssimo  alluvioens  de  ouro.  Aqui  nu- 
trio,  e  engordou  a  innumeraveis  homens.  Aqui  fez  ver-se  como  o 
mundo  em  huma  só  povoação.  Aqui  fez  erigirem-se  muitos  Altares,  e 
brilharem  as  maiores  solemnidades  do  nosso  Israel:  tudo  nos  campos 
mais  agrestes,  mais  rústicos,  mais  grosseiros. 

Agora  parecia,  que  mil  monstros,  que  havião  gerado  os  vícios, 
também  ingratidoens,  que  secção  as  fontes  das  mizericordias,  que  as 
vicessitudes  mundanas  levavam  esta  Povoação  ao  seu  fim ;  eis  que  a 
Mão  Omnipotente  acode,  o  bem  se  restaura,  o  renasce  aqui  mesmo. 

Sim;  a  sempre  Augusta,  a  sempre  Grande,  a  muito  Pia,  Religioza e 
Santa  Rainha  Fidelíssima,  a  que  tem  o  poder  por  Deos  •—  Per  me  Reges 


ARCHIVO  PUBLICO  MINBIRO  3G9 

regnant :  Aquella  a  quem  devemos  obedecer,  não  só  por  temor  — 
Non  lantum  jiropter  iram,  secl  propler  conscienfiam  —  A  quo  vi^^ia,  o 
zella  sempre  8ol)r(!  ;i  nossa  íelicidado,  não  monos  ancioza  polo  nosso 
bem,  do  iiuo  anti.iramcnto  Moyscspclo  dus  Israelitas,  sofíuindo  não  os 
conselhos  de  doLliro,  mas  os  do  (lue  o  yuiàra,  os  do  Doos  ;  seguindo  as 
máximas  do  muito  pio,  o  roligiozo  Josaphat,  elege  para  a(iui  mesmo 
manter  a  pàz  publica  hum  SaI)iO;  hum  illuminado,  hum  prudente  Mi- 
nistro:  authoriza-o  para  I'ay  dos  Orpliãos,  para  amparo  das  Viuvas, 
para  conservador  da  Republica,  para  manter  a  Policia,  para  conservar 
a  Religião.  Nem  comt  auto  so  satisfaz  sua  gonerozissima liberalidade: 
quer  que  o  Bonelicio  chegue  a  todos.  Poem-lhe  na  mão,  mão  ja  destra, 
ja  por  muitos  annos  experimentada,  o  provada,  o  discernimento  entro  a 
verdade  e  a  mentira,  entro  o  meu,  e  o  teu,  entro  a  honra,  e  a  infâmia, 
entro  a  pãz,  ea  dezordom,  entro  o  justo,  e  o  impio:  nem  ainda  so  dá 
por  satisfeito  seu  magnânimo  cora(;ão :  quer  que  o  beneíicio  se  extenda 
até  alem  do  Caos  magnum  até  aos  quo  residem  em  lugares  remotíssi- 
mos;  quo  chegue  aos  mortos;  faculta-Ihe,  o  dello  conlia  as  felicidades 
do  quantos  nem  si  tiverão  cuidado,  (juando  vivos,  nem  disso  forão  so- 
lícitos para  morrerem :  todos  estes  benelicios  os  realça,  dando-os  gra- 
tuitamente, o  com  tal  suavidade,  quo  nenhum  trabalho  causem  para 
se  conseguirem.  Nem  pára  ahi :  determina,  e  faz,  que  dos  mesmos  mo- 
radores do  Paiz  se  elejão  e  ennobreção  muitos:  que  formem  hum  corpo, 
que  seja  cã  a  sua  Pessoa:  e  que  tudo,  tudo  seja  desempenhado  pelo 
mesmo,  que  desses  será  hó  a  cabeça,  sem  as  dospezas,  fadigas,  e  traba- 
lhos do  acolhimento  de  outro  maioral. 

Assim  chegão  a  todos,  a  todos  nós  as  profuzoens  da  sua  liberalis- 
sima  Grandeza :  hum  Arraial,  que  jazia  como  desconhecido  em  hum 
angulo  do  mundo,  em  hum  recôncavo  de  Certoens  ermos,  o  eleva- 
0  engrandece,  e  o  faz  a  sua,  bem  a  sua  querida,  a  sua  Villa  do  í'ara, 
catú  do  Príncipe. 

Eu  queria  agora  ter  hua  eloquência,  hua  energia,  bua  fecundia 
sublime,  a  mais  perfeita,  a  mais  completa.  Angélica,  do  todo  Celes- 
tial, para  dar  principio  ao  agradecimento  de  tantos  e  tão  grandes 
benelicios,  como  acabamos  do  receber.  Só  assim  meu  espirito  ficaria 
satisfeito;  serião  cheios  os  vossos  desejos:  mas  so  nos  grandes  ap- 
plauzos  também  soão,  o  se  acceitão  os  —  vivas  —  dos  pequeninos 
dos  balbucientes,  esporo  ter  lugar. 

Eu  pois,  sim :  eu  vos  acclamo  felices,  ó  habitantes  desta  terra,  por 
terdes  nesta,  nesta  mesma  quem  reprima  os  transportes  da  ira,  da 
ambição,  da  Soberba,  do  todo  o  orgulho,  do  todo  o  vicio.  Quem  des- 
trua a  calumnia,  quem  conserve  a  honra,  quem  vos  engrandeça. 
Meus  amados  Nabothes,  vinde  para  a  nova  Villa  do  Paracatú  do  Prín- 
cipe, que  se  alguns  màos  Acabes  vos  quizerem  roubar  as  vossas  vi- 
nhas, tendes  aqui  por  Sua  Magestado  quem  vol-as  deftenda.  Suzanas, 
ftqui  as  infames  cans  do  Babilónia  não .  haverão  de  criminar-vos  lai- 


370  REVISTA    DO 

sãmente:  ha  Daniel  cá  que  as  confunda,  sereis  salvas,  Innoccutes, 
aqui  os  Herodes  não  poderão  mandar-vos  tirar  a  vida,  por  ódio,  por 
inveja:  a  rectidão,  a  Justiça,  as  Leys  Santas,  e  o  Zelador  delias  está 
com  vôsco.  Pobres  Mais,  temos  aqui  quem  imite  a  sciencia  do 
grande  Salomão ;  porque  também  por  Deus  governa  ;  não  perdereis 
vossos  filhos.  Se  lá  os  Paulos  acharão  hum  Festo,  que  os  não  con- 
demnou  precipitadamente,  aqui  o  temos.  Se  os  Danieis  encontrarão 
huns  Darios  timoratos,  e  cobardes,  nós  não  temos  satrapas  da  Pérsia, 
que  attérrem  :  Se  os  Baptistas  acharão  Hei-odias  para  merecerem 
cem  saltos  sua  cabeça,  a  nossa  está  segura,  por  Ti,  sábio  e  integer- 
rimo  Ministro ;  por  Ti,  muito  nobre,  muito  illustre  Senado;  por  Ti, 
ô  Villa  nova  do  Paracatú  do  Príncipe  ;  por  Ti,  muito  alta,  muito  po- 
deroza,  muito  Santa  Bemfeitora,  e  Senhora  nossa.  Rainha  Fidelíssima. 
Viva  tão  grande,  tão  generoza,  tão  iiberalissima  Bemfeitora.  Viva,  viva. 

Salomão  quando  recebeu  do  Altíssimo  a  sabedoria,  não  pensou 
quanto  o  felicitara  Deus.  Passado  tempo  foi  experimentado,  que  com 
ella  lhe  tinham  vindo  outros  muitos  bens,  e  em  tanta  abundância, 
que  exclamou :  Vene7'unt  (hé  o  mesmo  Rey  sábio  o  que  falia)  vene- 
runt  mihi  omnia  bona  pariter  cum  illâ.  Eu  vos  julgo  igualmente 
ditozos  com  o  prezente  beneficio.  Não  só  se  vos  liberalizou  a  mercê 
de  tantas  honras,  e  grandezas,  mas  com  essas  conseguis  o  vosso  socé- 
go,  e  conserváes  vossa  fazenda,  que  disperdiçarieis,  para  achar  a  jus- 
tiça em  Povoações  mui  remotas.  Com  essa  conseguistes  hum  Jui- 
desinteressado,  e  muito  sábio,  que  sem  a  necessidade  triste  de  men- 
digar luzes  estranhas,  tal  vêz  de  inimigos,  algua  de  amigos  cegos,  que 
todos  levavão  ao  precipício,  dará  a  cada  hum  o  que  hé  seu.  Com  essa 
os  vossos  descendentes  aqui  mesmo  acharão  guardado  o  que  suastes, 
para  os  felicitares.  Com  essa....  ora  para  que  me  canço?  Com  esta 
ventura  nos  vierão  muitos,  e  muito  grandes  bens  :  a  vossa  expe" 
riencia  abonará  meu  pensamento. 

Com  tudo  não  posso  deixar  em  silencio  alguns  realces  deste  bene- 
ficio. Jacob,  para  alcançar  a  linda  Rachel,  vigiou,  trabalhou,  desve- 
lou-se  por  muitos,  e  muitos  annos. 

A  Real  mão  da  nossa  Bemfeitora  não  he  a  interesseira,  a  mesqui- 
nha de  Labão ;  sem  que  algum  dos  filhos  desta  terra  trabalhasse  hum 
só  anno,  todos  forão  felicitados,  conseguirão  honra,  gloria,  e  ventura. 
Similhante  liberalidade,  como  a  daquelle,  só  serve  para  os  Absaloens 
ambiciosos :  em  nada  se  parece  com  a  que  nos  fáz  a  nossa  Augusta 
Soberana:  Esta  hé  Rio  subterrâneo,  que  sem  estrondo  sensível,  sem 
procurar  applauzos,  enriquece  as  entranhas  da  terra.  Ah  quanto 
será  enriquecida  por  Deos  quem  tanto  bem  fas  sem  interesse   algum  ? 

Que  dirão  os  Estrangeiros  prudentes  !  Não  será  seu  clamor  simi- 
lhante ao  do  bom  amigo  Rey  Hirão  —  Beneãictus  Dominus  Deus,  pois 
déo  a  Portugal  hua  Rainha  Fidelíssima,  tão  Sabia,  e  tão  generosa,  para 
reger,  e  dominar,  espargir  felicidades  super  populum  hunc plurimum  ? 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  371 

Qiin  (liri\o  nossos  vindouros,  reíloctindo  na  íelicidarltí  a  n(Ss  facultada 
pela  Soberana  Henifeitora?  Sobre  as  nossas  venturas  nestes  dias 
para  tantos  de  angustia,  e  de  amargura?  Não  hõ  assim,  que  tomando 
a  linguagem  do  Ecclesiastico  a  louvar  Elias  dirão  —  Bemav3nturados 
os  (jue  virão  tal  tempo  ;  que  torão  participimtos  da  grande  lionra  de 
Sua  iiinizado  —  Dealiqni  se  videnoif  et  in  amititia  tua  dccorati  suni  í 

Ali  quem  tivera  liuma  vóz,  liuma  sabedoria,  huma  graça,  huma 
orutlit;ào  proporcionada  ao  seu  prolundo  sal)er.  Regias  virtudes,  pro- 
videncia activíssima?  Mas  o  voar  sem  azas  lie  íabricar  precipicios. 
Somos  menores,  eu  pobrissimo  para  louval-a  ainda  contemplando-a 
tão  som '"  como  quem  fez  esta  terra  a  Villa  do  Paracatú  do  Príncipe. 

Ksta  nossa  Soberana  Senhora  toca-lho  muito  o  Absque  en  qiiod  in- 
trinsecus  latet.  Taml)em  que  por  mais  que  se  diga,  a  sua  gloria  hó 
Ab  intus.    O'  se  fora  eterna  a  sua  vida,  como  devo  ser  a  sua  memoria ! 

Agora  sim,  agora  ja  vejo,  vejo  tornado  o  mais  agradável  recreio 
para  a  vista,  hum  jardim  o  mais  ameno,  e  bello,  o  ôrmo  inculto,  selva- 
gem, agreste:  Ja  vejo,  vejo  as  floi-es,  que  nem  os  Pegureiros  que- 
rerião  para  tecerem  rústicas  Capellas,  que  só  erão  espinhos;  assim 
mimuzas,  matizadas,  odoríferas,  que  até  poderão  servir  para  adornar 
Altares :  Ja  vejo,  vejo  as  pedras  toscas,  que  poderião  aproveítar-se 
para  ladrilho  das  ruas,  tornadas  em  pyras,  quedigo?...  Emarassacro- 
santas.  Ja  vejo,  vejo  que  huns  brutos  selvagens,  assim  grosseiros,  que 
cauzavão  pavor,  grande  desgosto,  são  polidos,  civis,  nobres  cidadaons, 
recreio  de  humanidade.  Ja  vejo,  vejo  que  os  Idolatras  cegos  sempre 
desprezíveis,  se  tornarão  adoradores  devotos,  os  mais  relígiozos  do  ver- 
dadeiro Deos.  Ja  vejo,  vejo  que  estes  campos,  estas  collinas,  estes 
l)osques,  montes  e  valles  só  cavernas  de  feras  só  theatros  da  barbárie, 
tem  dado,  dão  o  primeiro  género  do  mundo,  tem  criado  muitos  homens^ 
os  agazalha,  os  engrandece :  Esta  que  apenas  seria  huma  pobre  Aldeya, 
hé  a  precioza  Villa  do  Paracatú  do  Príncipe,  que  a  adornão,  a  pulem^ 
a  engrandecem  o  muito  sábio  Real  Ministro,  o  Régio  Senado  da  Camará, 
hum  corpo  do  Clero  devoto,  e  illuminado,  muitos  corpos  illustrissimos, 
e  impávidos  de  defensores  da  Pátria,  também  de  guardas  dos  Reaes 
Thezouros,  não  menos  de  columnas  da  liberdade  Christã;  que  ha  aqui, 
e  llorece  o  commercio  ;  que  ha  muito  homem  illustre,  amante  da  huma- 
nidade ;  que  a  virtude  vinda  do  Ceo  se  não  poderá  mais  chorar  por  ella  : 
antes  que  abraçada  com  a  doce  paz,  e  beijando-se,  fará  inveja  ainda  às 
Almas  grandes.    Felis  Povo,  ditosa  Gente,  Terra  abençoada  do  Senhor ! 

Ora  sendo  verdade  eterna,  que  todo  o  dom  perfeito  — De  sursum  est — 
todo  o  bem  nasce  do  Pay  das  Luzes,  da  Formuzura,  que  os  mesmos  Céos 
admirão :  sendo  certo,  também  innegavel,  que  todo  o  poder,  toda  a 
soberania,  toda  a  jurisdicção,  toda  a  Justiça,  todo  o  premio  dos  bons, 
e  supplicio  dos  mãos  adquire  a  rectidão,  a  preciozidado  do  Supremo, 
do  Eterno,  do  Omnipotente,  do  Santíssimo,  do  iníinitamente  Bom, 


372  REVISTA  DO 


Nus  todos  assim  l)eneliciatlos,  que  podemos  diser  senão  —  Benediclus 
Deus  et  Pater  D(i))ibU  noslri  Jesii  Christi,  Pater  niisericordiarum.  Deus 
lotius  consolai ionis,  qui  consolatur  nos  in  omni  Iribulatione  ? 

A  ingratidão,  este  monstro  hó  só  dos  perlidos  Judas,  a  nós  não  inju- 
riarão os  Oseas :  menos  conrundiram  os  Isaías  principalmente  depois 
de  nutridos,  e  de  tanto  exaltados.  Nem  devo  persuadir  reconhecimen- 
tos aquém  deveras  todo  se  occupaem  mostrar-se  grato  ao  Supremo 
Bemleitor.    Vou  acompanhar-vos. —  Disse. 


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ARCHIVO   PUBLICO  MINEIRO  341 

Em  13  iltí  Fevereiro  do  1811  ohtivorilo  o  mesmo  S.  M.-"  Eustáquio, 
e  outros  Pi'oyísíIo  da  Meza  da  Consciência  o  Ordens  para  erigirem 
huma  Capolla  com  o  Orago  da  Snr.»  do  Monte  do  Carmo;  mas  ate  o 
presente  não  levarão  a  pratica  sua  pertenção,  som  duvida  porque  a 
povoa«,-ão  do  lujrai',  ondo  í|Uorem  erigir  a  referida  Capella,  ainda 
iioje  lie  mui  pouco  considerável.  Em  1812  se  levantou  no  sitio  cha- 
mado o  Lageado  iiuma  pequena  Caza  de  Oração,  onde  se  collocarão 
Santo  António  e  Sam  Sebastiam  :  celebrou  ali  por  pouco  tempo  os 
Santos  Mistérios  com  auctoridade  do  Reverendo  António  Joso  Tavares 
Vigário  do  Dezemboque  o  !'.<»  .loso  de  Moraes;  e  depois  se  transforio 
por  commodidade  para  a  margem  do  Uberaba  junto  a  estrada  de 
(toyaz,  onde  está  hoje  formado  o  Arraial.  O  referido  P.»  Moraes  de- 
morou-se  apenas  até  junho  de  1813,  e  despedio-se,  tícando  os  poucos 
moradores  <iue  então  existião  com  os  recursos  espirituaes  muito  dis- 
tantes até  Maio  de  1814,  quando  entrou  por  Capellão  o  Padre  Fortu- 
nato José  de  Miranda,  sendo  Vigário  da  Freguezia  do  Dezcmboque  o 
Rd."  Hormogenes  Casimiro  d'  Araújo,  qile  o  chamou.  Esteve  emprega- 
do ate  1820,  deixou  a  Capolla  em  principio <?  deste  anno  ao  Padre  Si- 
vorin  da  Costa  Oliveira  legitimamente  auctorisado,  o  qual  esteve  ato 
7  de  Setembro,  dia,  em  que  se  retirou  para  a  Capolla  do  SS.™"  Sacra- 
mento do  Burá. 

Em  17  deste  mesmo  mez  de  Setembro,  e  anno  de  1820  tomou  pos- 
se de  Vigário  da  Freguezia,  erecta  alguns  mezes  antes  a  requerimen- 
0  do  S.  M.»-  António  Eustacliioda  Silva  por  Alvar?  de  S.  Mag. »  o  S,""  D 
o&o  G,"  o  Padre  António  José  da  Silva,  que    actualmente  serve. 

Tem  a  Freguezia  de  longitude  mais  de  40  legoas,  e  de  latitude 
mais  de  20,  ehe  sua  Filial  a  Capella  de  N.  Senhora  das  Dores  distante 
da  Matriz  10  legoas,  erecta  em  1823. 

Divide  pelo  Nascente  com  a  Freguezia  do  Dezemboque,  pelo  Occi- 
dente  com  o  Sertão,  pelo  Norte  com  as  Freguezias  do  Araxá,  e  Al. 
deia  de  Santa  Anna,  epelo  Sul  com  a  Freguzia  da  Villa  Franca  do 
Imperador. 

Dista  o  Arraial  do  Uberaba  da  Cabeia  do  Julgado  18  léguas,  do 
Araxá  22,  da  Aldeia  de  S.**  Anna  15,  da  Villa  Franca  15,  e  da  Cabe(;a 
da  Comarca  60. 

Contem  a  Freguezia  dentro  do  Arraial  91  fogos  habitados,  e  fora 
300.  A  sua  Povoação,  que  em  1820  constava  de  1:300  almas  monta 
hoje  a  3:000,  afora  os  Índios  Aldeiados  amargem  do  Rio  (irando  na 
distancia  de  40  legoas  do  Arraial,  cujo  numero  excede  a  1:000  de  am- 
bos os  sexos.  Estes  índios  ( Caiapos )  passeião  de  tempos  em  tempos 
por  toda  a  Freguezia ;  mas  não  commettem  a  menor  hostilidade,  o 
que  se  deve  sem  duvida  ao  geito,  e  ao  amor,  com  que  tem  sido  sem- 
pre tractados  pelo  S.  Mor  António  Eustáquio  da  Silva,  que  os  visita 
todos  os  annos,  prodigalisando-lhes  roupas,  e  ferramentas,  ora  a  sua 
cust? ,  ora  a  custa  da  Fazenda  Publica  &.  Também  tem  cooperado 
muito  para  a  sua  pacilicagão  João  Baptista  de  Siqueira,  que  mora  vi^ 
A.  l'.-lo 


842  REVISTA  DO 


in  -ir.  irii~>nnnrn.~ifini">i"ii — r-i''^~~'~nmt  t  t  '   r~rrni — \r\i-  -   -w  r  'm- ,— ^-^-y-f-j.^^j|.|»-,^^»,»-i-|—»--^— -».—-— ..--^.■.^l».---».—^-»—^».-.—...^^— 

sinho  aos  mesmos  índios,  com  quem  tem  freq.«s  commonicaçôes,  e  os 
supre  muitas  vezes  com  mantimentos  do  seu  Paiol.  He  para  lamen- 
tar-se  a  desgraça  destes  Entes  embrutecidos  ;  por  isso  que  se  não 
tem  adoptado  as  necessárias  e  urgentes  medidas  para  a  sua  cathe- 
quisação. 

INIINERALOGIA 

Não  se  tem  ate  o  presente  descoberto  metaes,  nem  pedras  precio- 
sas dentro  dos  Jimites  da  Freguezia,  ou  porque  os  não  ha,  ou  porque 
não  se  tenhão  feito  apropositadas  observações  a  este  respeito. 

ZOOLOGIA 

Os  animaes  existentes,  e  conhecidos  .são  os  mesmos,  que  ha  nos 
outros  lugares  do  Brasil,  com  a  diíerença  porem  que  os  campos 
abundão  de  muitas  cobras  Urutus  venenosíssimas  :  ha  muitos  Sucu- 
ris  pelos  pântanos,  Giboyas  pelos  matos,  muita  Abelha,  muitos  pás- 
saros diferentes,  e  peixes  por  todos  os  ribeirões. 

PHYTOLOGIA 

Ha  huma  arvore,  a  que  chamão  quina  do  campo,  e  serve  a  sua 
casca  com  proveito  na  falta  da  dó  Peru  :  hum  pequeno  arbusto,  a 
que  se  da  onome  de  paratudo,  excellente  febrífugo,  e  grande  emeti- 
■  CO  applicado  em  maiores  doses  :  ha  excellente  alcassus  :  muita  cen- 
táurea menor  :  calamo  aromático  :  calumba  :  contraerva  :  puaya  : 
muito  sene  pelos  campos  :  huma  raiz  sem  diferença  da  jalapa:  tomba, 
que  he  muito  purgativa  ainda  por  cllsteres  :  hum  arbusto  aque  se 
chama  de  Santa  Anna,  o  maior  drástico,  que  se  tem  observado  :  e 
muitas  outras  plantas,  de  que  se  servem  proveitosamente  os  Campo- 
nezes  nas  suas  inlirmidades.  Todos  os  vegetaes  prosperão,  sendo  cul- 
tivados com  industria  ;  e  são  de  pouca  duração  u  bardana,  camomilla, 
fragaria,  fumaria,  coclarla,  e  a  erva  cidreira,  o  que  se  deve  atribuir 
ao  excessivo  gráo  de  calor,  que  se  sento. 

He  o  Paiz  composto  do  lindas  c  extencissimas  campinas,  e  de  mui- 
tos matos,  que  produzem  abimdantimente  milho,  feijão,  arros,  cará, 
batata,  cana,  algudão  ;  e  a  nijinclioca,  e  o  anil,  como  eni  parte  algu- 
ma se  tem  visto,  sem  que  os  lavradores  sintão  o  pezo  de  muito  tra- 
balho ;  porisso  que  as  capinas  nas  mesmas  capoeiras  são  muito  favo- 
ráveis. 

Os  campos  são  virosos  quasi  todo  o  anno,  e  porisso  se  ve  sempre 
gordo  o  gado  que  niio  depende  de  sal,  dlja  lUlta  se  supre  com  as 
agoas  dos  bebedouro?,  que  lia  em  <|Uasi  todas  as  fazendas.  São  estas 
agoas  nascidas  em  olhos  amargeni  dos  córregos:  no  paladar  não 
appresentão  diferença,  das  outras  ;  mas  csfregando-se  nellas  as  mãos, 
sente-se  escorregarer  j ;  a  cassa  da  mato,   e  mesmo  o  gado  acostuma- 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  S43 

dos  aos  bebedouros  as  procurão  sempre  na  lua  nova,  passando  por 
outras  muitas  agoas  puras,  que  dcsprezâo  apezar  da  sede :  o  seu  pezo 
não  diCei-e  do  pezo  das  agoas  dos  córregos  vizinhos  :  alguns  as  tem 
levado  om  grandes  taxas  ao  logo,  alim  de  observarem,  se  produzem 
algum  sal ;  mas  nada  tem  resultado  ;  talvez  porque  não  se  tenlia 
lançado  mão  de  recursos,  que,  sendo  applicados  cm  outras  partes, 
aíjui  se  desconhecem. 

Os  moradores  do  Uberaba  são  tão  industriosos,  como  os  das  Co- 
marcas do  Rio  das  Mortes,  cSabará,  d'onde  sahirão  a  maior  parto  das 
íamilias,  que  hoje  o  povoão.  Exportão  todos  os  annos  muitos  porcos, 
e  muitas  boiadas  para  a  Corte  do  Rio  de  Janeiro,  e  importão  es- 
cravos. 

RIOS 

A  fora  o  Rio  Grande,  Rio  das  Vellias,  e  Paranahiba  os  mais  notá- 
veis da  Freguezia  são  —  Uberaba  falso  junto  ao  Arraial,  Rio  de  S. 
Francisco,  e  Rio  Verde,  que  vertem  para  o  Rio  Grande  :  Uberaba  le- 
gitimo. Tejuco,  Prata,  e  S.  Jerónimo,  que  vertem  para  o  Paranahiba. 

PORTOS 

Seuâ  Portos  (  no  Rio  Grande )  são  cm  a  ])arr.a  da  Ponte  Alta  hum 
aberto  em  Janeiro  de  1823  pelo  Sargento  M.'  António  Eustáquio  da 
silva,  por  onde  com  direitura  se  commonicão  os  moradores  do  Ube- 
raba com  os  da  Villa  Franca  do  Imperador,  e  passão  as  Tropas  de  S. 
Paulo  p.a,  Goyaz:  no  seu  estabelecimento  se  regularão  os  preços  das 
passagens  pelos  dos  outros  Portos  da  Província  de  Minas,  o  hoje  se 
regulão  arl)itraria,  e  exorl)itantemcnte  :  pois  por  hum  carro  sendo 
puxado  por  cinco  juntas  do  bois,  c  dirigido  por  duas  pessoas  paga  o 
desgraçado  carreiro  R.»  oSlMO,  alem  da  carga,  se  a  traz.  Outro,  rio 
abaixo,  denominado  o  Porto  da  Espinha  estaltelecido  por  Anhanguora 
no  tempo,  em  que  abrio  a  estrada  de  Goyaz  :  por  esto  raras  pessoas 
transitão,  tanto  por  ser  tortuosa  a  estrada,  como  porque  as  maleitas 
dão  sem  distinção  de  tempo.  (No  Rio  das  Vellias)  Hum  om  o  Regis- 
to deste  nome.  (No  Paranahiba)  Dous  por  onde  se  tem  passado  a  des- 
cobrir terras  na  Província  do  Goyaz,  os  quaes  ainda  estão  Innoml- 
nados. 

SERRAS 

He  Ponhecida  dentrd  ria  Freguezia  a  Serrada  Taliatinga,  que  he 
bi-aço  ou  ramo  daCanastva:  principia  no  Lanhoso  distante  ilo  Arraial 
do  Uberaba  duas  Icgoaíi,  o  vai  ate  o  Rio  da  Prata  na  lUstanoia  de  40, 
onde  se  divide  em  diversas  ramlíicações,  humas  para  o  Rio  Grande,  -' 
o  outras  para  o  Paranhiba,  e  alem  desta  se  conhecem  vários  peque- 
nos Serrotes. 


344  REVISTA   DO 

Ha  pelo  meio  dos  campos  formados  em  coUinas  grandes  buritizaes, 
que  des  d'as  suas  cabeceiras  lormão  pântanos  intransitáveis,  de  que 
se  servem  os  Fazendeiros,  ou  creadores  para  lormarem  barreiras  as 
creações  :  destes  mesmos  buritizaes  dimanão  agoas  muito  puras,  que 
servem  para  1)eber-se,  para  tocar  moinhos,  munjolos,  e  engenhos. 

Seja-me  pei^mettido  em  obsequio  ao  merecimento  dizer  em  conclu- 
são, que  estando  a  Freguezia  do  Uberaba  em  circunstancias  de  poder 
pela  natureza  do  seu  íertil  solo  interessar  muito  ao  Império,  e  uos 
particulares  nella  residentes,  e  que  vierem  depois,  deve-se  tudo  em 
grande  parte  ao  S,  M.'  António  Eustáquio  da  Silva,  que  não  se  tem 
poupado,  nem  a  despezas,  nem  a  ladigas,  nem  a  persuasões  para 
augmentar  a  sua  povoação,  por  em  actividade  o  seu  comercio,  e  ani- 
mar a  agricultura. 


CARTA   DA  SESMARIA 

D.  MANOEL    DE  PORTUGAL  E   CASTRO  DO     CONSELHO    DE    SUA 
Magestade  e  do  da  Sua  Real  Fazenda,  Governador,  e  Capitão  General 
da  Capitania  de  Minas  Geraes  etc.    Fayo    saber  aos   que  esta  minha 
carta  de  Sesmaria  virem  que  attendendo   a  me  Reprezentar  por  sua 
Petição  o  Capitão  João  do  Valle   Pereira,  que  no  Sertão   da  Farinha 
podre,  no  Julgado  do  Dezemboque,    na  Barra  do    Ribeirão  dos  Santos 
fortes  com  o  Ribeirão  de   São  Jerónimo  correndo  sua    medição  pelo 
dito    Ribeirão  dos   Santos  Fortes  acima  por  lium  e    outro  Lado  do 
mesmo  Ribeirão  se  axão  terras  devolutas   de  Criar  e  de  Agricultura 
qúe  partem  com  posses  de  José  Francisco  de  Azevedo,   e  Roíino  Luiz 
da  Silva,  e  hoje  pertencentes  a  Raymundo  da  Cunha  por  hum  lado  e 
pelos  mais  com  Sertão  baldio,  e  porque  o    Supplicante  as  queria  por 
Legitimo. titulo  de  Sesmaria,  me  pedia   lhe  Concedesse  na  dita  para- 
gem três  Legoas  de  terra  de  comprido  e  huma  de  largo  na  forma  das 
Ordens,  ao  que  attendendo  eu,  e  ao  que  respondeo  o  Dezembargador 
Procurador  da  Coroa.,  e  Fazenda  desta  Capitania    a  quem  ouvi  de  se 
lhe  não  oflerecer  duvida  alguma  na  Conceção  por  não  Encontrar  in- 
conveniente que  a  prohibisse,  a  vista  das  deligencias  a  que  por  Edi- 
taes  procedeo  o  Juiz  Ordinário  do  dito  Julgado,  e  pela  Faculdade  que 
Sua  Magestade  me  Permitte  nas  Suas  Reaes  Ordens,   e  na  de  13  de 
Abril  de    17'58,    para   Conceder  Sesmarias  de    terras  desta  Capitania 
aos    moradores   delia,  que  mas  pedirem :    Hey  por  bem  fazer  mercê 
( como  por  esta  faço  )  de  Conceder   em  Nome  de^.  Sua    Magestade,  ao 
dito  Capitão  João  do  Valle  Pereira,  por  Sesmaria  três  Legoas  de  terra 
de  comprido,  e  huuia  de  largo  nas  pedidas,    sem  interpolação  de  ou- 
tras, ainda  (lue  sejão  inúteis  na  Referida  paragem,  não  tendo  outra, 
V  não  sendo  esta  em  parte  ou  todo  delia  em  árias  prohibidas,  e  dentro 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  345 

das  confrontaçoens  acima  mencion:ulas,  íazendo  pií\o  aorulo  pertoncer 
com  (leclíiraçílo  porem,  que  será  ol)rij,';i(lo  dentro  em  hum  aiino,  (|uo 
se    contará  da  data  ilosta  a  doniarc.ila  jiulicialnionto,  sendo  para  esse 
ofVeito  notilioados  os  visinlios  com  (jucm  pnrtir  para  allo^rarem  o  que 
for  a  hum  do  sua  Justi(;a  e  elle  o  será  t;imh(ím  a  povoar,  o  cultivar  as 
ditas  ires  Le^oas  de  terra,   ou  parte  delhis  dentro  em   dous  annos,  a 
qual  não  comprohenderá  a  situaçílo  e  Lof!:radouros  do  algum  Ai-raial, 
ou  Capella,  em  que  so  administrem  ao  l'ovo  Sacramentos  com  Licen- 
cia do  Oi'dinario  ato  a  distancia  de  hum  quarto  do  Legoa,  nem    tam- 
bém comprehonderá    amhas   as  margens  do   algum    rio    navegável ; 
porque  neste  cazo  licará  de  huma,  e  outra  banda   delle  a  torra  que 
baste  para  o  uso  publico  dos  passageiros,  ode  huma  das  bandas  junto 
â  passagem  do   mesmo  rio,  so  deixará  livro  meia  Legoa  de  terra  para 
comniodidado  publica,  o    de  quem    arrendar  a  dita  passagem,    como 
determina  a  Ordem   de  11  de  Março  de  1754  Rezervando  os  Sitios  dos 
vizinhos    com  ((uem  partir  esta  Sesmaria,  nas  vertentes  e    Logradou- 
ros, sem  que  elles  com  esto  pretexto  se  queirão  apropriar  de  dema- 
ziadas  em  prejuízo  desta  moi-cè  que  laço  ao  Supplicante,  o  qual  não 
impedira  a  Repartição  dos  descobrimentos  de  terras  mineraos  quo  no 
tal  Sitio  hajão  ou  possão  haver,  nem  os  Caminhos  e  Serventias  publi- 
cas que  nelle  houver,  o  pelo  tempo  adiante  pareça  conveniente  abrir, 
para  melhor  utilidade  do  bem  commum,  com  declaração,  quo  partindo 
as  ditas  terras  por  mato  virgem  com    outra  Sesmaria,  se  deixará  na 
sua-  extremidade  por  essa  parte   huma  Linha  de    duzentos  palmos,  e 
alem   disto  se  conservará  a  decima  parte  dos  matos  virgens  das  Refe- 
ridas terras,  sendo  a  metade  desta  porção   dezignada  junto  aos  Cór- 
regos, ou  rios,  que  por  ellas  corrorom   para  a  creação  o  conservação 
das  madeiras  necessárias  para  o  uzo  publico  a  qual  porção   de    terra 
assim  Rozervada  não  poderá  o  Supplicante  Rossar  sem  Licença  deste 
Governo,  nem  impedir  que  no  lia  se  cortem  madeiras   para  os  Servi- 
ços mi  neraes   viziniios  proporcionalmente  a  arbítrio  de  bom    Varão; 
tudo  na  forma  do  Bando  do  l:í  de  Maio  do  1736,    e  possuirá   as  ditas 
três  Legoas  de    terra  com  condição  do    nella  não   succedorem    Reli- 
gioens.  Igrejas,  ou  Eccleziativos,  por  titulo  algum,  e  acontecendo  pos- 
suhilas  será  com  o  encargo  de  pagar  delias  Dizimos,  como  quaesquer 
Seculares,  e  será  outro  sim  obrigado    a  Mandar  Requerer    a  Sua  Ma- 
gestade  pela  Mesa  do  Desembargo   do  Paço   Conlirmação  desta   Carta 
de  Sesmaria  dentro  em  quatro  annos  que  correrão  da  data  desta  em 
diante,  a  qual  lhe  Concedo  salvo  sempre  o   Direito  Régio,  e  prejuízo 
de  terceiro,  e  faltando  ao  Referido   não  terá  vigor,  e  se  julgarão  por 
devolutas  as  ditas  três   Logoas  do  terra,  dandose    a  quem  as  denun- 
ciar;  tudo   na    Ibrma  da    Roaes   Ordens.   I'elo  que  o  Juiz   respectivo 
dará  posse  ao  Supplicante  das  Referidas  três  legoas  de  terra  de  com_ 
prido,  o  huma  de  largo  nas   pedidas,  não   sendo  em    parte,  ou  todo 
delia  em  árias  prohibidas,  e  prejudiciaes  aos  Reaes  Interesses;  porque 
em  tal  cazo  so  llie  não  dará  a  dita  posse,  nem  terá  efleito    esta  Con- 


346  REVISTA  DO 


^■^^s^>'^^*i 


ceção,  feita  a  demarcação,  o  notificação  como  Ordeno,  de  que  se  fará 
Termo  no  Livro  a  que  pertencer,  e  assento  nas  costas  d'esta,  para  a 
todo  tempo  constar  o  Referido.  K  por  lirmeza  de  tudo  lhe  mandei 
passar  a  prezente  por  mim  assignada  e  Sellada  com  o  Sello  de  mi- 
nhas Arniiis,  que  se  cumprirá  inteiramente  como  nella  se  contem, 
Ivcgistando-se  nos  Livros  da  Secretaria  deste  (ioverno,  e  onde  mais 
tocar.  Cosme  Damião  da  Silveira  afes  Dada  em  Villa  Rica  de  Nossa 
Senhora  do  Pilar  do  Ouro  Preto,  a  17  de  Julho.  Anno  do  Nascimento 
de  Nosso  Senhor  Jezus  Christo,de  mil  oitocentos  e  dezenove. — O  Secre~ 
tario  do  Governo— João  Jozé    Lopes    Mendes    Ribeiro    a  fes  escrever. 

D.  Manoel  de  portugal  e  Castro. 

CARTA  DE  SESMARIA  PORQUE  V.  Ex.a  HA  P.'"  bem  fazer  mercê 
de  Conceder  em  Nome  de  Sua  Magestade  ao  Capitão  João  do  Valle 
Pereira  por  Sesmaria  três  legoas  de  terra  de  comprido,  e  huma  de 
largo  na  paragem    acima  mencionada  ;  tudo   como  nella  se  declara 

Para  V.  Ex.='a  ver. 

Reg.-ia  a  fs.  305  do  L.»  de  Reg.*»  de  Cartas 
de  Sesmaria  que  actualmente  serve  nesta  Se- 
cretaria do  Governo  de  Minas  Geraes  Villa  Rica 
17  de  Julho  de  1819. 

João  José  L  )pes  Mendes  Ribeiro. 

Dizen  os  nòs  abaixo  assignado  q.^  sedemos  e  três  pomos  todo  u  jus 
e  duminc  q.^  temos  neste  titulo  de  sesmaria  na  peçoa  de  Thomaz 
José  de  Miranda  Porto  que  ficará  sendo  de  hoje  para  todo  sempre  e 
nos  asin'„mos  eu  e  m.a  Mulher  Hoje  21  de  Maio  de   1839. 

LuizA  Arménia  da  S.»  . 
João  do  Valle  Pereira. 


CREftÇÃO  D[  VILLAS 


NO  período  colonial 


PARACATU' 


Copia  authentica  de  todos  os  autos  que  se  fizeram  no 
estabelecimento  da  Villa  do  (Paracatà  do  (Principe, 
extrahida  dos  livros  competentes  da  Camará  da  meS' 
ma  Villa^ 

(Manuscripto  do  Archivo) 


Anto  «le  posKe  do  Doutor  Jo»^  Gregório  do  .llornoíi  \avnrro. 
do  I^iiKHi*  de  Juiz  de  Fora  do  Cirel.  e  Oiiue,  o  OrpliaouN 
deMta  Vílla  coui  Kcadunçilo  de  Corregeilor  eouio  Criador  do 
nieNOio  Lugar. 

Anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesu  Christo  do  mil  sete 
centos  noventa  e  nove  annos  a  os  quatorzo  dias  do  mez  de  I)ezeml)i<» 
do  dito  anno  nesta  Villa  do  Taracatu  do  Principe  nos  Passos  do  Con- 
celho onde  eu  escrivão  fui,  e  bem  assim  os  Juizes  Ordinários  Cae- 
tano Miguel  de  Moura,  e  Francisco  Dias  Duarte  Nóbrega  e  Povo 
abaixo  assignados,  e  sendo  abi  também  ])resente  o  dr.  José  (írego 
rio  do  Moraes  Navarro,  apprezentou  o  Alvará  do  vinte  de  Oituliro  de 
mil  sete  centos,  o  noventa  e  oito  pelo  (jual  A  Rainlia  Nossa  Seniio- 
ra  Ibi  sevida  erigir  o  Arraial  de  Paracatu  em  \  illi  o  (|ual  \[v;ii;i 
foi  logo  lido,  o  publicado  :    depois  apprezentou   tamlicm  a  sua  Caita 


348  RKVISTA   DO 


pela  qual  a  Mesma  Senhora  Ibi  servida  íazer-lhe  Mercê  do  Lugar  de 
Juiz  de  Fora  do  Civel  Crime  e  Orphaons  desta  mesma  Villa  com  gra- 
duação de  Corregedor  que  lhe  pertence  como  Criador  do  dito  Lu- 
gar, 6  finalmente  a  Provisão  de  vinte  de  Abril  de  mil  sete  centos  no- 
venta e  nove  annos  pela  q'  Sua  Magestado  foi  servida  encarregar  o 
mesmo  Ministra  da  Criação  desta  dita  Villa,  e  em  cumpiimento  de 
tudo  tomou  o  dito  Ministro  posse  do  dito  Lugar  para  o  servir  por 
tempo  de  três  annos  ou  em  quãto  Sua  Magestade  não  for  servida 
mandar  o  contrario,  e  para  constar  fiz  este  auto  que  todos  assigna- 
rão  e  eu  Manoel  da  Costa  Cardozo  Escrivam  do  Publico  Judicial  e 
Nottas  que  o  escrevi.  — José  Gregório  de  Moraes  Navarro.  —  Caetano 
Miguel  de  Moura.  —Francisco  Dias  Duarte.  — O  Vigr.^^  Ant.o  Joaq.-" 
de  Sz.*  Corr.*  e  Mello.  —  Florêncio  Guedes  P.t"  de  Sz.»  Carvalho.  — 
Capp.i"  Command.«  José  Baptista  Franco. —Alberto    Duarte   Ferreira. 

—  Manoel  José  de  Olivr.a  Guimar.-^ —José  Pinto  de  Queiroz. —Luiz 
José  de  Carvalho.  — António  José  Pereira.— Manoel  José  Ferr.<*  Sotto. 

—  Manoel  Rodrigues  Cordeiro.  — O  P.«  Manoel  da  S.»  Pereira. —Thomé 
Alves  de  Araújo. —  António  da  Costa  Carlos. —José  Guedes  da  Silva 
Porto. —Domingos  José  Pim.ei  Barbosa. —João  de  Oliveira  Pais. — 
Francisco  J  a  de  S.  P.'^  S.»  Guimar.s  .  — João  Gomes  do  Rego. — 
José  Pereira  de  Barros. —Manoel  Nunes  Proença. —  Francisco  M.e' 
Soares  Vianaa.— Manoel    Pires  Bragança.  — António  da    Costa  Pinto. 

—  Thomaz  Freire  de  Andrade.— Francisco  Xavier  da  Motta.  —  Se- 
bastião da  S.a  Leão.  — António  de  Britto  Freire.  —Vicente  de  Almeida 
Leite.  —  José  Corrêa  Silva. 


REGISTO  DO  ALVARÁ'  de  vinte  de  Oitubro  de  mil  sete  centos  no- 
venta e  oito  pelo  qual  Sua  Magestade  foi  servida  erigir  em  Villa  o 
Arraial  do  Paracatu,  e  Crear  nella  o  Lugar  de  Juiz  de  Fora,  Civil, 
Crime-  e  Orphaons  com  os  Ordemnados  e  Emolumentos,  q."  vence  o  Juiz 
de  Fora  de  Marianna. 

EU  A  RAYNHA.  Faço  saber  aos  que  este  meu  Alvará  virem :  que 
sendo-me  prezente  em  Consulta  do  CoMselho  Ultramarino  a  neces- 
sidade que  havia  de  se  erigir  em  Villa  o  Arraial  do  Paracatu,  da  Co- 
marca do  Rio  das  Velhas,  na  Capitania  de  Minas  Geraes,  e  de  se 
crear  nella  o  Lugar  de  Juiz  de  Fora,  tanto  pela  grade  Povoação  do 
dito  Arraial,  e  dos  Lugares  mais  próximos,  que  deverão  ficar  com- 
prehendidos  uo  Termo  que  se  lhe  assignar,  como  pela  distancia  de 
cento,  e  seis  Legoas,  em  que  está  da  Villa  do  Sabará  que  he  cabeça 
da  Comarca,  por  cujo  motivo  sofrem  aquelles  Povos,  gravíssimos 
prejuízos,  e  damnos  irreparáveis,  jà  pela  dificuldade,  e  demora  dos 
seus  recursos  a  o  Ouvidor  da  Comarca,  principalmente  nos  cazos 
que  pedem  mais  promptas  providencias  ;  ja  pelos  excessivos  salários 


ARCHIVO  PUBLICO  MINEIRO  349 


quo  lovão  os  Olílciaes  de    Justiça    da  Cabeça   da  Comarca,    que  trio 
lonfre  são  mandados  ao  dito  Arraial   em  delifíoncias  requeridas  polas 
partias,  ou  abem  do  Meu  Real  Serviço;  Ja  tinalmente  por  falta  de  liu'a 
boa  adiiiinistraçao  da    Justiça   tilo  necessária    para    a  tran(iuilidado, 
e  so<?urança  publica.  K  conlbrmando-mo  com   o   parecer   do  mesmo 
Conselho,  sendo   ouvidos  os  Dezembargadores,   Procuradores   da  Mi- 
nha Fazenda  <•  Coroa  :  Hey  por  bem  erijíir  o  dito  Arraial  do  Paracatu 
em  Villa  liberalizando-liie  lojío  no    momento  do  sua  Croação  a  Merco 
de  hum  Juiz  <le  Fora  do  Civel,  Crime,  e  Orphaons  com  os  Ordemnados 
e  emolumentos  que  vence  o  Juiz  de  Fora  de  Marianna;  rejíulados  es- 
tes pelo  Alvará  de  Ley  de  dez  de  oitubro  de  mil  sete  centos  sincoenta 
e  (|uatro  para  que  na  sobredita  Villa  Novamente  erecta  se  possa  ad- 
ministrar a  Justiça,  e  promover  o  bem  commum  delia  como  convém 
ao  Serviço  de  Deus,  e  Meu  :  Ordemnando  como  por  este   Ordeno,  que 
ua  publicação    deste  em  diante    se    denomina  Villa    de  Paracatu  do 
Príncipe  ;  e   que  tenha  e  goze  de  todos    os     privilégios.    Liberdades, 
franquezas,  honras,  izençoens,  de  que  gozão  as  outras  Villas  do  mesmo 
Estado  do  Brazil,  e  os  seus  moradores,  sem  ditVerença  algua,  por  que 
assim    he    Minha    vontade    e    Mercê.    Pelo    que:    Mando  a  todos  os 
Tribunaes  ;  ao  Governador,  e  Capitão  General  da  Capitania   de  Minas 
Geraes,  e  a  todos  os  Provedores,  Corregedores,  Ouvidores,  e  Juizes  Olli- 
ciaes  de  Justiça,  ou  Fjizenda,  e  mais  pessoas  a  quem  o  conhecimento 
deste  Alvará  pertencei,    que  o  cumprão,  e  guardem,  e  lação  intei- 
mente  cumprir,    aguardar,  como  nelle  se    contem    sem  duvida,  ou 
embargo  algum,  não  obstante  quaesq.f  Leys,  Ordem  naçoens.  Regimen- 
tos, Disposiçoens,  Doaçoens,  Decretos    ou  Estillos  contrários  que   to- 
tós para  este  efTeito  somente  Hey  por  derrogados,  como  se  de  todos, 
e  cada  hum  delles  fizesse    expressa    menção,  ficando  aliás    em    seu 
vigor.  Ao  Dezembargador  José  Alberto  Leitão   do  Meu  Conselho  Dez- 
embargador  do  Passo,  e  Chanceller  Mór  do  Reino;  Ordeno  que  a  faça 
publicar  na    Chancellaria,  e  registar  em  todos  os  lugares  em  que  se- 
melhantes Alvaraz   se    costumão    registar,    e  o  original  se  mandará 
para  a  Torre  do  Tombo.  Dado  em  Lisboa  a  os  vinte  de  Oitubro  de  mil 
setecentos  noventa,  e  oito.  Príncipe. 


REGISTO  DA  CARTA  por  que  Sua  Magestade  foi  servida  fazer 
Mercê  ao  Bacharel  José  Gregório  de  Moraes  Navarro  do  Lugar  de 
Juiz  de  Fora  desta  Villa,  como  abaixo  se  declara. 

Dona  Maria  por  Graça  de  Deus  Rainha  de  Portugal,  e  dos  Algar- 
ves,  d'aquem,  e  d*alem  Mar  em  Aflrica  Senhora  de  Guiné,  e  da  Con- 
quista Navegação,  Comercio  da  Ethiopia,  Arábia,  Pérsia,  e  da  índia.  & 
Faço  saber  a  voz  Juiz  Vereadores,  Procurador,  Fidalgos,  Cavalleiros, 
Escudeiros,  Homens  Bons,  e  Povo  da  Villa  do  Paracatu,  e  a  outi-as 
quaesquer  Pessoas  a  que  esta  Minha  Carta  for  mostrada,  e  o  Conhe- 


350  REVISTA   DO 

cimento  delia  pertencer,  que  Eu  Hei  por  bem  fazer  Mercê  ao  Bacha- 
rel Jozé  Gregório  de  Moraes  Navarro,  do  Lugar  de  Juiz  de  Fora  des- 
sa Vilhi,  para  o  servir  com  ííradua(;ão  de  Correição  que  lhe  pertence 
Como  Creador  por  tempo  de  tros  annos,  e  o  mais  que  decorrer  em- 
quanto  Eu  não  mandar  o  contrario,  o  qual  elle  servirá  segundo  a 
forma  de  ]\Iinhas  Ordenaçoens,  e  com  elle  haverão  Ordenado  pròes,  e 
precalsos  que  direitamente  lhe  pertencerem,  c  por  tanto  Mando-vos 
lhe  deis  a  posse  do  dito  Lugar,  e  lhe  ohedeçaes,  e  cumpraes  suas  Sen- 
tenças, Juízos,  e  Mandados  que  elle  por  bem  -do  Justiça  e  meu  Ser- 
viço mandar  sob  as  penas  que  pozer,  que  serão  com  effeito  execu- 
tadas naquelles  que  assim  o  não  cumprirem,  o  nellas  incorrerem  ;  e 
jurará  na  Chancellaria  aos  Santos  Evangelhos,  de  que  bem  e  verda- 
deiramente sirva  guardando  em  tudo  Meu  Serviço,  e  as  Partes  seu 
Direito  de  que  se  farão  os  Assentos  necessários  nas  costas  desta 
Carta  que  por  firmeza  do  referido  Mandei  passar  p."^  Mim  assignada, 
e  Sellada  de  Meu  Sello  pendente  que  se  cumprirá  como  nella  se  con- 
tem, e  remetterá  ao  ]\Ieu  Real  Erário  huma  Certidão  da  Posse  logo 
que  a  tomar,  e  outra  a  Meza  do  Dezembargo  do  Passo  pena  de  Sus- 
penção.  Pagou  de  novos  Direitos  cento  vinte  nove  mil  sincoenta  e 
nove  reis  que  se  carregarão  ao  Thezoureiro  delles  no  Livro  decimo 
quinto  da  sua  receita  a  folhas  cento,  c  trinta  e  quatro,  do  tempo 
que  sérvio  de  Juiz  de  Fora  de  Terena  e  deu  fiança  no  Livro  decimo 
terceiro  delias  apagar  do  Lugar  que  vai  provido  logo  que  conste 
da  sua  avaliação,  como  se  vio  de  hum  conhecimento  requerido  no 
Livro  sessenta  do  Registo  Geral  a  folhas  quarenta.  Dada  em  Lisboa 
aos  quatro  de  Março  de  mil  sete  centos  noventa  e  nove  annos.  Prín- 
cipe. Luiz  de  Vasconcellos,  e  Sousa — Prezidente, 


REGISTO  DE  HUMA  Provizão  pela  qual  Sua  Magestade  foi  ser- 
vida encarregar  ao  Doutor  José  Gregório  de  Moraes  Navarro  Creador 
do  Lugar  de  Juiz  de  Fora  desta  Villa,  da  Creação  da  mesma  Villa. 

Dona  Maria  por  Graça  de  Deus  Rainha  de  Portugal